sábado, 7 de fevereiro de 2026

Clínica - Clínica (1987)

Clínica foi um duo de funk rock paulista, formado em 1987 pelos músicos multi-instrumentistas Fernando Salém e Marcelo "Tuba" Abrão. Após o single "Trauma" lançado em 1987 e incluído na trilha da novela Sassaricando em 1987, lançaram em 1988 um álbum sob a direção artística de Liminha e produção de Vitor Farias e Paulo Miklos.

Farias já vinha de uma bagagem de produção Titãs, Ira! e Fausto Fawcett & Os Robôs Efêmeros e após produzir o Clínica, produziu e lançou Ed Motta & Conexão Japeri, além de albuns de Jorge Ben Jor, Gilberto Gil, Nico Rezende e Banda Black Rio, comprovando que sua expertise em sonoridades soul e funk rock com aquela ginga brasileira!

Miklos já havia atuado com Tuba e Salém em projetos do início dos anos 80, e sua presença como produtor talvez seria o grande responsável por conectar duas almas geniais da música e fazer um disco tão necessário para o rock nacional! Miklos também não foi um produtor de gabinete; ele mergulhou na execução, assumindo o baixo e as guitarras na densa "Dor" e preenchendo o disco com vocais de apoio fundamentais em cinco das nove faixas.

O Eixo de Ferro: Aguilar, Sossega Leão e a Conexão de Elite

A força do Clínica reside na simbiose entre figuras centrais que cruzavam caminhos em projetos fundamentais:

  • Tuba e Miklos: A parceria começou em 1982 no projeto "Aguilar e Banda Performática" (produzido por Belchior), onde Marcelo Tuba era o arranjador e tecladista. Essa conexão foi reafirmada em 1986 nas sessões do Sossega Leão, onde Tuba assinou os arranjos de base e Miklos contribuiu nos backing vocals — um ensaio direto para o que viria no Clínica dois anos depois.

  • Salém e Miklos: Entre 1981 e 1983, Fernando Salém (então na banda Xoro Roxo) excursionou com Paulo Miklos, criando uma afinidade artística que floresceu sob a produção rigorosa de Miklos para o duo.

Descortinando a ficha técnica, nota-se que o Clínica foi marcado por um um desfile de talentos técnicos e artísticos:

  • Teclados de Primeiro Escalão: O lendário Jorjão Barreto (essencial na história do Black Rio) é o responsável pelas texturas de teclado em "U.T.I.", "Clínica", "Gula" e "Perturbação Mental".

  • Bateria e Percussão de Grife: A bateria real surge em momentos estratégicos com o saudoso Pedro Gil então membro da banda Egotrip – nas faixas "Dor" e "Observatório", enquanto o balanço rítmico ganha o tempero de André Jung (congas e pandeiro) em "Cadeia" e "Clínica".

  • O Sopro de Léo Gandelman: O saxofonista empresta sua elegância em "Dor", "Clínica" e "Observatório", elevando o patamar melódico do álbum.

  • Poesia de Vanguarda: A faixa "U.T.I." cristaliza a conexão intelectual do grupo, unindo a letra de Arnaldo Antunes e Paulo Leminski aos vocais de apoio do próprio Arnaldo.

No Clínica, Tuba provou ser um músico excepcional e versátil. Ele assumiu o papel de  arquiteto sonoro, assinando as guitarras, o baixo e a programação de bateria. Assina autoria em duas das canções do disco: "Cadeia" e "Dor" em parceria, respectivamente, com Fernando Salém e Paulo Miklos.

Salém, por sua vez, assina sozinho a autoria de seis das nove faixas do álbum: "Clínica", "Gula",  "Trauma" , "Observatório", "Perturbação Mental" e "Inconsciente Coletivo", sendo que nestas últimas quatro ele toca guitarra. Na composição de "U.T.I" de Antunes e Leminski, faz o assobio e megafones.

As veredas distintas de dois gênios

A trajetória de Tuba é marcada pela precisão: após o Clínica, ainda colaborou em 1989 nos álbuns de Skowa e a Máfia (na faixa "O Amigo do Amigo (Tráfico de Influências)" e Thaíde & DJ Hum (faixa "Coisas do Amor"), foi guitarrista colaborador na turnê Mais de Marisa Monte (1991). Atualmente, segue sua jornada musical como integrante do Grêmio Recreativo do Vai Com Quê.

Fernando Salém formou com Marisa Orth e André Abujamra a banda Vexame. Atuou como diretor artístico do programa Vitrine na TV Cultura, emissora onde poucos anos depois viria se tornar um dos compositores das trilhas dos infantis Castelo Rá-Tim-Bum e Cocoricó. Atuou também no SBT, na trilha sonora do TV CRUJ. Também teve projetos como compositor junto à Fundação Abrinq. Enfim, um caminho tão multifacetado quanto o de seu amigo Tuba

Influência do Clínica em Ô Blésq Blom

A efervescência do Clínica transbordou para os Titãs. Arnaldo Antunes, que colaborou na letra e nos vocais de "U.T.I.", absorveu a temática hospitalar e o rigor clínico do álbum — elementos que seriam o DNA de "O Pulso" no álbum Õ Blésq Blom (1989), também dirigido por Liminha. Ao mesmo tempo, o álbum dos Titãs absorve a experiência funk rock de Miklos, Antunes e Liminha, resultando num dos álbuns mais elegantes da década de 80.

Nota sobre a remasterização

Quero agradecer o meu amigo Charles Portilho da 019 Discos por este disco do Clínica, que engrandeceu este blog. Antes da remasterização, apenas duas músicas do Clínica estavam disponíveis em CD na coletânea Singles Vol. 2 (Warner, 2001) e Rock Brasil 25 Anos Vol. 3 (2008, Warner). Para a gravação do LP, usei agulha Ortofon Concorde Club (Elíptica), para dar um registro com mais precisão dos sulcos. A remasterização contou com redução de ruídos residuais pelo MVSep DeNoise. 

Faixas: 
01. Trauma
02. Cadeia
03. Dor
04. U.T.I.
05. Clínica
06. Gula
07. Observatório
08. Pertubação Mental
09. Inconsciente Coletivo

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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Afrodite Se Quiser - Afrodite Se Quiser (1987)

O Afrodite Se Quiser foi muito além de um trio pop de sucesso nos anos 80; foi o projeto que estabeleceu os parâmetros de sofisticação visual e vocal para as formações femininas no Brasil. Formado por Emilinha Caldas, Karla Sabah e Patrícia Maranhão, o grupo unia a experiência de estúdio a uma curadoria estética rigorosa, personificada principalmente na figura de Emilinha.

Vinda de uma linhagem de glamour — filha da Miss Brasil 1955, Emilia Lima — Emilinha Caldas já era uma artista consolidada quando o grupo se formou. Com passagens pelos álbuns de Robertinho de Recife e um disco solo em 1986, ela trouxe para o trio não apenas a voz e o charme da beleza, mas sua arte de compositora e expertise como figurinista, bagagem que garantiu uma identidade de imagem e som única no mercado fonográfico dos anos 80. Prova de sua verve autoral é a assinatura em composições centrais do disco, como o hit "O Que Que Ela Tem Que Eu Não Tenho?" e "Peito e Bum-Bum".

A estética de figurino e a influência do R&B que esbanja elegância e sensualidade acabaram se tornando referência para os grupos Sublimes e Lilith em 1993. O Afrodite pavimentou o caminho para que, anos depois, o pop brasileiro aceitasse trios femininos que priorizavam a harmonia vocal aliada a uma imagem poderosa e bem construída.

O sucesso comercial foi impulsionado por clássicos como “O Que Que Ela Tem Que Eu Não Tenho?”, que garantiu presença na coletânea Sucesso Maior (1988, Som Livre) e Doze Super Sucessos (1988, Philips). A onipresença em programas de massa como o Xou da Xuxa era amparada por uma base sólida de confiança: embora Patrícia Maranhão fosse irmã da ex-paquita Tatiana Maranhão, a diretora Marlene Mattos e a própria Xuxa já conheciam o talento de Emilinha desde 1984, quando ela e Robertinho de Recife registraram presença no Clube da Criança com o clássico "É de Chocolate". No álbum de 1987, Patrícia também registrou sua faceta autoral em faixas como "Tudo Por Um Toque de Amor". Após este primeiro disco, ela foi substituída por Gisela Zingoni, resultando no LP Fora de Mim (1989).

O impacto do grupo reflete-se no luxo técnico de sua ficha técnica, que contou com a produção de William Forghieri, Roberto Lly e Renato Ladeira, além de músicos de elite como Robertinho do Recife e o saxofone de Léo Gandelman. A longevidade artística de suas integrantes, como Karla Sabah — que expandiu sua atuação para o cinema e literatura após o duo Bad Girls —, confirma que o Afrodite Se Quiser permanece como o registro histórico de um pop feito com apuro técnico, servindo de escola para a geração que o sucedeu.

Nota Técnica: O material aqui referenciado é fruto de uma preservação cuidadosa a partir de um LP original de 1987, ripado com agulha Ortofon Concorde Club. O áudio foi submetido a um processo de limpeza e remasterização, utilizando processamento MVSep DeNoise para remoção de ruídos de superfície e U-He Satin e Izotope Ozone 11 para restituição do brilho e fidelidade harmônica original.

Agradecimento especial a meu amigo Charles Portilho, da loja 019 Discos, por ser meu maior apoiadorr cultural, cedendo o LP do Afrodite Se Quiser para gravar.

Faixas: 
01. O que que Ela Tem que Eu Não Tenho
02. Pega Leve
03. Peito e Bum Bum
04. Tudo por Um Toque de Amor
05. Talk Tales
06. Medley Jovem Guarda

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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Perdidos na Noite do Rock (1987)

Perdidos na Noite foi um programa apresentado por Fausto Silva, que estreou em 1984 na TV Gazeta, sendo transferido para a TV Record ainda no mesmo ano e, posteriormente, exibido pela TV Bandeirantes entre 1986 e 1988.

O sucesso da atração se devia ao jeito irreverente e politicamente incorreto do apresentador, que misturava sketches de humor, comentários ácidos e apresentações de bandas de rock. Um dos elementos marcantes era o cenário propositalmente precário, que reforçava o tom debochado e anárquico do programa.

Um disco que une diversas vertentes do rock!

O LP faz uma conexão de vários artistas consagrados, como Ira!, Hanói Hanói – com integrantes vindos da banda Brylho –, bandas do punk rock nacional Replicantes (do Porto Alegre, Rio Grande do Sul) e Inocentes (da capital de São Paulo), além de um Ney Matogrosso em sua vibe roqueira, assinando composição com Leoni – ex-Heróis da Resistência – em Dívidas de Amor. A trilha sonora também traz o pop rock de Biquini Cavadão e da banda Cheque Especial (banda liderada por Anibal Rosas, que no fim dos anos 1980 seguiria carreira solo).

Uma trilha sonora que lançou novas bandas

A trilha sonora "Perdidos na Noite do Rock" registra um espírito ousado: como grande diferencial, o LP do programa abriu as portas para a iniciante Lagoa 66, uma banda rock onanista – termo usado para banda com conteúdo de letra cômico verborrágico – com referências no rapcore californiano, criada em 1985 por Rogério Naccache (vocalista) e Tadeu Patolla (guitarrista), tendo além deles como membros Marcelo Munari (guitarra) Nicco Caccicacarro (baixo elétrico) Leonardo Giordano (bateria).

Diferente das demais faixas, gentilmente cedidas por grandes gravadoras, as músicas da Lagoa 66 – que nos anos 1990 alterou seu nome para Lagoa – foram produzidas e gravadas no Estúdio Zenith exclusivamente para este lançamento, com arranjos de Tadeu "Patolla" Eliezer. Além de guitarrista da Lagoa 66, o músico foi membro da banda TelexAnos mais tarde, Patolla viria a perpetuar sua história no rock nacional ao assinar a produção de "Tranpiração Contínua e Prolongada" da ainda estreante Charlie Brown Jr (senão o maior clássico do rock nacional), além de ter produzido também artistas como Biquini Cavadão, Strike, Wilson Sideral, Deborah Blando, Aliados 13, Jorge Ben Jor e vários outros.

Desafio do Restauro (2016-2026):

Para a remasterização que fiz em novembro de 2016, foi utilizada a agulha AT95E — modelo elíptico que oferece boa leitura do sulco com precisão nos agudos. Entretanto, saliento que ripar um material da Disco Ban com distribuição da Fonobrás é um pesadelo: algumas faixas parecem cópias do próprio vinil! Alguns estalos que ficaram sobressalentes precisaram ser removidos com audição minusciosa, trecho por trecho, pra não "comer" os beats da bateria caso aplicasse uma camada de removedor de declicker agressivo. O resultado está dentro do esperado, alguns estalinhos poderão ser encontrados. Para melhorar, em fevereiro de 2026, utilizei o MVSep DeNoise para "aspirar" o ruído residual do LP, mas mantendo ao máximo o áudio fiel à master do LP.

Faixas:
01. Pelamordedeus - Lagoa 66
02. Envelheço na Cidade - Ira!
03. Surfista Calhorda - Replicantes
04. Ele Disse Não - Inocentes
05. Dois Gumes - Uns e Outros
06. Totalmente Demais - Hanoi Hanoi
07. Nyet Chernobyl - Lagoa 66
08. Búzios Armação - Cheque Especial
09. Dívidas de Amor - Ney Matogrosso
10. Timidez - Biquini Cavadão

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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Faz Parte do Meu Show (1989)

Lançado em 1989, este LP é uma daquelas coletâneas que escondem verdadeiras raridades da segunda metade dos anos 80. O álbum leva o nome do mega-hit "Faz Parte do Meu Show", mas aqui na voz da banda Herva Doce.

A história por trás dessa faixa é curiosa: após a saída da RCA, o Herva Doce gravou pela Continental um Promo 12'' da música (composta por Renato Ladeira e Cazuza), que acabou não ganhando lançamento oficial na época. A gravação ficou engavetada até 1989, permitindo que Cazuza a lançasse primeiro em 1988, no álbum Ideologia, com a famosa roupagem de bossa nova. Ouvir a versão do Herva Doce é entender a gênese rock dessa canção.

Outra "mosca branca" presente no disco é o single "Solte Meu Nariz". Trata-se da gravação que a banda Magazine lançou originalmente como Promo Mix em 1987, trazendo Pedrinho nos vocais, já que Kid Vinil estava em contrato com a 3M naquela ocasião. O projeto ainda entrega semi-hits potentes como "Rock Shock da Mamãe" (Degradée), "Sozinho na Cidade" (Rock Memory) e "Cara Pálida" (Gang 90). É só pedrada, um disco delicioso!

Nota de Remasterização: Um agradecimento especial ao Charles Portilho, da loja 019 Discos (Nova Odessa/SP), pelo empréstimo deste exemplar raro. A digitalização, iniciada em agosto de 2024 com a agulha Ortofon Concorde Mix, garantiu a máxima precisão sonora. Agora, em fevereiro de 2026, o material recebeu o tratamento final com o MVSep DeNoise, removendo ruídos residuais e elevando a fidelidade ao nível que esses registros históricos merecem. O que já era bom, ficou ainda melhor!

Faixas:
01. Faz Parte do Meu Show - Herva Doce
02. Ano Bissexto - Bandabsurda
03. Cara Pálida - Gang 90
04. Rock Shock da Mamãe - Degradée part. esp. Roger Moreira
05. Roquenrol - Impacto
06. Nosso Lado Animal - Bandaliera
07. Sozinho na Cidade - Rock Memory
08. Grândola, Vila Morena - 365
09. Solte Meu Nariz - Magazine
10. Como Eu Queria - Anjo Caído

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Rock In Brazil Vol. 1 (1985)

O ano de 1985 foi marcado pelo fervor do primeiro Rock In Rio e pelo surgimento de diversas coletâneas que tentavam surfar essa onda. Com um marketing estratégico afiado, a RCA lançou "Rock In Brazil Vol. 1", um autêntico disco "pau-de-sebo". A proposta era econômica e direta: reunir no mesmo LP artistas já conhecidos do grande público com apostas estreantes, permitindo que a gravadora sentisse o potencial de cada um sem correr grandes riscos financeiros.

No lado das bandas consagradas, tínhamos nomes como Lobão & Os Ronaldos, Brylho, Absyntho, Herva Doce e João Penca & Seus Miquinhos Amestrados. Já no time das apostas que buscavam seu espaço, figuravam Synopse, Cinema À Dois, Tânia Cristal & Os Diamantes, Xok, Tubarão, Truke e Sylvia Patricia.

Embora o título sugerisse uma série, o "Volume 1" acabou sendo único. O destino dos artistas foi diverso: enquanto alguns ficaram restritos a esta coletânea, outros seguiram caminho na RCA por mais alguns álbuns antes de trocarem de casa. Casos notáveis são o do grupo Tubarão, de João Penca e de Sylvia Patrícia — que mais tarde migraria para a MPB. E a banda Cinema A Dois que se desfez após o sucesso meteórico de "Não Me Iluda" revelou seu vocalista Fábio Fonseca, que seguiu carreira solo.

Um destaque histórico obrigatório é "Totalmente Demais", gravada por um Brylho já sem Cláudio Zoli, mas que trazia a semente do que viria a ser o Hanói Hanói, com a voz e a pegada de Arnaldo Brandão.

Embora algumas bandas tenham tido apenas passagem de ida por esta coletânea, é impressionante lembrar o sucesso de "Não Me Iluda" (Cinema A Dois) e "Encontro Marcado" (Xok) nas rádios na época e em tempos de resgate tem retornado com força nas rádios Adulto Contemporâneas. Bandas promissoras que infelizmente – ou felizmente – se tornaram one hit wonders. Além do mais, este LP é uma verdadeira lenda do Rock Brasileiro, um registro de um momento em que tudo parecia possível nas rádios e nas lojas de disco.

Nota sobre a remasterização: ela foi realiza\da em novembro de 2024, com uso de agulha Ortofon Concorde Mix, garantindo a máxima fidelidade de áudio do LP. Agora em fevereiro de 2026, a remasterização ganha um acabamento final de redução de ruído residual, mas mantendo o máximo da fidelidade da gravação original. Aumente o som e curta essa viagem!

Faixas: 
01. Amante Profissional - Herva Doce
02. Como Macaco Gosta de Banana - João Penca & Seus Miquinhos Amestrados
03. Não Me Iluda - Cinema À Dois
04. Fazendo Romance - Absyntho
05. Lady Pank - Sylvia Patrícia
06. História de Amor - Tubarão
07. Corações Psicodélicos - Lobão & Os Ronaldos
08. Totalmente Demais - Brylho
09. Vamp Atômica - Tânia Cristal e Os Diamantes
10. Encontro Marcado - Xok
11. Franco Atirador - Truke
12. Para Para - Synopse

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Neo Rock (1984)

Lançada comercialmente em LP pela WEA em 1984, a coletânea Neo Rock nasceu de uma parceria com a rádio paulistana Pool FM (89,1 MHz). O álbum destaca-se logo de cara pelo projeto gráfico: a capa e a contracapa trazem ilustrações luxuosas de Angeli, o icônico cartunista da Folha de S.Paulo e criador de personagens como Bob Cuspe e Wood & Stock.

Dentre as grandes gravadoras da época, a Warner (WEA) foi a que melhor explorou o celeiro de novos artistas do rock, mantendo o investimento no gênero por décadas. Prova disso é que a Warner Music Brasil resgatou faixas deste disco em compilações posteriores, como "Geração Anos 80 - Singles" (2001) e "Rock Brasil 25 Anos" (2008).

A compilação é marcada por estreias de peso:

  • Titãs e Ultraje a Rigor: Bandas que definiram o gênero e mantiveram sua essência mesmo após as mudanças de formação ao longo dos anos.

  • Magazine: Liderada por Kid Vinil, a banda viveu seu auge nesta fase, antes de o vocalista seguir carreira solo em 1985 (retornando ao grupo apenas nos anos 2000).

  • Degradée: Estreou com o hit "Mais Que Um Sonhador" — impulsionado pela trilha da novela Um Sonho A Mais —, embora o restante do repertório do álbum de estreia não tenha alcançado o mesmo impacto do single.

  • Azul 29: Com uma sonoridade irreverente e materiais já lançados entre 1982 e 1983, a banda entrou na coletânea para fechar o repertório com chave de ouro.

Nota sobre as edições em CD

É importante notar que alguns desses fonogramas chegaram a ser lançados em CD nas coletâneas "Geração Anos 80 - Vol. 1" e "Rock Brasil 25 Anos - Vol. 2". Entretanto, embora tenham sido fruto de uma revisitação das fitas master por Charles Gavin e Ricardo Garcia no Magic Master há quase vinte anos, não se extraiu o melhor daquele material para o formato digital. Talvez pela deterioração natural após mais de 25 anos da gravação original, o processo em CD não alcançou a mesma fidelidade sonora que se nota ter permanecido intacta no LP.

Processo de Preservação e Restauro (2024-2026)

Nesta nova remasterização, iniciada em novembro de 2024, optei pela digitalização do LP original com uma agulha Ortofon Concorde Mix, capaz de captar com precisão os transientes e o chiado residual característico das masters originais. Essa abordagem busca o Estéreo em oposição ao Estéril.

Diferente da percepção de mercado do início dos anos 2000 — quando o vinil e a fita K7 já eram encarados como um formato extinto e abominável e qualquer ruído de fita precisava ser removido a todo custo, gerando áudios metalizados — me surpreende em fevereiro de 2026 o MVSep DeNoise permitir-nos tratar o ruído no limite sem sacrificar o corpo harmônico.

É extasiante ouvir tapes das primeiras gravações do Magazine, Titãs e Ultraje com aquela sujeira característica de material primitivo de banda de garagem, sem aquele sufocamento de filtros de resíduos e declicadores que antes comiam o toque da baqueta na bateria ou aquele efeito de pedaleira e arranjo de sintetizador que você não ouvia com gozo porque estava sacrificado pelo filtro.

Gavin e Garcia, vocês fizeram um excelente trabalho para aquele momento, mas eu os convido a vir ouvir com a comunidade toda e dar o play nas faixas para ver como ficam na caixa de som e no fone de ouvido! Tem nova perspectiva by Gazeta do Som aqui e agora!

Faixas: 
01. Tic-Tic Nervoso - Magazine
02. Mais que um Sonhador - Degradée
03. Toda Cor - Titãs
04. Inútil - Ultraje A Rigor
05. Teu Nome em Neon - Azul 29
06. Sonífera Ilha - Titãs
07. Eu Me Amo - Ultraje A Rigor
08. Assim Não Dá - Degradée
09. Video Game - Azul 29
10. Sou Boy - Magazine

Para baixar Neo Rock em FLAC, clique AQUI.

Os Intocáveis (1985)

Lançada pela CBS/Epic em 1985 nos formatos LP e K7, a coletânea "Os Intocáveis" surgiu com o objetivo de promover doze bandas recém-contratadas pela gravadora, que até então possuíam apenas compactos simples. O título da compilação era uma alusão ao fato de as bandas serem estreantes e, portanto, ainda "intocadas" pelas rádios.

Embora o nome e a estética mafiosa da capa sugiram uma trilha sonora, o disco não tem relação com o famoso filme de Brian De Palma. O longa-metragem — estrelado por Kevin Costner, Sean Connery e Robert De Niro — só chegaria aos cinemas em 1987, dois anos após o lançamento da coletânea, o que descarta qualquer conexão direta.

Entre os participantes, a banda Tan-Tan Club já havia figurado no disco "Rock 1984", mas ganhou projeção nacional ao lado das demais bandas de "Os Intocáveis". Contudo, apenas algumas seguiram com álbuns de carreira expressivos:

  • O Zero assinou com a EMI ainda em 1985, lançando os álbuns "Passos no Escuro" e "Carne Humana" (1987);

  • A Banda 69 gravou um único disco pela CBS em 1986;

  • O Capital Inicial migrou para a PolyGram em 1986, onde consolidou sua trajetória com quatro álbuns de grande sucesso pelo selo.

Nota da Remasterização: O LP foi remasterizado com uso de agulha Ortofon Concorde Mix em novembro de 2024, garantindo uma leitura precisa dos sulcos do vinil. Em fevereiro de 2026, os arquivos passaram por um tratamento avançado via MVSep DeNoise. Esse processo eliminou ruídos residuais (como rumble e hiss) sem comprometer a dinâmica original, entregando um áudio limpo, cristalino e fiel à obra de 1985

Faixas: 
01. Vazio de Amor - C-47
02. Descendo o Rio Nilo - Capital Inicial
03. Abominável Homem das Neves - Osmar e Os Cianos
04. Ao Vivo e a Cores - UPI
05. Choveu no Meu Chip - Eletrodomésticos
06. Metrópolis - Neon
07. Menina do Metrô - Tan-Tan Club
08. Ecos da Caverna - Os Mesmos
09. Heróis - Zero
10. Rollar pra Você - THC
11. Dodói - Front
12. Papo Sério - Banda 69

Para baixar esta coletânea em FLAC, clique AQUI.