sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Hot 90 (2001)

Lançado pela Som Livre em 2001, Hot 90 é uma coletânea dedicada aos sucessos internacionais dos anos 1990. Com 16 faixas, o CD aposta numa seleção bastante eclética, reunindo o pop romântico que teve forte presença no período com R&B, reggae e dance music. O repertório procura representar os anos 90, com maior concentração de músicas nos anos finais da década.

Hot 90 tem seleção de repertório de André Werneck e masterização de Sergio Seabra. A parte gráfica ficou sob direção de arte de Marciso (Pena) Carvalho, com projeto gráfico de Bruno Camolez e fotografia de Ken Reid, da agência Keystone.

Bem, Hot 90 é quase um “O Melhor Internacional de Novelas” dentro da curadoria, por trazer “As Long As You Love Me” e “How Could An Angel Break My Heart”, de Por Amor; “Con Te Partirò”, de Torre de Babel; e “Children”, de Anjo de Mim. 

A seleção teria ficado perfeita se sucessos conhecidos como “Mambo Nº 5 (A Little Bit Of...)”, “Macarena” e “Don’t Speak” tivessem aparecido em suas gravações originais de Lou Bega, Los Del Rio e No Doubt, respectivamente, em vez das versões alternativas incluídas no CD. Ah, e se “Macarena” fosse a de Los Del Rio, baixava a novela Explode Coração aqui pra ampliar o leque, hahaha...

Por ter “Hot” no título, a gente imagina um CD com as bombadas das festas daquele período. Na verdade, aqui se concentra muito do que foi quentíssimo nas FMs — inclusive no segmento popular! “My Heart Will Go On”, tema de amor de Titanic, venceu o Oscar em 1998 e, naquele ano, só deu ela. A coletânea ainda resgata a versão de 1997 de “Candle in the Wind”, que Elton John regravou com piano e orquestra de cordas para homenagear a amiga Lady Di. E o senhor Bocelli, não por acaso, ganhou seu espaço trazendo o crossover da música clássica com o pop em “Con Te Partirò” — e foi, SIM, um tremendo sucesso!

Esse apelo popular também aparece nas canções urbanas de R&B, hip-hop e dancehall, aqui representadas por uma vibe mais leve e radiofônica, assim como no pop dos Backstreet Boys e Britney Spears, os queridinhos do final da década. 

Enfim, o Hot deste primeiro volume está muito mais ligado ao que estava quente nas FMs do que necessariamente às pistas de dança. As pedradas dançantes viriam no Volume 2. Aliás, olhando bem para o repertório deste CD, daria tranquilamente para estampar a logomarca da Rádio Cidade gaúcha na capa.

E quanto às faixas regravadas: cadê os produtores e cantores dessas pérolas para contar como foram feitos aqueles arranjos instrumentais com cara de base MIDI pré-gravada e os vocais desanimados? Por favor: 25 anos depois, vocês devem uma explicação ao povo brasileiro!

Brincadeiras à parte, o que era “defeito” comercial da época se tornou, com o tempo, uma peculiaridade colecionável — e hoje este CD envelheceu tão bem quanto vinho. É engraçado ter vontade de escutar as versões empobrecidas — ou não — das canções de sucesso. E quer saber? É uma experiência divertida! Viva a Som Livre e o André Werneck por isso!

E pra fechar a coletânea, o Sr. Werneck me coloca uma obscura do Delerium que parece escolha do gosto pessoal. Vai entender, amigo! Mas 'not so bad'...

Faixas:
01. My Heart Will Go On - Céline Dion
02. Hero - Mariah Carey

03. As Long as You Love Me - Backstreet Boys
04. Life - Des’ree
05. Con Te Partirò - Andrea Bocelli
06. Candle in the Wind - Elton John
07. How Could an Angel Break My Heart - Toni Braxton
08. ...Baby One More Time - Britney Spears
09. Mambo No. 5 - Xavier Perez
10. Macarena - From Ipanema
11. Killing Me Softly - Fugees
12. Boombastic - Shaggy
13. Don't Speak - Sweet Time
14. All That She Wants - Ace Of Base
15. Children - Robert Miles
16. Not So Bad - Delerium

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quinta-feira, 24 de setembro de 2026

O Melhor de Lembranças (1993/1995)

"O Melhor de Lembranças" é uma coletânea lançada em LP, K7 e CD em 1993 pelo selo MCA, reunindo uma seleção das melhores canções dos volumes 1 a 5 da série Lembranças, lançados entre 1983 e 1992.

A série teve início em 1983, quando a Motown Records, com distribuição da RCA, colocou no mercado o primeiro volume sob o título Lembranças Internacional. A denominação foi adotada para diferenciar o lançamento de uma série homônima anterior, produzida pela Top Tape, que havia colocado no mercado uma trilogia de Lembranças entre 1979 e 1980, com os dois primeiros volumes lançados em 1979 e o terceiro em 1980. A Top Tape também lançou, posteriormente, a coletânea Lembranças Nacional, curiosamente com a fabricação da RCA.

Ainda em 1983, a RCA lançou Lembranças 2, dando sequência ao novo projeto. No ano seguinte, o selo refez o primeiro volume, agora sob o título simplesmente Lembranças, apresentando um repertório reformulado. Com esse lançamento, a RCA passou a assumir de fato a franquia Lembranças, desvinculando-a editorialmente da série anteriormente produzida pela Top Tape.

Após um intervalo de seis anos, a série retornou em 1989 com Lembranças 3, desta vez disponibilizado nos formatos LP, K7 e CD. Em 1991, foi lançado Lembranças 4, em CD, seguido por Lembranças 5, em 1992. É desse ciclo de lançamentos que O Melhor de Lembranças reúne seu repertório, funcionando como uma retrospectiva da fase da franquia conduzida pela RCA e posteriormente associada ao selo MCA.

A coletânea contempla gravações dos selos MCA, RCA e Artista, com direção de arte de André Teixeira, capa desenvolvida pela Ideia Digital e fotografia da agência ICA Press.

Faixas:
01. What A Wonderful World - Louis Armstrong
02. Light My Fire - José Feliciano
03. Making Love Out Of Nothing At All - Air Supply
04. With You All The Way - New Edition
05. Without You - Nilsson
06. Do What You Do - Jermaine Jackson
07. Lost In Love - Air Supply
08. Float On - The Floaters
09. Time - The Alan Parsons Project
10. You Got It All - The Jets
11. These Eyes - The Guess Who
12. Dedicated To The One I Love - The Mamas & The Papas
13. Everybody's Talking - Nilsson
14. We Said Goodbye - Dave MacLean

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Mix'80 Sucessos Non-Stop - The Ultimatte 80s Mix (2002)

Mix’80 Sucessos Non-Stop – The Ultimate 80’s Mix foi lançado no Brasil em 2002, pela Universal Music, reunindo 14 sucessos internacionais dos anos 1980 em versões mixadas para ninguém parar de dançar.

Apesar da proposta inovadora para celebrar a década com suas melhores músicas para pista de dança por meio de um set mixado, o DJ responsável pelo ótimo trabalho não é creditado neste CD. Como o projeto não teve edições internacionais, tudo indica que a mixagem tenha sido produzida no Brasil.

Um dos grandes encantos de Mix’80 está na escolha de combinações absolutamente improváveis. Basta observar este início maravilhosamente maluco! “Shout” tem aquela dimensão grandiosa e dramática do Tears for Fears e desemboca em “Human”, uma balada R&B/synth-pop de atmosfera muito mais íntima. E, quando o ouvido se acomoda naquele clima introspectivo, vem o corte seco para “Do You Really Want to Hurt Me”, com sua levada reggae, mudando completamente a luminosidade do set. Daí surge “Down Under”, que prolonga esse lado mais solar, antes de “Dance Hall Days” levar tudo novamente para outro ambiente. A essa altura, a galera já esvaziou o copinho de chope do começo, está com as mãos livres para começar o passinho e nem percebe que tudo até aqui foi preparação para o fervor que está por vir.

E então vem outra guinada: “Dance Hall Days” → “Relax (New York 12” Mix)”. Aqui faz todo sentido a aceleração das batidas: o DJ precisa atravessar uma diferença considerável de energia para chegar à pulsação de “Relax”. Logo depois, em vez de permanecer simplesmente no hi-NRG, aparece “19”, de Paul Hardcastle — uma faixa eletrônica construída em torno de samples falados sobre a Guerra do Vietnã. Ou seja: até quando mantém a pista, muda completamente o caráter da música.

A segunda metade também é fascinante: “The Reflex” → “Sweet Dreams” → “Blue Monday” → “Don’t Go” → “Smalltown Boy” → “Tainted Love” → “Take On Me”. A essa altura, o fervor já tomou conta do set e começa a existir uma concentração maior de eletrônica e synth-pop, mas nem por isso as escolhas são óbvias: Duran Duran, Eurythmics, New Order, Yazoo, Bronski Beat, Soft Cell e A-ha têm assinaturas rítmicas e atmosferas muito distintas.

Talvez tenha sido justamente essa imprevisibilidade que motivou muita gente a levar o CD para a coleção em 2002. Não era apenas uma reunião de sucessos dos anos 1980: havia o prazer de descobrir o que aconteceria quando músicas aparentemente incompatíveis fossem entregues às mãos de um DJ. A expectativa pela próxima transição torna a audição quase um jogo e, quando essas combinações improváveis finalmente se encaixam, a experiência chega a ser extasiante. 

O único problema é que a diversão dura pouco: são menos de 50 minutos de música. O set inteiro dá quase a sensação de termos ouvido apenas o Lado A de uma mixtape em fita K7 de 90 minutos. Quando o DJ finalmente nos convenceu a largar o copinho de chope e tomar conta da pista, já estamos chegando a “Take On Me”. Dá vontade de virar a fita e continuar a festa — mas não existe Lado B. Que droga!

E, afinal, quem foi esse sujeito incrível? DJ, ONDE ESTÁ VOCÊ? MANIFESTE-SE 24 ANOS DEPOIS!

Faixas:
01. Shout - Tears For Fears
02. Human - The Human League
03. Do You Really Want To Hurt Me - Culture Club
04. Down Under - Men At Work
05. Dance Hall Days - Wang Chung
06. Relax - Frankie Goes To Hollywood
07. 19 - Paul Hardcastle
08. The Reflex - Duran Duran
09. Sweet Dreams (Are Made Of This) - Eurythmics
10. Blue Monday - New Order
11. Don't Go - Yazoo
12. Smalltown Boy - Bronski Beat
13. Tainted Love - Soft Cell
14. Take On Me - A-ha

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In Love - Arista 10º Aniversário (1985/1990)

In Love – Arista 10º Aniversário foi lançada originalmente em LP e K7 em 1985, como parte das comemorações pelos dez anos da Arista Records. A coletânea reúne doze gravações de alguns dos principais nomes do catálogo da gravadora, com uma seleção predominantemente romântica, concentrada em sucessos dos anos 1970 e da primeira metade dos anos 1980. Em 1990, o título retornou ao mercado em CD, em edição da BMG Music Group.

O repertório começa com “Mandy”, de Barry Manilow, que também aparece mais adiante com “I Write the Songs”. Dionne Warwick é outro nome presente duas vezes, com “I'll Never Love This Way Again” e “Heartbreaker”, esta última composta pelos irmãos Barry, Robin e Maurice Gibb.

O Air Supply também ocupa duas posições na seleção: “Making Love Out of Nothing at All”, composição de Jim Steinman, e “All Out of Love”, de Graham Russell e Clive Davis. Entre as grandes baladas do disco estão ainda “Living Inside Myself”, de Gino Vannelli; “Don't Cry Out Loud”, de Melissa Manchester; e “All By Myself”, de Eric Carmen.

Apesar da proposta romântica sugerida pelo título, In Love não se limita às baladas. “Hold Me Now”, do Thompson Twins, incorpora o pop eletrônico característico dos anos 1980, enquanto “Eye in the Sky”, do The Alan Parsons Project, traz a atmosfera sofisticada do art rock. A seleção termina com “Because the Night”, de Patti Smith, composição assinada por Patti Smith e Bruce Springsteen, levando o encerramento para uma levada de classic rock.

Na edição em CD de 1990, os créditos referentes ao projeto gráfico original não foram reproduzidos. Essas informações foram recuperadas a partir da edição em LP, conforme registro disponível no Discogs: a capa é creditada a André Teixeira e Valério do Carmo, a arte-final a Vittore Tolóne e a fotografia a Bruno Lins.

Faixas:
01. Mandy - Barry Manilow
02. I'll Never Love This Way Again - Dionne Warwick
03. Making Love Out Of Nothing At All - Air Supply
04. Living Inside Myself - Gino Vanelli
05. Don't Cry Out Loud - Melissa Manchester
06. Hold Me Now - Thompson Twins
07. All By Myself - Eric Carmen
08. I Write The Songs - Barry Manilow
09. All Out Of Love - Air Supply
10. Heartbreaker - Dionne Warwick
11. Eye In The Sky - The Alan Parsons Project
12. Because The Night - Patti Smith

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quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Planet Love (1996)

Lançada pela BMG Music em 1996, Planet Love é uma coletânea de dezoito gravações internacionais que atravessa quase três décadas de música, reunindo sucessos dos anos 1960 aos anos 1990. Apesar da amplitude cronológica, o repertório mantém uma identidade bastante definida, concentrada no pop romântico, nas baladas e no soft rock — canções de forte apelo melódico que tiveram presença marcante na programação das rádios brasileiras.

Planet Love funciona, assim, como um panorama de diferentes gerações do pop internacional reunidas por uma característica comum: o caráter essencialmente melódico e romântico de seu repertório. O projeto gráfico foi assinado por Fernando Alvarus, com fotografia de J. Clarke/Stock Fotos, em lançamento da BMG Music Group de 1996.

Faixas:
01. Lost In Love - Air Supply
02. Don't Answer Me - The Alan Parsons Project
03. Coming Around Again - Carly Simon
04. Lunatic - Gazebo
05. Baby I Love Your Way - Big Mountain
06. Transfer Affection - A Flock Of Seagulls
07. Don't Close Your Eyes Tonight - John Denver
08. One On One - Daryl Hall & John Oates
09. I'm Gonna Miss You - Milli Vanilli
10. He's So Shy - Pointer Sisters
11. Everybody's Talking - Nilsson
12. Brother Louie - Stories
13. California Dreamin - Jose Feliciano
14. Count On Me - Starship
15. (Last Night) I Didn't Get To Sleep At All - 5th Dimension
16. All Around The World - Lisa Stansfield & Barry White
17. Cry For Help - Rick Astley
18. Here Comes The Rain Again - Eurythmics

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Tony & Wander - Tony & Wander (1992)

Formada em Americana, interior de São Paulo, a dupla Tony & Wander surgiu ainda nos tempos de escola. Antônio João Leal Filho, o Tony, nascido em 17 de junho de 1972, e Wanderson Roberto, o Wander, nascido em 5 de janeiro de 1973, estudavam no Centro Educacional do SESI de Americana e, inicialmente, cada um mantinha seu próprio grupo. A aproximação musical aconteceu quando foram escalados para cantar juntos em uma comemoração escolar. A apresentação agradou ao público e, a partir dos pedidos para que continuassem cantando juntos, nasceu a dupla.

Wander já tinha ligação familiar com a música: seu pai integrava um conjunto que animava bailes na região de Americana, e o próprio Wander era primo de José Rico, da dupla Milionário & José Rico. A primeira oportunidade profissional de Tony & Wander surgiu quando foram convidados para abrir um espetáculo do humorista Barnabé, que posteriormente os apresentou ao empresário Genival Melo.

A dupla chegou então à RGE, pela qual gravou o LP Duas Vozes de Ilusão. Entre as músicas destacadas naquele trabalho estavam “Idéia”, de Carvalho, e “Sintonia”, de Moraes Moreira. Tony & Wander também participaram do disco Novidade Sertaneja, ao lado de outras três duplas, com “Lágrimas de Saudade”, composição da própria dupla com Luis Reinaldo, e “Liga pra Mim”, de Romário, da dupla Rhael & Romario.

Em 1992, Tony & Wander lançaram pela Paradoxx Music um álbum com dez faixas, recuperando essas duas gravações e ampliando a presença autoral da dupla no repertório. Além de “Lágrimas de Saudade”, Tony e Wander assinam “Coração Tá Precisando Te Encontrar”, em parceria com Maria da Paz.

Entre as demais faixas estão “Nossos Lençóis”, de Jefferson Farias; “Porque é que Você Foi Embora” e “Nenhuma Força Abaixo de Deus”, de Fátima Leão e Elias Muniz; “A Saudade Nunca Dorme”, de Joel Marques; “Primogênito”, de Edinho da Mata; “Me Leva pra Ela”, de Maria da Paz; e “Sangrando”, de Gonzaguinha.

A produção foi dividida entre Ernesto Mendonça e Silvio Arnaldo, com direção artística de Silvio Arnaldo. Ernesto Mendonça também ficou responsável pelos arranjos, enquanto Paulinho tocou guitarra e violão. A gravação teve como técnicos Otto e Octavio Paixão.

A ficha técnica registra ainda Cotô como técnico de mixagem, realizada no Estúdio Transamérica, em São Paulo, além de gravação no Estúdio Trambiques ao Luar (Frankie). As fotografias são de Paulo Vasconcellos, com produção fotográfica de Sônia, enquanto a diagramação e arte-final ficaram a cargo da Prisma Artes Gráficas Ltda.

O LP de Tony & Wander também oferece uma pista interessante sobre os primeiros meses de atividade da Paradoxx Music. Ao analisar o exemplar utilizado nesta remasterização, Johan van Haandel, doutor em Informação e Comunicação em Plataformas Digitais pela Universidade de Aveiro, observou semelhanças entre o selo utilizado pela Paradoxx e o da Bullet Records, gravadora anteriormente ligada a Silvio Arnaldo, que aparece neste álbum como diretor artístico e coprodutor.

A identificação do GRA presente no disco permitiu ainda estabelecer uma referência cronológica particularmente interessante. Segundo Johan, o lançamento de Tony & Wander, de agosto de 1992, apresenta numeração iniciada por 6453, enquanto os últimos lançamentos conhecidos da Bullet, de setembro daquele mesmo ano, apresentam GRA iniciado por 6459. Segundo Johan, esses registros indicam que Bullet e Paradoxx chegaram a coexistir por um breve período em 1992, em vez de uma simplesmente desaparecer antes do início das atividades da outra.

Até a preparação deste trabalho, o álbum de 1992 de Tony & Wander ainda não possuía registro no Discogs, enquanto o campo biográfico da dupla permanecia vazio. A pesquisa realizada para esta remasterização permitiu reunir dados biográficos do Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira com as informações e os créditos presentes no LP original, contribuindo também para uma documentação mais completa da discografia e da trajetória da dupla.

Para a remasterização deste álbum, foi utilizada a agulha Ortofon Concorde Club na captura do áudio diretamente do LP original. Fica meu agradecimento especial ao amigo DJ Jonacyr Carvalho, de Americana/SP, por ceder o exemplar utilizado neste trabalho.

Faixas:
01. Nossos Lençóis
02. Lágrimas de Saudade
03. Porque É Que Você Foi Embora
04. A Saudade Nunca Dorme
05. Primogênito
06. Coração Tá Precisando Te Encontrar
07. Liga pra Mim
08. Me Leva pra Ela
09. Nenhuma Força Abaixo de Deus
10. Sangrando

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segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Os Melhores - Os Melhores (1985)

Os Melhores foi um sexteto de pop rock que deixou um único álbum, lançado pela Polydor/PolyGram em 1985, com produção de Mariozinho Rocha. Apesar da curta discografia, a identificação de seus integrantes revela um núcleo de músicos que continuaria se encontrando em outros trabalhos nos anos seguintes.

A formação reunia: Paulo Henrique Duncan (creditado como Paulo Duncan) no baixo, teclados e vocais; Iuri Cunha (Iuri) nos teclados e piano; Sérgio Serra nas guitarras, violão e vocais; Rodrigo Castro Neves na bateria e percussão; Edom Oliveira (Edom) nas guitarras, baixo e sintetizadores; e Duda Castro Neves (creditada como Maria Eduarda) nos vocais. Duda é irmã de Rodrigo.

Das nove faixas do álbum, seis — “Suborno Emocional”, “Emoções Baratas”, “Garotinhas”, “Dançando no Escuro”, “Nosso Amor É Uma Guerra” e “O Cobrador” — são composições de Rodrigo Castro Neves, Sérgio Serra e Paulo Henrique Duncan. Rodrigo e Sérgio assinam ainda “Canção Pra Você Que Não Acreditou em Mim”, enquanto “Porque!?!” acrescenta Edom Oliveira à parceria.

A única versão do repertório é “Como É Bom Te Amar”, adaptação de “Live Is Life”, do grupo austríaco Opus. O selo credita a versão a Big Abreu, Leandro, Rod e Paulo: são Selvagem Big Abreu, do João Penca & Seus Miquinhos Amestrados; Leandro Verdeal, integrante da formação inicial do mesmo grupo; e os próprios Rodrigo Castro Neves e Paulo Henrique Duncan.

A ficha técnica mostra uma produção bastante característica dos anos 1980, combinando guitarras, violões, baixo e piano com sintetizadores e instrumentos eletrônicos como Linn, Simmons e Yamaha RX11. Entre as participações, Erasmo Carlos aparece com o curioso crédito de “pandeiro sujo” em “Suborno Emocional”, enquanto Léo Jaime participa do coro de “Dançando no Escuro”. “Porque!?!” traz ainda Os Melhores, Lalê e Marquinho no coro, e Mario “Rock Santeiro” recebe o bem-humorado crédito de “lágrimas”.

Musicalmente, o álbum apresenta uma elaboração que vai além do rock mais direto, incorporando referências do synth-pop e da new wave. A alternância e divisão dos vocais entre os integrantes, somadas ao humor presente em várias letras, aproximam em alguns momentos Os Melhores de nomes como Ultraje a Rigor, João Penca & Seus Miquinhos Amestrados, Léo Jaime e Kid Abelha, representantes, cada qual à sua maneira, do pop rock brasileiro daquela geração. Algumas dessas aproximações encontram correspondência nas próprias conexões do disco: Léo Jaime participa do coro de “Dançando no Escuro”; Selvagem Big Abreu e Leandro Verdeal, ligados ao João Penca, estão entre os autores da versão de “Como É Bom Te Amar”; e Sérgio Serra posteriormente integraria o Ultraje a Rigor.

Além da produção, Mariozinho Rocha assina a regência e direção musical e divide com Paulo Henrique Duncan os arranjos vocais de “Dançando no Escuro”. As vozes foram gravadas nos estúdios da Som Livre, e a mixagem ficou a cargo de Vitor Farias, no estúdio Nas Nuvens. A capa é de Mario Bag, as fotografias de Pedro Alves de Souza (Pedrão) e a coordenação gráfica de Jorge Vianna.

A trajetória de Os Melhores teve ainda um desdobramento no ano seguinte. Em 1986, o grupo fez uma participação especial nas três primeiras faixas do álbum dos Abelhudos, lançado pela Som Livre, no mesmo ano em que os Abelhudos foram finalistas do Festival dos Festivais, da TV Globo.

Em 1987, quatro integrantes voltariam a trabalhar juntos: Paulo Henrique Duncan, Iuri Cunha, Rodrigo Castro Neves e Edom Oliveira formaram os Aliados. Outros reencontros aconteceriam em projetos pontuais. Paulo Henrique, Iuri e Rodrigo integraram, ao lado de Marcelo Sussekind, a Marajazz Band, responsável pela execução da trilha sonora de Super Xuxa Contra Baixo Astral. Já Paulo Henrique e Edom se reuniram a Fred Maciel, do Herva Doce, e Marcelo Faria, do Yahoo, no projeto instrumental Nova Era, que produziu faixas para trilhas de novelas.

Paulo Henrique Duncan e Iuri Cunha também desenvolveram trabalhos como autores de trilhas instrumentais para a TV Globo, enquanto Paulo Henrique atuaria posteriormente, sob pseudônimo P.H. Castanheira, em trabalhos de áudio e masterização para o selo Discobertas. Sérgio Serra, por sua vez, seguiria como guitarrista e posteriormente integraria o Ultraje a Rigor.

Assim, embora Os Melhores tenham deixado apenas um álbum próprio, o disco de 1985 registra uma formação cujas conexões musicais se estenderiam pelos anos seguintes. A participação com os Abelhudos, a formação dos Aliados e os posteriores trabalhos em estúdio e trilhas mostram que as parcerias reunidas em torno de Os Melhores estavam apenas começando.

Para a remasterização deste álbum, utilizei a agulha Ortofon Concorde Club (elíptica) na captura das faixas diretamente do LP. Deixo meu agradecimento especial a Israel Castro, de Campina Grande/PB, pela ajuda na aquisição do disco. Após a equalização e a limpeza de estalos, recorri ao MVSep DeNoise para a remoção dos ruídos residuais. O trabalho está pronto para ser consumido no mais alto volume!

Faixas:
01. Suborno Emocional
02. Emoções Baratas
03. Garotinhas
04. Canção Pra Você Que Não Acreditou Em Mim
05. Dançando No Escuro
06. Porque
07. Nosso Amor É Uma Guerra
08. Como É Bom Te Amar (Live Is Life)
09. O Cobrador

Para baixar este álbum em FLAC, clique AQUI.