quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

José Alexandre - Alma de Músico (1981)

A Alma de Músico de José Alexandre: O Manifesto Técnico de uma Estreia em 1981

Hoje o resgate é sobre um documento histórico da nossa MPB: o álbum "Alma de Músico" (1981). Mais do que uma estreia, este disco da gravadora Elektra é o registro do momento exato em que a precisão do cálculo cedeu lugar à potência da voz. José Alexandre (atualmente Zé Alexanddre), que estava no 4º ano de Engenharia na UFRJ, abandonou as planilhas após um chamado urgente de Oswaldo Montenegro para os palcos. Em 1980, Montenegro, já em seu 2º Lp pela WEA, convidou o músico para integrar a banda com a qual faria sua primeira excursão nacional, que aconteceu exatamente depois dos festivais de Bandolins (1979) e Agonia (1980). 

O Impacto do MPB Shell 81: O disco "Alma de Músico" nasceu impulsionado pela efervescência dos festivais. Após Montenegro vencer com "Agonia" em 80, ele retornou em 1981 como compositor de "Estrelas", escalando José Alexandre como o defensor oficial da canção. O sucesso no festival deu ao artista a notoriedade necessária para assinar com a Elektra e entregar um álbum com "padrão ouro" de produção.

A Engenharia Sonora – Uma Ficha Técnica de Elite: Sob a produção de Sérgio Cabral, o álbum reuniu o que havia de mais refinado na época. A construção das faixas revela um cuidado minucioso com a instrumentação:

  • A Base Rítmica: Um time coeso formado por Aldo (baixo), Edinho (bateria) e Cidinho (percussão) deu sustentação ao projeto.

  • As Cordas e Metais: A faixa-título, composta por Jairo Lara e Túlio Mourão, traz a suntuosidade da Orquestra de Cordas WEA. Já em "Grávida", a sofisticação atinge o ápice com o oboé de Bras, o bandolim de Deo Rian e a flauta baixo de Celso Woltzenlogel.

  • Teclados e Guitarras: O piano de Túlio Mourão (que faz participação especial em "Pousa") e as guitarras de Victor Biglioni e Jairo Lara garantem a assinatura progressiva e elegante do disco.

Colaborações e Produção de Ponta: O álbum é um desfile da "trupe" de Montenegro, mas com toques de modernidade que só os grandes estúdios permitiam. Enquanto Sérgio Cabral cuidava da unidade do LP, a faixa "Como se estivesse fora" recebeu o tratamento de Liminha, o mago da produção brasileira. Nos vocais, a técnica impecável de Zé Alexandre é reforçada por coros de luxo:

  • Em "Estrelas", o brilho é dividido com Jane Duboc e Alemão.

  • Em "Casca d'Anta", o próprio compositor Jairo Lara junta-se ao coro.

A Essência da Obra: O álbum traduz a alma de um músico que vive do teatro musical e a da MPB de festival. De composições feitas sob medida como "P'ra Zé Cantar" até a parceria tripla em "Pousa" (Montenegro, José Alexandre e Mongol), o disco é um manifesto de quem decidiu viver da arte. Como diz a faixa-título: "Porque nunca troco nem por pão / Minha alma de músico".

Mesmo vivendo de música, o cantor passou a ter registros fonográficos próprios a partir de 1999, com o album Zé Alexandre Ao Vivo, seguindo por "Olhar Diferente" (2006), "Arruar" (2009) e "Tempo de Paz" (2018), este em parceria com Chico Lobo.  Ainda, o músico tem alguns registros de canções lançadas de forma avulsa nas plataformas digitais, como Estrelas (regravada e lançada como single em 2018), "Branco Presente" (2018) e "Procura/ Deixa a Porta Aberta" (2021).

O artista em 2021 tornou-se campeão do The Voice+, em uma das mais emocionantes temporadas do programa, pelo time da Claudia Leitte. Zé impressionou e apaixonou o Brasil com sua técnica e presença de palco ao interpretar canções como “You Give Me Something", "Somebody to Love", “(You Make me Feel Like) A Natural Woman” e "Pétala".

Vivendo agora uma exposição nacional após uma trajetória profissional na música há mais de 40 anos, que inclui diversos discos, espetáculos teatrais, musicais, ópera e incontáveis festivais da canção Brasil afora, Zé Alexanddre começa a trilhar novos rumos, como o musical "Let It Be – Uma Historía de Amor ao Som dos Beatles", de Oswaldo Montenegro, um espetáculo com canções dos Beatles, onde Zé Alexanddre conta uma história de amor entre canções do repertório do musical. O espetáculo estreou em São Paulo no dia 13/01/2023.

Nota sobre a remasterização: Eu realizei a remasterização desde disco no final de novembro de 2023, com uso de agulha Ortofon Concorde Mix. O resultado tinha ficado dentro do que eu esperava. Porém em janeiro de 2026 pude aprimorar o áudio e retirar um pouco do conteúdo de ruído residual, mas mantendo intacta a qualidade de áudio, aproximando o máximo possível da master original.

Faixas:
01. Alma de Músico (Jairo Lara / Túlio Mourão)
02. Sábado (Frederiko)
03. Grávida [part. esp. Oswaldo Montenegro]
04. Estrelas (Oswaldo Montenegro)
05. P'ra Zé Cantar (Oswaldo Montenegro)
06. Pousa [part. esp. Túlio Mourão]
07. Cartas Marítimas (Jairo Lara)
08. Como se estivesse fora [Produção: Liminha]
09. Casca d'Anta (Jairo Lara)

Para baixar este álbum em FLAC, clique AQUI.


terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Jairzinho & Simony - En Español (1987)

O Luxo Técnico de Jairzinho & Simony: Um Lançamento Internacional Blindado por Contrato

Hoje quero compartilhar um achado que é uma verdadeira "raridade absoluta" na nossa música: o álbum "Jairzinho & Simony en Español" (1987). Fabricado em Madrid pela Discos CBS, este disco não é apenas uma versão; é o resultado de uma das produções mais sofisticadas da época, e o motivo é fascinante.

Blindagem Contratual: Conforme documentado na série "A Superfantástica História do Balão" (Star+), o fim do Balão Mágico em 1986 trouxe questões contratuais rígidas. Por uma cláusula que previa multas pesadíssimas, a infraestrutura de gravação e divulgação para quem saía do grupo precisava ser de primeiro nível. Foi por isso que Jairzinho e Simony, que já vinham sendo preparados desde o 6º álbum do Balão, receberam o "padrão ouro" em sua transição.

De Hollywood para o Mundo: A gravadora não economizou. As bases instrumentais foram gravadas nos estúdios Ameraycan, na Califórnia, com o que havia de melhor no mundo:

  • Bateria: Bob Wilson
  • Baixo: Jimmy Johnson
  • Guitarras: Michael Landau (erroneamente grafado como Mike Landan no encarte) e Bruce Gaitsch
  • Teclados: Larry Williams, Randy Waldman e Ronnie Foster
  • Percussão: Luiz Conte
  • Sax-solo: Leo Gandelman
O Grupo de Cordas – Excelência Brasileira: Diferente das bases rítmicas feitas nos EUA, o tratamento das cordas em "A Voz do Trovão" foi uma operação puramente brasileira, o que confere à faixa uma elegância singular:
  • Arranjo de Cordas: Assinado por Chiquinho de Moraes.

  • A Orquestra: Um time de 11 músicos brasileiros de altíssimo nível foi escalado especificamente para esta canção: José Salerno Neto, Estela Cerezo Ortiz, Julio Cerezo Ortiz, Jorge Gisbert Izquierdo, Caetano Domingos Finelli, Elias Slon, German Wajnrot, Alberto Pinchas Jaffé, Michael Verebes, Robert J. Suetholz e Tânia Camargo Guarnieri.

Qualidade Sonora e Relevância Cultural: O time dos teclados é responsável pelo DNA do album: Ronnie Foster assina a produção;  Larry Williams assina os arranjos de Adivina (Adivinha), Oi Mundo, Llegó Sin Avisar (em português, "Meu Bem", versão de "Ben") e Pirata e, por fim, Randy Waldman assina os de Mi Brasil (Ripa Na Chulipa), La Voz Del Treno (A Voz do Trovão), El Amor No Tiene Edad (em português, "Coração de Papelão", versão de "Puppy Love"),  Mira Mira (O Vira), Super-Campeón (Super-Herói).

Encontros Memoráveis: O álbum é um verdadeiro desfile de talentos. É emocionante ouvir as adaptações feitas por Robert Livi e Marcos Maynard, que ganharam vida com participações de ícones da música:

  • A doçura de José Luis Perales em "Adivina" – Perales já havia trabalhado um ano antes com a dupla Jairzinho & Simony no single "O que Cantam as Crianças"

  • A irreverência de Viginie Boutaud (a vocalista franco-brasileira da banda Metrô) em "Mira, Mira" – a cantora já havia gravado participação na versão original "O Vira" na edição brasileira.

  • A força de Paxti Andion em "La Voz Del Trueno" – no Brasil, a canção "A Voz do Trovão" teve como trovão a potente voz de Tim Maia.

  • E a nossa eterna Gal Costa, emprestando sua voz inigualável à faixa "Oi, Mundo" – uma das canções que permaneceu inalterada em seu idioma.

Álbum em Caráter Bilíngue: Tudo indica que as sessões de voz de Jairzinho e Simony feitas para ambos os idiomas foram realizadas na mesma 'fornada' técnica. Aproveitando a estrutura de ponta e a direção de Robert Livi, a dupla gravou as versões em espanhol enquanto as interpretações originais ainda estavam frescas, garantindo uma consistência sonora impecável entre os dois mercados. 

É, sem dúvida, um registro histórico de quando a música brasileira ocupava espaços de prestígio global com o que havia de melhor na tecnologia de estúdio. Talvez por uma questão de agilidade mercadológica, as faixas "Pirata" e a emocionante "Oi Mundo" ficaram mantidas em seu idioma original, o português. Além disso dar um caráter de disco bilíngue, acabou preservando a essência da obra e criando uma ponte cultural direta entre o Brasil e a Espanha.

Nota do editor: Esta postagem não tem relação com o álbum disponível nas plataformas digitais pela cantora Simony. O material é um rip de um LP importado de Madrid, adquirido via Discogs em 2018. A ripagem foi feita em 03/09/2018 com uma cápsula Ortofon Om5E e remasterizada com Pinnacle Clean e plug-ins de Sound Forge 10. Entretanto o áudio além de receber um brilho no U-He Satin, foi reprocessado no MVSep DeNoise em 03/02/2026 para limpeza de ruídos e preservação da fidelidade original.

Faixas: 
01. El Amor No Tiene Edad (Puppy Love)
02. Adivina [part.esp. José Luis Perales]
03. Mira, Mira [part. esp. Virginie]
04. De Vento En Popa
05. Cuando Hay Amor
06. Super-Campeón
07. Llegó Sin Avisar (Ben)
08. La Voz Del Trueno [part. esp. Paxti Andion]
09. Oi, Mundo [part. esp. Gal Costa]
10. Mi Brasil
11. Pirata

Para baixar o album em FLAC, clique AQUI.

Sérgio Endrigo - Exclusivamente Brasil (1979)

Sergio Endrigo: O Visto de Permanência em "Exclusivamente Brasil"

Sergio Endrigo (1933–2005) consolidou sua profunda ligação com a cultura brasileira no álbum "Exclusivamente Brasil", lançado em 1979 pela Philips. Longe de ser apenas um intérprete estrangeiro, Endrigo construiu este projeto como um tributo real a amizades de longa data, como a que mantinha com Chico Buarque e com a dupla Toquinho e Vinícius, que em 1969 gravaram o disco "La Vita, Amico, È L'Arte Dell'Incontro" e retomariam parceria em 1974 com "Toquinho, Vinicius & Amigos".

Sob a direção de produção de Armando Pittigliani e coordenação geral de Franco Fontana, o álbum foi gravado nos Estúdios Polygram, no Rio de Janeiro. O projeto teve um cuidado orquestral refinado, contando com arranjos de nomes como:

  • Perna Fróes: Responsável pelas faixas  "Café da Manhã" – tema da novela Os Gigantes (TV Globo), "Trocando em Miúdos", "Carinhoso", "A Rosa" – tema da novela O Todo Poderoso (TV Bandirantes), "Ana Luiza", "João e Maria" e "Morena Flor".
  • Perinho Albuquerque: Que assinou os arranjos de "A Noite do Meu Bem", "Onde Anda Você", "Samba em Prelúdio" e "Morena do Mar".
  • Luiz Roberto (Ex-Cariocas): Responsável pela faixa "Samba para Endrigo".
O disco celebra o registro de colaborações que Pittigliani descreveu na época como "antológicas", pois marca o encontro de Endrigo com grandes nomes da nossa música: Chico Buarque (em "A Rosa"), Fafá de Belém (em "Samba em Prelúdio") e Toquinho e Vinícius de Moraes (abrindo o disco com "Samba para Endrigo").

Além das parcerias diretas, Endrigo interpretou clássicos de Tom Jobim ("Ana Luiza"), Dorival Caymmi ("Morena do Mar") e Pixinguinha ("Carinhoso").

Foi a realização do sonho de Endrigo de gravar um álbum inteiramente em português, com o suporte dos maiores artistas da nossa música. "Exclusivamente Brasil" não é apenas um disco de Sergio Endrigo; é uma das páginas mais bonitas da MPB, onde um coração italiano bateu, definitivamente, no compasso do Brasil.

(Texto escrito com colaboração de Everton Pereira dos Santos).

Nota sobre a Remasterização: Este registro é fruto de um processo de preservação iniciado em maio de 2024, quando o LP original foi digitalizado com o uso da cápsula Ortofon Concorde Mix. Visando uma fidelidade sonora superior e um acabamento cristalino, a etapa de pós-produção foi concluída em janeiro de 2026 por meio da ferramenta DeNoise (MVSep). Este recurso permitiu uma redução significativa de ruídos residuais (hiss e rumble), garantindo o máximo de preservação da gravação original.


Faixas: 
01. Samba para Endrigo (part. esp. Toquinho e Vinícius de Moraes)
02. Café da Manhã
03. Trocando em Miúdos
04. A Noite do Meu Bem
05. Onde Anda Você
06. Carinhoso
07. A Rosa (part. esp. Chico Buarque)
08. Samba em Prelúdio (part. esp. Fafá de Belém)
09. Ana Luiza
10. Morena do Mar
11. João e Maria
12. Morena Flor

Para baixar o album em FLAC, clique AQUI.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

🎂 Meu Aniversário, Meu Trabalho e o Resgate da Humanidade Digital

Hoje, 03 de Fevereiro, completo mais um ano de vida. E, em vez de apenas celebrar com música, decidi fazer uma pausa para falar sobre algo que muitas vezes se perde entre um clique e um download: o ser humano por trás da Gazeta do Som.

Muitos chegam aqui e enxergam uma máquina. Pensam que a restauração de um álbum é um processo automático, frio e imediato. Não é.

Para que vocês ouçam aquela canção dos vinis sem o estalo que incomoda, existe um homem que:

  1. Garimpa e investe: Gasta do próprio bolso para comprar o LP original.

  2. Prepara: Lava o disco, cuida da agulha, calibra o equipamento.

  3. Trabalha: Grava, limpa ruído por ruído, equaliza e revisa cada segundo de áudio.

Eu não sou um robô. Não sou um "uplayer" de arquivos. Sou um restaurador.

Neste meu novo ciclo, quero deixar claro que a Gazeta do Som não é um serviço sob demanda. É um projeto de paixão e técnica. Importunações constantes, pedidos repetitivos feitos por quem sequer lê o que eu escrevo ou ignora o meu esforço, não terão mais espaço aqui.

A partir de hoje, meu presente de aniversário para mim mesmo é a paz. Não responderei a quem trata este blog como um balcão de entregas. A música é para ser celebrada, mas o trabalho de quem a resgata precisa ser respeitado.

Obrigado aos amigos e seguidores reais, que comentam com alma, que ouvem com atenção e que entendem que, por trás de cada remasterização, existe um coração batendo e um par de ouvidos trabalhando duro.

Vamos celebrar a música de verdade.

Simony - Sonhando Acordada (1989)

Lançado pela CBS em 1989, o álbum "Sonhando Acordada" é muito mais que um disco de transição; é um documento histórico sobre a autonomia artística de uma estrela mirim que, aos 12 anos, já se mostrava vigilante de seu próprio repertório. Sob a produção cuidadosa de Mauro Motta e Carlão, Simony abriu um mundo novo, trocando o lúdico do Balão Mágico por um pop juvenil sofisticado e autêntico.

A Narrativa da Transição Interescolar

O grande mérito do disco é tratar o cotidiano adolescente com seriedade. Em vez de temas vazios, as letras (muitas em parceria com Biafra) desenham uma "dramaturgia de colégio" legítima. Da paixão entre livros e aulas de inglês em "I Love You" à melancolia dos corredores escolares na faixa-título, Simony canta o protagonismo feminino sem apelar para a sensualidade precoce. Ela é a menina que observa, que sente ciúmes em festinhas e que reivindica seus sentimentos.

Uma Cozinha de Gigantes

Para sustentar essa nova fase, a CBS mobilizou um verdadeiro "Dream Team" da música brasileira. A ficha técnica é um atestado de qualidade:

  • A Batida: A precisão de Sérgio Herval (Roupa Nova) e a experiência de Picolé na bateria.

  • A Harmonia: Os pianos e sintetizadores de mestres como Eduardo Lages, Nico Rezende, Ricardo Leão e Vitor Chicri.

  • O Toque de Classe: As guitarras de Serginho Knust e Nilo Pinta, além do saxofone luxuoso de Leo Gandelman.

O Silêncio e a Dignidade

Diferente de contemporâneas que foram "adultizadas" pela indústria, Simony usou sua estabilidade financeira para ser dona de sua narrativa. Este disco preparou o terreno para a voz firme que o Brasil reencontraria anos depois. Aqui, ela não era apenas uma intérprete; era uma artista que escolhia seus temas e seus músicos, garantindo que o público a enxergasse como uma cantora de verdade, pronta para o que o futuro reservasse.

"Sonhando Acordada" permanece, décadas depois, como um exemplo de pop nacional feito com respeito, inteligência e um refino técnico que poucas vezes se viu em álbuns voltados para o público jovem.

Remasterização de 2024 e a finalização em 2026

Fiz uma remasterização do LP em 2024 com uso de agulha Concorde Mix da Ortofon. Agora, em janeiro de 2026, regravei as duas últimas faixas de cada lado com agulha Concorde Club (Elíptica) e apliquei sobre todasas faixas do LP o MVSep DeNoise, dando o gran finale digna de master tape ao disco. 

Faixas:
01. Acho Que Sou Louca (I Should Be So Lucky)
02. Prancha Amarela
03. Só Você (All This Time)
04. Deixe o Tempo Dizer (En Tu Sonrisa)
05. Como Eu Vou Dançar? (Sacame a Bailar)
06. Meu Primeiro Grande Amor
07. Vem pra Mim (Hoy por Ti, Mañana por Mi)
08. Sonhando Acordada (Could've Been)
09. Rádio Romance (Radio Romance)
10. I Love You

Para baixar o album em FLAC, clique AQUI.

sábado, 31 de janeiro de 2026

Márcio Greyck - Pés No Chão e Coração nas Nuvens (1987)

Márcio Greyck: A Trajetória de um Ícone Romântico


Márcio Greyck consolidou-se como um dos maiores nomes da música brasileira na década de 1970. O sucesso nacional veio de forma explosiva com a canção "Impossível acreditar que perdi você", parceria com seu irmão Cobel, que vendeu mais de 500 mil cópias e permaneceu nas paradas por seis meses consecutivos. Essa obra tornou-se um marco, sendo regravada por mais de 60 artistas, incluindo nomes como Wilson Simonal e Fábio Júnior. Além de intérprete, Greyck firmou-se como um compositor respeitado, tendo canções como "Tentativa" e "Vivendo por viver" gravadas pelo "Rei" Roberto Carlos.

O LP de 1987: "Pés no Chão e Coração nas Nuvens"


Em 1987, pelo selo Tropical (PolyGram), Márcio lançou o álbum objeto deste resgate. Produzido por Durval Ferreira, o disco traz parcerias marcantes com compositores como Carlos Colla e Ary de Assis.
  • Parcerias de Peso: No disco, ele divide composições com nomes como Carlos Colla (em "Sim", "Um Tempo" e a faixa-título do album) e Ary de Assis em "Amante Solidão", "Será Que Ela Pensa em Mim?" e "Essa Mulher"), mantendo a essência romântica que o premiou com a Gaviota de Plata no Chile em 1983.

  • Colaboração de outros autores: Além das parcerias com autores, Márcio Greyck destaca sua importância de intérprete de canções de outros autores como Nenéo (em "Depois Se Vá" e "Desencontro"), Fernando Adour e Ricardo Magno (em "Quem É Ela?"), e Carlos Colla e Ed Wilson (em "Um Tempo").
  • Destaque Comercial: A faixa de abertura, "Põe Um Beijo Em Minha Boca", de Ed Wilson e Cury Heluy, alcançou grande projeção, figurando na coletânea Sucesso Maior da Som Livre em 1988.

Carreira Contemporânea e Atividade

A trajetória de Márcio Greyck não se encerrou nos anos 80. O artista permanece em plena atividade, residindo em Belo Horizonte e realizando shows por todo o Brasil.

  • Trabalho em Família: Atualmente, colabora com seu filho mais novo, Bruno Miguel, na preparação de novos projetos musicais.

  • Presença no Cinema: Recentemente, sua imagem e obra foram celebradas no cinema brasileiro, com participações e trilhas sonoras em filmes como Cine Holliúdy, Árido Movie e O Homem que Desafiou o Diabo.

Remasterização de 2024 e a finalização do MVSep

Fiz uma remasterização do LP em 2024 com uso de agulha Concorde Mix da Ortofon. Agora, em janeiro de 2026, apliquei sobre as faixas do LP o MVSep DeNoise, dando o gran finale digna de master tape ao disco. 

Faixas:
01. Põe Um Beijo na Minha Boca
02. Amante Solidão
03. Essa Mulher
04. Sim
05. Depois Se Vá
06. Pés no Chão e Coração nas Nuvens
07. Quem É Ela?
08. Será Que Ela Pensa em Mim?
09. Desencontro
10. Um Tempo

Para baixar este álbum em FLAC, clique AQUI.

Dalto - Um Coração em Mil (1988)

Dalto: O Mestre das Melodias e a Raridade de "Um Coração em Mil"

Dalto Roberto Medeiros é um dos pilares da sofisticação pop brasileira. Nascido em Niterói em 22 de junho de 1949, o médico que escolheu a música nos deu alguns dos hinos mais inesquecíveis da nossa memória afetiva.

De sua origem no rock psicodélico com a banda Os Lobos até se tornar o compositor de sucessos estrondosos como "Anjo" (Roupa Nova) e "Bem-te-vi" (Renato Terra), Dalto sempre imprimiu uma assinatura única: o equilíbrio perfeito entre sintetizadores, guitarras suaves e uma poesia madura.

O Álbum "Um Coração em Mil" (1988)

Em 1988, Dalto lançou seu quinto trabalho solo, "Um Coração em Mil", pela extinta gravadora 3M. O disco é uma joia daquela transição sonora do final dos anos 80 e emplacou o hit "Quase Não Dá Pra Ser Feliz", imortalizado na trilha da novela Bebê a Bordo. Por ter sido lançado em um período próximo ao encerramento das atividades da 3M, este álbum tornou-se um item muito especial para colecionadores.

Remasterização e Polimento 2026

O LP foi remasterizado a partir do vinil em abril de 2024, utilizando agulha Ortofon Concorde Mix, garantindo mais definição e riqueza nos detalhes sonoros.

Entretanto, decidi elevar a experiência de audição deste clássico. O processo de recuperação apresenta como diferencial o polimento sonoro realizado em janeiro de 2026 com a tecnologia MVSep DeNoise, entregando uma clareza digna de master tape para um disco que merece ser ouvido em sua plenitude.

Processo de Matchering: Para integrar "O Amor Não É Um Filme" – canção de 1990 da gravadora PolyGram, exclusiva da novela "Barriga de Aluguel" – e "Faça Um Pedido" – canção de origem independente de 2009, exclusiva da novela "Amor À Vida" – ao corpo do LP de 1988, utilizei o processo de Matchering. Isso garantiu uma assinatura sonora uniforme, equalizando o peso e a textura de todas as faixas para uma experiência de audição contínua e imersiva.

Faixas: 
01. Um Coração em Mil
02. Quase Não Dá para Ser Feliz
03. Mais Uma Vez em Mim
04. Paguei e Perdi
05. Leão Ferido
06. Amor Profano
07. Repetindo o Ano
08. Eu Tô Voltando pra Você
09. Nenhum Lugar
10. A Canção do Nosso Amor
11. O Amor Não É Um Filme (Bônus)
12. Faça Um Pedido (Bônus)

Para baixar o album em FLAC, clique AQUI.