sexta-feira, 17 de julho de 2026

Os Trapalhões - Os Trapalhões (1984)

Em 1984, Os Trapalhões — quarteto formado por Renato Aragão, Dedé Santana, Mussum e Zacarias — lançaram, pelo selo EMI-Odeon, um álbum voltado ao público infantil.

Com repertório leve, alegre e lúdico, o disco reúne canções que exploram o universo da infância e conta com a participação especial da atriz e cantora Lucinha Lins nas faixas "Todo Mundo Deve Ser Mais Criança" e "Vamos À Luta". As duas músicas haviam sido lançadas originalmente em compacto simples, em 1983, como temas do filme Atrapalhando a Suate.

O ano de 1984 marcou a retomada da formação clássica do grupo, após um período de cerca de seis meses em que seus integrantes seguiram caminhos distintos. Nesse intervalo, Renato Aragão dedicou-se a produções cinematográficas por meio da Renato Aragão Produções, enquanto Dedé, Mussum e Zacarias fundaram a DaMuZa Produções e estrelaram, sem a participação de Renato, o filme Atrapalhando a Suate.

Mais do que representar esse reencontro artístico, o álbum passou a integrar uma fase bastante movimentada da carreira dos humoristas. Naquele mesmo ano, chegaram ao mercado outras duas trilhas sonoras ligadas ao universo dos Trapalhões, ambas lançadas pela Som Livre: O Trapalhão na Arca de Noé — protagonizado apenas por Renato Aragão — e Os Trapalhões e o Mágico de Oróz, já reunindo novamente o quarteto.

A direção artística ficou a cargo de Renato Corrêa. Os arranjos e regências foram divididos entre Antonio Adolfo (faixas 2 e 6), Eduardo Souto Neto (faixas 1, 3, 6, 9 e 10) e Reinaldo Arias (faixa 8), enquanto a produção executiva foi assinada por José Milton.

Lançado originalmente em um período de transição do mercado fonográfico brasileiro, com distribuição restrita e sem reedições oficiais em CD ou nas plataformas digitais, este álbum permaneceu por décadas conhecido apenas por colecionadores e por quem conservou o LP original. Esta nova remasterização procura preservar e tornar novamente acessível esse registro, permitindo que o disco possa ser redescoberto por antigos admiradores e também por uma nova geração de ouvintes.

Faixas:
01. Os Trapalhões 
02. Pintando O Sete
03. A Super Charanga
04. Todo Mundo Deve Ser Mais Criança (Part. Esp. Lucinha Lins)
05. Babá
06. Bicho Gente
07. O Circo
08. Suate
09. Vamos À Luta (Part. Esp. Lucinha Lins)
10. Castelos Encantados

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Grupo Cantamor - Roberto Carlos Com Amor (1980)

O Grupo Cantamor foi um quinteto vocal brasileiro formado na década de 1980, criado exclusivamente para gravar projetos da gravadora Som Livre. O conjunto era formado por Jane Duboc, Sonia Burnier (também conhecida como Sonia Bonfá), Edgardo, Jaime Luiz e Raymundo Bittencourt.

Seu repertório privilegiava releituras de grandes sucessos românticos da MPB, conduzidas por harmonias vocais elaboradas e arranjos refinados, características que fizeram dos álbuns uma opção voltada ao público apaixonado da época.

Apesar de sua breve trajetória, o Cantamor esteve longe de ser um grupo formado ao acaso. Três de seus integrantes já haviam compartilhado experiências profissionais antes mesmo da criação do projeto, enquanto os demais também possuíam carreiras consolidadas na música brasileira, reunindo diferentes vivências em estúdio e nos palcos.

Jane Duboc iniciou sua carreira em 1971 no duo Fein, ao lado de Gay Vaquer, seu primeiro marido. Em 1974, passou a integrar a banda de rock progressivo Bacamarte. Após sua participação no Cantamor, consolidou uma bem-sucedida carreira solo, gravando discos pela Continental que emplacou canções nas rádios e em trilhas de novelas da TV Globo.

Sonia Burnier integrou, nos anos 1970, a banda Aquarius, que teve uma canção incluída na trilha sonora internacional da novela O Casarão. Também fez parte de Ronnie e a Central do Brasil, grupo liderado por Ronald Mesquita, atuando como vocalista de apoio. Como cantora solo, interpretou os temas de abertura das novelas Te Contei? e Duas Vidas. Na década de 1980, passou a integrar a banda Sempre Livre sob o nome artístico de Sonia Bonfá.

Raymundo Bittencourt desenvolveu carreira como cantor, compositor, produtor, maestro e arranjador, assinando trabalhos para Antonio Carlos & Jocafi, Maria Creuza, Agepê, Silvio César, João Bosco, Quarteto em Cy e Burnier & Cartier. Também foi responsável por produções e arranjos da banda Aquarius e de Ronnie e a Central do Brasil, grupos dos quais Sonia Burnier fez parte, estabelecendo uma parceria profissional entre ambos antes da criação do Cantamor.

Jaime Luiz também possuía ampla experiência como músico de estúdio, realizando trabalhos de vocal de apoio e instrumentação para artistas como Jorge Ben Jor, Luiz Gonzaga e Ruy Maurity. Assim como Sonia Burnier, integrou Ronnie e a Central do Brasil, reforçando outra ligação profissional que antecedia a formação do Cantamor.

Quanto a Edgardo, as fontes consultadas foram escassas, não sendo possível identificar com segurança sua atuação artística fora do Cantamor. Ainda assim, sua participação no quinteto integra um projeto que reuniu músicos experientes e com reconhecida atuação no mercado fonográfico brasileiro.

Ao todo, o Cantamor realizou dois lançamentos: Roberto Carlos Com Amor e Amor Canto Primeiro Vol. 2. Ambos tiveram produção executiva, direção e arranjos vocais de Raymundo Bittencourt que, além de integrar o quinteto, foi o principal responsável pela concepção musical dos discos. A breve discografia do grupo evidencia o cuidado da Som Livre em reunir intérpretes tecnicamente preparados e profissionalmente conectados para um projeto que privilegiava a qualidade dos arranjos vocais e das interpretações.

O projeto Roberto Carlos Com Amor foi gravado em 24 canais nos Estúdios Sigla, no Rio de Janeiro, com direção de produção de Guto Graça Melo, criação da produção de Ramalho Neto, direção de estúdio, arranjos e regência de Marcos de Castro, arranjos de metais de Alberto Arantes e engenharia de gravação e mixagem de Carlos Eduardo de Andrade.

Faixas:
01. Um Jeito Estúpido de Te Amar / Vou Ficar Nú pra Chamar Sua Atenção
02. Café da Manhã / Falando Sério
03. Detalhes / Outra Vez
04. Pra Você / De Tanto Amor
05. Eu Disse Adeus / Se Você Pensa
06. Seu Corpo / Tente Esquecer
07. Olha / Como Vai Você
08. O Portão / Existe Algo Errado
09. Debaixo Dos Caracóis Dos Seus Cabelos / Abandono
10. O Show Já Terminou / Proposta

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segunda-feira, 13 de julho de 2026

Antonio Marcos - Antonio Marcos (1978)

Antônio Marcos Pensamento da Silva (São Paulo, 8 de novembro de 1945 — São Paulo, 5 de abril de 1992) foi cantor, compositor, humorista e ator brasileiro.

Entre 1960 e 1962, destacou-se no programa de Estevam Sangirardi, onde cantava, tocava violão e fazia humor. Em 1965, aos 19 anos, integrou o coro Golden Gate e iniciou sua trajetória nos palcos, participando das peças Pé Coxinho e Samba Contra 00 Dólar, de Pascoal Lourenço, apresentadas no Teatro de Arena. No cinema, estreou sob a direção de J. B. Tanko em Pais Quadrados... Filhos Avançados (1970), atuando posteriormente em Som, Amor e Curtição (1972) e outras produções. No teatro, integrou montagens marcantes como Arena Conta Zumbi (1969), dirigida por Augusto Boal, e Hair (1970), sob direção de Altair Lima.

Convidado por Ramalho Neto, gravou seu primeiro disco pela RCA Victor como integrante do grupo Os Iguais. Pouco tempo depois iniciou carreira solo e alcançou projeção nacional com a canção "Tenho Um Amor Melhor Que o Seu", de Roberto Carlos.

Em 1969, participou do V Festival da MPB da TV Record interpretando "Tu Vais Voltar", conquistando o quarto lugar e o prêmio de Melhor Intérprete.

Ao longo das décadas de 1970 e 1980 consolidou-se como um dos nomes populares da música romântica brasileira, emplacando sucessivos sucessos nas rádios. Entre eles destacam-se "Menina de Trança" (1970), "Oração de Um Jovem Triste" (1971), "Como Vai Você" (1973), posteriormente regravada por Roberto Carlos, "O Homem de Nazaré" (1973), regravada por Chitãozinho & Xororó em 1997, "Por Que Chora a Tarde" (1974), "Você Pediu e Eu Já Vou Daqui" (1977), "Sonhos de um Palhaço" (1977), tema da novela Espelho Mágico, "Calendário (Vai Meu Irmão)" (1978), que ganhou clipe exibido no Fantástico, "Quem Dá Mais" (1978), tema da novela O Profeta, além de "Alô" (1982) e "Corpo e Alma" (1984).

Em 1984, voltou a interpretar "E Não Vou Mais Deixar Você Tão Só", sucesso lançado por Roberto Carlos em 1968, embora essa nova gravação não tenha alcançado a mesma repercussão da versão original.

Paralelamente à carreira musical, também se destacou como ator. Na televisão, interpretou um dos principais papéis da novela Cara a Cara, da TV Bandeirantes, contracenando com a atriz Débora Duarte, com quem foi casado entre 1976 e 1980.

Antônio Marcos faleceu em 5 de abril de 1992, aos 46 anos, vítima de insuficiência hepática decorrente do consumo excessivo de álcool. Seu último registro fonográfico foi a faixa "Por Amor (Unchained Melody)", incluída no álbum Seleção de Sucessos, lançado pela gravadora Esfinge e também disponibilizado neste blog.

Lançado originalmente pela RCA em 1978, nos formatos LP e fita cassete, o álbum representa um dos trabalhos mais consistentes da fase do cantor na gravadora. Com repertório marcante e a participação especial da atriz Débora Duarte nas faixas "Sonho de Nós Dois" e "A Carta", permanece, no entanto, entre os poucos títulos de sua discografia pela RCA que nunca receberam reedição oficial em CD ou distribuição nas plataformas digitais.

Na ficha técnica, destacam-se a direção criativa de Osmar Zan, a coordenação artística e direção de estúdio de Marco Antonio Galvão e os arranjos e regências de Daniel Salinas. As gravações e mixagens, realizadas nos estúdios da RCA em São Paulo, tiveram como técnicos Edgardo Alberto Rapetti, Claudio Coev, Stelio Carlini e Walter Lima. A fotografia da capa é de F. Lucrécio Junior, com arte de Tebaldo.

Para esta republicação, o áudio recebeu um novo tratamento a partir do LP original, utilizando recursos de Inteligência Artificial para a redução de ruídos superficiais. O resultado proporciona uma audição mais limpa, preservando a identidade sonora da gravação e aproximando a experiência auditiva da proposta original do lançamento.

Faixas:
01. Vai Meu Irmão (Calendário)
02. Insultos
03. Gira Gira
04. Sonho de Nós Dois
05. Meia Volta
06. Quem Dá Mais
07. A Carta
08. Os Últimos Serão Os Últimos
09. Um Ano Sem Você
10. Parece Que Foi Ontem
11. Essas Mulheres
12. Pra Celebrar Você

Para baixar o álbum em FLAC, clique AQUI.

Quando a Inteligência Artificial começa a reescrever a história da música

A Inteligência Artificial abriu possibilidades extraordinárias para a restauração de áudio. Hoje é possível reduzir ruídos, recuperar frequências perdidas e até melhorar a inteligibilidade de gravações muito antigas. Utilizada com transparência, tornou-se uma importante aliada da preservação fonográfica.

Mas existe um fenômeno muito mais preocupante que começa a surgir silenciosamente nas plataformas digitais.

Não se trata de restaurar gravações históricas. Trata-se de criar gravações que nunca existiram.

Em alguns casos, músicas inéditas são produzidas com vozes sintetizadas que imitam artistas falecidos há décadas. Em outros, obras são apresentadas como "re-recordings" de cantores que jamais poderiam ter voltado ao estúdio. Para aumentar a sensação de autenticidade, algoritmos acrescentam chiados de discos de 78 rotações, pequenas imperfeições mecânicas, resposta limitada de frequência e até estalos típicos do vinil. O resultado soa antigo, embora tenha sido produzido inteiramente por ferramentas modernas.

O problema não está na criação artística.

O problema começa quando essas gravações passam a ser apresentadas como parte legítima da discografia daqueles artistas.

A situação torna-se ainda mais delicada quando isso acontece com catálogos obscuros. Enquanto grandes nomes possuem pesquisadores, colecionadores e instituições capazes de identificar inconsistências, muitos artistas pouco documentados simplesmente não têm quem preserve sua memória. Assim, uma gravação criada em 2026 pode acabar sendo confundida, anos depois, com um registro autêntico da década de 1930 ou 1940.

O risco deixa de ser apenas tecnológico e passa a ser histórico.

Bases de dados, plataformas digitais e serviços de streaming acabam registrando essas obras como se fossem lançamentos reais. Com o tempo, pesquisadores, jornalistas e o próprio público podem utilizar essas informações como fontes, sem imaginar que parte daquele catálogo foi construída artificialmente.

Preservar a memória musical nunca significou apenas conservar o áudio. Significa preservar também a origem, o contexto e a autenticidade das gravações.

Uma remasterização legítima parte de um documento existente e procura apresentá-lo nas melhores condições possíveis. Uma recriação artística também possui seu espaço, desde que seja claramente identificada como tal.

O que merece reflexão é quando a tecnologia deixa de restaurar documentos históricos e passa a fabricá-los.

No futuro, talvez o maior desafio dos pesquisadores não seja encontrar discos raros, mas descobrir quais gravações realmente pertencem à história e quais foram produzidas décadas depois por algoritmos capazes de imitar o passado.

Jairzinho e A Patrulha do Barulho (1989)

Lançado pela CBS em 1989, Jairzinho e A Patrulha do Barulho é o único álbum do projeto que reuniu Jairzinho e a Patrulha do Barulho, trio vocal feminino formado por Luciana Mello, irmã de Jairzinho, e pelas irmãs Cinthya Rachel e Vania Estela.

O projeto surgiu após a participação de Jairzinho na formação final da Turma do Balão Mágico e da breve parceria com Simony, reunindo quatro jovens intérpretes em um repertório voltado ao público infantojuvenil.

Luciana Mello iniciou sua carreira artística ainda criança, utilizando o nome Luciana Rodrigues. Sua primeira participação fonográfica aconteceu na faixa "O Filho do Seu Menino", do álbum Luzes do Prazer, de Jair Rodrigues, lançado em 1984. No ano seguinte participou da gravação de "Olha pro Céu", no álbum do Fofão e, posteriormente, interpretou a faixa "Miguel, Miguel", do projeto No Mundo da Criança, lançado pela Copacabana Discos. Em 1986 integrou a última formação da Turma do Balão Mágico ao lado de Jairzinho, Simony e Luciana Benelli. Após a Patrulha do Barulho lançou um álbum pela Movieplay ainda como Luciana Rodrigues e, anos mais tarde, adotou definitivamente o nome artístico Luciana Mello, sob o qual gravou mais seis álbuns de estúdio e dois álbuns ao vivo, sendo um deles em parceria com Jair Oliveira.

Cinthya Rachel já havia trabalhado como modelo em campanhas publicitárias e realizado participações pontuais na TV Manchete como atriz e apresentadora, mas nunca havia atuado como cantora. Após o fim da Patrulha do Barulho seguiu carreira como atriz, tornando-se conhecida por integrar o elenco de produções da TV Cultura, entre elas Castelo Rá-Tim-Bum e Turma da Cultura. Posteriormente passou a atuar também como jornalista, dubladora e diretora de dublagem.

Vania Estela não deu continuidade à carreira artística. Seguiu sua trajetória profissional nas áreas corporativa e da saúde, tornando-se enfermeira com especialização em Segurança do Paciente e Gestão da Qualidade Hospitalar, além de possuir formação em Teologia e Psicanálise.

Jairzinho já era conhecido do público antes da formação do grupo. Em 1984 apresentou, ao lado de Jair Rodrigues, a canção "Io e Te" no Festival de Sanremo. Antes de integrar a Turma do Balão Mágico gravou, na Itália, o álbum infantil La Casa dei Giocattoli. No Brasil participou de três álbuns da Turma do Balão Mágico e de um álbum em dupla com Simony. Após a Patrulha do Barulho lançou, em 1991, o LP Brincando de Carinho, pela Warner. Anos mais tarde passou a utilizar o nome artístico Jair Oliveira, consolidando sua carreira solo com seis álbuns de estúdio, um álbum ao vivo e um DVD. Paralelamente à carreira musical, desenvolve com a atriz Tania Khalill o projeto Grandes Pequeninos, indicado ao Grammy Latino na categoria de Melhor Álbum Infantil.

Produzido por Mazzola, com produção assistente de Antonio "Foguete", Jairzinho & A Patrulha do Barulho foi gravado nos estúdios Transamérica e Sigla, no Rio de Janeiro, e lançado em LP e fita cassete. Embora a ficha técnica identifique a equipe de produção e os estúdios utilizados nas gravações, ela não informa os músicos participantes de cada faixa, uma ausência que dificulta a documentação completa do disco.

O repertório reúne composições de Michael Sullivan, Paulo Massadas, Cláudio Rabello, Erich Bulling, Piska, Paul Mounsey e Edgard Poças, além de versões em português para sucessos internacionais. Entre elas estão a versão de Edgard Poças para "Go Away Little Girl", clássico consagrado na voz de Donny Osmond, e as adaptações de Aloysio Reis e Biafra para "Thank You Baby", sucesso do grupo The Stylistics, e "Bamboleo", canção internacional popularizada pelos Gipsy Kings.

Entre as faixas escolhidas para divulgação destacam-se "Com Você", que recebeu um single promocional de 12 polegadas com remixes produzidos por Iraí Campos e Marcelo "Memê" Mansur, e "Desencostalagartixa", também lançada em single promocional.

Durante o período de divulgação, o grupo participou de programas de televisão como Clube do Bolinha, Viva a Noite e Domingão do Faustão, além do infantil Xou da Xuxa, acompanhando a estratégia da CBS para apresentar o projeto ao público em âmbito nacional. Nas apresentações, a Patrulha do Barulho executava coreografias que combinavam movimentos inspirados na dança de rua, especialmente o break dance, com gestos sincronizados característicos de grupos vocais norte-americanos de R&B, como o New Edition. Em uma das participações no Xou da Xuxa, a própria Xuxa chegou a reproduzir parte da coreografia de "Com Você" ao lado do grupo. As apresentações de "Com Você" também revelavam um aspecto curioso: em diversas ocasiões, a plateia acompanhava a canção do início ao fim, sugerindo que ela já havia sido assimilada pelo público durante o período de divulgação.

Apesar do investimento da CBS em uma ação promocional de alcance nacional, Jairzinho & A Patrulha do Barulho permaneceu como o único lançamento do grupo. O álbum sequer recebeu uma edição oficial em CD e continua ausente das plataformas de streaming, permanecendo disponível apenas em seus formatos originais.

Embora tenha marcado uma etapa importante na trajetória de seus integrantes, Jairzinho & A Patrulha do Barulho acabou ficando à margem de suas discografias à medida que cada um seguiu caminhos distintos e passou a ser reconhecido por trabalhos posteriores. Esta publicação procura preservar esse registro da música pop infantojuvenil brasileira do final da década de 1980, tornando-o novamente acessível e contribuindo para manter viva sua memória.

Para esta publicação, o áudio recebeu um tratamento a partir do LP original, buscando proporcionar uma audição mais agradável dentro das limitações do material disponível. A capa e a contracapa foram montadas a partir de escaneamentos da edição original, preservando sua apresentação gráfica.

Faixas:
01. Nosso Encontro
02. Com Você
03. Primeira Vez
04. Desencostalagartixa
05. Eu Sonhei com Você (Go Away Little Girl)
06. De Pernas pro Ar
07. Leva Meu Beijo com Você
08. Cidade Fatal
09. O Amor (Thank You Baby)
10. Lambadeiro (Bamboleo)

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domingo, 12 de julho de 2026

Ritchie - Pra Ficar Contigo (1988)

Lançado em 1988 pela PolyGram, Pra Ficar Contigo é o quinto álbum de estúdio de Ritchie. Produzido pelo próprio artista, com direção artística de Mariozinho Rocha, o disco foi gravado e mixado entre junho e julho daquele ano nos estúdios da gravadora, no Rio de Janeiro.  Ritchie assume boa parte das programações eletrônicas do álbum, dividindo os arranjos com músicos que participaram de inúmeras gravações do pop brasileiro na década de 1980. 

Nas guitarras e violões participam Torcuato Mariano, Marcelo Sussekind e Paulinho Soledade. Os teclados são executados por Nico Rezende, Billi Forghieri, William Magalhães, Sacha Amback e Fred Maciel. No baixo atuam Artur Maia, Tavinho Fialho e Marcelo Sussekind. Na bateria, Jurim Moreira, Carlinhos Bala, Fred Maciel e as programações de Ritchie e Nico Rezende (DMX). A percussão conta com Valdir "Barney" da Silva e com a programação de percussão de Ritchie. Os metais e cordas ficam por conta de Leo Gandelman (saxofone), J. Simões (trombone) e Jaques Morelenbaum (violoncelo). Os vocais de apoio são de Paulinho Soledade, Marisa Fossa e Ana Lúcia Fontes.

O repertório reúne composições assinadas por Ritchie em parceria com letristas como Bernardo Vilhena, Fausto Nilo e Ronaldo Bastos, o disco inclui "Pra Ficar Contigo", de Vinicius Cantuária, uma versão em português de "Ojos de Video Tape", de Charly García, além da clássica "Black Magic Woman", de Peter Green, mostrando a diversidade de referências presentes no projeto.

Visualmente, Pra Ficar Contigo também recebeu atenção especial. A criação da capa ficou a cargo de Hiluz del Priori, com fotografias de Isabel Garcia, visual de Tadashi, coordenação gráfica de Arthur Fróes e arte-final de Carlos Nascimento. Para a publicação, a capa e contracapa passaram por um processo de restauração digital, com ajustes de iluminação, contraste e definição por meio de ferramentas de Inteligência Artificial.

A remasterização apresentada nesta publicação procura preservar as características da gravação original, respeitando sua dinâmica e timbres, ao mesmo tempo em que recupera definição e equilíbrio sonoro. O objetivo não foi alterar a concepção sonora do álbum — algo que só poderia ser feito de forma plena a partir das fitas master originais —, mas apresentar uma nova transferência com maior equilíbrio tonal e definição, preservando as características da edição lançada em 1988.

Passados quase quarenta anos de seu lançamento, Pra Ficar Contigo permanece praticamente inacessível nos formatos digitais. Até o momento, apenas "A Sombra da Partida" foi relançada oficialmente em CD, integrando a trilha sonora da novela Vale Tudo, publicada em 2001 na série Campeões de Audiência lançada pela Som Livre. As demais faixas continuam inéditas em CD e nas plataformas de streaming, o que torna este álbum um dos trabalhos indisponíveis da discografia de Ritchie. Esta remasterização busca contribuir para a preservação e a redescoberta desse registro, mantendo viva uma obra que ainda aguarda uma reedição oficial.

Faixas:
01. Pra Valer 
02. Pra Ficar Contigo 
03. Deja Vu 
04. Horizonte Perdido 
05. A Sombra da Partida 
06. A Vida Não Espera 
07. Olhos de Video Tape (Ojos de Video Tape) 
08. Temporal 
09. Black Magic Woman
10. O Eterno Verão

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sexta-feira, 10 de julho de 2026

Verônica Sabino - Como Eu Sei (1987)

"Como Eu Sei" é o segundo álbum de estúdio da cantora Verônica Sabino, lançado em 1987 pelo selo Philips (do grupo PolyGram) nos formatos LP e K7. Depois de integrar o supergrupo vocal Céu da Boca, ela iniciou sua trajetória solo com Metamorfose (1985), trabalho que ainda refletia a transição entre sua formação como intérprete e a construção de uma identidade própria. 

A mudança de direção começou a ganhar contornos mais definidos no ano seguinte, quando gravou Demais (Yes It Is) — adaptação de Miguel Paiva e Zé Rodrix para a composição de Lennon & McCartney, com arranjo de Cleberson Horsth — para a trilha sonora da novela Selva de Pedra. A interpretação revelava uma cantora perfeitamente à vontade em um universo pop mais contemporâneo. Em Como Eu Sei, essa proposta deixa de ser um experimento isolado para se tornar o conceito central do álbum.

Mais do que selecionar boas canções, Verônica passa a dialogar com diversos compositores e músicos que circulavam em m um mesmo ambiente criativo no cenário musical da época. O repertório reúne criações de Vinicius Cantuária, Kiko Zambianchi, Marina Lima, Lulu Santos, Nico Rezende e Celso Fonseca: artistas que, embora seguissem trajetórias próprias, compartilhavam músicos, arranjadores e produtores em uma intensa rede de colaboração responsável por renovar a linguagem do pop brasileiro na segunda metade da década de 1980. Essa dinâmica fica ainda mais evidente quando observada no contexto cronológico das produções daquele período.

Além disso, a curadoria do repertório privilegia composições recentes de seus parceiros autorais, em vez de recorrer a sucessos já consagrados. Por exemplo, a canção Até o Fim – que na interpretação da cantora se tornou tema da novela Brega & Chique –, havia sido gravada por Vinicius Cantuária em seu disco Nu Brasil apenas um ano antes. O mesmo ocorre com Um Dia na Vida, registrada por Lulu Santos em Normal (1985).

Essa lógica ganha uma camada ainda mais interessante quando se observa que a faixa que dá título ao álbum é uma adaptação de Only Love Remains, do disco Press to Play (1986), de Paul McCartney. Trata-se de um momento significativo do álbum: além de escolher uma composição lançada apenas um ano antes, Verônica assina a versão em português de 'Only Love Remains', transformando-a na faixa que dá título ao disco. A escolha evidencia sua afinidade com a produção contemporânea de Paul McCartney e reforça a dimensão autoral presente na construção do repertório.

O apreço pelo legado de McCartney já havia se manifestado em 1986, com a gravação de Demais (Yes It Is) — composição de Lennon e McCartney introduzida no Brasil em 1966, por meio de um EP de 4 faixas no formato de 7 polegadas. A escolha daL faixa não ocorreu ao acaso: tratou-se de uma decisão consciente para compor um repertório alinhado às interpretações e referências da cantora.

As decisões sobre os arranjos do álbum seguem essa mesma linha. Em vez de concentrar todas as faixas sob uma única assinatura, Como Eu Sei preserva parte da identidade dos compositores cujas obras traz. Kiko Zambianchi conduz Vício praticamente dentro de seu próprio universo musical, assinando arranjo, regência, guitarras, programação eletrônica e participando dos vocais. Já Droga, também de sua autoria, traz os arranjos e guitarras de Torcuato Mariano.

Com Lulu Santos, ocorre um movimento semelhante: enquanto Um Dia na Vida  fica sob os cuidados de Torcuato Mariano, Beijos Roubados — composta em parceria com Ronaldo Bastos — mantém Lulu diretamente envolvido na construção da gravação, dividindo os arranjos e a regência com Nico Rezende e participando como guitarrista. São escolhas que demonstram uma produção preocupada em preservar as diferentes personalidades do repertório, sem abrir mão da unidade do conjunto.

Nesse equilíbrio, Ricardo Cristaldi assume um papel decisivo. Sua presença vai além da função de arranjador e diretor musical: sua trajetória profissional já o colocava em contato direto com alguns dos artistas que definiam a sonoridade desse período. Como produtor, arranjador e tecladista, havia participado de projetos de Gal Costa, Vinicius Cantuária, Paralamas do Sucesso e Wando, cruzando caminhos com músicos como Léo Gandelman e Carlinhos Calunga em diferentes momentos da década. Sua atuação no álbum de Verônica não representa uma escolha isolada, mas sim a continuidade de uma rede de colaboradores que compartilhava referências estéticas e uma linguagem musical comum. Assim, não apenas o repertório, mas também a equipe técnica envolvida pertence ao mesmo ambiente criativo.

Sob essa perspectiva, Como Eu Sei marca um momento singular na trajetória de Verônica Sabino. Mais do que consolidar sua carreira solo, o álbum registra sua inserção em um circuito artístico que reunia alguns dos principais compositores, produtores, arranjadores e instrumentistas do pop brasileiro de sua época. É justamente essa convergência entre repertório, produção musical e interpretação que confere ao disco uma identidade própria, tornando-o um retrato especialmente expressivo da música brasileira lançada em 1987.

Até o momento, apenas fragmentos da gravação original foram disponibilizados em formato CD: Demais (Yes It Is) apareceu pela primeira vez em CD em 1989, na coletânea On The Road - Românticos, da PolyGram, e depois foi incluída no álbum Passado a Limpo (1999), lançado pela própria cantora. Como Eu Sei só foi disponibilizada na coletânea Letra & Música: Paul McCartney, lançada pelo selo Discobertas em 2008; e Cai Na Real integrou o disco 2 da série Dois Lados, de Marina Lima, lançada pela Universal Music em 2011.

Disponibilizar esta remasterização é devolver integralmente ao ambiente digital um álbum que permaneceu durante décadas acessível apenas de forma fragmentada, oferecendo ao público a oportunidade de redescobrir uma obra que ocupa um lugar singular no pop brasileiro dos anos 1980. Como faixa-bônus (11), esta edição inclui "Yes It Is (Instrumental)", produzida por Mariozinho Rocha e arranjada por Cleberson Horsth, originalmente lançada no lado B do single promocional de 12 polegadas de "Demais (Yes It Is)".

Faixas: 
01. Até o Fim
02. Vício
03. Cai na Real
04. Beijos Roubados
05. Droga
06. Como Eu Sei (Only Love Remains)
07. Mortal
08. Canhão
09. Demais (Yes, It Is)
10. Um Dia na Vida
11. Yes It Is (Instrumental) [Bonus Track]

Para baixar este álbum em FLAC, clique AQUI.