domingo, 1 de novembro de 2026

Sentimental Ladies - Pop Shop Memory (1993)

Lançado pela Columbia / Sony Music Marketing Especial, Sentimental Ladies integra a série Memory Pop Shop, dedicada a coletâneas de repertório pop. Como o próprio título sugere, o álbum reúne uma seleção de canções interpretadas por mulheres, passeando por diferentes estilos e sonoridades, mas mantendo como fio condutor o romantismo e a atmosfera sentimental.

A coletânea teve circulação em diferentes formatos na Europa: CD e MiniDisc, além de uma edição em K7 lançada na Alemanha. No Brasil, chegou em CD pela série Memory Pop Shop, com 16 faixas. A masterização ficou a cargo da Sony DADC Austria, informação que também aparece entre os detalhes técnicos do lançamento.

O repertório combina sucessos bastante conhecidos, como “Eternal Flame”, das Bangles, “True Colors”, de Cyndi Lauper, “Where Does My Heart Beat Now”, de Céline Dion, e “Straight from the Heart”, de Bonnie Tyler, com escolhas menos previsíveis. É o caso de “My Side of the Bed”, de Susanna Hoffs, “Someone to Lay Down Beside Me”, de Karla Bonoff, e “Don't Let Go”, de Ellen Foley. Há ainda espaço para a cantora francesa Patricia Kaas, com “Les Hommes Qui Passent”, e para a italiana Spagna, que encerra o disco com “Only Words”.

Faixas:
01. Eternal Flame - Bangles
02. Cuts Both Ways - Gloria Estefan
03. My Side of the Bed - Susanna Hoffs
04. Toy Soldiers - Martika
05. True Colors - Cyndi Lauper
06. Les Hommes Qui Passent - Patricia Kaas
07. Where Does My Heart Beat Now - Celine Dion
08. Anyone But Me - Carly Simon
09. Why Can't We Live Together - Sade
10. Wishing You Were Here - Alison Moyet
11. Straight from the Heart - Bonnie Tyler
12. Someone to Lay Down Beside Me - Karla Bonoff
13. Tumbling Down - Helen Schneider
14. The Long and Winding Road - Barbara Dickson
15. Don't Let Go - Ellen Foley
16. Only Words - Spagna

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Band FM 18 Anos (1994)

A Band FM surgiu oficialmente em 15 de julho de 1975, em São Paulo, inicialmente com o nome de Bandeirantes FM. Nos primeiros meses de funcionamento, a emissora operava na frequência 96,1 MHz retransmitindo a programação da Rádio Bandeirantes AM.

Em 1976, a rádio conquistou sua independência de programação e passou a desenvolver uma identidade própria, abrindo espaço para estilos como rock, soul, jazz e MPB. Essa fase marcou o início de uma trajetória musical independente, antes das mudanças que transformariam o perfil da emissora nas décadas seguintes.

No final dos anos 1980, a emissora adotou oficialmente o nome Band FM e iniciou uma transição gradual para o formato popular que a tornaria conhecida, com destaque para gêneros como sertanejo, pagode e pop.

Outro marco importante ocorreu em 25 de setembro de 1990, quando a rádio iniciou suas transmissões via satélite, dando origem à Rede Band FM e ampliando seu alcance para diferentes regiões do Brasil. A expansão consolidou a marca nacionalmente, transformando uma emissora paulistana em uma rede de rádio.

Ao longo das décadas, a Band FM acompanhou as mudanças no gosto musical do público brasileiro, adaptando sua programação e ampliando sua presença no país. Em 15 de julho de 2025, completou 50 anos de história, celebrando uma trajetória que começou com a retransmissão da Rádio Bandeirantes AM, passou pela conquista de uma programação própria em 1976 e chegou à formação de uma das redes populares de rádio do Brasil.

Era comum a emissora encomendar CDs promocionais para distribuir entre seus ouvintes, reunindo músicas que faziam parte de sua programação. Nesse contexto, faz sentido o lançamento, em 1994, de Band FM 18 Anos, um CD comemorativo que toma como referência o início da programação independente da rádio, em 1976. O disco também trazia o slogan: “Band FM 96,1 – A bam-bam do seu rádio”.

Fabricado e distribuído pela Sony Music Entertainment do Brasil, o CD teve criação de Luiz Augusto Biasi e seleção de repertório de Vizu e Betinho. A parte técnica ficou a cargo de Carlinhos, DJ Beto Nini e Arnaldo Azeitona, com supervisão geral de João Carlos Ribeiro.

A princípio, quando tive acesso a esse CD e me deparei com a indicação “18 músicas exclusivas”, imaginei tratar-se de gravações ao vivo ou versões produzidas especialmente nos estúdios da Band FM. Mas a peculiaridade do material era outra: em determinado trecho melódico de cada música, o próprio cantor ou vocalista da banda inseria o nome da Band FM, cantado de maneira harmoniosa e integrado à melodia original. Era uma espécie de marca-d'água vocal da rádio, que conferia uma identidade própria às gravações. E são justamente essas versões personalizadas que estão reunidas no CD!

Outro momento curioso fica por conta de "Requebra"’, na faixa 17. Trata-se de uma paródia criada pela Turma da Band sobre a melodia do Olodum, em referência à Copa do Mundo de 1994 e à conquista do tetracampeonato pela Seleção Brasileira. Uma daquelas intervenções bem-humoradas que ajudam a dar ao CD um caráter ainda mais particular.

Faixas: 
01. A Viagem - Roupa Nova
02. Menina - Netinho
03. Eterno Amor - Sampa Crew
04. Música de Rua - Daniela Mercury
05. Muito Romântico - Maurício Mattar
06. Me Leva - Latino
07. Vem Cuidar de Mim - Zezé Di Camargo & Luciano
08. Desesperada - Marta Sanchez
09. Total - Netinho
10. Mesmo Assim - Sampa Crew
11. Os Corações Não São Iguais - Roupa Nova
12. 
O Meu Jeito de Ser - Só Pra Contrariar
13. 
Me Ensina - José Augusto
14. 
Caminhos de Sol - Yahoo
15. 
Perdões - Biafra
16. 
Eu Preciso Te Esquecer - Sampa Crew
17. Requebra (Paródia) - Olodum e Turma da Band
18. Meu Peru / Vinheta Band FM - Ronco

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sábado, 31 de outubro de 2026

Duetos - Química Perfeita (2002)

Lançada em 2002 pelo selo Globo Universal, Duetos – Química Perfeita reúne 14 gravações que têm nos encontros entre artistas seu principal atrativo. Mas há uma particularidade interessante nessa seleção: boa parte das músicas já havia sido registrada em outros álbuns, projetos especiais ou trilhas de novelas, o que faz da coletânea também uma oportunidade de reencontrar parcerias que surgiram em diferentes circunstâncias da música brasileira.

A abertura fica por conta de “Química Perfeita”, com Banda Eva e Netinho. A música, lançada originalmente em 1996 e incluída no álbum Beleza Rara, marcou uma fase de grande popularidade da Banda Eva que na época tinha vocal conduzido por Ivete Sangalo. Anos depois, ganhou espaço na televisão como tema romântico de Manolo (Tony Ramos) e Aurora (Cláudia Jimenez) na novela As Filhas da Mãe, exibida em 2001. A faixa também acabou adquirindo um significado especial com a morte de Netinho, em 13 de outubro de 2026, aos 60 anos, em decorrência de complicações de um linfoma não Hodgkin do tipo B.

Duas gravações vêm do projeto Casa de Samba 3, lançado em 1999 pela Universal Music: “Verdade”, com Caetano Veloso e Gilmelândia, e “Juventude Transviada”, com Luiz Melodia e Cássia Eller. A série seguia a proposta de reunir artistas em encontros pouco convencionais, fórmula que também apareceu em Casa da Bossa e Casa de Forró. São registros ao vivo que chegaram a esta coletânea alguns anos depois, mas que tiveram outros reaproveitamentos pelo caminho.

Em “Verdade”, o encontro entre Caetano Veloso e Gilmelândia chama a atenção. Na época, Gilmelândia havia assumido os vocais da Banda Beijo, retomando o grupo em 1998, depois da saída de Netinho. Sua participação cantando samba foi uma surpresa para o público, acostumado a associá-la ao repertório de axé. A gravação também foi incluída no CD/DVD Multi Show Ao Vivo, lançamento que mistura conteúdo exclusivo do canal musical com imagens de outros projetos cedidos pela Universal Music. Essa combinação acabou gerando confusão sobre a origem de algumas apresentações e seus respectivos créditos. Portanto, sim: “Verdade” é do Casa de Samba 3.

Já “Juventude Transviada” voltou a circular em outras coletâneas após a morte de Cássia Eller, em dezembro de 2001. Primeiro, apareceu em Participação Especial de Cássia e, em 2008, foi incluída em Raridades, álbum lançado pela Som Livre. O título deste último, porém, não faz muito sentido para essa gravação: ela já havia sido reaproveitada em coletâneas da Universal Music e também estava presente em Duetos – Química Perfeita. Não era, portanto, exatamente uma raridade.

“Meu Erro”, com Zizi Possi e Os Paralamas do Sucesso, vem do Acústico MTV da banda, projeto de 1999 que contou com a participação de convidados especiais. A presença de Zizi acrescenta uma combinação vocal diferente à conhecida canção dos Paralamas. Outra gravação extraída de um especial acústico é “Mania de Você”, de Rita Lee com Milton Nascimento. Registrada em 1998 no Acústico MTV da cantora, a interpretação ganha um formato mais intimista, em piano e voz, com um clima particularmente sensual e misterioso.

Em “Feira Moderna”, o encontro é entre Roupa Nova e Zélia Duncan, em gravação originalmente lançada no álbum Ouro de Minas, de 2001. O trabalho reuniu o grupo a diversos convidados, entre eles Zélia, em um repertório que trouxe como máxima as parcerias e revisitação de canções do Clube da Esquina.

A televisão também está representada por “Era Uma Vez...”, com Sandy & Junior e Toquinho. A gravação foi realizada para a abertura da novela de mesmo nome, aproximando o universo pop da dupla ao trabalho de Toquinho, um dos nomes mais representativos da música brasileira dedicada ao público infantil. A canção também ganhou espaço em outros lançamentos: foi incluída no final do álbum Sonho Azul, de Sandy & Junior, lançado em 1998, e na coletânea Nascemos Pra Cantar, do mesmo ano. Mais tarde, ainda deu título ao álbum Era Uma Vez – Ao Vivo.

Outro registro curioso é “Preciso Dizer que Te Amo”, na interpretação de Cazuza e Bebel Gilberto. A gravação apareceu pela primeira vez na coletânea internacional Red Hot + Rio, lançada pela Verve Records em 1996. A história dessa versão tem um detalhe especial: trata-se de um registro intimista, originado de um ensaio gravado em fita cassete, cujos ruídos foram preservados. A música também ganhou interpretações de outros artistas, como Marina Lima e Leo Jaime, mas essa aproximação entre Cazuza e Bebel tem justamente na simplicidade da gravação seu diferencial.

A faixa “Falando de Amor”, com Quarteto Em Cy e MPB4, nasceu do encontro dos dois grupos no álbum Bate Boca, que reuniu as formações em uma espécie de supergrupo vocal. A música ganhou ainda mais visibilidade ao se tornar tema de abertura da novela Por Amor, ampliando sua circulação para além do público que acompanhava os trabalhos dos dois conjuntos.

Entre os encontros mais emblemáticos está “These Are the Songs (Esta É a Canção)”, com Elis Regina e Tim Maia. A gravação pertence ao álbum ...Em Pleno Verão, lançado por Elis em 1970, período anterior à consagração definitiva dos dois artistas como algumas das maiores referências da música brasileira. É um registro que aproxima duas personalidades de enorme força interpretativa.

O projeto Casa de Forró, lançado em 1998 pela PolyGram, também marca presença com “Espere Por Mim, Morena”, na interpretação de Elba Ramalho e Chico César. Seguindo a proposta de encontros entre artistas, o álbum reuniu diferentes nomes da música brasileira em apresentações ao vivo, entre elas essa parceria.

Já “Bilhete”, com Ivan Lins e Nana Caymmi, foi originalmente incluída no álbum Juntos, que reuniu composições de Ivan Lins e Vitor Martins em novos arranjos e com participações especiais. Nana Caymmi foi uma das convidadas desse projeto. Na sequência, “Gostoso Veneno” traz Alcione e Djavan, em gravação originalmente lançada no álbum Celebração, de 1998. Encomendado pela PolyGram, o trabalho revisitou sucessos da carreira da cantora, contando com convidados especiais, entre eles Djavan.

Para encerrar, a coletânea reserva “Águas de Março”, com Elis Regina e Tom Jobim. Embora Elis já tivesse gravado a composição no álbum Elis, de 1972, foi no histórico projeto Elis & Tom, lançado em 1974, que a canção ganhou uma interpretação compartilhada que se tornou referência. A gravação desse encontro é frequentemente lembrada como uma das versões definitivas da composição de Tom Jobim.

Na parte técnica, o CD foi fabricado pela Microservice Tecnologia Digital da Amazônia Ltda., sob licença da SIGLA – Sistema Globo de Gravações Audiovisuais Ltda. Os fonogramas foram cedidos pela Universal Music, com masterização de Sérgio Seabra e projeto gráfico de Marciso (Pena) Carvalho.

Duetos – Química Perfeita acaba funcionando também como um pequeno roteiro por diferentes projetos musicais que marcaram os anos anteriores à sua publicação. Para quem acompanha a discografia desses artistas e gosta de descobrir a origem das gravações presentes nas coletâneas, há bastante coisa para apreciar além dos próprios duetos.

Faixas:
01. Química Perfeita - Banda Eva e Netinho
02. Verdade (ao vivo) - Caetano Veloso e Gilmelândia
03. Meu Erro (ao vivo) - Zizi Possi e Os Paralamas do Sucesso
04. Feira Moderna - Roupa Nova e Zélia Duncan
05. Juventude Transviada (ao vivo) - Luiz Melodia e Cássia Eller
06. Era Uma Vez... - Sandy & Junior e Toquinho
07. Preciso Dizer que Te Amo - Cazuza e Bebel Gilberto
08. Mania de Você (ao vivo) - Rita Lee e Milton Nascimento
09. Falando de Amor - Quarteto Em Cy e MPB4
10. These Are the Songs (Esta É a Canção) - Elis Regina / Tim Maia
11. Espere Por Mim, Morena (ao vivo) - Elba Ramalho e Chico César
12. Bilhete - Ivan Lins e Nana Caymmi
13. Gostoso Veneno - Alcione e Djavan
14. Águas de Março - Elis Regina e Tom Jobim

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sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Hot 90 2 (2002)

Lançado pela Som Livre em 2002, Hot 90 2 continua a saga dedicada a rebobinar os sucessos internacionais dos anos 1990. O disco tem seleção de repertório de André Werneck e masterização de Sergio Seabra. O projeto gráfico é assinado por Marciso (Pena) Carvalho. 

Com 16 faixas, o CD aposta numa seleção que passeia pelo pop jovem, pelas baladas de R&B, pelo reggae, pela música eletrônica e pelo chamado arena pop. É uma mistura que ajuda a relembrar diferentes momentos daquela década, com alguns hits que continuaram circulando muito além de seu lançamento original.

O destaque mais curioso fica por conta de “El Arbi”, do cantor franco-argelino Khaled. Lançada em 1992, a música ganhou projeção nacional a partir de 1999, quando passou a embalar as aparições da Feiticeira, personagem de Joana Prado, no programa O+, comandado por Otaviano Costa na TV Bandeirantes. A escolha foi feita pelo DJ Theo Werneck, que resgatou o single de Khaled para acompanhar as performances da personagem. O resultado foi daqueles que fazem uma música antiga ganhar vida nova: “El Arbi” permaneceu por cinco semanas consecutivas entre as mais tocadas, e a Som Livre chegou a investir numa versão de Sheila AMR, com participação de Izlene, incluída na coletânea Summertronic. A gravação original também entrou em Arabian Nights – Mil e Uma Noites, coletânea lançada pela Som Livre para aproveitar a febre da personagem, e ganhou espaço na novela Vila Madalena, como tema de Marinalva, personagem de Rosi Campos. Uma trajetória e tanto para uma gravação lançada sete anos antes de virar febre por aqui!

Outras músicas merecem destaque pelas versões remix que ajudaram a impulsionar sua circulação nas pistas. É o caso de “Missing”, do Everything But The Girl, especialmente na versão de Todd Terry, que marcou a cena dance de 1995 e 1996 com seu famoso spanish beat. “Space Cowboy”, do Jamiroquai, aparece no Classic Radio Remix assinado por David Morales, enquanto “(You Drive Me) Crazy”, de Britney Spears, vem na versão The Stop! Remix. São exemplos de como uma nova abordagem pode mudar o destino de uma música acabando por funcionar comercialmente melhor que uma versão original.

Outro momento que vale resgatar da cultura pop é “Freedom ’90”, de George Michael. Decidido a se afastar dos holofotes e a não aparecer no videoclipe, o cantor encontrou uma solução que entraria para a história da música pop: inspirado por um ensaio fotográfico da Vogue, recrutou algumas das maiores supermodelos da época para protagonizar o vídeo e dublar sua voz. Dirigido por David Fincher, o clipe em preto e branco reuniu Naomi Campbell, Cindy Crawford, Linda Evangelista, Christy Turlington e Tatjana Patitz. A produção ganhou dimensão própria, tornando-se um símbolo de libertação pessoal e artística e uma crítica à imagem que a indústria fonográfica construía em torno de seus artistas.

Eric Clapton também surpreendeu com “Change the World”, composição de Gordon Kennedy, Tommy Sims e Wayne Kirkpatrick. A gravação aproximou o blues e a guitarra de Clapton de uma produção com elementos de R&B assinada por Kenneth "Babyface" Edmonds, numa combinação que conquistou o público e serviu de tema para o filme Fenômeno, estrelado por John Travolta. No Brasil, a música permaneceu várias semanas entre as dez mais tocadas da Jovem Pan, consolidando sua presença nas rádios.

Os Backstreet Boys também têm uma história interessante de divulgação com “Quit Playing Games (With My Heart)”. Depois de conquistarem espaço internacional com “Backstreet’s Back”, em 1997, o grupo emplacou vários singles por aqui. A gravadora Virgin, por sua vez, encontrou uma maneira de continuar explorando o catálogo anterior do quinteto no mercado brasileiro: lançou em 1998 o álbum de estreia dos Backstreet Boys como se fosse o segundo disco da carreira do grupo. A estratégia ajudou a manter a máquina funcionando, e “Quit Playing Games (With My Heart)” tornou-se um grande sucesso no Brasil naquele ano.

Até aqui, temos uma coletânea que cumpre a proposta de revisitar músicas de diferentes momentos dos anos 1990. O problema aparece quando chegamos às duas últimas faixas do CD. Aí, a história muda de figura — e a chamada “encheção de linguiça” ganha um sentido bem menos inocente.

“Pause”, creditada a The Bombers, é um desses casos que deixam mais perguntas do que respostas. A investigação da faixa levou a uma mistura de samples de “AC/DC”, do projeto X-Press 2, com “It’s Time to Burn”, do projeto Storm, conforme uma identificação encontrada nos comentários do YouTube. Além da identificação questionável do fonograma, a coletânea atribui a composição a Natascha Hagen, cantora de eurodance, um crédito que não se sustenta diante das referências encontradas para a gravação. A faixa apareceu na trilha complementar de Um Anjo Caiu do Céu, precisamente no CD da boate LZ 129, e na coletânea Moonight 2001. Ou seja, estamos falando de uma gravação que circulava em 2001, não de uma produção dos anos 1990. Depois de reaparecer em Hot 90 2, ainda voltou a circular como tema de Malhação, em 2004. VAI VENDO!

A situação se complica ainda mais com “Feelin’ It”, creditada a Full Intention. A identificação feita no YouTube apontou para “XX Series”, do projeto Beat Boxx, composição do DJ Marcelo Cabral. O crédito usado em Hot 90 2 é particularmente problemático porque Full Intention não é um nome qualquer: trata-se também de uma conhecida dupla da cena house britânica, formada pelos produtores Michael Gray e Jon Pearn. A identificação da faixa permitiu desfazer a confusão entre o crédito impresso na coletânea e a gravação em questão. E há outro detalhe: “XX Series” também aparece na trilha da boate LZ 129, lançada em 2001. Mais uma faixa que não corresponde à década que dá nome à compilação!

No fim, Hot 90 2 tem um repertório capaz de despertar boas lembranças, mas as duas últimas faixas deixam um registro bem menos agradável. Não é apenas uma questão de incluir músicas de anos diferentes: quando títulos e créditos artísticos não correspondem às gravações identificadas, a própria documentação do disco fica comprometida. Para quem coleciona e pesquisa esses lançamentos, são justamente esses detalhes que fazem a diferença entre uma simples coletânea de sucessos e um documento que também merece ser investigado.

Faixas:
01. Un-Break My Heart - Toni Braxton
02. Can't Help Falling in Love - UB40
03. Sadeness - Enigma
04. Close to You - Maxi Priest
05. Change the World - Eric Clapton
06. Freedom '90 - George Michael
07. How Bizarre - OMC
08. El Arbi - Khaled
09. Missing (Todd Terry Remix) - Everthing But The Girl
10. I'm Too Sexy - Right Said Fred
11. Space Cowboy (Classic Radio Remix) - Jamiroquai
12. The Rockafeller Skank - Fatboy Slim
13. (You Drive Me) Crazy (The Stop! Remix) - Britney Spears
14. Quit Playing Games (With My Heart) - Backstreet Boys
15. Pause - The Bombers
16. Feelin' It - Full Intention

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Good Times (2003)

Lançado em CD pela Som Livre em 2003, Good Times é o sexto volume da nova fase da série, iniciada em 1997. O projeto tem vínculo com o programa Good Times, da 98 FM, emissora do Sistema Globo de Rádio, que apresentava sucessos românticos das décadas de 1970, 1980 e 1990.

A série teve sua primeira coletânea lançada em 1984, nos formatos LP e K7 pelo selo Som Livre. Nas novas edições de 1989 e 1990, os lançamentos passaram a ser selo Sintonia, também pertencente ao SIGLA – Sistema Globo de Gravações Audiovisuais Ltda. Porém em 1997, a coleção passou por um reboot, dando início à fase à qual este volume de 2003 pertence.

Agora vou fazer um resumo sobre a 98 FM dentro história da radiodifusão carioca. Fundada em 1971 como Eldorado FM, foi a primeira emissora FM do Rio de Janeiro. Em 1974, passou a se chamar Eldo Pop FM e, em 1978, adotou o nome 98 FM, operando na frequência de 98,1 MHz. Em 2008, foi rebatizada como Beat 98 e, em 2014, cedeu sua frequência à Rádio Globo, migrando para a internet como Radio Beat. A emissora encerrou definitivamente suas atividades em 30 de dezembro de 2015 devido a reformulação do Sistema Globo de Rádio. Esse panorama ajuda a entender porque a Som Livre nunca mais lançou coletâneas com esse nome. 

Observo também que, nesta nova fase, o quarto volume da série, lançado no final de 2000 sob o título Good Times 2001, foi sucedido por uma edição em 2001, que passou a trazer apenas o título Good Times, sem indicação do número do volume ou do ano. As coletâneas seguintes mantiveram esse padrão e passaram a ser lançadas a cada dois anos, até que, em 2005, a série chegou ao seu último volume, novamente identificado pelo ano no título: Good Times 2005. Um tanto curioso!

Fichando o CD de 2003: ele reúne 14 faixas e tem seleção de repertório assinada por Luciano Gomes, André Werneck e Eduarda Paternot. Sua primeira tiragem continha um livreto com letras pesquisadas por Adriana Borges, além de traduções das músicas provenientes do arquivo de Fernando Borges. A masterização foi realizada por Sérgio Seabra, enquanto Marciso (Pena) Carvalho assina a capa e Paulo Santos, a arte-final. A segunda e a terceira tiragens, porém, saíram em embalagem econômica, com encarte simples no formato 12 x 24 cm.

Interessante notar que esta edição reúne canções clássicas até a faixa 12, reservando as duas últimas posições para produções exclusivas de Ian Duarte e Fábio Almeida, produtores da MaxPop. Essa escolha confere maior relevância a faixas que integraram trilhas sonoras de novelas, oferecendo ao ouvinte a oportunidade de apreciá-las com mais atenção e afastando o estigma de que seriam apenas músicas utilizadas para preencher repertório. São canções que merecem ser ouvidas por seus próprios méritos, simplesmente porque são bonitas e têm seu lugar no coração do colecionador.

Quem compra com assiduidade ou pesquisa títulos do catálogo da Som Livre desse período certamente notará uma insistência, por vezes irritante e desestimulante, na reutilização de determinadas faixas. Acredito, porém, que a intenção fosse distribuir esse repertório entre diferentes públicos e ampliar seu alcance. Essa recorrência permite supor que, se os repertórios fossem elaborados para atender a nichos específicos de consumidores, talvez não houvesse tanta repetição de fonogramas. Minha crítica é que poderiam ter sido aproveitadas mais produções inéditas dos artistas envolvidos, com gravações ou versões exclusivas para essas coletâneas. Afinal, se a proposta era segmentar a presença desses artistas em diferentes lançamentos, havia espaço para oferecer ao colecionador algo que ele não encontraria repetidamente em outros títulos do catálogo: uma faixa realmente exclusiva, que justificasse o interesse por aquela edição.

Agora, permita-me fazer uma observação sobre o repertório das faixas clássicas. "One Day In Your Life", de Michael Jackson, já havia aparecido no primeiro volume do reboot de Good Times, em 1997. É a única faixa que eu realmente substituiria por outro fonograma. As demais continuam inéditas na série ou se encaixam em um contexto plausível de lançamentos em formato digital. Talvez um dos maiores atrativos para o colecionador esteja em "If You're Not Here (By My Side)", do Menudo, que raramente aparece em coletâneas, ou mesmo em "Never Be The Same", de Christopher Cross.

Quando ampliamos o olhar para o conjunto de coletâneas radiofônicas e para o segmento da música romântica, podemos ter a sensação de estar diante de um álbum de figurinhas repetidas. Mas há outro lado: dependendo de como utilizamos essas coletâneas no dia a dia, reencontrar determinadas canções pode até tornar a audição mais interessante!

Faixas:
01. Making Love Out Of Nothing At All - Air Supply
02. Forever By Your Side - Manhattans
03. You Make Me Feel Brand New - The Stylistics
04. One Day In Your Life - Michael Jackson
05. Time - The Alan Parsons Project
06. Knife - Rockwell
07. Never Gonna Let You Go - Sérgio Mendes
08. If You're Not Here (By My Side) - Menudo
09. Do That To Me One More Time - Captain & Tennille
10. Sharing The Night Together - Dr. Hook
11. Baby I Love Your Way , Free Bird - Will To Power
12. Never Be The Same - Christopher Cross
13. Still Hurts - Giselle Haller
14. Alone Again - Craig Mc Clean

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quinta-feira, 29 de outubro de 2026

Hot & Sensual (2004)

Lançada pela Som Livre em 2004, Hot & Sensual aposta em um repertório que passeia por diferentes vertentes da música internacional, reunindo faixas de clima envolvente, interpretações marcantes e arranjos que combinam com a proposta sugerida pelo título. O projeto e a seleção do repertório ficaram a cargo de André Werneck, com masterização de Sérgio Seabra. Já o projeto gráfico é assinado por Marciso (Pena) Carvalho e a arte-final, por Telma Ribeiro.

A seleção vai do pop atmosférico de Morcheeba, com “Tape Loop”, ao romantismo de Bryan Ferry em “Slave To Love” e à tensão dramática de Phil Collins em “In The Air Tonight”. Já “Lullaby”, do The Cure, acrescenta uma dose de estranheza à atmosfera do disco, enquanto “Purify”, do Balligomingo, reforça a presença da música eletrônica. “Bakerman”, do Laid Back, por sua vez, traz uma batida mais descontraída para essa mistura de sensualidade e música eletrônica.

E aqui dá para associar facilmente duas faixas a produções cinematográficas que ajudaram a marcar suas histórias. “Slave To Love”, de Bryan Ferry, está ligada ao clima sedutor de Nove e Meia Semanas de Amor, estrelado por Mickey Rourke e Kim Basinger. Já “In The Air Tonight”, de Phil Collins, ficou associada à famosa cena de sexo entre Tom Cruise e Rebecca De Mornay em Negócio Arriscado. Duas músicas, dois filmes e duas cenas que ajudam a entender por que essas gravações combinam tão bem com a proposta de Hot & Sensual.

Outra canção emblemática é “Trust Me”, do duo francês de trip hop eletrônico Dee Joy, formado por Gilles Camus e Martin Flechtner, com participação de Yasmine Shah. Lançada em 2002, a faixa ganhou destaque no Brasil dois anos depois, ao embalar o romance de Juliana Lopes e Marcelo Dourado no Big Brother Brasil 4. Quando uma música ganha esse tipo de exposição, é natural que o público queira saber onde encontrá-la. Como o BBB já não lançava trilhas sonoras próprias de suas edições, a Som Livre ofereceu duas coletâneas com repertórios bem distintos nas quais a faixa poderia ser encontrada: Hot & Sensual e Power Ballads, ambas lançadas em 2004, ano da quarta edição do reality.

O repertório também abre espaço para outros caminhos, com Marvin Gaye em “Let's Get It On”, um clássico da sedução, e o blues de Robert Cray em “I Wonder”. Entre as releituras, aparecem “La Vie En Rose”, clássico de Édith Piaf na interpretação slow disco de Grace Jones, e “Kiss”, de Prince, em versão acústica de Danni Carlos. “Angie”, creditada a Troller, também merece atenção: é uma releitura da composição dos Rolling Stones cujo arranjo resgata elementos da estrutura melódica e rítmica de “Wicked Game”, de Chris Isaak.

Já “Smooth Operator”, creditada a Lisa Anderson, e “Strip Tease”, atribuída à Free Porn Orchestra, levantam questões bem diferentes sobre a identificação dos fonogramas.

Por meio da colaboração de Dianos, visitante deste blog, fui informado de que o fonograma creditado a Lisa Anderson pertence, na verdade, à cantora norte-americana Prudencesca Renfro, conhecida artisticamente como Pru. Lisa Anderson sequer existe! A situação fica ainda mais constrangedora quando coloquei a faixa para tocar diretamente do CD no aparelho e o aplicativo Shazam identificou a gravação no celular. A faixa integra o álbum homônimo Pru, lançado em 2000 pela Capitol Records.

Resolvi fazer o mesmo teste com a Free Porn Orchestra. O nome parece uma brincadeira com Free Sound Orchestra (Orquestra Som Livre), não é? Pois saiba que o Shazam identificou a gravação “Strip Tease” como “For Strippers Only”, da Sonny Lester Orchestra. A correspondência chama a atenção porque a coletânea apresenta a faixa sob outro título e outro crédito artístico. Não é um caso isolado: situações semelhantes já apareceram em Pop (2002) e também foram denunciadas em lançamentos relacionados às trilhas sonoras Páginas da Vida Lounge (2006) e Paraíso Tropical Internacional (2007).

E a presepada não ficou restrita à edição brasileira: o mesmo crédito equivocado atravessou o oceano e apareceu também na edição portuguesa de Hot & Sensual. Por lá, a coletânea ganhou um repertório diferente, que preserva algumas faixas da edição brasileira, e ainda veio acompanhada de um DVD bônus chamado Aprenda a Fazer Striptease. É uma ironia e tanto: o problema de identificação permaneceu, mas a embalagem ganhou um atrativo extra para disfarçar uma falha que merecia atenção muito maior.


Isso ajuda a entender por que, depois desses episódios, a Som Livre passou a incluir em seus lançamentos os créditos de profissionais especializados em direitos fonomecânicos, uma preocupação que parece ter ganhado espaço justamente após os escândalos.

Mas ressalto aqui a reflexão sobre a importância da honestidade intelectual diante da ganância. A necessidade de cumprir prazos editoriais e lançar rapidamente um produto para acompanhar o frenesi do mercado fonográfico não autoriza uma gravadora a utilizar nomes incorretos de artistas e faixas para viabilizar um lançamento, muito menos a deixar de identificar adequadamente os titulares e recolher os direitos devidos. 

Polêmicas à parte, é uma coletânea que merece ser mantida na coleção, tanto pela seleção no mínimo curiosa quanto pela possibilidade de observá-la sob uma perspectiva histórica, à luz dos fatos aqui apresentados. Portanto, curtamos a versão brasileira de Hot & Sensual, sem aula prática de striptease, rs...

Faixas:
01. Tape Loop - Morcheeba
02. Slave To Love - Bryan Ferry
03. In The Air Tonight - Phil Collins
04. Lullaby - The Cure
05. Trust Me - Dee Joy feat. Yasmine Shah
06. Purify - Balligomingo
07. Bakerman - Laid Back
08. Kiss - Danni Carlos
09. I Wonder - Robert Cray
10. Let's Get In On - Marvin Gaye
11. La Vie En Rose - Grace Jones
12. Smooth Operator - Lisa Anderson
13. Angie - Troller
14. Strip Tease - Free Porn Orchestra

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quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Break Your Heart 3 (2004)

Break Your Heart 3 é uma coletânea lançada pela Som Livre em 2004, dando continuidade à série dedicada às canções românticas. Com projeto e seleção de repertório de André Werneck, masterização de Sérgio Seabra e projeto gráfico de Marciso (Pena) Carvalho, o CD reúne grandes nomes da música internacional em uma sequência que passeia pelo soul, R&B, pop romântico e pelas baladas que marcaram gerações.

Entre os destaques estão Barry White, com Just The Way You Are, Roberta Flack e Donny Hathaway, no clássico The Closer I Get To You, além de Commodores, The Stylistics, Michael Bolton e Peter Cetera. O repertório também traz Dionne Warwick, Lou Rawls e Marvin Gaye, além de Love's Theme, da Love Unlimited Orchestra, com aquele toque instrumental característico das produções de Barry White.

O CD também reúne produções brasileiras assinadas por Fábio Almeida e Ian Duarte. Em Cruisin', Mr. Jam apresenta uma versão inspirada na gravação de Gwyneth Paltrow e Huey Lewis para o filme Duets – Vem Cantar Comigo. Já Superwoman, do projeto Happening, é uma releitura do clássico de Stevie Wonder, com vocais de Fábio Almeida. O repertório se completa com composições de Almeida e Duarte, como Never Gonna Say Goodbye, de Steve Thompson – que nada mais e que Ian Duarte cantando –, e Real Love, de Giselle Haller – que é Giselle Abramoff antes de entrar no projeto Dalimas.

Break Your Heart 3 marca o encerramento de uma série da Som Livre, com um repertório que, além de reunir clássicos internacionais, reserva um atrativo especial para quem coleciona coletâneas: a presença de produções brasileiras ligadas à valiosa rede de contatos profissionais de André Werneck, conferindo ao CD um diferencial para os colecionadores mais atentos aos lançamentos da gravadora.

Faixas:
01. Just The Way You Are - Barry White
02. The Closer I Get To You - Roberta Flack & Donny Hathaway
03. Three Times A Lady - Commodores
04. You Make Me Feel Brand New - The Stylistics
05. How Am I Supposed To Live Without You - Michael Bolton
06. Glory Of Love - Peter Cetera
07. I'll Never Fall In Love Agan - Dionne Warwick
08. You'll Never Find Another Love Like Mine - Lou Rawls
09. Love's Theme - Love Unlimited Orchestra
10. I Heard It Through The Grapevine - Marvin Gaye
11. Cruisin' - Mr. Jam
12. Superwoman - Happening
13. Never Gonna Say Goodbye - Steve Thompson
14. Real Love - Giselle Haller

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