sábado, 24 de outubro de 2026

Break Your Heart (1999)

Lançada em CD em 1999 pelo selo Globo Columbia, a coletânea Break Your Heart reúne 16 faixas internacionais que percorrem diferentes expressões do romantismo na música pop. O repertório vem da série Kuschelrock, lançada no México em 1998 e que chegou simultaneamente ao Brasil sob o título Love Songs, em parceria com a Rádio Cidade 96,9 de São Paulo.

A coletânea era associada ao programa Love Songs, da Cidade FM, e privilegiava sucessos românticos recentes à época de seu lançamento, com exceção de três faixas mais antigas: “The River”, de Bruce Springsteen, “Woman in Love”, de Barbra Streisand, e “She's Always a Woman”, de Billy Joel.

Entretanto, para Break Your Heart, foi realizada uma nova masterização dos fonogramas cedidos pela Sony Music, sob os cuidados de Sérgio Seabra. A direção de arte e o projeto gráfico ficaram a cargo de Marciso (Pena) Carvalho, com assistência de arte de André Rola e fotografia de Rob Goldman, da agência Keystone.

Com forte apelo melódico e emocional, as canções de Break Your Heart atravessaram gerações e conquistaram status de atemporais. Na virada do milênio, esse repertório encontrava amplo espaço nas lojas de CD e nas trilhas sonoras afetivas de quem cresceu ouvindo música internacional, especialmente o flashback romântico. 

Faixas:
01. My Heart Will Go On (Love Theme From Titanic) - Céline Dion
02. Truly Madly Deeply - Savage Garden
03. Woman In Love - Barbra Streisand
04. The River - Bruce Springsteen
05. I'm Not Giving You Up - Gloria Estefan
06. Corazonado - Ricky Martin
07. I'm Kissing You - Des'ree
08. Earth Song - Michael Jackson Feat. Bill Bottrell
09. My All - Mariah Carey
10. She's Always A Woman - Billy Joel
11. Said I Loved You... But I Lied - Michael Bolton
12. If I Was A River - Tina Arena
13. I Believe In You And Me - Whitney Houston
14. Un-Break My Heart - Toni Braxton
15. Hard To Say I'm Sorry - Az Yet Feat. Peter Cetera
16. All My Life - K-Ci & JoJo

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sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Pop (2001)


Lançada em CD pela Som Livre em 2002, a coletânea Pop reúne 16 faixas que retratam diferentes vertentes da música internacional do início do milênio, incluindo gravações que se destacaram nas paradas de sucesso. O título também permite uma brincadeira com o sentido da palavra em inglês: pop, como estouro, aquilo que explode e chama a atenção. Mas será que o repertório corresponde a essa ideia? Vamos decupar o CD e descobrir o que fez parte dessa seleção.

O projeto e a seleção do repertório ficaram a cargo de André Werneck, enquanto a coordenação gráfica foi assinada por Marciso (Pena) Carvalho e o projeto gráfico, por Mário Bag. Em sintonia com a ideia de estouro sugerida pelo título, a capa aposta numa estética pop art à la Andy Warhol, com cores vibrantes, raios e um objeto cilíndrico em perspectiva que parece prestes a provocar uma explosão. Se a intenção era representar uma lata de refrigerante fazendo pop, uma pilha ou até algum artefato explosivo de desenho animado, fica a dúvida — mas o impacto visual está garantido!

Entre os estouros do pop internacional que trazem uma herança noventista renovada estão 'NSync, com a faixa-título “Pop”, e Backstreet Boys, representantes do fenômeno das boy bands que marcaram a virada do milênio. O repertório também contempla duas ex-integrantes das Spice Girls que alcançaram projeção com trabalhos individuais: Geri Halliwell, com “It's Raining Men”, releitura do clássico imortalizado pelas Weather Girls, e Emma Bunton, com o soft rock “What Took You So Long?”.

A versão de Geri Halliwell integrou a trilha sonora de O Diário de Bridget Jones, blockbuster do cinema em 2001. A canção tem aquele perfil de faixa que caberia perfeitamente em coletâneas da linha Cine Hits, mas, na voz da eterna Ginger Spice, soa datada. Falta-lhe a potência vocal das Weather Girls, cuja interpretação original também marcou a publicidade brasileira ao embalar uma campanha dos cigarros Hollywood na década de 1980.

Ao consultar a parada anual Hot 100 Brasil, no site Mais Tocadas, constatei que “Pop” e “More Than That” fecharam 2001, respectivamente, nas posições 87 e 81. Procurei registros de Geri Halliwell e Emma Bunton nessa mesma parada, mas não encontrei. Isso não determina, por si só, a longevidade de uma música: uma posição no ranking retrata seu desempenho em determinado período, mas não sentencia seu potencial de atravessar gerações. Se “It's Raining Men”, na versão de Geri, me soa datada, o mesmo não se aplica a 'NSync, Backstreet Boys e Emma Bunton, artistas que continuam queridíssimos no Brasil.

Bom, vamos relembrar que o pop também marca presença com “I'm Outta Love”, de Anastacia, que foi revelada no ano de 2001, chegando a integrar a trilha sonora de Um Anjo Caiu do Céu, reforçando o sucesso da cantora no Brasil. Aliás, me recordo bem quando Anastacia estreou com essa música, em uma passarela cantando com flashes de luz, óculos escuros, linda e loira portando tipo 55 Unidyne, transportando o soul dos anos 70 pro início do milênio. Como diz Cíntia Chagas: "chique, chiquíssima". 

E se tivemos a saída de cena das Spice Girls no início do milênio, o mesmo foi marcado pela chegada de outra girl band européia que fez um sucesso estrondoso naquele ano: No Angels. O grupo alemão formado no programa Popstars em 2000 estreou no rádio e tv com a solar "Daylight in Your Eyes". Pra se ter idéia, ela ficou na posição nº 12 do ranking das mais tocadas na Parada Hot 100 Brasil em 2001.

“Lady Marmalade”, creditada na Moulin Rouge, não se trata da reunião de Christina Aguilera, P!nk, Mýa e Lil' Kim do tema do filme Moulin Rouge de 2001, mas uma réplica muito bem feita pela Som Livre para integrar essa coletânea. A canção foi sucesso absoluto mundial e fechou o ano de 2001 ocupando a 4ª posição do Hot 100 Brasil. A gravação cover, de tão boa que é, acabou reaproveitada pela Som Livre nos anos seguintes nas coletâneas Nuth (2002), Replay (2002) e Cine Hits (2003).

Quem apareceu na coletânea dentro do pop foi Double You com sua versão pop de "Dance Anymore", que foi tema da novela As Filhas da Mãe. Mas ser tema de uma novela não fez a música ser hit de parada. É aquela típica música que todo fã essencial de Double You deve saber (olha eu recorrendo me apropriando do termo do Dudu Purcena). A canção foi um extra do álbum "Studio Live" do grupo, que já estava sinalizando um flerte com a música pop – mesmo que por um curto período, hahahaha – e registrou essa balada pop que mereceu estar na coletânea e fez uma ponte muito bacana com o r&b do Nelly na seleção. 

Aliás, muito ventilou nas mídias musicais da época sobre o sucesso do álbum Country Grammar que Nelly lançou em 2000. O rapper emergiu nas paradas com "Ride Wit Me", que alcançou a 3ª posição na Billboard Hot 100 dos Estados Unidos e também entrou no Top 10 de vários países, incluindo o Reino Unido, Austrália e Irlanda.

Preciso do rap do Afroman!  Lançada originalmente em 2000 e indicada ao Grammy, o single "Because I Got High" tocou bastante em rádios brasileiras em 2001, virando um hino cômico sobre procrastinação e os efeitos de "ficar chapado". Anos mais tarde, ela se tornaria um tema do Homem-Berinjela no Pânico na TV! – humorístico da Rede TV! – carregando um fonético a produção do programa usava a música por causa do "sorriso maroto" da língua portuguesa (o famoso mondegreen). O refrão em inglês "because I got high" soava muito parecido com "tentando agarrar" em português. O Homem-Berinjela andava por praias, parques e festas usando apenas uma sunga apertada com uma berinjela gigante dentro, justamente "tentando agarrar" e assustar as pessoas que passavam. Toda vez que ele aparecia correndo atrás de alguém, o refrão de Afroman começava a tocar. 

Voltemos a falar de versão somlivrescas? Bora citar “Another Day in Paradise”, creditada a Paradise. Trata-se de uma réplica muito boa da releitura que Brandy & Ray J gravaram para o projeto Urban Renewal (2001), álbum dedicado a releituras em R&B de canções de Phil Collins – com encomenda e aval do próprio cantor. É uma pena não se ter registros das vozes que estão por trás dessa réplica. O fato é que a Som Livre também aproveitou a gravação na coletânea Replay (2002). 

A vertente dançante ganha espaço com um reload remix assinado por Peter Black em 2001 para “Electric Avenue”, de Eddy Grant, aqui batizado de “Ringbang Mix”. Originalmente lançada em 1982, a canção trazia um reggae eletrônico que agitava as pistas de dança.

O clima eletrônico continua com Gigi D’Agostino, em “La Passion”, numa versão dance pop que caiu muito bem nesta coletânea, e com a alemã Diana Fox, representante do chamado trance NRG, em “Running on Empty”, faixa que também marcou presença em muitas coletâneas de dance music da época.

Próximo do fim da resenha, trago uma investigação de repertório, que revela ainda uma outra correspondência de cover. “Dreams of Me”, creditada a Dreams, é uma réplica de “Dream to Me”, versão dance lançada por Dario G em 2001 a partir do clássico “Dreams”, da banda irlandesa The Cranberries. Nesse caso, a gravação presente em Pop remete a uma releitura já existente, em vez de partir diretamente da versão original da banda. Se você der uma passadinha no YouTube e ver os comentários dos brasileiros na versão do Dario G, tem muitos comentários carinhosos dos simpatizantes pela música eletrônica, recordando com muita memória afetiva a canção.

Mas o caso de “The Land”, creditada a Ibiza, me chocou. A identificação dessa gravação começou nos comentários de um vídeo de Pop publicado no YouTube, quando um ouvinte perguntou se alguém sabia o nome da música no Spotify, pois não estava conseguindo encontrá-la. Na resposta, alguém indicou a faixa “Free Wire (Klubdoctorz Remix)”, do projeto Cosmic Gate. Foi assim que cheguei à correspondência entre os dois fonogramas e pude constatar a semelhança entre as gravações.

Não vamos entrar em discussões jurídico-musicais sobre plágio, um terreno cinzento que exigiria outra abordagem. Prefiro apreciar o resultado: a faixa encerra o disco e, convenhamos, parabéns a quem fez a réplica — mesmo sem ter a autoria devidamente identificada, ficou muito bem-feita!

Ao documentar a coletânea no Discogs, notei duas coisas curiosas. No encarte interno, consta o ano de 2002 como copyright fonográfico: (P) 2002. Já na própria mídia, está impresso (P) 2001. Fui procurar outras pistas no YouTube e encontrei uma propaganda do disco cuja veiculação também está documentada em 2001. E aí fica a curiosidade: o CD já estava sendo produzido para um lançamento em 2002, chegou às lojas antecipadamente ou houve um erro na confecção do material? Não dá para cravar uma resposta, mas qualquer uma dessas possibilidades torna a história interessante. E tá tudo bem! Mas que é curioso, é!

Faixas:
01. Pop - 'NSync
02. Daylight in Your Eyes - No Angels
03. It's Raining Men - Geri Halliwell
04. Electric Avenue (Ringbang Mix) - Eddy Grant
05. Lady Marmalade - Moulin Rouge
06. I'm Outta Love - Anastácia
07. What Took You So Long? - Emma Bunton
08. More Than That - Backstreet Boys
09. Dance Anymore - Double You
10. Ride Wit Me - Nelly feat. City Spud
11. Because I Got High - Afroman
12. Another Day in Paradise - Paradise
13. La Passion - Gigi D'Agostino
14. Running on Empty - Diana Fox
15. Dreams of Me - Dreams
16. The Land - Ibiza

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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Sk8er Rock (2004)

Lançada pela Som Livre em 2004, Sk8er Rock surgiu em um momento bastante favorável ao rock alternativo no Brasil. Naquele ano, Malhação Internacional apostava fortemente nessa sonoridade, enquanto rádios como Mix FM e 89 FM davam bastante espaço a bandas do gênero, ajudando a aproximar esse repertório do público jovem.

O projeto e a seleção de repertório ficaram a cargo de André Werneck, com masterização de Julio Carneiro. A direção de arte e o projeto gráfico são assinados por Marciso (Pena) Carvalho, o design gráfico por André Rola e a fotografia por Deda Crispean.

Ainda assim, a coletânea não reúne exatamente uma sequência de sucessos amplamente conhecidos pelo grande público. Seu perfil é mais voltado a um nicho de ouvintes que já conhecia boa parte dessas bandas, mas também pode funcionar como uma porta de entrada para quem deseja descobrir novos artistas a partir de suas músicas de trabalho.

Entre os nomes presentes, considero P!NK, The Calling, P.O.D. e 3 Doors Down os que alcançaram maior reconhecimento popular. Os demais ajudam a compor um panorama diversificado do rock e de suas vertentes no início dos anos 2000, fazendo de Sk8er Rock uma seleção interessante para quem quer revisitar aquela cena ou explorar bandas que tiveram espaço nas rádios e na cultura jovem da época.

Faixas:
01. Purple Hills - D12 feat. Eminem
02. Alive - P.O.D.
03. Butterfly - Crazy Town
04. Diamonds on the Inside - Ben Harper
05. What It's Like - Everlast
06. Ain't Talkin' Bout Dub - Apollo 440
07. Naxalite - Asian Dub Foundation
08. Heaven Is a Halfpipe (If I Die) - OPM
09. Hell Song - Sum 41
10. Don't Let Me Get Me - P!NK
11. Wherever You Will Go - The Calling
12. When I'm Gone - 3 Doors Down
13. Send the Pain Below - Chevelle
14. Walk Alone - The Uglys

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Divas (2003)

Lançado pela Som Livre em 2003, Divas reúne 14 faixas sob uma proposta que aproxima grandes vozes femininas da música internacional de diferentes gerações e estilos. O repertório passeia pelo pop, pela soul music, pela disco music e pela dance music, sem se limitar a uma única época ou sonoridade. O projeto e a seleção de repertório são assinados por André Werneck, que também responde pela curadoria do álbum.

A masterização ficou a cargo de Julio Carneiro, enquanto a capa é creditada a Marciso (Pena) Carvalho e o livreto, a Cristina Cruz.

Com tantas canções associadas à teledramaturgia brasileira, o CD quase poderia se chamar O Melhor Internacional de Novelas – Divas! É praticamente uma coletânea de trilhas sonoras disfarçada de álbum de divas – daquelas que fazem a gente ouvir os primeiros acordes e logo lembrar de uma novela, de uma cena marcante ou de um romance complicado na televisão.

A lista de associações é extensa. “Love by Grace”, de Lara Fabian, foi tema de Laços de Família; “I'll Never Fall in Love Again”, de Dionne Warwick, esteve em Os Gigantes; “Let's Stay Together”, de Tina Turner, integrou a trilha de Transas & Caretas; e “Got to Be There”, de Chaka Khan, esteve em Final Feliz. 

Também aparecem “It's Too Late”, de Gloria Estefan, ligada a História de Amor; “Give Me All Night”, de Carly Simon, de Sassaricando; “La Vie en Rose”, na interpretação de Grace Jones, de O Pulo do Gato; e “Change”, de Lisa Stansfield, de Perigosas Peruas.

A relação continua com “If You Could Read My Mind”, na versão do projeto Stars On 54, associada a Pecado Capital — versão remake de 1998. Inclusive, cabe aqui uma pausa para destacar que o Stars On 54 foi um trio vocal de dance music produzido pelo DJ Hex Hector, reunindo as cantoras Amber, Jocelyn Enriquez e Ultra Naté. A canção é uma releitura, voltada às pistas de dança, do clássico composto por Gordon Lightfoot para a trilha sonora do filme Studio 54, que retrata os bastidores da badalada boate nova-iorquina nos anos 1970.

O disco vai chegando à reta final com mais dois temas de novelas em fonogramas produzidos no Brasil. O primeiro é “Free”, de Laura, tema de Desejos de Mulher. Apesar de ser uma das 19 músicas que compuseram a trilha internacional da novela, é curioso que ninguém possa dizer que ouviu a canção tocar na trilha! Laura é a mesma Laura Almeida, irmã de Fábio Almeida, com quem integrou o projeto Mr. Jam.

Por fim, temos “Back for Good”, com Giselle Haller, de Uga Uga. E aqui preciso contar a descoberta que fiz sobre Giselle. Fui dar play na canção no YouTube, na expectativa de encontrar alguma pista sobre a cantora nos comentários, até que alguém soprou a informação: ela seria a voz do projeto Dalimas, dos produtores Tom Hopkins e Tibor Yuzo. Fui pesquisar no Discogs e constatei que a vocalista é ninguém menos que Gisele Abramoff. Então, BINGO! Giselle Haller é nome artístico antes do projeto Dalimas. 

No total, são 11 faixas de um repertório de 14 ligadas a novelas. A essa altura, chamar o CD de O Melhor Internacional de Novelas – Divas já não é nem brincadeira: faltou pouco para a Som Livre colocar o selo de trilha sonora na capa!

Mas nem só de romances e lembranças televisivas vive o disco: Diana Ross aparece com “It's My Turn”, que foi tema do filme "Esta é Minha Chance" de 1980 estrelado por Jill Clayburgh e Michael Douglas, além de Donna Summer com “On the Radio”, e Martha Wash & Jocelyn Brown, apresentadas pelo DJ Todd Terry, agitam a seleção com “Keep on Jumpin'”. Aliás, deixar de fora da categoria Divas justamente essas quatro vozes poderosas da música negra norte-americana é um disparate!

No fim das contas, Divas tem um atrativo especial para quem acompanha a história das coletâneas internacionais da Som Livre: além de reunir intérpretes consagradas, recupera canções que ficaram ligadas a diferentes épocas da teledramaturgia brasileira. 

Mas o mérito de André Werneck vai além. Ao reunir 14 gravações de artistas cujas vozes atravessaram décadas, entre as ondas do rádio e as pistas de dança, ele também amplia o próprio significado de diva. Afinal, por muito tempo, esse título pareceu reservado a cantoras que dominaram as paradas dos anos 1990, como Céline Dion, Mariah Carey, Whitney Houston, Shania Twain ou Christina Aguilera, frequentemente associadas a performances grandiosas e acrobacias vocais. Divas abre espaço para outras interpretações dessa ideia, valorizando artistas com identidades, estilos e trajetórias distintas, que também fizeram por merecer esse título. Porque ser diva não é apenas alcançar notas impossíveis ou transformar cada apresentação em um espetáculo monumental: é também deixar uma marca na música e continuar sendo reconhecida por ela. E quando se trata disso, meus amigos, a lista só aumenta!

Faixas:
01. Love by Grace - Lara Fabian
02. I'll Never Fall in Love Again - Dionne Warwick
03. It's My Turn - Diana Ross
04. Let's Stay Together - Tina Turner
05. Got to Be There - Chaka Khan
06. It's Too Late - Gloria Estefan
07. Give Me All Night - Carly Simon
08. On the Radio - Donna Summer
09. La Vie en Rose - Grace Jones
10. Change - Lisa Stansfield
11. Keep on Jumpin' - Todd Terry presents Martha Wash & Jocelyn Brown
12. If You Could Read My Mind - Stars On 54
13. Free - Laura
14. Back for Good - Giselle Haller

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quarta-feira, 21 de outubro de 2026

Tears For Fears - Gold (2001)

Atendendo a um pedido antigo, publico hoje o CD da série Gold, dedicado à dupla britânica Tears For Fears, que foi lançado pela Universal Music em 2001.

Com um projeto gráfico minimalista, marcado pela capa preta e pelas letras douradas que destacavam o nome do artista e o título da franquia, a série Gold surgiu no Brasil e alcançou grande sucesso. A proposta aliava uma apresentação visual sóbria e elegante a um repertório cuidadosamente selecionado, oferecendo ao público uma alternativa acessível para reunir grandes sucessos e conhecer diferentes momentos da trajetória de artistas consagrados da música nacional e internacional do catálogo da Universal Music. 

A seleção de repertório deste álbum é assinada por Cláudio Bezerra Mello, Josay Correa e Maurício Flores, reunindo fonogramas do catálogo da Universal Music. Em 1999, a gravadora havia adquirido a PolyGram, incorporando ao seu acervo um vasto catálogo musical que incluía o selo Mercury, do qual a dupla Tears For Fears fazia parte.

O repertório deste CD abrange diferentes fases da carreira da dupla, incluindo músicas da primeira metade dos anos 90, como as do álbum Elemental (1993), lançado antes da mudança para a Sony Music. Mais abrangente que Tears Roll Down: Greatest Hits 82-92, a coletânea também se diferencia da edição mundial da série Classic, lançada em 2000, por apresentar uma curadoria exclusivamente brasileira, característica da série Gold.

Faixas:
01. Sowing the Seeds of Love
02. Everybody Wants to Rule the World
03. Head Over Heels
04. Advice for the Young at Heart
05. Shout
06. Pale Shelter
07. Elemental
08. The Hurting
09. Break It Down Again
10. Mad World
11. I Believe
12. The Working Hour
13. Change
14. Standing on the Corner of the Third World
15. Start of the Breakdown

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domingo, 18 de outubro de 2026

Vestidos de Espaço - Pipi Popô (1988)

Se você tem o costume de garimpar discos em vinil — incluindo compactos simples, duplos e promocionais de 12 polegadas para rádio — com enfoque em material do rock brasileiro dos anos 1980, certamente já esbarrou com o misterioso nome Vestidos de Espaço. Por trás desse título trivial, esconde-se uma das brincadeiras mais espirituosas e provocativas da história do nosso pop-rock.

A ideia nasceu em 1988, durante as pausas das gravações dos Titãs no estúdio Nas Nuvens, no Rio de Janeiro. Entre uma sessão e outra, os músicos dedicavam-se a composições bem-humoradas, distantes da proposta habitual da banda. A brincadeira acabou ganhando corpo e transformou-se em um projeto real para o Carnaval de 1989.

O objetivo era criar uma banda fictícia sob total anonimato, testando a reação dos programadores de rádio e do público para provocar a indústria fonográfica da época. A provocação tinha um alvo claro: a facilidade com que canções deliberadamente banais podiam conquistar espaço na programação. Para isso, reuniu-se um time de peso: integrantes dos Titãs, Paula Toller (Kid Abelha), Jorge Mautner, o produtor Liminha e o engenheiro de som Vitor Farias.

Para manter o disfarce, o grupo registrou as composições sob o pseudônimo Pepino Carnale. Lançado pela WEA Discos como um Single de 12 Polegadas — com direção artística de Liminha, produção de Antoine Midani e arte não creditada de Fernando Zarif —, o disco trazia duas faixas curtas, irônicas e diretas ao ponto:

  • Lado A – "Pipi Popô" (1'24"): Assinada na verdade por Arnaldo Antunes e Branco Mello, a canção contava com a voz marcante de Paula Toller satirizando as composições de duplo sentido e os refrões apelativos da música comercial.

  • Lado B – "A Marcha do Demo" (3'01"): Uma parceria de Arnaldo Antunes, Branco Mello, Marcelo Fromer e Paulo Miklos, funcionando como uma marchinha-rock debochada e ácida.

O disco, portanto, não é apenas um registro de duas marchinhas pouco convencionais. É o vestígio material de uma experiência em que músicos consagrados assumiram identidades inventadas para brincar com os mecanismos de divulgação da música popular. Por mais absurdo que pareça, a canção chegou a ser tocada pelo DJ sonoplasta My Boy no Xou da Xuxa. O registro em vídeo da apresentadora dublando a faixa enquanto uma criança a olha de lado virou um dos memes mais conhecidos da internet.

E para a gravação e remasterização deste single, eu agradeço ao Paulo Afonso Franco de Cordeirópolis/SP que cedeu o promocional de rádio. Como o material cedido está em capa genérica, produzi uma capatambém genérica a partir do selo original da WEA.

Faixas:
01. Pipi Popô
02. A Marcha do Demo

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