terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Década Romântica - Década Romântica Vol. 1 (1984)

Soberania Nacional e a Arte dos Músicos de Cessão: O Resgate da "Década Romântica"

Finalizei recentemente a remasterização do projeto Década Romântica e, ao mergulhar nessas fitas, é impossível não refletir sobre a genialidade da nossa indústria fonográfica entre as décadas de 70 e 80. Mais do que simples regravações, esses discos faziam parte de uma estratégia ousada: tornar o produto nacional soberano sobre o original estrangeiro.

O "Cover" como Protagonista

A proposta de gravadoras como a EMI-Odeon, CID e Continental era clara: entregar uma versão tão bem produzida — as famosas "cópias fiéis" — que o público brasileiro passasse a preferir o cover à versão gringa. Para isso, recrutavam a elite dos músicos de estúdio.

The Fevers (sob nomes como The Supersonics ou Hot Machine), integrantes do Roupa Nova (como Os Famks ou Os Motokas) e Os Carbonos eram os motores dessa máquina. Eles não eram apenas músicos; eram "músicos de cessão por obra".

As Pistas e o Ouvido Clínico

Embora Luiz Cláudio (The Fevers) fosse o vocalista principal, a audição atenta revela as digitais de outros gigantes que a burocracia tentou esconder. A presença de Rosana, por exemplo, é inconfundível em clássicos como "To Sir With Love" e "(They Long To Be) Close To You". Curiosamente, essas faixas foram lançadas originalmente no LP "Década Explosiva Mulher" (1978), pelo selo Imperial (braço da EMI-Odeon), e reapareceram na série romântica, seja por repescagem ou em novos arranjos.

Outras pistas aguçam o ouvido do fã:

  • No medley "F... Comme Femme / Je T'Aime Moi Non Plus", percebe-se o vocal masculino de Dudu França.

  • Há indícios fortes de que André Barbosa Filho (Brian Anderson) tenha gravado os vocais de "Tell Me Once Again".

  • E embora a voz em "She Made Me Cry" levante suspeitas sobre Hélio Santisteban (Os Pholhas), a interpretação de "Imagine" casa perfeitamente com o registro de Luiz Cláudio em sua célebre homenagem a John Lennon.

O Contrato do Silêncio e Legado Digital

Essa "invisibilidade" era estratégica. Os músicos trabalhavam sob contratos que vedavam a reivindicação de direitos futuros e a revelação de suas identidades, sob pena de multas pesadas. O objetivo era proteger o fluxo de caixa desses projetos, que estavam longe de render "mixaria", e manter o foco no produto nacional. 

O fato é que décadas depois, o acesso a esse material ainda é um quebra-cabeça. O material deste álbum aparece em forma fatiada em digital. As faixas "Tell Me Once Again", "If You Leave Me Now" e "I Started a Joke" foram içadas para o CD "Década Explosiva Romântica Vol. 1" (1997, EMI Music), enquanto "Love Hurts" e "(They Long to Be) Close to You" apareceram no "Década Explosiva Romântica Vol. 2" (1998, EMI Music), o resto das canções permanece inédita no meio digital até hoje, o que torna sua remasterização um verdadeiro tesouro digital e inédito.

Nota sobre a remasterização

O LP foi digitalizado a partir de uma cópia "near mint" adquirida pelo meu amigo Francineüdo Souza (Altamira/PA) pela internet, que contou com uso da agulha Ortofon Concorde Club (Elíptica) para melhor extração dos sulcos do disco. Após equalização, ajuste de volume e retirada de sibilâncias, o material contou com acabamento final do MVSep DeNoise, para retirada de ruidos residuais, preservando ao máximo a gravação da master original. 

Faixas:
01. Haver You Ever Seen The Rain
02. Do You Wanna Dance?
03. Canzone Per Te / L'Amore Se Ne Va
04. She Made Me Cry
05. Tell Me Once Again
06. If You Leave Me Now
07. Everybody's Talkin'
08. Imagine
09. I Started A Joke
10. To Sir, With Love
11. F... Comme Femme / Je T'aime Moi Non Plus
12. Close To You
13. Love Hurts

Para baixar este álbum em FLAC, clique AQUI.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

Aníbal - Carência (1989)

Do Rock Brasil 80 ao Zouk: A Trajetória Completa de Aníbal Rosas

Aníbal Rosas é cantor, compositor, produtor musical e DJ, cuja história é um capítulo fascinante da música brasileira, marcada por transições estéticas que vão do pop rock oitentista à vanguarda da música eletrônica carioca.

O Início e as Experiências em Compacto (1984)

Antes de consolidar sua imagem com bandas e álbuns solo, Aníbal já movimentava a cena em 1984. Ao lado de Hugo Belardi, lançou dois compactos fundamentais:

  • "Domingo de Sol": Trazendo como Lado B a curiosa "Gata-Avião", uma faixa que se destaca pela interpolação com o clássico "Eye Of The Tiger", da banda Survivor.

  • "Video Baby": Consolidando seu nome no início da década de ouro do rock nacional, que posteriormente seria repescada para o album Debora da banda Cheque Especial.

A Era Cheque Especial e o Sucesso nas Telas (1985-1986)

Em 1985, Aníbal formou a banda Cheque Especial, onde atuava como guitarrista e vocalista. O grupo era um quinteto de peso, contando com: Paulinho Meira (Guitarra e Vocal), Dudu Castro (Baixo e Vocal), Lory Cesar (Teclados e Vocal) e Eduardo Helborn (Bateria, Percussão e Vocal).

Com produção do lendário Mariozinho Rocha e mixagem de Gastão Lamounier, lançaram o álbum "Debora". O trabalho rendeu três grandes hits nas paradas: "Pronta Pra Estudar", "Búzios Armação" e a balada "Náufragos do Amor", que ganhou projeção nacional como tema da novela Selva de Pedra (Rede Globo, 1986).

A Carreira Solo e o LP "Carência" (1989)

Após o fim da banda, Aníbal seguiu em voo solo. Em 1989, lançou pela RCA o álbum solo "Carência", um projeto autoral com composições de sua autoria e também de parceiros como Edu Carval (nas faixas "Alguém" e "Guerra Santa" – grandes sucessos do disco) e Neto Júnior (em "Marginais").

Gravado no Estúdio 464, o disco teve direção artística de Miguel Plopschi e produção assinada pelo próprio Aníbal em parceria com Eros Mário. O álbum é notável pelos arranjos e mixagens do próprio artista e credita a participação da Banda Osaka, formada por: Uzeda (Mindinho): nas guitarras e violões, Edson Ferreira: no baixo, além de Lory César e Eduardo Helbourn: ex-membros da banda Cheque Especial, que retornaram para gravar teclados e bateria, respectivamente.

A Transformação: DJ Lord Feifer e o Reinado no Zouk

Com mais de 35 anos dedicados à música eletrônica, Aníbal Rosas hoje utiliza o pseudônimo DJ Lord Feifer e é DJ e produtor musical brasileiro com vasta experiência especializado em Zouk e com influências da Lambada. Reconhecido por seus sets intensos, de qualidade e energia, ele é uma presença constante na cena do Zouk no Rio de Janeiro, incluindo eventos como o Neo Festival além de tocar em locais badalados como: Quiosque Estrela da Luz e Quiosque Rayz Beach Point (Leme), Bar Guacamole e Espaço Art Barra (Barra da Tijuca).e Templo do Zouk (Copacabana).

Notas sobre a remasterização do LP "Carência"

Este LP foi comprado pelo meu amigo Israel Castro para remasterização, que contou com uso da agulha Ortofon Concorde Club (Elíptica), mas extrair o um áudio do álbum com o mínimo de distorção possível. O resultado ficou surpreendente. Para finalizar, apliquei uma camada final de MVSep DeNoise sobre as faixas, para retirada de ruído residual. A postagem faz jus aos 37 anos de existência do album, acompanhando encarte com letras e ficha técnica de produção

Faixas: 
01. Alguém
02. Carência
03. Erros
04. Cruel com Você Mesma
05. No Centro da Cidade
06. Marginais
07. Guerra Santa
08. Um Mundo Melhor
09. Brasileiro

Para baixar este álbum em FLAC, clique AQUI.

Sylvinho - Topete (1988)

Sylvio Luiz do Rego Junior (Rio de Janeiro, 23 de agosto de 1959), conhecido artisticamente como Sylvinho Blau-Blau, é um cantor, músico e compositor brasileiro que se tornou um dos ícones do pop rock nacional na década de 1980.

Sylvinho ganhou projeção como vocalista da banda Absyntho. O grupo estourou em 1983 com o compacto "Ursinho Blau-Blau", que vendeu 350 mil cópias e deu ao cantor seu apelido definitivo. Em 1984, consolidaram o sucesso com "Palavra Mágica" e, em 1985, lançaram seu único álbum completo, que trouxe os hits "Só a Lua" e "Lobo" (tema da novela Ti-Ti-Ti, da Rede Globo). Durante esse período, a banda foi presença constante nos principais programas de auditório da época, como o Cassino do Chacrinha e Globo de Ouro.

Após deixar o Absyntho em 1987, Sylvinho iniciou sua carreira solo na RCA com o álbum "Topete" (1988), contando com uma banda de apoio de peso (Os Topetes Revoltados), que falaremos sobre ele mais adiante.

Em 1989, lançou um segundo trabalho solo pela RGE (selo Xuxa Discos), mantendo a parceria com a equipe de produção de Sullivan e Marlene Mattos.

Nos anos 90, Sylvinho explorou novas sonoridades: em 1995: Lançou Trampolim (Cedro Music), com uma primeira experiência na música eletrônica ao lado de Victor Chicri. Em 1999: Após uma temporada na Europa, gravou Animal Faminto (Indie Records), revisitando antigos sucessos e regravando composições de nomes como Fernanda Abreu e Cassiano.

Televisão e Realities e controvérsias

Em 2000, mesmo após se tornar evangélico, posou nu para a revista Íntima. Em 2001, participou do Rock In Rio ao lado de Serguei e, embora tendo rasgado no palco o Ursinho Blau Blau, objeto de vínculo com seu primeiro sucesso de carreira, não só não conseguiu o desvínculo como passou Blau Blau passou a compor seu nome, usado em festas que participou da Ploc 80's, a maior festa de música trash do Rio de Janeiro.

Nos últimos anos, Sylvinho manteve sua popularidade através de participações em reality shows de grande audiência, incluindo a 5ª edição de A Fazenda, o Power Couple Brasil (ao lado de sua esposa Ana Paula) e o The Masked Singer Brasil (Rede Globo).

Topete, o album de 1988 com padrão ouro de produção

Este álbum lançado pela gravadora BMG-Ariola e representou a transição definitiva de Sylvinho para a carreira solo, distanciando-se da estética adolescente do Absyntho para um som mais encorpado e sofisticado. O projeto contou com a direção artística de Miguel Plopschi e a produção executiva de Michael Sullivan, o maior "hitmaker" da época. A sonoridade foi lapidada para equilibrar o apelo comercial com a qualidade instrumental exigida pelo mercado de rock nacional em ascensão.

Para as gravações, foi formada a banda de apoio "Os Topetes Revoltados", composta por músicos renomados: Marcelo Sussekind (Guitarras), Fred Maciel (Bateria). Paulo Henrique e Iuri Cunha (Teclados e Sintetizadores). O álbum ainda traz participações instrumentais de luxo que justificam ele ser considerado uma jóia rara da produção pop/rock do final dos anos 80, como as guitarras de Lulu Santos e Serginho Bastos, a percussão de Lobão, o saxofone de Zé Luiz e as programações de sintetizadores do mestre Lincoln Olivetti, o "mago" dos arranjos brasileiros.

O álbum ainda conta com um arranjos vocais de Junior Mendes, que dirige um coro formado por: ele próprio, Nina Pancevski (aquela do Uh Uh Ah do Fantástico), Serginho Bastos, (ex-vocalista da banda Grafitti), Solange Ferreira (aquela do Fera Radical) e Ronaldo Corrêa (Golden Boys).

Além das canções autorais, o disco contou com parceiros do rock brasileiro nas composições: Lobão, Bernardo Vilhena, Lulu Santos, Arnaldo Brandão, Vinícius Cantuária e Evandro MesquitaO destaque comercial do disco fica para "Medo Feroz" comoposta por Elias Abosssamra (vcocalista e lider da banda Syndicatho) e Cacá Moraes e "Topete", composição de Lulu Santos e Bernardo Vilhena

Nota sobre a remasterização

Insatisfeito com a qualidade de uma remasterização comprada em mercado de desapego da Internet, o meu amigo paraibano Israel Castro custeou o envio de um LP padrão "near mint" para remasterização, que contou com a captura pela agulha Ortofon Concorde Club (elíptica). Melhor impossível? Sim, é possível, com uma camada de MVSep DeNoise sobre cada faixa remasterizada, que retirando o ruído residual, dá aquele padrão de CD no áudio. Tá maravilhoso!

Faixas: 
01. Medo Feroz
02. Topete (part. esp. Lulu Santos)
03. Ibope
04. Um Dia Desses
05. Eu Sou Mais Eu
06. Cilada
07. Amar É Preciso
08. Coração de Plástico
09. Madrugada
10. Garota Programada
11. Aconteceu

Para baixar o álbum em FLAC, clique AQUI.

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Sarajane - História do Brasil (1987)

Sarajane: A Consolidação da Axé Music com "História do Brasil"

Sarajane de Mendonça Tude, nascida em Salvador no dia 18 de março de 1968, é a voz precursora que deu rosto e projeção nacional à música baiana. Após iniciar sua carreira aos 12 anos gravando jingles e passar pelos trios elétricos Tapajós e Novos Bárbaros, ela encontrou em Abelardo "Chacrinha" Barbosa o seu maior impulsionador. Em 1987, sob o selo da EMI-Odeon, ela lançou o álbum História do Brasil, uma obra que não apenas definiu sua carreira, mas mudou o patamar das produções do gênero.

Números expressivos de vendagens

Considerada uma das grandes pioneiras da Axé Music, Sarajane não apenas abriu caminhos para o protagonismo feminino no Carnaval da Bahia, como também serviu de ponte para que o ritmo local conquistasse o Brasil e o mundo.

De acordo com dados publicados na entrevista da artista concedida ao portal Ritmo Melodia em julho de 2021, foi uma das mais expressivas vendedoras de discos no Brasil no fim da década de 80, consolidando-se como a "Rainha do Axé". Veja os números impressionantes:

  • 1986 – "Rio de Leite" – Mini LP/ EP (Coronado/EMI-Odeon) – 70.000 cópias vendidas, com o sucesso "Cadê Meu Côco".
  • 1987 – "História do Brasil" (EMI-Odeon)  – Considerado "O Fenômeno", teve 800.000 cópias, recebendo certificação Disco de Platina Duplo. Este é o que traz o sucesso "A Roda" – registrada na coletânea Sucesso Maior (Som Livre, 1988) – e "Vale" – presente na coletânea "Parada Super Popular" (Som Livre, 1988). 
  • 1988 – "Sarajane" (EMI-Odeon) – 280.000 cópias vendidas, recebendo certificação de Disco de Ouro. Contém "Shaulin-Nagô" que está presente na coletânea Lambateria Tropical (Som Livre, 1988). 
  • 1989 – "Sotaque Brasileiro" (EMI-Odeon) – 150.000 cópias vendidas, recebendo certificação de Disco de Ouro. É o álbum que traz o destaque "Ela Sabe Mexer" que fez parte da trilha da novela Gente Fina (TV Globo, 1990), além de "Ritmo Louco" que está presente na coletânea "Lambateria Tropical 2".
  • 1991 – "Diadorim" (EMI-Odeon) – 60.000 cópias vendidas.
  • 1993 – "Tempero Tropical" (Polydor) – 35.000 cópias vendidas.

Transições e Retorno

Em 2011, Sarajane passou a se dedicar mais ao Forró, mas chegou a anunciar o fim de sua carreira devido a dificuldades com patrocínios e recebimento de cachês. No entanto, sua relevância cultural permaneceu viva, com suas músicas figurando em trilhas sonoras recentes, como na minissérie "O Canto da Sereia" (2013).

Em 2018, voltou aos holofotes do cinema participando do filme "De Perto Ela Não É Normal", de Suzana Pires. Em 2020, celebrou seus 40 anos de trio elétrico com o lançamento de um EP comemorativo, contando com a participação de estrelas que ela ajudou a inspirar, como Ivete Sangalo e Claudia Leitte.

Vida Pessoal

Sarajane é irmã da cantora Simone Moreno. É mãe de cinco filhos: Gabriel, Daniel, Mikael, Sara e João Rafael, sendo este último seu atual guitarrista, mantendo a música como um legado familiar.

O Fenômeno de Vendas e a Produção de Elite

Este álbum foi um marco comercial absoluto, vendendo 800 mil cópias e garantindo à cantora o certificado de Disco de Platina Duplo. O sucesso astronômico foi fruto de uma estrutura de produção robusta da EMI-Odeon, que contou com a Direção Artística de Jorge Davidson e a Direção de Produção de Liber G. Ferreira Pinto. A viabilização do projeto ficou a cargo da Produção Executiva de Fernando Carvalho e Mayrton Villa Bahia.

O disco é sustentado pelo hino "A Roda", que fundiu a irreverência de Sarajane com a sonoridade pulsante dos guetos de Salvador. A ficha técnica revela um time de elite: a Direção Musical, Arranjos e Regência foram assinados por Alfredo Moura, enquanto a percussão contou com a genialidade de Carlinhos Brown, acompanhado por nomes como Ohana e Chacal.

Repertório: Consciência e Suingue

O álbum equilibra o balanço do Axé com mensagens de resistência e identidade. Nas composições, destacam-se:

  • Consciência Social: Edson Gomes assina a faixa-título "História do Brasil", que narra as marcas da colonização, e "Rastafari". Já Ary Gil contribui com "Frutos da Consciência", uma convocação aos direitos sociais.

  • Colaborações de Peso: O disco traz "Vale", de Carlinhos Brown e Paulinho Camafeu, e a balada "Nessas Horas", de Kiko Zambianchi, que também assinou o arranjo desta faixa específica.

  • Versatilidade: Sarajane apresenta sua faceta de versionista em "Lili Marlene" e "Paixão de Verão", além de explorar ritmos pan-americanos em "Coração Latino".

Escaessez que justifica a Remasterização

Deste álbum, a única de fato disponível oficialmente em digital até hoje foi "A Roda", presente em CD nas coletâneas "A Magia dos Anos 80" (EMI, 1998), "Flashbahia" (BMG, 1999) e uma coletânea em CD duplo com título bem non-sense "Sexo MPB Com Rodrigo Faour" (EMI, 2010), porque o jornalista musical Rodrigo Faour cismou de assimilar "A Roda" – então uma expressão em sua música para ciranda ou gira –, a vagina, criando um desvio de finalidade, um desserviço, que insiste em colocar Sarajane, uma artista multifacetada com sucesso internacional, na pratileira do trash e do one-hit wonder.

Aliás o LP que encontrei para remasterização na 019 Discos do amigo Charles Portilho (lá em Nova Odessa-SP), estava com encarte esfarelado de tanto que deve ter sido usado. Estamos falando de 39 anos desse album, dá licença!!! Então foi um baita achado. O album foi ripado com uso de agulha elíptica Ortofon Concorde Club e ficou com qualidade de áudio bem superior a que se encontra na internet. Para o cancelamento de ruídos residuais, contem com o MVSep DeNoise, que aqui foi uma mão na roda, porque a prensagem da EMI pela Fonobrás, como tem um certo abafamento, quando se expande o agudo do áudio, acaba expondo um ruído bem característico, que só possível remover sem perder a fidelidade sonora da master por meio do MVSep DeNoise.  Portanto, a qualidade de som está bem cremosa! hahahaha.

A capa e contracapa eu refiz com uso do DALL-E (ChatGPT) e Nano Banana (Gemini), retirando conteúdo da contracapa, que hoje em dia seria considerado conteúdo sensível para os padrões atuais da internet. As fotos que tinham um aspecto bem esfumaçado, foram restauradas para o padrão atual, corrigindo nitidez, o que confirma Sarajane como um dos rostos mais lindos do gênero Axé.

Com relação a encarte, caro leitor: o encarte interno teve seu último suspiro, no scanner. Precisei salvar a cópia esfarelada e jogar fora porque já estava consumido pelo bolor. Mas o suficiente para preservar as letras e Ficha Técnica.

Faixas: 
01. Vale
02. Lili Marlene (Lili Marleen)
03. História do Brasil
04. Arruda
05. Frutos da Consciência
06. A Roda
07. Rastafary
08. Nessas Horas
09. Coração Latino
10. Paixao de Verão (Sarà Falso, Sarà Vero)

Par baixar este álbum em FLAC, clique AQUI.

Gilliard - Gilliard (1986)

Gilliard Cordeiro Marinho é um renomado cantor e compositor brasileiro, nascido em Natal (RN) em 17 de dezembro de 1956. Com uma carreira consolidada que já ultrapassa os 47 anos, seu sucesso rompeu fronteiras, alcançando reconhecimento em diversos países da África e da Europa.

Na vida pessoal, Gilliard é casado desde 1981 com Silvia Marinho (ex-integrante do grupo Harmony Cat). O casal tem dois filhos: Silvio Marinho, que segue os passos do pai na música, e Bruna Marinho, médica pneumologista.

Sua trajetória é marcada por uma presença constante na teledramaturgia brasileira. Entre seus maiores sucessos em trilhas sonoras, destacam-se:

  • "Fracasso" (Plumas e Paetês – TV Globo, 1981)

  • "Sinal de Amor" (Final Feliz – TV Globo, 1982)

  • "Festa dos Insetos" (Chispita – SBT, 1982)

  • "Eu Amo Amar Você" (Pão Pão, Beijo Beijo – TV Globo, 1983)

  • "Pouco A Pouco" (A Justiça de Deus – SBT, 1983)

  • "Quem Me Dera" (Champagne – TV Globo, 1983)

  • "Coisa de Nós Dois" (Partido Alto – TV Globo, 1984)

  • "Só Eu Sei" (Cambalacho – TV Globo, 1986)

Em 1986, Gilliard assume um capítulo novo em sua carreira, assinando com a 3M do Brasil. lança seu álbum homônimo, o oitavo de sua trajetória, com produção de Moacyr M. Machado, co-produção de Genivaldo C. Marinho e coordenação artística de Mickael. O álbum foi gravado no estúdio SIGLA-SP e Mosh-SP (apenas a faixa "Somos Dois"), com mixagem completa no Mosh.

A decisão de assinar com a 3M foi certeira, porque o selo estava disposto e investir pesado em excelentes produções e no segmento popular, se não fosse seu maior entrave a prensagem e distribuição que contava sempre com um selo maior – no caso, a RCA –, gerando um conflito de interesses entre companhias fonográficas. Com a 3M do Brasil, no ano de 1988, arrendando a empresa de portas fechadas para a Continental, o cantor continuou no selo até 1990, lançou um disco pela Copacabana em 1992 e depois voltou para a RGE, gravadora que o consagrou, porque Gilliard sempre mostrou números significativos de vendagens!

A canção "Segredos" – que abre o disco – se tornou um grande sucesso, tendo sua divulgação amplificada através da coletânea Sucessos Nota 10 da Som Livre (1987). A 3M  escolheu "Mulher... Mulher..." para divulgação em Promo 12'' para rádios que incluia outras 3 canções de seu elenco, mas isso aconteceu no ano de 1987, quando Gilliard estava prestes a lançar seu segundo álbum.

Curiosamente, as cnações deste álbum podem ser conferidas no Box "Super 3 - 3 Coletâneas de Sucessos (34 Hits)", lançado em CD triplo pela Warner Music em 2009. Entretanto, ao desembalar e por para tocar os CDs, o susto do fã é enorme, que acaba se deparando com um montoeiro de masters fracas do álbum espalhadas pelos CDs. A Warner, como não tinha posse das masters, mas apenas as licenças do álbum, aproveitou faixas de MP3 que ela mesma publicou em 2009 e devolveu para os álbuns em forma de relançamento nas plataformas digitais. 

Por esta razão, a gravação que temos aqui é inédita e resolve a problemática da master fraca, por que o LP álbum passou por uma gravação nova por mim em maio de 2025, com uso de agulha Shure M44G. E em fevereiro de 2026, decidi aplicar o MVSep DeNoise nas faixas para garantir ainda mais precisão e som cristalino no resultado.  

A publicação contou com apoio cultural do amigo Charles Portilho, da loja 019 Discos de Nova Odessa/SP. Para comprar seu LP na loja pela internet, clique AQUI.


Faixas: 
01. Segredos
02. É Primavera
03. Os Anjos Dizem Amém
04. Pra Ser Feliz
05. São Mateus
06. Mulher...Mulher...
07. Promessa de Vida - Tema Musical de Cyrano de Bergerac
08. Ciúme
09. Chuva de Saudade
10. Somos Dois
11. Homem do Campo

Para baixar o álbum em FLAC, clique AQUI.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

📢 NOTA DE ESCLARECIMENTO: PELO FIM DA "LAVANDERIA DE ÁUDIO"

Cansei de ver o meu esforço de preservação musical ser tratado como balcão de estoque para oportunistas. É hora de falar a realidade dos fatos:

  1. O Gato por Lebre: Muitos de vocês chegaram a gastar R$ 69,90 para comprar CDs "Fan Made" em vitrines da Shopee (especialmente de vendedores do Paraná), mas receberam um material com áudio sofrível, ripado de YouTube ou com uso de compressor que deixa o áudio uma chiadeira só.

  2. O Desvio de Finalidade: De uns meses para cá, percebi um movimento cínico. Pessoas como o senhor Tharso Moreira Gomes (Paranaguá/PR) surgem aqui pedindo "uma caralhada" de álbuns, agindo como robôs, tentando ganhar no grito. O objetivo? Pegar os meus rips de alta fidelidade para substituir o áudio lixo que vendem nessas lojas. Querem "lavar" a mercadoria deles com o meu suor.

  3. A Hipocrisia Financeira: É de entristecer ver gente que já pagou caro em CD-R pirata do Paraná, mas que aqui na Gazeta do Som — onde o áudio é gratuito, superior e fruto de investimento real em LPs originais e restauração técnica — vir apenas exigir e baixar sem apoiar a causa com um centavo que seja.

O ESPERTALHÃO VAI FICAR AVISADO:

A Gazeta do Som é um espaço de paixão e preservação, não um prestador de serviço para atravessador.

  • Vou postar o que eu quiser, quando eu tiver vontade. Não sou máquina!

  • Quem só baixa e não investe na fonte, não tem direito de exigir absolutamente nada. Não sou fornecedor de 'matéria-prima' para quem já vem lucrando há uma década, lesando a vida dos outros, entregando áudio porco em fan-made só com embalagem bonita e acha que agora vai colocar áudio bom e resolver a contenção de pós-venda às minhas custas.

  • Quero que façam como eu e baixem sem pagar pirateiro de luxo! Querem música fora de catálogo com qualidade de verdade? Parem de financiar as lojinhas de desapego de internet e valorizem quem realmente compra o disco e faz o trabalho honesto sem exigir um vintém — porque aqui é de graça!"

O acesso aqui agora é para quem soma. Para quem quer apenas sugar para revender, se tiver na sua lista e eu atender, sorte sua, mas sua listagem de pedidos será pura métrica algorítmica de engajamento. E aos que já sabem, NÃO APÓIEM esses caras. Dêem a comunidade o gosto de ter um trabalho de graça, se possível investindo em discos raros. O pedido pago do outro pode ser o atendimento gratuito do seu. Funciona! Mas se não quer apoiar, só aproveita o que vier.

E você, Tharso, vem com seu formulário, que estou te esperando, pra todo mundo ver o tipo de encrenca que você é. Já tem um tempo que você vem causando incômodo da platéia. Agora o holofote do palco está sobre você!

Sá & Guarabyra - Cartas, Canções e Palavras (1987)

"Cartas, Canções e Palavras" é o 7º álbum de estúdio da dupla Sá & Guarabyra, lançado pelo selo RCA. A obra foi produzida por Renato Corrêa (dos Golden Boys) e teve direção executiva de Miguel Plopschi.

Todas as faixas do disco são compostas por Luiz Carlos Sá e Guttemberg Guarabyra, com exceção de:
"Barqueiro de Vela", assinada por Guarabyra, Tadeu Franco e Sérgio Santos
"O Apito do Valpor", composta por Luiz Carlos Sá, Quintinho e Gervásio Horta

Já procurei detalhes sobre artistas que tocaram nesse álbum que é primoroso em técnica e arranjos. Acredito que é senão meu favorito dos discos dos anos 80, uma das maiores jóias que já ouvi da música popular brasileira! Mas por descuido, ou até birra, a RCA não divulgou os músicos participantes, porque sequer imprimiu folheto interno no LP.

O álbum traz a faixa "Tabuleiro", que obteve sucesso radiofônico ao ser incluída em cenas de locação da novela Fera Radical.

A versão digital foi remasterizada a partir do vinil em  março de 2025, utilizando uma agulha Shure M44G, garantindo maior fidelidade e suavidade na leitura do áudio original. No entanto, em fevereiro de 2026 a remasterização ganhou uma aplicação de MVSep DeNoise sobre as faixas, garantindo uma limpeza de ruídos residuais, que já eram poucos, resultando em uma sonoridade perfeita!

Faixas: 
01. Cartas, Canções e Palavras
02. Barqueiro de Vela
03. O Apito do Vapor
04. Serena
05. Pés nos Chão
06. Muge o Boi
07. Parar de Correr
08. Rosto de Atriz
09. Tabuleiro
10. Os Meninos dos Abrolhos
11. Fazer o Céu

Para baixar o album em FLAC, clique AQUI..