quarta-feira, 16 de setembro de 2026

João Fígar - João Fígar (1988)

João Fígar, nome artístico de João Figueiredo Júnior, é cantor, músico e compositor paulista radicado em Mato Grosso do Sul, onde posteriormente se tornaria reconhecido por seu trabalho ligado à música regional. Este álbum, porém, registra uma fase bastante diferente de sua trajetória, quando sua carreira estava direcionada ao pop e ao pop rock.

Essa aposta chegou a render a Fígar uma indicação ao Prêmio Sharp de 1988 como revelação pop rock, concorrendo com Ed Motta e Fábio Fonseca. O investimento da 3M nessa fase pode ser percebido pela própria dimensão da produção do álbum, que reuniu alguns dos profissionais mais requisitados da música brasileira naquele período.

Produzido por Chico Mourão, o disco teve seus arranjos distribuídos principalmente entre Bozzo Barretti, Lincoln Olivetti, Robson Jorge e Jorjão Barreto. Bozzo responde por “De Surpresa”, “Só Você (Only You)”, “Jogo de Pernas” e “Maçãs de Vitrine”; Lincoln Olivetti assina “Essa Chama” e “Poção Mágica”; Robson Jorge, “Circuito Fechado” e “Tudo de Uma Vez”; enquanto Jorjão Barreto aparece à frente de “Quebramos Nosso Gelo” e “Sinal pra Você”.

O repertório também reúne compositores de diferentes vertentes. “De Surpresa”, de Luiz Guedes, Thomas Roth e Isolda, conta com participação especial do próprio Luiz Guedes. “Maçãs de Vitrine” é de Dalto e Claudio Rabello; “Circuito Fechado”, de Alfredo Karam e Paulo Simões; “Sinal pra Você”, de Hilton Raw e Arnaldo Black; e “Poção Mágica”, de Luiz Guedes, Thomas Roth e Costa Netto. João Fígar aparece também como compositor em “Jogo de Pernas”, ao lado de Bozzo Barretti e Davi Régis, e em “Tudo de Uma Vez”, com Davi Régis e Alfredo Karam. O disco traz ainda “Só Você”, versão de Júlio Nagib para “Only You”, de Buck Ram e Ande Rand.

A ficha de músicos é igualmente expressiva. Léo Gandelman toca sax em “Circuito Fechado”, que ainda reúne Carlos Bala na bateria e Laudir de Oliveira na percussão. Laudir também participa de “Tudo de Uma Vez” e “Quebramos Nosso Gelo”. Paulinho Soares aparece nas guitarras e violões, Fernando Alves e Paulo Cesar se alternam no baixo, enquanto o próprio Fígar participa de coros e toca timbales em “Só Você”.

Outro aspecto que chama atenção é o aparato eletrônico empregado na produção. A própria contracapa faz questão de relacionar os equipamentos utilizados por Lincoln Olivetti, Bozzo Barretti, Jorjão Barreto, Robson Jorge e Mário Lúcio. Entre eles aparecem Emulator II, Mirage, Roland S-50, Yamaha DX7, Akai S-900, Memory Moog, Oberheim, Linn Drum e SP-12, além de diversos módulos, sintetizadores e sequenciadores. É praticamente um inventário da tecnologia utilizada na produção do pop brasileiro naquele momento.

O trabalho passou por quatro estúdios: Floresta, Nas Nuvens e Transamérica, no Rio de Janeiro, e Mosh, em São Paulo. Entre os técnicos aparecem o próprio Lincoln Olivetti, Vitor Farias, Laci Moraes e Luís Paulo. A direção de mixagem ficou a cargo de Chico Mourão e Bozzo Barretti, com mixagens realizadas no Nas Nuvens e no Mosh.

Curiosamente, depois dessa produção fortemente direcionada ao pop, João Fígar tomou um caminho bastante diferente. Após a experiência com a 3M, aproximou-se definitivamente da música regional de Mato Grosso do Sul, mudança que ganharia projeção nacional na parceria com Guilherme Rondon. Em 1991, o disco Rondon & Fígar conquistou o Prêmio Sharp, apenas alguns anos depois daquela indicação de Fígar como revelação pop rock.

O álbum da 3M acaba, assim, documentando uma fase muito específica de sua trajetória: antes de se estabelecer na música regional, João Fígar esteve inserido numa produção pop de grande porte, cercado por músicos, arranjadores, estúdios e equipamentos que representam muito bem a estrutura da indústria fonográfica brasileira do final dos anos 1980.

Para a remasterização, recorri ao LP integral, utilizando a agulha Ortofon Concorde Club. Após a limpeza de estalos e a equalização das faixas, utilizei o MVSep DeNoise para a remoção de ruídos residuais.

Faixas:
01. De Surpresa (part. esp. Luiz Guedes)
02. Essa Chama
03. Só Você (Only You)
04. Jogo de Pernas
05. Maçãs de Vitrine
06. Circuito Fechado
07. Tudo de Uma Vez
08. Quebramos Nosso Gelo
09. Sinal pra Você
10. Poção Mágica

Para baixar este álbum em FLAC, clique AQUI.

Remo Usai - As Aventuras da Turma da Mônica (1982)

Lançado em 1982 pelo selo Poly Junior, subselo infantil da PolyGram, o LP As Aventuras da Turma da Mônica – As Músicas do Filme registra a trilha sonora do primeiro longa-metragem animado da Maurício de Sousa Produções, distribuído pela Embrafilme e produzido pela Black & White & Color. O filme, dirigido pelo próprio Maurício de Sousa, estreou naquele mesmo ano e reuniu quatro histórias — Um Plano Infalível, Um Amor de Ratinho, A Ermitã e O Império Empacota — interligadas pela presença do criador em live-action.

A trilha sonora reflete o cuidado estético do estúdio na transposição dos quadrinhos para o cinema, com arranjos e regência do maestro Remo Usai (1928–2022), figura central da música para o audiovisual brasileiro. Reconhecido como um dos pioneiros das trilhas de cinema no país, Usai imprime aqui uma sofisticação harmônica que o consagrou nas obras para longas como Assalto ao Trem Pagador (1962), Tocaia no Asfalto (1962) e Maria Bonita, Rainha do Cangaço (1968), mas trazida com leveza e o senso de aventura ao imaginário infantil, tão característicos do universo da Turma da Mônica.

O lado A do disco traz composições de Gaó Gurgel, Maurício de Souza e Wilma Camargo, apresentando temas dedicados a cada personagem — Mônica, Cebolinha, Magali, Bidu e Cascão — com melodias que remetem diretamente à primeira produção musical de 1971, A Bandinha da Turma da Mônica.

O lado B, de autoria de Eduardo Waisman, Remo Usai, Yara Maura, Márcio Roberto Araújo de Souza e Maurício de Souza, aprofunda o caráter cinematográfico da obra, com faixas instrumentais como Rock da “Rata Lee” e O Império Empacota, e a delicada canção Vou Subindo, que sintetiza o lirismo presente no longa.

As vozes originais do filme — Maria Amélia Costa Manso Basile (Mônica), Ivete Jayme (Cebolinha), Isaura Gomes (Cascão), Silvia Cordeiro Marinho (Magali) e Orlando Viggiani Filho (Franjinha) — possivelmente também participam das interpretações vocais do LP, mantendo a continuidade entre a dublagem e a trilha sonora.

Há uma música instrumental adicional em Um Amor de Ratinho, que remete a Lança Perfume da Rita Lee, que permaneceu restrita ao filme, não sendo lançada neste disco. Inclusive, na personagem desta história, Mônica é batizada de Rata Lee.

Mais do que um simples disco infantil, As Aventuras da Turma da Mônica – As Músicas do Filme é um documento sonoro de uma era em que o cinema de animação brasileiro buscava sua identidade estética e musical. A orquestração de Remo Usai, aliada ao carisma dos personagens criados por Maurício de Sousa, resulta numa obra que une memória, técnica e imaginação — um vinil que merece ser redescoberto.

Eu publiquei este álbum em 07/10/2025, às vésperas da Semana da Criança. No mês de setembro, que antecede o das crianças, estou republicando a remasterização com uma camada de limpeza de MVSep DeNoise.

Faixas: 
01. As Aventuras da Turma da Mônica - Abertura (Instrumental)
02. Mônica
03. Cebolinha
04. Magali
05. Bidú
06. Cascão
07. As Aventuras da Turma da Mônica (Instrumental)
08. Rock da ''Rata Lee'' (Instrumental)
09. Um Amor de Ratinho (Instrumental)
10. Vou Subindo
11. O Império Empacota (Instrumental)

Para baixar a trilha sonora em FLAC, clique AQUI.

Nós - Nós (1989)

O Grupo Nós surgiu em 1978, em Ribeirão Preto (SP). A primeira formação, ainda como quarteto, adotava o nome Nós 4 e tinha ligação direta com o Grupo 17, conjunto bastante conhecido nas décadas de 1960 e 1970. Dos quatro integrantes iniciais, três haviam feito parte do Grupo 17.

O primeiro registro fonográfico veio em 1980, com o álbum “Rasante”, trabalho que ajudou a projetar o grupo nacionalmente e teve pelo menos três músicas com boa execução nas rádios brasileiras.

Em 1983, o grupo lançou seu segundo álbum, “Onde Está Meu Rock”. A partir desse período, o Nós aproximou-se definitivamente do rock nacional, chegando a realizar viagens ao exterior em busca de novos equipamentos.

Em 1989, chegou o álbum “NÓS”, lançado pelo selo Brasil Tapes e distribuído nacionalmente pela PolyGram. O disco teve boa repercussão nas rádios, principalmente com “A Emoção do Seu Corpo”, versão de “Emotion in Motion”, de Ric Ocasek; “Nosso Amor”, versão de “Hands to Heaven”, do grupo Breathe; “Coisas do Coração”; e uma releitura de “Eu Amo Você”, clássico gravado por Tim Maia.

Nesse período, o grupo também marcou presença em diversos programas de televisão, entre eles Bozo, Dó Ré Mi Fá Sol Lá Si, com Simony e Mariane, Raul Gil, Bolinha, Paulo Barbosa, Clip Trip, Milk Shake e Programa Livre.

Em 1990, o Grupo Nós lançou “Estranho Lugar”, pelo selo Eldorado. Entre as músicas que ganharam espaço nas rádios FM estavam “Fui Eu Quem Quis Assim” e “Outra Chance”, versão de “Second Chance”, da banda 38 Special.

No início dos anos 1990, o grupo desenvolveu ainda o projeto “Acoustic Rock”, baseado em apresentações realizadas exclusivamente com instrumentos acústicos, em um período anterior à popularização desse formato no mercado fonográfico brasileiro.

Após um período sem novos lançamentos, o Nós retornou em 1998 com o CD “Tempo ao Tempo”, gravado em estúdio próprio. O trabalho reuniu novamente integrantes ligados à formação do grupo:

Henrique Bartsch – teclados, guitarra, violão e vocais
Ricardo Fabio – vocais
Johnny Oliveira – contrabaixo e teclados
Fernando “Ferpa” Schimidt – percussão eletrônica
André Barbieri – bateria

Além de músico, Henrique Bartsch dedicou-se à pesquisa musical. Em 2006, publicou a biografia “Rita Lee Mora ao Lado”. Em 2000, adquiriu uma guitarra que havia pertencido a Sérgio Dias, dos Mutantes.

Johnny Oliveira faleceu em julho de 2010, vítima de câncer no fígado. Henrique Bartsch morreu em dezembro de 2011, em decorrência de um infarto fulminante.

Atualmente, o trabalho tem continuidade com Caetano Bartsch, filho de Henrique, nos vocais e guitarra, ao lado de Dan Gutierrez, nos vocais e bateria, e Ezequiel Dobrovsky, nos teclados, apresentando-se sob o nome Nós 3.

O álbum de 1989

Produzido por Jairo Pires, “NÓS” foi gravado no Estúdio Transamérica, no Rio de Janeiro, lançado pela Brasil Tapes e distribuído pela PolyGram.

Jairo Pires já possuía uma extensa trajetória na indústria fonográfica brasileira. Na década de 1970, esteve ligado aos primeiros trabalhos de artistas como Zé Ramalho, Fagner, Elba Ramalho, Angela Ro Ro e Eduardo Dusek, além de ter trabalhado na PolyGram com nomes como Odair José e Tim Maia.

Na gravação, o grupo era formado por: 
Henrique Bartsch – teclados, guitarra e vocais
Fernando “Ferpa” Schmidt – percussão eletrônica
João Oliveira – baixo e teclados
André Barbieri – bateria
– guitarras, violão e vocais
Ricardo Fábio – vocais.

Max Bartsch foi responsável pelas programações e MIDI, e Tinho teve participação especial no sax. A gravação e a mixagem ficaram a cargo de Gilmário, com assistência de Cidinho, Lindão e Jacaré.

Musicalmente, o álbum está bastante inserido na sonoridade do pop rock brasileiro do final dos anos 1980, aproximando-se de trabalhos de grupos como Placa Luminosa, Yahoo e Roupa Nova. Essa característica aparece também nas duas versões de sucessos internacionais presentes no repertório: “Nosso Amor”, adaptação de “Hands to Heaven”, do Breathe, e “A Emoção do Seu Corpo”, de “Emotion in Motion”, de Ric Ocasek.

Outro destaque é “Eu Amo Você”, conhecida na gravação de Tim Maia. Com o Grupo Nós, a música recebeu um tratamento mais voltado ao rock, bastante diferente da interpretação consagrada pelo cantor.

Remasterização

Em 2023 havia já realizado uma remasterização do álbum, em utilizei como fonte um LP em excelente estado de conservação e captura em agulha Ortofon Concorde Mix. Após a captura em 26 de janeiro de 2026 realizei um tratamento do áudio final, aplicando o MVSep DeNoise para a limpeza de ruídos residuais.

Embora o álbum esteja disponível atualmente nas plataformas digitais, esta remasterização parte diretamente do LP e recebeu um novo trabalho de restauração, apresentando um resultado que considero superior ao material atualmente disponibilizado oficialmente. Como bônus, estou trazendo para Setembro de 2026 uma versão alternativa da capa frontal, totalmente colorida e “desazulada”, feita com o uso do ChatGPT, comemorando já 37 anos desse excelente disco!

Faixas:
01. Nosso Amor (Hands to Heaven)
02. Coisas do Coração
03. Aventura e Paixão
04. Enquanto a Vida Passa
05. Eu Amo Você
06. A Emoção do Seu Corpo (Emotion in Motion)
07. Ciúme Sem Razão
08. Você Mudou a Minha Vida

Para baixar este album em FLAC, clique AQUI.

Jairzinho & Simony - Jairzinho & Simony (1987)

 

Depois de compartilhar a rara edição em espanhol de Jairzinho & Simony, atendendo a pedidos, apresento o álbum em sua edição brasileira, lançado pela CBS em 1987.

O disco marcou a continuidade da parceria entre Jairzinho e Simony após o encerramento do Balão Mágico, em 1986. Os dois já vinham sendo preparados para trabalhos em dupla desde o sexto e último álbum do grupo e seguiram juntos nessa nova etapa de suas carreiras.

Conforme documentado na série A Superfantástica História do Balão, o encerramento do grupo envolveu questões contratuais que asseguravam uma estrutura de gravação e divulgação aos integrantes em seus trabalhos posteriores. Jairzinho & Simony surgiu nesse contexto, com uma produção de Ronnie Foster realizada entre Estados Unidos e Brasil.

Como já mencionei na postagem dedicada à edição espanhola, as bases instrumentais foram gravadas em 24 canais no estúdio Ameraycan, em North Hollywood, com engenharia de Elliott Peters. Participaram das gravações Bob Wilson na bateria, Jimmy Johnson no baixo, Michael Landau e Bruce Gaitsch nas guitarras, Larry Williams, Randy Waldman e Ronnie Foster nos teclados, Luiz Conte na percussão e Leo Gandelman no sax-solo.

A produção, porém, não se limitou às sessões realizadas na Califórnia. As vozes de Jairzinho e Simony foram gravadas no Estúdio Transamérica, em São Paulo, tendo Carlinhos Freitas e Zorro como engenheiros de gravação. Já a gravação do coro e a mixagem foram realizadas no Estúdio Sigla, no Rio de Janeiro, sob responsabilidade do engenheiro Antonio "Mug" Canázio.

O coro reune Fernando Adour, Viviane, Simiana, Marize, Ana, Fernando Gama e Elizabeth Graziani. Em “O Vira”, Fernando Adour também divide com Ronnie Foster o arranjo de coro, acrescentando mais um núcleo brasileiro a uma produção cuja base instrumental foi previamente construída nos Estados Unidos.

O repertório reúne onze faixas e tem forte presença de Edgard B. Poças, que aparece nos créditos de “Oi Mundo!”, “Pirata”, “Coração de Papelão (Puppy Love)”, “Adivinha”, “Ripa na Chulipa” e “Meu Bem (Ben)”. Entre as parcerias estão Paul Mounsey, em “Oi Mundo!”, “Adivinha”, “A Voz do Trovão” e “Ripa na Chulipa”; Paul Anka, autor de “Puppy Love”; Julio Seijas e Luis Gómez Escolar, em “Pirata”; e Don Black e Walter Scharf, autores de “Ben”.

As demais faixas incluem “De Vento em Popa”, de Aluizio Falcão, Geraldo Alves Pinto e Lula Barbosa; “O Vira”, de João Ricardo e Luli; “Super-Herói”, de José Carlos Gonçalves e José Rubens Lopes; e “História Sem Fim”, de Cláudio Rabello e Maurizio Fabrizio.

Os arranjos são divididos entre Larry Williams e Randy Waldman. Williams assina “Adivinha”, “Oi Mundo”, “Ben”, “De Vento em Popa” e “Pirata”. Waldman responde por “Ripa na Chulipa”, “A Voz do Trovão”, “História sem Fim”, “Coração de Papelão”, “O Vira” e “Super-Herói”.

O álbum conta ainda com participações especiais de Tim Maia, em “A Voz do Trovão”; Gal Costa, em “Oi Mundo”; e Virginie, vocalista do Metrô, em “O Vira”. A ficha técnica registra que Tim Maia e Gal Costa foram gentilmente cedidos por Vitória Régia Discos Ltda. e BMG Ariola Discos Ltda., respectivamente.

“A Voz do Trovão” recebeu também arranjo de cordas de Chiquinho de Moraes, executado por José Salerno Neto, Estela Cerezo Ortiz, Julio Cerezo Ortiz, Jorge Gisbert Izquierdo, Caetano Domingos Finelli, Elias Slon, German Wajnrot, Alberto Pinchas Jaffé, Michael Verebes, Robert J. Suetholz e Tânia Camargo Guarnieri.

A própria ficha técnica ajuda a dimensionar a estrutura empregada no álbum: enquanto as bases foram registradas em North Hollywood, as vozes foram gravadas em São Paulo e o coro e a mixagem, no Rio de Janeiro. Jairzinho & Simony foi, portanto, construído a partir do encontro entre uma base instrumental produzida nos Estados Unidos e diferentes etapas de gravação realizadas no Brasil, reunindo músicos, arranjadores e técnicos dos dois países.

Faixas:
01. Oi Mundo (part. esp. Gal Costa)
02. Pirata
03. Coração de Papelão (Puppy Love)
04. Adivinha
05. 
De Vento Em Popa
06. O Vira (part. esp. Virginie)
07. A Voz do Trovão (part. esp. Tim Maia)
08. Super-Herói
09. História Sem Fim
10. Ripa na Chulipa
11. Meu Bem (Ben)

Para baixar este álbum em FLAC, clique AQUI.

Donizeti - Donizeti (1991)

 

Donizeti Camargo da Veiga, de nome artístico Donizeti, nasceu em 12 de março de 1971 na cidade de São Paulo. Tornou-se conhecido nacionalmente como “A Voz de Ouro do Brasil”, “O Príncipe da Canção” e “O Menino da Garganta de Ouro”, além de ser lembrado como o cantor de “Galopeira”. Sua trajetória artística começou ainda na infância, aos cinco anos de idade, quando chamou atenção pela potência vocal e pela capacidade de sustentar uma única nota por quase 20 segundos no refrão de “Galopeira”.

O cantor lançou em 1991 seu 6º álbum, pela RCA, produzido por Wilson Souto Jr. para a Espaço Livre, com lançamento em LP e K7. O álbum reúne um repertório que transita pela música sertaneja, country e guarânia, combinando composições brasileiras, versões de sucessos internacionais e clássicos do repertório latino-americano.

O repertório reúne doze faixas, considerando o pout-pourri que encerra o lado B, e combina canções sertanejas com baladas românticas e versões de repertório internacional. O álbum abre com “Ai Amor”, tema da novela Simplesmente Maria, exibida pelo SBT, versão de Aloysio Reis para “Ay Amor”, de José Luis Perales. O compositor espanhol também aparece em “Não Será Tão Fácil”, adaptação de Ronaldo Bôscoli para “No Resulta Fácil”, que Perales já havia gravado em seu álbum Com o Passar do Tempo, lançado pela Epic/CBS.

Outra releitura é “Creio em Ti”, versão de Oswaldo Santiago para “I Believe”, composição de Al Stillman, Ervin Drake e Irvin Graham. A canção original foi encomendada por Jane Froman para seu programa de televisão, com o objetivo de trazer esperança e fé durante a Guerra da Coreia. A gravação mais famosa foi feita pelo cantor americano Frankie Laine, em 1953, sendo posteriormente gravada também pelo The Righteous Brothers.

Entre as composições brasileiras estão “Eu Te Amo, Eu Te Adoro”, de Arnaldo Saccomani e Mauro Motta; “Chupando o Dedo”, de Chico Amado e Zé Xodó; “Na Hora do Beijo (Motivação)”, de Cecílio Nena e Nicéas Drumont; e “Venha de Onde Estiver”, de Mariana Marques e Wally Macedo.

O próprio Donizeti assina “Salve-me Quem Puder”, escrita em parceria com Elias Muniz. Muniz assina ainda “Viola Está Chorando”, que ficou conhecida em 1989 na voz de Joel Marques, que defendeu a canção no 1º Festival Rímula de Música Regional.

Outro destaque é “Paixão e Loucura”, de Paulinho Rezende e Paulo Debétio, gravada no mesmo período por Maurício & Maury. O repertório inclui também “Meu Grito”, composição de Roberto Carlos, gravada em 1967 por Agnaldo Timóteo e, posteriormente, por Gilberto Reis, em 1975.

O encerramento recupera raízes tradicionais do repertório latino-americano por meio de um pout-pourri formado por “Galopeira”, “Índia” e “Merceditas”. “Galopeira”, de Mauricio Cardozo Ocampo, aparece com versão de Pedro Bento; a guarânia paraguaia “Índia”, de José Asunción Flores e Manuel Ortiz Guerrero, com versão brasileira de José Fortuna; e “Merceditas”, composição do argentino Ramón Sixto Ríos.

Lançado no Brasil em 1991 pela BMG Ariola, através do selo RCA, o álbum ganhou também uma edição em Portugal no ano seguinte, em 1992, pela Discossete.

Este foi o único álbum de Donizeti lançado pela BMG Ariola. Sua passagem pela gravadora foi breve: já no ano seguinte, em 1992, o cantor assinou com a Continental, pela qual deu continuidade à sua discografia.

Em 2026, retomo este álbum em um novo trabalho de remasterização, a partir do LP original, já que o título permanece fora das plataformas digitais. Para isso, usei a agulha Ortofon Concorde Clube (elíptica). Ao do tratamento de redução de estalos, apliquei MVSep DeNoise para redução de ruído residual.

Faixas:
01. Ai Amor (Ay Amor)
02. Creio em Ti (I Believe)
03. Eu Te Amo, Eu Te Adoro
04. Chupando o Dedo
05. Na Hora do Beijo (Motivação)
06. Venha de Onde Estiver
07. Salve-me Quem Puder
08. Não Será Tão Fácil (No Resulta Facil)
09. Paixão e Loucura
10. Viola Está Chorando
11. Meu Grito
12. Galopeira/ Índia/ Merceditas

Para baixar este álbum em FLAC, clique AQUI.

terça-feira, 15 de setembro de 2026

Rock Radical (1998)

“Rock Radical” é uma coletânea lançada pela Som Livre em CD, em 1998, reunindo dezesseis faixas do rock internacional da segunda metade dos anos 1990. A seleção de repertório foi feita por André Werneck e oferece um bom retrato da diversidade que circulava sob o rótulo de rock naquele período, passando pelo rock alternativo, britpop, ska punk, blues rock e pelas aproximações do gênero com a música eletrônica.

O repertório reúne nomes bastante representativos daquele momento. Bush abre o CD com “Greedy Fly”, seguido pelo Third Eye Blind com “Semi-Charmed Life”. No Doubt aparece com “Just a Girl”, Republica com “Ready to Go”, Sublime com “Wrong Way” e Apollo 440 com “Ain’t Talkin’ ’Bout Dub”. O britpop também ganha espaço com Blur, em “Girls & Boys”, e Suede, com “Beautiful Ones”.

A seleção ainda traz Fiona Apple com “Criminal”, Cake com “Frank Sinatra”, Kenny Wayne Shepherd Band com “Slow Ride”, 311 com “Down” e Dave Matthews Band, encerrando o disco com “Tripping Billies”. Completam o repertório African Cat, Jungle People e Doctors.

A produção gráfica de Rock Radical também contou com uma equipe própria. A direção de arte ficou a cargo de Marciso “Pena” Carvalho, com arte de André Rola e fotografias de Nana Moraes. Paula Schettino aparece como a modelo "Garota Radical", enquanto a Bassan Produções Artísticas Ltda. é creditada pela produção de figurino. A masterização foi realizada por César Barboza.

Com dezesseis faixas, Rock Radical segue como uma espécie de coletânea que dá continuidade à proposta de Malhação Radical, lançada naquele mesmo ano como sequência à trilha Malhação 98. No ano de 1998, a série passava por uma queda de audiência e precisava retomar a academia como cenário. Musicalmente, já havia abandonado a música eletrônica, até então bastante associada à atividade física, para migrar para o pop rock jovem, que pudesse funcionar como uma nova trilha sonora para aquele ambiente.

Ao contrário da trilha complementar de Malhação, que mistura música nacional e internacional, Rock Radical traz somente faixas internacionais e conecta o público jovem da série ao rock alternativo, combinando sucessos bastante conhecidos com gravações menos lembradas hoje. Poderia ter ficado ainda melhor se os fonogramas originais de “Fly”, “Block Rockin’ Beats” e “Barrel of a Gun”, gravados originalmente por Sugar Ray, The Chemical Brothers e Depeche Mode, respectivamente, ocupassem o lugar dos covers de falsos gringos.

Faixas:
01. Greedy Fly - Bush
02. Semi Charmed Life - Third Eye Blind
03. Just a Girl - No Doubt
04. Ready To Go - Republica
05. Fly - African Cat
06. Wrong Way - Sublime
07. Ain't Talkin' Bout Dub - Apolo 440
08. Girls and Boys - Blur
09. Criminal - Fiona Apple
10. Frank Sinatra - Cake
11. Slow Ride - Kenny Wayne Shepherd Band
12. Down - 311
13. Block Rockin' Beats - Jungle People
14. Beautiful Ones - Suede
15. Barrel Of Gun - Doctors
16. Tripping Billies - Dave Matthews Band

Para baixar esta coletânea em FLAC, clique AQUI.

segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Que tal ajudar o Gazeta do Som?

Imagine se cada seguidor contribuísse com apenas R$ 2,00 por mês.

Essa ajuda faria muita diferença na aquisição de LPs, compactos e outros materiais que servem de fonte para novas publicações e trabalhos de preservação aqui no blog.

E, claro, quem quiser e puder contribuir com outro valor, fica inteiramente à vontade.

O conteúdo do Gazeta do Som continua gratuito. A contribuição é voluntária e ajuda a tornar possíveis novas pesquisas, aquisições e publicações.

PIX: gazetadosom@gmail.com.