quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

Faz Parte do Meu Show (1989)

Lançado em 1989, este LP é uma daquelas coletâneas que escondem verdadeiras raridades da segunda metade dos anos 80. O álbum leva o nome do mega-hit "Faz Parte do Meu Show", mas aqui na voz da banda Herva Doce.

A história por trás dessa faixa é curiosa: após a saída da RCA, o Herva Doce gravou pela Continental um Promo 12'' da música (composta por Renato Ladeira e Cazuza), que acabou não ganhando lançamento oficial na época. A gravação ficou engavetada até 1989, permitindo que Cazuza a lançasse primeiro em 1988, no álbum Ideologia, com a famosa roupagem de bossa nova. Ouvir a versão do Herva Doce é entender a gênese rock dessa canção.

Outra "mosca branca" presente no disco é o single "Solte Meu Nariz". Trata-se da gravação que a banda Magazine lançou originalmente como Promo Mix em 1987, trazendo Pedrinho nos vocais, já que Kid Vinil estava em contrato com a 3M naquela ocasião. O projeto ainda entrega semi-hits potentes como "Rock Shock da Mamãe" (Degradée), "Sozinho na Cidade" (Rock Memory) e "Cara Pálida" (Gang 90). É só pedrada, um disco delicioso!

Nota de Remasterização: Um agradecimento especial ao Charles Portilho, da loja 019 Discos (Nova Odessa/SP), pelo empréstimo deste exemplar raro. A digitalização, iniciada em agosto de 2024 com a agulha Ortofon Concorde Mix, garantiu a máxima precisão sonora. Agora, em fevereiro de 2026, o material recebeu o tratamento final com o MVSep DeNoise, removendo ruídos residuais e elevando a fidelidade ao nível que esses registros históricos merecem. O que já era bom, ficou ainda melhor!

Faixas:
01. Faz Parte do Meu Show - Herva Doce
02. Ano Bissexto - Bandabsurda
03. Cara Pálida - Gang 90
04. Rock Shock da Mamãe - Degradée part. esp. Roger Moreira
05. Roquenrol - Impacto
06. Nosso Lado Animal - Bandaliera
07. Sozinho na Cidade - Rock Memory
08. Grândola, Vila Morena - 365
09. Solte Meu Nariz - Magazine
10. Como Eu Queria - Anjo Caído

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Rock In Brazil Vol. 1 (1985)

O ano de 1985 foi marcado pelo fervor do primeiro Rock In Rio e pelo surgimento de diversas coletâneas que tentavam surfar essa onda. Com um marketing estratégico afiado, a RCA lançou "Rock In Brazil Vol. 1", um autêntico disco "pau-de-sebo". A proposta era econômica e direta: reunir no mesmo LP artistas já conhecidos do grande público com apostas estreantes, permitindo que a gravadora sentisse o potencial de cada um sem correr grandes riscos financeiros.

No lado das bandas consagradas, tínhamos nomes como Lobão & Os Ronaldos, Brylho, Absyntho, Herva Doce e João Penca & Seus Miquinhos Amestrados. Já no time das apostas que buscavam seu espaço, figuravam Synopse, Cinema À Dois, Tânia Cristal & Os Diamantes, Xok, Tubarão, Truke e Sylvia Patricia.

Embora o título sugerisse uma série, o "Volume 1" acabou sendo único. O destino dos artistas foi diverso: enquanto alguns ficaram restritos a esta coletânea, outros seguiram caminho na RCA por mais alguns álbuns antes de trocarem de casa. Casos notáveis são o do grupo Tubarão, de João Penca e de Sylvia Patrícia — que mais tarde migraria para a MPB. E a banda Cinema A Dois que se desfez após o sucesso meteórico de "Não Me Iluda" revelou seu vocalista Fábio Fonseca, que seguiu carreira solo.

Um destaque histórico obrigatório é "Totalmente Demais", gravada por um Brylho já sem Cláudio Zoli, mas que trazia a semente do que viria a ser o Hanói Hanói, com a voz e a pegada de Arnaldo Brandão.

Embora algumas bandas tenham tido apenas passagem de ida por esta coletânea, é impressionante lembrar o sucesso de "Não Me Iluda" (Cinema A Dois) e "Encontro Marcado" (Xok) nas rádios na época e em tempos de resgate tem retornado com força nas rádios Adulto Contemporâneas. Bandas promissoras que infelizmente – ou felizmente – se tornaram one hit wonders. Além do mais, este LP é uma verdadeira lenda do Rock Brasileiro, um registro de um momento em que tudo parecia possível nas rádios e nas lojas de disco.

Nota sobre a remasterização: ela foi realiza\da em novembro de 2024, com uso de agulha Ortofon Concorde Mix, garantindo a máxima fidelidade de áudio do LP. Agora em fevereiro de 2026, a remasterização ganha um acabamento final de redução de ruído residual, mas mantendo o máximo da fidelidade da gravação original. Aumente o som e curta essa viagem!

Faixas: 
01. Amante Profissional - Herva Doce
02. Como Macaco Gosta de Banana - João Penca & Seus Miquinhos Amestrados
03. Não Me Iluda - Cinema À Dois
04. Fazendo Romance - Absyntho
05. Lady Pank - Sylvia Patrícia
06. História de Amor - Tubarão
07. Corações Psicodélicos - Lobão & Os Ronaldos
08. Totalmente Demais - Brylho
09. Vamp Atômica - Tânia Cristal e Os Diamantes
10. Encontro Marcado - Xok
11. Franco Atirador - Truke
12. Para Para - Synopse

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Neo Rock (1984)

Lançada comercialmente em LP pela WEA em 1984, a coletânea Neo Rock nasceu de uma parceria com a rádio paulistana Pool FM (89,1 MHz). O álbum destaca-se logo de cara pelo projeto gráfico: a capa e a contracapa trazem ilustrações luxuosas de Angeli, o icônico cartunista da Folha de S.Paulo e criador de personagens como Bob Cuspe e Wood & Stock.

Dentre as grandes gravadoras da época, a Warner (WEA) foi a que melhor explorou o celeiro de novos artistas do rock, mantendo o investimento no gênero por décadas. Prova disso é que a Warner Music Brasil resgatou faixas deste disco em compilações posteriores, como "Geração Anos 80 - Singles" (2001) e "Rock Brasil 25 Anos" (2008).

A compilação é marcada por estreias de peso:

  • Titãs e Ultraje a Rigor: Bandas que definiram o gênero e mantiveram sua essência mesmo após as mudanças de formação ao longo dos anos.

  • Magazine: Liderada por Kid Vinil, a banda viveu seu auge nesta fase, antes de o vocalista seguir carreira solo em 1985 (retornando ao grupo apenas nos anos 2000).

  • Degradée: Estreou com o hit "Mais Que Um Sonhador" — impulsionado pela trilha da novela Um Sonho A Mais —, embora o restante do repertório do álbum de estreia não tenha alcançado o mesmo impacto do single.

  • Azul 29: Com uma sonoridade irreverente e materiais já lançados entre 1982 e 1983, a banda entrou na coletânea para fechar o repertório com chave de ouro.

Nota sobre as edições em CD

É importante notar que alguns desses fonogramas chegaram a ser lançados em CD nas coletâneas "Geração Anos 80 - Vol. 1" e "Rock Brasil 25 Anos - Vol. 2". Entretanto, embora tenham sido fruto de uma revisitação das fitas master por Charles Gavin e Ricardo Garcia no Magic Master há quase vinte anos, não se extraiu o melhor daquele material para o formato digital. Talvez pela deterioração natural após mais de 25 anos da gravação original, o processo em CD não alcançou a mesma fidelidade sonora que se nota ter permanecido intacta no LP.

Processo de Preservação e Restauro (2024-2026)

Nesta nova remasterização, iniciada em novembro de 2024, optei pela digitalização do LP original com uma agulha Ortofon Concorde Mix, capaz de captar com precisão os transientes e o chiado residual característico das masters originais. Essa abordagem busca o Estéreo em oposição ao Estéril.

Diferente da percepção de mercado do início dos anos 2000 — quando o vinil e a fita K7 já eram encarados como um formato extinto e abominável e qualquer ruído de fita precisava ser removido a todo custo, gerando áudios metalizados — me surpreende em fevereiro de 2026 o MVSep DeNoise permitir-nos tratar o ruído no limite sem sacrificar o corpo harmônico.

É extasiante ouvir tapes das primeiras gravações do Magazine, Titãs e Ultraje com aquela sujeira característica de material primitivo de banda de garagem, sem aquele sufocamento de filtros de resíduos e declicadores que antes comiam o toque da baqueta na bateria ou aquele efeito de pedaleira e arranjo de sintetizador que você não ouvia com gozo porque estava sacrificado pelo filtro.

Gavin e Garcia, vocês fizeram um excelente trabalho para aquele momento, mas eu os convido a vir ouvir com a comunidade toda e dar o play nas faixas para ver como ficam na caixa de som e no fone de ouvido! Tem nova perspectiva by Gazeta do Som aqui e agora!

Faixas: 
01. Tic-Tic Nervoso - Magazine
02. Mais que um Sonhador - Degradée
03. Toda Cor - Titãs
04. Inútil - Ultraje A Rigor
05. Teu Nome em Neon - Azul 29
06. Sonífera Ilha - Titãs
07. Eu Me Amo - Ultraje A Rigor
08. Assim Não Dá - Degradée
09. Video Game - Azul 29
10. Sou Boy - Magazine

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Os Intocáveis (1985)

Lançada pela CBS/Epic em 1985 nos formatos LP e K7, a coletânea "Os Intocáveis" surgiu com o objetivo de promover doze bandas recém-contratadas pela gravadora, que até então possuíam apenas compactos simples. O título da compilação era uma alusão ao fato de as bandas serem estreantes e, portanto, ainda "intocadas" pelas rádios.

Embora o nome e a estética mafiosa da capa sugiram uma trilha sonora, o disco não tem relação com o famoso filme de Brian De Palma. O longa-metragem — estrelado por Kevin Costner, Sean Connery e Robert De Niro — só chegaria aos cinemas em 1987, dois anos após o lançamento da coletânea, o que descarta qualquer conexão direta.

Entre os participantes, a banda Tan-Tan Club já havia figurado no disco "Rock 1984", mas ganhou projeção nacional ao lado das demais bandas de "Os Intocáveis". Contudo, apenas algumas seguiram com álbuns de carreira expressivos:

  • O Zero assinou com a EMI ainda em 1985, lançando os álbuns "Passos no Escuro" e "Carne Humana" (1987);

  • A Banda 69 gravou um único disco pela CBS em 1986;

  • O Capital Inicial migrou para a PolyGram em 1986, onde consolidou sua trajetória com quatro álbuns de grande sucesso pelo selo.

Nota da Remasterização: O LP foi remasterizado com uso de agulha Ortofon Concorde Mix em novembro de 2024, garantindo uma leitura precisa dos sulcos do vinil. Em fevereiro de 2026, os arquivos passaram por um tratamento avançado via MVSep DeNoise. Esse processo eliminou ruídos residuais (como rumble e hiss) sem comprometer a dinâmica original, entregando um áudio limpo, cristalino e fiel à obra de 1985

Faixas: 
01. Vazio de Amor - C-47
02. Descendo o Rio Nilo - Capital Inicial
03. Abominável Homem das Neves - Osmar e Os Cianos
04. Ao Vivo e a Cores - UPI
05. Choveu no Meu Chip - Eletrodomésticos
06. Metrópolis - Neon
07. Menina do Metrô - Tan-Tan Club
08. Ecos da Caverna - Os Mesmos
09. Heróis - Zero
10. Rollar pra Você - THC
11. Dodói - Front
12. Papo Sério - Banda 69

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José Alexandre - Alma de Músico (1981)

A Alma de Músico de José Alexandre: O Manifesto Técnico de uma Estreia em 1981

Hoje o resgate é sobre um documento histórico da nossa MPB: o álbum "Alma de Músico" (1981). Mais do que uma estreia, este disco da gravadora Elektra é o registro do momento exato em que a precisão do cálculo cedeu lugar à potência da voz. José Alexandre (atualmente Zé Alexanddre), que estava no 4º ano de Engenharia na UFRJ, abandonou as planilhas após um chamado urgente de Oswaldo Montenegro para os palcos. Em 1980, Montenegro, já em seu 2º Lp pela WEA, convidou o músico para integrar a banda com a qual faria sua primeira excursão nacional, que aconteceu exatamente depois dos festivais de Bandolins (1979) e Agonia (1980). 

O Impacto do MPB Shell 81: O disco "Alma de Músico" nasceu impulsionado pela efervescência dos festivais. Após Montenegro vencer com "Agonia" em 80, ele retornou em 1981 como compositor de "Estrelas", escalando José Alexandre como o defensor oficial da canção. O sucesso no festival deu ao artista a notoriedade necessária para assinar com a Elektra e entregar um álbum com "padrão ouro" de produção.

A Engenharia Sonora – Uma Ficha Técnica de Elite: Sob a produção de Sérgio Cabral, o álbum reuniu o que havia de mais refinado na época. A construção das faixas revela um cuidado minucioso com a instrumentação:

  • A Base Rítmica: Um time coeso formado por Aldo (baixo), Edinho (bateria) e Cidinho (percussão) deu sustentação ao projeto.

  • As Cordas e Metais: A faixa-título, composta por Jairo Lara e Túlio Mourão, traz a suntuosidade da Orquestra de Cordas WEA. Já em "Grávida", a sofisticação atinge o ápice com o oboé de Bras, o bandolim de Deo Rian e a flauta baixo de Celso Woltzenlogel.

  • Teclados e Guitarras: O piano de Túlio Mourão (que faz participação especial em "Pousa") e as guitarras de Victor Biglioni e Jairo Lara garantem a assinatura progressiva e elegante do disco.

Colaborações e Produção de Ponta: O álbum é um desfile da "trupe" de Montenegro, mas com toques de modernidade que só os grandes estúdios permitiam. Enquanto Sérgio Cabral cuidava da unidade do LP, a faixa "Como se estivesse fora" recebeu o tratamento de Liminha, o mago da produção brasileira. Nos vocais, a técnica impecável de Zé Alexandre é reforçada por coros de luxo:

  • Em "Estrelas", o brilho é dividido com Jane Duboc e Alemão.

  • Em "Casca d'Anta", o próprio compositor Jairo Lara junta-se ao coro.

A Essência da Obra: O álbum traduz a alma de um músico que vive do teatro musical e a da MPB de festival. De composições feitas sob medida como "P'ra Zé Cantar" até a parceria tripla em "Pousa" (Montenegro, José Alexandre e Mongol), o disco é um manifesto de quem decidiu viver da arte. Como diz a faixa-título: "Porque nunca troco nem por pão / Minha alma de músico".

Mesmo vivendo de música, o cantor passou a ter registros fonográficos próprios a partir de 1999, com o album Zé Alexandre Ao Vivo, seguindo por "Olhar Diferente" (2006), "Arruar" (2009) e "Tempo de Paz" (2018), este em parceria com Chico Lobo.  Ainda, o músico tem alguns registros de canções lançadas de forma avulsa nas plataformas digitais, como Estrelas (regravada e lançada como single em 2018), "Branco Presente" (2018) e "Procura/ Deixa a Porta Aberta" (2021).

O artista em 2021 tornou-se campeão do The Voice+, em uma das mais emocionantes temporadas do programa, pelo time da Claudia Leitte. Zé impressionou e apaixonou o Brasil com sua técnica e presença de palco ao interpretar canções como “You Give Me Something", "Somebody to Love", “(You Make me Feel Like) A Natural Woman” e "Pétala".

Vivendo agora uma exposição nacional após uma trajetória profissional na música há mais de 40 anos, que inclui diversos discos, espetáculos teatrais, musicais, ópera e incontáveis festivais da canção Brasil afora, Zé Alexanddre começa a trilhar novos rumos, como o musical "Let It Be – Uma Historía de Amor ao Som dos Beatles", de Oswaldo Montenegro, um espetáculo com canções dos Beatles, onde Zé Alexanddre conta uma história de amor entre canções do repertório do musical. O espetáculo estreou em São Paulo no dia 13/01/2023.

Nota sobre a remasterização: Eu realizei a remasterização desde disco no final de novembro de 2023, com uso de agulha Ortofon Concorde Mix. O resultado tinha ficado dentro do que eu esperava. Porém em janeiro de 2026 pude aprimorar o áudio e retirar um pouco do conteúdo de ruído residual, mas mantendo intacta a qualidade de áudio, aproximando o máximo possível da master original.

Faixas:
01. Alma de Músico (Jairo Lara / Túlio Mourão)
02. Sábado (Frederiko)
03. Grávida [part. esp. Oswaldo Montenegro]
04. Estrelas (Oswaldo Montenegro)
05. P'ra Zé Cantar (Oswaldo Montenegro)
06. Pousa [part. esp. Túlio Mourão]
07. Cartas Marítimas (Jairo Lara)
08. Como se estivesse fora [Produção: Liminha]
09. Casca d'Anta (Jairo Lara)

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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Jairzinho & Simony - En Español (1987)

O Luxo Técnico de Jairzinho & Simony: Um Lançamento Internacional Blindado por Contrato

Hoje quero compartilhar um achado que é uma verdadeira "raridade absoluta" na nossa música: o álbum "Jairzinho & Simony en Español" (1987). Fabricado em Madrid pela Discos CBS, este disco não é apenas uma versão; é o resultado de uma das produções mais sofisticadas da época, e o motivo é fascinante.

Blindagem Contratual: Conforme documentado na série "A Superfantástica História do Balão" (Star+), o fim do Balão Mágico em 1986 trouxe questões contratuais rígidas. Por uma cláusula que previa multas pesadíssimas, a infraestrutura de gravação e divulgação para quem saía do grupo precisava ser de primeiro nível. Foi por isso que Jairzinho e Simony, que já vinham sendo preparados desde o 6º álbum do Balão, receberam o "padrão ouro" em sua transição.

De Hollywood para o Mundo: A gravadora não economizou. As bases instrumentais foram gravadas nos estúdios Ameraycan, na Califórnia, com o que havia de melhor no mundo:

  • Bateria: Bob Wilson
  • Baixo: Jimmy Johnson
  • Guitarras: Michael Landau (erroneamente grafado como Mike Landan no encarte) e Bruce Gaitsch
  • Teclados: Larry Williams, Randy Waldman e Ronnie Foster
  • Percussão: Luiz Conte
  • Sax-solo: Leo Gandelman
O Grupo de Cordas – Excelência Brasileira: Diferente das bases rítmicas feitas nos EUA, o tratamento das cordas em "A Voz do Trovão" foi uma operação puramente brasileira, o que confere à faixa uma elegância singular:
  • Arranjo de Cordas: Assinado por Chiquinho de Moraes.

  • A Orquestra: Um time de 11 músicos brasileiros de altíssimo nível foi escalado especificamente para esta canção: José Salerno Neto, Estela Cerezo Ortiz, Julio Cerezo Ortiz, Jorge Gisbert Izquierdo, Caetano Domingos Finelli, Elias Slon, German Wajnrot, Alberto Pinchas Jaffé, Michael Verebes, Robert J. Suetholz e Tânia Camargo Guarnieri.

Qualidade Sonora e Relevância Cultural: O time dos teclados é responsável pelo DNA do album: Ronnie Foster assina a produção;  Larry Williams assina os arranjos de Adivina (Adivinha), Oi Mundo, Llegó Sin Avisar (em português, "Meu Bem", versão de "Ben") e Pirata e, por fim, Randy Waldman assina os de Mi Brasil (Ripa Na Chulipa), La Voz Del Treno (A Voz do Trovão), El Amor No Tiene Edad (em português, "Coração de Papelão", versão de "Puppy Love"),  Mira Mira (O Vira), Super-Campeón (Super-Herói).

Encontros Memoráveis: O álbum é um verdadeiro desfile de talentos. É emocionante ouvir as adaptações feitas por Robert Livi e Marcos Maynard, que ganharam vida com participações de ícones da música:

  • A doçura de José Luis Perales em "Adivina" – Perales já havia trabalhado um ano antes com a dupla Jairzinho & Simony no single "O que Cantam as Crianças"

  • A irreverência de Viginie Boutaud (a vocalista franco-brasileira da banda Metrô) em "Mira, Mira" – a cantora já havia gravado participação na versão original "O Vira" na edição brasileira.

  • A força de Paxti Andion em "La Voz Del Trueno" – no Brasil, a canção "A Voz do Trovão" teve como trovão a potente voz de Tim Maia.

  • E a nossa eterna Gal Costa, emprestando sua voz inigualável à faixa "Oi, Mundo" – uma das canções que permaneceu inalterada em seu idioma.

Álbum em Caráter Bilíngue: Tudo indica que as sessões de voz de Jairzinho e Simony feitas para ambos os idiomas foram realizadas na mesma 'fornada' técnica. Aproveitando a estrutura de ponta e a direção de Robert Livi, a dupla gravou as versões em espanhol enquanto as interpretações originais ainda estavam frescas, garantindo uma consistência sonora impecável entre os dois mercados. 

É, sem dúvida, um registro histórico de quando a música brasileira ocupava espaços de prestígio global com o que havia de melhor na tecnologia de estúdio. Talvez por uma questão de agilidade mercadológica, as faixas "Pirata" e a emocionante "Oi Mundo" ficaram mantidas em seu idioma original, o português. Além disso dar um caráter de disco bilíngue, acabou preservando a essência da obra e criando uma ponte cultural direta entre o Brasil e a Espanha.

Nota do editor: Esta postagem não tem relação com o álbum disponível nas plataformas digitais pela cantora Simony. O material é um rip de um LP importado de Madrid, adquirido via Discogs em 2018. A ripagem foi feita em 03/09/2018 com uma cápsula Ortofon Om5E e remasterizada com Pinnacle Clean e plug-ins de Sound Forge 10. Entretanto o áudio além de receber um brilho no U-He Satin, foi reprocessado no MVSep DeNoise em 03/02/2026 para limpeza de ruídos e preservação da fidelidade original.

Faixas: 
01. El Amor No Tiene Edad (Puppy Love)
02. Adivina [part.esp. José Luis Perales]
03. Mira, Mira [part. esp. Virginie]
04. De Vento En Popa
05. Cuando Hay Amor
06. Super-Campeón
07. Llegó Sin Avisar (Ben)
08. La Voz Del Trueno [part. esp. Paxti Andion]
09. Oi, Mundo [part. esp. Gal Costa]
10. Mi Brasil
11. Pirata

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Sérgio Endrigo - Exclusivamente Brasil (1979)

Sergio Endrigo: O Visto de Permanência em "Exclusivamente Brasil"

Sergio Endrigo (1933–2005) consolidou sua profunda ligação com a cultura brasileira no álbum "Exclusivamente Brasil", lançado em 1979 pela Philips. Longe de ser apenas um intérprete estrangeiro, Endrigo construiu este projeto como um tributo real a amizades de longa data, como a que mantinha com Chico Buarque e com a dupla Toquinho e Vinícius, que em 1969 gravaram o disco "La Vita, Amico, È L'Arte Dell'Incontro" e retomariam parceria em 1974 com "Toquinho, Vinicius & Amigos".

Sob a direção de produção de Armando Pittigliani e coordenação geral de Franco Fontana, o álbum foi gravado nos Estúdios Polygram, no Rio de Janeiro. O projeto teve um cuidado orquestral refinado, contando com arranjos de nomes como:

  • Perna Fróes: Responsável pelas faixas  "Café da Manhã" – tema da novela Os Gigantes (TV Globo), "Trocando em Miúdos", "Carinhoso", "A Rosa" – tema da novela O Todo Poderoso (TV Bandirantes), "Ana Luiza", "João e Maria" e "Morena Flor".
  • Perinho Albuquerque: Que assinou os arranjos de "A Noite do Meu Bem", "Onde Anda Você", "Samba em Prelúdio" e "Morena do Mar".
  • Luiz Roberto (Ex-Cariocas): Responsável pela faixa "Samba para Endrigo".
O disco celebra o registro de colaborações que Pittigliani descreveu na época como "antológicas", pois marca o encontro de Endrigo com grandes nomes da nossa música: Chico Buarque (em "A Rosa"), Fafá de Belém (em "Samba em Prelúdio") e Toquinho e Vinícius de Moraes (abrindo o disco com "Samba para Endrigo").

Além das parcerias diretas, Endrigo interpretou clássicos de Tom Jobim ("Ana Luiza"), Dorival Caymmi ("Morena do Mar") e Pixinguinha ("Carinhoso").

Foi a realização do sonho de Endrigo de gravar um álbum inteiramente em português, com o suporte dos maiores artistas da nossa música. "Exclusivamente Brasil" não é apenas um disco de Sergio Endrigo; é uma das páginas mais bonitas da MPB, onde um coração italiano bateu, definitivamente, no compasso do Brasil.

(Texto escrito com colaboração de Everton Pereira dos Santos).

Nota sobre a Remasterização: Este registro é fruto de um processo de preservação iniciado em maio de 2024, quando o LP original foi digitalizado com o uso da cápsula Ortofon Concorde Mix. Visando uma fidelidade sonora superior e um acabamento cristalino, a etapa de pós-produção foi concluída em janeiro de 2026 por meio da ferramenta DeNoise (MVSep). Este recurso permitiu uma redução significativa de ruídos residuais (hiss e rumble), garantindo o máximo de preservação da gravação original.


Faixas: 
01. Samba para Endrigo (part. esp. Toquinho e Vinícius de Moraes)
02. Café da Manhã
03. Trocando em Miúdos
04. A Noite do Meu Bem
05. Onde Anda Você
06. Carinhoso
07. A Rosa (part. esp. Chico Buarque)
08. Samba em Prelúdio (part. esp. Fafá de Belém)
09. Ana Luiza
10. Morena do Mar
11. João e Maria
12. Morena Flor

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