domingo, 18 de outubro de 2026

Vestidos de Espaço - Pipi Popô (1988)

Se você tem o costume de garimpar discos em vinil — incluindo compactos simples, duplos e promocionais de 12 polegadas para rádio — com enfoque em material do rock brasileiro dos anos 1980, certamente já esbarrou com o misterioso nome Vestidos de Espaço. Por trás desse título trivial, esconde-se uma das brincadeiras mais espirituosas e provocativas da história do nosso pop-rock.

A ideia nasceu em 1988, durante as pausas das gravações dos Titãs no estúdio Nas Nuvens, no Rio de Janeiro. Entre uma sessão e outra, os músicos dedicavam-se a composições bem-humoradas, distantes da proposta habitual da banda. A brincadeira acabou ganhando corpo e transformou-se em um projeto real para o Carnaval de 1989.

O objetivo era criar uma banda fictícia sob total anonimato, testando a reação dos programadores de rádio e do público para provocar a indústria fonográfica da época. A provocação tinha um alvo claro: a facilidade com que canções deliberadamente banais podiam conquistar espaço na programação. Para isso, reuniu-se um time de peso: integrantes dos Titãs, Paula Toller (Kid Abelha), Jorge Mautner, o produtor Liminha e o engenheiro de som Vitor Farias.

Para manter o disfarce, o grupo registrou as composições sob o pseudônimo Pepino Carnale. Lançado pela WEA Discos como um Single de 12 Polegadas — com direção artística de Liminha, produção de Antoine Midani e arte não creditada de Fernando Zarif —, o disco trazia duas faixas curtas, irônicas e diretas ao ponto:

  • Lado A – "Pipi Popô" (1'24"): Assinada na verdade por Arnaldo Antunes e Branco Mello, a canção contava com a voz marcante de Paula Toller satirizando as composições de duplo sentido e os refrões apelativos da música comercial.

  • Lado B – "A Marcha do Demo" (3'01"): Uma parceria de Arnaldo Antunes, Branco Mello, Marcelo Fromer e Paulo Miklos, funcionando como uma marchinha-rock debochada e ácida.

O disco, portanto, não é apenas um registro de duas marchinhas pouco convencionais. É o vestígio material de uma experiência em que músicos consagrados assumiram identidades inventadas para brincar com os mecanismos de divulgação da música popular. Por mais absurdo que pareça, a canção chegou a ser tocada pelo DJ sonoplasta My Boy no Xou da Xuxa. O registro em vídeo da apresentadora dublando a faixa enquanto uma criança a olha de lado virou um dos memes mais conhecidos da internet.

Para a publicação da remasterização deste single, recorri ao ChatGPT para transformar a infame capa da "tromba" saindo da genitália feminina da garota de pernas abertas por uma mocinha comportada vestida com uma rendinha preta. Ficou bem melhor!

E para a gravação e remasterização deste single, eu agradeço ao Paulo Afonso Franco de Cordeirópolis/SP que cedeu o promocional de rádio.

Faixas:
01. Pipi Popô
02. A Marcha do Demo

Para baixar este Single em FLAC, clique AQUI.

sábado, 17 de outubro de 2026

Egberto Gismonti - O Pagador de Promessas (1988)

Lançado em LP pela Globo Discos em 1988, O Pagador de Promessas reúne a trilha sonora composta por Egberto Gismonti para a minissérie homônima da TV Globo, escrita por Dias Gomes a partir de sua própria peça teatral e dirigida por Tizuka Yamasaki. Exibida às 22h30, entre 5 e 15 de abril daquele ano, a produção teve oito capítulos.

O repertório reúne onze faixas, todas compostas por Gismonti, com exceção de “Prova de Amor” e “Sertão”, temas de origem folclórica adaptados e arranjados pelo músico. Entre as composições próprias estão “Senhora dos Ventos”, “Iluminada”, “Inhambú de Fogo”, “Pedra de Cantaria” e as duas partes de “Paisagem Brasileira”, que encerra o disco com quase dez minutos de duração.

A gravação conta com a participação da Orchestra Transarmônica D'Amla De OMRAC, sob regência do próprio Gismonti, além de Jaques Morelenbaum ao violoncelo, Nivaldo Ornelas ao saxofone soprano, Bibi Roca à bateria, Edu Mello e Souza aos teclados e Ge Mima ao xilofone. Dulce Bressane e Pepe também participam nos vocais.

Gravado e mixado nos Estúdios da Som Livre, o álbum teve engenharia de áudio de Carlos Ronconi e Felipe Nery, edição de Ieddo Gouveia e produção artística da Carmo Produções Artísticas Ltda. A edição em LP foi fabricada e distribuída pela BMG Ariola Discos Ltda., sob o catálogo 402.0007 da Globo Discos.

O LP com a trilha sonora da minissérie estava em excelente estado de conservação. Na limpeza do áudio, apliquei o MVSep DeNoise às faixas, e o resultado foi surpreendente. Confesso que este é o primeiro trabalho 100% instrumental que realizo! Ouvindo esse trabalho, não pude deixar de pensar: Egberto Gismonti é quase um Vangelis brasileiro!

Agradeço ao amigo Charles Portilho, da 019 Discos, de Nova Odessa, por ceder o LP para este trabalho de remasterização.

Faixas:
01. Senhora dos Ventos
02. Iluminada
03. Forrobodó 1
04. Inhambú de Fogo
05. Prova de Amor
06. Pedra de Cantaria
07. Forrobodó 2
08. Sol a Pino
09. Sertão
10. Paisagem Brasileira 1
11. Paisagem Brasileira 2

Para baixar esta trilha sonora em FLAC, clique AQUI.

Simplesmente Maria - Trilha Sonora da Novela (1991)

Simplesmente Maria é uma telenovela de autoria de Celia Alcántara, com adaptação de Gabriela Ortigoza e colaboração de Kari Fajer e Carlos Romero. Foi produzida por Ignacio Sada Madero e Valentín Pimstein para a Televisa, com direção de Beatriz Sheridan e Arturo Ripstein, sendo exibida pelo Canal de las Estrellas entre 16 de outubro de 1989 e 11 de maio de 1990.

A trama é protagonizada por Victoria Ruffo, Jaime Garza e Manuel Saval, com atuações antagonistas de Frances Ondiviela, Roberto Ballesteros e Gabriela Goldsmith.

No Brasil, foi exibida sob o título Simplesmente Maria pelo SBT, entre 9 de setembro de 1991 e 9 de março de 1992, com dublagem dos estúdios Herbert Richers.

Trata-se de um remake de uma telenovela peruana produzida em 1969. Curiosamente, houve uma versão brasileira da história produzida pela TV Tupi, escrita por Benjamin Cattan e Benedito Ruy Barbosa, com direção de Benjamin Cattan e Walter Avancini, exibida entre 6 de junho de 1970 e 26 de junho de 1971.

A equipe de marketing estratégico do SBT, aproveitando o sucesso das trilhas sonoras totalmente brasileiras das novelas Carrossel, Vovô e Eu e do seriado Chaves, lançou em 1991, pela BMG Ariola, o LP da novela Simplesmente Maria. 

O disco traz como tema de abertura a música homônima, de autoria de José Antonio "Potro" Farías com adaptação de João Plinta, interpretada pela dupla Johnny & Ringo. O que muitos não sabem é que Johnny funcionou como pseudônimo de Potro no Brasil, para interpretar a canção no idioma português, enquanto Ringo é nome artístico de José Carlos Mendes Alves, um músico bastante conhecido em trabalhos de coro vocal de estúdio em discos dos anos 80.

Além do tema original, o SBT preparou uma trilha musical para acompanhar a dublagem da Herbert Ritchers, destacando exclusividades que você só encontra mesmo nela, como as duas composições assinadas por Danny Rush (pseudônimo de João Walter Plinta), César Rossini e Hélio Santisteban (da formação original dos Pholhas), que são: "Conte Comigo" do Grupo Evva e "Você e Eu" de Waldir Luz. A dupla Juanita & Richard reaparece após anos de hiato com "Nós Dois Pra Sempre", versão de Noi Due Per Sempre assinada por Roberto Manzoni. A cantora Joelma também marca presença com "Sem Você", uma versão de I Need You feita por Luis Fabiano.

Publiquei a remasterização deste LP em 11/09/2024. Em 17/10/2026 estou republicando o material com aplicação de MVSep DeNoise sobre os arquivos e uma restauração da capa do LP feita pelo ChatGPT, com resultado surpreendente.

Faixas: 
01. Simplesmente Maria - Johnny & Ringo
02. Reclamando a Sua Ausência - Amado Batista
03. Nós Dois pra Sempre (Noi Due Per Sempre) - Juanita & Richard
04. Voz do Coração - Kátia Lee part. esp. William Sant'Anna (Placa Luminosa)
05. Forma de Dizer - Luiz Ricardo
06. Sem Você (I Need You) - Joelma
07. Sonho por Sonho - José Augusto
08. Ai Amor (Ay Amor) - Donizeti
09. Não Escutei Meu Coração - The Fevers
10. Pássaro Ferido - Sílvio Brito
11. Conte Comigo - Grupo Evva
12. Você e Eu - Waldir Luz

Para baixar esta trilha sonora em FLAC, clique AQUI.

Máquina do Tempo - Máquina do Tempo (1985)

Máquina do Tempo foi uma banda brasileira que lançou seu único álbum em 1985, pela gravadora RGE. O grupo também participou de programas de variedades da televisão brasileira, incluindo atrações apresentadas por Chacrinha e Bolinha, embora tenha concentrado a maior parte de suas apresentações ao vivo em bailes e eventos realizados por todo o Brasil.

A formação da banda reunia Ricardo Melchior (guitarra, violão e voz), Ernesto "Tinho" Gomes (baixo e voz), Beto Cury (bateria, percussão e voz) e Carlinhos Borba Gato, líder do grupo, responsável por voz, guitarra e violão.

Para a gravação do álbum, a banda contou com a participação de Eduardo Assad, ao piano e nos teclados, e de Abreu, do grupo Os Carbonos, que tocou a bateria eletrônica Oberheim DMX. Os vocais de apoio ficaram a cargo de Vivian Costa Manso, Maria Rita Kfouri e Tania Lemke, integrantes do grupo Harmony Cats, além de Angela Marcia Bavini e João Carlos "Ringo". Assad também assina os arranjos, ao lado da própria Máquina do Tempo.

O repertório do disco é composto integralmente por versões de músicas das décadas de 1960 e 1970, com adaptações assinadas por Carlinhos Borba Gato (faixas A1 a A5, B1 e B3), Ricardo Melchior (faixas A6, B2 e B4), Ficarelli (faixa B5) e Fred Jorge (faixa B6).

A direção de produção ficou a cargo de Hélio Eduardo Costa Manso, enquanto a produção foi assinada por Carlinhos Borba Gato. O álbum foi gravado no estúdio Intersom, em São Paulo, com trabalhos técnicos de Renaldo Baziero, Eli Bontempo e José Carlos Leitão, assistência de José Bondim e Darci Ferreira da Silva e edição de Paulo João da Silva.

Antes de formar a Máquina do Tempo, Carlinhos Borba Gato já havia gravado alguns compactos e lançado um álbum solo pela RGE, em 1982. Ricardo Melchior teve passagem pela banda The Jet Blacks e atuou como músico de estúdio. Entre seus trabalhos, estão os arranjos de três faixas do álbum Chaves, no qual também figura entre os convidados. Ernesto "Tinho" Gomes integrou a banda Os Incríveis na década de 1990 e faleceu em 2014. Já Beto Cury passou pelo Made in Brazil no final da década de 1970, participou de gravações em estúdio como baterista e continuou atuando musicalmente, com apresentações na noite paulistana.

Faixas:
01. A Chuva e Você (The Rain, the Park and Other Things)
02. Só Pra Lembrar (Twilight Time)
03. Os Cantores do Rádio (Life Is a Rock (But the Radio Rolled Me))
04. A Cidade Está Deserta (It Never Rains in Southern California)
05. Liga e Desliga (The Loco-Motion)
06. Bons Tempos (Little Bitty Pretty One)
07. Doce Esperança (Weave Me the Sunshine)
08. Hotel Califórnia (Hotel California) 
09. Nada Vai Apagar (Dream Lover)
10. Não Me Culpe Assim (In the Summertime)
11. Pra Ter Você (Be My Baby)
12. O Amor Que Perdi (Runaway)

Para baixar este álbum em FLAC, clique AQUI.

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Vamos Nessa! (1983)

O “Vamos Nessa!” foi uma das grandes apostas do SBT para a programação musical jovem do início dos anos 1980. O programa de auditório funcionava como uma verdadeira parada de sucessos, disputando a atenção do público com atrações já consolidadas da concorrência, como o memorável Globo de Ouro, da Rede Globo.

O grande destaque eram os rankings! O programa apresentava a “Pesquisa Nacional de Sucessos” e a “Parada Permanente de Sucessos”, reunindo tanto as músicas que estavam estouradas nas rádios naquele momento quanto aquelas que já haviam conquistado seu lugar entre os clássicos populares.

Os artistas subiam ao palco para cantar seus maiores hits, acompanhados por um corpo de baile próprio, que conferia às apresentações uma dinâmica jovem e bastante coreografada. Outro destaque era o quadro “Revelações”, que funcionava como vitrine para novos talentos da música brasileira e também abria espaço para participações de nomes consagrados.

O pesquisador — e contribuidor do blog com comentários — André Luiz ainda lembra que o programa tinha o quadro “Casa do Artista”, uma atração bem aguardada em que a produção visitava a casa de um cantor ou banda para que ele interpretasse seu hit daquele momento.

A estreia, em 1982, foi apresentada pelo cantor Dudu França, que havia feito sucesso na Era Disco com Grilo na Cuca. À frente da atração, ele comandava episódios semanais inteiramente voltados ao público jovem.

Naquele período, o cantor também ganhou novo fôlego na carreira ao assinar contrato com a gravadora RCA, lançando os álbuns Brilho Novo e Geração Saúde. Como já publiquei aqui no blog, a coletânea Música Sempre Presente também funciona como um apanhado de artistas que passaram pelo programa.

O formato agradou tanto a Sílvio Santos que, em 1983, o “Vamos Nessa!” passou a integrar, como quadro fixo e dominical, o consagrado Programa Silvio Santos. O próprio apresentador interagia com o auditório e comandava o ranking musical, aproximando ainda mais a parada de sucessos do público de casa.

Entre 1984 e 1985, foi a vez de Mara Maravilha estrear na rede Sistema Brasileiro de Televisão. Ela era apresentadora da TV Itapoan em Salvador (Bahia) – atualmente afiliada da TV Record –  e acabou assinando contrato com o canal do Patrão. Foi a primeira vez que comandou uma atração musical solo na emissora.

Com seu estilo espontâneo e alegre, Mara ajudou a manter o programa conectado à cultura pop daquela geração, antes de seguir seu caminho para o universo da programação infantil. Outros nomes conhecidos, como Sérgio Mallandro, também chegaram a passar pelo comando da atração.

O palco do Vamos Nessa! recebia de tudo um pouco: dos ídolos do pop/rock e da música romântica aos reis do rebolado.

Artistas como Sidney Magal, Nahim, Gretchen, Almir Rogério, intérprete do hit Fuscão Preto, Lilian e o grupo infantil A Patotinha marcaram presença na atração. Era um retrato bastante representativo da diversidade musical que ocupava as rádios, os programas de auditório e os discos brasileiros daquela época.

Aqui no blog, já publiquei as coletâneas O Sucesso de “O Povo na TV” e Música Sempre Presente, que também reúnem uma espécie de panorama musical dos artistas que circulavam pela programação televisiva.

Mas, em 1983, a RCA e a SBT Discos & Fitas levaram ao mercado um registro próprio do programa: o LP “Vamos Nessa!”, com 14 faixas de artistas de destaque daquele período.

A seleção reuniu Márcio Greyck, Juanita & Richard, Antonio Marcos, Lilian, Renato & Seus Blue Caps, Altemar Dutra, A Patotinha, Trio Los Angeles, Gang 90 & Absurdetes, Rosemary, Sérgio Mallandro, Beto Mi, Moacyr Franco e Jane & Herondy.

O mais interessante dessa coletânea é a capacidade de reunir, dentro de um mesmo contexto pop, estilos musicais tão diferentes. Algumas dessas canções, classificadas como populares, acabaram ganhando o rótulo de trash no início dos anos 2000.

Na minha opinião, porém, à medida que cresceu o interesse de pessoas dispostas a conhecer, colecionar e manusear os discos de vinil, algumas dessas sonoridades passaram a ser ressignificadas e mais bem compreendidas.

Eu mesmo reconheço que as gravadoras conseguiam aliar o apelo popular a produções musicais de bom gosto. A música brasileira dos anos 1980 tinha uma diversidade enorme, e não faltava cuidado na elaboração de muitos desses trabalhos.

É também por isso que vale revisitar uma coletânea como esta: ela permite ouvir, lado a lado, artistas com trajetórias e linguagens muito distintas, todos reunidos sob o mesmo espírito de entretenimento popular.

Para esta publicação, aproveitei algumas masters que já estavam disponíveis nas plataformas digitais havia alguns anos, nos casos de Márcio Greyck, Antonio Marcos, Lilian, A Patotinha, Rosemary, Moacyr Franco e Jane & Herondy.

Para os fonogramas dos demais artistas, recorri às faixas deste próprio LP.

A escolha, porém, não se resumiu a procurar uma versão digital e utilizá-la automaticamente. Em alguns casos, a fonte disponível apresentava limitações; em outros, o áudio do disco de vinil tinha características que considerei mais interessantes. E há também as particularidades de cada gravação, que fazem toda a diferença quando se escuta com atenção.

"Guarde Seu Amor Para Mim (Save Your Love)": A faixa foi publicada no terceiro CD da coleção Toque Popular, em 2001. O problema é que aquela versão apresenta uma saturação considerável. Por isso, preferi recorrer ao fonograma do LP. Nesse caso, a escolha foi simples: a fonte em vinil oferecia uma alternativa que considerei mais adequada para o resultado que queria alcançar. Ah cabe registrar que a original "Save Your Love" do duo italiano Renée & Renato, foi hit número 1 no Reino Unido em 1982, chegando a integrar a trilha sonora da novela Pão Pão Beijo Beijo em 1983. A canção em português ficou por muitos anos exclusiva a esta coletânea e ao compacto 7 polegadas. 

"Renato Collection":  Aqui temos uma das curiosidades mais interessantes do LP. O medley Renato Collection abre com Através dos Tempos e apresenta, ao longo de sua execução, nove sucessos da trajetória do grupo. Para esta coletânea, porém, a RCA passou o facão em Através dos Tempos: retirou essa parte e manteve os trechos das músicas mais conhecidas, além de empregar um efeito de desaceleração (slow down). Em vez de editar o fonograma disponível nas plataformas digitais — o mesmo remasterizado em 2001 —, preferi trabalhar com a faixa do próprio LP. A comparação entre essas versões é justamente o tipo de detalhe que torna esse trabalho tão interessante para quem gosta de investigar a história dos fonogramas.

“Vida Roubada (Tema de Abertura da Novela ‘Vida Roubada’)": A faixa de Altemar Dutra é um dos registros mais marcantes desta seleção. A canção ganhou destaque na novela Vida Roubada e também foi apresentada pelo cantor no programa Vamos Nessa!. Ela acabou se tornando um dos últimos sucessos de Altemar Dutra antes de sua morte, em 9 de novembro de 1983, aos 43 anos, vítima de um acidente vascular cerebral (AVC), em Nova York, nos Estados Unidos. Além desta coletânea, a música foi publicada no álbum póstumo Inédito. O disco está disponível nas plataformas digitais pela Sony Music, mas a qualidade do áudio, a meu ver, não é aceitável. Foi justamente isso que me levou a me desdobrar para remasterizar o fonograma a partir do LP Vamos Nessa!.

Um pouco mais sobre a novela Vida Roubada: Produzida e exibida pelo SBT entre 14 de novembro de 1983 e 16 de junho de 1984, Vida Roubada foi uma telenovela romântica adaptada da obra Ha Llegado una Intrusa, de Marissa Garrido, que buscou inspiração em A Intrusa, de Geraldo Vietri. No Brasil, a adaptação ficou a cargo de Raymundo López. A novela teve direção de Antonino Seabra e Eduardo Lunardi, com direção geral de Waldemar de Moraes. 

O elenco principal reuniu Suzy Camacho, Eliane Giardini, Fausto Rocha Jr., Maria Estela, Rogério Márcico, Ana Rosa, Maria Luíza Castelli e Mário Cardoso. A produção também teve uma segunda exibição entre 1986 e 1987, depois de seu período original na programação do SBT.

A presença do tema na coletânea ajuda a preservar a ligação entre a música popular e a teledramaturgia brasileira, duas forças que caminharam juntas na formação da memória afetiva de muita gente.

"Como Eu Te Quero": Um twist gravado pelo Trio Los Angeles para o álbum de 1982 está ensolarando esta coletânea. Amei, eu não tenho cópia do primeiro LP – pelo menos não havia me interessado até o momento, por mero preconceito devido faixas mais popularescas que fizeram sucesso. Remasterizei com um pouco de trabalho essa faixa. Mas ficou ótima pra figurar entre as demais!

"Telefone": O repertório da Gang 90 & Absurdetes também recebeu lançamento em CD, e o conteúdo daquele álbum da RCA chegou às plataformas digitais. Ainda assim, achei o áudio do LP Vamos Nessa! bem mais robusto. Preferi manter o fonograma do vinil por considerar que ele oferece uma sonoridade mais interessante para esta edição. Nem sempre a versão digital é a mais agradadável aos ouvidos. E, para mim, comparar essas diferenças faz parte da graça de recuperar esse repertório.

“Tric Tric”: A faixa de Sérgio Mallandro já figurava na trilha sonora do filme Garota Dourada. Existe, porém, uma diferença interessante entre o fonograma da RCA reproduzido a partir de um LP da CBS e o fonograma direto. A textura sonora não é a mesma. É um daqueles casos que convido a comparar as duas gravações para perceber as diferenças!

“Pra Dizer Que Não Falei do Verso”: Há também uma particularidade envolvendo Pra Dizer Que Não Falei do Verso. A música aparece no LP remasterizado de Beto Mi, mas fiz questão de manter aquela versão exclusiva do álbum do artista, para efeito de comparação, sem utilizá-la como fonte nesta edição. Aqui, a ideia foi respeitar o fonograma desta coletânea e deixar que as diferenças entre as versões também façam parte da experiência de audição. O áudio deste LP está surpreendentemente gostoso de ouvir. Coisas de gente obcecada por áudio... hahaha!

Por que uma remasterização parcial do LP? A pergunta é pertinente! Meu exemplar estava em condição Good, quase Good Minus. Ao mesmo tempo, eu já tinha algumas faixas prontas em ótima qualidade, que precisavam apenas de uma limpeza pontual com o MVSep.

Por isso, optei por uma remasterização parcial, aproveitando as fontes que considerei adequadas e concentrando o trabalho onde ele realmente era necessário.

Bom, chega de auditar esse trabalho! rs...

Faixas:
01. Você Veio - Márcio Greyck
02. Guarde Seu Amor Pra Mim (Save Your Love) - Juanita & Richard
03. Adeus às Ilusões (The Shadow of Your Smile) - Antonio Marcos
04. O Sonho - Lilian
05. Renato Collection - Renato & Seus Blue Caps
06. Vida Roubada (Tema de Abertura da Novela 'Vida Roubada') - Altemar Dutra
07. Bobo da Corte - A Patotinha
08. Como Eu Te Quero - Los Angeles
09. Telefone - Gang 90 & Absurdetes
10. Paixão - Rosemary
11. Tric Tric - Sérgio Mallandro
12. Pra Dizer que Não Falei do Verso - Béto Mi
13. Te Amo Mas Adeus - Moacyr Franco
14. Para Dizer Adeus (To Say Goodbye) - Jane & Herondy

Para baixar esta coletânea em FLAC, clique AQUI.

quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Música Sempre Presente (1982)

Se você viveu o início dos anos 80 ou curte garimpar relíquias do pop romântico nacional em vinil como eu, com certeza já esbarrou com o selinho do SBT estampado em algum LP da RCA Victor. Em 1982, a emissora e a gravadora uniram forças na seleção de repertório para lançar a coletânea Música Sempre Presente — um verdadeiro retrato do que tocava e embalava os auditórios e rádios da época!

A capa já entrega tudo logo de cara: um grande mosaico traz os retratos de vários dos artistas presentes no LP — com direito a fotos promocionais clássicas da época —, dividido na diagonal pelo título em letras garrafais. Um trabalho gráfico bem característico assinado por Vanderlei Rodrigues, Iastake Fassimoto e Nelson Pincel, reunindo 14 faixas que passeiam entre o brega chique, a MPB romântica e aquele pop contagiante do começo da década.

Musicalmente, o LP oferece uma seleção variada, mas com forte presença do repertório romântico que marcou a carreira de muitos desses intérpretes. Ricardo Braga abre a seleção com “Amor Secreto Amor”, seguido pelo inconfundível Antonio Marcos e sua romântica “Alô”; Carmen Silva arrasta a chinela com o forrozinho “Festa dos Arrombas” com um tema pra lá de polêmico: eleição. 

Entre essas gravações aparece “Muito Além do Arco-Íris”, versão brasileira de “Over the Rainbow”, composição de Harold Arlen e E. Y. Harburg, eternizada no cinema por Judy Garland. Aqui, a interpretação é de Marcio José, com participação especial de Valéria de Andrade, no papel de sua filha. A gravação começa com um diálogo entre pai e filha, pouco antes de dormir. A menina diz que está sentindo falta da mãe, e o pai confessa que também sente muita saudade, mas procura consolá-la dizendo que Deus tem um paraíso reservado. Com a voz chorosa, ela pergunta: “O que é paraíso, pai?”. É então que ele se lembra de uma canção que a mamãe costumava cantar para fazê-la dormir e, ao tentar explicar como era, começa a cantar seus versos. É de arrancar lágrimas.

Antes de falar de um tema surpreendentemente raro, a seleção do lado A segue com o romantismo popular de Nilton César em “A Oitava Vez”. Sinceramente, a esta altura já estou rendido à sofrência... Acaba não, mundão! Que voz magnífica e que arranjo soul incrível, de um tempo em que se fazia música popular de qualidade!

E chega Martha Coração com sua “Sol e Lua”, tema de A Leoa. A frase icônica “Toda mulher é regida pelo ciclo da lua, todo homem é regido pela força do sol, noite e dia perfeito é o que mia” devia ecoar pelos capítulos da novela, rs... Sem falar na canção com aquele apelo de festival. Boa!

Falando em A Leoa, a novela foi baseada no folhetim mexicano “La leona”, de Marissa Garrido, com adaptação de Crayton Sarzy e Raymundo López, direção de Renato Petrauskas e David Grimberg e direção geral de Waldemar de Moraes. O elenco principal reuniu Maria Estela, Suzy Camacho, Paulo Castelli, Maria Aparecida Báxter, Amilton Monteiro, Geraldo Del Rey, Silva Leblon e Fábio Tomasini. Exibida originalmente entre 16 de agosto e 25 de outubro de 1982, a produção ganhou reprises em 1983, 1984 e 1990.

Chegou a vez de falar de “De Repente, Amor”, do cantor Saulo. Um artista de discografia limitada, mas vou falar? Que letra maravilhosa! “E todos juntos dançando uma nova ciranda, mostrando que a fé é quem manda, gritando pro mundo o amor. E todos juntos buscando uma nova esperança, agindo tal qual a criança, na simples pureza do amor.” Quando der o play, deixe essa letra contagiar seu coração junto com a melodia!

Uma curiosidade que merece atenção está no posicionamento de algumas faixas, que acabam sendo beneficiadas nesta coletânea. “O Jogo (Ha Ha)”, de Dudu França, ocupa a sexta posição do lado B no álbum Brilho Novo (1982), já prejudicada pela qualidade da gravação em semi-estéreo, mesmo tendo sido lançada também em compacto. Em Música Sempre Presente, a canção abre o lado B, numa posição mais favorável à reprodução, com qualidade bem superior. 

E pensou que faltariam ligações com a maior casa de entretenimento da televisão brasileira? A seleção também traz “A Força do Amor”, interpretada por Adrianno, tema de abertura da telenovela homônima do SBT, escrita por Raymundo López e baseada no romance “Mañana será otro día”, de Marissa Garrido, com direção de Waldemar de Moraes. A produção contou com Angelina Muniz, Paulo Castelli, Suzy Camacho, Percy Aires, Yara Lins, Roberto Orozco, Elizabeth Hartmann e Lia de Aguiar nos papéis principais. Exibida originalmente entre 31 de maio e 13 de agosto de 1982, a novela voltou à programação da emissora em 1983 e 1990.

Falando sobre faixas escanteadas de repertório, vou citar “Memórias”, de Renato e Seus Blue Caps, relegada à quinta e última faixa do lado B no álbum Pra Sempre (1983), mas que nesta coletânea ocupa a terceira posição do lado B. Essas mudanças fazem uma diferença significativa na audição, já que as faixas próximas ao centro do vinil estão mais sujeitas à distorção de sulco interno, perceptível mesmo com uma agulha elíptica. Nesse aspecto, a distribuição do repertório nesta coletânea acaba oferecendo uma vantagem sonora bastante interessante em relação aos discos originais. Aliás, falando em “Memórias”, a faixa incorpora incidentalmente “Besame Mucho”, num arranjo que remete aos moldes de Ray Conniff, mas escapa da breguice justamente por brincar com essa referência, explorando a melodia de maneira criativa e chegando a um resultado musical muito mais interessante. Aliás com a voz de Ed Wilson e Renato Barros a canção é um convite ao deleite!

Cara, eu preciso falar de “Vamos Dançar Kumbô (Koumbo)”, de Maria Alcina, uma exclusividade de compacto que ganhou espaço nesta coletânea e uma masterização gostosa de ouvir. Antes mesmo de se popularizar com a lambada, Alcina já apresentava a “dança que chegou de Trinidad”. Conhecido como o rei das “músicas de verão” (canciones del verano) na Espanha, Georgie Dann trouxe nessa faixa seu estilo tropical e festivo característico, cantando sobre uma viagem a Trinidad e Tobago, no Caribe, onde o narrador vai ao encontro de Koumbó, nome carinhoso dado à mulher amada. Na versão brasileira, a música foi completamente reestruturada para destacar os passos de uma dança sensual, combinando perfeitamente com a energia performática de Maria Alcina.

E agora a emoção toma conta novamente com Rino Mari, interpretando “Canção de Amor e Fé”, versão de “Con una canción a flor de labios”, cantada originalmente por Palito Ortega. “Eu encontrar-te, amigo, num eterno amanhecer e juntos despertar o mundo com uma canção de amor e fé.” Não precisa falar mais nada... um hino! Próxima.

Quase encerrando o repertório, Rosemary entrega “Jóia”, composição de Roberto Carlos e Erasmo Carlos. Etérea! Uma das mais lindas composições feitas pelas mãos dessa dupla! É um presente para Rosemary, que, ao colocar sua voz nela, acaba nos presenteando também. “Como joia que precisa ser notada, sou uma mulher, preciso ser amada, ser amadaaaaa...” E aquela voz que se funde a um solo de saxofone divinal! Outro hino!

Para encerrar, a maior curiosidade de todas! Conhecido artisticamente como Rufino, o cantor Rufino Delfino começou sua carreira como sonoplasta exclusivo do radialista Zé Béttio, na Rádio Record. Foi por intermédio do programa Clube do Bolinha que surgiu a oportunidade de gravar, pela RCA, o compacto simples “Dona do Meu Coração / Ponto Final”, lançado em 1982. A canção “Dona do Meu Coração” alcançou um sucesso estrondoso, levando Rufino a se apresentar em outros programas de televisão. E é justamente essa gravação que encontramos documentada em Música Sempre Presente, encerrando a coletânea com uma história que passa pelo rádio, ganha espaço na televisão e chega ao vinil!

Faixas:
01. Amor Secreto Amor - Ricardo Braga
02. Alô - Antonio Marcos
03. Festa dos Arrombas - Carmen Silva
04. Muito Além do Arco-Íris (Over The Rainbow) - Marcio José part. esp. Valéria de Andrade
05. Pela Oitava Vez - Nilton César
06. Sol e Lua - Martha Coração
07. De Repente, Amor - Saulo
08. O Jogo (Ha Ha) - Dudu França
09. A Força do Amor - Adrianno
10. Vamos Dançar Kumbô (Koumbo) - Maria Alcina
11. Memórias - Renato & Seus Blue Caps
12. Canção de Amor e Fé (Con Una Cancion a Flor de Labios) - Rino Mari
13. Jóia - Rosemary
14. Dona do Meu Coração (La Ladrona) - Rufino

Para baixar esta coletânea em FLAC, clique AQUI.

terça-feira, 13 de outubro de 2026

Namorados (1980)

Lançada pela RCA Victor em 1980, a coletânea Namorados consegue o feito de reunir 14 gravações românticas, entre produções nacionais – incluindo versões de melodias conhecidas –, gravações em inglês feitas no Brasil pelos chamados “falsos gringos”, temas instrumentais e poesias musicais declamadas por atores.

A ornamentação gráfica é uma exuberância à parte: a capa frontal traz um casal caminhando de mãos dadas por um campo de trigo, em um dia de sol quase poente, com o título Namorados em uma elegante tipografia cursiva branca. Na contracapa, uma borda mostarda com detalhes em brasão preto envolve o vermelho intenso do fundo, com a disposição centralizada das faixas e apenas uma pequena nota de fabricação e distribuição no rodapé. Infelizmente, a edição carece de informações mais detalhadas sobre fotografia, agência responsável, seleção de repertório, masterização e edição.

Mas deixemos as crítica pra focar nas curiosidades! A primeira delas é a presença no repertório do maestro Franco Micalizzi e do cantor Claudio Di Moro. “L'Ultima Neve Di Primavera”, composição instrumental de Micalizzi, havia sido utilizada na trilha sonora da novela Os Gigantes. Ao lançá-la em compacto, a RCA apresentou no lado B uma versão cantada, intitulada “A Última Neve de Primavera”, com vocais de Claudio Di Moro.

Em Namorados, os dois artistas voltam a dividir espaço, mas com uma novidade: enquanto a coletânea apresenta o sucesso de Micalizzi, na sequência temos Claudio Di Moro interpretando a belíssima “Ela Acredita Em Mim”, versão de “She Believes In Me”, sucesso de Kenny Rogers.

E, por incrível que pareça, essa sequência já havia aparecido na trilha sonora de Os Gigantes Internacional, em que “L'Ultima Neve Di Primavera” abre o lado B, seguida da gravação original de “She Believes In Me”, com Kenny Rogers. Em Namorados, a as duas aparecem, mas com a interpretação de Claudio Di Moro no lugar da original, em uma gravação exclusiva para esta coletânea! Ela só não segue a sequência de Os Gigantes porque é interrompida pela Lilian com "Quero Te Dar Amor (Lead Me On)".

Neste eixo de versões de sucessos conhecidos, então vamos encontrar Lilian, com “Quero Te Dar Amor”, versão de “Lead Me On”, sucesso na voz de Maxine Nightingale presente em 1980 na novela Água Viva; a dupla Jane & Herondy, com “Um Caminho Para Nós Dois”, versão de “Reunited”, de Peaches & Herb que foi tema da novela Marrom Glacê em 1979 e, por fim, Perla, interpretando “Te Amo Tanto”, adaptação de “Piano Piano... M'Innamorai Di Te”, famosa canção de 1977 do grupo italiano Collage presente na trilha da novela Pai Herói em 1979.

O universo musical de Roberto Carlos também está espalhado pelo repertório de Namorados, mesmo sem a presença do cantor. Uma das surpresas é “Once Again”, versão em inglês de “Outra Vez”, composição de Isolda, com letra adaptada por Deborah McDuffie, uma das vocalistas do Samba Soul. A gravação foi lançada originalmente no álbum homônimo do grupo, em 1979. A versão em inglês entraria em 1984 para a novela Livre Para Voar sob a releitura de Damaris Carbaugh.

Outra composição bastante conhecida aparece na voz de Maria Creuza, que interpreta “Café da Manhã”, de Roberto e Erasmo Carlos, gravação presente em seu álbum Pecado (1979). Já Altemar Dutra participa com “Um Jeito Estúpido de Te Amar”, composição de Isolda e Milton Carlos, imortalizada na voz de Roberto Carlos e incluída por Altemar no álbum Sempre Romântico (1977).

Essa presença ganha um desfecho curioso com o ator Toni Ramos, que encerra a coletânea declamando um texto construído a partir de trechos de composições de Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Isolda, Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli. Entre elas estão justamente “Outra Vez” e “Café da Manhã”, que já haviam aparecido anteriormente no disco em outras interpretações. A gravação foi extraída do compacto especial Toni Ramos... Com Muito Amor, produzido por Ronaldo Bôscoli, com arranjo orquestral de Leonardo Bruno.

Neste eixo do universo Roberto Carlos, temos ainda Ricardo Braga, que se tornou famoso por sua voz semelhante à de Roberto. Inclusive, faz uma imitação caricata do cantor em algumas faixas do projeto Dogs and The Mastermixers, de 1991. Aqui, ele interpreta “Jamais Esqueci Você”, revelando um timbre surpreendentemente singular que não ousaria equiparar ao do Rei.

Ronnie Von também aparece com a balada “Amigos e Amantes”, composta por Martinha, a “garota barra limpa”, que descreve o rei da Jovem Guarda, Roberto Carlos, como “uma brasa, mora!”. Hahahaha...

Continuando... os “falsos gringos” de quem falei já eram, à altura de 1979, bandas bastante conhecidas. Estou falando de Pholhas e Manchester. O Pholhas aparece com “I Remember”, presente no álbum Memory, lançado naquele mesmo ano. Já “Only”, do Manchester, fazia parte de um compacto duplo lançado pela RCA também em 1979. Ambas as gravações tiveram êxito nas rádios.

Ah, lembra que citei Toni Ramos? Francisco Cuoco também era conhecido por sua carreira na música, tendo gravado álbuns em que declamava poesias com sua voz. O que chama a atenção é que, ao declamar “Deus Como Eu Te Amo”, originalmente “Dio Come Ti Amo”, gravada por Domenico Modugno, a voz descrita por muitos como rouca – só se for pelos trabalhos dos últimos trinta anos de Cuoco! – aqui soa muito aveludada e BEM sedutora, uma característica marcante de suas interpretações nas telenovelas.

Como já falei de todas as gravações aqui em tom almanaquês, agora vou deixar todos curtirem a remasterização deste LP! Bora?

Faixas:
01. Um Caminho Para Nós Dois (Reunited) - Jane & Herondy
02. Jamais Esqueci Você - Ricardo Braga
03. Te Amo Tanto (Piano Piano... M'innamorai Di Te) - Perla
04. Once Again (Outra Vez) - Samba Soul
05. Amigos e Amantes - Ronnie Von
06. I Remember - Pholhas
07. Deus Como Te Amo (Dio Come Ti Amo) - Francisco Cuoco
08. Café Da Manhã - Maria Creuza
09. L'Última Neve Di Primavera - Franco Micalizzi E La Sua Orchestra
10. Quero Te Dar Amor (Lead Me On) - Lilian
11. Ela Acredita em Mim (She Believes In Me) - Claudio Di Moro
12. Um Jeito Estúpido de Te Amar - Altemar Dutra
13. Only - Manchester
14. Proposta/ Detalhes/ Outra Vez/ Café da Manhã/ Os Seus Botões/ A Volta - Toni Ramos

Para baixar esta coletânea em FLAC, clique AQUI.