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Gazeta do Som é o seu almanaque musical, um espaço que combina histórias, redescobertas musicais e remasterizações de áudio, num só lugar.
quarta-feira, 22 de abril de 2026
É Pra Gravar!!! Vol. 3 Internacional (2015)
É Pra Gravar!!! Internacional Vol. 2 (2014)
Àquela altura, eu já tinha separado tanta música boa que o repertório acabou transbordando para novos volumes. Foi assim que surgiu, logo em seguida, o Volume 2 da série 'É Pra Gravar!!! – Internacional'.
Afinal, quem nunca ligou para a rádio e cantarolou um 'na-na-na' ao telefone para um programador, tentando descobrir aquela música perdida? E o cara, num lance de mestre, te dava o nome, o dia e a hora exata em que ela tocaria de novo para você deixar o REC preparado. Era uma outra era do rádio, onde todos, de classe A a D, compartilhavam o ritual de gravar canções diretamente da radiodifusão. Que saudade desse tempo!
Esta seleção segue o desfile de grandes astros em uma sequência de semi-hits interessantíssimos!
É Pra Gravar!!! Internacional Vol. 1 (2014)
Para quem já acompanha os resgates de música de qualidade aqui no blog, apresento uma coleção iniciada em 2014. A série reúne pérolas internacionais que dominaram as FMs entre as décadas de 70 e 2000, naqueles tempos em que as fitas K7 estavam sempre à mão para registrar faixas 'lado B' ou versões alternativas.
Esta é, sem dúvida, uma das melhores séries que já criei. O repertório é fruto de uma busca minuciosa por discos promocionais em marketplaces como o Discogs e Mercado Livre, além de pesquisas em arquivos de áudio para resgatar raridades. O objetivo foi entrar na mente do programador daquela era áurea do rádio, que montava suas planilhas com base em LPs e CDs promo exclusivos.
Ouça, aumente o som e deixe sua opinião!
02. Took The Last Train - David Gates *
terça-feira, 21 de abril de 2026
Paulo Ricardo - A Um Passo da Eternidade (Remix) (1989)
A virada da década de 1980 para 1990 foi um período de experimentação e sofisticação na música pop brasileira. Um dos episódios mais fascinantes dessa transição envolve o cantor Paulo Ricardo e a dupla de produtores Two Junkies, cujos créditos muitas vezes apareceram envoltos em mistério e erros de impressão.
A Mistura Perfeita: Paulo Ricardo e o Synthpop
Em 1989, logo após o fenómeno RPM, Paulo Ricardo lançou o seu primeiro álbum a solo pela Epic/CBS. Entre as pérolas desse trabalho, destaca-se a canção "A um passo da eternidade", composta em parceria com Fernando Deluqui e produzida e arranjada originalmente com Guilherme Canaes.
Se a versão original já carrega a força do pop rock nacional, o remix promocional de 12 polegadas consegue elevar a canção ao estatuto de Synthpop de nível internacional. Se estivéssemos em Londres ou Berlim, essa melodia estaria ao lado de gigantes do género. A produção eletrónica, centrada em teclados e sintetizadores, trouxe uma atmosfera remetente a ícones como Pet Shop Boys, Human League e Bryan Ferry.
O Mistério do Nome: Two Junkies ou Two Junks?
Onde se lê "Two Junks", o DJ Silvio Müller (atualmente DJ Dumato) esclareceu ao blog Brasil Remixes que factualmente o nome é Two Junkies — a dupla formada pelo próprio Sylvio e por Ippocratis Bournellis (conhecido como Grego), que infelizmente nos deixou em 2010. A dupla marcou presença na série de três volumes "Dance Mix" (CBS), "Remixou? Dançou!" (CBS), "Lambada In House" (Continental) e "House & Remix" (WEA).
Assinatura Sonora e Referências Europeias
Sob meu ponto de vista, a versão remixada por Dumato e Grego carrega a atmosfera de "Suburbia" que os Pet Shop Boys lançaram em 1986, bem como a base eletrônica pulsante mantém uma elegância que preenche o espaço da canção sem sobrecarregar a melodia.
E claro, impossível ouvir sem lembrar o remix hipnótico que os dois fizeram em "Loucas Horas" de Guilherme Arantes – faixa presente na icônica coletânea "Remixou? Dançou!" – realizando colagens de sintetizadores, criando batidas melódicas e criando melodias com um segundo de voz do artista para criar as melodias na mudança de tons do mesmo trecho. Chique, extremamente chique e exige uma habilidade de ouvido e conhecimento da parafernalha de produção.
O Promo LP possui 4 versões: "Radio Version" (versão curta da Junk Club Version), "Instrumental" (quase uma versão Dub Mix), "Junk Club Version" – versão remixada com vocais integral – e "Eternapella", que tem elementos da base melódica com os vocais. Material raríssimo em toda internet que compartilho em primeira mão.
Nota de remasterização: O resgate deste material contou com o apoio cultural de Charles Portilho, proprietário da 019 Discos de Nova Odessa–SP. A remasterização, iniciada em 20/04/2026, utilizou uma agulha Ortofon Concorde Club (Elíptica), seguindo a cadeia de processamento: Sound Forge 14 (Ripagem), Pinnacle Clean (Declick), iZotope RX (Declick e De-Esser), u-he Satin e MVSep DeNoise.
01. A Um Passo Da Eternidade (Radio Version)
02. A Um Passo Da Eternidade (Instrumental)
03. A Um Passo Da Eternidade (Junk Club Version)
04. A Um Passo Da Eternidade (Eternapella)
sábado, 18 de abril de 2026
Ronan Keating - Destination / Brazilian Edition (2002)
O álbum Destination, em sua edição nacional de 2002, é muito mais do que um disco de música pop. Lançado pela Polydor (via Universal Music) esta edição brasileira destaca-se por uma estratégia de marketing muito comum na época: a inclusão de uma colaboração com um artista local para impulsionar as vendas e garantir espaço nas rádios e trilhas sonoras.
Também, o álbum traz o resultado do encontro entre Ronan Keating e uma das duplas de compositores mais influentes da indústria: Gregg Alexander (New Radicals) e Rick Nowels (responsável por hits de Madonna a Lana Del Rey). .Essa parceria já havia definido o sucesso do álbum de estreia de Ronan, com o single "Life Is A Rollercoaster". Nesta edição de Destination, a dupla entrega 6 faixas novas, sendo elas: "I Love It When We Do", "Love Won't Work (If We Don't Try)", "Come Be My Baby", "Lovin' Each Day", "My One Thing That's Real" e "You're Picking Me Up" (esta com co-autoria de Ronan Keating).
Um dos fatos mais curiosos desta edição é a onipresença de "When You Say Nothing At All". A canção de autoria de Don Schlitz e Paul Overstreet havia sido gravada originalmente por Keith Whitley para seu álbum "Don't Close Your Eyes" lançado em 1988, retornou em 1995 na regravação de Alison Krauss para sua coletânea "Now That I've Found You: A Collection" e quatro anos depois, Ronan Keating gravou sua releitura para ser um dos temas centrais do filme Um Lugar Chamado Notting Hill, dando a música projeção mundial. A canção foi tão avassaladora na sua carreira solo que, após figurar no álbum Ronan (2000), foi trazida de volta para esta edição brasileira de Destination em três versões distintas: a versão original e duas versões em dueto com a cantora Deborah Blando.
Enquanto o público assimilava a versão bilíngue "When You Say Nothing At All (O Amor Fala Por Nós)" tocada nas rádios e canais de videoclipes, a versão em inglês tocava nas cenas da novela O Beijo do Vampiro (Rede Globo, 2002), deixando os fãs da cantora ensandecidos. Em 2000, o cantor irlandês já havia marcado presença na trilha sonora da novela Vila Madalena (Rede Globo) com a versão original da canção, comprovando que a escolha Deborah Blando para o dueto de uma canção já conhecida pelos brasileiros era fruto de estudo de marketing.
Mas uma sucessão de curiosidades paira sobre a escolha dos duetos para o álbum Destination: na edição mestre, a canção de trabalho foi "We've Got Tonight", em dueto de Keating com a cantora inglesa Lulu. A canção chegou a ter gravações locais com novos vocais de Giorgia (Itália) e Jeanette Biedermann (Alemanha). Já "When You Say Nothing At All" também teve uma nova gravação em dueto bilíngue com Paulina Rubio (mercado hispânico), chamada "When You Say Nothing At All (Nada Mas Que Hablar)".. Mais curioso ainda é "I Love It When We Do", para a qual a gravadora escolheu Cecília Cara (França) para gravar a versão bilíngue "I Love It When We Do (Je T'Aime Plus Que Tout)" – com direito a clipe no canal musical MCM (Ma Chaîne Musicale).
Ainda, na edição tupiniquim do Destination, foram suprimidas as faixas "Time For Love", "Blown Away" e "As Much As I Can Give You Girl" – todas compostas por Alexander & Nowels –, além de "We've Got Tonight", – composição de Bob Seger –, dando lugar às três versões de "When You Say Nothing At All" e duas repescagens do álbum Ronan, "Life Is A Rollercoaster" e "The Way You Make Me Feel" – esta composta pelo canadense Bryan Adams e pelo britânico Phil Thornalley.
Enfim, são dados que nunca haviam sido documentados, pelo menos não até agora, hahaha... Bora ouvir o disco?
01. I Love It When We Do
02. Love Won't Work (If We Don't Try)
03. When You Say Nothing At All (O Amor Fala Por Nós) (In Portuguese) - featuring Deborah Blando
04. If Tomorrow Never Comes
05. Come Be My Baby
06. Lovin' Each Day
07. My One Thing That's Real
08. Joy & Pain
09. You're Picking Me Up
10. When You Say Nothing At All
11. Life Is A Rollercoaster
12. The Way You Make Me Feel
13. The Long Goodbye
14. When You Say Nothing At All (In English) - featuring Deborah Blando
Este é um CD Rip exclusivo da Gazeta do Som.
Para baixar o álbum em FLAC, clique AQUI.
quinta-feira, 16 de abril de 2026
Recesso para mudança!
Pessoal, por motivo de mudança residencial, os equipamentos que utilizo para remasterizar meus discos estão desligados e encaixotados para mudança. Como vou ficar um período em organização após a mudança e sem internet fibra ótica, as postagens vão ficar suspensas até as coisas estarem em ordem.
Vou continuar fazendo as interações por meio do pacote de dados do celular e respondendo-as na medida do possível.
Agradeço cada um de vocês pelo prestígio, pelo respeito e pela amizade.
EBENÉZER – Até aqui nos ajudou o Senhor (1 Samuel 7:12)
terça-feira, 14 de abril de 2026
Ciclone - Delícia (1985)
O Ciclone foi um grupo vocal masculino que surgiu no cenário pop brasileiro de 1985. Formado por Marcelo, Ricardo, Arthur Coimbra, Sérgio e Eduardo, o quinteto foi fruto de uma estratégia da gravadora Polygram, que em 1984 iniciou testes para selecionar jovens que pudessem competir com o fenômeno internacional do Menudo (Porto Rico) e do Tremendo (Argentina), além de rivalizar com as apostas da CBS, o Dominó e o Bombom.
Lançado oficialmente no programa do Chacrinha em março de 1985, o grupo rapidamente alcançou o topo das paradas de rádio em todo o país. O sucesso foi consolidado com a presença na trilha sonora da novela A Gata Comeu e a participação no álbum Xuxa e Seus Amigos.
A Engenharia do Som: Arranjos e Ficha Técnica
O grande diferencial do Ciclone era o suporte de músicos e arranjadores de alto escalão. O trabalho de arranjo e regência foi distribuído de forma minuciosa entre vários profissionais, conforme os créditos oficiais:
Reginaldo Francisco: Assinou os arranjos e teclados de "Vem que a hora é boa", além de dividir a regência com Fernando A. Souza em "Pede Mais" e "Só o Amor Constrói".
Fernando A. Souza: Foi o responsável pelos arranjos de "Honolulu" e dividiu a regência com Reginaldo Francisco em "Dança Comigo".
Joe (Ex-Euthanasia): Além de tocar guitarras, assinou os arranjos, regência e solos de "Delícia", "Gatinha Carente" e "Secretária Eletrônica".
Ricardo Cristaldi: Assinou os arranjos e teclados de "Tipo One-Way" (junto com Joe e Ribeiro José Francisco).
Jaime Além: Ficou responsável pelo arranjo vocal da faixa "A Todo Vapor".
Sobre "Inflamável" (Easy Lover): A versão da letra é de Ribeiro José Francisco, enquanto a adaptação musical e as guitarras ficaram a cargo de Claudio Stevenson.
O suporte instrumental foi garantido por:
Teclados: Jota Moraes (inclusive no DX7), Reginaldo Francisco, Fernando A. Souza, Ricardo Cristaldi e Danielle.
Guitarras: Joe e Claudio Stevenson.
Baixo: Ricardo Villas Boas, Fernando A. Souza e Otávio Coelho Fialho.
Bateria: Fernando Moraes, Paulo C. Ferreira e Marcelo Castro da Costa.
Sax: José Carlos.
A engenharia de som foi realizada nos estúdios Transamérica e Polygram (RJ) por técnicos como Ary Carvalhaes, Jairo Gualberto e João Moreira. O encarte ainda registra um tributo especial: os solos de sax são dedicados a Oberdan Magalhães, da Banda Black Rio.
O Grupo Hoje Com o fim das atividades, os integrantes seguiram carreiras fora da música. Eduardo, Ricardo e Sérgio moram no Rio de Janeiro, enquanto Marcelo e Coimbra residem nos Estados Unidos há mais de 30 anos. Apesar da curta trajetória, o Ciclone permanece como um registro importante da produção pop brasileira da década de 80.
Nota de remasterização: O resgate deste álbum contou com o apoio cultural do meu amigo Israel Castro de Campina Grande/PA, que fez a aquisição do LP para a remasterização, que foi feita em 15/04/2026, utilizando-se de agulha Ortofon Concorde Club (Elíptica) e seguindo a cadeia de processamento: Sound Forge 14 (Ripagem e edição), Pinnacle Clean (Declick), iZotope RX (Declick), u-he Satin e MVSep DeNoise (Modo Standard).
Para baixar este álbum em FLAC, clique AQUI.









