segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Mulheres '95 (1995)

Lançada em 1995 pela Globo/Polydor, a coletânea Mulheres '95 reúne 14 cantoras de diferentes gerações da música brasileira em uma seleção que transita por gêneros como MPB, samba, pop e rock. O projeto chegou ao mercado nos formatos LP, K7 e CD, com fabricação do CD pela Microservice Microfilmagens e Reproduções Técnicas da Amazônia Ltda., na Zona Franca de Manaus, e distribuição da PolyGram do Brasil Ltda., sob encomenda da SIGLA – Sistema Globo de Gravações Audiovisuais Ltda.

Uma curiosidade desta edição está na contracapa do CD: os dados de fabricação da Videolar da Amazônia S/A foram encobertos por uma tarja opaca, sobre a qual aparece a identificação da Microservice. A inscrição original, embora bastante apagada, ainda pode ser percebida sob a tarja, revelando uma alteração na apresentação gráfica do lançamento. Enfim, técnicas rudimentares de uma época que cada centavo economizado fazia diferença no valor final, hahaha...

A seleção de repertório ficou a cargo de Sérgio Motta, com masterização da Magic Master, fotografia de Paulo Sabugosa e direção de arte de Marciso (Pena) Carvalho. A apresentação gráfica também chama a atenção, com uma proposta visual que dialoga diretamente com o título do projeto, embora não concorde com a fotografia, uma vez que mulher não se resume a volúpia, seios fartos e silhueta fina.

O repertório combina interpretações já consagradas em suas vozes originais com releituras de sucessos de outros artistas, reunindo gravações das décadas de 70, 80 e 90. 

É curioso encontrar, em um repertório predominantemente formado por fonogramas do catálogo PolyGram, gravações de outras gravadoras, como Continental (Wanderléa), Sigla (Sandra de Sá e Fafá de Belém), BMG Ariola (Joanna e Beth Carvalho) e Lux Music (Patrícia Marx), sendo esta última distribuída pela PolyGram.

Eu concordo com todas as intérpretes escolhidas, mas, por questão de gosto particular, substituiria facilmente algumas músicas. Ainda assim, noto que Sérgio Motta soube conciliar diferentes preferências, priorizando uma curadoria focada na pluralidade cultural e de estilos.

É talvez isso que faça de Mulheres 95 uma daquelas memoráveis coletâneas de loja, que funcionam como som ambiente de barzinho, de recepção de amigos em happy hour ou início de festa, até pela harmonia da seleção, que reúne canções que o público conhece e sabe cantarolar até hoje.

Faixas:
01. Modinha para Gabriela - Gal Costa
02. Asa Morena - Zizi Possi
03. Simples Carinho - Ângela Rô Rô
04. Pra Começar (Ao Vivo) - Marina Lima
05. Foi Assim (Juventude e Ternura) - Wanderléa
06. Demais (Yes It Is) - Verônica Sabino
07. Enredo do Meu Samba - Sandra de Sá
08. De Volta pro Aconchego - Elba Ramalho
09. Filho da Bahia - Fafá de Belém
10. Saco de Feijão - Beth Carvalho
11. Lanterna dos Afogados - Cássia Eller
12. Felicidade - Joanna
13. Ficar com Você (I Wanna Be Where You Are) - Patrícia Marx
14. Coisas do Brasil - Leila Pinheiro

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domingo, 11 de outubro de 2026

Acoustic Rock Album (1997)

Lançado em 1997 pela Globo/Polydor, Acoustic Rock Album reúne 14 gravações e representa bem aquelas coletâneas cujo título promete uma coisa, mas o repertório acaba entregando outra. Afinal, nem sempre a palavra acoustic significava um álbum de versões desplugadas: podia também identificar uma seleção de rock e pop em que os violões, as melodias e os arranjos menos agressivos ganhavam destaque. Uma liberdade de interpretação que, por si só, é perfeitamente relevável.

Eu vou explicar o que é bem esse álbum tal qual Zeca Pagodinho explicaria a diferença de samba, pagode, samba-enredo e partido alto: "É acústico, mas tem guitarra elétrica. Tem violão, mas nem tudo é desplugado. Tem rock, tem pop... Aí depende! Porque uma coisa é tocar acústico, outra coisa é ter um violão no meio da música!". Sacou? É o bom e velho soft rock ganhando residência em um álbum Acoustic Rock, que também não é álbum, é coletânea, hahahaha....

A bela identidade visual do material gráfico deste "álbum" (risos) recebeu um trabalho próprio dentro da equipe Som Livre: A ilustração da capa de um músico sentado com seu violão, criada por Mário Bag, apresenta imediatamente a proposta da coletânea. Marciso (Pena) Carvalho assina a direção de arte e o projeto gráfico, enquanto Paulo César Santos responde pela realização gráfica. Quanto à masterização de áudio, foi realizada por Sérgio Seabra, com fonogramas cedidos pela PolyGram.

O lançamento de 1997 saiu em CD pela Globo/Polydor, sob o número de catálogo 553 989-2, com fabricação da Videolar Multimídia Ltda. e distribuição da PolyGram do Brasil Ltda, sob licença da SIGLA – Sistema Globo de Gravações Audiovisuais Ltda. Evidências na contracapa do disco informam uma edição em K7 naquele ano. 

Dois anos depois, a coletânea recebeu uma nova edição em CD, também só no Brasil, pelo selo Mercury, de igual numeração de catálogo, mas fabricada pela Microservice Tecnologia Digital da Amazônia Ltda., sob encomenda da PolyGram. Essa mudança de selo, catálogo e fabricante permite acompanhar a continuidade comercial do título e distinguir as duas edições no Discogs..

Aqui destaco uma releitura de “Harvest for the World”, originalmente gravada pelos Isley Brothers, que ganhou uma interpretação dos The Christians e integrou a coletânea One Moment in Time, lançada por ocasião dos Jogos Olímpicos de Seul, na Coreia do Sul, em 1988. Outra é “Here and Now”, dos escoceses Del Amitri, banda que conheci na coletânea Rock Ballads, lançada pela PolyGram em 1996. Encontrar essas músicas aqui foi uma grata surpresa.

Para quem gosta de explorar o catálogo de coletâneas lançadas no Brasil na década de 1990, 2000 e 2010, Acoustic Rock Album oferece uma audição agradável, com sucessos conhecidos e algumas escolhas menos óbvias, reunindo na curadoria intérpretes e bandas bem aclamados pela crítica musical. Apesar do tema ser canções acústicas, o projeto traz algumas baladas bem elétricas, com violão como marca característica.

Mas aqui há muito mais espaço para elogios do que para críticas ao projeto. Um dos grandes prazeres de explorar coletâneas está justamente em encontrar medalhões da música internacional dividindo espaço com nomes como Cast, The Christians, J.J. Cale, Joan Armatrading e Del Amitri. É nesse contraste que a seleção ganha personalidade: além dos sucessos consagrados, há escolhas que despertam a curiosidade e nos convidam a conhecer melhor outros artistas. Afinal, uma boa curadoria também tem esse mérito de funcionar como uma sugestão pessoal de quem escolheu o repertório, e é justamente isso que torna a audição ainda mais interessante.

Faixas:
01. Luka - Suzanne Vega
02. Linger - The Cranberries
03. Inbetween Days - The Cure
04. All I Want Is You - U2
05. Run Baby Run - Sheryl Crow
06. Let It Grow - Eric Clapton
07. Walkaway - Cast
08. Daniel - Elton John
09. Maggie May - Rod Stewart
10. After Midnight - J.J. Cale
11. Harvest for the World - The Christians
12. Love and Affection (Remix) - Joan Armatrading
13. Wild Wood - Paul Weller
14. Here and Now - Del Amitri

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2000 Latin Grammy Nominees (2000)

Latin Grammy – A criação de uma premiação para a música latina

Criado para reconhecer a excelência artística e técnica da música produzida pelas comunidades de língua espanhola e portuguesa, o Latin Grammy teve sua primeira edição em 2000, organizado pela Academia Latina de Artes e Ciências da Gravação (LARAS). A iniciativa nasceu da tradição do Grammy, ampliando o reconhecimento da indústria fonográfica para um universo musical marcado por diferentes idiomas, gêneros e manifestações culturais.

A Academia Latina foi constituída como uma associação de profissionais da música, reunindo artistas, produtores, técnicos e outros participantes da indústria fonográfica. Além da organização da premiação, suas atividades compreendiam programas educacionais, culturais e humanitários, oportunidades de relacionamento profissional e iniciativas relacionadas à defesa dos direitos autorais e dos interesses dos artistas.

Desde sua concepção, o Latin Grammy estabeleceu como princípio o reconhecimento das realizações artísticas e técnicas, independentemente dos resultados comerciais. Isso significa que vendas de discos e posições nas paradas de sucesso não determinavam os vencedores, escolhidos por meio dos votos dos próprios profissionais integrantes da Academia.

O processo de premiação foi estruturado em quatro etapas. Inicialmente, gravadoras e membros da Academia inscreviam as gravações lançadas durante o período de elegibilidade. Em seguida, especialistas verificavam se os trabalhos atendiam aos requisitos e estavam corretamente classificados. A terceira etapa correspondia à escolha dos indicados, enquanto a votação final determinava os vencedores. A apuração ficava sob responsabilidade da Deloitte & Touche, que mantinha os resultados em sigilo até a cerimônia de entrega.

Na primeira edição, foram estabelecidas 40 categorias distribuídas em 11 áreas, contemplando desde os prêmios gerais de Gravação do Ano, Álbum do Ano, Canção do Ano e Artista Revelação até segmentos específicos como Pop, Rock, Música Tropical, Regional Mexicana, Jazz, Música Tradicional, Música Brasileira, Música Infantil e Música Clássica, além de premiações técnicas e de videoclipe.

A participação brasileira merece destaque. Já em 2000, o Latin Grammy reservava sete categorias específicas para a produção nacional, incluindo Álbum Pop Contemporâneo, Álbum Rock, Álbum de Samba/Pagode, Álbum de Música Popular Brasileira, Álbum de Música Sertaneja, Álbum de Música Regional ou de Raízes Brasileiras e Canção Brasileira. Era um reconhecimento da variedade de estilos presentes no mercado fonográfico brasileiro e de sua importância dentro da proposta da premiação.

Essa organização também revela uma característica importante do Latin Grammy: embora reunisse a produção musical de diferentes países sob uma mesma premiação, procurava preservar as particularidades dos repertórios e das tradições musicais de cada região.

A primeira cerimônia, realizada em 13 de setembro de 2000, marcou o início de uma premiação internacional dedicada à música latina. Mais do que reproduzir o formato do Grammy, a proposta era oferecer um espaço próprio de reconhecimento para artistas, compositores, produtores e profissionais que participavam de uma indústria fonográfica culturalmente diversa e de grande expressão.

O que o repertório acrescenta à história

A seleção permite enxergar, na prática, a diversidade musical que a Academia Latina pretendia representar em sua primeira edição.

A presença de Marc Anthony em duas faixas, por exemplo, evidencia a importância do cantor naquele momento, transitando entre a música dançante e o repertório latino romântico. Rubén Blades, Juan Luis Guerra e Mercedes Sosa representam outras tradições musicais, enquanto Ricky Martin, Shakira, Christina Aguilera e Santana mostram a projeção internacional que a música latina alcançava na virada do milênio.

Há ainda uma particularidade interessante para o público brasileiro: Zizi Possi é a representante nacional desta seleção, com sua interpretação de "Meu Erro", composição de Herbert Vianna, extraída do álbum Puro Prazer.

O CD também mostra como a Sony reuniu fonogramas de diferentes companhias. Embora lançado pela Epic/Sony Discos, o repertório inclui gravações licenciadas de catálogos da Warner, Universal e outras empresas.

E há uma distinção editorial importante: este é um disco de indicados, não uma coletânea de vencedores. Seu valor documental está justamente em registrar parte do cenário musical considerado para a premiação inaugural, sem pretender representar todas as categorias ou todos os indicados.

Faixas:
01. Dímelo (I Need To Know) - Marc Anthony
02. Tiempos - Ruben Blades
03. Livin' La Vida Loca (Spanish Version) - Ricky Martin
04. Corazón Espinado - Santana feat. Mana
05. Fruta Fresca - Carlos Vives
06. Da La Vuelta - Marc Anthony
07. No Me Dejes De Querer - Gloria Estefan
08. El Niagara En Bicicleta - Juan Luis Guerra
09. A Puro Dolor (Salsa) - Son By Four
10. Genio Atrapado (Genie In A Bottle) - Christina Aguilera
11. Meu Erro - Zizi Possi
12. Ojos Así - Shakira
13. Al Despertar - Mercedes Sosa
14. Llegar A Ti - Jaci Velasquez

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Polegar - Polegar (2004)

Polegar, grupo que alcançou grande popularidade no Brasil entre o final dos anos 1980 e o início dos anos 1990, voltou ao mercado fonográfico em 2004 com um CD lançado de forma independente, sendo gravado, mixado e masterizado nos estúdios Master Music, em São Paulo. 

O álbum reúne, da formação original, Alex Gil (baixo e vocal), Alan Frank (teclado e backing vocal) e Ricardo Costa (guitarra, violão e backing vocal). Ricardo – agora assinando como Ricardo Maia –, que era baterista da banda, ocupa novas funções de guitarra e violão, dando lugar a Fernando Kitagawa na bateria. 

Alex Gil – que aqui adota o nome artístico Alex Konti – assume a produção musical em parceria com Rodrigo Castanho, produtor ganhador de Grammy Awards, famoso por trabalhos com Charlie Brown Jr., Tihuana, Los Hermanos, O Surto, Ultraje a Rigor e tantos outros. A produção executiva ficou sob responsabilidade de Rogério Santos, com assistência de Sérgio Gil, irmão de Alex.

Alex também participa diretamente da criação do repertório, assinando a maior parte das composições ao lado de Sérgio Gil. As demais contribuições autorais incluem Fernando Kitagawa e Tom Soares, responsáveis por “Malandra” e “Eu Preciso de Você”.

A única releitura do disco é “Não Vou Ficar”, composição de Tim Maia, uma escolha bastante assertiva para a segunda música de trabalho. A faixa surpreendeu os fãs quando apresentada nos programas de televisão, ao mostrar uma banda capaz de levar a animação dos bailes para uma interpretação que combina rock, soul e funk. A apresentação também evidenciava a capacidade técnica dos integrantes, característica que havia permanecido em segundo plano nos discos anteriores.

O CD traz ainda um time batizado de Caramelo Junkie, formado por Tom Soares, Antônio Garcia, André Dozzo e Alex Konti, justamente para entregar os remixes de “Do Jeito Que Eu Quis”, “Mariana” e “Eu Preciso de Você”.

E pensou que Alex fez “só” isso? Ele também assina os arranjos ao lado de Fernando Pinheiro (Chocô), com quem divide os trabalhos de gravação e mixagem. Rodrigo Castanho, além da produção musical, participa como guitarrista convidado, ao lado de Ivan Dizioli, enquanto Fernando Pinheiro (Chocô) também contribui nos teclados. Essa concentração de funções ajuda a compreender o envolvimento de Alex Gil em praticamente todas as etapas musicais do projeto..

A concepção da capa é creditada a Ricardo Maia e Rogério Santos, com arte de Alexandre Pressotto e fotografias de José Carlos J. Gonçalves – também diretor fotográfico – e Klaus Hofer. O projeto gráfico ficou a cargo da Hope Comunicação, sob direção de arte de Julian Sanchez.

Para quem conheceu o Polegar pelos sucessos de sua primeira fase, este CD oferece a oportunidade de descobrir um capítulo de sua discografia que sequer foi disponibilizado nas plataformas digitais. É também um trabalho que permite o resgate às origens do grupo, formado em 1986 como Os Garotos da Cidade, antes da contratação pela Promoart, de Augusto Liberato, que o transformaria no Polegar.

Em 2004, o domínio técnico e musical dos integrantes finalmente ganha protagonismo, depois de permanecer em segundo plano diante da valorização da imagem de boy band que marcou as décadas anteriores. 

Há uma relação entre o nome Polegar, a imagem escolhida para a capa e o momento vivido pelo grupo em 2004. A formação mudou, os integrantes assumiram novas funções e a proposta musical ganhou outra direção, mas o nome permaneceu.

Há uma sutileza elegante na escolha da imagem de um polegar para estampar a capa do álbum: em vez de depender exclusivamente da exposição dos rostos dos integrantes, como era característico da apresentação comercial de uma boy band, a capa coloca o próprio nome do grupo no centro de sua comunicação visual. Já a contracapa, ao apresentar os músicos fotografados de costas, sugere um olhar para os bastidores, para aquilo que não se revela na imagem pública da banda.

Por fim, diria que o polegar, além de representar literalmente o nome do grupo, remete à impressão digital utilizada no RG, uma marca individual de identificação. É uma simbologia particularmente interessante para uma banda que mudou de formação, de funções e de proposta musical, mas preservou aquilo que a identifica: sua identidade.

Faixas:
01. Do Jeito Que Eu Quis
02. Mariana
03. Não Vou Ficar
04. Vale a Pena
05. Rumo
06. Malandra
07. Tudo Certo
08. Te Quero Mais
09. Deixa
10. Esquece e Vem
11. Eu Preciso de Você
12. Do Jeito Que Eu Quis (Remix)
13. Mariana (Remix)
14. Eu Preciso de Você (Remix)

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sábado, 10 de outubro de 2026

The Love Album 2003 (2003)

Lançada pela EMI em 2003, The Love Album é uma coletânea romântica de muito bom gosto, com 18 gravações que reúnem grandes nomes da música internacional, desde artistas consagrados nas décadas anteriores até aqueles que estavam em evidência no início dos anos 2000. É uma seleção chiquíssima, que consegue reunir diferentes gerações e estilos musicais sem ficar presa ao repertório mais habitual das coletâneas românticas.

A seleção foi organizada por Emma Fulford e Horace McDonald, com masterização de rhodri, da Sonic Arts, e projeto gráfico de Donna, da D-Face. Produzido pela EMI Records Ltd., o CD também ganhou edição brasileira, fabricada pela Sony Music em Manaus. O encarte traz os créditos de licenciamento dos fonogramas, provenientes de diferentes gravadoras, além de uma apresentação gráfica muito bonita, toda trabalhada em vermelho, com corações e letras prateadas.

É uma daquelas coletâneas que me dão prazer em colecionar, tanto pela qualidade do repertório quanto pelo cuidado com a apresentação. E o mais interessante é perceber como uma seleção lançada em 2003 consegue reunir gravações de épocas tão diferentes e continuar oferecendo uma audição tão agradável. Um belo trabalho da EMI, que merece ser redescoberto. É o puro suco da programação das rádios adulto contemporâneas!

Faixas:
01. Woman - John Lennon
02. The Long And Winding Road - Paul McCartney
03. Feel - Robbie Williams
04. The Scientist - Coldplay
05. Come Away With Me - Norah Jones

06. The First Time I Ever Saw Your Face - Easther Bennett
07. One Day I'll Fly Away - Randy Crawford
08. Let's Stay Together - Tina Turner
09. Breathe Again - Toni Braxton
10. You Have Been Loved - George Michael
11. Here With Me - Dido
12. Slave To Love - Bryan Ferry
13. Don't Give Up - Peter Gabriel
14. Never Be The Same Again - Melanie C
15. Eternal Flame - The Bangles
16. Can't Help Falling In Love - UB40
17. If You Come Back - Blue
18. The Last Goodbye - Atomic Kitten

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sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Jairzinho - Brincando de Carinho (1991)


Brincando de Carinho é o trabalho de Jairzinho, filho de Jair Rodrigues, lançado pela Warner/WEA, com produção e direção de Paulo Debétio. O LP reúne dez faixas, com repertório que combina composições brasileiras e versões em português de sucessos internacionais.

A participação de Paulo Debétio é especialmente importante na concepção do disco. Além de responder pela produção e direção, o compositor aparece em diversas faixas ao lado de seu parceiro Paulinho Rezende, incluindo a canção-título, “Brincando de Carinho”, e “O Corujão”. A dupla também assina as versões de “O Amor Sempre Encontra Uma Razão”, originalmente “Love Always Finds a Reason”, e “Lua Azul”, adaptação de “Blue Moon”, clássico de Richard Rodgers e Lorenz Hart.

O repertório ainda inclui “Deixa Isso Pra Lá”, composição de Alberto Paz e Edson Menezes, “Perto de Você”, de Roberto Correa e Orestes, e “Na Ilha do Amor”, de Carlos Rian. Entre as demais adaptações internacionais, aparecem “Linda Só Pra Mim”, versão de Paulinho Rezende para “Surfer Girl”, de Brian Wilson, além de “Não Quebre o Meu Coração”, versão de Julinho Teixeira para “Breaking Up Is Hard to Do”, de Neil Sedaka e Howard Greenfield. A mesma dupla de compositores também está presente em “Chega de Ficar de Mal”, adaptação de “The Diary”, assinada por Paulinho Rezende e Paulo Debétio.

O disco conta ainda com a participação especial de Luciana em “O Amor Sempre Encontra Uma Razão” e “Lua Azul”. 

A produção musical reúne uma equipe de instrumentistas e arranjadores experientes. Julinho Teixeira responde pelos arranjos e regência, bem como toca teclados. A base instrumental conta com Paulo Cesar Barros no baixo, Fernando Pinto Pereira e Carlinhos Bala na bateria, Pedro Carlos Fernandes (Piriquito) no violão e guitarra, Renato Ladeira na gaita e Beto Saroldi no saxofone.

O coro reúne Renato Correa, Roberto Correa, Renata Correa, Roberta Correa, Marisa Fossa, Paulinho Rezende, Paulo Debétio, Julinho Teixeira e Viviane.

As gravações e a mixagem foram realizadas no Estúdio Nas Nuvens, no Rio de Janeiro, com mixagem de Paulo Junqueiro e Roberto Lly e assistência de estúdio de Antoine Midani e Mauro Bianchi. A faixa “Deixa Isso Pra Lá” recebeu produção específica de Paulo Debétio e Foguete.

A coordenação de produção ficou a cargo de Maria Alice Soares, com apoio de Clodine e Jair Rodrigues. A apresentação visual do álbum traz fotografia de João Fucci e design gráfico do Estúdio Infinito.

Embora Brincando de Carinho dê maior destaque a Jairzinho como intérprete, este não foi seu primeiro trabalho fora da dupla com Simony. Após a separação, o cantor lançou, em 1989, pela CBS, um álbum com A Patrulha do Barulho, grupo formado por Luciana Mello, Cinthya Rachel e Vânia Estela. Naquele projeto, Jairzinho já dividia os vocais de algumas faixas com sua irmã Luciana, cuja presença não desaparece completamente em Brincando de Carinho. Ela participa de duas músicas, e a própria escolha do repertório deixa transparecer alguns traços de continuidade musical em relação ao disco anterior.

Um dos destaques do álbum é a releitura de “Deixa Isso Pra Lá”, sucesso de Jair Rodrigues lançado em 1964, que ganhou um single promocional de 12 polegadas para as rádios e um videoclipe com Jairzinho em 1991, exibido pela recém-inaugurada MTV Brasil. Naquele período, em que o canal dedicava espaço ao rap e ao hip-hop norte-americanos, a gravação estabelecia uma ligação interessante com a obra de seu pai, frequentemente lembrada como uma das precursoras do rap brasileiro.

O mais interessante é que a MTV apresentava uma versão com ares de R&B, interpretada por um garoto de apenas 16 anos, agora com uma imagem completamente descolada do Balão Mágico e mais próxima de suas raízes familiares. Era uma maneira de aproximar duas gerações de intérpretes por meio de uma canção que, quase três décadas depois de seu lançamento original, encontrava espaço em um novo contexto musical.

Outro detalhe muito interessante está no dueto de “O Amor Sempre Encontra Uma Razão”, em que a produção preservou a divisão dos vocais da gravação original de Glenn Medeiros e Elsa Lunghini, agora interpretada por Jairzinho e Luciana. Julinho Teixeira também manteve o mesmo nível de qualidade do arranjo original de Robert Buchanan, resultando em uma versão bastante fiel à proposta musical da gravação internacional. Luciana, então com 12 anos e também em fase de transição vocal, entrega uma voz de mezzo-soprano muito limpa, dentro dos limites naturais de sua idade, demonstrando uma qualidade de interpretação que valoriza ainda mais o dueto.

A ficha técnica de Brincando de Carinho também revela algo interessante: ao contrário do trabalho anterior, lançado pela CBS, cujo encarte não identificava os músicos participantes, aqui temos acesso aos profissionais envolvidos na produção, gravação e mixagem. A semelhança na sonoridade e na qualidade das faixas dos dois álbuns levanta a possibilidade de que alguns desses músicos também tenham participado do projeto anterior. Embora não seja possível confirmar essa relação pela documentação disponível, é uma hipótese que merece atenção, especialmente pela continuidade musical perceptível entre os dois trabalhos.

Este disco foi encontrado em excelente estado de conservação em 09/10/2026, e fiz questão de garantir sua remasterização antes do Dia das Crianças. Só quem viveu a infância nos anos 80 sabe a importância e a relevância que Jairzinho, hoje Jair Oliveira, tem na música popular brasileira. Talvez oferecer a oportunidade de ouvir em alta qualidade um álbum que jamais foi lançado em CD seja um dos maiores trunfos da Gazeta do Som.

Faixas:
01. Deixa Isso Prá Lá
02. O Amor Sempre Encontra Uma Razão (Love Always Finds A Reason) (feat. Luciana)
03. Perto de Você
04. O Corujão
05. Linda Só Pra Mim (Surfer Girl)
06. Brincando de Carinho
07. Na Ilha do Amor
08. Não Quebre o Meu Coração (Breaking Up Is Hard To Do)
09. Chega de Ficar de Mal (The Diary)
10. Lua Azul (Blue Moon) (feat. Luciana)

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terça-feira, 6 de outubro de 2026

Double You - The Beat Goes On (2026)




Formado por Andrea Di Antoni, Franco Amato e William Naraine, o Double You foi introduzido ao selo DWA, comandado pelo produtor Roberto Zanetti (Robyx), tornando-se um dos projetos mais emblemáticos da eurodance dos anos 1990. Ao longo dessa parceria, o grupo lançou os álbuns We All Need Love (1992), The Blue Album (1994) e Forever (1996), este último concluído no Brasil com o apoio da Spotlight Records, responsável pela distribuição local do catálogo da DWA.

Muito além do sucesso comercial, o Double You desempenhou um papel importante na evolução da própria linguagem da eurodance. Ao combinar bases inspiradas na house music com estruturas melódicas próximas ao arena pop, refrões de forte apelo comercial e a interpretação característica de William Naraine, o grupo ajudou a estabelecer uma fórmula que marcaria toda uma geração de produções europeias.

Após o lançamento de “Somebody”, em 1997, o Double You iniciou uma mudança significativa de direção artística. No ano seguinte, contratado pela gravadora Movimento, lançou o álbum Heaven, afastando-se da sonoridade eurodance que havia definido sua trajetória até então. Os anos seguintes mostrariam um grupo procurando novos caminhos em um mercado que também mudava rapidamente, mas sem abandonar completamente as pistas.

É justamente a partir desse ponto que começa a história reunida em The Beat Goes On. “Music (Is The Answer)” e “Fall in Love (I Am A Robot)”, lançadas pela Baby Records entre 1999 e 2000, pertencem a uma fase em que as novas produções já apareciam fora da estrutura que havia sustentado os grandes lançamentos da década anterior. Ao mesmo tempo, a relação com o Brasil continuava forte e resultaria, em 2001, no álbum Studio Live, lançado por aqui com sucessos revisitados em novos arranjos executados com banda e material então recente, como “Dance Anymore” e “What Am I Supposed To Do”. Nesta seleção, “Dance Anymore” aparece no remix de Tausz, preservando o recorte dançante proposto para a coletânea.

Em 2003, a releitura de “Everything I Do (I Do It For You)”, pela E-Lab Music, marcou o último trabalho conhecido de Franco Amato ao lado de William Naraine. No ano seguinte, William apareceria ao lado de Vanni Giorgilli, então utilizando o nome artístico Vanni G, em “I Say Yeah!” e “All My Illusions”, produções de Molella lançadas pela Do It Yourself. Os créditos mostram que os caminhos não estavam tão separados quanto poderiam parecer: Sabrina Amato, irmã de Franco e também cantora sob o codinome Greta, participa das composições, dentro de um círculo criativo que incluía ainda nomes como Aurelio “Jam” Rotelli e Luigi Rana.

A parceria com DJ Ross trouxe nova continuidade a essa produção a partir de 2005. “Get Up” e “Beat Goes On” abriram uma sequência que prosseguiria com “To The Beat” e “Change”, já dentro de uma linguagem eletrônica diferente daquela encontrada pelo Double You no começo dos anos 1990. Ao longo dessa fase, a própria identidade utilizada nos lançamentos passou a variar entre Double You, William Naraine e DY, sem que isso representasse necessariamente uma ruptura. A voz de William continuava funcionando como o elemento de identificação mais imediato: bastavam os primeiros versos para que a conexão com a história do Double You se restabelecesse.

É também nesse percurso que ganha força o trabalho desenvolvido por William com Gino Martini e Cássio Inoura. O encontro dos três rendeu “The Volume”, “You Are Everything”, “Lose Control” e “Planet Electro”, criando uma sequência de músicas que acabou distribuída por lançamentos diferentes. “You Are Everything” chegou como faixa bônus ao CD ao vivo de 2006, enquanto “Planet Electro” apareceu quase escondida em Hot Hits, coletânea da Transamérica lançada pela Maxpop. Colocadas lado a lado, essas gravações deixam evidente a continuidade do trabalho entre Naraine, Martini e Inoura.

Essa associação ajuda também a compreender o House Boulevard, desenvolvido por Gino Martini, Cássio Inoura e DJ Tom Hopkins, com William Naraine envolvido como produtor executivo. O trânsito entre esses projetos tornou-se bastante natural, e “If I Could Fall” é um bom exemplo disso: surgida nesse ambiente criativo, a música ganhou circulação internacional em 2010 sob o nome de William Naraine, em versões associadas também ao produtor e remixador Vincenzo Callea, para depois ser incorporada ao álbum Life, lançado em 2011 como Double You. O mesmo álbum receberia “Lose Control”, aproximando novamente gravações que haviam percorrido caminhos diferentes.

Outras combinações também aparecem ao longo desse período. “What Can I Do”, por exemplo, reúne William Naraine, Marco Baratta e Roberto Sudano, enquanto os créditos das músicas seguintes revelam uma característica que se tornaria ainda mais perceptível com o passar dos anos: muitos dos colaboradores das fases anteriores continuaram por perto. Marco Canepa, Ilaria Godani, Dario Carli, Gino Martini e outros nomes atravessam diferentes momentos dessa produção, às vezes desaparecendo por alguns anos para depois reaparecer em novas configurações.

Essa continuidade chega às gravações mais recentes. “You’re Always On The Run”, composta por William Naraine, Marco Canepa e Gisele Sampaio Dalla Martha Martini, traz Rodrigo Teaser nos vocais. Conhecido no Brasil justamente por seu trabalho como intérprete de Michael Jackson, Teaser utiliza um registro vocal que remete ao cantor, sobre uma base cujos beats fazem lembrar “Billie Jean”. A referência aparece dentro de uma faixa que, pelos próprios compositores envolvidos, continua conectada à história construída anteriormente.

A família Martini também acabaria ligando diferentes gerações desse percurso. Bruno Martini, filho de Gino, levou “Please Don’t Go” para uma produção atualizada e volta a aparecer em “Runaway Child”, de 2025, desta vez ao lado do próprio Gino Martini, com William Naraine e Marco Canepa. Pai e filho estão juntos na produção, cercados por nomes que já pertenciam à trajetória do Double You, justamente quando o grupo inicia uma nova fase a partir do contrato celebrado com a Midas Music, de Rick Bonadio. É nesse novo endereço que surgem os trabalhos mais recentes, entre eles “Nobody Is Like You”, aproximando Bonadio diretamente da produção de William Naraine.

Olhando para esse percurso, percebe-se também que a ligação entre Itália e Brasil nunca chegou a desaparecer. Ela já estava presente nos anos 1990, atravessou Forever e Studio Live e continuou se manifestando nas próprias músicas. Os últimos anos das produções italianas vão se encontrando com músicos e produtores brasileiros, enquanto antigos colaboradores permanecem nos créditos ao lado de novos nomes. Não houve exatamente a substituição de um núcleo pelo outro: as próprias gravações mostram como eles foram se misturando ao longo do tempo.

Reunidas em The Beat Goes On, essas gravações assumem uma continuidade que nem sempre é evidente quando procuradas separadamente. São singles, remixes, faixas bônus e músicas provenientes de diferentes projetos e coletâneas, mas que, colocadas em uma mesma sequência, acompanham o Double You desde os últimos anos de sua produção na Itália até o desenvolvimento cada vez maior de trabalhos realizados no Brasil e em colaboração com antigos parceiros italianos.

A proposta, portanto, não é reconstruir os grandes sucessos dos anos 1990, mas acompanhar o que aconteceu depois de “Somebody”, concentrando a produção dançante que continuou surgindo enquanto mudavam os selos, os produtores, os parceiros e até a maneira como o nome Double You aparecia nos discos. Algumas dessas músicas chegaram aos álbuns; outras permaneceram em singles, remixes, coletâneas ou projetos paralelos.

Quando reunidas, porém, elas caminham como um álbum.

E é aí que “The Beat Goes On” deixa de ser apenas o nome de uma das faixas para definir todo esse percurso. Entre os últimos trabalhos produzidos na Itália, a aproximação cada vez maior com o Brasil, antigos colaboradores, novas gerações e uma história que continuou avançando até a atual fase com a Midas Music, a batida nunca parou.

Faixas:
01. Everything I Do (I Do It For You) 
02. Dance Anymore (Tausz Remix)
03. Get Up - with DJ Ross
04. Beat Goes On - with DJ Ross
05. The Volume
06. To The Beat - with DJ Ross
07. Lose Control
08. You Are Everything
09. Change - with DJ Ross
10. What Can I Do 
11. Music (Is The Answer)
12. If I Could Fall (Vincenzo Callea Radio Mix)
13. Planet Electro
14. You're Always On The Run - feat. Rodrigo Teaser
15. Runaway Child
16. Nobody Is Like You - with Rick Bonadio
17. Please Don't Go (Bruno Martini Remix)
18. I Say Yeah - with Vanni Giorgilli
19. What Am I Supposed To Do?
20. Fall in Love (I Am A Robot)
21. All My Illusions - with Vanni Giorgilli

Faixa 13 cedida por Gilberto Queiroz (Três Lagoas/MS)
Faixa 20 cedida por DJ Paulo Vita (Ribeirão Preto/SP)

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