quinta-feira, 18 de junho de 2026

Via Negromonte - Via Negromonte (1986)

Wilma Fernandes Negromonte – conhecida como Via Negromonte – nasceu em Belo Horizonte em 12 de abril de 1959. É cantora, compositora, atriz, dançarina e diretora musical brasileira. Dona de uma trajetória artística multifacetada, destacou-se na música, no teatro, no cinema e na televisão, construindo uma carreira marcada pela versatilidade e pela constante busca por novas formas de expressão.

Descendente de árabes e italianos, iniciou sua formação artística ainda na infância, estudando balé clássico, música, canto e piano. Aos 16 anos, começou sua carreira profissional como bailarina na montagem de Romeu e Julieta, em Belo Horizonte. Pouco tempo depois, mudou-se para Nova York, onde aprofundou seus estudos de dança, interpretação e canto, frequentando instituições como o American Ballet Theatre.

Durante os 12 anos em que viveu nos Estados Unidos, participou de produções teatrais e musicais, atuou em campanhas publicitárias e integrou a sequência de abertura do filme Cotton Club (1984), dirigido por Francis Ford Coppola, aparecendo nos créditos sob o nome Viewma Negromonte. Nesse período, também desenvolveu uma forte ligação com a música popular, formando uma banda de pop-rock e chegando a abrir apresentações para artistas de projeção internacional, como Billy Idol.

De volta ao Brasil, assinou contrato com a CBS Records, pela qual gravou dois álbuns: o homônimo, lançado em 1986, e Noites Sem Dormir, lançado em 1988. Foi este último que lhe proporcionou maior projeção nacional, impulsionado pela inclusão da canção "Preconceito" na trilha sonora da novela Mandala (Rede Globo). O sucesso da faixa contribuiu para que a artista conquistasse o Prêmio Sharp de Música na categoria Pop-Rock.

Paralelamente à atividade musical, consolidou uma respeitada carreira como atriz, participando de produções como Lambada – O Filme, Lua Cambará – Nas Escadarias do Palácio, Chico Xavier e As Mães de Chico Xavier. Na televisão, atuou em novelas como Kananga do Japão e A História de Ana Raio e Zé Trovão, na TV Manchete, além de Irmãos Coragem, Sítio do Picapau Amarelo e Belíssima, na TV Globo. Também desenvolveu trabalhos como diretora musical, preparadora corporal e coreógrafa em diversos espetáculos.

Ao longo de sua trajetória, Via Negromonte manteve-se ativa em diferentes linguagens artísticas, reunindo experiências que vão da música popular ao teatro musical, do cinema à dança, tornando-se uma das artistas mais versáteis de sua geração. Na fase inicial de sua carreira, realizou um mergulho intenso no pop mainstream; em trabalhos mais recentes, aproximou-se da música étnica, incorporando referências da cultura indiana e de matrizes africanas.

Seu álbum de estreia — um dos trabalhos mais curiosos de sua discografia — jamais recebeu edição oficial em CD ou distribuição em plataformas digitais. Alinhado às tendências da época, o disco apresenta uma sonoridade fortemente influenciada pela new wave e pelo synth-pop, combinando sintetizadores, programações eletrônicas e elementos dançantes característicos da produção pop dos anos 1980.

A produção ficou a cargo de Lauro Salazar, responsável também pela maior parte dos arranjos, dividindo os créditos com Thomas Regis nas faixas "Quero Agitar" e "Sede".

Gravado entre 11 de agosto e 27 de setembro de 1986 no Estúdio Sigla, no Rio de Janeiro, o álbum utilizou gravação em 24 canais e contou com engenharia de som de Luiz Guilherme D'Orey, que também assinou a mixagem ao lado de Lauro Salazar. A produção reuniu ainda Ronaldo Monteiro na montagem e Élio Gomes no corte do disco.

O projeto visual recebeu atenção especial. A concepção da capa e a fotografia ficaram a cargo de Flávio Colker, com figurino de Monica Schmidt, maquiagem e cabelo assinados por Clare Mount, além de projeto gráfico desenvolvido por Geraldo Alves Pinto e arte final de Suely Queiroz.

É com satisfação que o Gazeta do Som publica nesta página uma edição remasterizada deste raro registro, que permaneceu por décadas restrito ao formato original em vinil e permitindo que uma nova geração de ouvintes tenha acesso a um interessante capítulo da produção pop brasileira dos anos 1980.

Faixas:
01. Jura
02. Sede
03. Hello Baby
04. Eu Não Sei Lê
05. Meu Mundo e Nada Mais
06. Sem Teu Amor
07. Quero Agitar
08. Fúria
09. Only a Dancer
10. Vibração

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quarta-feira, 17 de junho de 2026

Wander Taffo - Wander Taffo (1991)

Wanderley "Wander" Taffo Júnior (São Paulo, 17 de maio de 1954 – São Paulo, 14 de maio de 2008) foi um guitarrista, compositor, produtor musical e educador brasileiro, reconhecido como um dos músicos mais influentes da história do rock nacional.

Ao longo de sua carreira, colaborou com artistas como Rita Lee, Cássia Eller, Marina Lima e Guilherme Arantes, além de integrar grupos importantes da música brasileira, entre eles Memphis, Made in Brazil, Secos & Molhados, Gang 90 e as Absurdettes, Joelho de Porco e Rádio Táxi.

Iniciou sua trajetória profissional nos anos 1970, passando por bandas como Memphis e Secos & Molhados. Na década seguinte, alcançou projeção nacional como integrante do Rádio Táxi, participando de uma das formações mais bem-sucedidas do grupo, responsável por sucessos como "Garota Dourada" e "Um Amor de Verão".

Na segunda metade dos anos 1980, deixou o Rádio Táxi para investir em sua carreira própria. Ao lado dos irmãos Andria e Ivan Busic — músicos que mais tarde integrariam a banda Dr. Sin — gravou o álbum Wander Taffo, lançado em 1989 pela Warner Music Brasil. Produzido por Liminha, o disco contou com participações especiais de artistas como Herbert Vianna, Lulu Santos e Lobão, além do cantor norte-americano Toddy Griffin na faixa "Nightchild". Gravado no estúdio Nas Nuvens, no Rio de Janeiro, e mixado em Los Angeles, o trabalho recebeu excelente acolhida da crítica e rendeu a Wander o Prêmio Sharp de Música na categoria "Revelação Pop Rock Masculino". A faixa "Pra Dizer Adeus" integrou a trilha sonora da novela O Salvador da Pátria (TV Globo).

Em 1990, foi eleito o melhor guitarrista do Brasil pela crítica especializada. Na mesma época, consolidou a Banda Taffo, que contava com Marcelo Souss nos teclados e alcançou destaque com o álbum Rosa Branca.

Como músico de estúdio e instrumentista requisitado, Wander participou de inúmeros projetos fonográficos, incluindo os álbuns Marina Lima (1991), de Marina Lima, Clássicos (1994), de Guilherme Arantes, e o álbum de estreia de Cássia Eller (1994), entre muitos outros.

Paralelamente à carreira artística, tornou-se uma das figuras mais importantes do ensino de guitarra no Brasil. Em São Paulo, fundou a EM&T – Escola de Música e Tecnologia, instituição pioneira no ensino formal de música popular e considerada uma das maiores escolas especializadas da América Latina. Por suas salas passaram milhares de alunos, incluindo diversos músicos que posteriormente alcançariam projeção nacional.

Wander Taffo faleceu em São Paulo, no dia 14 de maio de 2008, vítima de uma parada cardíaca, apenas três dias antes de completar 54 anos. Segundo sua assessoria, ele não possuía histórico de problemas de saúde e havia trabalhado normalmente no dia anterior ao falecimento.

Em 2012, seu legado foi reconhecido pela revista Rolling Stone Brasil, que o incluiu na lista dos 30 maiores ícones brasileiros da guitarra e do violão, na categoria "Heróis Virtuosos".

Vale registrar que o próprio Wander Taffo lançou, em vida, uma edição remasterizada em CD deste álbum que consagrou sua fase solo, que foi distribuída em embalagem digisleeve durante seus shows. No entanto, essa versão apresenta um tratamento sonoro baseado em forte maximização de nível, característica que acaba acentuando a saturação já presente nas gravações originais. Por esse motivo, a presente edição foi remasterizada a partir do LP original, buscando preservar com maior fidelidade as características da mixagem e do material fonográfico disponível.

Faixas:
01. Meu Punhal (part. esp. Lobão)
02. Luna Caliente
03. Nossos Erros
04. Não Esquece de Mim
05. Nightchild (part. esp. Todd Griffin)
06. Balões de Gás
07. Pra Dizer Adeus

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Stryx - Stryx (1991)

A Stryx foi uma banda de rock catarinense, formada em Florianópolis em 1986, originalmente sob o nome Kromo.

A formação inicial era composta por Marco Audino (vocais), Rodrigo Audino (baixo), Andrey Rosa (guitarra), Moacir Lisboa (teclados) e Emerson Sperandio (bateria).

Em 1991, a banda mudou-se para o Rio de Janeiro e assinou contrato com a produtora de Renato Aragão e com a Sony Music. Como parte desse processo, algumas mudanças foram implementadas, incluindo a adoção do nome Stryx.

Ainda naquele ano, o grupo lançou seu primeiro álbum e conquistou espaço na televisão nacional. Entre os destaques estão as faixas "Estou de Volta", incluída na trilha sonora da novela Araponga (TV Globo), e "Nu de Corpo e Alma", presente na trilha brasileira de Rosa Selvagem (SBT).

A banda também participou dos principais programas de televisão da época, como Xou da Xuxa (TV Globo), Os Trapalhões (TV Globo), Show Maravilha (SBT), Viva a Noite (SBT), Clube da Criança (TV Manchete) e Clube do Bolinha (TV Bandeirantes).

As atividades foram encerradas no ano seguinte, mas o grupo retornou em 1996 para gravar seu primeiro CD. Nessa fase, voltou a utilizar o nome original, Kromo, em um lançamento de distribuição independente.

Em 2018, a banda reuniu-se novamente para uma apresentação especial no Teatro Álvaro de Carvalho, em Florianópolis (SC), em homenagem ao amigo e baterista Emerson Sperandio, falecido no início daquele ano em decorrência de um câncer. Os fundadores Marco Audino, Rodrigo Audino e Moacir Lisboa contaram com a participação de Lucca Diniz — filho de Marco e sobrinho de Rodrigo — na guitarra, e Maurício Albatroz na bateria.

Além dos sucessos lançados nos anos 1990, o repertório incluiu composições inéditas. O show foi registrado em vídeo e permanece disponível no canal oficial da banda no YouTube, ao lado de outras gravações mais recentes realizadas em estúdio.

A compilação deste histórico foi possível graças às informações presentes no Instagram Oficial da banda Stryx.

Mais de três décadas após seu lançamento original, o álbum de estreia da Stryx permanece como um registro importante da música pop brasileira do início dos anos 1990. É com satisfação que o Gazeta do Som publica nesta página uma edição remasterizada definitiva do disco lançado pela Sony Music em 1991, preservando e valorizando um trabalho que marcou a trajetória de uma das pioneiras do gênero em Santa Catarina.

Faixas:
01. Inimiga
02. Nu de Corpo e Alma
03. Quero Você
04. Estou de Volta
05. Só Você
06. O Silêncio e Nós Dois
07. Amar Tambem É Dizer Adeus
08. Vamos Ser Felizes

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terça-feira, 16 de junho de 2026

Double You - The Beat Goes On (2026)




Formado por Andrea Di Antoni, Franco Amato e William Naraine, o Double You foi introduzido ao selo DWA, comandado pelo produtor Roberto Zanetti (Robyx), tornando-se um dos projetos mais emblemáticos da eurodance dos anos 1990. Ao longo dessa parceria, o grupo lançou os álbuns We All Need Love (1992), The Blue Album (1994) e Forever (1996), este último concluído no Brasil com o apoio da Spottlight Records, responsável pela distribuição local do catálogo da DWA.

Muito além do sucesso comercial, o Double You desempenhou um papel importante na evolução da própria linguagem da eurodance. Ao combinar bases inspiradas no house music com estruturas melódicas próximas ao arena pop, refrões de forte apelo comercial e a interpretação característica de William Naraine, o grupo ajudou a estabelecer uma fórmula que marcaria toda uma geração de produções europeias.

Em 1998, após o lançamento do single "Somebody", o Double You iniciou uma mudança significativa de direção artística. Contratado pela gravadora Movimento, o grupo lançou o álbum Heaven, afastando-se da sonoridade eurodance que havia definido sua trajetória até então. Apesar da distribuição internacional da BMG, o projeto encontrou dificuldades para competir em um mercado cada vez mais dominado por novos fenômenos do pop internacional, incluindo artistas e grupos como Ace of Base, *NSYNC, Christina Aguilera e Five.

Os anos seguintes revelariam os desafios enfrentados por artistas associados à geração eurodance diante das rápidas transformações da indústria fonográfica. Em selos menores, como a Baby Records, William Naraine e seus colaboradores continuaram produzindo material inédito. Embora essas gravações possuíssem inegável valor afetivo e discográfico para os admiradores mais dedicados do Double You, elas não conseguiram reproduzir o impacto comercial alcançado pelo grupo na década anterior.

As gravações lançadas entre 2000 e 2001 representam bem esse momento de transição. O êxito relativo obtido nesse período esteve associado a uma estratégia de crossover que revisitava clássicos do repertório do Double You em novos arranjos executados com banda, utilizando as faixas inéditas como complemento de um espetáculo que dialogava simultaneamente com a nostalgia e com a tentativa de renovação artística.

Em 2003, a releitura de "Everything I Do (I Do It For You)" marcou o último trabalho conhecido de Franco Amato ao lado de William Naraine. Produzida em meio ao crescimento da trance music, a gravação procurava reposicionar o artista nas pistas de dança, mas acabou encontrando um cenário particularmente desafiador. Ironicamente, um dos principais arquitetos do som que havia ajudado a redefinir a eurodance buscava inspiração justamente nas novas gerações de produtores que ocupavam o espaço anteriormente conquistado por projetos como o Double You.

Ao longo dessa fase, o projeto passou gradualmente a operar sob a sigla DY. Ainda que a nomenclatura variasse entre lançamentos e colaborações, William Naraine permanecia como o elemento de identificação mais imediato para o público. Bastavam os primeiros versos para que a conexão com a história do Double You se restabelecesse.

As colaborações com DJ Ross consolidaram essa nova etapa, ao mesmo tempo em que William Naraine se aproximava de outros núcleos criativos. Entre eles, destacou-se a parceria com Gino Martini. Inicialmente ligado ao Double You como músico de apoio, Martini expandiu progressivamente sua atuação para os campos da produção e da composição.

O single "The Volume", por exemplo, foi assinado por Martini, Cássio Inoura e William Naraine, enquanto "What Can I Do" evidenciava outra configuração criativa, reunindo Naraine, Marco Baratta e Roberto Sudano em sua autoria. Tratava-se de um período marcado por intensa sinergia artística, no qual diferentes colaboradores contribuíam para manter o projeto em constante movimento.

Essa efervescência criativa encontrou expressão particularmente significativa no projeto House Boulevard, desenvolvido por Gino Martini, Cássio Inoura e DJ Tom Hopkins, com William Naraine atuando como produtor executivo. Mais do que uma iniciativa paralela, o projeto funcionou como um espaço de experimentação artística no qual diferentes colaboradores ligados ao universo do Double You desenvolveram novas composições, como "You Are Everything", "Lose Control" e "If I Could Fall".

Aliás, "If I Could Fall", originalmente concebida no contexto criativo do House Boulevard, acabaria assumindo uma trajetória particularmente reveladora. Apresentada ao mercado internacional em 2010 sob o nome de William Naraine, frequentemente acompanhada da menção ao remixador e produtor Vincenzo Callea, a canção seria posteriormente incorporada ao álbum Life (2011), lançado oficialmente como um trabalho do Double You.

Tal dualidade já não causava estranhamento, funcionando como evidência de que a voz de Naraine e o projeto Double You já se apresentavam ao público quase como uma única entidade artística. Para os ouvintes, William continuava sendo a principal referência afetiva do grupo, independentemente da assinatura utilizada nos créditos. A própria circulação internacional dos remixes reforçava essa percepção, alternando entre o artista individual e a identidade coletiva que ele passou, gradualmente, a representar.

Entre idas e vindas da marca Double You, antigos vínculos criativos também voltaram a ganhar protagonismo. Marco Canepa, presente desde os tempos de The Blue Album, retomou sua parceria com William Naraine assumindo funções cada vez mais relevantes na composição do repertório recente. A canção 'Definitely Sure', presente no álbum Life, composta por Naraine e Canepa, apresentava um apelo pop rock próximo ao trabalho de artistas como Jason Mraz e Colbie Caillat. Incluída na trilha sonora da temporada de 2011 de Malhação, a faixa proporcionou ao Double You uma renovada exposição radiofônica no Brasil.

Da mesma forma, nomes como Ilaria Godani e Dario Carli aparecem nos créditos tanto das das gravações de 1999 a 2001 quanto da atualidade, demonstrando que parte da identidade artística construída ao redor do Double You jamais foi completamente abandonada.

Os anos mais recentes também reservaram reencontros e novas conexões criativas. Em 2020, William Naraine voltou a colaborar com Roberto Zanetti (Robyx), produtor responsável pela introdução do Double You ao selo DWA, na releitura de "Dancing With An Angel" para o projeto Ritmo Sinfonico. Pouco depois, uma nova geração passou a integrar o universo do grupo com a participação de Bruno Martini — filho de Gino Martini e parceiro frequente de Alok — no remix de "Please Don't Go" e na coautoria de "Runaway Child". A esse cenário soma-se ainda a presença de Rick Bonadio em "Nobody Is Like You", marcando a aproximação do produtor e empresário brasileiro com a música eletrônica em uma colaboração inédita ao lado de William Naraine.

Reunidas nesta coletânea, as gravações lançadas entre 1999 e 2025 documentam não uma história de desaparecimento, mas de adaptação. A presença, lado a lado, das faixas produzidas no início dos anos 2000 e dos trabalhos mais recentes permite perceber uma energia criativa que nunca deixou de existir por completo. Mudaram os produtores, os selos, os formatos e até mesmo as assinaturas utilizadas nos discos. No entanto, a voz de William Naraine permaneceu como o fio condutor de uma trajetória que continuou a se reinventar sem perder totalmente de vista as suas origens.

The Beat Goes On não é apenas uma referência a uma das canções deste período. É a definição mais precisa para a história que estas gravações contam. Porque, apesar de todas as transformações, a batida continuou.

E dificilmente poderia haver desfecho mais apropriado do que "Curtain Calls". Escrita por William Naraine ao lado de Marco Canepa, Ilaria Godani, Vinicius Alves Martins, Elias Inácio, Gino Martini Neto e Gisele Martini, a canção surge como uma celebração dirigida aos fãs que acompanharam as diferentes fases do Double You. Interpretada por Naraine, a voz que permaneceu como fio condutor desta trajetória, "Curtain Calls" transforma o encerramento em agradecimento — um último retorno ao palco antes que as luzes se apaguem, reafirmando que algumas histórias não terminam; apenas seguem em frente ao som da próxima batida.

Faixas:
01. Everything I Do (I Do It For You) 
02. Dance Anymore (Tausz Remix)
03. Get Up - with DJ Ross
04. Beat Goes On - with DJ Ross
05. The Volume
06. To The Beat - with DJ Ross
07. Lose Control
08. You Are Everything
09. Change - with DJ Ross
10. What Can I Do 
11. Music (Is The Answer)
12. If I Could Fall (Vincenzo Callea Radio Mix)
13. Definitely Sure
14. You're Always On The Run - feat. Rodrigo Teaser
15. Runaway Child
16. Nobody Is Like You - with Rick Bonadio
17. Please Don't Go (Bruno Martini Remix)
18. Fall in Love (I Am A Robot) 
19. Dancing With An Angel - feat. Sandy Chambers (Ritmo Sinfonico)
20. What Am I Supposed To Do
21. Curtain Calls

Faixa 18 cedida por DJ Paulo Vita (Ribeirão Preto/SP)

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terça-feira, 9 de junho de 2026

House Remix Internacional II (1990)

House Remix Internacional II é uma coletânea lançada em LP pela WEA Discos em 1990 (catálogo nº 670.9086), com fabricação e distribuição da BMG Ariola. A ilustração da capa é de Claudio Braz, com design da Balaco Arts (Braz & Llerena).

A seleção de repertório celebra efervescência da house music nas pistas de dança mundiais, destacando 6 versões remixadas de grandes clássicos da virada para os anos 90. 

Agradeço o meu amigo DJ Paulo Vita, de Ribeirão Preto/SP , por me ceder este LP para extrair e remasterizar a faixa 06. O restante das faixas faz parte de uma compilação de versões de diversos singles lançados em CD, com nova masterização feita por mim.

Faixas:
01. Oh L'Amour (Live Version) - Erasure
02. Love's About To Change My Heart (Extended Version) - Donna Summer
03. Bring Me Edelweiss (Tourist Version) - Edelweiss
04. Tell Me Why (Extended Version) - Nick Heyward
05. I Feel For You (L.A. Mix) - Chaka Khan
06. Sounds From The Pink Sandbox (Bathouse) (House Version) - Emilio Pasquez

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Para que fique claro!

O Gazeta do Som nasceu do amor pela música, da preservação da memória e do desejo sincero de compartilhar aquilo que o tempo insistiu em deixar para trás.

Tudo o que é compartilhado aqui nasce de um trabalho voluntário de pesquisa, organização, digitalização e remasterização, guiado pela convicção de que determinadas obras merecem permanecer acessíveis à memória afetiva de seus ouvintes.

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É bem verdade que os pedidos e sugestões dos leitores desempenham um papel importante, revelando os interesses de quem acompanha este trabalho. Muitas vezes, funcionam como lembretes de discos presentes em meu acervo particular que ainda aguardam contexto — e, mesmo quando não há, a gente encaixa —, pesquisa e remasterização.

Grande parte do que já foi disponibilizado aqui na Gazeta do Som contou com o apoio cultural de leitores e colaboradores que adquiriram LPs, CDs e outros materiais necessários ao processo de digitalização, restauração e preservação. Essas contribuições ampliaram o alcance do projeto e permitiram que obras raras ou esquecidas voltassem a ser lembradas.

Grande parte do material publicado é composta por títulos fora de catálogo, promocionais invendáveis e projetos especiais voltados ao resgate nostálgico de períodos, coletâneas, promoções radiofônicas e registros que marcaram a memória afetiva de seus ouvintes. A cada nova publicação, cresce também a relevância da própria Gazeta do Som, não apenas pelo material sonoro disponibilizado, mas pelo esforço de pesquisa, pelo contexto buscado e pelo caráter informativo que acompanha cada resgate.

As sugestões sejam sempre bem-vindas. Ocorre que têm surgido solicitações que fogem desse propósito, envolvendo materiais amplamente disponíveis em plataformas digitais e serviços de acesso imediato. Embora eu compreenda o interesse dos leitores, alguns me tratam como uma plataforma automatizada ou mero repositório com suporte técnico vinte e quatro horas por dia. Longe disso!

A gentileza não deve ser confundida com disponibilidade irrestrita, bem como boa vontade não elimina a necessidade de limites.Para que o Gazeta do Som continue existindo e cumprindo sua missão, é importante que permaneça sendo, também, um espaço onde seu criador possa permanecer inteiro. 

Portanto, a seleção de conteúdo continuará recebendo sugestões, mas seguirá critérios editoriais já definidos, respeitando o tempo, as possibilidades e a visão de quem mantém este projeto ativo e constante.

A todos que acompanham, colaboram e compreendem essas circunstâncias, fica o meu sincero agradecimento. Muito do que foi resgatado até aqui só se tornou possível graças ao interesse, ao incentivo e ao apoio daqueles que acreditam no valor da preservação da memória musical.


domingo, 7 de junho de 2026

Ray Reyes - Minha Música (1986)

O cantor porto-riquenho Ray Reyes (1970–2021) conquistou projeção internacional ao integrar o Menudo entre 1983 e 1985, período em que substituiu Xavier Serbia em uma das fases de maior popularidade do grupo. Sua saída ocorreu ao completar 15 anos, em conformidade com a política de renovação de integrantes adotada pela formação.

Em carreira solo, Ray chegou ao mercado brasileiro através da Philips/PolyGram Discos com o álbum Minha Música, lançado sob o selo de catálogo 829 415-1 (Série Azul). O trabalho incorpora a estética pop predominante da metade dos anos 1980, marcada pelo uso intenso de sintetizadores, teclados eletrônicos e arranjos radiofônicos que equilibram baladas românticas e faixas dançantes.

O repertório do disco também originou uma versão em espanhol lançada em Porto Rico pela Rey Discos sob o título Una Y Otra Vez. A edição reúne adaptações de grande parte das canções presentes no lançamento brasileiro, vertidas para o espanhol por Ray Reyes e Ruco Gandia.

Responsável pela produção integral do álbum, Ruco Gandia também participa como compositor e arranjador em diversas faixas. As gravações aconteceram no Ochoa Recording Studio, em Porto Rico, com engenharia de som creditada apenas a Ronnie.

Os arranjos foram divididos entre Gandia e o músico brasileiro Mario Testoni Jr., reconhecido por sua atuação na banda de rock progressivo Casa das Máquinas e por trabalhos ligados ao pop nacional. A coordenação gráfica ficou sob responsabilidade de Jorge Vianna, enquanto Beto Napole e Rogério Soares assinaram a fotografia e direção visual. A arte final foi desenvolvida pela Via Brasil Publicidade e Promoções Ltda., sob direção geral da Editora Musical Via Brasil.

Faixas:
01. Uma Noite no Hawaí
02. Só Um Dia e Nada Mais
03. Fui Lembrar de Você
04. Tenerte Cerca
05. Quero
06. Alegria de Sonhar
07. A Primeira Vez
08. Lua Cheia de Desejo
09. Eu Fiquei Sem Jeito
09. Eu Fiquei Sem Jeito
10. Com A Cabeça no Ar

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