quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Bee Gees - Bee Gees Mix (1987)

Produzido pela PolyGram em 1987 para divulgação da coletânea Love Hits, dos Bee Gees, este LP promocional traz duas sequências exclusivas preparadas pelo DJ Marcelo “Memê” Mansur, responsável pela produção, mixagem e masterização do material.

Diferentemente de simplesmente reproduzir faixas da coletânea, o disco apresenta o repertório em dois medleys especialmente editados para o formato promocional. No primeiro lado está “The Bee Gees Megamix”, reunindo seis músicas do grupo em uma única sequência. No outro, “The Bee Gees Memix” — título que brinca com o apelido de Memê — apresenta mais seis canções costuradas em uma segunda mixagem.

O resultado é um registro bastante particular da divulgação de Love Hits e também do trabalho desenvolvido por Marcelo “Memê” Mansur para a PolyGram naquele período, quando discos promocionais preparados especialmente para emissoras de rádio e DJs permitiam apresentar o repertório dos artistas em edições que não faziam parte dos álbuns comerciais.

Em 25/03/2025, produzi a remasterização deste disco utilizando a agulha Ortofon Concorde Mix, obtendo um resultado de áudio incrível e marcante. Agora, em 25/08/2026, revisitei o trabalho, acrescentando uma etapa de limpeza com o MVSep DeNoise Standard, além de uma nova equalização e da remoção de alguns estalinhos pontuais que ainda haviam permanecido na gravação.

Faixas

01. The Bee Gees Megamix
Produzido por DJ Memê

Love So Right / Too Much Heaven / Fanny (Be Tender With My Love) / Love You Inside Out / You Stepped Into My Life / How Deep Is Your Love

02. The Bee Gees Memix
Produzido por DJ Memê

I Started a Joke / I Still Love You / (Our Love) Don't Throw It All Away / Reaching Out / Someone Belong to Someone / How Can You Mend a Broken Heart


Para baixar este Promocional em FLAC, clique AQUI

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Ponto e Vírgula - Aquela Velha História (1980)

Ponto e Vírgula foi um projeto musical surgido na década de 1970, tendo entre seus integrantes Tukley, nome artístico do paranaense Tuclay Ganzert, natural de Tomazina/PR, e o cantor e compositor Marcelo Fasolo, natural de Santo Ângelo/RS.

A trajetória do Ponto e Vírgula passou por diferentes formações ao longo daquela década. Tukley e Marcelo Fasolo estiveram juntos na fase que revelou “Chacrilongo”, enquanto posteriormente o projeto também contou com a participação de Lu Stopa. Entre as músicas associadas ao Ponto e Vírgula está “Laiká Nóis Laika (Mas Money Que É Good Nóis Não Have)”, cuja irreverente mistura de português e inglês acabou sendo lembrada muitos anos depois pela expressão “money que é good nóis não have”, popularizada pelos Mamonas Assassinas na música “1406”.

A história conhecida do Ponto e Vírgula costuma se concentrar nesses registros dos anos 1970. No entanto, um compacto duplo lançado pela Continental em 1980 revela que o projeto teve continuidade sem Tukley, permanecendo diretamente ligado a Marcelo Fasolo.

Nesse disco, Fasolo assina três das quatro músicas: “Deixe Dessa Frescura”, “Bole Bole” e “Rita Lee”. A única exceção é “Aquela Velha História”, composta por Cláudia.

A capa do compacto registra Marcelo Fasolo ao lado de uma cantora loira, cuja identidade não é informada no disco. Entre os créditos, chama atenção justamente o nome de Cláudia, que aparece apenas como autora de “Aquela Velha História”.

Até o fechamento desta publicação, o Gazeta do Som procurou contato com Marcelo Fasolo na tentativa de esclarecer quem era sua parceira no Ponto e Vírgula nessa fase, já que Tukley havia seguido por outra vereda musical, que incluiu trabalhos ao lado de Raul Seixas.

As gravações contaram com a participação do Conjunto Placa Luminosa, com Ari (baixo), Riba Nascimento (guitarra), Jota Resende (teclados), Luiz Gadelha (percussão e bateria) e Mário Lúcio Marques (sax). Mário Lúcio teve participação especialmente importante no projeto, assinando também os arranjos, a regência e a mixagem, além de dividir a produção com Marcelo Fasolo. Na função de produtor, aparece creditado pelo apelido “Pé de Louro”.

Participaram ainda Pique Riverte no acordeon e sax, T. Maia na percussão e Marco, Bisa e Rosana nos vocais.

Entre as faixas, chama atenção “Rita Lee”, homenagem de Marcelo Fasolo à cantora e compositora. A letra faz diversas referências ao repertório de Rita, enquanto o arranjo segue uma linha de rock próxima à sonoridade que marcou parte de sua carreira nos anos 1970.

Alguns detalhes curiosos cercam os créditos do disco. O misterioso “T. Maia”, indicado na percussão, trata-se de Tim Maia, embora a ficha técnica do compacto apresente apenas a forma abreviada de seu nome. Já os vocalistas creditados simplesmente como Marco, Bisa e Rosana são, respectivamente, Marku Ribas, Bisa Nascimento — irmã de Riba Nascimento — e Rosana Fiengo, que anos mais tarde alcançaria projeção nacional com “O Amor e o Poder (The Power of Love)”.

O compacto de 1980 torna-se especialmente interessante por documentar uma fase pouco conhecida do Ponto e Vírgula: já sem Tukley, mas com Marcelo Fasolo dando continuidade ao projeto, agora acompanhado em estúdio pelos músicos do Placa Luminosa.

O comerciante de discos e DJ de Sumaré, Charles Portilho, cedeu o compacto para a remasterização, realizada ainda em 2025. A captura foi feita com agulha Shure M44G, seguida de limpeza de estalos e ruído residual, além de uma boa equalizada nos graves, médios e agudos. Não espere milagre, é um compacto da Continental!

Faixas:
01. Aquela Velha História
02. Deixe Dessa Frescura
03. Bole Bole
04. Rita Lee

Para baixar o compacto em FLAC, clique AQUI.

Truke - Dá Um Break/ Vai Girar (1984)

O Truke foi formado no Rio de Janeiro, em julho de 1983, reunindo músicos que já haviam passado por outros grupos e trabalhos: Ari Mendes (guitarra; ex-Veludo e ex-Ney Matogrosso), Cândido Soza (bateria; ex-Vimana e ex-Fagner), Ricardo Mará (baixo; ex-Semente e ex-Leo Jaime) e Rony Vanilla (vocalista, ator, poeta e dançarino).

A banda deixou registrado um compacto simples com duas faixas. No lado A, “Dá Um Break” segue uma linha dançante próxima do breakbeat, com influências do funk norte-americano e do rhythm and blues. No lado B, “Vai Girar” se aproxima da new wave, gênero bastante presente no rock daquele período. O compacto acaba reunindo, assim, duas vertentes que estavam em evidência na primeira metade dos anos 1980. Curiosiamente, esta faixa aparece na coletânea "Radio Cidade Danceteria", lançada pela Rádio Cidade do Rio de Janeiro em 1984.

Antes do fim da banda, o Truke participou, em 1985, da coletânea Rock In Brazil, lançada pela RCA, com a faixa exclusiva “Franco Atirador”. Essa coletânea também se encontra disponível neste blog.

O compacto foi digitalizado e remasterizado em 19 de abril de 2025, com uso de agulha Shure M44G. Em 25 de agosto de 2026, o arquivo obtido naquela captura foi revisitado, recebendo uma nova etapa de limpeza com o MVSep DeNoise, além de reequalização do áudio.

Esta publicação foi possível graças à cessão do compacto pertencente ao acervo particular do amigo Charles Portilho, da 019 Discos, de Nova Odessa/SP, a quem deixo meu agradecimento pelo apoio.

Para comprar LPs pela loja na internet, clique AQUI.

Para baixar o compacto em FLAC, clique AQUI.

Zenith - Zenith (1989)


Formado no início dos anos 1980 em Mogi Guaçu/SP, o Zenith desenvolveu um repertório próprio, com letras em português e uma sonoridade ligada ao hard rock, A.O.R. e rock progressivo.

A formação mais conhecida reuniu Rogério Nogueira (vocal), Dé Vasconcellos (guitarra), Marcus V. Lima (baixo), Hamilton Lima (bateria) e, posteriormente, Zuza (teclados).

Entre 1984 e 1985, Rogério afastou-se temporariamente do grupo e foi substituído por Beto Cruz. Durante sua passagem pelo Zenith, Beto compôs e ensaiou quatro músicas com a banda, duas em português e duas em inglês. Entre elas estavam “Change My Evil Ways” e “Solange”, posteriormente retomadas pelo músico em seu trabalho com A Chave do Sol. “Solange” seria gravada no álbum The Key, de 1987.

Há ainda outra ligação entre as duas bandas: Dé Vasconcellos é José Carlos Vasconcelos, guitarrista creditado no álbum The Key.

Com o retorno de Rogério Nogueira, o Zenith seguiu com sua formação e, em 1989, lançou seu álbum homônimo pela Eldorado. O disco teve direção artística de Antonio Duncan e produção de Luiz Carlos Maluly, produtor que também trabalhou com nomes como Rádio Táxi, Tokyo e Ultraje a Rigor.

Uma das músicas de trabalho do álbum foi “Doce Mãe”. Segundo Rogério, a letra utilizava a figura da “mãe” como uma metáfora para o Brasil — um país vendido, explorado e ferido. A música teve circulação nas rádios do interior paulista e é lembrada pelo radialista Edmilson Pinheiro, de Ibitinga/SP, pela repercussão que alcançou nas FMs da região naquele período.

O repertório traz ainda faixas como “Asas”, “Dia-a-Dia” e “Spotlights”. Esta última tem origem justamente no período em que Beto Cruz integrou o Zenith: trata-se de uma versão em português de “Change My Evil Ways”, composta por Dé Vasconcellos e Beto Cruz. Por essa razão, Roberto da Silva Cruz (Beto Cruz) aparece entre os compositores da faixa no LP.

O álbum chega ao CD

Em julho de 2025, o selo Classic Rock Records lançou oficialmente Zenith em CD pela primeira vez, com remasterização realizada no Studio Mosh, em São Paulo. O lançamento aconteceu pouco depois de o álbum completar 35 anos, em 2024, colocando novamente em circulação um trabalho que até então permanecia restrito ao LP original.

A remasterização apresentada nesta publicação, porém, não utiliza o áudio desse CD. Trata-se de um trabalho alternativo, realizado diretamente a partir do LP original de 1989, capturado com agulha Shure M44G. O áudio extraído do vinil foi posteriormente tratado em 13/07/2025 para redução de estalos e outras interferências próprias da reprodução analógica, procurando preservar as características sonoras do registro disponível no LP. Mais de um ano depois, revisitamos este áudio para aplicar uma camada de limpeza de áudio no MVSep DeNoise.

Dessa forma, ficam disponíveis duas referências distintas do álbum: a remasterização oficial lançada em CD, realizada pelo Studio Mosh, e esta recuperação independente feita a partir do LP.

Fica registrado meu agradecimento especial a Charles Portilho, da 019 Discos, de Nova Odessa/SP, pelo apoio cultural dado a esta publicação.

Quem quiser conhecer a loja pode encontrá-la na Rodoviária de Nova Odessa. Às quintas-feiras, o espaço permanece aberto até as 22h, acompanhando o horário da tradicional feira noturna realizada no local. Para compras on-line, acesse o site AQUI.

Faixas: 
01. Dama da Escuridão
02. Doce Mãe
03. Estrelas Foscas
04. Asas
05. Spotlights
06. Dia a Dia
07. Muros
08. Curvas de Um Rio

Para baixar o album em FLAC, clique AQUI.

Faffy - Sabotagem/ Frescuras (1981)

Fafy Siqueira, nome artístico de Fátima de Figueiredo, nasceu na Tijuca, no Rio de Janeiro, em 17 de outubro de 1954. Atriz, humorista, imitadora, cantora, compositora e produtora, tornou-se conhecida pela versatilidade de sua carreira, com trabalhos no teatro, na televisão, no cinema e também na música.

Na televisão, destacou-se especialmente na comédia, participando de programas como Escolinha do Professor Raimundo e Zorra Total, além de integrar o elenco de novelas como Hipertensão, Mandala, Quem É Você?, Zazá, Cobras & Lagartos e Sangue Bom. No cinema, tornou-se conhecida também pelo público infantojuvenil como a governanta Dona Sofia, em Sonho de Verão, filme que ganhou grande exposição com suas reprises na Sessão da Tarde, da TV Globo.

Na música, após o álbum Posso Falar?, lançado em 1979 pela CBS, Fafy participou, em 1981, do Festival Shell de Música Popular Brasileira com “Sabotagem”, composição de sua autoria em parceria com Fhernanda Fernandes. Embora a canção não tenha chegado às semifinais, naquele mesmo ano a cantora lançou pela RGE um compacto simples contendo “Sabotagem” e “Frescuras”, esta última composta por Fafy em parceria com Sandra Sá.

As duas faixas do compacto foram remasterizadas a partir do vinil com o uso de agulha Shure M44G. Agora em agosto de 2026, os áudios ganham uma camada de limpeza de ruídos residuais com aporte do MVSep DeNoise.

Mais uma vez, deixo meu agradecimento especial pelo apoio cultural a esta publicação ao amigo Charles Portilho, proprietário da 019 Discos, em Nova Odessa. A loja fica na Rua Rio Branco, 698, Centro, Nova Odessa/SP, CEP 13380-003. Para comprar on-line, clique AQUI.

Para baixar o compacto em FLAC (Lossless), clique AQUI.

Quando preservar a música vira responsabilidade de ninguém

De tempos em tempos, quando se fala sobre discos antigos que continuam fora das plataformas digitais, álbuns disponibilizados de maneira incompleta ou gravações que chegam ao streaming sem qualquer cuidado aparente, surge a mesma crítica: “o artista deveria cuidar melhor da própria obra.”

Só que essa discussão já começa pelo lugar errado.

É muito fácil atribuir ao artista a responsabilidade pela preservação de um catálogo construído dentro de uma indústria que, durante décadas, concentrou gravações, masters, contratos, fabricação e distribuição nas mãos das gravadoras. E mesmo hoje, quando o mercado mudou completamente, colocar um álbum antigo nas plataformas não significa simplesmente encontrar uma fita, apertar um botão e enviá-la para uma agregadora.

Existe um trabalho no meio desse caminho.

Digitalizar uma fonte analógica, localizar a melhor master disponível, avaliar seu estado, restaurar quando necessário, corrigir problemas e preparar tecnicamente o áudio para uma nova publicação exige conhecimento e equipamento. É trabalho para profissionais especializados, especialmente engenheiros de áudio. Nem todo músico domina esse processo — e não existe motivo para presumir que deveria dominar.

Eu mesmo trabalho com recuperação e tratamento de áudio por hobby e não me apresento como engenheiro de áudio. Quanto mais se conhece esse processo, mais evidente fica que existe um caminho técnico, demorado e muitas vezes caro entre possuir uma gravação e ter uma master adequadamente preparada para publicação.

Do outro lado estão as gravadoras.

Hoje, o mercado fonográfico está fortemente orientado para distribuição digital, volume de reproduções e arrecadação de royalties. Dentro dessa lógica, recuperar cuidadosamente um álbum antigo, principalmente aquele de menor potencial comercial, nem sempre parece justificar investimento. Se existe uma master pronta para ser colocada no catálogo, ótimo. Ela entra no sistema. Quando não existe — ou quando a fonte disponível necessita de restauração — a qualidade pode acabar ficando no último plano.

Também não se pode esquecer da questão econômica.

Quando uma gravadora disponibiliza uma obra cujo fonograma está sob seu controle, o artista participa da remuneração conforme os contratos e direitos envolvidos. Quando o próprio artista tenta assumir a distribuição de determinado material, aparece outro universo: agregadoras, titularidade dos fonogramas, custos de preparação, acesso às fontes, documentação e divisão das receitas.

Portanto, a pergunta talvez não devesse ser “por que esse artista não cuidou da própria obra?”

Talvez devêssemos perguntar: quem possui essa obra, quem possui a master, quem pode explorá-la comercialmente e para quem seria economicamente interessante investir na sua recuperação?

São perguntas muito diferentes.

E ajudam a explicar por que tantos trabalhos permanecem no limbo: alguns incompletos nas plataformas, outros disponíveis a partir de fontes questionáveis e muitos simplesmente inexistentes no catálogo digital.

É justamente nesse espaço que surgem iniciativas de colecionadores, pesquisadores e entusiastas.

Não porque pretendam substituir gravadoras, engenheiros de áudio ou os próprios artistas. Muito menos porque possuam estrutura equivalente à de um estúdio profissional. Muitas vezes é simplesmente alguém diante de um LP, uma boa cápsula, equipamentos, softwares e disposição para gastar horas tentando recuperar uma gravação que a indústria deixou para trás.

É importante também estabelecer essa diferença: o que fazemos aqui é hobby.

Não existe a pretensão de assumir o papel de uma gravadora nem de transformar esse trabalho em exploração comercial de catálogo alheio. A proposta é outra: recuperar, pesquisar, contextualizar e compartilhar gratuitamente músicas e discos pelos quais existe interesse histórico, afetivo ou simplesmente musical.

Talvez por isso seja tão cansativo transformar toda discussão sobre um álbum ausente em julgamento sobre quem “se importou” ou “não se importou” com determinada obra.

A situação é muito mais complexa.

Às vezes o artista se importa e não possui a master. Às vezes possui material, mas não dispõe dos recursos técnicos necessários. Às vezes os direitos pertencem a terceiros. Às vezes a gravadora possui a gravação, mas não enxerga retorno em recuperá-la. E às vezes ninguém sequer sabe ao certo onde foi parar a melhor fonte daquele fonograma.

No final, sobra uma contradição curiosa do nosso tempo: nunca foi tão fácil distribuir música e, ao mesmo tempo, parte considerável da história da música gravada continua dependendo de alguém se importar o suficiente para preservá-la.

É exatamente aí que começa o nosso trabalho.


terça-feira, 25 de agosto de 2026

Paula Fernandes - 2 Em 1 (2026)

 

Prestes a completar 42 anos, em 28 de agosto de 2026, e 33 anos de carreira, iniciada com o lançamento de seu primeiro LP, a cantora Paula Fernandes de Souza, mais conhecida como Paula Fernandes, natural de Sete Lagoas/MG, finalmente disponibilizou nas plataformas digitais alguns dos trabalhos que ainda faltavam chegar ao conhecimento do grande público.

A cantora parece viver um verdadeiro turbilhão de emoções ao revisitar uma parte da própria carreira que permaneceu durante décadas no limbo, recuperando gravações de diferentes fases de sua formação artística e permitindo que o público conheça uma trajetória muito anterior àquela que a consagrou nacionalmente.

Somente em agosto, a cantora lançou em formato de EP uma versão remasterizada do álbum que gravou aos 9 anos de idade.

Também chegou às plataformas “Voarei”, ou pelo menos parte do álbum que Paula lançou em 1995, aos 11 anos, sob o nome artístico de Ana Rayo, pelo selo MCK. O nome, aliás, foi adotado na esteira do grande sucesso da novela A História de Ana Raio e Zé Trovão, exibida pela TV Manchete.

A Jeito de Mato, editora de Paula Fernandes, disponibilizou o trabalho nas plataformas digitais, mas ficaram de fora as faixas “Peão de Boiadeiro”, de Paula Fernandes e Diogo Angélica, com locução de Serginho Viola, e “Você Me Faz Bem”, de Carlos Randall e Jefferson Farias.

Como se não bastasse, o público ainda foi surpreendido com a chegada de gravações do álbum que Paula Fernandes realizou aos 17 anos, pelo selo Number One, de Eduardo Araújo, cujo catálogo privilegiava uma vertente sertaneja bastante ligada à country music. Foram disponibilizadas nove faixas, em lançamento mundial pela Universal Music, que adquiriu os direitos para essa edição.

Nesse caso, porém, permanece um mistério. Como o público praticamente não teve acesso ao CD na época, pouco se conhece sobre sua configuração original. Sabe-se que, em 2001, “Quem É o Cara?” e “Fotografia” chegaram a ser lançadas em um single promocional pela Number One, mas são escassos os vestígios do álbum completo. É possível que existam outras faixas e que elas não tenham integrado o lançamento atual por questões relacionadas aos direitos de publicação, mas, sem informações oficiais, isso permanece apenas como hipótese.

É um feito e tanto. Victor & Leo, por exemplo, também possuem dois álbuns lançados pela Number One, mas esses trabalhos continuam fora das plataformas digitais. No caso de Paula Fernandes, o público vinha pedindo justamente o resgate dessas gravações antigas — e foi atendido. É um passo importante para revelar uma fase de sua carreira que permaneceu durante décadas praticamente desconhecida.

Afinal, para grande parte do público, a trajetória anterior de Paula Fernandes só começou a ganhar visibilidade nacional com “Dust in the Wind”, versão de inspiração celta incluída na trilha da novela Páginas da Vida.

E há ainda uma curiosidade: o público poderá ouvir uma primeira versão de “Não Precisa”, canção que seria registrada oficialmente ao vivo em 2011, e perceber como a Paula Fernandes daquela fase apresentava uma interpretação bastante próxima da estética vocal de Sandy, cantora que ela própria já apontou como uma de suas referências. A semelhança, especialmente em alguns momentos da interpretação, chama bastante a atenção.

Como forma de comemorar esses lançamentos e considerando a quantidade de faixas disponibilizadas, compilei em um 2 em 1 os dois trabalhos que compreendem a fase adolescente de Paula Fernandes: “Voarei”, lançado em 1995, quando tinha 11 anos, e “Quem É o Cara?”, gravado aos 17 anos e do qual se conhecem registros lançados em 2001. A proposta é reunir dois momentos distintos dessa fase inicial e acompanhar também seu amadurecimento vocal durante a adolescência, especialmente no segundo trabalho, em que sua interpretação já se aproxima muito mais do registro que marcaria sua carreira adulta.

Nas faixas que ficaram de fora da remasterização disponibilizada pela Universal Music, realizei um trabalho de recuperação tonal a partir dos arquivos de uma edição que circulou de forma não oficial em 2024, ainda sob o pseudônimo Ana Rayo e, ao que consta, sem a participação ou ciência da cantora. O tratamento permitiu recuperar essas gravações e reuni-las às demais faixas neste projeto, preservando da melhor forma possível as características do material disponível.

Faixas:
01. Voarei
02. Peão de Boiadeiro
03. Você Me Faz Bem
04. O Boxeador (The Boxer)
05. Amar, Te Amar e Te Amar
06. Sanfona Chora
07. A Voz do Silêncio
08. Me Leva Contigo
09. Sonho Sem Fim
10. Tô Saindo Fora
11. Quem É o Cara?
12. Fotografia
13. Feito Dois Anjos
14. Baby
15. Não Precisa
16. Miragem
17. Será Que É Paixão
18. Depois de Amar
19. Me Telefona

Para baixar esta coletânea em FLAC, clique AQUI.