terça-feira, 9 de junho de 2026

House Remix Internacional II (1990)

House Remix Internacional II é uma coletânea lançada em LP pela WEA Discos em 1990 (catálogo nº 670.9086), com fabricação e distribuição da BMG Ariola. A ilustração da capa é de Claudio Braz, com design da Balaco Arts (Braz & Llerena).

A seleção de repertório celebra efervescência da house music nas pistas de dança mundiais, destacando 6 versões remixadas de grandes clássicos da virada para os anos 90. 

Agradeço o meu amigo DJ Paulo Vita, de Ribeirão Preto/SP , por me ceder este LP para extrair e remasterizar a faixa 06. O restante das faixas faz parte de uma compilação de versões de diversos singles lançados em CD, com nova masterização feita por mim.

Faixas:
01. Oh L'Amour (Live Version) - Erasure
02. Love's About To Change My Heart (Extended Version) - Donna Summer
03. Bring Me Edelweiss (Tourist Version) - Edelweiss
04. Tell Me Why (Extended Version) - Nick Heyward
05. I Feel For You (L.A. Mix) - Chaka Khan
06. Sounds From The Pink Sandbox (Bathouse) (House Version) - Emilio Pasquez

Para baixar esta coletânea em FLAC, clique AQUI.

Para que fique claro!

O Gazeta do Som nasceu do amor pela música, da preservação da memória e do desejo sincero de compartilhar aquilo que o tempo insistiu em deixar para trás.

Tudo o que é compartilhado aqui nasce de um trabalho voluntário de pesquisa, organização, digitalização e remasterização, guiado pela convicção de que determinadas obras merecem permanecer acessíveis à memória afetiva de seus ouvintes.

O Gazeta do Som é uma iniciativa pessoal, mantida paralelamente às responsabilidades profissionais, familiares e cotidianas de seu idealizador. Tudo é feito com programação para que, mesmo sendo um espaço eclético, faça sentido para quem acompanha esse fluxo de trabalho. Por isso, nem sempre será possível atender imediatamente a todas as solicitações ou expectativas individuais.

É bem verdade que os pedidos e sugestões dos leitores desempenham um papel importante, revelando os interesses de quem acompanha este trabalho. Muitas vezes, funcionam como lembretes de discos presentes em meu acervo particular que ainda aguardam contexto — e, mesmo quando não há, a gente encaixa —, pesquisa e remasterização.

Grande parte do que já foi disponibilizado aqui na Gazeta do Som contou com o apoio cultural de leitores e colaboradores que adquiriram LPs, CDs e outros materiais necessários ao processo de digitalização, restauração e preservação. Essas contribuições ampliaram o alcance do projeto e permitiram que obras raras ou esquecidas voltassem a ser lembradas.

Grande parte do material publicado é composta por títulos fora de catálogo, promocionais invendáveis e projetos especiais voltados ao resgate nostálgico de períodos, coletâneas, promoções radiofônicas e registros que marcaram a memória afetiva de seus ouvintes. A cada nova publicação, cresce também a relevância da própria Gazeta do Som, não apenas pelo material sonoro disponibilizado, mas pelo esforço de pesquisa, pelo contexto buscado e pelo caráter informativo que acompanha cada resgate.

As sugestões sejam sempre bem-vindas. Ocorre que têm surgido solicitações que fogem desse propósito, envolvendo materiais amplamente disponíveis em plataformas digitais e serviços de acesso imediato. Embora eu compreenda o interesse dos leitores, alguns me tratam como uma plataforma automatizada ou mero repositório com suporte técnico vinte e quatro horas por dia. Longe disso!

A gentileza não deve ser confundida com disponibilidade irrestrita, bem como boa vontade não elimina a necessidade de limites.Para que o Gazeta do Som continue existindo e cumprindo sua missão, é importante que permaneça sendo, também, um espaço onde seu criador possa permanecer inteiro. 

Portanto, a seleção de conteúdo continuará recebendo sugestões, mas seguirá critérios editoriais já definidos, respeitando o tempo, as possibilidades e a visão de quem mantém este projeto ativo e constante.

A todos que acompanham, colaboram e compreendem essas circunstâncias, fica o meu sincero agradecimento. Muito do que foi resgatado até aqui só se tornou possível graças ao interesse, ao incentivo e ao apoio daqueles que acreditam no valor da preservação da memória musical.


domingo, 7 de junho de 2026

Ray Reyes - Minha Música (1986)

O cantor porto-riquenho Ray Reyes (1970–2021) conquistou projeção internacional ao integrar o Menudo entre 1983 e 1985, período em que substituiu Xavier Serbia em uma das fases de maior popularidade do grupo. Sua saída ocorreu ao completar 15 anos, em conformidade com a política de renovação de integrantes adotada pela formação.

Em carreira solo, Ray chegou ao mercado brasileiro através da Philips/PolyGram Discos com o álbum Minha Música, lançado sob o selo de catálogo 829 415-1 (Série Azul). O trabalho incorpora a estética pop predominante da metade dos anos 1980, marcada pelo uso intenso de sintetizadores, teclados eletrônicos e arranjos radiofônicos que equilibram baladas românticas e faixas dançantes.

O repertório do disco também originou uma versão em espanhol lançada em Porto Rico pela Rey Discos sob o título Una Y Otra Vez. A edição reúne adaptações de grande parte das canções presentes no lançamento brasileiro, vertidas para o espanhol por Ray Reyes e Ruco Gandia.

Responsável pela produção integral do álbum, Ruco Gandia também participa como compositor e arranjador em diversas faixas. As gravações aconteceram no Ochoa Recording Studio, em Porto Rico, com engenharia de som creditada apenas a Ronnie.

Os arranjos foram divididos entre Gandia e o músico brasileiro Mario Testoni Jr., reconhecido por sua atuação na banda de rock progressivo Casa das Máquinas e por trabalhos ligados ao pop nacional. A coordenação gráfica ficou sob responsabilidade de Jorge Vianna, enquanto Beto Napole e Rogério Soares assinaram a fotografia e direção visual. A arte final foi desenvolvida pela Via Brasil Publicidade e Promoções Ltda., sob direção geral da Editora Musical Via Brasil.

Faixas:
01. Uma Noite no Hawaí
02. Só Um Dia e Nada Mais
03. Fui Lembrar de Você
04. Tenerte Cerca
05. Quero
06. Alegria de Sonhar
07. A Primeira Vez
08. Lua Cheia de Desejo
09. Eu Fiquei Sem Jeito
09. Eu Fiquei Sem Jeito
10. Com A Cabeça no Ar

Para baixar este álbum em FLAC, clique AQUI.

sábado, 6 de junho de 2026

Banda Contrabanda (1986)

O Banda Contrabanda é mais do que uma coletânea de bandas dos anos 80. Lançado em 1986 pela Polyfar/PolyGram, o álbum acabou se tornando um retrato raro e espontâneo de uma geração que tentava encontrar espaço em meio à explosão do rock brasileiro daquele período.

Enquanto nomes como Legião Urbana, Paralamas do Sucesso, Titãs e RPM dominavam rádios, programas de televisão e grandes gravadoras, o projeto Banda Contrabanda abriu espaço para grupos ainda desconhecidos, vindos principalmente do circuito de festivais, casas noturnas e danceterias do eixo Rio–São Paulo.

O disco nasceu a partir de um concurso realizado na Danceteria Metrópolis, no Rio de Janeiro, em julho de 1986, reunindo bandas que carregavam influências muito diversas: rock, funk, reggae, synthpop, new wave e até traços de MPB urbana. O resultado é um painel curioso da efervescência musical daquele momento, onde conviviam letras existenciais, romances juvenis, críticas sociais e a estética eletrônica típica da década.

Entre os destaques está a vencedora 747, com “Vem Pra Cá”, faixa que traduz bem o espírito pop radiofônico da época, equilibrando romantismo e arranjos modernos. Já o Uns e Outros, segundo colocado do festival, apresentava em “Dois Gumes” uma sonoridade mais densa e urbana, antecipando elementos que mais tarde marcariam a trajetória da banda no cenário alternativo brasileiro.

O encarte do LP – que infelizmente acaba não ganhando o mesmo registro textual em K7 – funciona também como um almanaque histórico. Os textos promocionais exaltam “rock tecnológico”, “superprodução de palco”, “som jovem” e “energia pop”, enquanto as letras falam de solidão, Guerra Fria, paixões intensas, desejos e inseguranças urbanas. Há algo extremamente autêntico aqui: bandas ainda em formação tentando definir identidade própria num período em que o rock nacional vivia sua fase mais comercial e expansiva.

Outro aspecto fascinante do Banda Contrabanda é justamente sua condição de documento de época. Muitas dessas bandas não alcançaram grande projeção nacional, mas o disco preserva um circuito musical que existia paralelamente ao mainstream — feito de festivais, demos, casas noturnas e apostas de gravadoras em busca da “próxima grande banda”.

Revisitar hoje esse álbum é mergulhar também em uma cena musical raramente documentada da década de 80: artistas que ficaram entre o underground e o mercado fonográfico, registrados num vinil que acabou adquirindo valor afetivo, histórico e cult entre colecionadores e pesquisadores do rock brasileiro.

O álbum foi gravado nos Estúdios PolyGram e Transamérica (Rio de Janeiro), com direção artística de Marcelo Castello Branco e coordenação de produção de Maria Helena. O projeto dinada conta com capa da Liber Comunicação e Rodolpho Xavier. O livreto interno contém textos explicando o surgimento de cada banda, apresentação dos músicos das faixas, participações especiais, compositores e, claro, a letra de cada canção. 

Apesar da banda 747 ter vencido o festival, algumas participantes acabaram deixando registros fonográficos rastreáveis antes ou depois do projeto:

  • Oficina de Luz – no ano anterior gravou um álbum pela CID chamado "Rock Sucessos", que como o nome diz, é um álbum que a banda toca covers de sucessos antigos e do momento; 
  • Areia Quente – a banda gravou tão somente uma faixa de nome "Perdão" pelo selo PolyGram, que figurou como tema da novela Mandala em 1987.
  • Uns e Outros – após o festival, a banda ganhou destaque radiofônico com "Dois Gumes" uma sucessão de êxitos fonográficos: os álbuns de estúdio Nós Normais (1987, PolyGram), Uns e Outros (19898, Epic/CBS),  A Terceira Onda (1990, Epic/CBS), Tão Longe do Fim (2002, Seven Music) e Canções Sobre Amor e Ódio (2006, Performance Music/Universal) e o álbum Ao Vivo (2015, Sony Music). 

O trabalho de digitalização e organização desse material ajuda a preservar não apenas um disco raro, mas toda uma atmosfera cultural de um Brasil que descobria novas sonoridades, novos comportamentos e uma juventude cada vez mais conectada à linguagem pop da época. Para isso contei com o apoio cultural de Israel Castro (Campina Grande/PB), que comprou o LP para digitalização e remasterização.

Faixas
01. Vem pra Cá - 747
02. Nunca Disse Que Não - Cilada Mixta
03. Olhar - Logotipo
04. Doce Veneno - Filhos da Pauta
05. Última Geração - Mirage
06. O Mesmo Jogo - Oficina de Luz
07. Dois Gumes - Uns e Outros
08. Louco pra Te Achar - Espiral
09. Tramas - Bugi Gang
10. Pés na Estrada - Areia Quente
11. Vai Fundo - Trânsito Livre
12. Todos os Olhos - Ticket

Para baixar este álbum em FLAC, clique AQUI.

quinta-feira, 4 de junho de 2026

300 mil acessos. Muito obrigado!


Quando o Gazeta do Som foi lançado, em julho de 2024, o objetivo era criar um espaço dedicado à pesquisa, documentação e preservação de informações sobre discos, coletâneas, rádios, gravadoras e lançamentos que marcaram diferentes épocas da música.

Hoje, pouco menos de dois anos depois, o blog alcança a marca de 300 mil acessos.

Mais do que um número, essa conquista representa o interesse de milhares de leitores que acompanham, compartilham e valorizam conteúdos produzidos com dedicação, pesquisa e compromisso com a informação.

Cada visita, comentário, correção, compartilhamento e contribuição ajudou a construir este acervo, que continua crescendo a cada nova publicação.

Meu agradecimento a todos que acompanham o trabalho do Gazeta do Som e acreditam na importância de preservar a história da música, do rádio e da indústria fonográfica.

Que venham os próximos capítulos dessa trajetória.

Em um tempo de conteúdos cada vez mais rápidos e descartáveis, saber que milhares de pessoas dedicam alguns minutos para ler pesquisas e histórias sobre a música que amamos é uma recompensa que não tem preço.

Muito obrigado pelos 300 mil acessos!

Na Sintonia do Amor (2019/2026)


Dia dos Namorados chegando… e eu aqui pensando no que preparar de presente para os tripulantes deste blog — companheiros de jornada musical que têm a sorte de celebrar essa data bem acompanhados. Assim nasceu Na Sintonia do Amor, uma coletânea com 18 temas românticos das FMs dos anos 80 e 90, montada originalmente em 2019 e agora reapresentada por aqui em uma versão renovada e ainda mais especial.

Órfão das fitas K7 e já totalmente rendido ao universo digital, sempre gostei de montar minhas próprias mixtapes. Uma espécie de curadoria afetiva feita sob medida pra mim mesmo. Um hábito que vem desde a adolescência, nas noites embaladas por rádio e programas no estilo Love Songs. Entre uma balada romântica e outra, os programadores sempre encontravam espaço para aquelas pérolas inesperadas, sofisticadas, que davam personalidade à seleção.

Muitas dessas músicas acabaram virando trilha sonora da vida — e também marca registrada de programas como Love Songs, da Cidade FM 96,9; Love Line, da Band FM; Momento de Amor, da Cidade FM Campinas 92,5; e Amor Sem Fim, da Notícia FM 88,5 de Americana. Inspirado por essa atmosfera, montei uma coletânea afetiva com canções que ajudam a contar um pouco dessa era dourada do rádio romântico.

Dedico a seleção ao meu amigo Luizinho Madruga, que foi programador das madrugadas na Vox 90, tendo também passagens pela Você AM e Notícia FM. Gente boníssima, apaixonado por boa música, que sempre garantia indicações especiais, que eu registrava tudo em fitas K7 — entre 1993 e 1997, sua seleção era uma verdadeira aula de sensibilidade. Foi através do Luizinho que conheci "Love Takes Time" e "Miracle". Inclusive, descobri recentemente por meio de um churrasco que eu fui, que o Luizinho, quem eu quis sempre encontrar pessoalmente e conhecer, integra a turma de reencontro do Ginásio Industrial — o GEIA, onde ele e meu pai estudaram.

Fiz uma edição comentava faixa-a-faixa para conhecerem a escolha de cada uma:

01. Midnight - Nikka Costa
A canção integra o álbum "Here I Am ... Yes, It's Me" (1989), lançado no Brasil, bem como a trilha da novela Gente Fina e diversas coletâneas: Super Hot Hits (1990), Amor Sem Fim (1994) e Endless Love Vol. 1 (1995). Quando a cantora ressurgiu adulta com o álbum novo, houve matéria com clipe no Fantástico, relacionando àquela imagem da infância, deixando bem divulgada a nova fase de carreira. A música ficou estourada nas FMs. 

02. She's a Woman - Rokotto
“She’s a Woman” apareceu na coletânea Disco ’82, carregando aquela sofisticação típica das faixas que pareciam existir apenas nas madrugadas do rádio.

03. (You'll Always Be) My Heart and Soul - Stephen Bishop
Outra descoberta veio quase por acaso, navegando pelo Soulseek. Um usuário chamado TJ Themes compartilhava trilhas sonoras raras, e foi assim que encontrei “(You’ll Always Be) My Heart and Soul”, de Stephen Bishop, presente no filme Heart and Souls (Morrendo e Aprendendo). Depois percebi que ela também aparecia em alguns programas de Love Songs. Nunca mais saiu da memória.

04. You're a Special Part of Me - Angela Boffil & Johnny Mathis
No Brasil, a canção foi lançada nos álbuns "Teaser" (Angela Boffil – selo Arista) e "A Special Part of Me" (Johnny Mathis – selo CBS), ambos no ano 1984. Como os programadores eram garimpeiros de material de divulgação, certamente, essa foi pano de fundo de programas românticos. 

05. Making Love - Roberta Flack
“Making Love” marcou presença em coletâneas como Present Hits, Romântico – Namorados e Love Hits Antena 1, tornando-se uma referência romântica na discografia de Roberta Flack. Existe algo nessa canção que provoca exatamente aquela sensação de ficar simplesmente curtindo a música, como quem sonha acordado enquanto ela toca.

06. Without You - Peabo Bryson & Regina Belle
Tem também uma curiosidade deliciosa envolvendo “Without You”, que ganhou versão nacional nas mãos de Cláudio Rabello, com o título “Amor Dividido”, gravada por Rosana. E pensar que os intérpretes da versão original se reencontrariam anos depois para gravar “A Whole New World”, vencedora do Oscar de 1993 por Aladdin.

07. Tell Me - Go West
“Tell Me”, do Go West, nasceu de outra obsessão: a voz fascinante de Peter Cox. “What You Won’t Do For Love já tinha deixado sua marca nas rádios, mas “Tell Me” parecia esconder justamente aquele tipo de sofisticação que programadores musicais adoravam garimpar, aquele sax no início da música é de fisgar qualquer ouvido atento. É a típica faixa que dificilmente vira hit explosivo, mas que funciona perfeitamente em programas românticos — descoberta no momento em que alguém resolve ir além dos singles óbvios e encontrar, dentro do álbum, a música certa para criar atmosfera.

08. Easy for You to Say - Linda Ronstadt
Com “Easy for You To Stay”, o caminho foi parecido. A voz doce da Linda Ronstadt sempre me chamou atenção, principalmente pelos trabalhos em trilhas sonoras e pelo disco ao lado de Aaron Neville. Bastou começar a explorar sua discografia com mais calma para a música aparecer naturalmente — como aquelas faixas que parecem existir num território próprio entre soft rock, romance e madrugada de rádio FM. Está no álbum "Get Closer", lançado em 1982 pelo selo Asylum Records (braço da Geffen Records).

09. For Your Love - Stevie Wonder
E como esquecer “For Your Love”, de Stevie Wonder? A música marcou o retorno do cantor às rádios em 1995, impulsionada pelo álbum Conversation Peace.

10. All of My Life - Phil Collins
“All of My Life”, de Phil Collins, também chega conduzida por aquele sax inconfundível logo na abertura. Embora seja do álbum "... But Seriously" (1989), não foi single de divulgação – não se sabe o motivo –. A música, no entanto, acabou redescoberta e abraçada pela programação da Antena 1 nos anos 2000. Uma preciosidade tardia.

11. Your Light - Celine Dion
“Your Light”, da Celine Dion, entrou na seleção por pura curiosidade de fã. A música apareceu como bônus na edição japonesa de Falling Into You, e justamente por causa dessa mania de explorar versões internacionais, faixas escondidas e discos além do repertório principal, acabei chegando nela. O mais curioso é que ela soa quase deslocada dentro do álbum — como se revelasse uma Celine Dion anterior ao auge comercial que viria logo depois. Existe algo mais contido, mais íntimo e até mais espontâneo ali. Talvez seja justamente isso que faça a faixa carregar tão bem aquele clima de programação romântica de FM: ela parece descoberta, não planejada para virar um grande momento do disco.

12. Love Takes Time - Mariah Carey
“Love Takes Time” faz parte do álbum de estreia de Mariah Carey e rapidamente encontrou espaço nas programações românticas das FMs no início dos anos 90, mas que só tomei conhecimento através do programador Luizinho, quando no auge do álbum Music Box (1993), terceiro álbum da cantora. Nesta seleção, aparece na prensagem brasileira da CBS Discos, gentilmente cedida por Douglas Alegre, de Cabo Frio/RJ.

13. I Need You - Paul Carrack
“I Need You”, do Paul Carrack, é um daqueles casos em que a intuição veio antes da confirmação no rádio. Descobri a faixa mergulhando na discografia dele por causa da familiaridade imediata com o universo de Mike & The Mechanics — aquela voz médio-grave, elegante e emocional que parece feita sob medida para canções noturnas. Mesmo sendo uma música de 1982 e praticamente esquecida por aqui durante décadas, ela carregava exatamente o clima das programações românticas adulto-contemporâneas. Anos depois, quando a Antena 1 finalmente passou a incluí-la na programação, veio quase aquela sensação silenciosa de “eu sabia”.

14. Till I See You Again - Gladys Knight & The Pips
A canção pertence ao álbum "Life", que não foi lançado no Brasil – muito menos em promos com a canção não sei por qual razão –, é uma super balada que foi redescoberta pelos programadores de rádio a partir da década de 90, saindo em compilações da artista. É considerada um dos maiores "coringas" da programação da Antena 1.

15. Soul Kiss - Olivia Newton-John
Outro caso curioso é “Soul Kiss”, de Olivia Newton-John. A faixa teve ótima circulação nas coletâneas Som Maior Internacional e 6+6, ganhou espaço nas rádios adulto-contemporâneas e segue viva até hoje nas programações do gênero. O álbum, porém, não alcançou o sucesso esperado. Aqui, entrou a versão Single 7’’ Edit.

16. Swear to Your Heart - Russell Hitchcock
Que história peculiar — e até engraçada — envolvendo “Swear to Your Heart”, também conhecida como “Caught in Your Web”! O duplo lançamento da faixa acabou gerando certa confusão comercial, alternando título principal e subtítulo conforme a edição. A música, composta por Diane Warren para o filme de terror de Aracnofobia (1990),  que integra a breve carreira solo de Russell Hitchcock, tenor do Air Supply. Toca nos créditos finais do filme e, curiosamente, também encontrou espaço nas FMs românticas da época.

17. Miracle - Whitney Houston
Conheci esta também por meio de indicação do programador Luizinho, que me indicou como presente no álbum "da moto" – referindo-se ao I'm Your Baby Tonight – da cantora, sendo o 5º single de divulgação do álbum, que ocorreu em 1991. Há uma versão editada, mas as rádios locais por aqui tocavam a versão álbum de quase 6 minutos. Aqui ela está em mixagem alternativa, com realce de elementos de programação eletrônica e vocais de apoio adicionais da própria Whitney, uma cortesía por Israel Castro (Campina Grande/PB).

18. Three of a Kind - Kenny G
Não posso deixar de mencionar "Three of a Kind", do Kenny G, presente no álbum Duotones (1986). Ela foi durante anos usada como background no programa Amor Sem Fim da Notícia FM. É com ela que encerro esta seleção.

As faixas “She’s a Woman”, do Rokotto, “Making Love”, de Roberta Flack, e “Easy for You to Stay” e “I Need You”, de Paul Carrack, receberam um tratamento especial para redução de ruído residual usando o MVSep DeNoise by aufree33. 

Para baixar esta coletânea em FLAC, clique AQUI.

quarta-feira, 3 de junho de 2026

Clube FM 100,5 - Hits Ano Dez (1989)

Em 1989, consolidada na audiência da cidade de Ribeirão Preto, a Clube FM lançou o LP "Clube FM 100,5 - Hits Ano Dez" em comemoração ao 10º ano.

Mas espera aí... se a emissora surgiu em 1976, não seriam 13 anos? Explico!

Surgida em 1976 como a primeira emissora de rádio FM de Ribeirão Preto, a Clube FM foi vendida em 1979 por seu fundador, Ticiano Mazzeto, aos irmãos José Inácio e Paulo de Tarso Pizani. A negociação deu origem ao Sistema Clube de Comunicação. Dessa forma, embora a emissora já acumulasse 13 anos de existência em 1989, o LP celebrava os 10 anos do grupo de comunicação surgido a partir da aquisição da rádio pelos irmãos Pizani.

Para os ouvintes de Ribeirão Preto, o LP representa não apenas um marco comemorativo, mas também um recorte da programação musical que ajudou a consolidar a identidade da emissora no ano de 1989. No entanto, o disco não foi a única ação promocional realizada pela Clube FM. 

No mesmo período, a Clube FM também lançou o Tema de Verão 90 (This Generation) em Single Promo 12”, prensado pela CBS e distribuído aos ouvintes por meio de promoções e sorteios, permitindo que levassem para casa o jingle que marcou a programação daquele verão.

A estratégia foi complementada pelo Picture Disc "The Sound of Lovers", igualmente destinado à distribuição promocional. Contendo o single "From Now On", de Michael Bolton e Suzie Benson, o disco trazia a identidade visual da emissora aplicada ao próprio vinil, transformando um lançamento fonográfico internacional em uma peça comemorativa ligada ao universo da Clube FM.


Dessa forma, além de acompanhar a emissora pelas ondas do rádio, os ouvintes podiam levar para casa lembranças físicas de campanhas e promoções que marcaram aquele período da programação. 

Há ainda uma curiosidade adicional. Embora o repertório corresponda, na prática, ao mesmo conjunto de faixas presente no álbum "Hot Parade 2", lançado pela EPIC/CBS em 1989, a edição da Clube FM confere ao material um contexto completamente diferente. Enquanto o lançamento comercial integrava uma série de compilações, o disco da emissora transformava aquela mesma seleção musical em um registro ligado à história da rádio, permitindo que o ouvinte levasse para casa uma lembrança daquele momento específico da programação da Clube FM.

A coletânea conta com seleção de repertório de Kid Cabeleira e Carlos Townsend – o mesmo que assina Hot Parade 2 –, montagem de Pedrinho e corte de Elio Gomes. A capa foi desenvolvida por Jonathan e Marlene com ilustração de Wagner Bienvenido.

Enquanto a arte do Hot Parade 2 utiliza objetos associados ao cotidiano e ao lazer do público jovem, a capa da Clube FM incorpora elementos visuais diretamente relacionados à identidade da emissora, como o logotipo, a transmissão radiofônica e referências gráficas à música.

Na minha avaliação, a solução adotada pela Clube FM resultou em uma peça visualmente mais marcante e representativa da proposta do lançamento e acabou ultrapassando os limites da distribuição local. Marco Botta relata que a coletânea comemorativa teve 35.000 exemplares fabricados, entre LPs e fitas cassete. "Todos esgotados". Décadas depois, exemplares ainda aparecem ocasionalmente no mercado de colecionadores, evidenciando a circulação e a preservação do material entre os ouvintes.

Nesta publicação, faremos mais do que uma remasterização do LP Hits Ano Dez. Incluiremos também, como faixas bônus, "From Now On", de Michael Bolton & Suzie Benson, e "This Generation", de Ivana Spagna — versão original que serviu de base para o Tema de Verão 90.

Faixas:
01. Eternal Flame - Bangles
02. Nothin (That Compares 2 U) - The Jacksons
03. Toy Soldiers - Martika
04. Cuddly Toy - Roachford
05. Where Are You Now? - Jimmy Harnen
06. Do Wah Diddy - 2 Live Crew
07. Kissing A Fool - George Michael
08. Djobi, Djoba - Gipsy Kings
09. I'll Be Loving You (Forever) - New Kids On The Block
10. Voices Of Babylon - The Outfield
11. Shower Me With Your Love - Surface
12. Cult Of Personality - Living Colour
13. From Now On (The Sound Of Lovers) - Michael Bolton & Suzi Benson
14. This Generation (Remix Edit) - Spagna

Para baixar esta coletânea em FLAC, clique AQUI.