terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Chayanne - Chayanne 88 (1988)

Chayanne (1988): A Engenharia de Som de Hollywood e o Triunfo do Pop Global

O álbum de 1988 de Chayanne, lançado pela CBS, representa o ápice de uma estratégia de mercado que uniu o talento porto-riquenho a uma infraestrutura técnica que era o que tinha de mais sofisticado na época. Com mais de 1 milhão de cópias vendidas em 12 países logo no lançamento, este disco compartilha o mesmo "DNA de luxo" do álbum de Jairzinho & Simony, utilizando o Ameraycan Studios, em North Hollywood, como sua principal base de operações.

Equipe Técnica de peso no Ameraycan e Hit Factory: A produção, assinada por Ronnie Foster e Roberto Livi, escalou um time de músicos que é uma verdadeira seleção do pop mundial:

  • Guitarras: O virtuoso Michael Landau empresta seu timbre característico, o mesmo que definiu a sonoridade de alto nível das produções da CBS na época.

  • Teclados e Arranjos: Larry Williams e Randy Waldman cuidam das texturas sintéticas, enquanto Ronnie Foster assume a programação de bateria e sintetizadores.

  • Percussão: O renomado Luis Conte adiciona o tempero latino essencial às faixas.

  • Masterização: O acabamento final foi realizado por Bernie Grundman em Los Angeles, garantindo uma dinâmica sonora superior.

  • Vozes: Enquanto o grosso da produção ocorria na Califórnia, os vocais adicionais foram registrados no The Hit Factory, em Nova York, reforçando o "padrão ouro" do projeto.

A Lapidação do Ídolo e o Intercâmbio Brasileiro: O release oficial destaca que Chayanne não foi apenas um fenômeno de marketing, mas um artista lapidado sob rigor técnico: seus movimentos de palco foram ensaiados durante meses com Damita Joe Freedman, a coreógrafa responsável por orientar Michael Jackson. Esse nível de preparação se reflete na maturidade de faixas como o dueto em "Pata Pata" com a lendária Miriam Makeba, produzida por Hugh Masekela.

A conexão com o Brasil, iniciada no disco anterior, é  contínua no álbum de 1988, com Chayanne interpretando composições nacionais de peso adaptadas para o mercado latino. O disco traz "Fantasias", de José Augusto com adaptação para espanhol de Luiz Gomes Escolar e a surpreendente "Tengo Esperanza", uma versão de "Gritos de Guerra" do Chiclete com Banana (Wadinho e Bell) adaptada por Juan Mardi. Além disso, a parceria com Aloysio Reis e Biafra rendeu sucessos como "Teu Pirata Sou Eu" e "Miragem", versões das canções que fizeram sucesso internacional. Ter as versões feitas para o idioma em português reforça a conexão do artista com Brasil e Portugal (matriz do nosso idioma).

Mas a canção que mais bombou deste disco é "Este Ritmo Se Baila Asi" uma versão adaptação de Roberto Livi para Sye Bwa, que o grupo de zouk francófono Kassav – formado em Paris em 1979 – lançou em 1987, ganhando um tempero de salsa na interpretação do porto-riquenho. Esta música inclusive é o único sucesso internacional registrado na coletânea do programa Viva A Noite lançado em 1989 pela CBS, confirmando o quanto o Gugu Liberato ajudou a impulsionar o pop latino no Brasil.

Nota Técnica: Áudio extraído originalmente em 01/02/2025 com agulha Ortofon Concorde Club. Em 09/02/2026, os arquivos foram processados via MVSep DeNoise para a remoção de ruídos de superfície e restauração da clareza sonora, mantendo a dinâmica original da gravação.

Faixas: 
01. Teu Pirata Sou Eu (Tu Pirata Soy Yo)
02. Diz Pra Todo Mundo Não (Dile A Todo El Mundo No)
03. Miragem (Fuiste Un Trozo De Hielo En La Escarcha)
04. Pata-Pata [Versão Re-Mix] (feat. Miriam Makeba)
05. Palo Bonito
06. Este Ritmo Se Baila Asi (Sye Bwa)
07. Marinero
08. Fantasias
09. Tengo Esperanza (Gritos de Guerra)
10. Conquistador

LP cedido por Francineüdo Souza.

Para baixar o álbum em FLAC, clique AQUI.

Chayanne - Chayanne 87 (1987)

O Refino Técnico de Chayanne (1987): A Excelência do Ameraycan Studios e o DNA Brasileiro

Hoje destrinchamos uma peça fundamental da transição do pop latino para a era das superproduções: o álbum "Chayanne" (1987). Lançado no Brasil pela CBS, este disco é o testemunho de uma época em que a gravadora decidiu investir pesado na internacionalização de seus artistas, utilizando uma infraestrutura de gravação que beirava a perfeição. Com arranjos de cordas de Jorge Del Barrio e produção de Ronnie Foster, o álbum é um registro histórico de quando a tecnologia de ponta e o talento brasileiro se fundiram para criar um clássico eterno.

O Templo/ do Som - Ameraycan Studios: A sofisticação deste trabalho nasce na Califórnia. Assim como o icônico disco de Jairzinho e Simony em espanhol, as bases instrumentais de Chayanne foram capturadas nos Ameraycan Studios (North Hollywood). Ter o selo do Ameraycan significava acesso ao que havia de mais moderno em tecnologia de estúdio no mundo, resultando naquela sonoridade característica dos anos 80: sintetizadores encorpados, baterias precisas e uma clareza que só a elite de Hollywood poderia oferecer.

Engenharia Global: A CBS montou uma operação logística impressionante. Enquanto as bases e vozes em espanhol eram feitas entre os EUA e o Estúdios Kirios (Madrid), a voz de Chayanne em português foi registrada no lendário The Hit Factory, em Nova York, com engenheiros como David McNair e Gary Wright. Os coros em Português foram gravados no estúdio Intersom (São Paulo), com mixagens no estúdio Sigla (Rio de Janeiro).

Exportando o Sucesso de Sullivan & Massadas: O álbum também é uma prova do prestígio da composição brasileira. A faixa "Peligro de Amor" é a versão internacional de "Amanhã Talvez", hit absoluto de Michael Sullivan e Paulo Massadas adaptada por Luiz Gomes Escolar, responsável por intercâmbio de suas composições com a CBS do Brasil para álbuns do Fábio Junior

Curadoria e Adaptação: O time de peso não para nos músicos. As versões contam com o toque de mestre de Aloysio Reis e Edgard Poças (figura central na história do Balão Mágico). Outro destaque é a vibrante "Violeta", que trouxe o balanço de "Fricote" (Luiz Caldas) para o universo synth-pop. 

Nota Técnica: Áudio extraído originalmente em 31/01/2025 com agulha Ortofon Concorde Club. Em 09/02/2026, os arquivos foram processados via MVSep DeNoise para a remoção de ruídos de superfície e restauração da clareza sonora, mantendo a dinâmica original da gravação.

Faixas:
01. Canta America (Fiesta En America)
02. Sempre Vou Te Amar (Emociones Cuantas Emociones)
03. Não Posso Mais Viver Assim (Amar Es Cuando No Estas Tu)
04. Para Tenerte Otra Vez
05. Quien Soy Yo
06. Digo Não (Digo No)
07. Tô Gostando de Você
08. Violeta (Fricote)
09. Peligro de Amor (Amanhã Talvez)
10. Tu y Yo

LP cedido por Francineüdo Souza.

Para baixar o álbum em FLAC, clique AQUI.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Masters DJ's Apresenta '"O Melhor do Funk'" (1991)

Fala, galera! Hoje eu resolvi interromper a programação normal para trazer algo que é pura nostalgia e irreverência. Esqueça o Spotify ou as plataformas digitais; o que vocês vão ouvir aqui é um tesouro que só existia nos sulcos do vinil e que agora ganha vida nova.

Estou falando do LP "Master DJ's Apresenta: O Melhor do Funk", lançado pela lendária gravadora Continental. Esse disco é um retrato perfeito de uma época em que o funk carioca estava moldando sua identidade, misturando o peso do Miami Bass com o humor escrachado do subúrbio.

Foi um divisor de águas na história do Funk Melody Brasileiro, consolidando sua entrada definitiva do gênero com humor irreverente nas rádios FMs. O sucesso foi tão absurdo que duas faixas estouraram nas paradas nacionais: "O Melô do Ricardão" alcançou a 28ª posição e "A História do Sunda" chegou ao 38º lugar no Hot 100 Brasil de 1991.

O "Terror" do Sunda e o Ricardão

O grande destaque (e motivo de boas risadas) é a faixa de abertura: "A História do Sunda". O Mr. Mu teve a genialidade de pegar o tema sombrio do filme Halloween para narrar as peripécias de um personagem que adorava talaricar a mulherada. O contraste do clima de filme de terror com a letra cômica é impagável!

E por falar em comédia, ainda temos o "Melô do Ricardão", que conta com a participação do mestre Tião Macalé. É o puro suco do Brasil dos anos 90. Eu me recordo de que, com 8 anos de idade, quando pegava a kombi escolar de volta pra casa, passava as "12 Mais do Dia" na rádio Vox 90 FM de Americana. Essa música ficou nº 1 várias vezes e transitava nas posições.

Mesmo só tendo noção do conteúdo da letra na minha fase adulta, a voz do Tião Macalé com o famoso "Ih, Nojento, Tchan" provocava delírio coletivo na kombi. Todo mundo ria! hahahahaha... E me recordo dos mais adolescentes e antenados nas picardias da letra, fazendo micagem na hora do "Ricardãaaao, Ricardãaaao"... ô tempo bom!

O disco ainda traz pérolas como o "Melô do Boiola", de uma época em que o humor não conhecia tabus e a molecada se divertia com o "menininho" de voz robótica e os samplers icônicos do Costinha, intercalando aquela risada inconfundível com o clássico grito "Aaaaai Meu Deeeeus".

Temos também o MC Jacaré com "Vai Na Manha" — que é o puro suco do constrangimento de época — e o impagável "Melô do Esperto". Esse último narrava a saga do aluno que tirava 10 na prova e no ditado com um método nada ortodoxo, enquanto o coro feminino mandava o hino de toda uma geração: "quem não cooooola, não sai da escooooola". Simplesmente épico!

Nota Técnica: Áudio extraído originalmente em 05/11/2024 com agulha Ortofon Concorde Mix. Em 04/02/2026, os arquivos foram processados via MVSep DeNoise para a remoção de ruídos de superfície e restauração da clareza sonora, mantendo a dinâmica original da gravação.

É som de baile, com clareza de estúdio, direto para o seu player!

Faixas: 
01. A História do Sunda - M.C. Mr. Mu
02. Melô do Esperto - M.C. Rap
03. Melô do Ricardão - M.C. Mr. Mu & Tião Macalé
04. Melô do Boiola - M.C. Brother DJ's
05. Liberdade - M.C. Rap
06. Melô do Alemão - M.C. Marcos Fernando
07. Vai na Manha - M.C. Jacaré
08. A História do Sunda (Instrumental) - M.C. Mr. Mu

Para baixar este puro suco do trash, clique AQUI.

domingo, 8 de fevereiro de 2026

AdCanto - AdCanto (1982)

AdCanto (1982): A Arquitetura Sonora de uma Relíquia Mineira

O AdCanto é um quarteto vocal de multi-instrumentistas que apresenta uma sonoridade única, unindo a arte renascentista barroca à música mineira influenciada pelo Clube da Esquina. A formação clássica contava com Jairo Lara (guitarra, voz e flauta), Kiko Lara (baixo e violoncelo), Lemão Lara (bateria e voz) e Lou Petrus (violão, violino e voz).

Para entender a profundidade deste quarteto fantástico, é preciso olhar para a sua árvore genealógica. O nome AdCanto nasceu com uma formação original que incluía Eric Lara e seu irmão Geraldo Lara (Gê Lara). Com a morte precoce de Eric, o grupo original se dissolveu, mas em 1972 o nome foi generosamente cedido aos músicos do Grupo Fórmula — composto por Jairo Lara (irmão de Eric), Lemão Lara (irmão de Geraldo) e o primo Kiko Lara. Com a saída de Davi Dâmaso e a chegada do amigo Lou Petrus, a formação que faria história estava consolidada.

Sob a batuta de Túlio Mourão — o "quinto elemento" do grupo — essa nova formação do AdCanto elevou a música regional a um patamar universal. Eles criaram uma harmonia vocal que bebe direto da fonte renascentista e do canto gregoriano. Como relatado por Lou Petrus no canal Se Liga TV, essa essência barroca e erudita está entranhada na identidade de cada integrante.

Arquitetura Sonora e o Padrão RCA

A gênese deste LP de 1982 é fascinante. Segundo Kiko Lara (vocalista principal) relata em matéria recente da TV Alterosao grupo aproveitou uma brecha de apenas seis horas que sobraram da gravação do projeto MPBC - Vitrine, de Túlio Mourão, em 1980. Jairo Lara já havia participado deste disco tocando flauta e violão, e essa proximidade permitiu que o AdCanto mostrasse, finalmente, o que tinha em mente usando uma infraestrutura de elite.

Contudo, nota-se que o virtuosismo do quarteto original foi, em estúdio, emoldurado por uma "cozinha" de músicos transitórios de elite. Nomes como Luizão Maia, Picolé, Braz Limongi, Eduardo Souto Neto e Luiz Avelar até garantem um padrão ouro de perfeição técnica que, embora impecável, nem sempre refletia a dinâmica orgânica dos quatro tocando juntos.

Ao incluir nomes como o americano Scott Ackley na guitarra e o tcheco Zdenek Svab na trompa, a produção de Fernando Adour tentou conferir ao projeto um padrão internacional que por vezes sufocou a essência do grupo.

De fato, o grupo sempre afirmou o lirismo em seu DNA. Entrtanto essa essa tentativa de dar um "pedigree" de orquestra de câmara a um quarteto que nasceu da pureza dos corais de Minas acabou criando um som impecável, mas que sacrificou parte da essência mineira em favor das sutis pretensões da gravadora. É o registro de um momento onde a perfeição técnica colidiu com a alma de músicos que buscavam a verdade acima dos artifícios da indústria, mesmo sendo inegavelmente uma obra incrível e indispensável para a coleção de quem ama música brasileira de qualidade.

"Alma de Músico": O Manifesto do Hiato

O ponto central da obra é a canção "Alma de Músico", parceria de Túlio Mourão com Jairo Lara. Mais do que um sucesso que rivaliza com o hino oficial de Divinópolis, a letra funciona como uma filosofia que parece ter determinado o destino do grupo. Ao cantar "porque nunca troco nem por pão / minha alma de músico / prá cantar minha fé na gente", o AdCanto estabeleceu um limite ético.

O grupo desfez as atividades logo após o lançamento, e essa canção explica o porquê: o peso de não se deixar vender para manter a essência musical. O hiato, que durou décadas, foi o preço pago pela integridade artística, embora o tema central do documentário homônimo de Diego Lara não tenha sido totalmente revelado, ficando como um convite a todos para assistirem e descobrirem as nuances dessa história.

Gegê Lara – primo do documentarista e produtor musical –, abriu seu coração em depoimento para a matéria do programa Agenda (Rede Minas), expondo que, mesmo sem poder decisório sobre os desígnios do grupo, não queria que certas canções tivessem entrado para o repertório do disco se soubesse que aquele seria único registro fonográfico do AdCanto. Essa fala dele talvez dá pistas sobre o documentário que expõe de forma honesta a história dos quatro garotos de Divinópolis e de certa forma os reconecta para um possível retorno.

Ao observar as palavras de Lou Petrus deixadas em entrevista para o Canal Se Liga TV, percebe-se que o hiato, embora longo, não foi um ponto final, mas uma preservação. O desejo de reunião e a existência de material inédito mostram que a "Alma de Músico" nunca deixou de vibrar.

Nota sobre a remasterização

Para este registro digital do LP, foi utilizada uma agulha Ortofon Concorde Club (Elíptica), escolhida especificamente para garantir uma leitura com maior precisão dos sulcos e fidelidade à resposta de frequência original. O processo de remasterização contou com a redução de ruídos residuais através do MVSep DeNoise, preservando a dinâmica da obra e entregando uma clareza que faz justiça à sofisticação do quarteto divinopolitano.

Colaboração para estrutura textual: Gemini AI

Faixas: 
01. Riso do Verão
02. Navegante
03. Canção Morena
04. Canto Catalão de Natal
05. O Ouro da Estrada
06. Serenata pra São Jorge
07. Coração
08. Alma de Músico
09. União
10. Fuga
11. Nós Dois

Para baixar este álbum em FLAC, clique AQUI.

Intelligence - Intelligence (1986)

Intelligence (1986): O Supergrupo de Hard Rock que Conectou os EUA ao Brilhantismo da RCA

O Intelligence foi um quarteto de Hard Rock/AOR formado em 1986, liderado pelo guitarrista multi-instrumentista Claudio Celso. O projeto, que nasceu originalmente nos Estados Unidos, desembarcou em São Paulo para uma apresentação decisiva nos estúdios da RCA Victor, sob a direção artística de Miguel Plopschi e produção de Guti Carvalho.

O destino do álbum mudou na passagem de som: Simbas estava no comando do áudio e, ao "dar uma canja" com o grupo, impressionou tanto o produtor que o contrato foi condicionado à sua entrada definitiva. O resultado é um disco de sofisticação técnica internacional, sob a produção executiva de Frankye Arduini e a gerência de Reinaldo B. Brito.

Nivaldo Naves Horas, ou Simbas, é cantor consagrado do rock nacional paulistano. Foi membro das bandas Hydra – a primeira a gravar "Homem Com H" em 1974", Casa das Máquinas, Tutti Frutti. Já usou o pseudônimo Roger Scott, artefato de falso gringo para gravar um compacto pela Copacabana. Nos últimos anos, Simbas também atuou com a banda Dr. Fritz, além de ser empresário no ramo de sonorização e diretor técnico da rede de bares Brahma de São Paulo. Fez parte dos jurados do programa "Canta Comigo" (Record TV) no anos 2018 e 2019. 

A Cozinha de Elite: Os Irmãos Infantozzi 

A força do Intelligence reside na simbiose entre músicos que já eram referência absoluta no cenário brasileiro:

  • Claudio Celso: O arquiteto das cordas, trazendo a bagagem do Fusion e do Hard Rock americano para as composições. Residindo vários anos nos Estados Unidos, tocou com diversas lendas da música internacional como Jaco Pastorius, Chet Baker, e Roberta Flack, foi guitarrista do trombonista Raul de Souza de 1986 a 1989 e, no início dos anos 90, tocou com Marisa Monte na turnê "Mais" quando ela excursionou pelos Estados Unidos. No período que fixou residência no Rio de Janeiro, compôs o tema para a Eco 92 e, ao lado de Phillipe Neiga compôs e produziu diversos jingles para a Coca-Cola, Texaco, Amil e Bob's. Outro grande marco seu na história do rock nacional foi a formação com Vera Negri em 1991 o duo Comando Negri.

  • Pedro Infantozzi (In Memoriam): Um dos baixistas mais precisos do país, cuja linha melódica é a espinha dorsal do álbum, ao lado do irmão integrou a banda Mona e Joelho de Porco.

  • Albino Infantozzi: Pela sua precisão ritmica e habilidade técnica, é um dos bateristas mais requisitados do país, tendo trabalhado em estúdio para álbuns de artistas como Chitãozinho & Xororó, Raul Seixas, Conrado, Zezé di Camargo & Luciano, Gang 90 & The Absurdetes, Pedro Mariano, Leandro & Leonardo, Família Lima, Ângela Maria, Guilherme Arantes. Marlon & Maicon, Gino & Geno, Milionário e José Rico e muitos outros. É fundador da banda Mona (existente até hoje), foi membro das bandas Assim Assado, Ponto Chic e Joelho de Porco. Segue ativo tocando com Alex Moretti (baixista e vocalista) e Jordan Motta (guitarrista e backing vocal) na Banda Cosa Nostra Rock e segue dando palestras e workshops de bateria pelo país.

O Convite para Simbas para assumir os vocais acabou trazendo mais um parceiro para as composições do disco, pois sete das nove músicas são compostas com ele: "Manhê", "Homem do Fogo", "Você Está Sempre em Mim", "Saudades de Você", "Pode Ter Certeza" e "Sonho Louco".

Embora a banda tenha gravado apenas um álbum e seus membros tenham seguido caminhos diferentes, a balada "Saudade de Você" demonstrou certa força comercial, pois em 1987, foi regravada por Byra Nunes em seu LP lançado pela gravadora 3MJá a canção debochada "Manhê" que abre o disco, anos mais tarde foi repescada por Cláudio Celso para o repertório do único álbum do Comando Negri.

Nota Sobre a Remasterização

Este material é fruto de um rip de um LP original de 1986, tratado como um documento histórico de preservação. A restauração foi conduzida para corrigir o desequilíbrio tonal da masterização original, que sacrificava a dinâmica em favor dos padrões de rádio da época.

  • Captura de Precisão: Para a gravação do LP, utilizei uma agulha Ortofon Concorde Club (Elíptica), garantindo um registro fiel e detalhado dos sulcos originais.

  • Tratamento de Ruído: A remasterização contou com a redução de ruídos residuais e impurezas através do MVSep DeNoise (Standard), preservando a integridade dos transientes.

  • Engenharia de Presença (Ozone 11): Utilizei o Master Rebalance do iZotope Ozone 11 para uma reestruturação cirúrgica da mixagem:

    • O Resgate do Baixo: Apliquei um ganho crítico de 9 dB para devolver ao baixo de Pedro Infantozzi a massa sonora e a presença que estavam suprimidas na master de 1986.

    • Presença Vocal: A interpretação de Simbas recebeu um acréscimo de 1,9 dB, trazendo a crônica e o deboche das letras para o primeiro plano.

  • Acabamento Final: O processamento foi finalizado com ajustes de De-Esser e Bright Drums, garantindo o equilíbrio entre a sibilância e a definição da bateria de Albino Infantozzi.

Faixas: 
01. Manhê
02. Quero Ficar na Cidade
03. Homem Do Fogo
04. Você Está Sempre em Mim
05. 707
06. Explode Alegria
07. Saudades de Você
08. Pode Ter Certeza
09. Radio
10. Sonho Louco

Para baixar o álbum em FLAC, clique AQUI.

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Clínica - Clínica (1987)

Clínica foi um duo de funk rock paulista, formado em 1987 pelos músicos multi-instrumentistas Fernando Salém e Marcelo "Tuba" Abrão. Após o single "Trauma" lançado em 1987 e incluído na trilha da novela Sassaricando em 1987, lançaram em 1988 um álbum sob a direção artística de Liminha e produção de Vitor Farias e Paulo Miklos.

Farias já vinha de uma bagagem de produção Titãs, Ira! e Fausto Fawcett & Os Robôs Efêmeros e após produzir o Clínica, produziu e lançou Ed Motta & Conexão Japeri, além de albuns de Jorge Ben Jor, Gilberto Gil, Nico Rezende e Banda Black Rio, comprovando que sua expertise em sonoridades soul e funk rock com aquela ginga brasileira!

Miklos já havia atuado com Tuba e Salém em projetos do início dos anos 80, e sua presença como produtor talvez seria o grande responsável por conectar duas almas geniais da música e fazer um disco tão necessário para o rock nacional! Miklos também não foi um produtor de gabinete; ele mergulhou na execução, assumindo o baixo e as guitarras na densa "Dor" e preenchendo o disco com vocais de apoio fundamentais em cinco das nove faixas.

O Eixo de Ferro: Aguilar, Sossega Leão e a Conexão de Elite

A força do Clínica reside na simbiose entre figuras centrais que cruzavam caminhos em projetos fundamentais:

  • Tuba e Miklos: A parceria começou em 1982 no projeto "Aguilar e Banda Performática" (produzido por Belchior), onde Marcelo Tuba era o arranjador e tecladista. Essa conexão foi reafirmada em 1986 nas sessões do Sossega Leão, onde Tuba assinou os arranjos de base e Miklos contribuiu nos backing vocals — um ensaio direto para o que viria no Clínica dois anos depois.

  • Salém e Miklos: Entre 1981 e 1983, Fernando Salém (então na banda Xoro Roxo) excursionou com Paulo Miklos, criando uma afinidade artística que floresceu sob a produção rigorosa de Miklos para o duo.

Descortinando a ficha técnica, nota-se que o Clínica foi marcado por um um desfile de talentos técnicos e artísticos:

  • Teclados de Primeiro Escalão: O lendário Jorjão Barreto (essencial na história do Black Rio) é o responsável pelas texturas de teclado em "U.T.I.", "Clínica", "Gula" e "Perturbação Mental".

  • Bateria e Percussão de Grife: A bateria real surge em momentos estratégicos com o saudoso Pedro Gil então membro da banda Egotrip – nas faixas "Dor" e "Observatório", enquanto o balanço rítmico ganha o tempero de André Jung (congas e pandeiro) em "Cadeia" e "Clínica".

  • O Sopro de Léo Gandelman: O saxofonista empresta sua elegância em "Dor", "Clínica" e "Observatório", elevando o patamar melódico do álbum.

  • Poesia de Vanguarda: A faixa "U.T.I." cristaliza a conexão intelectual do grupo, unindo a letra de Arnaldo Antunes e Paulo Leminski aos vocais de apoio do próprio Arnaldo.

No Clínica, Tuba provou ser um músico excepcional e versátil. Ele assumiu o papel de  arquiteto sonoro, assinando as guitarras, o baixo e a programação de bateria. Assina autoria em duas das canções do disco: "Cadeia" e "Dor" em parceria, respectivamente, com Fernando Salém e Paulo Miklos.

Salém, por sua vez, assina sozinho a autoria de seis das nove faixas do álbum: "Clínica", "Gula",  "Trauma" , "Observatório", "Perturbação Mental" e "Inconsciente Coletivo", sendo que nestas últimas quatro ele toca guitarra. Na composição de "U.T.I" de Antunes e Leminski, faz o assobio e megafones.

As veredas distintas de dois gênios

A trajetória de Tuba é marcada pela precisão: após o Clínica, ainda colaborou em 1989 nos álbuns de Skowa e a Máfia (na faixa "O Amigo do Amigo (Tráfico de Influências)" e Thaíde & DJ Hum (faixa "Coisas do Amor"), foi guitarrista colaborador na turnê Mais de Marisa Monte (1991). Atualmente, segue sua jornada musical como integrante do Grêmio Recreativo do Vai Com Quê.

Fernando Salém formou com Marisa Orth e André Abujamra a banda Vexame. Atuou como diretor artístico do programa Vitrine na TV Cultura, emissora onde poucos anos depois viria se tornar um dos compositores das trilhas dos infantis Castelo Rá-Tim-Bum e Cocoricó. Atuou também no SBT, na trilha sonora do TV CRUJ. Também teve projetos como compositor junto à Fundação Abrinq. Enfim, um caminho tão multifacetado quanto o de seu amigo Tuba

Influência do Clínica em Ô Blésq Blom

A efervescência do Clínica transbordou para os Titãs. Arnaldo Antunes, que colaborou na letra e nos vocais de "U.T.I.", absorveu a temática hospitalar e o rigor clínico do álbum — elementos que seriam o DNA de "O Pulso" no álbum Õ Blésq Blom (1989), também dirigido por Liminha. Ao mesmo tempo, o álbum dos Titãs absorve a experiência funk rock de Miklos, Antunes e Liminha, resultando num dos álbuns mais elegantes da década de 80.

Nota sobre a remasterização

Quero agradecer o meu amigo Charles Portilho da 019 Discos por este disco do Clínica, que engrandeceu este blog. Antes da remasterização, apenas duas músicas do Clínica estavam disponíveis em CD na coletânea Singles Vol. 2 (Warner, 2001) e Rock Brasil 25 Anos Vol. 3 (2008, Warner). Para a gravação do LP, usei agulha Ortofon Concorde Club (Elíptica), para dar um registro com mais precisão dos sulcos. A remasterização contou com redução de ruídos residuais pelo MVSep DeNoise. 

Faixas: 
01. Trauma
02. Cadeia
03. Dor
04. U.T.I.
05. Clínica
06. Gula
07. Observatório
08. Pertubação Mental
09. Inconsciente Coletivo

Para baixar este album em FLAC, clique AQUI.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Afrodite Se Quiser - Afrodite Se Quiser (1987)

O Afrodite Se Quiser foi muito além de um trio pop de sucesso nos anos 80; foi o projeto que estabeleceu os parâmetros de sofisticação visual e vocal para as formações femininas no Brasil. Formado por Emilinha Caldas, Karla Sabah e Patrícia Maranhão, o grupo unia a experiência de estúdio a uma curadoria estética rigorosa, personificada principalmente na figura de Emilinha.

Vinda de uma linhagem de glamour — filha da Miss Brasil 1955, Emilia Lima — Emilinha Caldas já era uma artista consolidada quando o grupo se formou. Com passagens pelos álbuns de Robertinho de Recife e um disco solo em 1986, ela trouxe para o trio não apenas a voz e o charme da beleza, mas sua arte de compositora e expertise como figurinista, bagagem que garantiu uma identidade de imagem e som única no mercado fonográfico dos anos 80. Prova de sua verve autoral é a assinatura em composições centrais do disco, como o hit "O Que Que Ela Tem Que Eu Não Tenho?" e "Peito e Bum-Bum".

A estética de figurino e a influência do R&B que esbanja elegância e sensualidade acabaram se tornando referência para os grupos Sublimes e Lilith em 1993. O Afrodite pavimentou o caminho para que, anos depois, o pop brasileiro aceitasse trios femininos que priorizavam a harmonia vocal aliada a uma imagem poderosa e bem construída.

O sucesso comercial foi impulsionado por clássicos como “O Que Que Ela Tem Que Eu Não Tenho?”, que garantiu presença na coletânea Sucesso Maior (1988, Som Livre) e Doze Super Sucessos (1988, Philips). A onipresença em programas de massa como o Xou da Xuxa era amparada por uma base sólida de confiança: embora Patrícia Maranhão fosse irmã da ex-paquita Tatiana Maranhão, a diretora Marlene Mattos e a própria Xuxa já conheciam o talento de Emilinha desde 1984, quando ela e Robertinho de Recife registraram presença no Clube da Criança com o clássico "É de Chocolate". No álbum de 1987, Patrícia também registrou sua faceta autoral em faixas como "Tudo Por Um Toque de Amor". Após este primeiro disco, ela foi substituída por Gisela Zingoni, resultando no LP Fora de Mim (1989).

O impacto do grupo reflete-se no luxo técnico de sua ficha técnica, que contou com a produção de William Forghieri, Roberto Lly e Renato Ladeira, além de músicos de elite como Robertinho do Recife e o saxofone de Léo Gandelman. A longevidade artística de suas integrantes, como Karla Sabah — que expandiu sua atuação para o cinema e literatura após o duo Bad Girls —, confirma que o Afrodite Se Quiser permanece como o registro histórico de um pop feito com apuro técnico, servindo de escola para a geração que o sucedeu.

Nota Técnica: O material aqui referenciado é fruto de uma preservação cuidadosa a partir de um LP original de 1987, ripado com agulha Ortofon Concorde Club. O áudio foi submetido a um processo de limpeza e remasterização, utilizando processamento MVSep DeNoise para remoção de ruídos de superfície e U-He Satin e Izotope Ozone 11 para restituição do brilho e fidelidade harmônica original.

Agradecimento especial a meu amigo Charles Portilho, da loja 019 Discos, por ser meu maior apoiadorr cultural, cedendo o LP do Afrodite Se Quiser para gravar.

Faixas: 
01. O que que Ela Tem que Eu Não Tenho
02. Pega Leve
03. Peito e Bum Bum
04. Tudo por Um Toque de Amor
05. Talk Tales
06. Medley Jovem Guarda

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