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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Ponto e Vírgula - Aquela Velha História (1980)

Ponto e Vírgula foi um projeto musical surgido na década de 1970, tendo entre seus integrantes Tukley, nome artístico do paranaense Tuclay Ganzert, natural de Tomazina/PR, e o cantor e compositor Marcelo Fasolo, natural de Santo Ângelo/RS.

A trajetória do Ponto e Vírgula passou por diferentes formações ao longo daquela década. Tukley e Marcelo Fasolo estiveram juntos na fase que revelou “Chacrilongo”, enquanto posteriormente o projeto também contou com a participação de Lu Stopa. Entre as músicas associadas ao Ponto e Vírgula está “Laiká Nóis Laika (Mas Money Que É Good Nóis Não Have)”, cuja irreverente mistura de português e inglês acabou sendo lembrada muitos anos depois pela expressão “money que é good nóis não have”, popularizada pelos Mamonas Assassinas na música “1406”.

A história conhecida do Ponto e Vírgula costuma se concentrar nesses registros dos anos 1970. No entanto, um compacto duplo lançado pela Continental em 1980 revela que o projeto teve continuidade sem Tukley, permanecendo diretamente ligado a Marcelo Fasolo.

Nesse disco, Fasolo assina três das quatro músicas: “Deixe Dessa Frescura”, “Bole Bole” e “Rita Lee”. A única exceção é “Aquela Velha História”, composta por Cláudia.

A capa do compacto registra Marcelo Fasolo ao lado de uma cantora loira, cuja identidade não é informada no disco. Entre os créditos, chama atenção justamente o nome de Cláudia, que aparece apenas como autora de “Aquela Velha História”.

Até o fechamento desta publicação, o Gazeta do Som procurou contato com Marcelo Fasolo na tentativa de esclarecer quem era sua parceira no Ponto e Vírgula nessa fase, já que Tukley havia seguido por outra vereda musical, que incluiu trabalhos ao lado de Raul Seixas.

As gravações contaram com a participação do Conjunto Placa Luminosa, com Ari (baixo), Riba Nascimento (guitarra), Jota Resende (teclados), Luiz Gadelha (percussão e bateria) e Mário Lúcio Marques (sax). Mário Lúcio teve participação especialmente importante no projeto, assinando também os arranjos, a regência e a mixagem, além de dividir a produção com Marcelo Fasolo. Na função de produtor, aparece creditado pelo apelido “Pé de Louro”.

Participaram ainda Pique Riverte no acordeon e sax, T. Maia na percussão e Marco, Bisa e Rosana nos vocais.

Entre as faixas, chama atenção “Rita Lee”, homenagem de Marcelo Fasolo à cantora e compositora. A letra faz diversas referências ao repertório de Rita, enquanto o arranjo segue uma linha de rock próxima à sonoridade que marcou parte de sua carreira nos anos 1970.

Alguns detalhes curiosos cercam os créditos do disco. O misterioso “T. Maia”, indicado na percussão, trata-se de Tim Maia, embora a ficha técnica do compacto apresente apenas a forma abreviada de seu nome. Já os vocalistas creditados simplesmente como Marco, Bisa e Rosana são, respectivamente, Marku Ribas, Bisa Nascimento — irmã de Riba Nascimento — e Rosana Fiengo, que anos mais tarde alcançaria projeção nacional com “O Amor e o Poder (The Power of Love)”.

O compacto de 1980 torna-se especialmente interessante por documentar uma fase pouco conhecida do Ponto e Vírgula: já sem Tukley, mas com Marcelo Fasolo dando continuidade ao projeto, agora acompanhado em estúdio pelos músicos do Placa Luminosa.

O comerciante de discos e DJ de Sumaré, Charles Portilho, cedeu o compacto para a remasterização, realizada ainda em 2025. A captura foi feita com agulha Shure M44G, seguida de limpeza de estalos e ruído residual, além de uma boa equalizada nos graves, médios e agudos. Não espere milagre, é um compacto da Continental!

Faixas:
01. Aquela Velha História
02. Deixe Dessa Frescura
03. Bole Bole
04. Rita Lee

Para baixar o compacto em FLAC, clique AQUI.

domingo, 26 de julho de 2026

João Caetano - João Caetano (1988)

Entre a Medicina e a música, João Caetano construiu uma trajetória pouco comum na canção brasileira. Enquanto exercia a profissão de cardiologista, desenvolvia paralelamente uma carreira artística que, ao longo de mais de cinco décadas, reuniu festivais, discos, trilhas de novelas e parcerias importantes da MPB.

Nascido em 1952, em uma fazenda no interior de Goiás, passou parte da infância na Cidade de Goiás, onde teve os primeiros contatos com a tradição musical da antiga capital. Ainda adolescente, participou das serenatas que animavam as ruas históricas da cidade e, pouco depois, mudou-se para Goiânia. A efervescência cultural da capital goiana abriu espaço para uma intensa participação em festivais estudantis, ambiente que se tornaria decisivo para sua formação como compositor.

Foi nesse circuito que João conheceu Otávio Daher, o Tavinho (1950–2024), parceiro de longa data. Em 1972, a dupla venceu o Festival Universitário com a canção "Roda Gigante", conquista que representou o primeiro reconhecimento expressivo de seu trabalho autoral. Dois anos depois, a música seria lançada em compacto simples pelo selo Fermata, marcando a estreia fonográfica do artista.

Embora a carreira musical avançasse, João não abandonou a formação acadêmica. Graduou-se em Medicina em 1977 e especializou-se em Cardiologia, conciliando durante muitos anos a rotina profissional com a atividade artística. A música, entretanto, continuava ocupando espaço cada vez maior em sua vida.

Em 1980, lançou seu primeiro álbum pela Gravações Elétricas S.A., trabalho dirigido e arranjado por Ivan Lins. O disco ampliou a visibilidade conquistada nos festivais e consolidou uma parceria artística que voltaria a se repetir anos depois.

O grande salto da carreira de João Caetano veio em 1988. Lançado pela Continental, seu segundo álbum — com direção artística de Ivan Lins e direção executiva de Vitor Martins — foi que levou suas interpretações para as trilhas sonoras da televisão brasileira.

Foi dele que saíram "Guardião", tema da novela Direito de Amar; "Pedaços", incluída na trilha de Fera Radical; e "Tá na Terra", escolhida como tema do personagem Sassá Mutema em O Salvador da Pátria. As três gravações transformaram-se nos registros mais conhecidos de sua carreira e fizeram daquele LP a obra de maior repercussão de sua discografia.

Nos anos seguintes, João Caetano manteve uma produção constante. Vieram os álbuns Fronteiras (1996), Retratos do Brasil (2005), Duetos (2009), João (2019), Parceria (2020), homenagem à obra construída ao lado de Tavinho, e Mil Voltas (2025). No curso desta cronologia discográfica, outras composições fizeram parte das trilhas de novelas: "Meu Coração", em Pantanal (1991), e "Retratos do Brasil", tema de abertura da novela Bicho do Mato (2006).

Décadas depois de seu lançamento, o álbum de 1988 continua sendo a principal referência da trajetória de João Caetano. Além de reunir as gravações que marcaram sua presença na televisão, representa o momento em que uma carreira construída lentamente desde os festivais universitários alcançou projeção nacional.

O álbum permanece inédito nas plataformas digitais e, durante anos, circulou apenas por meio de cópias realizadas por colecionadores. Em 2023, Nell Lobo disponibilizou uma transferência em alta resolução do LP original, criando as condições para um futuro trabalho de restauração.

A decisão de remasterizá-lo não nasceu isolada, pois partiu de um pedido particular de Adriano Leite Dias de João Pessoa/PB. A restauração empregou habitual uso de: Declick do Pinacle Clean, Bright Drums do Izotope Ozone 11, Declick do Izotope RX7 e brilho do Satin. O trabalho foi finalizado com MVSep DeNoise modo standard, que garantiu redução do ruído residual do vinil de forma precisa e que manteve o material original intacto. Finalizei em 29/12/2025. Os procedimentos adotados nesta restauração são aqui registrados para documentar tecnicamente esta edição e preservar seu histórico de produção.

Como faixa bônus, esta edição apresenta a versão de "Pedaços" remasterizada por David Schenoor (Limeira/SP), extraída do LP da trilha sonora de Fera Radical. Durante a digitalização do álbum de João Caetano, Nell Lobo constatou que a versão lançada pela Continental em 1988 é cerca de 20 segundos mais curta do que a utilizada na novela, preservando um solo final de saxofone reduzido em relação à gravação da trilha. A inclusão da versão longa busca documentar essa diferença entre os dois lançamentos.

Nova edição da publicação original feita em 29/12/2025.

Faixas:
01. Pedaços
02. Guardião
03. Tá na Terra
04. Pra Minas
05. Demais da Conta
06. A Paca
07. Outro Dia
08. Vida (Nas Terras, Nos Mares)
09. Um Rio
10. Procissão do Fogaréu (part. esp. Ivan Lins)
11. Pedaços (Versão Longa)

Para baixar este album em FLAC, clique AQUI.