O programa Rock N’ Pop vai ao ar na Jovem Pan FM, das 8h às 9h, com apresentação dos locutores Yves Resende – de segunda a sexta-feira – e Beto Keller – aos sábados. Sua programação reúne sucessos do rock e do pop nacional e internacional, com destaque para músicas que marcaram as décadas de 1980, 1990 e 2000.
A estreia do programa também representa a consolidação de uma retomada da identidade musical da Jovem Pan, recuperando uma característica que durante muitos anos marcou a emissora, mas havia perdido espaço após a saída de Tutinha da presidência do grupo: a convivência, dentro da mesma programação, entre grandes sucessos nacionais e internacionais de diferentes épocas e estilos.
Essa mudança vem sendo percebida pelos ouvintes e acompanhada por páginas dedicadas à emissora, como o Panáticos de Plantão. A reformulação reúne profissionais com ampla experiência em programação e conteúdo: Vlamir Marques, que trabalhou durante vários anos na Alpha FM antes de assumir exclusivamente a gerência de programação da Jovem Pan FM e da rede, em 2018; Luciene Calegari, que chegou ao grupo depois de quase duas décadas dedicadas à programação musical da Antena 1; e Fernando Pelegio, que deixou o SBT para assumir a direção artística e de programação do Grupo Jovem Pan, trazendo mais de 40 anos de experiência na televisão brasileira e uma trajetória de três décadas em funções de liderança.
Durante vários dias, acompanhei as movimentações da programação registradas pelo Panáticos de Plantão e observei o que o Rock N’ Pop oferecia a cada manhã. A proposta me fez lembrar o espírito do vespertino Supernova, apresentado por Didi Wagner e Marcos Mion na MTV: o rock aparece como ponto de partida, encontra diferentes ritmos e manifestações do pop e, a partir daí, a graça está justamente em descobrir no que aquela mistura vai dar.
O pop, afinal, nunca permaneceu preso a uma única forma. Ao longo das décadas, incorporou elementos do rock, da música eletrônica, do funk, da música latina e de tantos outros gêneros. No Rock N’ Pop, essas transformações convivem dentro da mesma programação, aproximando artistas que talvez jamais fossem colocados lado a lado numa coletânea convencional — embora sempre tenham se encontrado no rádio.
Depois de acompanhar as seleções de vários dias, pensei: “Eu saquei o feeling. Então é assim, né?” Foi quando surgiu o insight: e se eu combinasse essas programações e produzisse uma espécie de best of do Rock N’ Pop, reunido em um único CD? O que sairia dessa experiência?
A resposta começa a aparecer logo nas três primeiras faixas. Michael Jackson abre a seleção com “Black or White” e, quando tudo parece caminhar para uma sequência internacional perfeitamente segura, o Biquini Cavadão surge dizendo que não é ministro, nem magnata, mas um “Zé Ninguém” e assume o espaço entre Michael e Madonna como se aquela fosse a ordem mais natural do mundo. “La Isla Bonita” mal termina seu passeio ensolarado por San Pedro e Pitty já aparece exigindo explicações em “Máscara”.
Alguns encontros oferecem ao ouvinte um pouco mais de segurança, mas ela nunca dura muito. Red Hot Chili Peppers abre passagem para Vanessa da Mata e Ben Harper em versão DeepLick, porque coerência demais também cansa. O remix de “Retrato Imaginário”, do SNZ, encontra Bon Jovi, passa por LS Jack e desemboca em Guns N’ Roses sem avisar que mudou de estrada.
Mais adiante, Luka entrega para Blondie, que abre caminho para os Titãs. E então acontece o momento que talvez resuma toda a experiência: os Titãs lembram que há “Miséria” por todo canto e, ao final, Sonique chuta a porta exclamando: “It Feels So Good”. Não procure uma explicação muito elaborada. É rádio. E funciona. Fernanda Abreu e Daft Punk mantêm a pista aberta até que Paralamas do Sucesso e Gilberto Gil apareçam no encerramento para tentar colocar alguma ordem na casa. Tentar.
As escolhas inusitadas foram intercaladas com passagens mais evidentes justamente para preservar esse ar de programação radiofônica. Se todas as transições fossem previsíveis, teríamos apenas mais uma coletânea organizada por gênero. Se todas fossem improváveis, seria uma simples colcha de retalhos. O equilíbrio entre reconhecimento e surpresa é o que dá identidade à seleção: os momentos óbvios funcionam como corrimão; as faixas seguintes aparecem para empurrar o ouvinte escada abaixo.
01. Black or White (Single Version) - Michael Jackson
02. Zé Ninguém - Biquini Cavadão
03. La Isla Bonita - Madonna
04. Máscara - Pitty
05. By the Way - Red Hot Chili Peppers
06. Boa Sorte (DeepLick Remix) - Vanessa da Mata & Ben Harper
07. Shape of You - Ed Sheeran
08. Retrato Imaginário (G-Vô Mix) - SNZ
09. Someday I'll Be Saturday Night - Bon Jovi
10. Carla - LS Jack
11. Sweet Child O' Mine - Guns N' Roses
12. Porta Aberta - Luka
13. Maria - Blondie
14. Miséria - Titãs
15. It Feels So Good - Sonique
16. A Noite - Fernanda Abreu
17. Get Lucky (Radio Edit) - Daft Punk feat. Pharrell Williams & Nile Rodgers
18. Alagados - Os Paralamas do Sucesso part. esp. Gilberto Gil
Até a próxima epifania sonora!













