segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Os Melhores - Os Melhores (1985)

Os Melhores foi um sexteto de pop rock que deixou um único álbum, lançado pela Polydor/PolyGram em 1985, com produção de Mariozinho Rocha. Apesar da curta discografia, a identificação de seus integrantes revela um núcleo de músicos que continuaria se encontrando em outros trabalhos nos anos seguintes.

A formação reunia: Paulo Henrique Duncan (creditado como Paulo Duncan) no baixo, teclados e vocais; Iuri Cunha (Iuri) nos teclados e piano; Sérgio Serra nas guitarras, violão e vocais; Rodrigo Castro Neves na bateria e percussão; Edom Oliveira (Edom) nas guitarras, baixo e sintetizadores; e Duda Castro Neves (creditada como Maria Eduarda) nos vocais. Duda é irmã de Rodrigo.

Das nove faixas do álbum, seis — “Suborno Emocional”, “Emoções Baratas”, “Garotinhas”, “Dançando no Escuro”, “Nosso Amor É Uma Guerra” e “O Cobrador” — são composições de Rodrigo Castro Neves, Sérgio Serra e Paulo Henrique Duncan. Rodrigo e Sérgio assinam ainda “Canção Pra Você Que Não Acreditou em Mim”, enquanto “Porque!?!” acrescenta Edom Oliveira à parceria.

A única versão do repertório é “Como É Bom Te Amar”, adaptação de “Live Is Life”, do grupo austríaco Opus. O selo credita a versão a Big Abreu, Leandro, Rod e Paulo: são Selvagem Big Abreu, do João Penca & Seus Miquinhos Amestrados; Leandro Verdeal, integrante da formação inicial do mesmo grupo; e os próprios Rodrigo Castro Neves e Paulo Henrique Duncan.

A ficha técnica mostra uma produção bastante característica dos anos 1980, combinando guitarras, violões, baixo e piano com sintetizadores e instrumentos eletrônicos como Linn, Simmons e Yamaha RX11. Entre as participações, Erasmo Carlos aparece com o curioso crédito de “pandeiro sujo” em “Suborno Emocional”, enquanto Léo Jaime participa do coro de “Dançando no Escuro”. “Porque!?!” traz ainda Os Melhores, Lalê e Marquinho no coro, e Mario “Rock Santeiro” recebe o bem-humorado crédito de “lágrimas”.

Musicalmente, o álbum apresenta uma elaboração que vai além do rock mais direto, incorporando referências do synth-pop e da new wave. A alternância e divisão dos vocais entre os integrantes, somadas ao humor presente em várias letras, aproximam em alguns momentos Os Melhores de nomes como Ultraje a Rigor, João Penca & Seus Miquinhos Amestrados, Léo Jaime e Kid Abelha, representantes, cada qual à sua maneira, do pop rock brasileiro daquela geração. Algumas dessas aproximações encontram correspondência nas próprias conexões do disco: Léo Jaime participa do coro de “Dançando no Escuro”; Selvagem Big Abreu e Leandro Verdeal, ligados ao João Penca, estão entre os autores da versão de “Como É Bom Te Amar”; e Sérgio Serra posteriormente integraria o Ultraje a Rigor.

Além da produção, Mariozinho Rocha assina a regência e direção musical e divide com Paulo Henrique Duncan os arranjos vocais de “Dançando no Escuro”. As vozes foram gravadas nos estúdios da Som Livre, e a mixagem ficou a cargo de Vitor Farias, no estúdio Nas Nuvens. A capa é de Mario Bag, as fotografias de Pedro Alves de Souza (Pedrão) e a coordenação gráfica de Jorge Vianna.

A trajetória de Os Melhores teve ainda um desdobramento no ano seguinte. Em 1986, o grupo fez uma participação especial nas três primeiras faixas do álbum dos Abelhudos, lançado pela Som Livre, no mesmo ano em que os Abelhudos foram finalistas do Festival dos Festivais, da TV Globo.

Em 1987, quatro integrantes voltariam a trabalhar juntos: Paulo Henrique Duncan, Iuri Cunha, Rodrigo Castro Neves e Edom Oliveira formaram os Aliados. Outros reencontros aconteceriam em projetos pontuais. Paulo Henrique, Iuri e Rodrigo integraram, ao lado de Marcelo Sussekind, a Marajazz Band, responsável pela execução da trilha sonora de Super Xuxa Contra Baixo Astral. Já Paulo Henrique e Edom se reuniram a Fred Maciel, do Herva Doce, e Marcelo Faria, do Yahoo, no projeto instrumental Nova Era, que produziu faixas para trilhas de novelas.

Paulo Henrique Duncan e Iuri Cunha também desenvolveram trabalhos como autores de trilhas instrumentais para a TV Globo, enquanto Paulo Henrique atuaria posteriormente, sob pseudônimo P.H. Castanheira, em trabalhos de áudio e masterização para o selo Discobertas. Sérgio Serra, por sua vez, seguiria como guitarrista e posteriormente integraria o Ultraje a Rigor.

Assim, embora Os Melhores tenham deixado apenas um álbum próprio, o disco de 1985 registra uma formação cujas conexões musicais se estenderiam pelos anos seguintes. A participação com os Abelhudos, a formação dos Aliados e os posteriores trabalhos em estúdio e trilhas mostram que as parcerias reunidas em torno de Os Melhores estavam apenas começando.

Para a remasterização deste álbum, utilizei a agulha Ortofon Concorde Club (elíptica) na captura das faixas diretamente do LP. Deixo meu agradecimento especial a Israel Castro, de Campina Grande/PB, pela ajuda na aquisição do disco. Após a equalização e a limpeza de estalos, recorri ao MVSep DeNoise para a remoção dos ruídos residuais. O trabalho está pronto para ser consumido no mais alto volume!

Faixas:
01. Suborno Emocional
02. Emoções Baratas
03. Garotinhas
04. Canção Pra Você Que Não Acreditou Em Mim
05. Dançando No Escuro
06. Porque
07. Nosso Amor É Uma Guerra
08. Como É Bom Te Amar (Live Is Life)
09. O Cobrador

Para baixar este álbum em FLAC, clique AQUI.

domingo, 20 de setembro de 2026

Anjos da Noite - Anjos da Noite (1989)


Anjos da Noite foi uma banda paulista de hard rock surgida no final dos anos 1980. Seu primeiro álbum, homônimo, foi gravado em 1989 e lançado pela BMG-Ariola. O disco marcou também uma etapa importante na trajetória do guitarrista Eduardo Ardanuy, que posteriormente integraria o Dr. Sin; o próprio músico registra o Anjos da Noite como seu primeiro contrato com uma gravadora multinacional. É também o primeiro trabalho do cantor Marco Sérgio - conhecido atualmente como Bavini -, que é filho do cantor Sérgio Reis.

A formação responsável pelo álbum reunia Marco Sergio no vocal e guitarra, Átila Ardanuy nas guitarras, violão e vocal, Eduardo Ardanuy nas guitarras e vocal, Paulo Madio no baixo e vocal e Gerson Abbamonte na bateria acústica e eletrônica. Com dois guitarristas na linha de frente e praticamente toda a formação contribuindo também nos vocais, o grupo construiu um repertório de hard rock cantado integralmente em português. A formação apresentada no encarte é também confirmada pela discografia oficial de Edu Ardanuy e pelo IMMuB.

O repertório reúne nove faixas, com forte presença dos irmãos Ardanuy nas composições. Átila assina “Liberdade” e “Vou Buscar a Luz” com Marco Sergio, “Eu Quero É Mais...” com Daniel Miori, “Sonhos Perdidos” com Sérgio Reis e Reinaldo Barriga, além de “Ano 2000”, em parceria com Marcus Ardanuy. Eduardo, por sua vez, divide “Anjos da Noite” com Daniel Miori, “Tudo Porque” com Marco Sergio, e “Como as Ondas” e “Mistérios” com Marcus Ardanuy. Entre as músicas do álbum, “Eu Quero É Mais...” e “Liberdade” tiveram boa execução nas rádios de rock brasileiras, segundo o Dicionário Cravo Albin.

A produção do disco recebeu uma estrutura bastante robusta. Segundo o encarte original, as gravações foram realizadas em 24 canais nos Estúdios Veridiana, em São Paulo, enquanto a mixagem foi feita em 48 canais nos Estúdios Transamérica, durante o outono e o inverno de 1989. A direção artística ficou a cargo de Miguel Plopschi, com Reinaldo Barriga Brito na produção, produção executiva e engenharia de gravação. A mixagem foi realizada por Reinaldo Barriga Brito, Cotô e pelo próprio Anjos da Noite, enquanto o corte foi feito no Zuma Mastering Computer, por José Oswaldo, Paulo Torres e Orlando Leme.

O álbum contou ainda com participações especiais. Bruno Cardoso aparece nos teclados, e Caio Flávio e Reinaldo Barriga Brito, nos vocais. O próprio grupo assina todos os arranjos, e o encarte registra ainda o uso de guitarras e baixos Tagima.

O primeiro Anjos da Noite acabou sendo o registro de uma formação que não permaneceria reunida por muito tempo. Eduardo Ardanuy seguiu posteriormente por outros projetos até formar o Dr. Sin, enquanto o Anjos da Noite passaria por mudanças de integrantes. Somente em 1997 a banda lançaria seu segundo álbum, já com alterações na formação: Paulo Madio deu lugar a Marcus Ardanuy no baixo, enquanto Gerson Abbamonte foi substituído por Arnaldo Roggano na bateria.

Para o processo de remasterização do LP, foram utilizadas duas agulhas: a AT95EX da Audio-Technica e a Concorde Club da Ortofon. Mas fica meu máximo agradecimento ao Fernando - Web Radio Sweet Music (São Paulo/SP), por me presentear com este LP.

Faixas:
01. Liberdade
02. Eu Quero É Mais
03. Sonhos Perdidos
04. Mistérios
05. Ano 2000
06. Anjos da Noite
07. Tudo Por Que
08. Como as Ondas
09. Vou Buscar a Luz

Para baixar este álbum em FLAC, clique AQUI.

sábado, 19 de setembro de 2026

Nill - Fugi de Casa (1990)

“Fugi de Casa”, lançado em 1990 pela Epic/CBS, marcou a estreia solo de Nill (Lenilson dos Santos) após sua saída do Dominó, grupo do qual havia feito parte da formação original. Produzido por Roberto Marques, o álbum apresenta Nill em uma proposta própria, embora ainda bastante ligada ao pop romântico que dominava o mercado juvenil brasileiro no final dos anos 1980 e início dos 1990.

Com oito faixas, o disco chama atenção pela produção cuidadosa e pela quantidade de músicos envolvidos nas gravações. Roberto Marques também assinou a engenharia de mixagem, enquanto a equipe de gravação reuniu Roberto Marques, João Guarino, Carlinhos Freitas, Armando Telles e Wanderlei Loureiro. O trabalho foi gravado e mixado nos Estúdios Transamérica, em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Os arranjos foram divididos entre Bruno Cardoso, responsável também pelos teclados, e Ricardo Leão e Victor Chicri, estes responsáveis pelos arranjos e teclados de “O Primeiro”. Os arranjos vocais ficaram a cargo de Fernando Adour, que também produziu os vocais. A instrumentação revela uma produção de grande porte: Luiz Rabello na bateria e percussão; Riverto de Oliveira no sax tenor e Nailor Azevedo no sax; Tenisson Rufino no trompete e José de Lima no trombone; Pedro Ivo no contrabaixo; Elias de Almeida e Álvaro Gonçalves nas guitarras. O coro reuniu Eliane Fernandes, Maria do Carmo Diniz, Tânia Lenke, Fernando Adour, Ana Lucia Leuzinger, Cecília Sover, Christiane Corrêa, Simiana Resende e Marize Resende.

O repertório combina composições brasileiras com diversas versões de canções internacionais. A faixa-título, “Fugi de Casa”, foi composta por Torcuato Mariano e Claudio Rabello, enquanto “Quero Mais” é uma versão de Biafra para “Cry”, composição de Philip Cilia e Christopher Duffy, gravada originalmente pelo duo pop galês Waterfront.

Outra adaptação é “Quatro Fases de Uma Lua”, versão de Claudio Rabello para “Las Fases de una Luna”, de Luis Gómez Escolar e Miguel A. Gómez. A gravação original foi lançada pelo grupo mexicano Qun Qun, no álbum homônimo Las Fases de la Luna, de 1989. A faixa ganhou ainda um destaque instrumental na gravação de Nill, com Wander Taffo executando o solo de guitarra.

Tavinho Paes assina a versão de “Por Tudo Que Senti”, originalmente “Castigado por Pensar en Ti”, composição de Sergio Soler Gallego e Luis Gómez Escolar, gravada por Sergio Dalma em seu álbum de estreia, Esa Chica Es Mía, de 1989.

No lado B, “Ronco do Motor”, de Torcuato Mariano e Claudio Rabello, é seguida por “O Primeiro”, versão de Tavinho Paes para “El Primero”, composição de Juan Carlos Calderón e Luis Gómez Escolar. A canção havia sido gravada por Luis Miguel no álbum Busca una Mujer, lançado em 1988.

O repertório internacional prossegue com “Amor do Futuro”, versão também de Tavinho Paes para “I Don't Want to Live Without You”, de Mick Jones, gravada pelo Foreigner, apresentada no ano de 1991 como tema da novela mexicana Rosa Selvagem, no SBT.  Fechando o álbum está “Em Noite de Luar”, versão de Edgard Poças para a composição de Mark Boyce, Roberto Rossi e Garth Porter. Embora o selo brasileiro registre o título como “Kissing in the Dark”, a gravação original chama-se “Kiss in the Dark” e foi lançada pelo cantor australiano Mark Boyce no álbum All Over the World, de 1989.

A escolha do repertório internacional também se mostra bastante acertada para a voz de Nill. Ao ouvir o álbum com maior definição, chama a atenção a bela voz de Nill e as boas adaptações que as versões e os arranjos das músicas originais ganharam para a realidade de seu projeto solo. Além disso, Torcuato Mariano e Cláudio Rabello compreendem tão bem o universo das versões que entregam as faixas de abertura dos dois lados do álbum com uma sonoridade que remete às canções internacionais. Em “Fugi de Casa”, por exemplo, o arranjo de sintetizadores remete bastante a “Billie Jean”, de Michael Jackson. Já a faixa “O Ronco do Motor” traz uma sonoridade yacht rock e um tema que curiosamente coincide com o período de exibição do filme Dias de Trovão nos cinemas, cujo tema gira em torno de carros de corrida.

Fugi de Casa acaba funcionando como um retrato bastante característico da produção pop brasileira daquele momento: repertório romântico, versões de músicas estrangeiras – algumas bastante desconhecidas do grande público no Brasil, o que evita comparações com as originais – e uma produção cercada por músicos e profissionais experientes. A única coisa que observo é uma autonomia vocal um pouco limitada do cantor, que parece acanhado em demonstrar maior extensão de voz, deixando as notas mais altas a cargo do coro de estúdio. Coordenado por Fernando Adour, o coro entrega com precisão um belo trabalho de divisão vocal, mas acaba deixando Nill tão dependente desse time de cantores quanto da própria construção dos arranjos. É um álbum que não parece pensado para funcionar facilmente ao vivo, muito menos em apresentações de programas de televisão, porque várias músicas dependem desse time complementar para reproduzir o resultado do estúdio. Nill não chega a preencher as frases do coro com extensões vocais mais expressivas, permanecendo na região mais confortável de sua voz.

Ao mesmo tempo, é nítido que o álbum representou para Nill uma mudança importante de trajetória: pela primeira vez, um disco seu, com material fotográfico que realça seu protagonismo como cantor solo, iniciando uma carreira distante da identidade coletiva que o havia tornado conhecido nacionalmente com o Dominó.

Este seria seu último trabalho pop antes da decisão de se tornar cantor gospel e de seu chamado pastoral.

Bem, este álbum nunca ganhou edição em CD e, desde 1990, encontra-se indisponível em versão digital, inclusive no streaming. Portanto, ofereço uma remasterização a partir do LP, com captura realizada com agulha Ortofon Concorde Club e tratamento final com MVSep DeNoise, para remoção do ruído residual. Como complemento, apresento a capa e a contracapa em versões coloridas por IA, com uso do ChatGPT.

Faixas:
01. Fugi de Casa
02. Quero Mais (Cry)
03. Quatro Fases de Uma Lua (Las Fases de La Luna)
04. Por Tudo Que Senti (Castigado por Pensar en Ti)
05. Ronco do Motor
06. O Primeiro (El Primero)
07. Amor do Futuro (I Don't Want to Live Without You)
08. Em Noite de Luar (Kiss In The Dark)

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Donizeti - Donizeti (1992)

Donizeti apresenta neste álbum um repertório de doze faixas, reunindo principalmente canções românticas e composições assinadas por autores bastante presentes no universo sertanejo. A abertura fica por conta de “Me Perdi”, parceria de Fátima Leão e Elias Muniz. Este último também assina “Mude Esse Jogo”, com José Raimundo, e divide com o próprio Donizeti a autoria de “Sou Feliz”.

O repertório segue com “Me Ensina”, de Tivas e Rocky, e “Leva Minha Timidez”, parceria de Zezé di Camargo e José Ricardo Corrêa. Encerrando o lado A está “Não Sei Falar de Beatles Nem Rolling Stones”, de Carlos Randall e Carrerito

No lado B, Maria da Paz aparece em duas faixas: “O Que Fazer de Mim”, composta com Jocelyne, e “Ser Feliz de Todo Coração”. “Vê Se Acredita” é assinada por Mário Maranhão e Marco Camargo, enquanto Donizeti volta a aparecer como compositor em “Você Entrou em Minha Vida”, parceria com Aída. Completam o disco “Perco a Cabeça”, de Monalisa e Geraldo Nunes, e “Enquanto Isso Vou Vivendo”, de Vilson Roberto.

No álbum de 1991, Donizeti gravou duas versões de canções compostas pelo espanhol José Luis Perales: “Ai Amor” (“Ay Amor”) e “Não Será Tão Fácil” (“No Resulta Fácil”). Sua composição com Elias Muniz parece ter absorvido o DNA das canções emblemáticas de Perales. De tão perfeita, parece uma canção internacional.

Quanto a “Não Sei Falar de Beatles Nem Rolling Stones”, apesar do título curioso, a faixa vai muito além da referência às duas bandas britânicas. A letra estabelece um contraste entre esse universo internacional e as raízes do homem do interior, recorrendo a imagens do cerrado, do carro de boi, da viola e às lembranças da família. É uma composição de forte identidade regional, com uma construção que remete às canções apresentadas em festivais de música regional, enriquecendo muito o repertório do álbum.

Outro destaque é “Enquanto Isso Vou Vivendo”, composição de Wilson Roberto, da dupla Wilson & Soraya. Com uma letra particularmente sensível sobre distância, saudade e ausência, a canção ganha ainda mais força com um belo arranjo que combina violas, cordas e piano, encerrando o álbum em um tom melancólico e contemplativo.

Lançado pela Chantecler, o álbum teve Mário Campanha na produção executiva e Paulo Rocco na gerência artística sertaneja. A engenharia de áudio ficou a cargo de Élcio Alvares Filho, que também trabalhou na gravação e mixagem ao lado de Carlos Villaça. Marcelo C. Machado e Marcel H. Jardim atuaram como assistentes de estúdio, enquanto Milton Araújo e Paulo Mendes ficaram responsáveis pela supervisão de corte. A parte visual contou com fotografias de Aki Morechita e arte de Oscar Paolillo.

Para esta nova remasterização, estou realizando uma captura diretamente do LP com a Ortofon Concorde Club, utilizando sua agulha de perfil elíptico. A escolha permite uma leitura mais precisa dos sulcos e será o ponto de partida para o trabalho de restauração e tratamento do áudio, buscando recuperar o material a partir da própria edição em vinil.

Faixas:
01. Me Perdi
02. Mude Esse Jogo
03. Sou Feliz
04. Me Ensina
05. Leva Minha Timidez
06. Não Sei Falar de Beatles Nem Rolling Stones 
07. O Que Fazer de Mim
08. Vê Se Acredita
09. Ser Feliz de Todo Coração
10. Você Entrou em Minha Vida
11. Perco a Cabeça
12. Enquanto Isso Vou Vivendo

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quarta-feira, 16 de setembro de 2026

João Fígar - João Fígar (1988)

João Fígar, nome artístico de João Figueiredo Júnior, é cantor, músico e compositor paulista radicado em Mato Grosso do Sul, onde posteriormente se tornaria reconhecido por seu trabalho ligado à música regional. Este álbum, porém, registra uma fase bastante diferente de sua trajetória, quando sua carreira estava direcionada ao pop e ao pop rock.

Essa aposta chegou a render a Fígar uma indicação ao Prêmio Sharp de 1988 como revelação pop rock, concorrendo com Ed Motta e Fábio Fonseca. O investimento da 3M nessa fase pode ser percebido pela própria dimensão da produção do álbum, que reuniu alguns dos profissionais mais requisitados da música brasileira naquele período.

Produzido por Chico Mourão, o disco teve seus arranjos distribuídos principalmente entre Bozzo Barretti, Lincoln Olivetti, Robson Jorge e Jorjão Barreto. Bozzo responde por “De Surpresa”, “Só Você (Only You)”, “Jogo de Pernas” e “Maçãs de Vitrine”; Lincoln Olivetti assina “Essa Chama” e “Poção Mágica”; Robson Jorge, “Circuito Fechado” e “Tudo de Uma Vez”; enquanto Jorjão Barreto aparece à frente de “Quebramos Nosso Gelo” e “Sinal pra Você”.

O repertório também reúne compositores de diferentes vertentes. “De Surpresa”, de Luiz Guedes, Thomas Roth e Isolda, conta com participação especial do próprio Luiz Guedes. “Maçãs de Vitrine” é de Dalto e Claudio Rabello; “Circuito Fechado”, de Alfredo Karam e Paulo Simões; “Sinal pra Você”, de Hilton Raw e Arnaldo Black; e “Poção Mágica”, de Luiz Guedes, Thomas Roth e Costa Netto. João Fígar aparece também como compositor em “Jogo de Pernas”, ao lado de Bozzo Barretti e Davi Régis, e em “Tudo de Uma Vez”, com Davi Régis e Alfredo Karam. O disco traz ainda “Só Você”, versão de Júlio Nagib para “Only You”, de Buck Ram e Ande Rand.

A ficha de músicos é igualmente expressiva. Léo Gandelman toca sax em “Circuito Fechado”, que ainda reúne Carlos Bala na bateria e Laudir de Oliveira na percussão. Laudir também participa de “Tudo de Uma Vez” e “Quebramos Nosso Gelo”. Paulinho Soares aparece nas guitarras e violões, Fernando Alves e Paulo Cesar se alternam no baixo, enquanto o próprio Fígar participa de coros e toca timbales em “Só Você”.

Outro aspecto que chama atenção é o aparato eletrônico empregado na produção. A própria contracapa faz questão de relacionar os equipamentos utilizados por Lincoln Olivetti, Bozzo Barretti, Jorjão Barreto, Robson Jorge e Mário Lúcio. Entre eles aparecem Emulator II, Mirage, Roland S-50, Yamaha DX7, Akai S-900, Memory Moog, Oberheim, Linn Drum e SP-12, além de diversos módulos, sintetizadores e sequenciadores. É praticamente um inventário da tecnologia utilizada na produção do pop brasileiro naquele momento.

O trabalho passou por quatro estúdios: Floresta, Nas Nuvens e Transamérica, no Rio de Janeiro, e Mosh, em São Paulo. Entre os técnicos aparecem o próprio Lincoln Olivetti, Vitor Farias, Laci Moraes e Luís Paulo. A direção de mixagem ficou a cargo de Chico Mourão e Bozzo Barretti, com mixagens realizadas no Nas Nuvens e no Mosh.

Curiosamente, depois dessa produção fortemente direcionada ao pop, João Fígar tomou um caminho bastante diferente. Após a experiência com a 3M, aproximou-se definitivamente da música regional de Mato Grosso do Sul, mudança que ganharia projeção nacional na parceria com Guilherme Rondon. Em 1991, o disco Rondon & Fígar conquistou o Prêmio Sharp, apenas alguns anos depois daquela indicação de Fígar como revelação pop rock.

O álbum da 3M acaba, assim, documentando uma fase muito específica de sua trajetória: antes de se estabelecer na música regional, João Fígar esteve inserido numa produção pop de grande porte, cercado por músicos, arranjadores, estúdios e equipamentos que representam muito bem a estrutura da indústria fonográfica brasileira do final dos anos 1980.

Para a remasterização, recorri ao LP integral, utilizando a agulha Ortofon Concorde Club. Após a limpeza de estalos e a equalização das faixas, utilizei o MVSep DeNoise para a remoção de ruídos residuais.

Faixas:
01. De Surpresa (part. esp. Luiz Guedes)
02. Essa Chama
03. Só Você (Only You)
04. Jogo de Pernas
05. Maçãs de Vitrine
06. Circuito Fechado
07. Tudo de Uma Vez
08. Quebramos Nosso Gelo
09. Sinal pra Você
10. Poção Mágica

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Remo Usai - As Aventuras da Turma da Mônica (1982)

Lançado em 1982 pelo selo Poly Junior, subselo infantil da PolyGram, o LP As Aventuras da Turma da Mônica – As Músicas do Filme registra a trilha sonora do primeiro longa-metragem animado da Maurício de Sousa Produções, distribuído pela Embrafilme e produzido pela Black & White & Color. O filme, dirigido pelo próprio Maurício de Sousa, estreou naquele mesmo ano e reuniu quatro histórias — Um Plano Infalível, Um Amor de Ratinho, A Ermitã e O Império Empacota — interligadas pela presença do criador em live-action.

A trilha sonora reflete o cuidado estético do estúdio na transposição dos quadrinhos para o cinema, com arranjos e regência do maestro Remo Usai (1928–2022), figura central da música para o audiovisual brasileiro. Reconhecido como um dos pioneiros das trilhas de cinema no país, Usai imprime aqui uma sofisticação harmônica que o consagrou nas obras para longas como Assalto ao Trem Pagador (1962), Tocaia no Asfalto (1962) e Maria Bonita, Rainha do Cangaço (1968), mas trazida com leveza e o senso de aventura ao imaginário infantil, tão característicos do universo da Turma da Mônica.

O lado A do disco traz composições de Gaó Gurgel, Maurício de Souza e Wilma Camargo, apresentando temas dedicados a cada personagem — Mônica, Cebolinha, Magali, Bidu e Cascão — com melodias que remetem diretamente à primeira produção musical de 1971, A Bandinha da Turma da Mônica.

O lado B, de autoria de Eduardo Waisman, Remo Usai, Yara Maura, Márcio Roberto Araújo de Souza e Maurício de Souza, aprofunda o caráter cinematográfico da obra, com faixas instrumentais como Rock da “Rata Lee” e O Império Empacota, e a delicada canção Vou Subindo, que sintetiza o lirismo presente no longa.

As vozes originais do filme — Maria Amélia Costa Manso Basile (Mônica), Ivete Jayme (Cebolinha), Isaura Gomes (Cascão), Silvia Cordeiro Marinho (Magali) e Orlando Viggiani Filho (Franjinha) — possivelmente também participam das interpretações vocais do LP, mantendo a continuidade entre a dublagem e a trilha sonora.

Há uma música instrumental adicional em Um Amor de Ratinho, que remete a Lança Perfume da Rita Lee, que permaneceu restrita ao filme, não sendo lançada neste disco. Inclusive, na personagem desta história, Mônica é batizada de Rata Lee.

Mais do que um simples disco infantil, As Aventuras da Turma da Mônica – As Músicas do Filme é um documento sonoro de uma era em que o cinema de animação brasileiro buscava sua identidade estética e musical. A orquestração de Remo Usai, aliada ao carisma dos personagens criados por Maurício de Sousa, resulta numa obra que une memória, técnica e imaginação — um vinil que merece ser redescoberto.

Eu publiquei este álbum em 07/10/2025, às vésperas da Semana da Criança. No mês de setembro, que antecede o das crianças, estou republicando a remasterização com uma camada de limpeza de MVSep DeNoise.

Faixas: 
01. As Aventuras da Turma da Mônica - Abertura (Instrumental)
02. Mônica
03. Cebolinha
04. Magali
05. Bidú
06. Cascão
07. As Aventuras da Turma da Mônica (Instrumental)
08. Rock da ''Rata Lee'' (Instrumental)
09. Um Amor de Ratinho (Instrumental)
10. Vou Subindo
11. O Império Empacota (Instrumental)

Para baixar a trilha sonora em FLAC, clique AQUI.

Nós - Nós (1989)

O Grupo Nós surgiu em 1978, em Ribeirão Preto (SP). A primeira formação, ainda como quarteto, adotava o nome Nós 4 e tinha ligação direta com o Grupo 17, conjunto bastante conhecido nas décadas de 1960 e 1970. Dos quatro integrantes iniciais, três haviam feito parte do Grupo 17.

O primeiro registro fonográfico veio em 1980, com o álbum “Rasante”, trabalho que ajudou a projetar o grupo nacionalmente e teve pelo menos três músicas com boa execução nas rádios brasileiras.

Em 1983, o grupo lançou seu segundo álbum, “Onde Está Meu Rock”. A partir desse período, o Nós aproximou-se definitivamente do rock nacional, chegando a realizar viagens ao exterior em busca de novos equipamentos.

Em 1989, chegou o álbum “NÓS”, lançado pelo selo Brasil Tapes e distribuído nacionalmente pela PolyGram. O disco teve boa repercussão nas rádios, principalmente com “A Emoção do Seu Corpo”, versão de “Emotion in Motion”, de Ric Ocasek; “Nosso Amor”, versão de “Hands to Heaven”, do grupo Breathe; “Coisas do Coração”; e uma releitura de “Eu Amo Você”, clássico gravado por Tim Maia.

Nesse período, o grupo também marcou presença em diversos programas de televisão, entre eles Bozo, Dó Ré Mi Fá Sol Lá Si, com Simony e Mariane, Raul Gil, Bolinha, Paulo Barbosa, Clip Trip, Milk Shake e Programa Livre.

Em 1990, o Grupo Nós lançou “Estranho Lugar”, pelo selo Eldorado. Entre as músicas que ganharam espaço nas rádios FM estavam “Fui Eu Quem Quis Assim” e “Outra Chance”, versão de “Second Chance”, da banda 38 Special.

No início dos anos 1990, o grupo desenvolveu ainda o projeto “Acoustic Rock”, baseado em apresentações realizadas exclusivamente com instrumentos acústicos, em um período anterior à popularização desse formato no mercado fonográfico brasileiro.

Após um período sem novos lançamentos, o Nós retornou em 1998 com o CD “Tempo ao Tempo”, gravado em estúdio próprio. O trabalho reuniu novamente integrantes ligados à formação do grupo:

Henrique Bartsch – teclados, guitarra, violão e vocais
Ricardo Fabio – vocais
Johnny Oliveira – contrabaixo e teclados
Fernando “Ferpa” Schimidt – percussão eletrônica
André Barbieri – bateria

Além de músico, Henrique Bartsch dedicou-se à pesquisa musical. Em 2006, publicou a biografia “Rita Lee Mora ao Lado”. Em 2000, adquiriu uma guitarra que havia pertencido a Sérgio Dias, dos Mutantes.

Johnny Oliveira faleceu em julho de 2010, vítima de câncer no fígado. Henrique Bartsch morreu em dezembro de 2011, em decorrência de um infarto fulminante.

Atualmente, o trabalho tem continuidade com Caetano Bartsch, filho de Henrique, nos vocais e guitarra, ao lado de Dan Gutierrez, nos vocais e bateria, e Ezequiel Dobrovsky, nos teclados, apresentando-se sob o nome Nós 3.

O álbum de 1989

Produzido por Jairo Pires, “NÓS” foi gravado no Estúdio Transamérica, no Rio de Janeiro, lançado pela Brasil Tapes e distribuído pela PolyGram.

Jairo Pires já possuía uma extensa trajetória na indústria fonográfica brasileira. Na década de 1970, esteve ligado aos primeiros trabalhos de artistas como Zé Ramalho, Fagner, Elba Ramalho, Angela Ro Ro e Eduardo Dusek, além de ter trabalhado na PolyGram com nomes como Odair José e Tim Maia.

Na gravação, o grupo era formado por: 
Henrique Bartsch – teclados, guitarra e vocais
Fernando “Ferpa” Schmidt – percussão eletrônica
João Oliveira – baixo e teclados
André Barbieri – bateria
– guitarras, violão e vocais
Ricardo Fábio – vocais.

Max Bartsch foi responsável pelas programações e MIDI, e Tinho teve participação especial no sax. A gravação e a mixagem ficaram a cargo de Gilmário, com assistência de Cidinho, Lindão e Jacaré.

Musicalmente, o álbum está bastante inserido na sonoridade do pop rock brasileiro do final dos anos 1980, aproximando-se de trabalhos de grupos como Placa Luminosa, Yahoo e Roupa Nova. Essa característica aparece também nas duas versões de sucessos internacionais presentes no repertório: “Nosso Amor”, adaptação de “Hands to Heaven”, do Breathe, e “A Emoção do Seu Corpo”, de “Emotion in Motion”, de Ric Ocasek.

Outro destaque é “Eu Amo Você”, conhecida na gravação de Tim Maia. Com o Grupo Nós, a música recebeu um tratamento mais voltado ao rock, bastante diferente da interpretação consagrada pelo cantor.

Remasterização

Em 2023 havia já realizado uma remasterização do álbum, em utilizei como fonte um LP em excelente estado de conservação e captura em agulha Ortofon Concorde Mix. Após a captura em 26 de janeiro de 2026 realizei um tratamento do áudio final, aplicando o MVSep DeNoise para a limpeza de ruídos residuais.

Embora o álbum esteja disponível atualmente nas plataformas digitais, esta remasterização parte diretamente do LP e recebeu um novo trabalho de restauração, apresentando um resultado que considero superior ao material atualmente disponibilizado oficialmente. Como bônus, estou trazendo para Setembro de 2026 uma versão alternativa da capa frontal, totalmente colorida e “desazulada”, feita com o uso do ChatGPT, comemorando já 37 anos desse excelente disco!

Faixas:
01. Nosso Amor (Hands to Heaven)
02. Coisas do Coração
03. Aventura e Paixão
04. Enquanto a Vida Passa
05. Eu Amo Você
06. A Emoção do Seu Corpo (Emotion in Motion)
07. Ciúme Sem Razão
08. Você Mudou a Minha Vida

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