domingo, 27 de setembro de 2026

José Luis Perales - Com o Passar do Tempo (1986)

Em 1973, quando as rádios espanholas executavam Mis Canciones, José Luis Perales começava a se tornar conhecido como cantor e compositor. Segundo o texto de divulgação da época, era como se uma nova voz encontrasse as angústias, ideias e sentimentos daquela geração, expressos de maneira clara, sincera e sofrida.

Nascido em Castejón, Perales tornou-se um dos grandes nomes da música espanhola, expandindo seu trabalho pela América Latina, Europa e pelas comunidades latinas dos Estados Unidos. Ao longo da carreira, suas composições foram gravadas por artistas como Mocedades, Jeanette, Rocío Jurado, Miguel Bosé, Raphael e Isabel Pantoja. Jeanette, por exemplo, gravou “Porque Te Vas”, composição de Perales incluída no filme Cría Cuervos, de Carlos Saura.

No Brasil, suas canções também ganharam versões e interpretações de artistas nacionais. Fábio Jr. gravou “Senta Aqui”, enquanto o grupo Dominó incluiu “Guerreiros” em seu repertório.

Com o Passar do Tempo marcou a estreia de José Luis Perales como cantor no Brasil e foi também seu primeiro disco pela CBS, gravadora com a qual havia firmado um contrato internacional. Com produção executiva de Tomáz Muñoz e arranjos de Maurizio Fabrizio e Graham Preskett, o álbum reúne dez canções, sendo metade delas apresentada em português, com versões assinadas por Abel Silva, Erasmo Carlos, Ronaldo Bôscoli e Edgard B. Poças.

O primeiro destaque é “A Primeira Vez”, versão de Abel Silva, uma canção sobre os conflitos e o desgaste da vida conjugal. Na época, Perales comentava que costumavam acusá-lo de ser um compositor melodramático, mas explicava que essa não era sua intenção: se as pessoas choravam ao ouvir suas músicas, seria porque aquilo que ele sentia também correspondia ao sentimento delas. “Todos nós sentimos as mesmas dores e o desamor é a primeira delas”, afirmava.

O repertório segue com “Ay Corazón”, “Lucía”, “Ay Amor”, com participação do grupo Mocedades, “Tan Solo Necesito” e “Me Iré Calladamente”. Entre as músicas em português está “O Que Cantam as Crianças”, cuja letra é de Edgard B. Poças. De acordo com o material de divulgação, Perales cedeu os direitos autorais da composição à organização Aldeias SOS, dedicada ao atendimento de crianças carentes.

Apesar de o crédito de participação mencionar apenas a dupla Jairzinho & Simony, este LP esconde a gravação com a formação da Turma do Balão Mágico, incluindo Ricardinho, Mike Biggs, Jairzinho e Simony — considerada por mim uma raridade que caiu no meu colo!

Outra adaptação brasileira é “Caminho de Luz”, de Ronaldo Bôscoli. O compositor também assina a versão de “Não Será Tão Fácil”, canção sobre o fim de um relacionamento e a dificuldade de recomeçar. Já “Eu Também Tive Quinze Anos”, adaptada por Erasmo Carlos, é apresentada por Perales como uma advertência aos jovens, contrapondo os sonhos da adolescência à passagem do tempo.

Distante da imagem tradicional de astro, Perales era descrito no material promocional como uma espécie de “antiestrela”. Morando com a esposa, Manuela, e os dois filhos em Cuenca, na Espanha, dizia preferir uma vida pacata, longe do show business. Segundo ele, caminhar pelas ruas e conviver normalmente com comerciantes e moradores da cidade permitia que continuasse sendo tratado como qualquer outra pessoa, apesar da projeção internacional.

Naquele período, a assinatura do contrato com a CBS Records International previa ainda gravações de José Luis Perales em inglês, francês e alemão, além do lançamento simultâneo de seus discos na Europa, América Latina e Estados Unidos. Com o Passar do Tempo registrava, assim, uma fase de expansão internacional do compositor espanhol e, ao mesmo tempo, sua apresentação ao público brasileiro também como intérprete de suas próprias canções.

Uma remasterização já havia sido feita em 2023, a partir do LP enviado pelo amigo Giúlio Benevides (Ribeirão Preto/SP), que inclusive providenciou, na época, o material gráfico adaptado do CD — disponível em “Extras”, na pasta Scan. Em 2025, porém, acabei encontrando bem por acaso outro LP em excelente estado de conservação e aproveitei para retrabalhar algumas faixas que precisavam de mais cuidado. Por fim, apliquei uma camada final de MVSep DeNoise sobre as faixas.

Faixas:
01. A Primeira Vez (La Primera Vez)
02. Ay Corazon
03. Não Será Tão Fácil (No Resulta Facil)
04. Lucia
05. Caminho de Luz (Recorrer Tu Camiño)
06. O que Cantam as Crianças (Que Canten Los Niños) [com A Turma do Balão Mágico]
07. Ay Amor [com Mocedades]
08. Eu Também Tive Quinze Anos (Yo Tambien Tuve Quince Años)
09. Tan Solo Necesito
10. Me Ire Calladamente

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sábado, 26 de setembro de 2026

Hyldon - Hyldon (1989)

Em 1989, Hyldon lançou pela Esfinge este álbum homônimo, um trabalho de produção independente que reúne dez composições e mantém o artista não apenas como intérprete, mas no centro de toda a concepção musical do disco. Hyldon assina a produção e concepção musical, além dos vocais, violão, guitarra base e arranjos. A direção de produção ficou a cargo de Carlos Lemos, com direção geral de Tony Bizarro.

Todas as canções têm letra e música de Hyldon, com exceção de “Caminho de Santiago” e “Vem Comigo”, adaptações musicais de poesias de Paulo Coelho e Cecília Meireles, respectivamente.

A instrumentação reúne músicos importantes da música brasileira. Artur Borba participa nos teclados e sintetizadores, além de dividir os arranjos com Hyldon e responder pelas orquestrações e regência. Luizão Maia toca baixo, Mário Monteiro (Picolé) bateria e Cidinho percussão. Há ainda participações específicas de Alex Malheiros, no baixo de “Caminho de Santiago” e “Vem Comigo”; Ivan Conti, na bateria de “Vem Comigo”; Chacal e Léo, na percussão de “Caminho de Santiago”; e Paulinho Guitarra, que toca guitarra e faz o solo de violão em “Coração Cigano”. Os metais aparecem com Paulinho Trompete, no flugelhorn de “O Amor É Como a Flor”, e Bidinho, no trompete de “Caminho de Santiago”. O coro reúne Jussara Lourenço, do Trio Ternura; Renata Correa; Renato Correa, Roberto Correa e Waldir Anunciação, integrantes dos Golden Boys; e Zoé Medina.

As gravações foram realizadas nos estúdios Mix e Multi, no Rio de Janeiro, e Transamérica, em São Paulo, com Guilherme, João Maria, Rafael, Carlos Freitas e João Guarino como técnicos de gravação. A etapa de mixagem levou o projeto aos Estados Unidos: o álbum foi mixado no Wide Track, em Hollywood, com Wayne Henderson como produtor de mixagem e Dennis Parker como engenheiro. A produção vocal ficou a cargo de Frankie Arduini.

O corte foi realizado por José Oswaldo Martins, da BMG-Ariola. As fotografias do LP são de Frederico Mendes e a arte-final da WOM Publicidade.

Apesar do esmerado trabalho musical e da mixagem realizada nos Estados Unidos, o álbum registrou baixa vendagem. A Esfinge, um selo de pequeno porte, concentrava seus recursos na qualidade técnica de seu catálogo, mas enfrentava dificuldades na prensagem e distribuição de seu material fonográfico. A situação se agravou com a crise econômica durante o Plano Collor, e a gravadora encerrou suas atividades no início dos anos 1990.

Para a remasterização deste álbum, foi utilizada a agulha Ortofon Concorde Club na captura do áudio diretamente do LP original. Fica meu agradecimento especial ao amigo Israel Castro, de Campina Grande/PB, pela aquisição do LP que me permitiu realizar este trabalho de resgate.

Faixas:
01. Pétalas Vermelhas (part. esp. Alfonz Jones)
02. Coração Cigano
03. Vá Embora Tristeza
04. Uma Chance pra Nós Dois
05. Muito Além da Razão
06. O Mundo Fica Triste Sem Você (Obaluaê)
07. O Amor É Como a Flor
08. Trem da Madrugada
09. Caminho de Santiago
10. Vem Comigo

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A Cor do Som - Som da Cor (1985)

É sério, você precisa ouvir esse disco! 

Lançado em 1985 pela Elektra/WEA, O Som da Cor traz A Cor do Som com Dadi, Mú Carvalho, Ary Dias, Gustavo Schroeter e Perinho Santana. Este último já havia participado das gravações de Intuição, de 1984, e aqui aparece definitivamente integrado ao grupo, assumindo as guitarras e também dividindo os vocais.

E é justamente quando a gente começa a fuçar os créditos que o disco fica ainda mais interessante: não existe um único vocalista à frente do repertório. Ary Dias canta “Arrastando Corrente”, “Vida Que Passamos” e “Acho Que Ela Gosta”; Mú assume “Ela Vai Ter Que Me Escutar” e “Eu Quero É Bem Mais”; Dadi fica à frente da faixa-título e de “Tudo Que Você Quiser”; e Perinho canta “Navegante” e “Bomba No Vestibular”. Virou bagunça? Não! Funciona — e muito bem! A formação trabalha quase como um revezamento, inclusive nos instrumentos: Dadi, além do baixo, aparece nas guitarras e teclados; Ary troca a percussão pela bateria em algumas faixas; e Mú também participa das programações eletrônicas.

E tem visita em casa! Cecília Spyer, hoje ligada ao universo da bossa nova e do new jazz, é praticamente uma presença recorrente no álbum. Seus vocais de preenchimento feminino dão às faixas um tom deliciosamente new wave, com uma precisão vocal maravilhosa — não estão ali simplesmente fazendo “corinho”, mas acrescentando textura e identidade aos arranjos.

Armandinho Macedo, nome fundamental na história d’A Cor do Som, reaparece nos vocais de “Vida Que Passamos” e “Eu Quero É Bem Mais”. Já Léo Gandelman deixa sua marca em “Acho Que Ela Gosta”, com teclados e um solo de saxofone, enquanto Toni Costa participa com guitarra solo; os dois também cuidam da programação da DMX nessa faixa. E há ainda um crédito daqueles que você só encontra quando resolve ler até as letrinhas do LP: Márcio Figueiredo, responsável pela ghost laugh de “Arrastando Corrente”. Pois é!

O repertório também mantém os integrantes bastante envolvidos na composição. Mú Carvalho é o nome mais frequente entre os autores, inclusive nas parcerias com Paulinho Tapajós em “Que Flor É Você?” e “Eu Quero É Bem Mais”. Dadi e Ronaldo Bastos assinam “Som da Cor”, enquanto Perinho compõe “Navegante” e divide “Bomba No Vestibular” com Chacal.

Produzido por Chico Neves, O Som da Cor também carrega algumas marcas bem reconhecíveis da produção dos anos 1980. Ao instrumental da banda somam-se sequencer e programação de bateria DMX, sem eliminar a bateria acústica de Gustavo Schroeter ou a forte presença da percussão de Ary Dias. É justamente essa convivência entre instrumentos e programação que chama atenção nos créditos do álbum.

Chico Neves também divide a engenharia de gravação com Vitor Farias, responsável pela mixagem. A direção artística ficou com Liminha, enquanto Frederico Mendes assinou fotografia e arte da capa. O corte do LP foi realizado por José Oswaldo Martins.

E se você estiver procurando este álbum em CD, aí a coisa complica. Em 2008, a Warner lançou A Cor do Som – Super 3, dentro de uma série de coletâneas triplas dedicada a vários artistas. São 42 faixas distribuídas em três CDs, com seleção de repertório de Carlos Savalla e masterização creditada à Digital Mastering Solutions.

De O Som da Cor, porém, entraram somente “Ela Vai Ter Que Me Escutar”, “Arrastando Corrente” e “Tudo Que Você Quiser”. E vou dizer: horrível! Para quem esperava encontrar ali uma boa recuperação digital dessas gravações, passou longe. Além de representar apenas três músicas desse álbum, essas faixas aparecem no box a partir de fontes muito fracas de LP, com características de áudio comprimido em MP3. 

Nesta remasterização de 2026, com a tecnologia trabalhando a nosso favor, você perceberá muito melhor a presença dos detalhes — vocais, percussões, guitarras, teclados e aquelas pequenas intervenções espalhadas pelos arranjos — a partir de um LP que, pelo que pude verificar, foi prensado pela RCA.

Aparentemente, essa prensagem traz um áudio mais fechado, com certo abafamento. Na etapa de masterização, utilizei o U-he Satin para abrir os agudos e devolver maior presença ao conjunto. Com o MVSep DeNoise na limpeza dos ruídos residuais, o resultado chega àquela sensação deliciosa de uma fita master nova e limpa. 

Bom, sou suspeito para elogiar A Cor do Som. É um time de músicos exímios fazendo um som pirado, com guitarra baiana, grooveria, funk, reggae, muito suingue e aquela mistura tão característica do som nordestino com o boogie americano. E os vocais de Dadi, Ary, Perinho e Mu são gostosos demais de ouvir!

Não vou ficar tentando explicar demais, não. Só ouve!

Faixas:
01. Arrastando Corrente
02. Som da Cor
03. Ela Vai Ter Que Me Escutar
04. Vida Que Passamos
05. Que Flor É Você?
06. Acho Que Ela Gosta
07. Eu Quero É Bem Mais
08. Navegnte
09. Todo Que Você Quiser
10. Bomba no Vestibular

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sexta-feira, 25 de setembro de 2026

Hot 90 (2001)

Lançado pela Som Livre em 2001, Hot 90 é uma coletânea dedicada aos sucessos internacionais dos anos 1990. Com 16 faixas, o CD aposta numa seleção bastante eclética, reunindo o pop romântico que teve forte presença no período com R&B, reggae e dance music. O repertório procura representar os anos 90, com maior concentração de músicas nos anos finais da década.

Hot 90 tem seleção de repertório de André Werneck e masterização de Sergio Seabra. A parte gráfica ficou sob direção de arte de Marciso (Pena) Carvalho, com projeto gráfico de Bruno Camolez e fotografia de Ken Reid, da agência Keystone.

Bem, Hot 90 é quase um “O Melhor Internacional de Novelas” dentro da curadoria, por trazer “As Long As You Love Me” e “How Could An Angel Break My Heart”, de Por Amor; “Con Te Partirò”, de Torre de Babel; e “Children”, de Anjo de Mim. 

A seleção teria ficado perfeita se sucessos conhecidos como “Mambo Nº 5 (A Little Bit Of...)”, “Macarena” e “Don’t Speak” tivessem aparecido em suas gravações originais de Lou Bega, Los Del Rio e No Doubt, respectivamente, em vez das versões alternativas incluídas no CD. Ah, e se “Macarena” fosse a de Los Del Rio, baixava a novela Explode Coração aqui pra ampliar o leque, hahaha...

Por ter “Hot” no título, a gente imagina um CD com as bombadas das festas daquele período. Na verdade, aqui se concentra muito do que foi quentíssimo nas FMs — inclusive no segmento popular! “My Heart Will Go On”, tema de amor de Titanic, venceu o Oscar em 1998 e, naquele ano, só deu ela. A coletânea ainda resgata “Candle in the Wind”, só que na versão de 1973, e não naquela que Elton John regravou em 1997 para homenagear a amiga Lady Di. Caráter midback total! Já o senhor Bocelli, não por acaso, ganhou seu espaço trazendo o crossover da música clássica com o pop em “Con Te Partirò” — e foi, SIM, um tremendo sucesso!

Esse apelo popular também aparece nas canções urbanas de R&B, hip-hop e dancehall, aqui representadas por uma vibe mais leve e radiofônica, assim como no pop dos Backstreet Boys e Britney Spears, os queridinhos do final da década. 

Enfim, o Hot deste primeiro volume está muito mais ligado ao que estava quente nas FMs do que necessariamente às pistas de dança. As pedradas dançantes viriam no Volume 2. Aliás, olhando bem para o repertório deste CD, daria tranquilamente para estampar a logomarca da Rádio Cidade gaúcha na capa.

E quanto às faixas regravadas: cadê os produtores e cantores dessas pérolas para contar como foram feitos aqueles arranjos instrumentais com cara de base MIDI pré-gravada e os vocais desanimados? Por favor: 25 anos depois, vocês devem uma explicação ao povo brasileiro!

Brincadeiras à parte, o que era “defeito” comercial da época se tornou, com o tempo, uma peculiaridade colecionável — e hoje este CD envelheceu tão bem quanto vinho. É engraçado ter vontade de escutar as versões empobrecidas — ou não — das canções de sucesso. E quer saber? É uma experiência divertida! Viva a Som Livre e o André Werneck por isso!

E pra fechar a coletânea, o Sr. Werneck me coloca uma obscura do Delerium que parece escolha do gosto pessoal. Vai entender, amigo! Mas 'not so bad'...

Faixas:
01. My Heart Will Go On - Céline Dion
02. Hero - Mariah Carey

03. As Long as You Love Me - Backstreet Boys
04. Life - Des’ree
05. Con Te Partirò - Andrea Bocelli
06. Candle in the Wind - Elton John
07. How Could an Angel Break My Heart - Toni Braxton
08. ...Baby One More Time - Britney Spears
09. Mambo No. 5 - Xavier Perez
10. Macarena - From Ipanema
11. Killing Me Softly - Fugees
12. Boombastic - Shaggy
13. Don't Speak - Sweet Time
14. All That She Wants - Ace Of Base
15. Children - Robert Miles
16. Not So Bad - Delerium

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quinta-feira, 24 de setembro de 2026

O Melhor de Lembranças (1993/1995)

"O Melhor de Lembranças" é uma coletânea lançada em LP, K7 e CD em 1993 pelo selo MCA, reunindo uma seleção das melhores canções dos volumes 1 a 5 da série Lembranças, lançados entre 1983 e 1992.

A série teve início em 1983, quando a Motown Records, com distribuição da RCA, colocou no mercado o primeiro volume sob o título Lembranças Internacional. A denominação foi adotada para diferenciar o lançamento de uma série homônima anterior, produzida pela Top Tape, que havia colocado no mercado uma trilogia de Lembranças entre 1979 e 1980, com os dois primeiros volumes lançados em 1979 e o terceiro em 1980. A Top Tape também lançou, posteriormente, a coletânea Lembranças Nacional, curiosamente com a fabricação da RCA.

Ainda em 1983, a RCA lançou Lembranças 2, dando sequência ao novo projeto. No ano seguinte, o selo refez o primeiro volume, agora sob o título simplesmente Lembranças, apresentando um repertório reformulado. Com esse lançamento, a RCA passou a assumir de fato a franquia Lembranças, desvinculando-a editorialmente da série anteriormente produzida pela Top Tape.

Após um intervalo de seis anos, a série retornou em 1989 com Lembranças 3, desta vez disponibilizado nos formatos LP, K7 e CD. Em 1991, foi lançado Lembranças 4, em CD, seguido por Lembranças 5, em 1992. É desse ciclo de lançamentos que O Melhor de Lembranças reúne seu repertório, funcionando como uma retrospectiva da fase da franquia conduzida pela RCA e posteriormente associada ao selo MCA.

A coletânea contempla gravações dos selos MCA, RCA e Artista, com direção de arte de André Teixeira, capa desenvolvida pela Ideia Digital e fotografia da agência ICA Press.

Faixas:
01. What A Wonderful World - Louis Armstrong
02. Light My Fire - José Feliciano
03. Making Love Out Of Nothing At All - Air Supply
04. With You All The Way - New Edition
05. Without You - Nilsson
06. Do What You Do - Jermaine Jackson
07. Lost In Love - Air Supply
08. Float On - The Floaters
09. Time - The Alan Parsons Project
10. You Got It All - The Jets
11. These Eyes - The Guess Who
12. Dedicated To The One I Love - The Mamas & The Papas
13. Everybody's Talking - Nilsson
14. We Said Goodbye - Dave MacLean

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Mix'80 Sucessos Non-Stop - The Ultimatte 80s Mix (2002)

Mix’80 Sucessos Non-Stop – The Ultimate 80’s Mix foi lançado no Brasil em 2002, pela Universal Music, reunindo 14 sucessos internacionais dos anos 1980 em versões mixadas para ninguém parar de dançar.

Apesar da proposta inovadora para celebrar a década com suas melhores músicas para pista de dança por meio de um set mixado, o DJ responsável pelo ótimo trabalho não é creditado neste CD. Como o projeto não teve edições internacionais, tudo indica que a mixagem tenha sido produzida no Brasil.

Um dos grandes encantos de Mix’80 está na escolha de combinações absolutamente improváveis. Basta observar este início maravilhosamente maluco! “Shout” tem aquela dimensão grandiosa e dramática do Tears for Fears e desemboca em “Human”, uma balada R&B/synth-pop de atmosfera muito mais íntima. E, quando o ouvido se acomoda naquele clima introspectivo, vem o corte seco para “Do You Really Want to Hurt Me”, com sua levada reggae, mudando completamente a luminosidade do set. Daí surge “Down Under”, que prolonga esse lado mais solar, antes de “Dance Hall Days” levar tudo novamente para outro ambiente. A essa altura, a galera já esvaziou o copinho de chope do começo, está com as mãos livres para começar o passinho e nem percebe que tudo até aqui foi preparação para o fervor que está por vir.

E então vem outra guinada: “Dance Hall Days” → “Relax (New York 12” Mix)”. Aqui faz todo sentido a aceleração das batidas: o DJ precisa atravessar uma diferença considerável de energia para chegar à pulsação de “Relax”. Logo depois, em vez de permanecer simplesmente no hi-NRG, aparece “19”, de Paul Hardcastle — uma faixa eletrônica construída em torno de samples falados sobre a Guerra do Vietnã. Ou seja: até quando mantém a pista, muda completamente o caráter da música.

A segunda metade também é fascinante: “The Reflex” → “Sweet Dreams” → “Blue Monday” → “Don’t Go” → “Smalltown Boy” → “Tainted Love” → “Take On Me”. A essa altura, o fervor já tomou conta do set e começa a existir uma concentração maior de eletrônica e synth-pop, mas nem por isso as escolhas são óbvias: Duran Duran, Eurythmics, New Order, Yazoo, Bronski Beat, Soft Cell e A-ha têm assinaturas rítmicas e atmosferas muito distintas.

Talvez tenha sido justamente essa imprevisibilidade que motivou muita gente a levar o CD para a coleção em 2002. Não era apenas uma reunião de sucessos dos anos 1980: havia o prazer de descobrir o que aconteceria quando músicas aparentemente incompatíveis fossem entregues às mãos de um DJ. A expectativa pela próxima transição torna a audição quase um jogo e, quando essas combinações improváveis finalmente se encaixam, a experiência chega a ser extasiante. 

O único problema é que a diversão dura pouco: são menos de 50 minutos de música. O set inteiro dá quase a sensação de termos ouvido apenas o Lado A de uma mixtape em fita K7 de 90 minutos. Quando o DJ finalmente nos convenceu a largar o copinho de chope e tomar conta da pista, já estamos chegando a “Take On Me”. Dá vontade de virar a fita e continuar a festa — mas não existe Lado B. Que droga!

E, afinal, quem foi esse sujeito incrível? DJ, ONDE ESTÁ VOCÊ? MANIFESTE-SE 24 ANOS DEPOIS!

Faixas:
01. Shout - Tears For Fears
02. Human - The Human League
03. Do You Really Want To Hurt Me - Culture Club
04. Down Under - Men At Work
05. Dance Hall Days - Wang Chung
06. Relax - Frankie Goes To Hollywood
07. 19 - Paul Hardcastle
08. The Reflex - Duran Duran
09. Sweet Dreams (Are Made Of This) - Eurythmics
10. Blue Monday - New Order
11. Don't Go - Yazoo
12. Smalltown Boy - Bronski Beat
13. Tainted Love - Soft Cell
14. Take On Me - A-ha

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In Love - Arista 10º Aniversário (1985/1990)

In Love – Arista 10º Aniversário foi lançada originalmente em LP e K7 em 1985, como parte das comemorações pelos dez anos da Arista Records. A coletânea reúne doze gravações de alguns dos principais nomes do catálogo da gravadora, com uma seleção predominantemente romântica, concentrada em sucessos dos anos 1970 e da primeira metade dos anos 1980. Em 1990, o título retornou ao mercado em CD, em edição da BMG Music Group.

O repertório começa com “Mandy”, de Barry Manilow, que também aparece mais adiante com “I Write the Songs”. Dionne Warwick é outro nome presente duas vezes, com “I'll Never Love This Way Again” e “Heartbreaker”, esta última composta pelos irmãos Barry, Robin e Maurice Gibb.

O Air Supply também ocupa duas posições na seleção: “Making Love Out of Nothing at All”, composição de Jim Steinman, e “All Out of Love”, de Graham Russell e Clive Davis. Entre as grandes baladas do disco estão ainda “Living Inside Myself”, de Gino Vannelli; “Don't Cry Out Loud”, de Melissa Manchester; e “All By Myself”, de Eric Carmen.

Apesar da proposta romântica sugerida pelo título, In Love não se limita às baladas. “Hold Me Now”, do Thompson Twins, incorpora o pop eletrônico característico dos anos 1980, enquanto “Eye in the Sky”, do The Alan Parsons Project, traz a atmosfera sofisticada do art rock. A seleção termina com “Because the Night”, de Patti Smith, composição assinada por Patti Smith e Bruce Springsteen, levando o encerramento para uma levada de classic rock.

Na edição em CD de 1990, os créditos referentes ao projeto gráfico original não foram reproduzidos. Essas informações foram recuperadas a partir da edição em LP, conforme registro disponível no Discogs: a capa é creditada a André Teixeira e Valério do Carmo, a arte-final a Vittore Tolóne e a fotografia a Bruno Lins.

Faixas:
01. Mandy - Barry Manilow
02. I'll Never Love This Way Again - Dionne Warwick
03. Making Love Out Of Nothing At All - Air Supply
04. Living Inside Myself - Gino Vanelli
05. Don't Cry Out Loud - Melissa Manchester
06. Hold Me Now - Thompson Twins
07. All By Myself - Eric Carmen
08. I Write The Songs - Barry Manilow
09. All Out Of Love - Air Supply
10. Heartbreaker - Dionne Warwick
11. Eye In The Sky - The Alan Parsons Project
12. Because The Night - Patti Smith

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