terça-feira, 1 de setembro de 2026

Patrícia Marx - Incertezas (1990)

 

Por essa nem a senhora Patrícia Marx esperava! Uma edição finalizada de Incertezas, álbum cuja master original nunca chegou integralmente ao formato digital. Das doze faixas do disco, apenas seis foram posteriormente disponibilizadas na coletânea As Melhores da Patrícia: “Sonho de Amor”, “Destino”, “Incertezas”, “Romance de Verão”, “Onde Menos Se Espera” e “Um Ano Eu Sei”. O trabalho completa a trilogia de álbuns de sucesso lançados pela cantora na RCA, gravadora pela qual iniciou sua carreira solo.

Lançado em 1990 nos formatos LP e K7, Incertezas teve direção artística de Miguel Plopschi e produção executiva de Michael Sullivan. Sullivan também aparece com destaque entre os compositores: ao lado de Paulo Massadas, assina cinco das doze canções do álbum — “Sonho de Amor”, “Meus Ídolos”, “Meu Anjo”, “Mágica” e “Trocando Figurinhas”.

Serginho Bastos assina a faixa-título e, ao lado de Chico Roque, “Romance de Verão”. Os irmãos Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle são os autores de “Destino”, que ganharia maior projeção em 1991 ao integrar a trilha sonora da novela Salomé. Já Lincoln Olivetti e Cláudia Olivetti entregam “Estrela Minha”, com uma levada de bossa nova que acrescenta outra sonoridade ao repertório.

O álbum também aproxima Patrícia de outros universos musicais. Humberto Gessinger compõe “Onde Menos Se Espera”, participa da produção e do arranjo e ainda divide os vocais com a cantora, levando para o disco uma aproximação com o rock. Em “Um Ano Eu Sei”, entram em cena Ed Motta e Bombom, da Conexão Japeri, com um rhythm and blues que se diferencia bastante das demais faixas. Ed também participa da gravação, naquele que seria seu primeiro dueto com Patrícia. Os dois voltariam a gravar juntos em 2016, em “Tudo Que Eu Quero”, registrada no álbum Trinta, lançado quando a cantora celebrava 30 anos de carreira solo.

O disco termina com “Olhos Azuis”, composição de Sérgio Sá, que já havia participado do álbum de Patrícia de 1988 com “Labirinto de Sonhos”. As duas canções têm em comum uma abordagem amorosa que vai além da declaração romântica, trazendo às letras um caráter mais reflexivo. E há ainda uma curiosa continuidade entre os dois trabalhos: assim como em 1988, é novamente uma composição de Sérgio Sá que encerra o repertório do álbum.

Com apenas metade de Incertezas tendo chegado oficialmente ao formato digital, permaneciam ausentes “Meus Ídolos”, “Mágica”, “Estrela Minha”, “Trocando Figurinhas”, “Meu Anjo” e “Olhos Azuis”. A recuperação a partir do LP permite, portanto, revisitar o trabalho em sua sequência completa, reunindo novamente as doze faixas que formaram o álbum lançado em 1990.

Sobre esta remasterização

Este LP estava comigo desde o final de 2017, mas sua remasterização levou muito mais tempo do que eu imaginava. Incertezas era também uma publicação bastante requisitada, especialmente porque eu já havia remasterizado os dois álbuns anteriores de Patrícia, deixando este trabalho como a peça que faltava para completar essa sequência da cantora na RCA.

Embora o álbum tenha chegado às plataformas digitais na segunda quinzena de janeiro de 2025, em uma edição disponibilizada pela própria cantora e que não é proveniente da master oficial da RCA, mantive a intenção de realizar uma nova remasterização integralmente a partir do LP original de 1990.

Além de minha cópia não estar em um estado de conservação tão bom quanto eu gostaria, o que exigiu um trabalho acima do normal na remoção de estalos, durante muito tempo senti que ainda faltava um recurso capaz de tratar adequadamente o ruído residual sem comprometer a gravação. Foi com o MVSep DeNoise que encontrei uma solução mais satisfatória para essa etapa, permitindo reduzir o ruído remanescente da fonte analógica com maior controle.

A nova captura também se beneficiou do uso da agulha Ortofon Concorde Club, que proporcionou uma leitura mais definida e detalhada dos sulcos. Como a master integral de Incertezas nunca havia chegado oficialmente ao formato digital, meu objetivo foi extrair do LP a melhor reprodução possível da gravação ali preservada, evitando que a limpeza do áudio sacrificasse justamente as características que eu pretendia recuperar.

Depois de tantos anos com este disco e de sucessivas tentativas de encontrar uma forma satisfatória de trabalhar essa fonte, finalmente consegui concluir Incertezas e, com ele, completar a recuperação dos três álbuns dessa fase de Patrícia na RCA.

O material gráfico também recebeu um cuidadoso aprimoramento das imagens de capa, contracapa, selos e encarte interno, além de algumas surpresas reservadas para esta publicação. Entre elas, tomei a liberdade de imaginar Patrícia como modelo da capa do single “The Way You Make Me Feel”, de Michael Jackson. A brincadeira surgiu da semelhança visual entre as duas fotografias, especialmente pela iluminação em contraluz e pelo efeito de fumaça, propositalmente muito próximos.

Bom, vamos ao que interessa, o álbum!

Faixas:
01. Sonho de Amor
02. Meus Ídolos
03. Incertezas
04. Romance de Verão
05. Meu Anjo
06. Onde Menos Se Espera (part. esp. Humberto Gessinger)
07. Destino
08. Mágica
09. Estrela Minha
10. Trocando Figurinhas
11. Um Ano Eu Sei (part. esp. Ed Motta)
12. Olhos Azuis

Para baixar o álbum em FLAC, clique AQUI.

segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Pop Cine Pop (1994)

Pop Cine Pop é uma coletânea lançada nos formatos LP, K7 e CD em 1994 pelo selo Globo Columbia, joint venture formada pela Som Livre e pela Sony Music. A seleção de repertório ficou a cargo de Sérgio Motta, com masterização de Sérgio Seabra, fotografia de capa de Paulo Sabugosa e projeto gráfico de Marciso “Pena” Carvalho.

A compilação procura resgatar temas de filmes que alcançaram grande popularidade em suas exibições na TV Globo, reunindo canções que se tornaram associadas a produções cinematográficas de diferentes épocas.

A principal ressalva fica por conta de alguns erros de curadoria na associação entre determinadas músicas e os respectivos filmes. O caso mais evidente é “The Lady in Red”, de Chris de Burgh, creditada na coletânea como tema de A Dama de Vermelho. O filme é de 1984 e sua principal canção-tema é “I Just Called to Say I Love You”, de Stevie Wonder, lançada naquele mesmo ano e composta especificamente para o filme, inclusive vencedora de Oscar. “The Lady in Red” foi lançada por Chris de Burgh somente em 1986, no álbum Into the Light e só apareceria como tema de outro filme no ano 1989, no caso Uma Secretária de Futuro. Trata-se, portanto, de um erro bastante evidente na identificação da faixa.

Outro caso que merece observação é “Unchained Melody”. A canção se tornou um dos grandes símbolos de Ghost – Do Outro Lado da Vida (1990), sendo resgatada no filme a versão que o Righteous Brothers gravou em 1965. Em Pop Cine Pop, entretanto, foi incluída a regravação de 1991, lançada no álbum Reunion. O renovado sucesso da música trazido após sua exposição no filme acabou reunindo novamente Bobby Hatfield e Bill Medley em estúdio para a gravação desse trabalho, no qual revisitaram alguns de seus antigos sucessos em novas gravações.

Nesse caso, é possível que a Globo Columbia tenha encontrado disponibilidade desta regravação através da All Disc, que naquele período licenciava fonogramas da Curb Records no Brasil. A escolha é compreensível dentro desse contexto, mas não muda um ponto importante: não é o mesmo fonograma ouvido em Ghost. A associação entre a música e o filme está correta; porém, a gravação apresentada na coletânea corresponde à versão posterior, bastante lembrada também pelos aficionados por teledramaturgia por ter embalado a cena final do último capítulo da novela Meu Bem Meu Mal (1991), quando Isadora (Sílvia Pfeifer) deixa a Venturini Design.

Esses detalhes podem passar despercebidos para quem ouve Pop Cine Pop apenas como uma coletânea de sucessos de outras épocas, mas ganham importância quando se observa a relação proposta entre as músicas e os filmes. Em alguns casos, há diferenças de fonograma que podem ser compreendidas dentro das circunstâncias comerciais daquele período.

Em outros, como “The Lady in Red”, a associação com A Dama de Vermelho parece um verdadeiro falso cognato musical: a coincidência entre o título da canção e o título brasileiro do filme sugere uma relação que nunca existiu. É uma inconsistência particularmente estranha em uma seleção assinada por Sérgio Motta, profissional reconhecido por seu trabalho de pesquisa e repertório, mas que não diminui o interesse da coletânea como registro daquele período, que por sinal foi sucesso de vendas, resultando até em um segundo volume no ano de 1995.

Faixas:
01. Take My Breath Away - Berlin
02. Footloose - Kenny Loggins
03. Weird Science - Oingo Boingo
04. Oh Pretty Woman - Roy Orbison
05. We Will Rock You - Warrant
06. The Lady in Red - Chris de Burgh
07. Everybody's Talkin' - Nilsson
08. Unchained Melody - Righteous Brothers
09. When I Fall in Love - Céline Dion & Clive Griffin
10. What a Wonderful World - Louis Armstrong
11. My Girl - The Temptations
12. Smoke Gets in Your Eyes - The Platters
13. I Can See Clearly Now - Jimmy Cliff
14. Smile - Robert Downey, Jr.

Para baixar esta coletânea em FLAC, clique AQUI.

domingo, 30 de agosto de 2026

Cassino do Chacrinha (1982)

Cassino do Chacrinha é uma coletânea lançada pela Som Livre em 1982, nos formatos LP e K7, reunindo canções de artistas ligados ao universo do programa apresentado por Abelardo “Chacrinha” Barbosa nas tardes de sábado da TV Globo.

A compilação teve coordenação geral e seleção de repertório de Francisco Santos e Ramalho Neto. O projeto gráfico traz fotografia de Paulo Rubens, fotografia de efeito especial de Ayrton Camargo, direção de arte de Cosme de Oliveira e arte-final de Tuninho de Paula.

Todas as faixas desta publicação foram ripadas diretamente do LP, utilizando agulha Ortofon Concorde Club, e posteriormente passaram por processo de remasterização, buscando preservar as características da gravação original.

Faixas:
01. Revelação de um Sonho - Carlos Alexandre
02. Voa Pombinha - Fernando Mendes
03. Reluz - Marcos Sabino
04. Vende-Se Um Coração - Sérgio Adriano
05. Querer e Perder - José Augusto
06. Eu Sou Aquela - Júlia Graciela
07. Sem Você - Tarcys Andrade
08. Olhos Coloridos - Sandra Sá
09. Etiquetas - Aguinaldo Timoteo
10. Conto de Fadas - Gilberto Lemos
11. Eco do Meu Grito - Bartô Galeno
12. Amor Alheio - Zai Gomide
13. Festa Portuguesa - Roberto Leal
14. Não Lhe Quero Mais - Edith Veiga

Para baixar esta coletânea em FLAC, clique AQUI.

You & I (1995)

 

“You & I” é uma coletânea de músicas internacionais lançada em LP, K7 e CD, em 1995, pelo selo Som Livre, com seleção de repertório de Sérgio Motta e masterização realizada pelo estúdio Promaster. A capa traz fotografia de Dario Zalis, projeto gráfico de Geysa Adnet e coordenação gráfica de Marciso “Pena” Carvalho.

A compilação reúne músicas marcadas pela presença de duetos vocais, seja por meio da participação especial de um artista no projeto de outro, seja pela formação de duplas vocais.

Faixas:
01. Don't Go Breaking My Heart - Elton John & Kiki Dee
02. Stop, Look, Listen (To Your Heart) - Marvin Gaye & Diana Ross
03. Reunited - Peaches & Herb
04. Ebony Eyes - Rick James & Smokey Robinson
05. Je T'Aime Moi Non Plus - Serge Gainsbourg & Jane Birkin
06. Where Is The Love - Roberta Flack & Donny Hathaway
07. Too Much, Too Little, Too Late - Johnny Mathis & Deniece Williams
08. The Closer I Get To You - Roberta Flack & Donny Hathaway
09. Kiss On My List - Daryl Hall & John Oates
10. Mockingbird - James Taylor & Carly Simon
11. All I Have To Do Is Dream - Andy Gibb & Victoria Principal
12. With You I'm Born Again - Billy Preston & Syreeta
13. Deep Purple - Nino Tempo & April Stevens
14. Parole, Parole - Alain Delon & Dalida

Para baixar esta coletânea em FLAC, clique AQUI.

Peter Frampton - Breaking All The Rules (1981)

 

Em 1981, Peter Frampton lançou Breaking All the Rules, álbum que marcou uma mudança perceptível em relação ao pop predominante em trabalhos anteriores. Depois de Where I Should Be (1979), o guitarrista passou a investir novamente em uma sonoridade mais diretamente ligada ao rock, movimento que já podia ser percebido no álbum/EP Rise Up, lançado especialmente no mercado latino-americano em 1980.

Rise Up antecipou parte importante do repertório que seria retomado no álbum que estava por vir. “I Don't Wanna Let You Go”, “You Kill Me”, “Wasting the Night Away”, “Rise Up” e “Breaking All the Rules” já haviam sido apresentadas naquele lançamento, em gravações diferentes das que chegariam ao mercado mundial em 1981. Para Breaking All the Rules, essas canções foram regravadas sob a produção de Peter Frampton e David Kershenbaum, recebendo um tratamento mais encorpado e voltado ao rock.

As sessões contaram com músicos como Jeff Porcaro, na bateria, e Steve Lukather, na guitarra, ambos integrantes do Toto, além do baixista John Pierce e do tecladista Arthur Stead. A presença desses músicos contribuiu para a formação instrumental que caracteriza o álbum, com maior peso das guitarras e da seção rítmica.

A faixa-título nasceu de uma parceria entre Peter Frampton e Keith Reid, conhecido principalmente pelo trabalho como letrista do Procol Harum e por sua participação na composição de “A Whiter Shade of Pale”. A letra de “Breaking All the Rules” trabalha ideias de inconformismo, individualidade e contestação, acompanhando a mudança de direção musical proposta pelo álbum.

Embora Breaking All the Rules não tenha repetido nos Estados Unidos o desempenho comercial alcançado por Frampton na segunda metade da década de 1970, o álbum teve uma trajetória particularmente significativa na América Latina. No Brasil, sua faixa-título ganhou forte exposição, beneficiada também pela utilização da gravação anterior, lançada em Rise Up, em uma campanha dos cigarros Hollywood ainda no período que antecedeu a consolidação da versão de 1981.

Dessa forma, Breaking All the Rules mantém uma ligação especialmente interessante com o mercado latino-americano: parte de seu repertório havia sido apresentada primeiro em Rise Up, e a própria faixa-título começou a ganhar projeção no Brasil por meio daquela gravação anterior, antes de receber a versão definitiva lançada mundialmente no álbum de 1981.

Para esta publicação, remasterizei o conteúdo a partir de uma edição americana do LP, utilizando agulha Ortofon Concorde Club. O exemplar foi gentilmente cedido pela 019 Discos, a quem agradeço, especialmente ao Charles Portilho, por disponibilizar o material em excelente estado de conservação.

Justamente pelas boas condições do disco, foi necessária apenas a redução do ruído residual com o MVSep DeNoise, sem a necessidade de intervenções mais extensas. A qualidade sonora encontrada neste LP mostrou-se bastante superior à edição em CD, razão pela qual optei por utilizá-lo como fonte para esta remasterização.

Faixas:
01. Dig What I Say
02. I Don't Wanna Let You Go
03. Rise Up
04. Wasting The Night Away
05. Going To L.A. - Peter Frampton
06. You Kill Me
07. Friday On My Mind
08. Lost A Part Of You
09. Breaking All The Rules

Para baixar este álbum em FLAC, clique AQUI.

Peter Frampton - EP Rise Up (1980)

 

Rise Up foi um álbum/EP lançado por Peter Frampton em 1980, especialmente voltado ao mercado latino-americano e relacionado à turnê que o guitarrista realizou pela região naquele ano. O disco funcionou também como uma prévia da nova fase de sua carreira, antecipando parte do repertório que seria retomado no álbum Breaking All the Rules, lançado mundialmente no ano seguinte.

Editado pela A&M Records, Rise Up teve lançamentos no Brasil, Venezuela, Argentina, Costa Rica e Colômbia, com diferenças entre algumas edições — entre elas, a capa colombiana, apresentada em versão colorizada.

O repertório reuniu gravações então inéditas e registros ao vivo. Parte das músicas inéditas pode ser entendida como uma primeira apresentação do material que Frampton vinha preparando para Breaking All the Rules, ainda em versões anteriores às gravações que seriam lançadas no álbum de 1981.

Entre elas estão “You Kill Me” e “Wasting the Night Away”, compostas por Frampton; “I Don't Wanna Let You Go”, de David Finnerty; “Rise Up”, dos irmãos Alessi; e “Breaking All the Rules”, parceria de Peter Frampton com Keith Reid. O disco inclui ainda “Midland Maniac”, composição de Steve Winwood, além de duas gravações ao vivo: “I Can't Stand It”, originalmente lançada em Where I Should Be (1979), e “I'm in You”, faixa-título do álbum de 1977.

A produção ficou a cargo de David Kershenbaum e Peter Frampton. Nas gravações participaram Anton Fig e John Siomos, na bateria; Bob Mayo, nos teclados e guitarra-base; e Steve Buslowe, no baixo.

Musicalmente, Rise Up apresenta uma abordagem mais direta, baseada na dinâmica de uma banda tocando em conjunto e menos apoiada no acabamento pop presente em parte da produção de Frampton na década anterior. Essa característica ajuda a compreender o disco como um registro de transição entre o final dos anos 1970 e a sonoridade que seria desenvolvida em Breaking All the Rules.

No Brasil, “Breaking All the Rules” ganhou uma divulgação particular por meio de uma campanha dos cigarros Hollywood, da Souza Cruz. Segundo relato publicado no livro Contos do Rock – Histórias dos bastidores do rock brasileiro contadas por quem estava lá, a iniciativa partiu de Marcos Maynard, então diretor internacional da CBS, companhia que distribuía o catálogo da A&M Records no país.

Às vésperas de uma nova passagem de Peter Frampton pelo Brasil, um diretor da A&M teria procurado Maynard em busca de uma maneira de promover o artista, que chegava ao país sem um novo sucesso de grande repercussão. Maynard identificou potencial em “Breaking All the Rules” e sugeriu sua utilização, sem cobrança, em um dos comerciais da Hollywood, então conhecidos pela forte presença na televisão e pelo slogan “Hollywood, O Sucesso”. A exposição da música na campanha ajudou a impulsioná-la nas emissoras FM brasileiras.

O episódio teria provocado inicialmente a irritação de Frampton ao descobrir que sua música estava associada a uma propaganda de cigarros. Segundo o relato, porém, depois de perceber a repercussão alcançada durante a turnê, o próprio músico teria procurado Maynard e, em tom bem-humorado, perguntado se não havia outro comercial da Hollywood no qual pudesse colocar mais uma de suas músicas.

O caso é relatado em Contos do Rock – Histórias dos bastidores do rock brasileiro contadas por quem estava lá, organizado por Daniel Ferro e publicado pela Editora Dublinense. Curiosamente, a própria capa de Rise Up traz Peter Frampton fumando um cigarro, encostado a um portão — imagem que também antecipa a estética adotada posteriormente em Breaking All the Rules. A coincidência torna ainda mais irônica a reação inicial de Frampton ao descobrir que a faixa havia sido utilizada em um comercial dos cigarros Hollywood no Brasil.

Um detalhe importante pode ser identificado nos próprios registros da propaganda preservados em gravações domésticas da época: a versão de “Breaking All the Rules” utilizada no comercial da Hollywood é a gravação presente em Rise Up, de 1980, anterior à versão definitiva lançada por Frampton no álbum homônimo de 1981.

Posteriormente, quando a CBS lançou a série de coletâneas Isto É Hollywood, reunindo músicas associadas às campanhas da marca, essa gravação de Rise Up não foi recuperada. Para a coletânea, foi utilizada a versão oficial lançada em 1981 no álbum Breaking All the Rules. Assim, os registros em VHS da propaganda ajudam a documentar uma particularidade que as coletâneas posteriores não preservaram: o comercial brasileiro foi originalmente veiculado com a versão anterior da música, lançada no LP Rise Up.

A remasterização integral do LP foi realizada a partir da captura com agulha Ortofon Concorde Club. O áudio passou pela redução de clicks e crackles com o Pinnacle Clean, seguida pela remoção do chiado residual com o MVSep DeNoise. Dessa forma, o tratamento buscou recuperar o material diretamente de sua fonte em vinil, preservando as características da gravação e registrando de maneira transparente as intervenções realizadas nesta versão.

No LP, a inédita “Midland Maniac” tem seu final emendado aos aplausos que antecedem a faixa seguinte, “I Can't Stand It”. Na recuperação do áudio, fiz questão de desmembrar as duas faixas utilizando a ferramenta Crowd Removal, do MVSep, permitindo que “Midland Maniac” fosse preservada como um registro independente.

Como gosto muito do álbum Breaking All the Rules e especialmente dessas gravações que anteciparam parte de seu repertório, nada mais justo do que dedicar a Rise Up um trabalho de recuperação à altura, reunindo áudio e material gráfico em um acabamento que esse lançamento que, até hoje, permanece sem edição digital oficial.

LP adquirido com a ajuda do amigo Israel Castro (Campina Grande – PB).

Faixas:
01. You Kill Me
02. I Don't Wanna Let You Go
03. Rise Up
04. Breaking All The Rules
05. Wasting The Night Away
06. Midland Maniac
07. I Can't Stand It (Live)
08. I'm In You (Live)

Para baixar este EP em FLAC, clique AQUI.

sábado, 29 de agosto de 2026

Dolly Parton - Love Songs (2006)

 

Dolly Parton (1946–2026) foi uma das maiores lendas da música mundial, consagrada internacionalmente como a "Rainha do Country". Nascida em uma cabana humilde no Tennessee, ela construiu um império como cantora, compositora, atriz e filantropa, vendendo mais de 100 milhões de discos ao longo de seis décadas de carreira. A artista faleceu em agosto de 2026, aos 80 anos, em Nashville.

Como singela homenagem, estou publicando a coletânea Love Songs, lançada pela Sony Legacy em 2006. 

Faixas: 
01. But You Know I Love You
02. Islands in the Stream (with Kenny Rogers)
03. I Will Always Love You
04. Here You Come Again
05. Love Is Like a Butterfly
06. You Are
07. I Really Got the Feeling
08. You're the Only One
09. Real Love (with Kenny Rogers)
10. Heartbreaker
11. We Used to
12. Think About Love
13. Old Flames Can't Hold a Candle to You
14. Please Don't Stop Loving Me (with Porter Wagoner)

Para baixar esta coletânea em FLAC, clique AQUI.