terça-feira, 6 de outubro de 2026

Double You - The Beat Goes On (2026)




Formado por Andrea Di Antoni, Franco Amato e William Naraine, o Double You foi introduzido ao selo DWA, comandado pelo produtor Roberto Zanetti (Robyx), tornando-se um dos projetos mais emblemáticos da eurodance dos anos 1990. Ao longo dessa parceria, o grupo lançou os álbuns We All Need Love (1992), The Blue Album (1994) e Forever (1996), este último concluído no Brasil com o apoio da Spotlight Records, responsável pela distribuição local do catálogo da DWA.

Muito além do sucesso comercial, o Double You desempenhou um papel importante na evolução da própria linguagem da eurodance. Ao combinar bases inspiradas na house music com estruturas melódicas próximas ao arena pop, refrões de forte apelo comercial e a interpretação característica de William Naraine, o grupo ajudou a estabelecer uma fórmula que marcaria toda uma geração de produções europeias.

Após o lançamento de “Somebody”, em 1997, o Double You iniciou uma mudança significativa de direção artística. No ano seguinte, contratado pela gravadora Movimento, lançou o álbum Heaven, afastando-se da sonoridade eurodance que havia definido sua trajetória até então. Os anos seguintes mostrariam um grupo procurando novos caminhos em um mercado que também mudava rapidamente, mas sem abandonar completamente as pistas.

É justamente a partir desse ponto que começa a história reunida em The Beat Goes On. “Music (Is The Answer)” e “Fall in Love (I Am A Robot)”, lançadas pela Baby Records entre 1999 e 2000, pertencem a uma fase em que as novas produções já apareciam fora da estrutura que havia sustentado os grandes lançamentos da década anterior. Ao mesmo tempo, a relação com o Brasil continuava forte e resultaria, em 2001, no álbum Studio Live, lançado por aqui com sucessos revisitados em novos arranjos executados com banda e material então recente, como “Dance Anymore” e “What Am I Supposed To Do”. Nesta seleção, “Dance Anymore” aparece no remix de Tausz, preservando o recorte dançante proposto para a coletânea.

Em 2003, a releitura de “Everything I Do (I Do It For You)”, pela E-Lab Music, marcou o último trabalho conhecido de Franco Amato ao lado de William Naraine. No ano seguinte, William apareceria ao lado de Vanni Giorgilli, então utilizando o nome artístico Vanni G, em “I Say Yeah!” e “All My Illusions”, produções de Molella lançadas pela Do It Yourself. Os créditos mostram que os caminhos não estavam tão separados quanto poderiam parecer: Sabrina Amato, irmã de Franco e também cantora sob o codinome Greta, participa das composições, dentro de um círculo criativo que incluía ainda nomes como Aurelio “Jam” Rotelli e Luigi Rana.

A parceria com DJ Ross trouxe nova continuidade a essa produção a partir de 2005. “Get Up” e “Beat Goes On” abriram uma sequência que prosseguiria com “To The Beat” e “Change”, já dentro de uma linguagem eletrônica diferente daquela encontrada pelo Double You no começo dos anos 1990. Ao longo dessa fase, a própria identidade utilizada nos lançamentos passou a variar entre Double You, William Naraine e DY, sem que isso representasse necessariamente uma ruptura. A voz de William continuava funcionando como o elemento de identificação mais imediato: bastavam os primeiros versos para que a conexão com a história do Double You se restabelecesse.

É também nesse percurso que ganha força o trabalho desenvolvido por William com Gino Martini e Cássio Inoura. O encontro dos três rendeu “The Volume”, “You Are Everything”, “Lose Control” e “Planet Electro”, criando uma sequência de músicas que acabou distribuída por lançamentos diferentes. “You Are Everything” chegou como faixa bônus ao CD ao vivo de 2006, enquanto “Planet Electro” apareceu quase escondida em Hot Hits, coletânea da Transamérica lançada pela Maxpop. Colocadas lado a lado, essas gravações deixam evidente a continuidade do trabalho entre Naraine, Martini e Inoura.

Essa associação ajuda também a compreender o House Boulevard, desenvolvido por Gino Martini, Cássio Inoura e DJ Tom Hopkins, com William Naraine envolvido como produtor executivo. O trânsito entre esses projetos tornou-se bastante natural, e “If I Could Fall” é um bom exemplo disso: surgida nesse ambiente criativo, a música ganhou circulação internacional em 2010 sob o nome de William Naraine, em versões associadas também ao produtor e remixador Vincenzo Callea, para depois ser incorporada ao álbum Life, lançado em 2011 como Double You. O mesmo álbum receberia “Lose Control”, aproximando novamente gravações que haviam percorrido caminhos diferentes.

Outras combinações também aparecem ao longo desse período. “What Can I Do”, por exemplo, reúne William Naraine, Marco Baratta e Roberto Sudano, enquanto os créditos das músicas seguintes revelam uma característica que se tornaria ainda mais perceptível com o passar dos anos: muitos dos colaboradores das fases anteriores continuaram por perto. Marco Canepa, Ilaria Godani, Dario Carli, Gino Martini e outros nomes atravessam diferentes momentos dessa produção, às vezes desaparecendo por alguns anos para depois reaparecer em novas configurações.

Essa continuidade chega às gravações mais recentes. “You’re Always On The Run”, composta por William Naraine, Marco Canepa e Gisele Sampaio Dalla Martha Martini, traz Rodrigo Teaser nos vocais. Conhecido no Brasil justamente por seu trabalho como intérprete de Michael Jackson, Teaser utiliza um registro vocal que remete ao cantor, sobre uma base cujos beats fazem lembrar “Billie Jean”. A referência aparece dentro de uma faixa que, pelos próprios compositores envolvidos, continua conectada à história construída anteriormente.

A família Martini também acabaria ligando diferentes gerações desse percurso. Bruno Martini, filho de Gino, levou “Please Don’t Go” para uma produção atualizada e volta a aparecer em “Runaway Child”, de 2025, desta vez ao lado do próprio Gino Martini, com William Naraine e Marco Canepa. Pai e filho estão juntos na produção, cercados por nomes que já pertenciam à trajetória do Double You, justamente quando o grupo inicia uma nova fase a partir do contrato celebrado com a Midas Music, de Rick Bonadio. É nesse novo endereço que surgem os trabalhos mais recentes, entre eles “Nobody Is Like You”, aproximando Bonadio diretamente da produção de William Naraine.

Olhando para esse percurso, percebe-se também que a ligação entre Itália e Brasil nunca chegou a desaparecer. Ela já estava presente nos anos 1990, atravessou Forever e Studio Live e continuou se manifestando nas próprias músicas. Os últimos anos das produções italianas vão se encontrando com músicos e produtores brasileiros, enquanto antigos colaboradores permanecem nos créditos ao lado de novos nomes. Não houve exatamente a substituição de um núcleo pelo outro: as próprias gravações mostram como eles foram se misturando ao longo do tempo.

Reunidas em The Beat Goes On, essas gravações assumem uma continuidade que nem sempre é evidente quando procuradas separadamente. São singles, remixes, faixas bônus e músicas provenientes de diferentes projetos e coletâneas, mas que, colocadas em uma mesma sequência, acompanham o Double You desde os últimos anos de sua produção na Itália até o desenvolvimento cada vez maior de trabalhos realizados no Brasil e em colaboração com antigos parceiros italianos.

A proposta, portanto, não é reconstruir os grandes sucessos dos anos 1990, mas acompanhar o que aconteceu depois de “Somebody”, concentrando a produção dançante que continuou surgindo enquanto mudavam os selos, os produtores, os parceiros e até a maneira como o nome Double You aparecia nos discos. Algumas dessas músicas chegaram aos álbuns; outras permaneceram em singles, remixes, coletâneas ou projetos paralelos.

Quando reunidas, porém, elas caminham como um álbum.

E é aí que “The Beat Goes On” deixa de ser apenas o nome de uma das faixas para definir todo esse percurso. Entre os últimos trabalhos produzidos na Itália, a aproximação cada vez maior com o Brasil, antigos colaboradores, novas gerações e uma história que continuou avançando até a atual fase com a Midas Music, a batida nunca parou.

Faixas:
01. Everything I Do (I Do It For You) 
02. Dance Anymore (Tausz Remix)
03. Get Up - with DJ Ross
04. Beat Goes On - with DJ Ross
05. The Volume
06. To The Beat - with DJ Ross
07. Lose Control
08. You Are Everything
09. Change - with DJ Ross
10. What Can I Do 
11. Music (Is The Answer)
12. If I Could Fall (Vincenzo Callea Radio Mix)
13. Planet Electro
14. You're Always On The Run - feat. Rodrigo Teaser
15. Runaway Child
16. Nobody Is Like You - with Rick Bonadio
17. Please Don't Go (Bruno Martini Remix)
18. I Say Yeah - with Vanni Giorgilli
19. What Am I Supposed To Do?
20. Fall in Love (I Am A Robot)
21. All My Illusions - with Vanni Giorgilli

Faixa 13 cedida por Gilberto Queiroz (Três Lagoas/MS)
Faixa 20 cedida por DJ Paulo Vita (Ribeirão Preto/SP)

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sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Written In The Stars (2026)

Written In The Stars nasceu da ideia de reunir canções românticas que falam daquele amor que parece ter sido traçado muito antes do primeiro encontro. É a sensação de encontrar alguém e perceber que havia um lugar reservado para aquela pessoa — um amor que completa, transforma e faz acreditar que certas histórias talvez já estivessem escritas em algum lugar.

A seleção passeia por diferentes épocas e estilos, mas foge um pouco das escolhas mais óbvias de cada artista. Entre Bee Gees, Stevie Wonder, Lionel Richie, Richard Marx, Gloria Estefan, Roxette, Peter Cetera, Backstreet Boys, Britney Spears e outros nomes, aparecem canções sobre entrega, permanência, cumplicidade e a certeza de ter encontrado alguém especial.

Algumas parecem traduzir o próprio título da coletânea. “Ribbon In The Sky” encontra no céu a imagem perfeita para um amor destinado a acontecer; “I Could Not Love You More”, “I Could Not Ask For More”, “Only A Woman Like You” e “You Got It All” carregam, cada uma à sua maneira, a ideia de que não falta procurar mais nada. E entre declarações como “Love Will Survive”, “Nothing Can Keep Me From You” e “Perfect”, o sentimento que atravessa o disco permanece o mesmo.

No fim, Written In The Stars é uma coletânea para quem gosta de imaginar que alguns encontros não acontecem simplesmente por acaso. Às vezes duas pessoas percorrem caminhos diferentes durante anos até que, finalmente, suas histórias se cruzam — e tudo parece fazer sentido.

Faixas:
01. I Need You Tonight - Backstreet Boys
02. I Could Not Love You More - Bee Gees
03. Simply - Sara Hickman
04. Ribbon In The Sky - Stevie Wonder
05. The Edge Of Forever - Richard Marx & Chelly Wright
06. Can't Get Over You - Lionel Richie
07. Love Will Survive - Donny Osmond
08. Don't Ask - Rick Astley
09. I'll Still Love You More - Trisha Yearwood
10. Only A Woman Like You - Michael Bolton
11. I Could Not Ask For More (Radio Mix) - Edwin McCain
12. Heaven's What I Feel (Ballad Version) - Gloria Estefan
13. From One Heart To Another - Roxette
14. Light The World - Peabo Bryson & Debbie Gibson
15. Do You Love Me That Much - Peter Cetera
16. Nothing Can Keep Me From You - Kiss
17. Perfect - Ed Sheeran & Beyoncé
18. You Got It All - Britney Spears

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Back To The Future Project - Feelings & Love (1999)

 

Feelings & Love, lançado em 1999, é um álbum creditado ao Back To The Future Project e parte de uma ideia bastante curiosa: revisitar sucessos gravados em inglês por artistas brasileiros, muitos deles conhecidos justamente pelos nomes estrangeiros que adotaram durante as décadas de 1960 e 1970. É uma seleção que passa por Chrystian, Steve MacLean, Pete Dunaway, Paul Bryan, Morris Albert, Joe, Tony Temple e Paul Denver, entre outros.

E é aqui que o CD começa a ficar divertido para quem gosta de vasculhar a história da música brasileira. “Don’t Say Goodbye”, por exemplo, nos leva ao começo da carreira de Chrystian, muito antes da consagração ao lado de Ralf; “Feelings” inevitavelmente nos leva a Morris Albert e ao sucesso internacional que a canção alcançou; enquanto nomes como Pete Dunaway, Paul Bryan e Steve MacLean pertencem justamente àquela safra brasileira que, ouvindo sem qualquer informação, muita gente juraria estar diante de artistas americanos ou ingleses.

Mas Feelings & Love não simplesmente recupera esses fonogramas. Tudo foi gravado novamente em 1999, e uma nova turma de cantores assumiu o repertório: Silveira, Mauro Gham, Kelly Moore, Isabê e Adriana Drê, além de Elizete Rodriguez, que participa de “I’m Gonna Get Married” e também dos vocais de apoio.

A instrumentação revela um projeto mais elaborado do que a capa deixa imaginar. Rodrigo Basso aparece nos teclados, piano, baixo e programação de bateria; Ricardo Ramos participa com guitarra e teclados; Roger toca violões e guitarras; e Hugo Sam aparece no sax.

Talvez esteja justamente aí a maior curiosidade de Feelings & Love: são brasileiros regravando brasileiros que, décadas antes, cantavam em inglês e se apresentavam ao público com nomes estrangeiros. E tudo isso aparece embalado como um típico CD romântico da Som Livre, com casal apaixonado na capa e nenhuma pista muito evidente de que existe uma história tão peculiar por trás daquelas doze músicas.

O que muita gente não desconfia é que Kelly Moore, creditada neste CD, chegaria a ser um talento revelado para o Brasil todo no programa Raul Gil, no quadro “Quem Sabe Canta, Quem Não Sabe Dança”. O quadro inclusive ganhou uma coletânea em CD em 2001, com sua participação. No ano seguinte, Kelly lançaria Quanto Mais Quente Melhor, álbum que contou com a produção do DJ Cuca. Se você prestar bem atenção, a cantora tem uma voz quente que, cantando canções em inglês, lembra muito Donna Summer.

Já Mauro Gham acumulava alguns álbuns gravados antes deste projeto, como o homônimo Mauro Gham, de 1990, e Corpo, Alma e Coração, de 1993, ambos lançados pela Continental.

Adriana Drê também é conhecida por “Vai e Vem (Balanço do Trem)”, lançada pela Esfinge em 1989 e sucesso nas rádios naquele período.

E o que dizer de Isabê, também conhecido como Isabeh? O cantor havia integrado anos antes o Placa Luminosa e chegou a gravar com o grupo o álbum Ponto de Partida. Inclusive, são dele os vocais de “O Amor Não É Ilusão”, que foi destaque em programas de música romântica das FMs e toca até hoje.

Foi durante uma pesquisa por coletâneas da Som Livre que Feelings & Love chegou até mim por acaso. Pela capa, pelo título e pela seleção de músicas, achei que fosse justamente isso: mais uma coletânea romântica lançada pela gravadora. Só comecei a desconfiar quando encontrei um exemplar à venda na Shopee e vi algumas imagens do encarte interno.

O que também chamou muito minha atenção foi encontrar Vlamir Marques, ex-diretor de programação e artístico da Antena 1, entre os nomes citados nos agradecimentos do disco. Curiosamente, consta no SoundCloud do produtor Marcelo Rea uma regravação de “Summer Holiday”, cantada por Adriana Drê e pelo cantor paulistano Claudio Goldman. A versão foi produzida em 2013 como tema de verão da Rádio Antena 1, o que aumentou ainda mais minha curiosidade sobre a qualidade daquele disco.

Daí veio a surpresa: não eram as gravações originais, mas novas versões produzidas especialmente para o disco. Como não havia rastro dessas canções no YouTube, pedi alguns trechos em vídeo ao vendedor, que gravou para mim cerca de 30 segundos de duas músicas. A qualidade dos arranjos me despertou o interesse pelo CD.

A direção executiva de Feelings & Love ficou a cargo de Mauro Martins, com direção artística de Renato Leite e produção musical de Ricardo Ramos. Os arranjos são de Rodrigo Basso, e as gravações foram realizadas nos Estúdios Be Bop, com Jorge Groove, Marcio Soares e Carlão como técnicos de gravação.

Na parte visual, a direção de arte é assinada por Marciso (Pena) Carvalho, com projeto gráfico de Cristina Cruz e fotografias de Marcelo Rossi. O disco traz ainda a informação de que os fonogramas foram cedidos pela Pride Records. 

Com o CD em mãos e a ficha técnica completa, foi possível submeter as informações para cadastro no Discogs e inclusive acrescentar dados sobre alguns dos nomes envolvidos no projeto. Além de ficarem disponíveis para consulta, essas informações poderão facilitar a identificação desses profissionais caso seus nomes apareçam novamente nos créditos de outros discos.

Quem acompanha este blog vai poder conferir esta novidade em primeira mão, 27 anos depois e, com certeza, ouvir bastante — como eu tenho feito por aqui.

Faixas:
01. Don't Say Goodbye
02. Sweet Sounds Oh! Beautiful Music
03. Tell Me Once Again
04. Don't Let Me Cry
05. If You Could Remember
06. I'm Gonna Get Married
07. Feelings
08. Listen
09. We Said Goodbye
10. Summer Holiday
11. Rain And Memories
12. Excuse Me

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terça-feira, 29 de setembro de 2026

Love (2002)

Lançado pela Som Livre em 2002, Love leva a proposta das coletâneas românticas para um repertório mais contemporâneo à sua época, com projeto e seleção de repertório assinados por André Werneck. A escolha mistura sucessos dos anos 1990 e início dos 2000 com algumas gravações de décadas anteriores, sem estabelecer uma barreira de época: o que une as 14 faixas é essencialmente a proposta romântica da seleção.

A masterização ficou a cargo de Sergio Seabra, enquanto a capa traz fotografia de Richard Romero, com Marcelo Cossenza e Bárbara Heliodora como modelos. Marciso (Pena) Carvalho responde pelo projeto gráfico e direção de arte, com diagramação de Paulo Santos.

O que mais me chama atenção neste CD é a curadoria. Werneck não fez uma coletânea presa a uma década. Ele coloca lado a lado sucessos então relativamente recentes — Shania Twain, Lara Fabian, *NSYNC, Hanson, Simply Red, Backstreet Boys, Brian McKnight e Jennifer Lopez — com “Emotion”, de Samantha Sang, e “Lost in Your Eyes”, de Debbie Gibson. Ou seja, a memória romântica entra no meio do repertório dos anos 1990 e começo dos 2000.

Há também uma presença fortíssima de temas de novelas. “You're Still the One”, de Shania Twain, e “I Will Come to You”, do Hanson, estiveram em Corpo Dourado; “Love by Grace”, de Lara Fabian, em Laços de Família; “Lost in Your Eyes”, de Debbie Gibson, em O Salvador da Pátria; “Back at One”, de Brian McKnight, em Uga Uga; “Emotion”, de Samantha Sang, em Sem Lenço, Sem Documento; “What Did You Do (With My Love)”, do Double You, em Quatro por Quatro; “For Your Babies”, do Simply Red, em De Corpo e Alma; “Could This Be Love”, de Jennifer Lopez, em Vila Madalena; e “Hold On”, de Alexia, em Por Amor. É quase um “O Melhor Internacional de Novelas” disfarçado de coletânea romântica.

A graça maior desta coletânea está em “The Lovers (Prelude)”, de John Steffen. Com aqueles acordes misteriosos, juro que por um instante achei que a seleção fosse desembocar no tema oficial do Supercine. Mas não: a faixa funciona como um pequeno interlúdio e prepara de maneira surpreendentemente coesa a entrada de “Could This Be Love”, de Jennifer Lopez. Quando surge aquele violão flamenco da gravação, a transição funciona tão bem que as duas faixas quase parecem ter sido pensadas como uma só sequência.

E há ainda “We Should Be Closer”, de Donna Foster, fechando o CD. É aquela faixa exclusiva que aparentemente entrou para “tapar buraco” na seleção, mas desta vez dá gosto de ouvir e encerra a coletânea à altura das grandes gravações que vieram antes.

Faixas:
01. You're Still The One – Shania Twain  
02. Love By Grace – Lara Fabian  
03. This I Promise You – *NSYNC  
04. I Will Come To You – Hanson  
05. For Your Babies – Simply Red  
06. Emotion – Samantha Sang  
07. Show Me The Meaning Of Being Lonely – Backstreet Boys  
08. Lost In Your Eyes – Debbie Gibson  
09. Back At One – Brian McKnight  
10. What Did You Do (With My Love) – Double You  
11. The Lovers (Prelude) – John Steffen  
12. Could This Be Love – Jennifer Lopez  
13. Hold On – Alexia  
14. We Should Be Closer – Donna Foster

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Love Memories (1997/1999)

Lançado originalmente em 1997 pela Som Livre, em CD, Love Memories é uma coletânea dedicada aos grandes sucessos românticos da década de 1980, recuperando canções que continuavam presentes na programação das FMs mesmo anos depois de seus lançamentos originais. 

A seleção de repertório ficou a cargo de Sérgio Motta, com masterização de Sérgio Seabra e edição de César Barbosa. A direção de arte é de Marlise Prates, com fotografia de Steve Prevost, da Agência Contexto, enquanto André Polo assina a gravura e a realização gráfica.

O repertório concentra alguns daqueles flashbacks que atravessaram os anos 1990 com enorme familiaridade para quem acompanhava a programação romântica das FMs, funcionando até como um projeto paralelo à série Good Times, que a 98 FM retomou em CD naquele mesmo ano.

E claro: sendo a Som Livre a “casa das trilhas sonoras de novelas”, não poderiam faltar gravações que, no Brasil, acabaram ligadas também ao consciente coletivo produzido pelas telenovelas. “Careless Whisper”, de George Michael, esteve em Livre para Voar; “True”, do Spandau Ballet, em Guerra dos Sexos; “Broken Wings”, do Mr. Mister, em Selva de Pedra; “Don't Wanna Lose You”, de Gloria Estefan, em Top Model; “Is This Love”, do Whitesnake, em Brega & Chique; e “Save a Prayer”, do Duran Duran, em Sol de Verão. Em Love Memories, todas aparecem em suas gravações originais bem conhecidas.

Há, porém, duas curiosas regravações, de produção provavelmente brasileira, no meio dessa seleção. “Don't Dream It's Over”, cuja gravação original do Crowded House havia sido tema de O Outro, aparece aqui interpretada por Sweet Tide. Já “Sweet Love”, de Anita Baker — cuja gravação original também circulou por coletâneas brasileiras como Hits Reunion, de 1987, e Women in Love, de 1994 —, surge na voz de Shirley White.

Sou apaixonado por coletâneas, especialmente as românticas, e algumas seleções da Som Livre têm justamente essa graça: em meio a tantas músicas que já conheço, sempre pode aparecer alguma novidade capaz de justificar a aquisição de um CD. É uma das razões pelas quais gosto de manter esse tipo de coleção. E foi exatamente o que aconteceu aqui: cheguei às duas regravações por curiosidade e acabei gostando bastante delas. São versões bonitas e muito bem gravadas que acabam se tornando uma peculiaridade de Love Memories.

Um dado curioso: este CD ganhou uma reprensagem em 1999 — e conto isso porque calhou de o CD que comprei ser justamente o reprensado —, o que levanta a hipótese de que a coletânea tenha vendido bem o suficiente para a Som Livre renovar o licenciamento das faixas e colocar uma nova fornada no mercado. A contracapa ainda traz o ano de produção de 1997 e o selo da Som Livre usado desde 1978, mas a prensagem já é da Sonopress — a edição anterior foi prensada pela Videolar —, enquanto a própria mídia apresenta o novo logotipo da Som Livre, adotado a partir de 1999. Bacana, não?

A descoberta traz ainda um pequeno ineditismo para a documentação de Love Memories no Discogs: essa reprensagem de 1999 ainda não estava catalogada separadamente. Assim, além de identificar as diferenças entre as duas tiragens, o exemplar permite registrar corretamente esta edição como um Repress e incorporá-la ao histórico do lançamento.

Faixas:
01. Careless Whisper – George Michael  
02. True – Spandau Ballet  
03. Broken Wings – Mr. Mister  
04. Sign Your Name – Terence Trent D'Arby  
05. Don't Wanna Lose You – Gloria Estefan  
06. Say You'll Be Mine – Christopher Cross  
07. Don't Dream It's Over – Sweet Tide  
08. Sara – Jefferson Starship  
09. Is This Love – Whitesnake  
10. Woman in Chains – Tears for Fears  
11. You're So Vain (Live) – Carly Simon  
12. Baby, Come to Me – Patti Austin feat. James Ingram  
13. Sweet Love – Shirley White  
14. Save a Prayer – Duran Duran

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segunda-feira, 28 de setembro de 2026

70's Pop Hits - 3 CDs (2001)


Lançada em 2001 pela Sony Music exclusivamente nos Estados Unidos, 70's Pop Hits é uma coletânea tripla dedicada a sucessos que marcaram a década de 1970, reunindo 40 gravações distribuídas em três CDs. A seleção passeia com bastante liberdade pelo pop, rock, soul, disco e pelas baladas daquele período, colocando lado a lado nomes como Santana, Janis Joplin, Kansas, Boston, Electric Light Orchestra, Earth, Wind & Fire, Sly & The Family Stone, The Emotions, Boz Scaggs, The Hollies e Willie Nelson. O design da edição é creditado a Richard Nelson.

Mais do que seguir um único estilo, a coletânea funciona como um bom retrato da diversidade das rádios dos anos 70. Há clássicos imediatamente reconhecíveis, como “More Than a Feeling”, “Dust in the Wind”, “Lady Marmalade”, “Lean on Me”, “Shining Star” e “After the Love Has Gone”. Ao longo dos três discos, a seleção alterna grandes sucessos da década com gravações hoje menos lembradas.

Faixas CD 1:
01. Thank You (Falettinme Be Mice Elf Agin)
- Sly & The Family Stone  
02. Evil Ways
- Santana  
03. Me And Bobby McGee
- Janis Joplin  
04. I Can See Clearly Now
- Johnny Nash  
05. Please Come To Boston
- Dave Loggins  
06. Lean On Me
- Bill Withers  
07. Brandy (You're A Fine Girl)
- Looking Glass  
08. Don't Bring Me Down
- Electric Light Orchestra  
09. The Most Beautiful Girl
- Charlie Rich  
10. Dust In The Wind
- Kansas  
11. Your Mama Don't Dance
- Loggins & Messina  
12. I Can Help
- Billy Swan  
13. When Will I See You Again
- The Three Degrees  

Para baixar o CD 1 em FLAC, clique AQUI.

Faixas CD 2:
01. Lady Marmalade
- Labelle  
02. Shining Star
- Earth, Wind & Fire  
03. Wildfire
- Michael Murphey  
04. Third Rate Romance
- Amazing Rhythm Aces  
05. Kiss And Say Goodbye
- The Manhattans  
06. Lowdown
- Boz Scaggs  
07. More Than A Feeling
- Boston  
08. Best Of My Love
- The Emotions  
09. At Seventeen
- Janis Ian  
10. Too Much, Too Little, Too Late
- Johnny Mathis & Deniece Williams  
11. Whenever I Call You "Friend"
- Kenny Loggins  
12. I Go Crazy
- Paul Davis  
13. Two Out Of Three Ain't Bad
- Meat Loaf  

Para baixar o CD 2 em FLAC, clique AQUI.

Faixas CD 3:
01. After The Love Has Gone
- Earth, Wind & Fire  
02. You're Only Lonely
- J.D. Souther with James Taylor  
03. Longer
- Dan Fogelberg  
04. We Just Disagree
- Dave Mason  
05. He Ain't Heavy, He's My Brother
- The Hollies  
06. Blue Eyes Crying In The Rain
- Willie Nelson  
07. Got To Be Real
- Cheryl Lynn  
08. Magnet And Steel
- Walter Egan  
09. Arizona
- Mark Lindsay  
10. The Cover Of "Rolling Stone"
- Dr. Hook & The Medicine Show  
11. Free Ride
- The Edgar Winter Group  
12. Help Me Rhonda - Johnny Rivers  
13. Street Corner Serenade - Wet Willie  
14. Baby Don't Get Hooked On Me - Mac Davis

Para baixar o CD 3 em FLAC, clique AQUI.

domingo, 27 de setembro de 2026

João Penca & Seus Miquinhos Amestrados – Cem Anos de Rock'n'Roll (1991)

Cem Anos de Rock’n’Roll foi lançado por João Penca e Seus Miquinhos Amestrados pela Eldorado, em 1991. O álbum dá continuidade ao universo que já havia se tornado uma marca do grupo: rock’n’roll, doo-wop e rockabilly revisitados com humor, versões, referências à cultura pop e aquele gosto deliberado pelos clichês dos anos 1950 e 60.

"Cem Anos de Rock’n’Roll" veio depois de "Sucesso do Inconsciente", álbum lançado em 1989 pelo selo Esfinge. É o velho rock visto pelo filtro debochado dos Miquinhos, com topetes, guitarras, harmonias vocais, referências cinematográficas e letras que nunca perdem a oportunidade de fazer graça. O repertório mistura composições próprias, versões e pequenas vinhetas, algo que já aparece logo no primeiro lado do LP.

O álbum começa com “Papa Umama”, versão de “Papa-Oom-Mow-Mow”, sucesso dos Rivingtons nos anos 1960. No selo, a composição original aparece creditada a Al Frazier, Turner Wilson Jr., Carl White e John Harris, enquanto a adaptação brasileira é assinada por Avellar Love, Bob Gallo, Marcelo Elo e Selvagem Big Abreu. A música se tornou um hino presente na memória afetiva do público infantojuvenil – que hoje é 40+, inclusive eu! – quando os músicos passaram a apresentá-la nos programas infantis da época.

Curiosamente, em 2005, a gravação foi parar na coletânea Maxximum: A Festa dos Anos 80, selecionada por Marcelo Fróes, mesmo se tratando de uma música deste álbum de 1991. É a boa e velha mania de associar temática trash com Anos 80.

O baile então chega a “Ma Beibe, Beibe”, de Dodô Ferreira, que começa com o som de um trem a vapor e entra numa levada country de saloon com rockabilly. Depois da agitação, o disco dá uma paradinha com a vinheta “O Guitarrista Romântico”, de autoria de Ricardo Palmeira.

“O Bom e Velho Rock’n’Roll”, por sua vez, é assinada por Selvagem Big Abreu. Um dado curioso: Angélica gravou uma faixa homônima para seu disco lançado no mesmo ano, mas trata-se de outra música, composta por Cesar Costa Filho e Luiz Sarmanho. A coincidência fica ainda mais interessante porque a vinheta do programa Milk Shake, comandado por Angélica na Manchete, foi composta e tocada por João Penca e Seus Miquinhos Amestrados.

Fechando o primeiro lado está “O Monstro”, versão de “Do You Love Me?”, composição de Berry Gordy III não creditada no LP, eternizada pelos The Contours em 1962 e posteriormente incluída em Dirty Dancing, em 1987. A versão brasileira aparece creditada a Avellar Love, Bob Gallo, Marcelo Elo e Selvagem Big Abreu. Em vez de simplesmente transportar a letra, eles levam a música para outro assunto, com frases remetendo a monstro e vampiro.

E tem uma brincadeira que passa fácil numa audição desatenta: já no final de “O Monstro”, Avellar Love canta incidentalmente frases de “Monster”, de Fred Schneider. Assim, uma música originalmente gravada pelos Contours acaba transformada pelos Miquinhos e ainda recebe, lá no finalzinho, uma piscadela para Fred Schneider.

Virando o disco, a temática vampiresca continua. “Suga-Suga”, composição de Avellar Love, Bob Gallo, Selvagem Big Abreu, Marcelo Elo e Van Santos, apresenta um eu poético que se porta como um vampiro pós-moderno: não dorme em caixão, tampouco usa capa preta, come alho, não mora em castelo e vai à praia de bermuda e chinelo. Caiu como uma luva no roteiro de Antonio Calmon em Vamp — e serviu MUITO BEM para a família Matoso!

Depois disso vêm a picante “Mulheres”, parceria de Van Santos e Alex Madureira, e a vinheta “Morceau”, de Lulu Santos, prepara o disco para o romantismo em “Viver, Sonhar”, versão de “For Your Precious Love”, de Jerry Butler Jr. e Richard Brooks, com adaptação brasileira de Orlando Morais.

Já a irreverente “Esse Meu Cabelo Rock”, de Dodô Ferreira, tem uma história particularmente ligada à imagem do próprio grupo. A música foi feita para o Campeonato Nacional de Topete, realizado em São Caetano do Sul em 1991. E dificilmente poderia haver evento mais apropriado para João Penca e Seus Miquinhos Amestrados: os enormes topetes faziam parte da identidade visual do trio, algo que a própria arte deste LP explora tanto na capa quanto nas três silhuetas de perfil da contracapa.

A música ainda teria uma sobrevida inesperada. Quatro anos depois, “Esse Meu Cabelo Rock” entrou na trilha de Explode Coração, como tema de Bebeto, personagem de Guilherme Karan, levando uma composição de 1991 para o horário nobre em 1995. Para a novela, porém, a música foi regravada com um novo arranjo, em vez de reaproveitada deste álbum, o que torna a gravação original ainda mais rara.

Na reta final aparecem “O Escorpião Escarlate”, de Bob Gallo, Selvagem Big Abreu e Guacira, e “John Holmes e a Guitarra Solitária”, creditada no selo a Selvagem e Big Abreu. Só os títulos já devolvem o disco ao território particular dos Miquinhos, onde rock, cinema, personagens e duplo sentido convivem sem pedir licença.

E convenhamos: chamar um disco de "Cem Anos de Rock’n’Roll" em 1991, quando o próprio rock’n’roll ainda estava longe de completar cem anos, resume muito bem o espírito da coisa.

Se era para exagerar, que fosse de topete levantado.

Faixas:
01. Papa Umama (Papa-Oom-Mow-Mow)
02. Ma Beibe, Beibe
03. O Guitarrista Romântico (Vinheta)
04. O Bom e Velho Rock'n'Roll
05. O Monstro (Do You Love Me)
06. Suga Suga
07. Mulheres
08. Morceau (Vinheta)
09. Viver, Sonhar (For Your Precious Love)
10. Esse Meu Cabelo Rock
11. O Escorpião Escarlate
12. John Holmes e a Guitarra Solitária (Vinheta)

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