quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Vamos Nessa! (1983)

O “Vamos Nessa!” foi uma das grandes apostas do SBT para a programação musical jovem do início dos anos 1980. O programa de auditório funcionava como uma verdadeira parada de sucessos, disputando a atenção do público com atrações já consolidadas da concorrência, como o memorável Globo de Ouro, da Rede Globo.

O grande destaque eram os rankings! O programa apresentava a “Pesquisa Nacional de Sucessos” e a “Parada Permanente de Sucessos”, reunindo tanto as músicas que estavam estouradas nas rádios naquele momento quanto aquelas que já haviam conquistado seu lugar entre os clássicos populares.

Os artistas subiam ao palco para cantar seus maiores hits, acompanhados por um corpo de baile próprio, que conferia às apresentações uma dinâmica jovem e bastante coreografada. Outro destaque era o quadro “Revelações”, que funcionava como vitrine para novos talentos da música brasileira e também abria espaço para participações de nomes consagrados.

O pesquisador — e contribuidor do blog com comentários — André Luiz ainda lembra que o programa tinha o quadro “Casa do Artista”, uma atração bem aguardada em que a produção visitava a casa de um cantor ou banda para que ele interpretasse seu hit daquele momento.

A estreia, em 1982, foi apresentada pelo cantor Dudu França, que havia feito sucesso na Era Disco com Grilo na Cuca. À frente da atração, ele comandava episódios semanais inteiramente voltados ao público jovem.

Naquele período, o cantor também ganhou novo fôlego na carreira ao assinar contrato com a gravadora RCA, lançando os álbuns Brilho Novo e Geração Saúde. Como já publiquei aqui no blog, a coletânea Música Sempre Presente também funciona como um apanhado de artistas que passaram pelo programa.

O formato agradou tanto a Sílvio Santos que, em 1983, o “Vamos Nessa!” passou a integrar, como quadro fixo e dominical, o consagrado Programa Silvio Santos. O próprio apresentador interagia com o auditório e comandava o ranking musical, aproximando ainda mais a parada de sucessos do público de casa.

Entre 1984 e 1985, foi a vez de Mara Maravilha estrear na rede Sistema Brasileiro de Televisão. Ela era apresentadora da TV Itapoan em Salvador (Bahia) – atualmente afiliada da TV Record –  e acabou assinando contrato com o canal do Patrão. Foi a primeira vez que comandou uma atração musical solo na emissora.

Com seu estilo espontâneo e alegre, Mara ajudou a manter o programa conectado à cultura pop daquela geração, antes de seguir seu caminho para o universo da programação infantil. Outros nomes conhecidos, como Sérgio Mallandro, também chegaram a passar pelo comando da atração.

O palco do Vamos Nessa! recebia de tudo um pouco: dos ídolos do pop/rock e da música romântica aos reis do rebolado.

Artistas como Sidney Magal, Nahim, Gretchen, Almir Rogério, intérprete do hit Fuscão Preto, Lilian e o grupo infantil A Patotinha marcaram presença na atração. Era um retrato bastante representativo da diversidade musical que ocupava as rádios, os programas de auditório e os discos brasileiros daquela época.

Aqui no blog, já publiquei as coletâneas O Sucesso de “O Povo na TV” e Música Sempre Presente, que também reúnem uma espécie de panorama musical dos artistas que circulavam pela programação televisiva.

Mas, em 1983, a RCA e a SBT Discos & Fitas levaram ao mercado um registro próprio do programa: o LP “Vamos Nessa!”, com 14 faixas de artistas de destaque daquele período.

A seleção reuniu Márcio Greyck, Juanita & Richard, Antonio Marcos, Lilian, Renato & Seus Blue Caps, Altemar Dutra, A Patotinha, Trio Los Angeles, Gang 90 & Absurdetes, Rosemary, Sérgio Mallandro, Beto Mi, Moacyr Franco e Jane & Herondy.

O mais interessante dessa coletânea é a capacidade de reunir, dentro de um mesmo contexto pop, estilos musicais tão diferentes. Algumas dessas canções, classificadas como populares, acabaram ganhando o rótulo de trash no início dos anos 2000.

Na minha opinião, porém, à medida que cresceu o interesse de pessoas dispostas a conhecer, colecionar e manusear os discos de vinil, algumas dessas sonoridades passaram a ser ressignificadas e mais bem compreendidas.

Eu mesmo reconheço que as gravadoras conseguiam aliar o apelo popular a produções musicais de bom gosto. A música brasileira dos anos 1980 tinha uma diversidade enorme, e não faltava cuidado na elaboração de muitos desses trabalhos.

É também por isso que vale revisitar uma coletânea como esta: ela permite ouvir, lado a lado, artistas com trajetórias e linguagens muito distintas, todos reunidos sob o mesmo espírito de entretenimento popular.

Para esta publicação, aproveitei algumas masters que já estavam disponíveis nas plataformas digitais havia alguns anos, nos casos de Márcio Greyck, Antonio Marcos, Lilian, A Patotinha, Rosemary, Moacyr Franco e Jane & Herondy.

Para os fonogramas dos demais artistas, recorri às faixas deste próprio LP.

A escolha, porém, não se resumiu a procurar uma versão digital e utilizá-la automaticamente. Em alguns casos, a fonte disponível apresentava limitações; em outros, o áudio do disco de vinil tinha características que considerei mais interessantes. E há também as particularidades de cada gravação, que fazem toda a diferença quando se escuta com atenção.

"Guarde Seu Amor Para Mim (Save Your Love)": A faixa foi publicada no terceiro CD da coleção Toque Popular, em 2001. O problema é que aquela versão apresenta uma saturação considerável. Por isso, preferi recorrer ao fonograma do LP. Nesse caso, a escolha foi simples: a fonte em vinil oferecia uma alternativa que considerei mais adequada para o resultado que queria alcançar. Ah cabe registrar que a original "Save Your Love" do duo italiano Renée & Renato, foi hit número 1 no Reino Unido em 1982, chegando a integrar a trilha sonora da novela Pão Pão Beijo Beijo em 1983. A canção em português ficou por muitos anos exclusiva a esta coletânea e ao compacto 7 polegadas. 

"Renato Collection":  Aqui temos uma das curiosidades mais interessantes do LP. O medley Renato Collection abre com Através dos Tempos e apresenta, ao longo de sua execução, nove sucessos da trajetória do grupo. Para esta coletânea, porém, a RCA passou o facão em Através dos Tempos: retirou essa parte e manteve os trechos das músicas mais conhecidas, além de empregar um efeito de desaceleração (slow down). Em vez de editar o fonograma disponível nas plataformas digitais — o mesmo remasterizado em 2001 —, preferi trabalhar com a faixa do próprio LP. A comparação entre essas versões é justamente o tipo de detalhe que torna esse trabalho tão interessante para quem gosta de investigar a história dos fonogramas.

“Vida Roubada (Tema de Abertura da Novela ‘Vida Roubada’)": A faixa de Altemar Dutra é um dos registros mais marcantes desta seleção. A canção ganhou destaque na novela Vida Roubada e também foi apresentada pelo cantor no programa Vamos Nessa!. Ela acabou se tornando um dos últimos sucessos de Altemar Dutra antes de sua morte, em 9 de novembro de 1983, aos 43 anos, vítima de um acidente vascular cerebral (AVC), em Nova York, nos Estados Unidos. Além desta coletânea, a música foi publicada no álbum póstumo Inédito. O disco está disponível nas plataformas digitais pela Sony Music, mas a qualidade do áudio, a meu ver, não é aceitável. Foi justamente isso que me levou a me desdobrar para remasterizar o fonograma a partir do LP Vamos Nessa!.

Um pouco mais sobre a novela Vida Roubada: Produzida e exibida pelo SBT entre 14 de novembro de 1983 e 16 de junho de 1984, Vida Roubada foi uma telenovela romântica adaptada da obra Ha Llegado una Intrusa, de Marissa Garrido, que buscou inspiração em A Intrusa, de Geraldo Vietri. No Brasil, a adaptação ficou a cargo de Raymundo López. A novela teve direção de Antonino Seabra e Eduardo Lunardi, com direção geral de Waldemar de Moraes. 

O elenco principal reuniu Suzy Camacho, Eliane Giardini, Fausto Rocha Jr., Maria Estela, Rogério Márcico, Ana Rosa, Maria Luíza Castelli e Mário Cardoso. A produção também teve uma segunda exibição entre 1986 e 1987, depois de seu período original na programação do SBT.

A presença do tema na coletânea ajuda a preservar a ligação entre a música popular e a teledramaturgia brasileira, duas forças que caminharam juntas na formação da memória afetiva de muita gente.

"Como Eu Te Quero": Um twist gravado pelo Trio Los Angeles para o álbum de 1982 está ensolarando esta coletânea. Amei, eu não tenho cópia do primeiro LP – pelo menos não havia me interessado até o momento, por mero preconceito devido faixas mais popularescas que fizeram sucesso. Remasterizei com um pouco de trabalho essa faixa. Mas ficou ótima pra figurar entre as demais!

"Telefone": O repertório da Gang 90 & Absurdetes também recebeu lançamento em CD, e o conteúdo daquele álbum da RCA chegou às plataformas digitais. Ainda assim, achei o áudio do LP Vamos Nessa! bem mais robusto. Preferi manter o fonograma do vinil por considerar que ele oferece uma sonoridade mais interessante para esta edição. Nem sempre a versão digital é a mais agradadável aos ouvidos. E, para mim, comparar essas diferenças faz parte da graça de recuperar esse repertório.

“Tric Tric”: A faixa de Sérgio Mallandro já figurava na trilha sonora do filme Garota Dourada. Existe, porém, uma diferença interessante entre o fonograma da RCA reproduzido a partir de um LP da CBS e o fonograma direto. A textura sonora não é a mesma. É um daqueles casos que convido a comparar as duas gravações para perceber as diferenças!

“Pra Dizer Que Não Falei do Verso”: Há também uma particularidade envolvendo Pra Dizer Que Não Falei do Verso. A música aparece no LP remasterizado de Beto Mi, mas fiz questão de manter aquela versão exclusiva do álbum do artista, para efeito de comparação, sem utilizá-la como fonte nesta edição. Aqui, a ideia foi respeitar o fonograma desta coletânea e deixar que as diferenças entre as versões também façam parte da experiência de audição. O áudio deste LP está surpreendentemente gostoso de ouvir. Coisas de gente obcecada por áudio... hahaha!

Por que uma remasterização parcial do LP? A pergunta é pertinente! Meu exemplar estava em condição Good, quase Good Minus. Ao mesmo tempo, eu já tinha algumas faixas prontas em ótima qualidade, que precisavam apenas de uma limpeza pontual com o MVSep.

Por isso, optei por uma remasterização parcial, aproveitando as fontes que considerei adequadas e concentrando o trabalho onde ele realmente era necessário.

Bom, chega de auditar esse trabalho! rs...

Faixas:
01. Você Veio - Márcio Greyck
02. Guarde Seu Amor Pra Mim (Save Your Love) - Juanita & Richard
03. Adeus às Ilusões (The Shadow of Your Smile) - Antonio Marcos
04. O Sonho - Lilian
05. Renato Collection - Renato & Seus Blue Caps
06. Vida Roubada (Tema de Abertura da Novela 'Vida Roubada') - Altemar Dutra
07. Bobo da Corte - A Patotinha
08. Como Eu Te Quero - Los Angeles
09. Telefone - Gang 90 & Absurdetes
10. Paixão - Rosemary
11. Tric Tric - Sérgio Mallandro
12. Pra Dizer que Não Falei do Verso - Béto Mi
13. Te Amo Mas Adeus - Moacyr Franco
14. Para Dizer Adeus (To Say Goodbye) - Jane & Herondy

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quarta-feira, 14 de outubro de 2026

Música Sempre Presente (1982)

Se você viveu o início dos anos 80 ou curte garimpar relíquias do pop romântico nacional em vinil como eu, com certeza já esbarrou com o selinho do SBT estampado em algum LP da RCA Victor. Em 1982, a emissora e a gravadora uniram forças na seleção de repertório para lançar a coletânea Música Sempre Presente — um verdadeiro retrato do que tocava e embalava os auditórios e rádios da época!

A capa já entrega tudo logo de cara: um grande mosaico traz os retratos de vários dos artistas presentes no LP — com direito a fotos promocionais clássicas da época —, dividido na diagonal pelo título em letras garrafais. Um trabalho gráfico bem característico assinado por Vanderlei Rodrigues, Iastake Fassimoto e Nelson Pincel, reunindo 14 faixas que passeiam entre o brega chique, a MPB romântica e aquele pop contagiante do começo da década.

Musicalmente, o LP oferece uma seleção variada, mas com forte presença do repertório romântico que marcou a carreira de muitos desses intérpretes. Ricardo Braga abre a seleção com “Amor Secreto Amor”, seguido pelo inconfundível Antonio Marcos e sua romântica “Alô”; Carmen Silva arrasta a chinela com o forrozinho “Festa dos Arrombas” com um tema pra lá de polêmico: eleição. 

Entre essas gravações aparece “Muito Além do Arco-Íris”, versão brasileira de “Over the Rainbow”, composição de Harold Arlen e E. Y. Harburg, eternizada no cinema por Judy Garland. Aqui, a interpretação é de Marcio José, com participação especial de Valéria de Andrade, no papel de sua filha. A gravação começa com um diálogo entre pai e filha, pouco antes de dormir. A menina diz que está sentindo falta da mãe, e o pai confessa que também sente muita saudade, mas procura consolá-la dizendo que Deus tem um paraíso reservado. Com a voz chorosa, ela pergunta: “O que é paraíso, pai?”. É então que ele se lembra de uma canção que a mamãe costumava cantar para fazê-la dormir e, ao tentar explicar como era, começa a cantar seus versos. É de arrancar lágrimas.

Antes de falar de um tema surpreendentemente raro, a seleção do lado A segue com o romantismo popular de Nilton César em “A Oitava Vez”. Sinceramente, a esta altura já estou rendido à sofrência... Acaba não, mundão! Que voz magnífica e que arranjo soul incrível, de um tempo em que se fazia música popular de qualidade!

E chega Martha Coração com sua “Sol e Lua”, tema de A Leoa. A frase icônica “Toda mulher é regida pelo ciclo da lua, todo homem é regido pela força do sol, noite e dia perfeito é o que mia” devia ecoar pelos capítulos da novela, rs... Sem falar na canção com aquele apelo de festival. Boa!

Falando em A Leoa, a novela foi baseada no folhetim mexicano “La leona”, de Marissa Garrido, com adaptação de Crayton Sarzy e Raymundo López, direção de Renato Petrauskas e David Grimberg e direção geral de Waldemar de Moraes. O elenco principal reuniu Maria Estela, Suzy Camacho, Paulo Castelli, Maria Aparecida Báxter, Amilton Monteiro, Geraldo Del Rey, Silva Leblon e Fábio Tomasini. Exibida originalmente entre 16 de agosto e 25 de outubro de 1982, a produção ganhou reprises em 1983, 1984 e 1990.

Chegou a vez de falar de “De Repente, Amor”, do cantor Saulo. Um artista de discografia limitada, mas vou falar? Que letra maravilhosa! “E todos juntos dançando uma nova ciranda, mostrando que a fé é quem manda, gritando pro mundo o amor. E todos juntos buscando uma nova esperança, agindo tal qual a criança, na simples pureza do amor.” Quando der o play, deixe essa letra contagiar seu coração junto com a melodia!

Uma curiosidade que merece atenção está no posicionamento de algumas faixas, que acabam sendo beneficiadas nesta coletânea. “O Jogo (Ha Ha)”, de Dudu França, ocupa a sexta posição do lado B no álbum Brilho Novo (1982), já prejudicada pela qualidade da gravação em semi-estéreo, mesmo tendo sido lançada também em compacto. Em Música Sempre Presente, a canção abre o lado B, numa posição mais favorável à reprodução, com qualidade bem superior. 

E pensou que faltariam ligações com a maior casa de entretenimento da televisão brasileira? A seleção também traz “A Força do Amor”, interpretada por Adrianno, tema de abertura da telenovela homônima do SBT, escrita por Raymundo López e baseada no romance “Mañana será otro día”, de Marissa Garrido, com direção de Waldemar de Moraes. A produção contou com Angelina Muniz, Paulo Castelli, Suzy Camacho, Percy Aires, Yara Lins, Roberto Orozco, Elizabeth Hartmann e Lia de Aguiar nos papéis principais. Exibida originalmente entre 31 de maio e 13 de agosto de 1982, a novela voltou à programação da emissora em 1983 e 1990.

Falando sobre faixas escanteadas de repertório, vou citar “Memórias”, de Renato e Seus Blue Caps, relegada à quinta e última faixa do lado B no álbum Pra Sempre (1983), mas que nesta coletânea ocupa a terceira posição do lado B. Essas mudanças fazem uma diferença significativa na audição, já que as faixas próximas ao centro do vinil estão mais sujeitas à distorção de sulco interno, perceptível mesmo com uma agulha elíptica. Nesse aspecto, a distribuição do repertório nesta coletânea acaba oferecendo uma vantagem sonora bastante interessante em relação aos discos originais. Aliás, falando em “Memórias”, a faixa incorpora incidentalmente “Besame Mucho”, num arranjo que remete aos moldes de Ray Conniff, mas escapa da breguice justamente por brincar com essa referência, explorando a melodia de maneira criativa e chegando a um resultado musical muito mais interessante. Aliás com a voz de Ed Wilson e Renato Barros a canção é um convite ao deleite!

Cara, eu preciso falar de “Vamos Dançar Kumbô (Koumbo)”, de Maria Alcina, uma exclusividade de compacto que ganhou espaço nesta coletânea e uma masterização gostosa de ouvir. Antes mesmo de se popularizar com a lambada, Alcina já apresentava a “dança que chegou de Trinidad”. Conhecido como o rei das “músicas de verão” (canciones del verano) na Espanha, Georgie Dann trouxe nessa faixa seu estilo tropical e festivo característico, cantando sobre uma viagem a Trinidad e Tobago, no Caribe, onde o narrador vai ao encontro de Koumbó, nome carinhoso dado à mulher amada. Na versão brasileira, a música foi completamente reestruturada para destacar os passos de uma dança sensual, combinando perfeitamente com a energia performática de Maria Alcina.

E agora a emoção toma conta novamente com Rino Mari, interpretando “Canção de Amor e Fé”, versão de “Con una canción a flor de labios”, cantada originalmente por Palito Ortega. “Eu encontrar-te, amigo, num eterno amanhecer e juntos despertar o mundo com uma canção de amor e fé.” Não precisa falar mais nada... um hino! Próxima.

Quase encerrando o repertório, Rosemary entrega “Jóia”, composição de Roberto Carlos e Erasmo Carlos. Etérea! Uma das mais lindas composições feitas pelas mãos dessa dupla! É um presente para Rosemary, que, ao colocar sua voz nela, acaba nos presenteando também. “Como joia que precisa ser notada, sou uma mulher, preciso ser amada, ser amadaaaaa...” E aquela voz que se funde a um solo de saxofone divinal! Outro hino!

Para encerrar, a maior curiosidade de todas! Conhecido artisticamente como Rufino, o cantor Rufino Delfino começou sua carreira como sonoplasta exclusivo do radialista Zé Béttio, na Rádio Record. Foi por intermédio do programa Clube do Bolinha que surgiu a oportunidade de gravar, pela RCA, o compacto simples “Dona do Meu Coração / Ponto Final”, lançado em 1982. A canção “Dona do Meu Coração” alcançou um sucesso estrondoso, levando Rufino a se apresentar em outros programas de televisão. E é justamente essa gravação que encontramos documentada em Música Sempre Presente, encerrando a coletânea com uma história que passa pelo rádio, ganha espaço na televisão e chega ao vinil!

Faixas:
01. Amor Secreto Amor - Ricardo Braga
02. Alô - Antonio Marcos
03. Festa dos Arrombas - Carmen Silva
04. Muito Além do Arco-Íris (Over The Rainbow) - Marcio José part. esp. Valéria de Andrade
05. Pela Oitava Vez - Nilton César
06. Sol e Lua - Martha Coração
07. De Repente, Amor - Saulo
08. O Jogo (Ha Ha) - Dudu França
09. A Força do Amor - Adrianno
10. Vamos Dançar Kumbô (Koumbo) - Maria Alcina
11. Memórias - Renato & Seus Blue Caps
12. Canção de Amor e Fé (Con Una Cancion a Flor de Labios) - Rino Mari
13. Jóia - Rosemary
14. Dona do Meu Coração (La Ladrona) - Rufino

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terça-feira, 13 de outubro de 2026

Namorados (1980)

Lançada pela RCA Victor em 1980, a coletânea Namorados consegue o feito de reunir 14 gravações românticas, entre produções nacionais – incluindo versões de melodias conhecidas –, gravações em inglês feitas no Brasil pelos chamados “falsos gringos”, temas instrumentais e poesias musicais declamadas por atores.

A ornamentação gráfica é uma exuberância à parte: a capa frontal traz um casal caminhando de mãos dadas por um campo de trigo, em um dia de sol quase poente, com o título Namorados em uma elegante tipografia cursiva branca. Na contracapa, uma borda mostarda com detalhes em brasão preto envolve o vermelho intenso do fundo, com a disposição centralizada das faixas e apenas uma pequena nota de fabricação e distribuição no rodapé. Infelizmente, a edição carece de informações mais detalhadas sobre fotografia, agência responsável, seleção de repertório, masterização e edição.

Mas deixemos as crítica pra focar nas curiosidades! A primeira delas é a presença no repertório do maestro Franco Micalizzi e do cantor Claudio Di Moro. “L'Ultima Neve Di Primavera”, composição instrumental de Micalizzi, havia sido utilizada na trilha sonora da novela Os Gigantes. Ao lançá-la em compacto, a RCA apresentou no lado B uma versão cantada, intitulada “A Última Neve de Primavera”, com vocais de Claudio Di Moro.

Em Namorados, os dois artistas voltam a dividir espaço, mas com uma novidade: enquanto a coletânea apresenta o sucesso de Micalizzi, na sequência temos Claudio Di Moro interpretando a belíssima “Ela Acredita Em Mim”, versão de “She Believes In Me”, sucesso de Kenny Rogers.

E, por incrível que pareça, essa sequência já havia aparecido na trilha sonora de Os Gigantes Internacional, em que “L'Ultima Neve Di Primavera” abre o lado B, seguida da gravação original de “She Believes In Me”, com Kenny Rogers. Em Namorados, a as duas aparecem, mas com a interpretação de Claudio Di Moro no lugar da original, em uma gravação exclusiva para esta coletânea! Ela só não segue a sequência de Os Gigantes porque é interrompida pela Lilian com "Quero Te Dar Amor (Lead Me On)".

Neste eixo de versões de sucessos conhecidos, então vamos encontrar Lilian, com “Quero Te Dar Amor”, versão de “Lead Me On”, sucesso na voz de Maxine Nightingale presente em 1980 na novela Água Viva; a dupla Jane & Herondy, com “Um Caminho Para Nós Dois”, versão de “Reunited”, de Peaches & Herb que foi tema da novela Marrom Glacê em 1979 e, por fim, Perla, interpretando “Te Amo Tanto”, adaptação de “Piano Piano... M'Innamorai Di Te”, famosa canção de 1977 do grupo italiano Collage presente na trilha da novela Pai Herói em 1979.

O universo musical de Roberto Carlos também está espalhado pelo repertório de Namorados, mesmo sem a presença do cantor. Uma das surpresas é “Once Again”, versão em inglês de “Outra Vez”, composição de Isolda, com letra adaptada por Deborah McDuffie, uma das vocalistas do Samba Soul. A gravação foi lançada originalmente no álbum homônimo do grupo, em 1979. A versão em inglês entraria em 1984 para a novela Livre Para Voar sob a releitura de Damaris Carbaugh.

Outra composição bastante conhecida aparece na voz de Maria Creuza, que interpreta “Café da Manhã”, de Roberto e Erasmo Carlos, gravação presente em seu álbum Pecado (1979). Já Altemar Dutra participa com “Um Jeito Estúpido de Te Amar”, composição de Isolda e Milton Carlos, imortalizada na voz de Roberto Carlos e incluída por Altemar no álbum Sempre Romântico (1977).

Essa presença ganha um desfecho curioso com o ator Toni Ramos, que encerra a coletânea declamando um texto construído a partir de trechos de composições de Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Isolda, Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli. Entre elas estão justamente “Outra Vez” e “Café da Manhã”, que já haviam aparecido anteriormente no disco em outras interpretações. A gravação foi extraída do compacto especial Toni Ramos... Com Muito Amor, produzido por Ronaldo Bôscoli, com arranjo orquestral de Leonardo Bruno.

Neste eixo do universo Roberto Carlos, temos ainda Ricardo Braga, que se tornou famoso por sua voz semelhante à de Roberto. Inclusive, faz uma imitação caricata do cantor em algumas faixas do projeto Dogs and The Mastermixers, de 1991. Aqui, ele interpreta “Jamais Esqueci Você”, revelando um timbre surpreendentemente singular que não ousaria equiparar ao do Rei.

Ronnie Von também aparece com a balada “Amigos e Amantes”, composta por Martinha, a “garota barra limpa”, que descreve o rei da Jovem Guarda, Roberto Carlos, como “uma brasa, mora!”. Hahahaha...

Continuando... os “falsos gringos” de quem falei já eram, à altura de 1979, bandas bastante conhecidas. Estou falando de Pholhas e Manchester. O Pholhas aparece com “I Remember”, presente no álbum Memory, lançado naquele mesmo ano. Já “Only”, do Manchester, fazia parte de um compacto duplo lançado pela RCA também em 1979. Ambas as gravações tiveram êxito nas rádios.

Ah, lembra que citei Toni Ramos? Francisco Cuoco também era conhecido por sua carreira na música, tendo gravado álbuns em que declamava poesias com sua voz. O que chama a atenção é que, ao declamar “Deus Como Eu Te Amo”, originalmente “Dio Come Ti Amo”, gravada por Domenico Modugno, a voz descrita por muitos como rouca – só se for pelos trabalhos dos últimos trinta anos de Cuoco! – aqui soa muito aveludada e BEM sedutora, uma característica marcante de suas interpretações nas telenovelas.

Como já falei de todas as gravações aqui em tom almanaquês, agora vou deixar todos curtirem a remasterização deste LP! Bora?

Faixas:
01. Um Caminho Para Nós Dois (Reunited) - Jane & Herondy
02. Jamais Esqueci Você - Ricardo Braga
03. Te Amo Tanto (Piano Piano... M'innamorai Di Te) - Perla
04. Once Again (Outra Vez) - Samba Soul
05. Amigos e Amantes - Ronnie Von
06. I Remember - Pholhas
07. Deus Como Te Amo (Dio Come Ti Amo) - Francisco Cuoco
08. Café Da Manhã - Maria Creuza
09. L'Última Neve Di Primavera - Franco Micalizzi E La Sua Orchestra
10. Quero Te Dar Amor (Lead Me On) - Lilian
11. Ela Acredita em Mim (She Believes In Me) - Claudio Di Moro
12. Um Jeito Estúpido de Te Amar - Altemar Dutra
13. Only - Manchester
14. Proposta/ Detalhes/ Outra Vez/ Café da Manhã/ Os Seus Botões/ A Volta - Toni Ramos

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segunda-feira, 12 de outubro de 2026

Mulheres '95 (1995)

Lançada em 1995 pela Globo/Polydor, a coletânea Mulheres '95 reúne 14 cantoras de diferentes gerações da música brasileira em uma seleção que transita por gêneros como MPB, samba, pop e rock. O projeto chegou ao mercado nos formatos LP, K7 e CD, com fabricação do CD pela Microservice Microfilmagens e Reproduções Técnicas da Amazônia Ltda., na Zona Franca de Manaus, e distribuição da PolyGram do Brasil Ltda., sob encomenda da SIGLA – Sistema Globo de Gravações Audiovisuais Ltda.

Uma curiosidade desta edição está na contracapa do CD: os dados de fabricação da Videolar da Amazônia S/A foram encobertos por uma tarja opaca, sobre a qual aparece a identificação da Microservice. A inscrição original, embora bastante apagada, ainda pode ser percebida sob a tarja, revelando uma alteração na apresentação gráfica do lançamento. Enfim, técnicas rudimentares de uma época que cada centavo economizado fazia diferença no valor final, hahaha...

A seleção de repertório ficou a cargo de Sérgio Motta, com masterização da Magic Master, fotografia de Paulo Sabugosa e direção de arte de Marciso (Pena) Carvalho. A apresentação gráfica também chama a atenção, com uma proposta visual que dialoga diretamente com o título do projeto, embora não concorde com a fotografia, uma vez que mulher não se resume a volúpia, seios fartos e silhueta fina.

O repertório combina interpretações já consagradas em suas vozes originais com releituras de sucessos de outros artistas, reunindo gravações das décadas de 70, 80 e 90. 

É curioso encontrar, em um repertório predominantemente formado por fonogramas do catálogo PolyGram, gravações de outras gravadoras, como Continental (Wanderléa), Sigla (Sandra de Sá e Fafá de Belém), BMG Ariola (Joanna e Beth Carvalho) e Lux Music (Patrícia Marx), sendo esta última distribuída pela PolyGram.

Eu concordo com todas as intérpretes escolhidas, mas, por questão de gosto particular, substituiria facilmente algumas músicas. Ainda assim, noto que Sérgio Motta soube conciliar diferentes preferências, priorizando uma curadoria focada na pluralidade cultural e de estilos.

É talvez isso que faça de Mulheres 95 uma daquelas memoráveis coletâneas de loja, que funcionam como som ambiente de barzinho, de recepção de amigos em happy hour ou início de festa, até pela harmonia da seleção, que reúne canções que o público conhece e sabe cantarolar até hoje.

Faixas:
01. Modinha para Gabriela - Gal Costa
02. Asa Morena - Zizi Possi
03. Simples Carinho - Ângela Rô Rô
04. Pra Começar (Ao Vivo) - Marina Lima
05. Foi Assim (Juventude e Ternura) - Wanderléa
06. Demais (Yes It Is) - Verônica Sabino
07. Enredo do Meu Samba - Sandra de Sá
08. De Volta pro Aconchego - Elba Ramalho
09. Filho da Bahia - Fafá de Belém
10. Saco de Feijão - Beth Carvalho
11. Lanterna dos Afogados - Cássia Eller
12. Felicidade - Joanna
13. Ficar com Você (I Wanna Be Where You Are) - Patrícia Marx
14. Coisas do Brasil - Leila Pinheiro

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domingo, 11 de outubro de 2026

Acoustic Rock Album (1997)

Lançado em 1997 pela Globo/Polydor, Acoustic Rock Album reúne 14 gravações e representa bem aquelas coletâneas cujo título promete uma coisa, mas o repertório acaba entregando outra. Afinal, nem sempre a palavra acoustic significava um álbum de versões desplugadas: podia também identificar uma seleção de rock e pop em que os violões, as melodias e os arranjos menos agressivos ganhavam destaque. Uma liberdade de interpretação que, por si só, é perfeitamente relevável.

Eu vou explicar o que é bem esse álbum tal qual Zeca Pagodinho explicaria a diferença de samba, pagode, samba-enredo e partido alto: "É acústico, mas tem guitarra elétrica. Tem violão, mas nem tudo é desplugado. Tem rock, tem pop... Aí depende! Porque uma coisa é tocar acústico, outra coisa é ter um violão no meio da música!". Sacou? É o bom e velho soft rock ganhando residência em um álbum Acoustic Rock, que também não é álbum, é coletânea, hahahaha....

A bela identidade visual do material gráfico deste "álbum" (risos) recebeu um trabalho próprio dentro da equipe Som Livre: A ilustração da capa de um músico sentado com seu violão, criada por Mário Bag, apresenta imediatamente a proposta da coletânea. Marciso (Pena) Carvalho assina a direção de arte e o projeto gráfico, enquanto Paulo César Santos responde pela realização gráfica. Quanto à masterização de áudio, foi realizada por Sérgio Seabra, com fonogramas cedidos pela PolyGram.

O lançamento de 1997 saiu em CD pela Globo/Polydor, sob o número de catálogo 553 989-2, com fabricação da Videolar Multimídia Ltda. e distribuição da PolyGram do Brasil Ltda, sob licença da SIGLA – Sistema Globo de Gravações Audiovisuais Ltda. Evidências na contracapa do disco informam uma edição em K7 naquele ano. 

Dois anos depois, a coletânea recebeu uma nova edição em CD, também só no Brasil, pelo selo Mercury, de igual numeração de catálogo, mas fabricada pela Microservice Tecnologia Digital da Amazônia Ltda., sob encomenda da PolyGram. Essa mudança de selo, catálogo e fabricante permite acompanhar a continuidade comercial do título e distinguir as duas edições no Discogs..

Aqui destaco uma releitura de “Harvest for the World”, originalmente gravada pelos Isley Brothers, que ganhou uma interpretação dos The Christians e integrou a coletânea One Moment in Time, lançada por ocasião dos Jogos Olímpicos de Seul, na Coreia do Sul, em 1988. Outra é “Here and Now”, dos escoceses Del Amitri, banda que conheci na coletânea Rock Ballads, lançada pela PolyGram em 1996. Encontrar essas músicas aqui foi uma grata surpresa.

Para quem gosta de explorar o catálogo de coletâneas lançadas no Brasil na década de 1990, 2000 e 2010, Acoustic Rock Album oferece uma audição agradável, com sucessos conhecidos e algumas escolhas menos óbvias, reunindo na curadoria intérpretes e bandas bem aclamados pela crítica musical. Apesar do tema ser canções acústicas, o projeto traz algumas baladas bem elétricas, com violão como marca característica.

Mas aqui há muito mais espaço para elogios do que para críticas ao projeto. Um dos grandes prazeres de explorar coletâneas está justamente em encontrar medalhões da música internacional dividindo espaço com nomes como Cast, The Christians, J.J. Cale, Joan Armatrading e Del Amitri. É nesse contraste que a seleção ganha personalidade: além dos sucessos consagrados, há escolhas que despertam a curiosidade e nos convidam a conhecer melhor outros artistas. Afinal, uma boa curadoria também tem esse mérito de funcionar como uma sugestão pessoal de quem escolheu o repertório, e é justamente isso que torna a audição ainda mais interessante.

Faixas:
01. Luka - Suzanne Vega
02. Linger - The Cranberries
03. Inbetween Days - The Cure
04. All I Want Is You - U2
05. Run Baby Run - Sheryl Crow
06. Let It Grow - Eric Clapton
07. Walkaway - Cast
08. Daniel - Elton John
09. Maggie May - Rod Stewart
10. After Midnight - J.J. Cale
11. Harvest for the World - The Christians
12. Love and Affection (Remix) - Joan Armatrading
13. Wild Wood - Paul Weller
14. Here and Now - Del Amitri

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2000 Latin Grammy Nominees (2000)

Latin Grammy – A criação de uma premiação para a música latina

Criado para reconhecer a excelência artística e técnica da música produzida pelas comunidades de língua espanhola e portuguesa, o Latin Grammy teve sua primeira edição em 2000, organizado pela Academia Latina de Artes e Ciências da Gravação (LARAS). A iniciativa nasceu da tradição do Grammy, ampliando o reconhecimento da indústria fonográfica para um universo musical marcado por diferentes idiomas, gêneros e manifestações culturais.

A Academia Latina foi constituída como uma associação de profissionais da música, reunindo artistas, produtores, técnicos e outros participantes da indústria fonográfica. Além da organização da premiação, suas atividades compreendiam programas educacionais, culturais e humanitários, oportunidades de relacionamento profissional e iniciativas relacionadas à defesa dos direitos autorais e dos interesses dos artistas.

Desde sua concepção, o Latin Grammy estabeleceu como princípio o reconhecimento das realizações artísticas e técnicas, independentemente dos resultados comerciais. Isso significa que vendas de discos e posições nas paradas de sucesso não determinavam os vencedores, escolhidos por meio dos votos dos próprios profissionais integrantes da Academia.

O processo de premiação foi estruturado em quatro etapas. Inicialmente, gravadoras e membros da Academia inscreviam as gravações lançadas durante o período de elegibilidade. Em seguida, especialistas verificavam se os trabalhos atendiam aos requisitos e estavam corretamente classificados. A terceira etapa correspondia à escolha dos indicados, enquanto a votação final determinava os vencedores. A apuração ficava sob responsabilidade da Deloitte & Touche, que mantinha os resultados em sigilo até a cerimônia de entrega.

Na primeira edição, foram estabelecidas 40 categorias distribuídas em 11 áreas, contemplando desde os prêmios gerais de Gravação do Ano, Álbum do Ano, Canção do Ano e Artista Revelação até segmentos específicos como Pop, Rock, Música Tropical, Regional Mexicana, Jazz, Música Tradicional, Música Brasileira, Música Infantil e Música Clássica, além de premiações técnicas e de videoclipe.

A participação brasileira merece destaque. Já em 2000, o Latin Grammy reservava sete categorias específicas para a produção nacional, incluindo Álbum Pop Contemporâneo, Álbum Rock, Álbum de Samba/Pagode, Álbum de Música Popular Brasileira, Álbum de Música Sertaneja, Álbum de Música Regional ou de Raízes Brasileiras e Canção Brasileira. Era um reconhecimento da variedade de estilos presentes no mercado fonográfico brasileiro e de sua importância dentro da proposta da premiação.

Essa organização também revela uma característica importante do Latin Grammy: embora reunisse a produção musical de diferentes países sob uma mesma premiação, procurava preservar as particularidades dos repertórios e das tradições musicais de cada região.

A primeira cerimônia, realizada em 13 de setembro de 2000, marcou o início de uma premiação internacional dedicada à música latina. Mais do que reproduzir o formato do Grammy, a proposta era oferecer um espaço próprio de reconhecimento para artistas, compositores, produtores e profissionais que participavam de uma indústria fonográfica culturalmente diversa e de grande expressão.

O que o repertório acrescenta à história

A seleção permite enxergar, na prática, a diversidade musical que a Academia Latina pretendia representar em sua primeira edição.

A presença de Marc Anthony em duas faixas, por exemplo, evidencia a importância do cantor naquele momento, transitando entre a música dançante e o repertório latino romântico. Rubén Blades, Juan Luis Guerra e Mercedes Sosa representam outras tradições musicais, enquanto Ricky Martin, Shakira, Christina Aguilera e Santana mostram a projeção internacional que a música latina alcançava na virada do milênio.

Há ainda uma particularidade interessante para o público brasileiro: Zizi Possi é a representante nacional desta seleção, com sua interpretação de "Meu Erro", composição de Herbert Vianna, extraída do álbum Puro Prazer.

O CD também mostra como a Sony reuniu fonogramas de diferentes companhias. Embora lançado pela Epic/Sony Discos, o repertório inclui gravações licenciadas de catálogos da Warner, Universal e outras empresas.

E há uma distinção editorial importante: este é um disco de indicados, não uma coletânea de vencedores. Seu valor documental está justamente em registrar parte do cenário musical considerado para a premiação inaugural, sem pretender representar todas as categorias ou todos os indicados.

Faixas:
01. Dímelo (I Need To Know) - Marc Anthony
02. Tiempos - Ruben Blades
03. Livin' La Vida Loca (Spanish Version) - Ricky Martin
04. Corazón Espinado - Santana feat. Mana
05. Fruta Fresca - Carlos Vives
06. Da La Vuelta - Marc Anthony
07. No Me Dejes De Querer - Gloria Estefan
08. El Niagara En Bicicleta - Juan Luis Guerra
09. A Puro Dolor (Salsa) - Son By Four
10. Genio Atrapado (Genie In A Bottle) - Christina Aguilera
11. Meu Erro - Zizi Possi
12. Ojos Así - Shakira
13. Al Despertar - Mercedes Sosa
14. Llegar A Ti - Jaci Velasquez

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Polegar - Polegar (2004)

Polegar, grupo que alcançou grande popularidade no Brasil entre o final dos anos 1980 e o início dos anos 1990, voltou ao mercado fonográfico em 2004 com um CD lançado de forma independente, sendo gravado, mixado e masterizado nos estúdios Master Music, em São Paulo. 

O álbum reúne, da formação original, Alex Gil (baixo e vocal), Alan Frank (teclado e backing vocal) e Ricardo Costa (guitarra, violão e backing vocal). Ricardo – agora assinando como Ricardo Maia –, que era baterista da banda, ocupa novas funções de guitarra e violão, dando lugar a Fernando Kitagawa na bateria. 

Alex Gil – que aqui adota o nome artístico Alex Konti – assume a produção musical em parceria com Rodrigo Castanho, produtor ganhador de Grammy Awards, famoso por trabalhos com Charlie Brown Jr., Tihuana, Los Hermanos, O Surto, Ultraje a Rigor e tantos outros. A produção executiva ficou sob responsabilidade de Rogério Santos, com assistência de Sérgio Gil, irmão de Alex.

Alex também participa diretamente da criação do repertório, assinando a maior parte das composições ao lado de Sérgio Gil. As demais contribuições autorais incluem Fernando Kitagawa e Tom Soares, responsáveis por “Malandra” e “Eu Preciso de Você”.

A única releitura do disco é “Não Vou Ficar”, composição de Tim Maia, uma escolha bastante assertiva para a segunda música de trabalho. A faixa surpreendeu os fãs quando apresentada nos programas de televisão, ao mostrar uma banda capaz de levar a animação dos bailes para uma interpretação que combina rock, soul e funk. A apresentação também evidenciava a capacidade técnica dos integrantes, característica que havia permanecido em segundo plano nos discos anteriores.

O CD traz ainda um time batizado de Caramelo Junkie, formado por Tom Soares, Antônio Garcia, André Dozzo e Alex Konti, justamente para entregar os remixes de “Do Jeito Que Eu Quis”, “Mariana” e “Eu Preciso de Você”.

E pensou que Alex fez “só” isso? Ele também assina os arranjos ao lado de Fernando Pinheiro (Chocô), com quem divide os trabalhos de gravação e mixagem. Rodrigo Castanho, além da produção musical, participa como guitarrista convidado, ao lado de Ivan Dizioli, enquanto Fernando Pinheiro (Chocô) também contribui nos teclados. Essa concentração de funções ajuda a compreender o envolvimento de Alex Gil em praticamente todas as etapas musicais do projeto..

A concepção da capa é creditada a Ricardo Maia e Rogério Santos, com arte de Alexandre Pressotto e fotografias de José Carlos J. Gonçalves – também diretor fotográfico – e Klaus Hofer. O projeto gráfico ficou a cargo da Hope Comunicação, sob direção de arte de Julian Sanchez.

Para quem conheceu o Polegar pelos sucessos de sua primeira fase, este CD oferece a oportunidade de descobrir um capítulo de sua discografia que sequer foi disponibilizado nas plataformas digitais. É também um trabalho que permite o resgate às origens do grupo, formado em 1986 como Os Garotos da Cidade, antes da contratação pela Promoart, de Augusto Liberato, que o transformaria no Polegar.

Em 2004, o domínio técnico e musical dos integrantes finalmente ganha protagonismo, depois de permanecer em segundo plano diante da valorização da imagem de boy band que marcou as décadas anteriores. 

Há uma relação entre o nome Polegar, a imagem escolhida para a capa e o momento vivido pelo grupo em 2004. A formação mudou, os integrantes assumiram novas funções e a proposta musical ganhou outra direção, mas o nome permaneceu.

Há uma sutileza elegante na escolha da imagem de um polegar para estampar a capa do álbum: em vez de depender exclusivamente da exposição dos rostos dos integrantes, como era característico da apresentação comercial de uma boy band, a capa coloca o próprio nome do grupo no centro de sua comunicação visual. Já a contracapa, ao apresentar os músicos fotografados de costas, sugere um olhar para os bastidores, para aquilo que não se revela na imagem pública da banda.

Por fim, diria que o polegar, além de representar literalmente o nome do grupo, remete à impressão digital utilizada no RG, uma marca individual de identificação. É uma simbologia particularmente interessante para uma banda que mudou de formação, de funções e de proposta musical, mas preservou aquilo que a identifica: sua identidade.

Faixas:
01. Do Jeito Que Eu Quis
02. Mariana
03. Não Vou Ficar
04. Vale a Pena
05. Rumo
06. Malandra
07. Tudo Certo
08. Te Quero Mais
09. Deixa
10. Esquece e Vem
11. Eu Preciso de Você
12. Do Jeito Que Eu Quis (Remix)
13. Mariana (Remix)
14. Eu Preciso de Você (Remix)

Para baixar este álbum em FLAC, clique AQUI.