sexta-feira, 22 de maio de 2026

Yahoo - Pára-Raio (1992)


Lançado em 1992, Pára-Raio marcou uma nova fase na trajetória do grupo Yahoo. Após um ano sem inéditas, a banda retornou apostando em uma sonoridade mais voltada ao hard rock melódico que dominava as rádios do início da década de 1990, sem abandonar o romantismo característico de sua identidade musical.

A formação do período contava com Zé Henrique (baixo e vocal), Marcelo Azevedo (teclados, guitarra e vocal), Marcelão (bateria e vocal), Val Martins nos teclados e o guitarrista Sérgio Knust, que já acompanhava o grupo como músico contratado desde 1989 e acabou efetivado após a saída de Robertinho de Recife.

“Pára-Raio” contou com direção artística de Jorge Davidson e produção de Michael Sullivan. Seu repertório resgata diversos sucessos internacionais adaptados para o português, fórmula de forte apelo radiofônico explorada pelo Yahoo desde o primeiro álbum. Entre os destaques estão a faixa-título “Pára-Raio”, versão de “Hide Your Heart”, da banda Kiss, “Como o Vento”, adaptação de “Wind of Change”, do Scorpions, além de “Sozinho”, releitura de “Reflections of My Life”, originalmente gravada pelo The Marmalade.

Outro momento importante do álbum foi a gravação da tocante balada “Paixão Esquecida”, composta com muita sensibilidade por Renato Terra e escolhida como tema da personagem Clarice (Regina Braga) na novela Deus Nos Acuda (TV Globo, entre 1992 1993), mantendo o Yahoo em evidência no rádio e na TV durante aquele período.

Apesar de o álbum não ter emplacado faixas entre as mais tocadas do Hot 100 Brasil de 1992 ou 1993, “Paixão Esquecida” teve forte presença em programas radiofônicos dedicados a temas românticos. Outra canção bastante executada foi “Volta pra Casa”, embora não tenha alcançado a mesma repercussão de “Sozinho”, sucesso marcante no interior paulista que chegou a permanecer durante muitos meses na programação de emissoras como Vox 90 FM, Fraternidade FM e Estereosom FM. O reconhecimento desse êxito acabou refletido na inclusão da faixa na coletânea A Magia dos Anos 90, lançada em CD no ano 2000.

Faixas:
1. Sozinho (Reflections Of My Life)
2. Volta Pra Casa
3. Pára-Raio (Hide Your Heart)
4. Um Momento De Amor
5. Sonhando Acordado
6. Amor Escondido
7. Ilusões E Desejos
8. Fora Da Lei (Como Dizia Mike Tyson)
9. Como O Vento... (Wind Of Change)
10. Paixão Esquecida (Gisela)

Para baixar o álbum em FLAC, clique AQUI.

Sheryl Crow - The Unreleased First Album (1992)

Em 1991, pouco depois de assinar contrato com a A&M Records, Sheryl Crow entrou em estúdio para gravar aquele que seria seu álbum de estreia em uma grande gravadora. Produzido entre 1991 e 1992 ao lado do renomado produtor Hugh Padgham – que no ano seguinte produziria "Ten Summoner's Tales" do cantor Sting –, o disco homônimo Sheryl Crow chegou a ser concluído e preparado para lançamento oficial em 22 de setembro de 1992.

O projeto, no entanto, jamais chegou às lojas. Tanto a cantora quanto a gravadora consideraram o resultado “produzido demais”, distante da espontaneidade e da identidade artística que Crow buscava naquele momento. A própria artista descreveu este trabalho como “maduro demais”, enquanto a A&M estava alinhada com a decisão da artista, acreditando em um trabalho mais orgânico e acessível para a geração de jovens da década de 1990. Em comum acordo, o álbum foi arquivado.

Antes do cancelamento, algumas poucas cópias promocionais em fita cassete chegaram a ser produzidas pela gravadora, acompanhadas de press kits oficiais preparados para divulgação à imprensa e rádios. Essas fitas nunca chegaram a uma distribuição comercial ampla, tornando-se posteriormente itens raríssimos entre colecionadores. Décadas depois, exemplares passaram a aparecer ocasionalmente em plataformas de leilão e colecionismo, enquanto o conteúdo completo do álbum acabou vazado na internet.  

O release preparado pela gravadora destacava participações de músicos como Dominic Miller, Vinnie Colaiuta e Pino Palladino, além de uma colaboração especial de Don Henley na faixa “What Does It Matter”. O texto promocional apresentava Crow como uma compositora sofisticada, autora de “canções pop sombrias”, escritas durante um período turbulento de sua vida pessoal e profissional.

Embora tenha sido arquivado antes de seu lançamento oficial, o álbum Sheryl Crow acabou deixando rastros importantes na música pop dos anos 90. Antes mesmo de alcançar fama mundial, Sheryl Crow já era considerada uma artista em ascensão, aparecendo discretamente em trilhas sonoras e colaborações. A faixa “Hundreds of Tears”, presente neste álbum cancelado, teve uma gravação anterior que integrou a trilha sonora do filme Point Break (Caçadores de Emoção, no Brasil).

Outra composição ligada ao projeto, “All Kinds Of People”, escrita em parceria de Crow com Kevin Gilbert, ganharia diferentes interpretações ao longo da década. A música foi gravada por Tina Turner em seu álbum Wildest Dreams (1996), além de ter sido lançada pelo grupo Big Mountain no álbum Free Up (1997). No Brasil, a faixa tornou-se conhecida ao integrar a trilha sonora da novela Malhação em 1998.

A cantora cristã Susan Ashton também reinterpretou parte desse repertório em seu álbum A Distant Call, incluindo versões de “All Kinds Of People” e “Hundreds of Tears”.

Outra curiosidade envolve “Love You Blind”: a canção já havia sido gravada por Celine Dion em 1989, durante as sessões do álbum Unison. A gravação acabou sendo lançada oficialmente em 1992 como lado B do single “If You Asked Me To”.

Após o engavetamento do projeto, Sheryl Crow retornaria ao estúdio para reconstruir sua estreia artística em uma direção mais crua e informal. O resultado seria o aclamado álbum Tuesday Night Music Club, lançado em 1993 e responsável por transformá-la em um fenômeno internacional.

Recentemente, tive acesso aos arquivos em FLAC provenientes de uma dessas raríssimas fitas promocionais e realizei um processo completo de restauração sonora. A transferência recebeu tratamento de abertura de áudio e recuperação de equalização por meio do plug-in U-He Satin, buscando restaurar o brilho e a definição parcialmente abafados pela transcrição original do cassete. Como consequência natural desse processo, parte do ruído de fita tornou-se mais evidente, exigindo posteriormente uma drenagem e redução agressiva de ruído através da ferramenta de IA MVSep, preservando ao máximo a integridade musical e o caráter original das gravações — algo praticamente impossível em ferramentas tradicionais de redução de ruído, como Hiss Removal ou Noise Reduction convencionais, que frequentemente “metalizavam” o áudio e comprometiam transientes, ambiência e textura musical. 

Neste caso, o processamento baseado em treinamento neural permitiu uma separação muito mais precisa entre o conteúdo musical e o ruído de fita, resultando em uma restauração significativamente mais transparente e natural. Por esta razão, o resultado final impressiona. É, senão, uma das apresentações mais limpas e detalhadas já extraídas desse álbum engavetado de 1992, revelando nuances de produção e interpretação que muitas versões circulando online simplesmente enterravam sob chiado e degradação da fita.

Talvez o maior conflito envolvendo Sheryl Crow (1992) tenha sido justamente sua identidade artística. O álbum refletia fortemente o universo musical que cercava Sheryl Crow naquele período: músicos de altíssimo refinamento técnico, produção meticulosa e composições marcadas pela sofisticação melódica do pop adulto norte-americano do fim dos anos 80 e início dos 90. Ecos de artistas como Toto, Stevie Wonder, Kenny Loggins e até Michael Jackson parecem atravessar discretamente várias dessas gravações.

Não por acaso: antes da fama, Crow viveu intensamente os bastidores da indústria musical norte-americana como backing vocalista e colaboradora de estrada, absorvendo justamente esse padrão de excelência artística e precisão de estúdio. O resultado foi um álbum sofisticado, tecnicamente refinado e, em muitos momentos, distante da identidade folk-rock mais espontânea e interiorana que ela posteriormente escolheria para si.

Talvez tenha existido o receio de que aquelas canções acabassem definindo artisticamente uma versão de Sheryl Crow que ela própria não desejava — ou não acreditava conseguir sustentar a longo prazo. Ao abandonar esse projeto, Crow parece ter voltado simbolicamente às próprias raízes no Missouri, aproximando-se do folk, do country e de uma estética mais orgânica que culminaria em Tuesday Night Music Club.

Ainda assim, parte da força desse álbum cancelado está justamente em revelar uma outra possibilidade de carreira. Faixas como “All Kinds Of People”, coescrita com Kevin Gilbert, carregam uma luminosidade melódica quase solar — característica que seria posteriormente potencializada pela leitura reggae do Big Mountain e reinterpretada com elegância pop sofisticada por Tina Turner. Mesmo arquivado, Sheryl Crow permanece como um fascinante retrato de uma artista em pleno processo de definição de sua própria identidade.

Faixas:
01. All Kinds Of People
02. Father Sun 
03. What Does It Matter - feat. Don Henley
04. Indian Summer
05. I Will Walk With You
06. Love You Blind
07. Near Me
08. When Love Is Over 
09. You Want It All 
10. Hundreds Of Tears 
11. The Last Time
12. On Borrowed Time

Para baixar este álbum remasterizado em FLAC, clique AQUI.
 

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Sobre pedidos, remasterizações e o propósito do Gazeta do Som

O Gazeta do Som nasceu com uma proposta muito específica: preservar, digitalizar e remasterizar materiais raros e fora de catálogo dentro de um padrão técnico e editorial que considero adequado para publicação.

Com o tempo, o blog passou a receber muitos pedidos personalizados de discos, trilhas e raridades. Fico feliz pelo interesse e carinho de quem acompanha o projeto, mas é importante deixar claro que nem todo material solicitado será produzido, publicado ou priorizado.

Existem casos em que:

  • o disco possui qualidade de gravação muito limitada;
  • o estado físico do LP inviabiliza uma remasterização satisfatória;
  • o material nunca teve lançamento oficial em determinado formato;
  • ou o resultado final simplesmente não atinge o padrão que considero aceitável para o blog.

Além disso, cada trabalho envolve tempo, pesquisa, captura, limpeza, edição, revisão e organização de arquivos. O Gazeta do Som não funciona como serviço sob demanda nem como central automática de pedidos.

Em alguns casos, posso disponibilizar apenas capturas brutas ou rascunhos técnicos para fins pessoais de quem solicitou o material, sem que isso represente publicação oficial no blog ou continuidade do projeto.

Peço também compreensão quanto à insistência em determinados pedidos. Quando um projeto é encerrado ou recusado, normalmente isso acontece por limitação técnica, curatorial ou por coerência com a proposta do próprio blog.

Quem quiser colaborar com o crescimento do projeto pode ajudar de diferentes formas:

  • enviando materiais raros para digitalização;
  • compartilhando informações, curiosidades e dados históricos;
  • contribuindo com capas, encartes e arquivos de referência;
  • ou ajudando a viabilizar a aquisição e restauração de determinados discos (chave pix: gazetadosom@gmail.com).

Toda colaboração genuína ajuda o Gazeta do Som a continuar preservando memórias musicais que muitas vezes já desapareceram do mercado oficial.

O objetivo do Gazeta do Som continua sendo preservar memória musical com cuidado, critério e respeito ao material original — sempre dentro dos limites humanos e técnicos possíveis.

Hermanos - Cantaré, Cantarás (1985)


Inspirados pelo gesto humanitário dos artistas americanos em We Are The World para ajudar as vítimas da fome e das doenças na África, artistas da música latina contemporânea reuniram-se nos estúdios da A&M Records, em Los Angeles, para a gravação de Cantaré, Cantarás, canção escrita especialmente por Albert Hammond, Juan Carlos Calderón e Anahí

Os proventos obtidos com a vendagem do Projeto Hermanos foram destinados ao fornecimento de alimentos e medicamentos para populações carentes da América Latina, do Caribe e da África. No Brasil, toda a renda arrecadada foi revertida em favor de crianças em situação de vulnerabilidade no Nordeste, por meio da UNICEFAliás, no mesmo período, o Brasil ainda testemunharia outro grande projeto beneficente coletivo com proposta semelhante: Nordeste Já, assunto para uma futura publicação.

O projeto Hermanos reuniu, em Los Angeles, os brasileiros Roberto Carlos, Simone, Sérgio Mendes e Gal Costa, além de diversos intérpretes de língua espanhola, entre eles Fernando Allende, Maria Conchita Alonso, Apollonia, Ramon Arcusa, Basilio, Braulio, Cantinflas, Irene Cara, Nydia Caro, Vikki Carr, Veronica Castro, Charytin, Chiquetete, Claudia De Colombia, Celia Cruz, Lupita D'Alessio, Guillermo Dávila, Plácido Domingo, Emmanuel, Sergio Facheli, José Feliciano, Vicente Fernández, Miguel Gallardo, Lucho Gatica, Julio Iglesias, Antonio de Jesus, José José, Rocío Jurado, Lissette, Valeria Lynch, Cheech Marin, Lucía Méndez, Menudo, Miami Sound Machine, Amanda Miguel, Ricardo Montalbán, Palito Ortega, Pimpinela, Tony Renis, Danny Rivera, José Luis Rodríguez, Lalo Schifrin, Manoella Torres, Pedro Vargas, Diego Verdaguer e Yuri.

Em meio à efervescência dos grandes projetos beneficentes internacionais surgidos em 1985, parte da equipe envolvida em iniciativas como We Are The World e Tears Are Not Enough colaborou na realização de Cantaré, Cantarás, ampliando para o universo latino-americano o movimento de mobilização humanitária promovido pela música pop naquele período.

Participaram da gravação os músicos Nathan East (baixo), John Robinson (bateria), David Foster (teclados e sintetizadores), Greg Phillinganes (teclados), Carlos Rios (guitarra) e José Feliciano (violão).

A produção da canção ficou a cargo de Albert Hammond, José Quintana e Humberto Gatica. A base rítmica recebeu arranjos de David Foster e Juan Carlos Calderón, enquanto os arranjos vocais foram assinados por Albert Hammond. As gravações aconteceram nos estúdios da A&M Records, além dos renomados Lion Share, Lighthouse e Clayton Sound.

No mesmo ano, David Foster esteve entre os mentores do projeto canadense Northern Lights, responsável pelo single Tears Are Not Enough, que contou igualmente com a engenharia de áudio de Humberto Gatica. Já os músicos John Robinson e Greg Phillinganes participaram da histórica gravação de We Are The World, projeto liderado pela USA for Africa.

O trompetista, compositor e empresário da música Herb Alpert, um dos fundadores da A&M Records, cedeu os estúdios para a realização das gravações, além da faixa “African Flame”, presente no lado B do compacto e originalmente incluída em seu álbum Wild Romance, lançado em 1985.

Faixas:
01. Cantaré, Cantarás (I Will Sing, You Will Sing) - Hermanos
02. African Flame - Herb Alpert

Para baixar este Single em FLAC, clique AQUI.

segunda-feira, 18 de maio de 2026

We Are The World (1985)

Há quem diga que USA For Africa é a sigla que significaria Estados Unidos da América para a África. Mas o projeto vai além, chamando-se United Support Of Artists For Africa, surgido a partir da ideia de Bob Geldof e Midge Ure no projeto Band Aid. Em 1984, o projeto gravou "Do They Know It's Christmas", reunindo artistas do Reino Unido e Irlanda com o intuito de gravar uma canção natalina para arrecadar fundos, a partir das vendagens, para os famintos da Etiópia.

Este projeto catalisou o surgimento de outros nos anos posteriores com a mesma finalidade: ajudar muito quem mais precisa em outro canto do planeta Terra. Harry Belafonte sugeriu que a América criasse uma canção, reunindo vozes para dar força a esta causa. Com isso, Lionel Richie e Michael Jackson compuseram juntos "We Are The World". 

Após a premiação do American Music Awards, os artistas se dirigiram aos estúdios da A&M Records e, madrugada adentro, mergulharam com o maestro Quincy Jones na divisão de naipes de voz, formação de coro, ensaio e gravação. A premissa do evento era: "Ao entrar, deixe seu ego lá fora". Isso é tudo mostrado no documentário The Greatest Night in Pop, estreado na Netflix em 2024.

Participaram como solistas as vozes de: Lionel Richie, Stevie Wonder, Paul Simon, Kenny Rogers, James Ingram, Tina Turner, Billy Joel, Michael Jackson, Diana Ross, Dionne Warwick, Willie Nelson, Al Jarreau, Bruce Springsteen, Kenny Loggins, Steve Perry, Daryl Hall, Huey Lewis, Cyndi Lauper, Kim Carnes, Bob Dylan e Ray Charles.

Além destes, que participaram também do coro, tiveram as vozes do ator Dan Aykroyd, Harry Belafonte, Lindsey Buckingham, Sheila E., Bob Geldof (irlandês), Jackie Jackson, La Toya Jackson, Marlon Jackson, Randy Jackson, Tito Jackson, Waylon Jennings, Bette Midler, John Oates, Jeffrey Osborne, The Pointer Sisters, Smokey Robinson, acompanhados dos instrumentalistas: Michael Boddicker (sintetizadores, programação), Paulinho da Costa (percussão), Louis Johnson (baixo), Michael Omartian (teclados), Greg Phillinganes (teclados) e John Robinson (bateria).

A canção ganhou na 28ª edição do Grammy Awards em 1986 como: Música do Ano (prêmio dado a Michael Jackson e Lionel Richie), Gravação do Ano (concedido ao produtor Quincy Jones), Melhor Performance Pop por um Duo ou Grupo com Vocais e Melhor Vídeo Musical em Formato Curto. Prêmios justos!

A gravação gerou um compacto que vendeu 7,5 milhões de cópias só nos Estados Unidos. O álbum (este que, apresento a vocês vendeu um pouco mais de 3 milhões, apresentando — quase como uma trilha sonora ou coletânea — músicas de outros artistas. O montante arrecadado com as gravações, um videoclipe e merchandising chegou a 50 milhões de dólares.

Como trilha sonora de arrecadação beneficente que funcionou, o álbum "We Are The World" destacou um segundo projeto, no topo do Lado B do LP: "Tears Are Not Enough", do projeto Northern Lights, encabeçado por Bruce Allen, que reuniu um time de compositores formado por David Foster, Jim Vallance, Bryan Adams, Rachel Paiement, Paul Hyde e Bob Rock. Foster e Vallance rascunharam a canção e ela ganhou corpo — inclusive trechos em francês, já que o Canadá é um país bilíngue. Adams completou a letra em inglês, Paiement escreveu o único verso em francês e Rock e Hyde contribuíram com o título da canção. A música foi gravada em 10 de fevereiro de 1985 nos estúdios Manta Sound, em Toronto.

Cabe o registro de uma camada de curiosidade para este documento: David Foster ofereceu a versão instrumental ao diretor Joel Schumacher para o filme St. Elmo's Fire (em português, "O Primeiro Dia do Resto de Suas Vidas"), que, apesar de não ter gostado da canção, sentiu-se profundamente desapontado pelo descarte de uma potencial melodia quando viu a canção tornar-se um hit beneficente de enorme sucesso no Canadá.

Desta canção participaram como solistas: Gordon Lightfoot, Burton Cummings, Anne Murray, Joni Mitchell, Dan Hill, Neil Young, Bryan Adams, Corey Hart, Bruce Cockburn, Geddy Lee e Mike Reno. As divisões de duos ou trios foram feitas assim: Mike Reno com Liberty Silver, Carroll Baker, Ronnie Hawkins e Murray McLauchlan; Véronique Béliveau, Robert Charlebois e Claude Dubois (em francês); Bryan Adams com Donny Gerrard; Alfie Zappacosta com Lisa Dal Bello; Carole Pope com Paul Hyde; e, por fim, Salome Bey, Mark Holmes e Lorraine Segato.

O projeto contou com um time de musicistas: David Foster (teclado, baixo sintético, produtor), Jim Vallance (bateria, engenheiro de som, co-produtor), Paul Dean — Loverboy (guitarra), Steven Denroche (trompa), Doug Johnson — Loverboy (sintetizador), David Sinclair — Straight Lines e Body Electric (violão), Hayward Parrott, Geoff Turner e Bob Rock (engenharia de som) e Humberto Gatica (engenharia de mixagem).

A canção foi lançada como o segundo e último single do álbum pela Columbia Records em 1º de maio de 1985, alcançando rapidamente o primeiro lugar nas paradas de singles da RPM — espécie de Billboard canadense — e da The Record do Canadá. Terminou em 15º lugar na parada de fim de ano da RPM daquele ano. O vídeo da música também recebeu ampla exibição na MuchMusic — equivalente à grandiosa MTV dos Estados Unidos. Até 1990, o projeto havia arrecadado US$ 3,2 milhões para projetos de combate à fome na África. Dez por cento dos fundos arrecadados foram destinados a auxiliar bancos de alimentos canadenses.

O álbum "We Are The World" tem direção de arte de John Coulter, com assistência de Trish Talbot, produção executiva de Ken Kragen, com assistência de Michael Branch e coordenação de álbum por Laurel Altman e, por fim, fotografia de Harry Benson, Ken Lei Chung, Henry Diltz e Sam Emerson.

A edição em LP foi lançada pela CBS Records em embalagem gatefold — formato cuja abertura se assemelha a um grande pôster impresso em papel couché. Já a prensagem em CD ficou sob responsabilidade da PolyGram. Os direitos das obras foram destinados integralmente ao fundo United Support of Artists for Africa, o que possivelmente contribuiu para a divisão da distribuição entre diferentes gravadoras.

Prince, frequentemente apontado como rival artístico de Michael Jackson, recusou participar da gravação coletiva. O músico havia sugerido incluir um solo de guitarra na faixa principal, proposta que não se encaixava no formato idealizado pelos produtores. Ainda assim, considerou a causa importante o suficiente para ceder a composição "4 the Tears in Your Eyes" ao álbum. 

Madonna, ainda em ascensão naquele período, acabou ficando de fora da gravação da faixa título — fato que Lionel Richie afirma lamentar até hoje. Cyndi Lauper, por sua vez, inicialmente apresentou diversas desculpas para não comparecer às sessões. No entanto, após ouvir do próprio Richie que sua voz era importante para os arranjos planejados, acabou aceitando o convite. Foi a melhor decisão, pois cada voz está onde merecia estar, na canção.

Entre as faixas espalhadas pelo disco, o público reconhecerá artistas que, além de cederem músicas, também cantaram no projeto, com exceção do já mencionado Prince e do Chicago com sua eletrizante "Good For Nothing".

Bom, o resultado mágico de tudo isso vocês já conhecem!

Faixas: 
01. We Are the World - USA For Africa
02. If Only for the Moment, Girl - Steve Perry
03. Just a Little Closer - Pointer Sisters
04. Trapped (Live) - Bruce Springsteen & The E. Street Band
05. Tears Are Not Enough - Northern Lights
06. 4 the Tears in Your Eyes - Prince & The Revolution
07. Good for Nothing - Chicago
08. Total Control - Tina Turner
09. A Little More Love - Kenny Rogers
10. Trouble in Paradise (Live) - Huey Lewis & The News

Para baixar este álbum em FLAC, clique AQUI.

sábado, 16 de maio de 2026

Jacksons - Victory (1984)

Desde a estreia do filme Michael, no final de abril de 2026, o nome de Michael Jackson voltou a dominar as conversas. Grande parte do que circula nas redes sociais, especialmente em reels de influenciadores, retoma fatos já conhecidos — mas, a cada nova repetição, surgem camadas interpretativas que reforçam a ideia de que os anos posteriores ao lançamento de Thriller foram especialmente turbulentos para o Rei do Pop.

Em 1983, Michael Jackson chegou a se reunir com Freddie Mercury para uma possível colaboração inédita. As sessões, registradas em 16 pistas pelo engenheiro Brent Averill, envolveram gravações de “There Must Be More to Life Than This” e “State of Shock”. Porém, com o chamado de Joseph Jackson para o retorno aos The Jacksons e a produção de um novo álbum do grupo, o material acabou sendo engavetado.

Freddie Mercury posteriormente deu destino solo a “There Must Be More to Life Than This” em seu álbum Mr. Bad Guy. Décadas depois, as fitas originais foram revisitadas por William Orbit, que remixou o material com participação do Queen para a coletânea Forever. Os créditos da edição ainda preservam o nome de Brent Averill como responsável pelas gravações originais.

Já “State of Shock” acabou tomando outro rumo. A faixa recebeu finalização de Bruce Swedien — parceiro recorrente de Michael Jackson — e ganhou novos vocais de Mick Jagger, ampliando o impacto da gravação. David Williams participou na guitarra e no baixo, Michael contribuiu com palmas e bateria eletrônica, enquanto Paulinho da Costa assinou a percussão. Embora frequentemente tratada como uma faixa avulsa, a versão lançada oficialmente ainda inclui participações de Jackie e Marlon Jackson, além de Johnny Ray Nelson nos backing vocals.

Com a repercussão do filme, também voltaram à tona relatos envolvendo a Victory Tour. Na época, Joseph Jackson organizou um controverso sistema de reservas para ingressos baseado em sorteios pagos: o público enviava cheques pelo correio para participar de uma espécie de loteria que não garantia presença nos shows, apenas a chance de adquirir os ingressos.

O contexto tornava a situação ainda mais delicada. Michael Jackson vivia o auge absoluto de sua carreira solo com Thriller, lançado no final de 1982 e transformado rapidamente em fenômeno global de vendas, rádio e televisão. Ainda assim, precisou conciliar esse momento histórico com obrigações familiares que acabaram cercadas por críticas e controvérsias, especialmente em relação à condução comercial da turnê.

O que já era um período marcado por tensões familiares, pressões comerciais e desgaste emocional acabou se tornando ainda mais traumático após o acidente envolvendo Michael Jackson durante as gravações da campanha publicitária da Pepsi para a Victory Tour. Os efeitos pirotécnicos utilizados no set atingiram o couro cabeludo do cantor, causando queimaduras de segundo e terceiro graus e transformando definitivamente a percepção pública daquele período. Embora o episódio tenha recebido tratamento discreto na imprensa da época, o tema voltou a ganhar destaque com a cinebiografia recente.

Em meio às pressões físicas, emocionais e comerciais daquele período, membros da família Jackson — incluindo o próprio Michael — chegaram a anunciar cancelamentos de apresentações da turnê com devolução de valores pagos ao público, aprofundando ainda mais o desgaste em torno do projeto. Não por acaso, Victory acabou se tornando um álbum frequentemente associado a um dos períodos mais turbulentos da trajetória de Michael Jackson.

No que diz respeito ao álbum Victory, a sua distribuição das faixas revela uma lógica curiosa: o irmão que conduz a produção também assume os vocais, mas com algumas ressalvas: "Torture" é produção de Jackie Jackson, que deixou estruturada como um dueto entre Michael e Jermaine; "Wait" é conduzida por Jackie Jackson em parceria com Steve Porcaro e David Paich, "One More Chance" é uma produção assinada por Randy Jackson (que conduz a balada com uma voz suave e doce), Michael assume produção e canta na melancólica "Be Not Always" e na eletrizante "State Of Shock". Tito, por sua vez, produz e canta "We Can Change the World", uma canção com levada latina e vocal grave; o disco mergulha numa estética breakin’ dance em "Wait", produção coletiva entre os irmãos com Paich e Porcaro e vocal de Randy que faz uns falsetes incríveis na música e o álbum fecha com a entrega de "Body" de Marlon Jackson na produção e vocais. 

Nesse momento, o álbum também chega a evidenciar a dificuldade de escapar da sombra criativa de Thriller. “Body”, de Marlon Jackson, por exemplo, carrega estrutura rítmica e condução vocal que remetem diretamente a “Wanna Be Startin’ Somethin’", mas os créditos técnicos deixam claro que a fórmula não resultou no deslocamento da mesma equipe de músicos da faixa. Paulinho da Costa, apesar de não tocar em "Body", viria incluir elementos percussivos em "One More Chance". 

Na minha opinião, a canção “Wait” deveria abrir o disco! Construída dentro de uma estética post-disco/funk-pop com pegada synth-funk com a guitarra de Steve Lukather (aquele que divide com Eddie Van Halen em Beat It os solos de guitarra épicos) e praticamente trouxe todos os músicos da banda Toto para ela, além de ecos vocais de Michael pela canção. 

Já "Body" deveria ser a penúltima faixa do Lado A, deixando "Be Not Always", como a transição para “State Of Shock” e reservando “Torture” para o encerramento do álbum, não porque o disco seja uma tortura — muito pelo contrário —, porque traz o dueto do Jermaine (convidado) e Michael (o astro pop) e tira a responsabilidade de "Body" ser a apoteose do álbum. 

Aliás, faça uma escuta atenta – e se possível com leitura de tradução – em "Be Not Always", uma canção que Michael canta com voz embargada, nos conduzindo direcionalmente aos traumas que ele e seu irmão sofreram nas décadas anteriores. Por mais que não sejam explícitas ao pai na canção, o histórico dramático da família Jackson já exposto bem como o o choro e suspiros de Michael na canção deixam isso cristalino. Talvez tenha preferido deixar no LP e K7 a canção como faixa final do lado A para deixar um convite ao mergulho de sua dor interior e uma "virada de disco" pra um capítulo solar no Lado B. Foi intencional. 

Além dos músicos do Toto e Paulinho da Costa, o disco traz participações mais que especiais de músicos John Barnes (programação eletrônica Farlight), Derek Nukamoto (programação de sintetizadores adicional), David Williams (guitarra), Louis Johnson e Nathan West (baixo), Lenny Castro (percussão), Greg Wright (guitarra solo), Jonathan Moffett (bateria Simmons), Greg Porée (violões), Robin Renee Ross (viola), Gayle Levant (harpa), além do engenheiro Bill Botrell – que no início assinava como Billy Butrell –, nas mixagens. É um timaço!

Esse disco, mesmo trazendo lembranças amargas e consequente sequela emocional e física, foi a melhor despedida de Michael Jackson neste capítulo com a família Jackson, deixando no álbum uma participação efetiva, autônoma e – mais do que isso – pavimentando o caminho para os irmãos seguirem o grupo sem ele em 2300 Jackson Street (1989), demonstrando clara sensação de dever cumprido. 

Faixas: 
01. Torture
02. Wait
03. One More Chance
04. Be Not Always
05. State of Shock (feat. Mick Jagger)
06. We Can Change the World
07. The Hurt
08. Body

Para baixar este álbum em FLAC, clique AQUI.

quinta-feira, 14 de maio de 2026

'N Sync - The Essential (2014)

The Essential é uma série da Sony Legacy muito relevante para os que buscam os sucessos de artistas sem aprofundamento discográfico. Desta forma, compila em 2 Cds canções  memoráveis dos artistas. No caso do N Sync, o repertório foi selecionado por Jeffrey James e a masterização das faixas foi realizada por Maria Triana no Battery Studios, Nova Iorque. 

O CD 1 compila sucessos que alcançaram o Top 10 mundial, como "Tearin' Up My Heart", "I Want You Back", "This I Promise You", "Bye Bye Bye" e "It's Gonna Be Me", destacando ainda o inesquecível dueto "Music Of My Heart". Composta por Diane Warren e interpretada ao lado da grande Gloria Estefan, a canção foi indicada ao Oscar pelo filme Música do Coração e ganhou uma memorável apresentação da boy band com a cantora no ano 2000. Este disco ainda traz a inédita "Are You Gonna Be There", que permaneceu arquivada até o lançamento desta coletânea.

O CD 2 explora faixas menos conhecidas e revela melhor o potencial vocal do grupo em releituras como "Sailing", de Christopher Cross, e "Everything I Own", da banda Bread. Já os covers de "More Than A Feeling", clássico do Boston, e "The Lion Sleeps Tonight", originalmente gravada pelo grupo The Tokens, figuram ao lado de "Best of My Life", "That Girl (Will Never Be Mine)" e "Falling" entre as canções lançadas oficialmente pela primeira vez nos Estados Unidos nesta coletânea.

O repertório ainda reserva aos fãs um destaque fora da discografia principal do quinteto: "On The Line", gravada por Joey Fatone e Lance Bass ao lado de Mandy Moore e do elenco do filme Na Linha do Trem, além de "Trashin' the Camp", parceria do *N Sync com Phil Collins para a trilha sonora de Tarzan.

Até hoje acredito que o N Sync só terminou porque o Justin Timberlake se tornou maior que o quinteto e por estarem mal assessorados e terem rompido com Lou Pearlman, empresário deles e dos Backstreet Boys e outros projetos, ficou a deriva sem preparo. Grande parte do repertório priorizava os vocais de JC Chassez e Justin Timberlake, deixando Chris Kirkpatrick com participações mais pontuais e Joey Fatone e Lance Bass praticamente sem momentos de destaque individual. 

Nesse ponto, Westlife talvez seja o melhor comparativo. Surgido em 1999 com o hit "If I Let You Go", o grupo irlandês inicialmente contava com cinco integrantes. Após a saída de Brian McFadden a partir do quarto álbum, o quarteto buscou se reinventar ao ampliar a participação vocal de Kian Egan e Nicky Byrne, reduzindo a responsabilidade que antes recaía principalmente sobre Shane Filan e Mark Feehily, que já dividiam os vocais principais com McFadden. Atualmente, o grupo segue unido após o hiato entre 2012 e 2018 e mantém as turnês mesmo durante a recuperação cirúrgica de Feehily. O Westlife acabou se consolidando como uma verdadeira marca entre as boy bands.

Outro ponto de comparação está na harmonia vocal. No *N Sync, a divisão de vozes frequentemente reduz a identidade individual dos integrantes, fazendo com que poucos momentos revelem claramente quem conduz determinadas linhas melódicas. Isso acabou consolidando Justin Timberlake e JC Chassez no imaginário do público como líder e vice-líder da boy band, respectivamente. Já Backstreet Boys construiu sua identidade justamente no equilíbrio entre timbres distintos e funções vocais bem definidas ao longo da carreira.

No auge da popularidade, o *N Sync marcou presença na noite pop do Rock in Rio 2001 ao lado de Five, Britney Spears, Sandy & Junior e Aaron Carter. Na ocasião, o grupo apresentou o repertório dos dois primeiros discos, já que Celebrity seria lançado apenas em 18 de julho daquele ano.

O quinteto permanece até hoje no imaginário coletivo de uma geração marcada por coreografias reproduzidas em videoclipes e hits radiofônicos que dominaram o fim dos anos 1990 e o início dos anos 2000. Esse legado passa pelos três principais álbuns do grupo: o debut homônimo de 1997, No Strings Attached — lançado em 2000 após a emancipação contratual do empresário Lou Pearlman e a mudança para a Jive Records — e Celebrity, trabalho que acabou deixando um gosto amargo de ruptura pela curta duração da fase e pela posterior saída de Justin Timberlake.

Muito do repertório de Celebrity já consolidava a sonoridade R&B que Justin Timberlake desenvolveria em Justified, enquanto o restante do grupo parecia despreparado para uma trajetória independente sem seu principal astro. O time de compositores e produtores praticamente abandonou o grupo remanescente para focar no “príncipe do pop” que estava sendo preparado para a década de 2000. Os anos seguintes foram extremamente bem-sucedidos para Timberlake, enquanto os demais integrantes seguiram em participações esporádicas, aparições especiais e reuniões ocasionais que jamais resultaram em um retorno definitivo dos cinco membros.

Ainda existem lampejos dessa reunião em lançamentos esporádicos, como "Better Place", faixa inédita gravada para o filme Trolls 3 em 2023. Mas uma turnê reunindo os cinco integrantes continua sendo um antigo desejo do público, que ainda espera o retorno triunfal e definitivo da boy band.

Enquanto esse reencontro permanece improvável, especialmente com Justin Timberlake dividido entre a carreira musical e o cinema, The Essential segue como uma retrospectiva eficaz de uma das boy bands mais relevantes de sua geração, reunindo em dois CDs sucessos, raridades e lembranças de uma era em que o pop dominava rádios, videoclipes na MTV e VH1 e pistas de dança ao redor do mundo.

CD 1:
01. Here We Go (Radio Cut)
02. I Want You Back (Radio Edit)
03. Tearin’ Up My Heart (Original Radio Edit)
04. God Must Have Spent a Little More Time on You (Remix)
05. Thinking of You (I Drive Myself Crazy) (Remix)
06. For the Girl Who Has Everything (Radio Mix)
07. Are You Gonna Be There
08. Music of My Heart (with Gloria Estefan)
09. Bye Bye Bye
10. It’s Gonna Be Me
11. This I Promise You (Radio Edit)
12. I Thought She Knew
13. I Believe in You (with Joe)
14. If I’m Not the One
15. Pop (Radio Version)
16. Girlfriend (The Neptunes Remix) [feat. Nelly]
17. Gone

Para baixar o CD 1 do The Essential em FLAC, clique AQUI.

CD 2:
01. More Than a Feeling
02. Best of My Life
03. The Lion Sleeps Tonight
04. Sailing
05. Everything I Own
06. God Must Have Spent a Little More Time on You (with Alabama)
07. Somewhere Someday
08. Trashin’ the Camp (with Phil Collins)
09. If Only in Heaven’s Eyes
10. You Don’t Have to Be Alone (on Christmas)
11. On the Line (Joey Fatone and Lance Bass with Mandy Moore, Christian Burns & True Vibe)
12. That Girl (Will Never Be Mine)
13. Falling
14. Feel the Love
15. Selfish
16. See Right Through You
17. Believe in Yourself (from Sesame Street)

Para baixar o CD 2 do The Essential em FLAC, clique AQUI.