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segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Planet Hits 4 (1997)

🎧 Introdução: Planet Hits 4 - O Gosto do Sucesso

O 4º Volume – e último – da franquia Planet Hits chegou no 1º semestre de 1997, já abandonando o lema original "os 14 maiores hits do Planeta" para abraçar o novo slogan "O gosto do sucesso". E, também, pudera! Na época do lançamento, a embalagem vinha com um colorido amarelo vibrante, ostentando uma boca fazendo uma bola de chiclete em formato de globo terrestre. Para completar essa experiência pop, a caixinha e o encarte vinham com um aroma de tutti-frutti. Esse contexto sensorial mostra o esforço da coletânea em capturar a essência daquele momento da música. A seguir, analisaremos faixa a faixa se o Planet Hits 4 realmente entregou tudo o que prometia.

01. Wannabe - Spice Girls: O quinteto feminino Spice Girls surgiu no Reino Unido em 1994, estabelecendo-se como o grupo vocal mais bem-sucedido da década. Suas integrantes eram: Melanie Brown ("Scary Spice"), Melanie Chisholm ("Sporty Spice"), Emma Bunton ("Baby Spice"), Geri Halliwell ("Ginger Spice") e Victoria Adams ("Posh Spice"). O primeiro álbum, "Spice" (1996), abriu com o single "Wannabe", que se tornou um sucesso mundial instantâneo. Devido ao desgaste e à exaustão das turnês, Geri Halliwell deixou o grupo em 1998. O quarteto seguiu até 2001, quando entrou em hiato. O grupo se reuniu entre 2007 e 2008 para a turnê Return of the Spice Girls, lançando o single inédito "Headlines (Friendship Never Ends)" (2007) para promover a coletânea Greatest Hits. Desde então, as integrantes mantêm reuniões esporádicas para shows e comemorações, sem lançar novos álbuns de estúdio.

02. Mmm Bop - Hanson: O hit "MMMBop" marcou o início da carreira mundial do Hanson em 1997, impulsionando o álbum "Middle of Nowhere". A banda é composta pelos irmãos Isaac, Taylor e Zac Hanson, que começaram a tocar muito jovens. Embora a versão final da canção tenha sido o grande sucesso do álbum, ela já fazia parte do repertório do trio e tinha sido gravada em uma versão anterior, um ano antes do lançamento global.

03. Discothèque - U2: Lançado em 1997, o álbum "Pop" do U2 foi um marco na carreira da banda, trazendo o single "Discothèque" como um de seus destaques. A música é o resultado de uma influente fusão de rock com a música eletrônica, criando uma sonoridade única e envolvente. O sucesso comercial do disco culminou na PopMart Tour, uma das turnês mais lucrativas do grupo, conhecida por sua cenografia grandiosa que explorava intensamente a mistura de luzes, LEDs e raios laser.

04. Midnight in Chelsea - Jon Bon Jovi: com o Bon Jovi em um período de hiato, causado pela exaustão dos integrantes e pelo desgaste sentido na voz de Jon Bon Jovi após anos de hard rock, o vocalista se dedicou à sua carreira solo. Jon demonstrou abertura para um estilo mais pop e reflexivo, explorando notas mais adequadas ao seu conforto vocal. O resultado dessa experimentação foi o álbum "Destination Anywhere" (1997), com "Midnight in Chelsea" como primeiro single e carro-chefe da divulgação. Complementando essa nova fase, Jon Bon Jovi investiu também na carreira de ator, estrelando o filme "Paixões Alucinantes" (título original Little City, de 1997) e fazendo uma participação especial como ele mesmo na série brasileira Malhação para promover seu trabalho.

05. Too Many Tears - Whitesnake & David Coverdale: Em 1997, David Coverdale lançou "Restless Heart", um álbum que a gravadora insistiu em creditar como David Coverdale & Whitesnake, embora o cantor o tivesse concebido como um projeto solo mais focado no blues rock. A balada "Too Many Tears" foi o single de divulgação do álbum, e, apesar de ser uma escolha de mercado, a canção se destaca pela sua qualidade e profundidade. Ela é, de fato, uma faixa que merece ser ressaltada no repertório do disco.

06. Lovefool - The Cardigans: O single "Lovefool" foi lançado em 1996, integrando "First Band on the Moon", o terceiro álbum da banda sueca The Cardigans. Contudo, a canção alcançou projeção global ao ser incluída na trilha sonora de "Romeu + Julieta" (1996), a adaptação moderna estrelada por Leonardo DiCaprio e Claire Danes. Com uma sonoridade disco-pop cativante e letras despretensiosas, a faixa conquistou o grande público e ganhou até um remix de Todd Terry, que garantiu seu sucesso nas pistas de dança.

07. Believe - Jon Secada: A faixa é uma poderosa balada dance presente no álbum Secada, lançado em 1997 pela EMI. Como segundo single de divulgação, "Believe" teve grande rotação nas rádios brasileiras, tornando-se um hit essencial e com o ritmo contagiante perfeito para a coletânea.

08. No Sè Si Es Amor (It Must Have Been Love) - Roxette: Em 1996, após mais de dez anos de carreira, o Roxette decidiu presentear o mercado hispânico com o álbum Baladas en Español, uma coletânea de seus maiores sucessos traduzidos. “No Sè Si Es Amor” (versão de “It Must Have Been Love”) foi o single de maior destaque, rapidamente absorvido pelas rádios no Brasil. Embora as bases das canções originais tenham se mantido intactas no arranjo, a versão apresenta um vocal ainda mais maduro da dupla Marie Fredriksson e Per Gessle, com uma fluência e emoção notáveis no idioma espanhol.

09. Star People (Forthright Edition) - George Michael: Aqui, a coletânea repete o equívoco de trazer um remix em vez do single original, e dessa vez com uma escolha pouco conhecida pelo público brasileiro. “Star People” é uma faixa Pop/Jazz-Funk do álbum Older (1996), mas a inclusão da edição Forthright a transforma em uma faixa Euro-dance genérica. Esta versão não obteve o mesmo sucesso do single anterior do álbum ("Fastlove") no Brasil, e sua escolha para o Planet Hits 4 é, no mínimo, questionável, destoando do restante do repertório. Não gostei e não gosto até hoje.

10. Everyday Is a Winding Road - Sheryl Crow: A canção é o segundo single de divulgação do álbum autointitulado Sheryl Crow, lançado em 1996. Embora esta faixa de Pop/Rock não tenha tido a força estrondosa dos singles do seu álbum de estreia, a escolha do curador foi muito boa, pois se trata de uma melodia agradável e com um refrão memorável. Além disso, a canção ganhou novo fôlego em 2000 ao ser tema do filme Erin Brockovich – Uma Mulher de Talento, estrelado por Julia Roberts, reforçando seu status de hit duradouro.

11. Words - Boyzone: Esta canção, presente no álbum A Different Beat, lançado em 1996, exemplifica a tendência do Boyzone de ter um cover na manga. No entanto, a PolyGram falhou ao pautar a banda com apostas melhores, trazendo um single que o público brasileiro já podia esquecer. Além de “Words” (originalmente dos Bee Gees) ter chegado na coletânea com atraso e fadigando os ouvidos, esta regravação açucarada e inócua soa desrespeitosa com o legado dos Bee Gees simplesmente por limar pedaços da letra e focar na repetição vã e cansativa do refrão: "You think that I don't even mean a single word I said...". Chata, mil vezes chata!

12. Amándote - Thalía: O álbum En Éxtasis (1995) chegou ao Brasil de forma tardia, pois a EMI Latin só demonstrou interesse em divulgar a cantora mexicana após o estrondoso sucesso de suas novelas (Maria Mercedes, Marimar e Maria do Bairro) exibidas no SBT. A canção “Amándote”, que foge da sonoridade pop latino mais tradicional do álbum com sua batida dance empolgante, teve rápida aceitação. Produzida por A.B. Quintanilla III, a faixa provou ao público brasileiro que Thalía não era apenas um rosto bonito da TV, mas uma artista que cantava e atuava muito bem.

13. 
It's My Life - DJ BoBo: O segundo single de divulgação do álbum World In Motion, de 1996, encerra o Planet Hits 4. A canção apresenta o suíço René Baumann (DJ BoBo) no rap, com os poderosos vocais femininos da cantora Lori Glori e a participação ragga de Papa Winnie. O resultado é um Euro-Ragga/Dancehall eufórico, que resgata a energia contagiante de “There Is A Party” e “Everybody”, garantindo que o álbum termine em alta rotação. 

14. 
Boombastic - Shaggy: Lançado em 1995, o single “Boombastic” foi o grande propulsor do terceiro álbum do jamaicano Shaggy. A faixa é um clássico do Reggae Fusion/Dancehall que conquistou o mundo com seu groove marcante, o vocal grave (o famoso "Mr. Lover Lover") e a produção impecável. A música não só fez enorme sucesso nas rádios brasileiras como foi catapultada globalmente ao ser tema de uma campanha publicitária da Levi’s, garantindo sua presença obrigatória em qualquer coletânea de hits da época.

Nota de memória afetiva: Embora eu não tivesse esse CD na época, era notável que as pessoas davam a coletânea de presente em 1997, motivadas até pela proposta do álbum com cheirinho de chiclete. Eu loquei ele umas três vezes na locadora de CDs Laser Express naquele ano para gravar músicas para as minhas coletâneas em K7. Mas em 2013 encontrei o CD em um sebo e o trouxe para a minha coleção, juntamente com os demais CDs da série.

Bom, chegou agora a hora de baixar o CD em FLAC, clicando AQUI.

Planet Hits 3 (1996)

 

💿 Planet Hits 3: O Ano da Consolidação (2º Semestre de 1996)

E quando todos pensavam que a série Planet Hits acabaria, o 2º semestre de 1996 nos brinda com o 3º volume, vindo em uma capa com borda preta e nomes dos artistas preenchendo a borda em bege, com o meio em laranja e um holofote com um Globo terrestre na frente. Totalmente diferente da sugestão de capas escuras das edições anteriores.

A joint-venture PolyGram-EMI se mantinha firme, trazendo para o 2º semestre uma grande seleção, mas com 14 músicas que, mais do que nunca, mostravam as escolhas peculiares da curadoria.

🎧 A Jornada Auditiva do Volume 3

01. The Cranberries — "Free to Decide": Abertura certeira, que finalmente colocava o The Cranberries em um timing de divulgação mais ajustado ao mercado global, contrastando com o caos cronológico visto nos volumes anteriores. A coletânea acerta ao iniciar com a faixa do álbum "To The Faithful Departed" (1996), embora este fosse um trabalho mais obscuro e menos aclamado que seus antecessores. Após o longo atraso de "Ode to My Family" (Volume 1) e o surpreendente choque apocalíptico de "Zombie" (Volume 2), esta inclusão pontual marca, de certa forma, a normalização da presença da banda nas coletâneas nacionais.

02. George Michael — "Fastlove" (Remix): O carro-chefe do álbum "Older", lançado em 1996 – três anos após o EP Five Live com o Queen – aparece aqui em uma versão remix assinada pelo projeto Fortright, marcando uma decisão claramente equivocada. A coletânea trouxe um remix acelerado que nunca deu as caras em FM alguma, a não ser em programas voltados para música eletrônica especializada. Seria muito mais coerente se tivessem selecionado a versão classuda "Summer Mix" que, posterior ao lançamento do single, foi adotada pela Rádio Antena 1 e apresentava um arranjo idêntico ao do MTV Unplugged do cantor. Na época tinha ranço da música, hoje a ouço como se fosse uma parte 2 da original.

03. Everything But the Girl — "Wrong" (Todd Terry Remix): Inclusão certeira. A coletânea trouxe a versão remix assinada por Todd Terry (do álbum "Walking Wounded" de 1996), repetindo o sucesso da parceria em "Missing".

04. Bon Jovi — "These Days": O quarto single do álbum homônimo foi um hit poderoso do grupo. Inclusão certeira. Só teria optado pela versão Radio Edit, para diferenciar a versão do album.

05. Gianluca Grignani — "La Mia Storia Tra Le Dita": A canção chegou ao Brasil no frio de junho de 1996, sendo marcada pelas rádios como a "canção do outono". Lançada como single em 1994, e no álbum "Destinazione Paradisio" em 1995, sua inclusão, puxada pela novela Vira Lata, demonstra o timing perfeito da PolyGram em capitalizar o sucesso de um hit que explodia no mercado nacional.

[Nota Analítica] Essa cronologia de sucesso tardio reflete uma questão estrutural do mercado brasileiro na época, que só reconheceu e priorizou o pop/rock italiano (como ele e Laura Pausini) após sua consolidação na Itália e no mercado hispânico.

06. Pet Shop Boys — "Se a Vida É (That´s the Way Life Is)": Lançada no álbum "Bilingual", é uma grata fusão do pop eletrônico britânico com os tambores do Olodum, uma das canções mais solares do PSB.

07. Sheryl Crow — "If It Makes You Happy": A gravadora PolyGram demonstrou timing perfeito, liberando essa balada poderosíssima junto com o lançamento do álbum homônimo (1996). Essa inclusão pontual representa, finalmente, um acerto editorial na caótica cronologia da artista no Brasil. Após os atrasos do Volume 1 (com B-sides virando hits por novela) e a divulgação estendida no Volume 2, a PolyGram atinge o auge da sincronia. A faixa provou sua força, sendo resgatada dois anos depois como tema da minissérie Labirinto.

08. Lenny Kravitz — "Can't Get You Off My Mind": Com a EMI/Virgin também no timing, a faixa do álbum "Circus" (1995) foi single em 1996. A inclusão dessa balada expõe a rica, mas indefinida, sonoridade de Lenny Kravitz e a confusão do público brasileiro. Seu cartão de visitas no país foi a balada R&B "It Ain't Over 'Til It's Over" (tema da novela Vamp), um som que logo foi confrontado pelo Hard Rock de "Are You Gonna Go My Way". Com essa trajetória de extremos, a canção "Can't Get You Off My Mind" — mais suave e Soul — reforça a dificuldade da indústria em classificá-lo. No entanto, essa oscilação de gêneros nunca diminuiu o profundo respeito que o público e a crítica mantiveram por sua integridade artística.

09. Bryan Adams — "The Only Thing that Looks Good on Me Is You": Faixa do álbum "18 Til I Die" (1995). Essa e a próxima faixa entram na categoria de sugestão de curadoria. Na época, eram músicas que eu pulava, mas hoje, por identidade musical adquirida, eu ouço sem pular e ainda subo o volume de tão boas que são.

10. Roxette — "June Afternoon": Faixa da coletânea "Don't Bore Us! Get To The Chorus!" (1995) do Roxette, é considerada uma escolha de curadoria notável. A inclusão dessa faixa, porém, sugere uma estratégia editorial: se a gravadora tivesse selecionado o grande sucesso "You Don't Understand Me" (que despontou em 1996), o público com coleções como a Planet Hits teria menos incentivo para adquirir o CD completo do Roxette.

11. Shania Twain — "The Woman in Me (Needs The Man in You)": A faixa é simplesmente arrebatadora. Lançada em agosto de 1995 como o terceiro single do álbum homônimo, ela só ganhou destaque no Brasil em 1996, puxada pela novela O Rei do Gado (tema de Lia Mezenga). O pleno vigor vocal da cantora, unido ao trabalho do produtor Robert John "Mutt" Lange, reflete o ápice do casal, entregando uma balada de ambição e força inigualáveis. Essa faixa merecia um posto de maior destaque na coletânea, mas, principalmente, não ser seguida pelo desastre que viria a seguir.

12. Maxi Priest — "That Girl (Club Edit)": Este é, de fato, outro equívoco, e francamente brochante. Mais do que a escolha de uma faixa que não era um hit avassalador, a coletânea insistiu na inclusão de uma versão eletrônica acelerada que sequer captura a essência sofisticada do artista, que funde o R&B com o reggae. A canção original, que abria o álbum "Man With The Fun" (1996) e que dominava as rádios, era superior. Além disso, sua inserção logo após a faixa avassaladora de Shania Twain quebra a fluidez e a experiência crescente de deleite etéreo. A coletânea falhou ao apresentar uma versão inferior e deslocada do hit de rádio, o que me faz, até hoje, suspirar com um sonoro "affffffff" mental e um leve sorriso de canto de boca.

13. Soraya — "Suddenly": Quase encerrando, a colombiana Soraya (In Memoriam) traz a faixa do álbum "On Nights Like This". A canção foi lançada simultaneamente como bonus track na edição hispânica "En Esta Noche", sendo a versão em inglês para "De Repente", marcando com afinco sua estreia no mercado global. Embora a cantora não tenha chegado à indicação ao Grammy por esta faixa, seu trabalho de estreia demonstrou que ela alcançou um patamar de respeito na indústria. A canção é, de fato, muito linda! A inclusão na trilha da novela Anjo de Mim é, nesse contexto, mero detalhe.

14. Elbosco — "Nirvana": Fechando o ciclo de grandes hits, o projeto misturava canto gregoriano com batida tecno new age. A canção, tema da novela Quem É Você, encerrou a coletânea com um toque de espiritualidade eletrônica.

Para baixar esta coletânea em FLAC, clique AQUI.

Planet Hits 2 (1996)

 

O Volume 2 do Planet Hits foi a prova definitiva do acerto da joint-venture PolyGram-EMI: "Se é para o bem e felicidade da nação digo ao povo que fico". O projeto deixou de ser uma aposta e se tornou uma potente franquia, consolidando-se como uma vitrine indispensável de grandes músicas e sucessos daquele ano.

A Jornada Auditiva do Volume 2

01. Queen — "Heaven for Everyone": O álbum "Made in Heaven" (1995), lançado após a morte de Freddie Mercury, é uma verdadeira colcha de retalhos de material de arquivo do Queen. A faixa é um grande exemplo do trabalho de Brian May e Roger Taylor, que aplicaram a identidade sonora da banda a sobras vocais de Mercury para criar um material que soasse inédito. A canção, na verdade, era uma participação vocal de Mercury no projeto solo The Cross, de Roger Taylor, tendo sido lançada como single inexpressivo em 1988. No entanto, o relançamento, após a morte de Mercury, transformou-a em um hit global, provando o legado duradouro da banda. É com esse fervor e emoção que a faixa abre a coletânea Planet Hits 2.

02. Bon Jovi — "Lie to Me": A banda provou que ainda tinha muito a oferecer após o sucesso da coletânea "Cross Roads - The Best Of" (1994). O álbum seguinte, "These Days" (1995), trouxe a belíssima balada romântica "Lie to Me". A faixa rapidamente se tornou recorrente nas FMs brasileiras, dominando especialmente os programas noturnos de músicas lentas (Love Songs), solidificando o lugar da banda como ícone do rock romântico na década.

03. Andru Donalds — "Save Me Now": Outro grande acerto da EMI foi consolidar a carreira de artistas como Andru Donalds, investindo em "Save Me Now" como single principal (tema de novela), o que foi fundamental para desmistificar sua imagem de cantor apenas de reggae. A canção ganhou peso de single apenas no Brasil, graças à sua imersão como tema romântico da novela Cara & Coroa. Um dado curioso: no álbum do artista, ela encerra o disco, mas na trilha internacional da novela, ela abre trilha sonora, provando que os últimos em uma forte curadoria, podem ser os primeiros.

04. Masterboy — "Land of Dreaming (US Radio Mix)": Masterboy provou a necessidade de criar álbuns de qualidade, e não apenas singles. O projeto de eurodance alemão demonstrou versatilidade com o single dancehall "Land of Dreaming", pertencente ao album Generation Of Love que ganhou destaque na rádio na sua versão original gospel (tema da novela Vira Lata), mas a coletânea optou pela poderosa versão US (americana).

05. Michael Learns To Rock — "That's Why (You Go Away)": A gravadora EMI acertou ao licenciar o selo Medley Records, trazendo o soft rock dinamarquês do Michael Learns To Rock para o Brasil. A canção foi destaque do álbum "Played On Pepper", o terceiro da banda, que, apesar de ter iniciado suas atividades em 1991, alcançaria sucesso global somente a partir deste trabalho. Com esta balada, a banda garantiu grande destaque e consolidou a presença de artistas nórdicos no mercado nacional. A canção, posteriormente, foi incluída na trilha sonora da novela Explode Coração.

06. Sheryl Crow — "Can't Cry Anymore": A curadoria da coletânea trazia faixas de artistas com ciclos de divulgação estendidos, cuja inclusão de "Can't Cry Anymore" permitiu que o aclamado "Tuesday Night Music Club" (1994) da artista se estendesse até 1996 no Brasil, seguindo o timing particular da Sheryl Crow em território nacional. No entanto, a canção não teve tanto destaque, já que hits mais potentes completaram o ciclo de divulgação, mesmo que de forma anacrônica, em 1995.

07. Mike & The Mechanics — "Over My Shoulder": É fato que a banda quebrou um longo jejum de hits desde a década de 1980 com o álbum "Beggar on a Beach of Gold" (1995). O grande destaque foi esta balada folk. Contudo, o vocalista Paul Carrack demonstrou foco dividido: ele gravou seu álbum solo, "Blue Views", em paralelo com a divulgação da banda. Sua falta de prioridade ficou evidente ao ousar incluir uma versão acústica de "Over My Shoulder" como lado B de seu próprio single solo, "Eyes of Blue", competindo diretamente com a promoção da versão original. A canção também foi içada a tema da novela Cara & Coroa, reforçando a trilha sonora como forte concorrente do Planet Hits 2.

08. Supergrass — "Alright": O hit impediu que o Supergrass fosse apenas mais um sucesso momentâneo no cenário indie rock britânico. Sua inclusão no filme As Patricinhas de Beverly Hills (Clueless) deu à música uma visibilidade internacional crucial. A canção se provou atemporal, transformando-se em um hino constante em jogos de futebol na Inglaterra. É esse som solar, alegre e divertido que define o legado do Supergrass até hoje.

09. DJ BoBo — "Let's Come Together": O DJ BoBo, com o álbum de remixes "Just For You" (1995), emplacou esta faixa inédita — uma aposta ousada flertando com uma batida dancehall próxima de uma balada. O fato de ter criado um single inédito em um álbum de remixes prova a necessidade de o artista criar trabalhos de qualidade, e não apenas singles avulsos. Curiosamente, o mesmo álbum continha "It's Time For Christmas", uma versão natalina de "Let's Come Together", que foi tocada como tema natalino no ano anterior nas FMs.

10. Faith No More — "Evidence": O Faith No More foi vítima de uma estratégia de mercado equivocada da PolyGram, que, ao licenciar a banda contratada pela London Records, optou por incluir como bonus track do álbum "King for a Day, Fool for a Lifetime" (1995) um B-side do single "Digging The Grave": a canção "I Started a Joke" (um cover dos Bee Gees). Pelos exageros e tipos que Mike Patton faz na canção e pelo arranjo de teclado que parece ter vindo de um karaokê mequetrefe, ela denota ser mais uma paródia do que uma releitura séria. Para piorar a situação, a PolyGram a promoveu como tema da novela História de Amor. O sucesso estrondoso, mas pejorativo, desse cover dispersou o público. É incompreensível que a gravadora tenha insistido em relacionar a banda a um cover de tom jocoso, depois de ter massificado a audiência com a balada "Easy" em 1993, criando dissonância entre o que o público entendeu e o que a banda de fato tinha de sério para oferecer. Portanto, usá-la por aqui como single do "King for a Day, Fool for a Lifetime" foi piada de mau gosto com aqueles que tanto respeitam os Bee Gees, fazendo a banda cair em descrédito por aqui. Com tudo isso, o público não prestou a atenção devida à balada "Evidence", a faixa correta que divulgava seu álbum.

11. Boyzone — "Father and Son": É preciso reconhecer a insistência da PolyGram com os irlandeses. Para promover o álbum "Said and Done" (1995), a gravadora elegeu este cover de Cat Stevens como carro-chefe, que também foi tema da novela Explode Coração. Embora a escolha tenha sido comercialmente certeira, ela se tornou um empecilho para a boy band, criando uma dependência de regravações, reforçada ao escolher outro cover como primeiro single do álbum seguinte. Essa repetição de fórmula, certamente, renderia cenas nos próximos volumes da série Planet Hits!

12. Roxette — "I Don't Want to Get Hurt": Esta faixa entra na categoria de ciclo de divulgação estendido. A música é uma das quatro faixas inéditas apresentadas na coletânea "Don't Bore Us! Get To The Chorus! Roxette's Greatest Hits" (1995). Destas, "I Don't Want to Get Hurt" e "You Don't Understand Me" foram os grandes hits. A inclusão desta faixa no Planet Hits 2 evidencia o esforço da EMI em capitalizar o sucesso do Roxette no Brasil e em manter o interesse do público antes do lançamento de um novo álbum de estúdio.

13. Passengers feat. Luciano Pavarotti — "Miss Sarajevo": Em 1996, o U2 lançou o projeto Passengers (Original Soundtrack 1), e a grande surpresa foi "Miss Sarajevo", a união de Bono Vox com o tenor Luciano Pavarotti. Essa obra-prima musical foi um evento cultural que fez as rádios brasileiras pararem. Quem imaginaria ouvir Pavarotti tocando na Jovem Pan e nas principais rádios pop da concorrência? Isso só foi possível graças à audácia do projeto.

14. The Cranberries — "Zombie": Apoteose final e vítima de atraso. O hit global só se consolidou de fato em 1996 no Brasil, vítima da lentidão das gravadoras majors em divulgar seus singles. Esse atraso permitiu que o cover dance do projeto ADAM feat. Amy (1995) se popularizasse primeiro, gerando um choque no público. Ao ouvir a versão original, os brasileiros foram surpreendidos pela atmosfera apocalíptica e cavernosa do rock que a banda irlandesa era capaz de entregar, um contraste intenso com as baladas que haviam marcado sua chegada ao país. É essa versão poderosa que apoteoticamente fecha o disco!

Nota de memória afetiva: É com orgulho que eu digo que na época que não tinha dinheiro pra ter os CDs, eu emprestei esta coletânea do vizinho, o atual jornalista da SporTV Leo Lourenço, que hoje mora em São Paulo. E nós cambiávamos CDs pra copiar as músicas para fita K7. Quando foi 2013, achei esse CD baratinho em um sebo de Campinas e peguei junto com o Volume 4.

Para baixar o Volume 2 em FLAC, clique AQUI.

domingo, 30 de novembro de 2025

Planet Hits - 30 Anos (1995 - 2025))

 

Planet Hits, fruto da joint venture entre PolyGram e EMI Music, foi lançado em 1995 como a principal vitrine dos grandes sucessos no Brasil. Promovido como contendo "Os 14 Maiores Hits do Planeta". No entanto, na lateral havia a frase Now That's What I Call Music, refletindo a franquia de coletâneas da Europa, Ásia e América do Norte. A princípio, pensava-se no Planet Hits como uma coletânea avulsa, sem jamais cogitar que se tornaria uma das mais memoráveis franquias de hits no Brasil.

A seguir a edição comentada faixa-a-faixa, refletindo a força da mídia (cinema e novela) e a notória confusão cronológica das gravadoras no mercado nacional.

🎧 A Jornada Auditiva do Planet Hits


01. Bryan Adams – "Have You Ever Really Loved a Woman": Abertura certeira e estratégica, vinculada ao filme Don Juan De Marco. Sua inclusão ilustra como o sucesso obrigatório da época passava pelas telas de cinema. A faixa curiosamente foi a primeira da coletânea e a faixa bônus (última) do álbum "18 Til I Die".

02. Bon Jovi – "Always": Um hit poderoso do rock que se manteve relevante. Sua inclusão reforça o uso da televisão, já que a música era tema da popular novela Quatro Por Quatro. Foi o segundo single de trabalho da coletânea "Cross Roads".

03. Roxette – "Vulnerable": Escolha editorial que preparava o terreno. A balada era o quinto single do álbum "Crash! Boom! Bang!" (1994) e serviu como introdução para a coletânea de sucessos da banda, "Don't Bore Us! Get To The Chorus!", lançada naquele ano.

04. East 17  – "Around the World": Hit global do grupo vocal britânico, extraído como segunda canção de trabalho do álbum "Steam" (1994). Teve sua força ampliada por ser tema da novela A Próxima Vítima, demonstrando o poder do licenciamento da London Records para a PolyGram.

05. U2  – "Hold Me, Thrill Me, Kiss Me, Kill Me": Faixa obrigatória, puxada pelo cinema. A música era o tema principal do filme Batman Eternamente, garantindo a presença do rock alternativo na coletânea.

06. Andru Donalds – "Mishale": Curadoria sóbria e acertada. Embora uma versão dancehall alternativa tivesse se tornado viral na Rádio Jovem Pan, a coletânea optou pela versão original do álbum de estreia homônimo (1994). Essa decisão influenciou o mercado, levando à inclusão posterior da faixa em coletâneas de nicho.

07. Marillion  – "Beautiful": A balada é destaque veio do respeitável "Afraid Of Sunlight", um álbum de rock progressivo, possuindo uma letra impactante sobre auto-estima. No entanto, para a coletânea, poderia ter sido incluída a versão Radio Edit, já que Planet Hits era um protótipo da série Now That's What I Call Music (focada em singles). A canção teve grande desempenho nas paantes de sua inclusão trilha sonora da novela Cara & Coroa.

08. Blessid Union of Souls  – "Let Me Be the One": Uma das faixas do álbum "Home" que marca a estreia da banda norte-americana em 1995. Entra na categoria de "sugestões do curador", pois o maior e talvez único hit daquele disco foi "I Believe".

09. Sheryl Crow  – "All I Wanna Do": A história da Sheryl Crow no Brasil é marcada pela ironia. A A&M Records, que já havia engavetado um álbum da cantora, não apostava comercialmente nela. Seu sucesso aqui começou por acidente: a gravadora, em decisão acertada com a Globo, enviou o cover "All By Myself" (originalmente um B-Side do single "Run Baby Run" de 1993) como tema da novela Pátria Minha (1994). "All By Myself" se tornou o primeiro hit da cantora no Brasil, embora não tenha sido em mais nenhum outro lugar. Essa prioridade bizarra causou um atraso colossal: o hit mundial "All I Wanna Do" (1994) só entrou no Planet Hits após ter sido popularizado por uma versão eurodance do projeto Xena (via Paradoxx). O caos foi total quando, dois anos após o sucesso de Pátria Minha, a novela História de Amor resgatou o single original de 1993, "Run Baby Run" (o terceiro hit da artista no Brasil, mas o primeiro nos EUA), embaralhando completamente a cronologia da artista no país.

10. Elton John  – "Made in England": Sugestão do curador. A canção foi extraída do álbum homônimo, lançado após uma sucessão de premiações com a trilha sonora de O Rei Leão (1994). Entretanto, o hit de estreia foi "Believe". Assim como outras faixas menos óbvias, essa inclusão foi aceita para enriquecer o panorama dos lançamentos internacionais da época.

11. Selena  – "I Could Fall in Love": A decisão inevitável de incluir a balada de Selena (In Memoriam) foi motivada pela trágica comoção da opinião pública. A cantora, morta alvejada pela presidente de seu fã clube, tornou a audiência já comovida bastante receptiva ao single, que lamentou a falta da cantora em vida para contemplar seu maior sucesso, presente em seu álbum de adeus "Dreaming Of You". (A canção posteriormente foi tema internacional da novela Cara & Coroa).

12. The Cranberries  – "Ode to My Family": Vítima de um atraso colossal. O hit "Ode to My Family" (1994) entrava na coletânea, mas a banda já estava refém de um atraso colossal. O sucesso de seu single de 1993, "Linger" (do álbum "Everybody Else Is Doing It, So Why Can't We?"), explodiu no país graças à novela A Viagem e permaneceu nas paradas por dois anos consecutivos. A PolyGram tentou seguir a cronologia, incluindo "Dreams" (o segundo single da banda) na coletânea Hot Parade 1994, provando que o timing da banda no Brasil estava completamente engessado e preparando o cenário para o caos visto no Volume 2 com "Zombie".

13. DJ BoBo  – "There Is a Party": Um dos principais hits do eurodance da época, lançado no álbum homônimo em 1994 e como single em 1995. No Brasil, foi alavancada pela 1ª e melhor temporada da Série Malhação, tocando como tema de locação nas cenas de pessoas malhando e suando, garantindo o espaço do gênero na coletânea.

14. The Rolling Stones  – "You Got Me Rocking": Fechamento com uma sugestão de nicho do curador. A faixa, extraída do aclamadíssimo "Voodoo Lounge", que rendeu uma das mais rentáveis turnês para a banda, foi single em 1995, mas passou bem batido. Não deu o fechamento perfeito na época, mas pelo respeito que a faixa traz, hoje ouço com gosto no CD até ela terminar.

A Aquisição Memorável: O Planet Hits foi uma aquisição memorável! Comprei meu exemplar em 1996, com o dinheiro da caixinha de Ano Novo. O CD chegou à minha coleção com atraso, mas foi a minha verdadeira vitrine de grandes sucessos.

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