domingo, 23 de agosto de 2026

José Augusto - José Augusto (1986)

José Augusto, lançado em 1986, é o 13º álbum da carreira do cantor e marcou sua estreia pela RCA Victor, com edições em LP e K7. O disco teve produção executiva de Miguel Plopschi e Michael Sullivan e contou com arranjos e regências de Lincoln Olivetti.

Do álbum saíram sucessos como “Fantasias”, posteriormente regravada por Leonardo em 2003, e a balada “Quero Dormir Cansado”, versão de Márcio Antonucci para “Quiero Dormir Cansado”, composição de Manuel Alejandro e Ana Magdalena que havia alcançado sucesso na voz de Emmanuel no início da década de 1980.

Outro destaque é “De Repente o Amor”, versão em português de “De Repente El Amor”, de Albert Hammond e Anahi van Zandweghe. A composição original foi gravada por Lani Hall, esposa de Herb Alpert, em dueto com Roberto Carlos. No Brasil, a canção ganhou versões de José Augusto e de Jane & Herondy, esta incluída no álbum Todas as Formas de Amor. As duas gravações chegaram ao mercado praticamente no mesmo período, criando uma situação incomum: a RCA, gravadora de José Augusto, também realizava a prensagem dos discos da 3M, responsável pelo lançamento de Jane & Herondy. A coincidência acabou interferindo na estratégia de divulgação das duas versões.

Entre as demais faixas estão “Deus, o Que Fazer?”, com participação especial de Sérgio Reis; “Estela”, de Joe e Tavinho Paes; e “Linda Estrela”, uma das quatro composições de Maurício Duboc e Carlos Colla presentes no álbum.

Apenas “Fantasias”, “Deus, o Que Fazer?”, “Relógio” e “O Que Você Quiser” chegaram a ser disponibilizadas em formato digital, permanecendo grande parte do repertório do álbum fora das plataformas. Considerando que a master integral do disco nunca foi revisitada e preparada para lançamento digital, este trabalho buscou recuperar o álbum em sua totalidade, utilizando uma agulha elíptica Ortofon Concorde Club e preservando ao máximo as características da gravação original. Para esta postagem, também restaurei as imagens da capa e contracapa do LP com o OpenAI.

Na minha opinião, este é um dos trabalhos mais bonitos de José Augusto, por reunir um repertório predominantemente formado por canções não autorais, evidenciando sua qualidade como intérprete para além de sua reconhecida trajetória como compositor.

Faixas:
01. Fantasias (José Augusto / Paulo Sérgio Valle) 
02. O que Você Quiser (Ed Wilson / Carlos Colla) 
03. Me Dá (Maurício Duboc / Carlos Colla) 
04. Linda Estrela (Maurício Duboc / Carlos Colla)
05. Quero Dormir Cansando (Manuel Alejandro / Ana Magdalena - Versão: Márcio Antonucci)
06. Estela (Joe / Tavinho Paes)
07. De Repente o Amor (Albert Hammond Jr. / Anahi van Zandweghe - Versão: José Augusto)
08. Doce Tentação (Maurício Duboc / Carlos Colla) 
09. Relógio (Prêntice / Paulo César Barros)
10. Deixa Acontecer (Michael Sullivan / Paulo Massadas)
11. Deus, o que Fazer? (part. esp. Sérgio Reis) (José Augusto)
12. Perdoa (Maurício Duboc / Carlos Colla)

Para baixar o album em FLAC, clique AQUI.

Patrícia Marx - Patrícia (1988)

“Patrícia” é o segundo álbum solo de Patrícia Marx, na época ainda creditada apenas como Patrícia, lançado em 1988 pela RCA/BMG Ariola. O disco dá continuidade à transição iniciada em Paty (1987), afastando gradualmente a cantora do universo infantil do Trem da Alegria e direcionando seu repertório para o público adolescente.

O álbum repetiu o bom desempenho comercial do trabalho anterior, alcançando mais de 250 mil cópias vendidas no Brasil e rendendo à cantora mais um Disco de Platina.

A produção executiva ficou a cargo de Michael Sullivan e Paulo Massadas, dupla que já acompanhava Patrícia desde os tempos do Trem da Alegria. Musicalmente, o disco contou ainda com arranjos e regências de Roupa Nova, Sérgio Sá e Lincoln Olivetti, nomes bastante presentes na produção fonográfica brasileira daquele período.

Entre as músicas de maior destaque está “Amor É Sempre Amor (As Time Goes By)”, versão em português de As Time Goes By, canção eternizada pelo filme Casablanca, que integrou a trilha sonora da novela Vida Nova, da Rede Globo. O repertório também traz “Pra Quê Se Complicar? (Let's Wait a While)”, versão brasileira do sucesso de Janet Jackson, cuja gravação original havia feito parte da trilha internacional da novela Brega & Chique.

“Certo ou Errado” e “Doçura” também se destacaram no repertório. Esta última chama atenção pela sonoridade bastante identificada com o pop adolescente internacional da segunda metade dos anos 1980, remetendo ao universo musical que naquele período projetava artistas como Debbie Gibson, Tiffany e Madonna.

Embora o álbum também esteja disponível nas plataformas digitais em uma edição disponibilizada pela própria cantora, que não é proveniente da master oficial da RCA, esta versão foi remasterizada a partir do LP original, com uso de agulha elíptica Ortofon Concorde Club e tratamento de ruído com MVSep DeNoise, preservando ao máximo as características da gravação original. Para esta postagem, também restaurei as imagens da capa e contracapa do LP com o OpenAI.

Faixas:
01. Certo ou Errado (Paulo Massadas, Michael Sullivan)
02. Quando Estou com Você (Paulo Sérgio Valle, José Augusto)
03. Doçura (Mauro Motta, Cláudia Olivetti, Lincoln Olivetti, Robson Jorge)
04. Cedo Demais (Chico Roque, Ed Wilson, Carlos Colla)
05. Não Quero Perder (Ulisses Tavares, Sérgio Sá)
06. Amor É Sempre Amor (As Time Goes By) (Herman Hupfeld; Versão: Sérgio Sá)
07. É Tempo de Amar (Paulo Massadas, Michael Sullivan)
08. Pra Quê Se Complicar (Let´s Wait a While) (Janet Jackson, J. Harris III, T. Lewis, M. Andrews; Versão: Sérgio Sá)
09. Desejo Secreto (Paulo Massadas, Michael Sullivan)
10. Meu Diário (Paulo Massadas, Michael Sullivan)
11. Todos os Sentidos (Mazinho Turle, Dilson Gunani)
12. Labirinto de Sonhos (Sérgio Sá)

Para baixar o album em FLAC, clique AQUI.

Patrícia Marx - Paty (1987)


"Paty" é o primeiro álbum solo de Patrícia Marx, lançado em 1987 justamente no período de transição entre sua participação no Trem da Alegria e o início da carreira individual. Produzido em meio a essa mudança, o LP ainda guarda algumas ligações bastante evidentes com o repertório do grupo.

Uma delas é a presença de “Abra a Boca e Feche os Olhos”, reaproveitada do terceiro álbum do Trem da Alegria, também lançado em 1987. Outra curiosidade é “Sonho Adolescente”, que utiliza a mesma melodia de “Meu Pequeno Tommy”, faixa do primeiro álbum do Trem da Alegria, mas com uma nova letra escrita por Michael Sullivan e Paulo Massadas. A comparação entre as duas gravações é curiosa, especialmente porque Patrícia interpreta ambas: enquanto a primeira pertence claramente ao universo infantil do grupo, “Sonho Adolescente” reposiciona a mesma melodia em uma temática já voltada à adolescência, acompanhando a própria transição artística da cantora.

O álbum tem como principal destaque “Festa do Amor”, que ganhou grande projeção ao integrar a trilha sonora da novela Bambolê, aproveitando justamente a ambientação inspirada nos anos 1960 da produção. O repertório também trouxe “Te Cuida Meu Bem” e “To Be Or Not To Be” entre as músicas de maior destaque. Todas as canções são assinadas por Michael Sullivan e Paulo Massadas, com exceção de “Vivo Sonhando”, composição de Antonio Carlos Jobim.

Embora o álbum tenha chegado às plataformas digitais na segunda quinzena de janeiro de 2025, em uma edição disponibilizada pela própria cantora e que não é proveniente da master oficial da RCA, optei por realizar uma nova remasterização integralmente a partir do LP original de Patrícia. A captura foi feita com agulha elíptica Ortofon Concorde Club, preservando ao máximo as características da gravação original. A única exceção é “Vivo Sonhando”, extraída do CD “As Melhores da Patrícia”, lançado pela BMG Ariola em 1991. Ao final, todas as faixas passaram por um processo de limpeza de ruído residual com o MVSep DeNoiseA capa e a contracapa do LP também foram restauradas com o OpenAI para esta postagem.

Faixas: 
01. To Be Or Not To Be
02. Quem Me Dera...
03. Coração na Mão
04. Vivo Sonhando
05. Festa do Amor (tema da novela Bambolê)
06. Te Cuida Meu Bem
07. Raio de Luar
08. Sonho Adolescente
09. Abra a Boca e Feche os Olhos

Para baixar o arquivo em FLAC, clique AQUI.

sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Declaração de Amor (2001)

“Declaração de Amor” é uma coletânea de músicas românticas nacionais lançada em CD pela Som Livre, em 2001. O projeto e a seleção de repertório são assinados por André Werneck, com direção de arte de Marciso “Pena” Carvalho e projeto gráfico interno de Cristina Cruz. As fotografias são de Dario Zalis.

A faixa “Declaração de Amor”, de Daniel, funciona quase como um abre-alas para o disco: além de emprestar seu título à coletânea, apresenta o tema que conduz todo o repertório. A partir daí, diferentes vertentes da música romântica brasileira se encontram, passando pelo sertanejo de Bruno & Marrone, Zezé Di Camargo & Luciano e Leonardo, pelo pagode romântico de Os Travessos e Belo e pelo pop de KLB e Wanessa Camargo. Até Ivete Sangalo aparece longe do axé, dividindo com Jorge Aragão o samba “Loucuras de Uma Paixão”. 

Mais do que seguir um único gênero musical, a coletânea reúne diferentes vertentes da música popular daquele período em torno de um elemento comum: canções de amor.

01. Declaração de Amor - Daniel
02. Dormi na Praça - Bruno & Marrone
03. Vou Te Procurar - Os Travessos
04. Eternamente - Belo
05. O Que É Que Eu faço - Zezé Di Camargo & Luciano
06. Deixaria Tudo (Dejaria Todo) - Leonardo
07. Ela Não Está Aqui (I'd Love You To Want Me) - KLB
08. Apaixonada por Você - Wanessa Camargo
09. Fica Comigo - Tino
10. Beijando - Gamação
11. Loucuras de Uma Paixão (Ao Vivo) - Ivete Sangalo e Jorge Aragão
12. Vem Me Ver - G.E.M.
13. Quero Te Amar - Ellen de Albuquerque

Para baixar esta coletânea em FLAC, clique AQUI.

quinta-feira, 20 de agosto de 2026

A Rádio 10 da Cidade - Cidade FM (1995)

A Cidade FM surgiu em 1977, no Rio de Janeiro, quando a emissora, então uma concessão do Grupo Fluminense, de Niterói, foi adquirida pelo Grupo Jornal do Brasil. Suas transmissões começaram em maio daquele ano, passando a integrar o Sistema JB de Rádio, que já contava com a Rádio Jornal do Brasil e a JB FM.

Dois anos depois, em 15 de novembro de 1979, foi inaugurada a Cidade FM de Porto Alegre, a segunda emissora da Rede Cidade. Instalada inicialmente junto à sucursal do Jornal do Brasil na capital gaúcha, a rádio levou para o mercado local a proposta musical e a identidade que vinham sendo desenvolvidas pela matriz carioca.

Em março de 1990, a Cidade FM de Porto Alegre passou a integrar o Grupo RBS e seguiu com programação produzida localmente. A ligação com a emissora carioca, entretanto, ainda teria um novo capítulo: entre novembro de 1991 e dezembro de 1993, a programação da madrugada voltou a ser gerada via satélite pela Cidade FM do Rio de Janeiro, assim como alguns programas específicos, entre eles Amnésia e Só se for Dance.

É nesse contexto que surge “A Rádio 10 da Cidade – Cidade FM”, coletânea promocional lançada em 1995 para celebrar os 16 anos da Cidade FM de Porto Alegre. A data, que inicialmente poderia causar alguma confusão diante da origem carioca da marca em 1977, corresponde exatamente à trajetória da emissora gaúcha, inaugurada em 1979.

A seleção de repertório é assinada por Mauri Grando, então gerente de programação da Cidade FM de Porto Alegre, e funciona como um recorte da identidade musical da emissora naquele período. O repertório reúne sucessos nacionais e internacionais que conviviam em sua programação, passando pelo pop, rock, dance, reggae, axé e outros estilos que marcaram o rádio FM brasileiro na primeira metade dos anos 1990.

Faixas:
01. This Ain't a Love Song - Bon Jovi
02. Around the World - East 17
03. I Started a Joke - Faith No More
04. Have You Ever Really Loved a Woman - Bryan Adams
05. Love Is All Around - DJ Bobo
06. O 40 - Faróis Acesos
07. Preciso de Você - Netinho
08. O Calhambeque (Road Hog) - Caetano Veloso
09. Me Abraça - Banda Eva
10. Malandragem - Cassia Eller
11. Sei Que Você Não Vai (Never Can Say Goodbye) - Patricia Marx
12. Tocar Você - Edmon
13. Keep on Moving - Bob Marley & The Wailers

Curiosamente, o exemplar utilizado nesta publicação foi adquirido pelo Gazeta do Som através da Shopee e veio do Rio Grande do Norte — um percurso bastante improvável para uma coletânea promocional lançada em comemoração aos 16 anos de uma emissora de Porto Alegre.

Para baixar esta coletânea "interlitorânea", clique AQUI.

segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Women (1997)

"Women" é uma coletânea internacional lançada pela PolyGram em 1997, no formato CD. O projeto foi desenvolvido pelo departamento de catálogo da PolyGram International, sob responsabilidade editorial de Matthieu Lauriot Prévost, Jackie Stansfield, Matthew Tilley e Regina Steyaert.

A seleção reúne 14 faixas predominantemente associadas à produção musical dos anos 1990, interpretadas por artistas femininas que transitam pelo pop, rock, soul, R&B e outras vertentes da música contemporânea. O repertório concentra canções da primeira metade da década, ao lado de outras mais próximas ao ano de lançamento da coletânea, com duas exceções anteriores: “Stop”, de Sam Brown, originalmente de 1988, e “Rhythm of Life”, de Oleta Adams, de 1990.

A curadoria procura reunir vozes femininas de expressão, unindo nomes já conhecidos do público internacional a artistas que estavam ganhando espaço naquele momento através de uma seleção que foge do senso comum. É para quem procura uma playlist diferente das coletâneas mais previsíveis do período.

Faixas:
01. Strong Enough - Sheryl Crow
02. One Of Us - Joan Osborne
03. When Heroes Go Down - Suzanne Vega
04. Give Me A Little More Time - Gabrielle
05. Finally - CeCe Peniston
06. Rhythm Of Life - Oleta Adams
07. Be My Baby - Vanessa Paradis
08. Every Heartbeat - Amy Grant
09. Stop - Sam Brown
10. Save The Best For Last - Vanessa Williams
11. All I Want - Susana Hoffs *
12. Suddenly - Soraya
13. It's Oh So Quiet - Björk
14. Mother, Mother - Tracey Bonham

( * ) Grafado no CD como Susannah Hoffs

Para baixar esta coletânea em FLAC, clique AQUI.

sábado, 15 de agosto de 2026

Rock N' Pop Jovem Pan (2026)


O programa Rock N’ Pop vai ao ar na Jovem Pan FM, das 8h às 9h, com apresentação dos locutores Yves Resende — de segunda a sexta-feira — e Beto Keller — aos sábados. Sua programação reúne sucessos do rock e do pop nacional e internacional, com destaque para músicas que marcaram as décadas de 1980, 1990 e 2000.

Em outras praças da rede, o programa ganha vozes locais: Isis Meurer, em Blumenau (SC); Alexandre “Carioca” Mota, em Maringá (PR); Júlia Carvalho, em Recife (PE); Marcos Alves, em Sorocaba (SP); Derick Diego, em São Luís (MA); Daniel Sommer, na Jovem Pan Missões, em Ijuí (RS); Alex Bonno, em Vitória (ES); e Camila Oliveira, na Jovem Pan Serra Gaúcha, em Farroupilha (RS).

A estreia do programa também representa a consolidação de uma retomada da identidade musical da Jovem Pan, recuperando uma característica que durante muitos anos marcou a emissora, mas havia perdido espaço após a saída de Tutinha da presidência do grupo: a convivência, dentro da mesma programação, entre grandes sucessos nacionais e internacionais de diferentes épocas e estilos.

Essa mudança vem sendo percebida pelos ouvintes e acompanhada por páginas dedicadas à emissora, como o Panáticos de Plantão. A reformulação reúne profissionais com ampla experiência em programação e conteúdo: Vlamir Marques, que trabalhou durante vários anos na Alpha FM antes de assumir exclusivamente a gerência de programação da Jovem Pan FM e da rede, em 2018; Luciene Calegari, que chegou ao grupo depois de quase duas décadas dedicadas à programação musical da Antena 1; e Fernando Pelegio, que deixou o SBT para assumir a direção artística e de programação do Grupo Jovem Pan, trazendo mais de 40 anos de experiência na televisão brasileira e uma trajetória de três décadas em funções de liderança.

Durante vários dias, acompanhei as movimentações da programação registradas pelo Panáticos de Plantão e observei o que o Rock N’ Pop oferecia a cada manhã. A proposta me fez lembrar o espírito do vespertino Supernova, apresentado por Didi Wagner e Marcos Mion na MTV: o rock aparece como ponto de partida, encontra diferentes ritmos e manifestações do pop e, a partir daí, a graça está justamente em descobrir no que aquela mistura vai dar.

O pop, afinal, nunca permaneceu preso a uma única forma. Ao longo das décadas, incorporou elementos do rock, da música eletrônica, do funk, da música latina e de tantos outros gêneros. No Rock N’ Pop, essas transformações convivem dentro da mesma programação, aproximando artistas que talvez jamais fossem colocados lado a lado numa coletânea convencional — embora sempre tenham se encontrado no rádio.

Depois de acompanhar as seleções de vários dias, pensei: “Eu saquei o feeling. Então é assim, né?” Foi quando surgiu o insight: e se eu combinasse essas programações e produzisse uma espécie de best of do Rock N’ Pop, reunido em um único CD? O que sairia dessa experiência?

A resposta começa a aparecer logo nas três primeiras faixas. Michael Jackson abre a seleção com “Black or White” e, quando tudo parece caminhar para uma sequência internacional perfeitamente segura, o Biquini Cavadão surge dizendo que não é ministro, nem magnata, mas um “Zé Ninguém” e assume o espaço entre Michael e Madonna como se aquela fosse a ordem mais natural do mundo. “La Isla Bonita” mal termina seu passeio ensolarado por San Pedro e Pitty já aparece exigindo explicações em “Máscara”.

Alguns encontros oferecem ao ouvinte um pouco mais de segurança, mas ela nunca dura muito. Red Hot Chili Peppers abre passagem para Vanessa da Mata e Ben Harper em versão DeepLick, porque coerência demais também cansa. O remix de “Retrato Imaginário”, do SNZ, encontra Bon Jovi, passa por LS Jack e desemboca em Guns N’ Roses sem avisar que mudou de estrada.

Mais adiante, Luka entrega para Blondie, que abre caminho para os Titãs. E então acontece o momento que talvez resuma toda a experiência: os Titãs lembram que há “Miséria” por todo canto e, ao final, Sonique chuta a porta exclamando: “It Feels So Good”. Não procure uma explicação muito elaborada. É rádio. E funciona. Fernanda Abreu e Daft Punk mantêm a pista aberta até que Paralamas do Sucesso e Gilberto Gil apareçam no encerramento para tentar colocar alguma ordem na casa. Tentar.

As escolhas inusitadas foram intercaladas com passagens mais evidentes justamente para preservar esse ar de programação radiofônica. Se todas as transições fossem previsíveis, teríamos apenas mais uma coletânea organizada por gênero. Se todas fossem improváveis, seria uma simples colcha de retalhos. O equilíbrio entre reconhecimento e surpresa é o que dá identidade à seleção: os momentos óbvios funcionam como corrimão; as faixas seguintes aparecem para empurrar o ouvinte escada abaixo.

Faixas:
01. Black or White (Single Version) - Michael Jackson
02. Zé Ninguém - Biquini Cavadão
03. La Isla Bonita - Madonna
04. Máscara - Pitty
05. By the Way - Red Hot Chili Peppers
06. Boa Sorte (DeepLick Remix) - Vanessa da Mata & Ben Harper
07. Shape of You - Ed Sheeran
08. Retrato Imaginário (G-Vô Mix) - SNZ
09. Someday I'll Be Saturday Night - Bon Jovi
10. Carla - LS Jack
11. Sweet Child O' Mine - Guns N' Roses
12. Porta Aberta - Luka
13. Maria - Blondie
14. Miséria - Titãs
15. It Feels So Good - Sonique
16. A Noite - Fernanda Abreu
17. Get Lucky (Radio Edit) - Daft Punk feat. Pharrell Williams & Nile Rodgers
18. Alagados - Os Paralamas do Sucesso part. esp. Gilberto Gil

E a gente promete: este será apenas o primeiro de muitos! rs...

Até a próxima epifania sonora!

Tenha já essa coletânea em FLAC, clicando AQUI.