domingo, 1 de novembro de 2026

Kenny Rogers - Love Is Strange (1990)

"Love Is Strange" é o 22º álbum de estúdio de Kenny Rogers, além de ser o 2º lançado pela gravadora Reprise Records. O álbum foi lançado em LP, CD e K7 e reúne dez faixas inéditas no segmento country, com, algumas incursões no Album Oriented-Rock, algo característico nas gravações de Rogers. 

A música que dá título ao álbum é um dueto com Dolly Parton, com quem Kenny Rogers mantinha uma parceria musical que ia além das participações nos discos individuais de cada um. Em 1984, os dois gravaram juntos Once Upon A Christmas, álbum natalino lançado pela RCA.

Outra faixa que chama a atenção, especialmente para o público brasileiro, é “Crazy in Love”, escolhida como tema de Isabela, personagem de Drica Moraes em Lua Cheia de Amor.

Nos créditos técnicos, Eric Prestidge aparece como produtor, engenheiro de gravação, responsável pela mixagem e pela masterização, ao lado de Glenn Meadows. A edição digital multipista é creditada a Keith Odle. Na engenharia, participaram Craig Hansen, Daniel Johnston, John David Parker e John Kunz, como assistentes adicionais, e James “Val” Valentini e Robert Tassi, como assistentes. A direção de arte é de Laura LiPuma, o design de Heather Horne e a fotografia de Bernard Boudreau.

Faixas:
01. Love Is Strange
02. Soldier of Love
03. Listen to the Rain
04. If I Were a Painting
05. Crazy in Love
06. Lay My Body Down
07. So Little Love in the World
08. Walk Away
09. In Our Old Age
10. What I Did for Love

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Golden Hits 3 (1996/1999)

 

Lançado originalmente em 1996, pela Globo Polydor, Golden Hits 3 curiosamente ganhou uma nova edição em 1999 pelo selo Mercury/PolyGram. Integrante da série Golden Hits, o CD reúne 12 faixas que passeiam pelo pop rock, soul, R&B e pelas baladas românticas, com um repertório que atravessa diferentes momentos da música internacional.

Entre os destaques estão “Up Where We Belong”, dueto de Joe Cocker e Jennifer Warnes, “Cherish”, do Kool & The Gang, e “Wind of Change”, dos Scorpions, canção que se tornou um dos grandes símbolos musicais da transformação política vivida na Europa no início dos anos 1990. A seleção também reserva espaço para faixas de atmosfera mais intimista, como “Never Tear Us Apart”, do INXS, “I'm Not in Love”, do 10cc, e “Woman in Chains”, do Tears for Fears, com a participação vocal de Oleta Adams.

O repertório segue por diferentes vertentes do pop e do soul com “Something About You”, do Level 42, “Three Times a Lady”, dos Commodores, e “Special Lady”, do trio Ray, Goodman & Brown. Já “Tom's Diner”, na versão do DNA com Suzanne Vega, traz a batida dançante que marcou o início dos anos 1990. Na parte final, a coletânea reúne dois nomes ligados à família Gibb: Andy Gibb, com “Our Love (Don't Throw It All Away)”, e Robin Gibb, com “Juliet”.

Esta edição de 1999 foi fabricada sob encomenda da PolyGram do Brasil, com produção industrial da Microservice Tecnologia Digital da Amazônia. A seleção de repertório ficou a cargo de Sergio Motta, a masterização foi realizada por Sergio Seabra, o projeto gráfico é de Káthia Junqueira e a coordenação gráfica, de Marciso (Pena) Carvalho. A fotografia da capa assinada por Byran Newman, da Agência Stock Fotos, completa os créditos da edição.

Golden Hits 3 registra canções emblémáticas das décadas de 70, 80 e 90 que permanecem até hoje na memória de diferentes gerações, em uma seleção de repertório que transita entre o romantismo, o pop e o soul, que merece ser degustada do início ao fim, como se fosse uma hora de programação de rádios como Alpha, JB FM ou Antena 1.

Faixas:
01. Up Where We Belong - Joe Cocker & Jennifer Warnes
02. Cherish - Kool & The Gang
03. Wind Of Change - Scorpions
04. Never Tear Us Apart - INXS
05. I'm Not In Love - 10 CC
06. Something About You - Level 42
07. Three Times A Lady - Commodores
08. Woman In Chains - Tears For Fears
09. Tom's Diner - DNA featuring Suzanne Vega
10. Special Lady - Ray, Goodman & Brown
11. Our Love (Don't Throw It All Away) - Andy Gibb
12. Juliet - Robin Gibb

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Surf Sessions (2005)

Lançado em 2005 pela Som Livre, Surf Sessions foi concebido como trilha sonora do programa Zona de Impacto, exibido pelo SporTV e dedicado aos esportes de ação. A proposta combina com o universo do surfe: guitarras, rock alternativo, reggae e canções de pegada mais acústica se encontram em uma seleção que privilegia a atmosfera descontraída, sem deixar de lado momentos mais intensos.

O repertório reúne nomes como Jack Johnson, com “Times Like These”, Donavon Frankenreiter, em “Free”, e Ben Harper, com “Diamonds on the Inside” — artistas que dialogam diretamente com a sonoridade associada ao surfe e ao estilo de vida praiano. Mas a coletânea não fica restrita a essa vertente: 3 Doors Down, Living Colour, Joe Satriani e Sublime ampliam o leque, enquanto “Fields of Gold”, na interpretação de Maxi Priest, acrescenta um toque de reggae ao conjunto.

Aqui temos algumas repescagens: “Times Like These”, de Jack Johnson, e “Unbelievable”, do Stereo Bros., entraram como temas da novela Da Cor do Pecado, enquanto “Free”, de Donavon Frankenreiter, integrou a trilha de Senhora do Destino — ambas em 2004. Já “Fields of Gold”, na interpretação de Maxi Priest, foi tema de Como Uma Onda, em 2005, e “Here Without You”, do 3 Doors Down, embalou a temporada 2004 de Malhação. Para quem, como eu, abandonou a coleção de trilhas sonoras de novelas, esta coletânea é um prato cheio!

Há também espaço para uma referência que atravessa gerações: “Misirlou”, de Dick Dale and His Del-Tones, com sua guitarra marcante e energia instrumental, tornou-se especialmente conhecida por sua associação ao filme Pulp Fiction, de 1994. A faixa ajuda a reforçar a ligação entre o disco e a cultura do surfe, já que Dick Dale é um dos nomes fundamentais do chamado surf rock. 

Cabe destacar também “Tiki Hut”, do The Surfers, uma produção instrumental de Fernando da Silva Pereira, exclusiva desta coletânea. Já “Unbelievable”, de Stereo Bros., é na verdade outro projeto de Fábio Almeida e Ian Duarte, acrescentando mais um detalhe interessante para quem acompanha de perto as produções nacionais presentes nas coletâneas da época.

A coletânea teve seleção de repertório de André Werneck, Gustavo Ramos e Guilherme Figueiredo, masterização de Sergio Seabra, projeto gráfico de capa assinado por André Rola, direção de arte de Marciso (Pena) Carvalho e fotografia do Grupo Keystone.

Mais do que reunir músicas de estilos variados, Surf Sessions funciona como um retrato musical da proposta do Zona de Impacto: uma trilha que passeia entre a leveza das canções acústicas e a energia das guitarras, mantendo o espírito dos esportes de ação como fio condutor.

Faixas:
01. Times Like These - Jack Johnson
02. Free - Donavon Frankenreiter
03. Diamonds on the Inside - Ben Harper
04. Here Without You - 3 Doors Down
05. Honor and Harmony - G. Love & Special Sauce
06. What I Got - Sublime
07. Even After All - Finley Quaye
08. Until We Say Goodbye - Joe Satriani
09. Broken Hearts - Living Colour
10. You and I Both - Jason Mraz
11. Fields of Gold - Maxi Priest
12. Misirlou - Dick Dale and His Del-Tones
13. Tiki Hut - The Surfers
14. Unbelievable - Stereo Bros.

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Sentimental Ladies - Pop Shop Memory (1993)

Lançado pela Columbia / Sony Music Marketing Especial, Sentimental Ladies integra a série Memory Pop Shop, dedicada a coletâneas de repertório pop. Como o próprio título sugere, o álbum reúne uma seleção de canções interpretadas por mulheres, passeando por diferentes estilos e sonoridades, mas mantendo como fio condutor o romantismo e a atmosfera sentimental.

A coletânea teve circulação em diferentes formatos na Europa: CD e MiniDisc, além de uma edição em K7 lançada na Alemanha. No Brasil, chegou em CD pela série Memory Pop Shop, com 16 faixas. A masterização ficou a cargo da Sony DADC Austria, informação que também aparece entre os detalhes técnicos do lançamento.

O repertório combina sucessos bastante conhecidos, como “Eternal Flame”, das Bangles, “True Colors”, de Cyndi Lauper, “Where Does My Heart Beat Now”, de Céline Dion, e “Straight from the Heart”, de Bonnie Tyler, com escolhas menos previsíveis. É o caso de “My Side of the Bed”, de Susanna Hoffs, “Someone to Lay Down Beside Me”, de Karla Bonoff, e “Don't Let Go”, de Ellen Foley. Há ainda espaço para a cantora francesa Patricia Kaas, com “Les Hommes Qui Passent”, e para a italiana Spagna, que encerra o disco com “Only Words”.

Faixas:
01. Eternal Flame - Bangles
02. Cuts Both Ways - Gloria Estefan
03. My Side of the Bed - Susanna Hoffs
04. Toy Soldiers - Martika
05. True Colors - Cyndi Lauper
06. Les Hommes Qui Passent - Patricia Kaas
07. Where Does My Heart Beat Now - Celine Dion
08. Anyone But Me - Carly Simon
09. Why Can't We Live Together - Sade
10. Wishing You Were Here - Alison Moyet
11. Straight from the Heart - Bonnie Tyler
12. Someone to Lay Down Beside Me - Karla Bonoff
13. Tumbling Down - Helen Schneider
14. The Long and Winding Road - Barbara Dickson
15. Don't Let Go - Ellen Foley
16. Only Words - Spagna

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Band FM 18 Anos (1994)

A Band FM surgiu oficialmente em 15 de julho de 1975, em São Paulo, inicialmente com o nome de Bandeirantes FM. Nos primeiros meses de funcionamento, a emissora operava na frequência 96,1 MHz retransmitindo a programação da Rádio Bandeirantes AM.

Em 1976, a rádio conquistou sua independência de programação e passou a desenvolver uma identidade própria, abrindo espaço para estilos como rock, soul, jazz e MPB. Essa fase marcou o início de uma trajetória musical independente, antes das mudanças que transformariam o perfil da emissora nas décadas seguintes.

No final dos anos 1980, a emissora adotou oficialmente o nome Band FM e iniciou uma transição gradual para o formato popular que a tornaria conhecida, com destaque para gêneros como sertanejo, pagode e pop.

Outro marco importante ocorreu em 25 de setembro de 1990, quando a rádio iniciou suas transmissões via satélite, dando origem à Rede Band FM e ampliando seu alcance para diferentes regiões do Brasil. A expansão consolidou a marca nacionalmente, transformando uma emissora paulistana em uma rede de rádio.

Ao longo das décadas, a Band FM acompanhou as mudanças no gosto musical do público brasileiro, adaptando sua programação e ampliando sua presença no país. Em 15 de julho de 2025, completou 50 anos de história, celebrando uma trajetória que começou com a retransmissão da Rádio Bandeirantes AM, passou pela conquista de uma programação própria em 1976 e chegou à formação de uma das redes populares de rádio do Brasil.

Era comum a emissora encomendar CDs promocionais para distribuir entre seus ouvintes, reunindo músicas que faziam parte de sua programação. Nesse contexto, faz sentido o lançamento, em 1994, de Band FM 18 Anos, um CD comemorativo que toma como referência o início da programação independente da rádio, em 1976. O disco também trazia o slogan: “Band FM 96,1 – A bam-bam do seu rádio”.

Fabricado e distribuído pela Sony Music Entertainment do Brasil, o CD teve criação de Luiz Augusto Biasi e seleção de repertório de Vizu e Betinho. A parte técnica ficou a cargo de Carlinhos, DJ Beto Nini e Arnaldo Azeitona, com supervisão geral de João Carlos Ribeiro.

A princípio, quando tive acesso a esse CD e me deparei com a indicação “18 músicas exclusivas”, imaginei tratar-se de gravações ao vivo ou versões produzidas especialmente nos estúdios da Band FM. Mas a peculiaridade do material era outra: em determinado trecho melódico de cada música, o próprio cantor ou vocalista da banda inseria o nome da Band FM, cantado de maneira harmoniosa e integrado à melodia original. Era uma espécie de marca-d'água vocal da rádio, que conferia uma identidade própria às gravações. E são justamente essas versões personalizadas que estão reunidas no CD!

Outro momento curioso fica por conta de "Requebra"’, na faixa 17. Trata-se de uma paródia criada pela Turma da Band sobre a melodia do Olodum, em referência à Copa do Mundo de 1994 e à conquista do tetracampeonato pela Seleção Brasileira. Uma daquelas intervenções bem-humoradas que ajudam a dar ao CD um caráter ainda mais particular.

Faixas: 
01. A Viagem - Roupa Nova
02. Menina - Netinho
03. Eterno Amor - Sampa Crew
04. Música de Rua - Daniela Mercury
05. Muito Romântico - Maurício Mattar
06. Me Leva - Latino
07. Vem Cuidar de Mim - Zezé Di Camargo & Luciano
08. Desesperada - Marta Sanchez
09. Total - Netinho
10. Mesmo Assim - Sampa Crew
11. Os Corações Não São Iguais - Roupa Nova
12. 
O Meu Jeito de Ser - Só Pra Contrariar
13. 
Me Ensina - José Augusto
14. 
Caminhos de Sol - Yahoo
15. 
Perdões - Biafra
16. 
Eu Preciso Te Esquecer - Sampa Crew
17. Requebra (Paródia) - Olodum e Turma da Band
18. Meu Peru / Vinheta Band FM - Ronco

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sábado, 31 de outubro de 2026

Duetos - Química Perfeita (2002)

Lançada em 2002 pelo selo Globo Universal, Duetos – Química Perfeita reúne 14 gravações que têm nos encontros entre artistas seu principal atrativo. Mas há uma particularidade interessante nessa seleção: boa parte das músicas já havia sido registrada em outros álbuns, projetos especiais ou trilhas de novelas, o que faz da coletânea também uma oportunidade de reencontrar parcerias que surgiram em diferentes circunstâncias da música brasileira.

A abertura fica por conta de “Química Perfeita”, com Banda Eva e Netinho. A música, lançada originalmente em 1996 e incluída no álbum Beleza Rara, marcou uma fase de grande popularidade da Banda Eva que na época tinha vocal conduzido por Ivete Sangalo. Anos depois, ganhou espaço na televisão como tema romântico de Manolo (Tony Ramos) e Aurora (Cláudia Ohana) na novela As Filhas da Mãe, exibida em 2001. A faixa também acabou adquirindo um significado especial com a morte de Netinho, em 13 de outubro de 2026, aos 60 anos, em decorrência de complicações de um linfoma não Hodgkin do tipo B.

Duas gravações vêm do projeto Casa de Samba 3, lançado em 1999 pela Universal Music: “Verdade”, com Caetano Veloso e Gilmelândia, e “Juventude Transviada”, com Luiz Melodia e Cássia Eller. A série seguia a proposta de reunir artistas em encontros pouco convencionais, fórmula que também apareceu em Casa da Bossa e Casa de Forró. São registros ao vivo que chegaram a esta coletânea alguns anos depois, mas que tiveram outros reaproveitamentos pelo caminho.

Em “Verdade”, o encontro entre Caetano Veloso e Gilmelândia chama a atenção. Na época, Gilmelândia havia assumido os vocais da Banda Beijo, retomando o grupo em 1998, depois da saída de Netinho. Sua participação cantando samba foi uma surpresa para o público, acostumado a associá-la ao repertório de axé. A gravação também foi incluída no CD/DVD Multi Show Ao Vivo, lançamento que mistura conteúdo exclusivo do canal musical com imagens de outros projetos cedidos pela Universal Music. Essa combinação acabou gerando confusão sobre a origem de algumas apresentações e seus respectivos créditos. Portanto, sim: “Verdade” é do Casa de Samba 3.

Já “Juventude Transviada” voltou a circular em outras coletâneas após a morte de Cássia Eller, em dezembro de 2001. Primeiro, apareceu em Participação Especial de Cássia e, em 2008, foi incluída em Raridades, álbum lançado pela Som Livre. O título deste último, porém, não faz muito sentido para essa gravação: ela já havia sido reaproveitada em coletâneas da Universal Music e também estava presente em Duetos – Química Perfeita. Não era, portanto, exatamente uma raridade.

“Meu Erro”, com Zizi Possi e Os Paralamas do Sucesso, vem do Acústico MTV da banda, projeto de 1999 que contou com a participação de convidados especiais. A presença de Zizi acrescenta uma combinação vocal diferente à conhecida canção dos Paralamas. Outra gravação extraída de um especial acústico é “Mania de Você”, de Rita Lee com Milton Nascimento. Registrada em 1998 no Acústico MTV da cantora, a interpretação ganha um formato mais intimista, em piano e voz, com um clima particularmente sensual e misterioso.

Em “Feira Moderna”, o encontro é entre Roupa Nova e Zélia Duncan, em gravação originalmente lançada no álbum Ouro de Minas, de 2001. O trabalho reuniu o grupo a diversos convidados, entre eles Zélia, em um repertório que trouxe como máxima as parcerias e revisitação de canções do Clube da Esquina.

A televisão também está representada por “Era Uma Vez...”, com Sandy & Junior e Toquinho. A gravação foi realizada para a abertura da novela de mesmo nome, aproximando o universo pop da dupla ao trabalho de Toquinho, um dos nomes mais representativos da música brasileira dedicada ao público infantil. A canção também ganhou espaço em outros lançamentos: foi incluída no final do álbum Sonho Azul, de Sandy & Junior, lançado em 1998, e na coletânea Nascemos Pra Cantar, do mesmo ano. Mais tarde, ainda deu título ao álbum Era Uma Vez – Ao Vivo.

Outro registro curioso é “Preciso Dizer que Te Amo”, na interpretação de Cazuza e Bebel Gilberto. A gravação apareceu pela primeira vez na coletânea internacional Red Hot + Rio, lançada pela Verve Records em 1996. A história dessa versão tem um detalhe especial: trata-se de um registro intimista, originado de um ensaio gravado em fita cassete, cujos ruídos foram preservados. A música também ganhou interpretações de outros artistas, como Marina Lima e Leo Jaime, mas essa aproximação entre Cazuza e Bebel tem justamente na simplicidade da gravação seu diferencial.

A faixa “Falando de Amor”, com Quarteto Em Cy e MPB4, nasceu do encontro dos dois grupos no álbum Bate Boca, que reuniu as formações em uma espécie de supergrupo vocal. A música ganhou ainda mais visibilidade ao se tornar tema de abertura da novela Por Amor, ampliando sua circulação para além do público que acompanhava os trabalhos dos dois conjuntos.

Entre os encontros mais emblemáticos está “These Are the Songs (Esta É a Canção)”, com Elis Regina e Tim Maia. A gravação pertence ao álbum ...Em Pleno Verão, lançado por Elis em 1970, período anterior à consagração definitiva dos dois artistas como algumas das maiores referências da música brasileira. É um registro que aproxima duas personalidades de enorme força interpretativa.

O projeto Casa de Forró, lançado em 1998 pela PolyGram, também marca presença com “Espere Por Mim, Morena”, na interpretação de Elba Ramalho e Chico César. Seguindo a proposta de encontros entre artistas, o álbum reuniu diferentes nomes da música brasileira em apresentações ao vivo, entre elas essa parceria.

Já “Bilhete”, com Ivan Lins e Nana Caymmi, foi originalmente incluída no álbum Juntos, que reuniu composições de Ivan Lins e Vitor Martins em novos arranjos e com participações especiais. Nana Caymmi foi uma das convidadas desse projeto. Na sequência, “Gostoso Veneno” traz Alcione e Djavan, em gravação originalmente lançada no álbum Celebração, de 1998. Encomendado pela PolyGram, o trabalho revisitou sucessos da carreira da cantora, contando com convidados especiais, entre eles Djavan.

Para encerrar, a coletânea reserva “Águas de Março”, com Elis Regina e Tom Jobim. Embora Elis já tivesse gravado a composição no álbum Elis, de 1972, foi no histórico projeto Elis & Tom, lançado em 1974, que a canção ganhou uma interpretação compartilhada que se tornou referência. A gravação desse encontro é frequentemente lembrada como uma das versões definitivas da composição de Tom Jobim.

Na parte técnica, o CD foi fabricado pela Microservice Tecnologia Digital da Amazônia Ltda., sob licença da SIGLA – Sistema Globo de Gravações Audiovisuais Ltda. Os fonogramas foram cedidos pela Universal Music, com masterização de Sérgio Seabra e projeto gráfico de Marciso (Pena) Carvalho.

Duetos – Química Perfeita acaba funcionando também como um pequeno roteiro por diferentes projetos musicais que marcaram os anos anteriores à sua publicação. Para quem acompanha a discografia desses artistas e gosta de descobrir a origem das gravações presentes nas coletâneas, há bastante coisa para apreciar além dos próprios duetos.

Faixas:
01. Química Perfeita - Banda Eva e Netinho
02. Verdade (ao vivo) - Caetano Veloso e Gilmelândia
03. Meu Erro (ao vivo) - Zizi Possi e Os Paralamas do Sucesso
04. Feira Moderna - Roupa Nova e Zélia Duncan
05. Juventude Transviada (ao vivo) - Luiz Melodia e Cássia Eller
06. Era Uma Vez... - Sandy & Junior e Toquinho
07. Preciso Dizer que Te Amo - Cazuza e Bebel Gilberto
08. Mania de Você (ao vivo) - Rita Lee e Milton Nascimento
09. Falando de Amor - Quarteto Em Cy e MPB4
10. These Are the Songs (Esta É a Canção) - Elis Regina / Tim Maia
11. Espere Por Mim, Morena (ao vivo) - Elba Ramalho e Chico César
12. Bilhete - Ivan Lins e Nana Caymmi
13. Gostoso Veneno - Alcione e Djavan
14. Águas de Março - Elis Regina e Tom Jobim

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sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Hot 90 2 (2002)

Lançado pela Som Livre em 2002, Hot 90 2 continua a saga dedicada a rebobinar os sucessos internacionais dos anos 1990. O disco tem seleção de repertório de André Werneck e masterização de Sergio Seabra. O projeto gráfico é assinado por Marciso (Pena) Carvalho. 

Com 16 faixas, o CD aposta numa seleção que passeia pelo pop jovem, pelas baladas de R&B, pelo reggae, pela música eletrônica e pelo chamado arena pop. É uma mistura que ajuda a relembrar diferentes momentos daquela década, com alguns hits que continuaram circulando muito além de seu lançamento original.

O destaque mais curioso fica por conta de “El Arbi”, do cantor franco-argelino Khaled. Lançada em 1992, a música ganhou projeção nacional a partir de 1999, quando passou a embalar as aparições da Feiticeira, personagem de Joana Prado, no programa O+, comandado por Otaviano Costa na TV Bandeirantes. A escolha foi feita pelo DJ Theo Werneck, que resgatou o single de Khaled para acompanhar as performances da personagem. O resultado foi daqueles que fazem uma música antiga ganhar vida nova: “El Arbi” permaneceu por cinco semanas consecutivas entre as mais tocadas, e a Som Livre chegou a investir numa versão de Sheila AMR, com participação de Izlene, incluída na coletânea Summertronic. A gravação original também entrou em Arabian Nights – Mil e Uma Noites, coletânea lançada pela Som Livre para aproveitar a febre da personagem, e ganhou espaço na novela Vila Madalena, como tema de Marinalva, personagem de Rosi Campos. Uma trajetória e tanto para uma gravação lançada sete anos antes de virar febre por aqui!

Outras músicas merecem destaque pelas versões remix que ajudaram a impulsionar sua circulação nas pistas. É o caso de “Missing”, do Everything But The Girl, especialmente na versão de Todd Terry, que marcou a cena dance de 1995 e 1996 com seu famoso spanish beat. “Space Cowboy”, do Jamiroquai, aparece no Classic Radio Remix assinado por David Morales, enquanto “(You Drive Me) Crazy”, de Britney Spears, vem na versão The Stop! Remix. São exemplos de como uma nova abordagem pode mudar o destino de uma música acabando por funcionar comercialmente melhor que uma versão original.

Outro momento que vale resgatar da cultura pop é “Freedom ’90”, de George Michael. Decidido a se afastar dos holofotes e a não aparecer no videoclipe, o cantor encontrou uma solução que entraria para a história da música pop: inspirado por um ensaio fotográfico da Vogue, recrutou algumas das maiores supermodelos da época para protagonizar o vídeo e dublar sua voz. Dirigido por David Fincher, o clipe em preto e branco reuniu Naomi Campbell, Cindy Crawford, Linda Evangelista, Christy Turlington e Tatjana Patitz. A produção ganhou dimensão própria, tornando-se um símbolo de libertação pessoal e artística e uma crítica à imagem que a indústria fonográfica construía em torno de seus artistas.

Eric Clapton também surpreendeu com “Change the World”, composição de Gordon Kennedy, Tommy Sims e Wayne Kirkpatrick. A gravação aproximou o blues e a guitarra de Clapton de uma produção com elementos de R&B assinada por Kenneth "Babyface" Edmonds, numa combinação que conquistou o público e serviu de tema para o filme Fenômeno, estrelado por John Travolta. No Brasil, a música permaneceu várias semanas entre as dez mais tocadas da Jovem Pan, consolidando sua presença nas rádios.

Os Backstreet Boys também têm uma história interessante de divulgação com “Quit Playing Games (With My Heart)”. Depois de conquistarem espaço internacional com “Backstreet’s Back”, em 1997, o grupo emplacou vários singles por aqui. A gravadora Virgin, por sua vez, encontrou uma maneira de continuar explorando o catálogo anterior do quinteto no mercado brasileiro: lançou em 1998 o álbum de estreia dos Backstreet Boys como se fosse o segundo disco da carreira do grupo. A estratégia ajudou a manter a máquina funcionando, e “Quit Playing Games (With My Heart)” tornou-se um grande sucesso no Brasil naquele ano.

Até aqui, temos uma coletânea que cumpre a proposta de revisitar músicas de diferentes momentos dos anos 1990. O problema aparece quando chegamos às duas últimas faixas do CD. Aí, a história muda de figura — e a chamada “encheção de linguiça” ganha um sentido bem menos inocente.

“Pause”, creditada a The Bombers, é um desses casos que deixam mais perguntas do que respostas. A investigação da faixa levou a uma mistura de samples de “AC/DC”, do projeto X-Press 2, com “It’s Time to Burn”, do projeto Storm, conforme uma identificação encontrada nos comentários do YouTube. Além da identificação questionável do fonograma, a coletânea atribui a composição a Natascha Hagen, cantora de eurodance, um crédito que não se sustenta diante das referências encontradas para a gravação. A faixa apareceu na trilha complementar de Um Anjo Caiu do Céu, precisamente no CD da boate LZ 129, e na coletânea Moonight 2001. Ou seja, estamos falando de uma gravação que circulava em 2001, não de uma produção dos anos 1990. Depois de reaparecer em Hot 90 2, ainda voltou a circular como tema de Malhação, em 2004. VAI VENDO!

A situação se complica ainda mais com “Feelin’ It”, creditada a Full Intention. A identificação feita no YouTube apontou para “XX Series”, do projeto Beat Boxx, composição do DJ Marcelo Cabral. O crédito usado em Hot 90 2 é particularmente problemático porque Full Intention não é um nome qualquer: trata-se também de uma conhecida dupla da cena house britânica, formada pelos produtores Michael Gray e Jon Pearn. A identificação da faixa permitiu desfazer a confusão entre o crédito impresso na coletânea e a gravação em questão. E há outro detalhe: “XX Series” também aparece na trilha da boate LZ 129, lançada em 2001. Mais uma faixa que não corresponde à década que dá nome à compilação!

No fim, Hot 90 2 tem um repertório capaz de despertar boas lembranças, mas as duas últimas faixas deixam um registro bem menos agradável. Não é apenas uma questão de incluir músicas de anos diferentes: quando títulos e créditos artísticos não correspondem às gravações identificadas, a própria documentação do disco fica comprometida. Para quem coleciona e pesquisa esses lançamentos, são justamente esses detalhes que fazem a diferença entre uma simples coletânea de sucessos e um documento que também merece ser investigado.

Faixas:
01. Un-Break My Heart - Toni Braxton
02. Can't Help Falling in Love - UB40
03. Sadeness - Enigma
04. Close to You - Maxi Priest
05. Change the World - Eric Clapton
06. Freedom '90 - George Michael
07. How Bizarre - OMC
08. El Arbi - Khaled
09. Missing (Todd Terry Remix) - Everthing But The Girl
10. I'm Too Sexy - Right Said Fred
11. Space Cowboy (Classic Radio Remix) - Jamiroquai
12. The Rockafeller Skank - Fatboy Slim
13. (You Drive Me) Crazy (The Stop! Remix) - Britney Spears
14. Quit Playing Games (With My Heart) - Backstreet Boys
15. Pause - The Bombers
16. Feelin' It - Full Intention

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