segunda-feira, 27 de julho de 2026

No Mundo da Criança (1986)

"No Mundo da Criança" é um álbum infantil lançado em 1986 pelo selo Copacabana nos formatos LP e K7. Diferentemente de muitas coletâneas infantis da época, o disco reúne gravações inéditas produzidas especialmente para seu repertório. 

A produção musical foi dividida entre Juvenal de Oliveira — também responsável pela direção artística —, Jorge Gambier, Antonio Carlos de Oliveira e Talmo Scaranari — também responsável pela supervisão artística do projeto. Eduardo Assad assina os arranjos de dez das doze faixas do álbum. As exceções são "Contando Ovelhas", com arranjos de José Paulo Soares, e "Bumbum no Chão", arranjada por Agostinho Silva.

O álbum marcou a estreia do projeto Kiko & Kika com "O Sapo Cantador", versão em português de Jorge Gambier para a canção internacional Do The Frogleg (La Rana). O repertório também preserva a gravação original de "Sapinho Encantado", interpretada por Carlinhos Borba Gato — creditado apenas como Carlinhos —, antes de a composição ser regravada para o projeto. Nessa releitura, Gambier assume sozinho os vocais, sobrepondo sua própria voz a camadas processadas com efeito de vocoder para criar um timbre que remete ao coaxar de um sapo.

O universo circense ocupa lugar de destaque na coletânea. Carequinha interpreta "O Casamento da Horta", gravação original da composição de Carlos Colla que, cinco anos depois, seria regravada por Sandy & Junior no álbum Aniversário do Tatu, além de "No Mundo Encantado do Circo", de Agostinho Silva e Nivaldo Barjud. A mesma dupla de compositores também assina "Historinha do Circo do Carequinha", narrada pelo palhaço Rolinha, formando um pequeno núcleo temático dedicado ao circo.

O repertório ainda evidencia a diversidade musical proposta pela coletânea. Gretchen apresenta lambada às crianças com "Bumbum no Chão" e Ovelha segue o mesmo ritmo que a rainha do rebolado ao adaptar para o português a canção espanhola Contando Ovejitas em "Contando Ovelhas". 

Paulo Sérgio Jr. interpreta "O Mágico do Amor", outra composição de Carlos Colla. Sarah Regina – creditada como apenas Sarah – divide os vocais com sua sobrinha Meireane em "Algodão Doce", Maria Alcina empresta sua voz a "Dia Feliz", Erika homenageia os professores em "Professora Amiga", e Luciana Mello faz seu último registro voltado ao público infantil com "Miguel, Miguel", ainda creditada apenas como Luciana.

Fabricado e distribuído pela RCA Eletrônica sob licença da Som Indústria e Comércio S.A. (Discos Copacabana), "No Mundo da Criança" também ganhou edição em mini-K7, ampliando a distribuição de um projeto que reuniu artistas de diferentes gerações e estilos em torno de um repertório infantil produzido especialmente para o mercado brasileiro da década de 1980.

Com o encerramento das atividades da Copacabana Discos e a incorporação de seu catálogo pela EMI, as gravações infantis do selo acabaram relegadas ao esquecimento. Nenhuma das faixas de "No Mundo da Criança" foi contemplada nas diversas séries de relançamentos da gravadora, como Série Bis, Preferência Nacional, Identidade, Para Sempre ou Sucessos Inesquecíveis. A situação permaneceu inalterada após a aquisição da EMI pela Universal Music, que também deixou de incluir esse repertório em coleções como Millennium e Sem Limite, apesar da qualidade artística e histórica dos fonogramas.

A identidade visual do álbum também merece destaque. A capa, criada por Osvaldo Ferreira e Jurandir Silveira com fotografias de Michele de Gregório e Roberto César, tornou-se uma das imagens mais lembradas do catálogo infantil da Copacabana. 

A capa de balões coloridos com os artistas estampados em seu interior tornou-se uma das imagens mais características da linha infantil da Copacabana. Presente em muitas vitrines de lojas de discos, o álbum também foi um presente frequente em aniversários e datas comemorativas.

Nesta edição, o álbum recebe nova remasterização, realizada com atenção à preservação de sua sonoridade original, permitindo redescobrir detalhes muitas vezes ocultos nas antigas cópias em vinil e fita cassete. Mais do que recuperar um disco há muito ausente do catálogo das grandes gravadoras, esta restauração devolve ao público um capítulo pouco lembrado da produção infantil brasileira dos anos 1980.

Faixas:
01. Casamento na Horta - Carequinha
02. Historinha do Circo do Carequinha - Rolinha
03. Dia Feliz - Maria Alcina
04. Professora Amiga - Erika
05. Sapinho Encantado - Carlinhos
06. Contando Ovelhas - Ovelha
07. O Sapo Cantador - Kiko & Kika
08. No Mundo Encantado do Circo - Carequinha
09. Algodão Doce - Sarah & Meiriane
10. Bumbum no Chão - Gretchen
11. O Mágico do Amor - Paulo Sergio Júnior
12. Miguel Miguel - Luciana

Para baixar esta coletânea em FLAC, clique AQUI.

domingo, 26 de julho de 2026

João Caetano - João Caetano (1988)

Entre a Medicina e a música, João Caetano construiu uma trajetória pouco comum na canção brasileira. Enquanto exercia a profissão de cardiologista, desenvolvia paralelamente uma carreira artística que, ao longo de mais de cinco décadas, reuniu festivais, discos, trilhas de novelas e parcerias importantes da MPB.

Nascido em 1952, em uma fazenda no interior de Goiás, passou parte da infância na Cidade de Goiás, onde teve os primeiros contatos com a tradição musical da antiga capital. Ainda adolescente, participou das serenatas que animavam as ruas históricas da cidade e, pouco depois, mudou-se para Goiânia. A efervescência cultural da capital goiana abriu espaço para uma intensa participação em festivais estudantis, ambiente que se tornaria decisivo para sua formação como compositor.

Foi nesse circuito que João conheceu Otávio Daher, o Tavinho (1950–2024), parceiro de longa data. Em 1972, a dupla venceu o Festival Universitário com a canção "Roda Gigante", conquista que representou o primeiro reconhecimento expressivo de seu trabalho autoral. Dois anos depois, a música seria lançada em compacto simples pelo selo Fermata, marcando a estreia fonográfica do artista.

Embora a carreira musical avançasse, João não abandonou a formação acadêmica. Graduou-se em Medicina em 1977 e especializou-se em Cardiologia, conciliando durante muitos anos a rotina profissional com a atividade artística. A música, entretanto, continuava ocupando espaço cada vez maior em sua vida.

Em 1980, lançou seu primeiro álbum pela Gravações Elétricas S.A., trabalho dirigido e arranjado por Ivan Lins. O disco ampliou a visibilidade conquistada nos festivais e consolidou uma parceria artística que voltaria a se repetir anos depois.

O grande salto da carreira de João Caetano veio em 1988. Lançado pela Continental, seu segundo álbum — com direção artística de Ivan Lins e direção executiva de Vitor Martins — foi que levou suas interpretações para as trilhas sonoras da televisão brasileira.

Foi dele que saíram "Guardião", tema da novela Direito de Amar; "Pedaços", incluída na trilha de Fera Radical; e "Tá na Terra", escolhida como tema do personagem Sassá Mutema em O Salvador da Pátria. As três gravações transformaram-se nos registros mais conhecidos de sua carreira e fizeram daquele LP a obra de maior repercussão de sua discografia.

Nos anos seguintes, João Caetano manteve uma produção constante. Vieram os álbuns Fronteiras (1996), Retratos do Brasil (2005), Duetos (2009), João (2019), Parceria (2020), homenagem à obra construída ao lado de Tavinho, e Mil Voltas (2025). No curso desta cronologia discográfica, outras composições fizeram parte das trilhas de novelas: "Meu Coração", em Pantanal (1991), e "Retratos do Brasil", tema de abertura da novela Bicho do Mato (2006).

Décadas depois de seu lançamento, o álbum de 1988 continua sendo a principal referência da trajetória de João Caetano. Além de reunir as gravações que marcaram sua presença na televisão, representa o momento em que uma carreira construída lentamente desde os festivais universitários alcançou projeção nacional.

O álbum permanece inédito nas plataformas digitais e, durante anos, circulou apenas por meio de cópias realizadas por colecionadores. Em 2023, Nell Lobo disponibilizou uma transferência em alta resolução do LP original, criando as condições para um futuro trabalho de restauração.

A decisão de remasterizá-lo não nasceu isolada, pois partiu de um pedido particular de Adriano Leite Dias de João Pessoa/PB. A restauração empregou habitual uso de: Declick do Pinacle Clean, Bright Drums do Izotope Ozone 11, Declick do Izotope RX7 e brilho do Satin. O trabalho foi finalizado com MVSep DeNoise modo standard, que garantiu redução do ruído residual do vinil de forma precisa e que manteve o material original intacto. Finalizei em 29/12/2025. Os procedimentos adotados nesta restauração são aqui registrados para documentar tecnicamente esta edição e preservar seu histórico de produção.

Como faixa bônus, esta edição apresenta a versão de "Pedaços" remasterizada por David Schenoor (Limeira/SP), extraída do LP da trilha sonora de Fera Radical. Durante a digitalização do álbum de João Caetano, Nell Lobo constatou que a versão lançada pela Continental em 1988 é cerca de 20 segundos mais curta do que a utilizada na novela, preservando um solo final de saxofone reduzido em relação à gravação da trilha. A inclusão da versão longa busca documentar essa diferença entre os dois lançamentos.

Nova edição da publicação original feita em 29/12/2025.

Faixas:
01. Pedaços
02. Guardião
03. Tá na Terra
04. Pra Minas
05. Demais da Conta
06. A Paca
07. Outro Dia
08. Vida (Nas Terras, Nos Mares)
09. Um Rio
10. Procissão do Fogaréu (part. esp. Ivan Lins)
11. Pedaços (Versão Longa)

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sexta-feira, 24 de julho de 2026

Prêntice - Seleção de Sucessos (2015)

Prêntice Maciel Teixeira nasceu em Pelotas (RS), em 31 de maio de 1956, mas foi criado no Rio de Janeiro, cidade onde desenvolveu sua carreira artística. Sua estreia fonográfica aconteceu em 1979, quando lançou, pelo selo Kelo Music, da K-Tel do Brasil, o compacto simples Na Hora de Te Encontrar, fabricado pela Tapecar.

Após alguns anos afastado do mercado fonográfico, retornou em 1984 com o compacto Sou Louco, composição assinada ao lado de Ronaldo Monteiro de Souza e Carlos Colla. No lado B, apresentou Você Ainda Mora em Mim, canção que integrou a trilha sonora da novela Jogo do Amor, da TV Globo.

No ano seguinte, ganhou projeção nacional ao defender "Violão e Voz", parceria com Heitor Valente, no Festival dos Festivais, promovido pela Rede Globo. Embora não tenha figurado entre as doze canções classificadas para a etapa decisiva, a repercussão alcançada fez com que a música fosse escolhida para integrar, com exclusividade, a trilha sonora da novela De Quina Pra Lua. Ainda em 1985, lançou o compacto "Não Diga Nada", composição assinada com Ed Wilson e Ronaldo Bastos, posteriormente incluída na trilha sonora da novela Ti-Ti-Ti em uma edição exclusiva, com final abreviado em fade out.

Em 1986, a BMG promoveu o artista com um compacto promocional de 12 polegadas reunindo "Nós Dois", de Michael Sullivan e Paulo Massadas, e "Só Eu e Você", parceria com Celso Loch. A primeira, posteriormente regravada por Rosana, tornou-se um grande sucesso radiofônico.

Dois anos depois, Prêntice lançou seu único LP, Prêntice, pela BMG Ariola. Produzido executivamente por Michael Sullivan, com direção artística de Miguel Plopschi, coordenação musical de Ed Wilson e Junior Mendes, o álbum contou com arranjos assinados por Prêntice, Lincoln Olivetti, Nilo Pinta e Renato, além da participação especial de Ivan Lins na faixa "Ainda Acredito". Como principal música de divulgação do disco, "Íntima Solidão" recebeu um Promo Mix distribuído às emissoras de rádio.

Embora sua discografia como intérprete tenha sido relativamente curta, Prêntice construiu uma sólida carreira como compositor, assinando canções gravadas por artistas como Alcione, Herva Doce, José Augusto, The Fevers, Sandra Sá, Adriana, Roupa Nova, Trem da Alegria, Cláudia Telles, Tim Maia, Maurício Mattar, Fafá de Belém, Fernando Mendes e Xuxa, entre muitos outros. É um dos autores de "Aguenta Coração", sucesso de José Augusto e tema da novela Barriga de Aluguel, além de "Carinhos", um dos grandes sucessos da carreira de Tim Maia. Para o público infantil, compôs ainda "O Circo" e "Dança da Xuxa", canções que marcaram gerações.

Prêntice Maciel Teixeira faleceu em 25 de junho de 2005, em Petrópolis (RJ), vítima de um infarto fulminante. Esta coletânea reúne, pela primeira vez, toda a sua produção fonográfica oficial como intérprete — abrangendo compactos simples, discos promocionais e seu único LP — preservando a trajetória de um artista que, mesmo tendo construído uma carreira discreta nos palcos, deixou uma contribuição expressiva para a música popular brasileira como cantor, compositor e parceiro de alguns dos maiores nomes da canção nacional.

Por fim, agradeço a Nell Lobo, idealizador desta coletânea, pelo incansável trabalho de pesquisa, pelo garimpo do repertório, pela remasterização, faixa a faixa, dos discos originais e pela criação da primeira identidade visual do projeto. Em 2026, tenho a alegria de apresentar este resgate no Gazeta do Som, com nova restauração de áudio, arte gráfica revisada e ampliação das informações técnicas, na esperança de contribuir para a preservação da memória e da obra de Prêntice.

Faixas:
01. Intima Solidão
02. Você Ainda Mora em Mim (Versão 1988)
03. Nós Dois
04. Não Diga Mada (Versão 1988)
05. São Todas Iguais
06. Ainda Acredito (part. esp. Ivan Lins)
07. Arco-Íris
08. Só Eu e Você
09. A Noite
10. Diz pra Mim
11. Princesa do Lugar
12. Sou Louco
13. Te Dou em Dobro
14. Violão e Voz
15. Não Diga Nada (Bônus Single)
16. Você Ainda Mora em Mim (Bônus Single)

Para baixar esta coletânea em FLAC, clique AQUI.

Luciano Bahia - Carol (Single 12'') (1985)

Um pouco antes de gravar pela RCA o álbum Amor Reacionário, o cantor fluminense Luciano Bahia assinou contrato com a EMI-Odeon para lançar o compacto simples de "Carol", trazendo "Só Com Você" no lado B.

Antes da carreira solo, Luciano já havia integrado o trio Matinê, do qual era vocalista e tecladista. Estava na formação deste grupo também o guitarrista Sérgio Serra — que mais tarde integraria o Ultraje a Rigor — e pelo baixista Mosquito. Em 1983, o trio lançou um compacto com as faixas "Highway" e "Terra Azul", ambas compostas por Luciano Bahia em parceria com o poeta Carlos Potyguar, sendo esta última também assinada por Sérgio Serra.

Em 1985, em plena efervescência do rock nacional e da influência da new wave e do synth pop na música brasileira, Luciano Bahia compôs "Carol" em parceria com Fernando Garcia, com produção executiva de Mayrton Bahia, que também colaborou com Luciano nos arranjos. A gravação incorporava elementos de underlicks na guitarra e na programação eletrônica — recurso baseado na repetição contínua de pequenas frases instrumentais, criando um efeito hipnótico —, tomando como referência a batida programada de "Legal Tender", dos B-52's.

Após ser lançada em compacto simples, "Carol" recebeu uma versão estendida na série "Remix: A Música Viva", coleção de discos de 12 polegadas lançada pela EMI-Odeon naquele período. Inspirada no modelo já consolidado pelos lançamentos internacionais da gravadora, a série buscava adaptar ao mercado brasileiro o formato das versões remixadas, apostando em artistas e repertórios nacionais que também pudessem ganhar projeção nesse segmento.

Agradeço ao amigo Charles Portilho, da 019 Discos de Nova Odessa/SP, por disponibilizar o Single 12 polegadas e tornar possível sua remasterização e disponibilização no blog.

Faixas:
01. Carol (Versão Curta)
02. Carol (Versão Longa)

Para baixar este single 12 polegadas em FLAC, clique AQUI.

quinta-feira, 23 de julho de 2026

É, o blog Gazeta do Som completou 2 anos!

O Blog Gazeta do Som nasceu em 10 de julho de 2024 com a publicação da remasterização de Festival dos Festivais.

De lá para cá, fui desenvolvendo minhas pesquisas, meus textos e publicando minhas remasterizações. Por mais incrível que pareça, a intenção inicial era transformar este espaço em uma extensão do meu conhecimento e da minha primeira formação acadêmica. 

Hoje, vendo como a internet se tornou um ambiente amplo para a desinformação, tenho procurado compilar pesquisas cada vez mais completas e fundamentadas sobre determinados álbuns, projetos e artistas que, até então, não tiveram documentações precisas ou à altura de sua importância, com o objetivo de consolidar este espaço como um referencial para pesquisadores e apaixonados por música.

Às vezes, o leitor pode se deparar com a atualização de uma publicação feita há alguns meses ou até anos. Isso acontece porque, além de aprimorar o áudio com redução de ruídos e outros ajustes, também avalio se aquele conteúdo pode ser enriquecido com novas informações, correções ou descobertas que surgiram desde sua publicação. Algo que pretendo fazer daqui para a frente é documentar, em cada publicação, a data em que ela foi originalmente publicada.

O que imagino para os próximos anos é que, se este espaço permanecer ativo na plataforma Blogger, ele possa se tornar uma referência para pesquisa, assim como tantos outros espaços que já utilizei ao longo da vida, como o Portal Teledramaturgia, de Nilson Xavier; o Blog Notas Musicais, de Mauro Ferreira; o Blog Só Música, de Luiz Alberto Gomes Bugrim; o Blog Skywalker Productions, de Leo Brunno; entre tantos outros. 

Também fico feliz em ver amigos criando seus próprios espaços de preservação da música, como Igor Santana, parceiro de projetos no Blog Só Música, hoje responsável pelo Studio Igor Santana.

O que posso dizer é que não é fácil sentar em frente ao computador e preparar uma publicação que, às vezes, leva horas para ficar pronta. Mas também é uma satisfação enorme quando vejo que ela alcança o público certo.

Por trás do Gazeta do Som existe um cara que garimpa, compra disco, limpa-o com cuidado, coloca-o para gravar, restaura o áudio, equaliza, prepara os arquivos com TAGs, pesquisa informações, escreve, revisa textos, faz upload para o servidor e publica. Todo esse trabalho é feito por mim. A única ferramenta de apoio que utilizo é a inteligência artificial, que me auxilia na compilação de informações e na revisão crítica dos textos. No fim das contas, ela apenas contribui para o exercício da minha "hipertrofia" mental.

Mais do que disponibilizar remasterizações, acredito que este trabalho também seja uma forma de preservar a história por trás de cada disco, para que ela continue acessível às próximas gerações.

Agradeço ao Eterno e Bom Deus por trazer leitores e também novos amigos por meio deste espaço que criei, incentivado por pessoas próximas, tanto no meio físico quanto no virtual.

Que venham muitos anos de música, pesquisa e preservação da nossa memória fonográfica.

Então, PARABÉNS AO GAZETA DO SOM!

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Lambadão Hits (1990)

Lançada em 1990 pela FAMA, com distribuição da Companhia Industrial de Discos (CID), Lambadão Hits foi editada nos formatos LP e fita cassete (K7), reunindo gravações de artistas ligados ao circuito da lambada, do axé e do samba-reggae que despontavam no mercado fonográfico brasileiro no início da década de 1990.

Assim como Lambadamania, a coletânea contou com coordenação de Esdras Pereira, produção de Durval Ferreira, arte-final de Almir Nogueira, direção de arte de Suely Rodrigues e corte realizado por Laurimar Lopes, repetindo praticamente a mesma equipe técnica responsável por diversos lançamentos da gravadora naquele período.

Entre os destaques do repertório está a participação do Grupo Terra, presente com três faixas: "Chorando Se Foi", "Mademoiselle (O La Tê Yê)" e "Salvador Pra Você", composição de Evandro Terra que, no ano seguinte, seria gravada por Netinho, então vocalista da Banda Beijo, tornando-se vencedora do Prêmio de Melhor Composição do Carnaval de 1991.

Faixas:
01. Me Chama que Eu Vou - Lambada Transfer
02. Ritmo Louco, Ouro Puro - Anay Claro
03. Chorando se Foi - Grupo Terra
04. Negue;, Ti Ti Ti, Ovelha Desgarrada, Só pra Você - Vitória
05. Mexa Mexa - Daudeth
06. Bamboleo - Lambada Transfer
07. Faraó Divindade do Egito - Banda Explosão
08. Dançando Lambada - Latino
09. Madeimoselle (O La Tê Yê) - Grupo Terra
10. Balanço do Amor - Os Tropicais
11. Haja Amor - Vitória
12. Marley Êh! - Banda Azadelta
13. Salvador pra Você - Grupo Terra
14. La Bamba, Soy Loco por Ti América, Guantanamera - Maracujazz Big Band

Para baixar esta coletânea em FLAC, clique AQUI.

Grupo Terra - Lambadamania (1990)

Nascido em 30 de março de 1954, no município de Chiador, em Minas Gerais, Evandro Terra construiu sua trajetória artística entre o Rio de Janeiro e a Região dos Lagos, tornando-se um dos nomes mais representativos da música popular cabofriense nas décadas de 1980 e 1990.

Sua carreira teve início na cidade do Rio de Janeiro, onde passou a integrar a cena da música ao vivo. Ao longo da década de 1980, apresentou-se em importantes espaços da capital fluminense, como a Praça da Apoteose, o Teatro Carlos Gomes e as festividades do Réveillon de Copacabana.

Foi também nesse período que surgiu o Grupo Terra. Conforme relatou o próprio Evandro Terra na apresentação do LP Lambadamania, lançado em 1990, o conjunto nasceu no Rio de Janeiro e já acumulava cerca de dez anos de atuação na noite carioca. Em uma época em que muitas bandas privilegiavam o repertório internacional, especialmente o rock cantado em inglês, o Grupo Terra destacou-se por interpretar exclusivamente música brasileira. A escolha do nome refletia justamente essa proposta artística, reunindo em seus shows gêneros como forró, samba-reggae e os ritmos que, posteriormente, dariam sustentação ao fenômeno da lambada.

Enquanto desenvolvia sua carreira musical, Evandro estabeleceu-se em Cabo Frio, onde passou a lecionar Matemática e Filosofia no tradicional Colégio Estadual Miguel Couto, fundado em 1958. Foi nesse ambiente que sua presença artística ganhou grande visibilidade na cidade.

Durante uma gincana promovida pelo colégio, realizou-se um festival de música que reuniu alunos e professores. Violonista, Evandro participou inicialmente acompanhando um grupo de estudantes. No encerramento do evento, apresentou uma composição de sua autoria, chamando a atenção do público presente.

Entre os espectadores estavam Paulo Cesar, proprietário da casa noturna Maison Disco Show, e Ivo Saldanha, que entre 1989 e 1992 foi prefeito de Cabo Frio e passou a convidá-lo para apresentar-se como atração musical em eventos culturais organizados pelo município, conquistando seguidores e admiradores de seu trabalho.

A repercussão das apresentações abriu as portas da Maison Disco Show, onde passou a realizar shows semanais de aproximadamente três horas, interpretando um repertório voltado ao Axé Music e aos ritmos dançantes que dominavam o mercado fonográfico brasileiro no final da década de 1980. O sucesso das apresentações consolidou sua popularidade e fortaleceu a presença do Grupo Terra na cena musical da Região dos Lagos.

Paralelamente aos shows, Evandro também se destacava como compositor. Entre 1989 e 1990, diversas de suas músicas foram gravadas pela Banda Beijo, entre elas "Coração de Tambor", "Fuzuê", "Galope do João", "Vem de Lá" e "Vem Vindo da África". Em 1991, conquistou o Prêmio de Melhor Composição do Carnaval com "Salvador pra Você", interpretada por Netinho, então vocalista da Banda Beijo, tornando-se sua obra de maior repercussão nacional.

O reconhecimento alcançado na cidade levou o poder público a investir em sua produção artística. Com apoio do Governo do Estado e incentivo da Prefeitura de Cabo Frio, foi gravado o LP Lambadamania, lançado em 1990 pelo selo FAMA/Companhia Industrial de Discos (CID). O lançamento ocorreu em um evento realizado sobre o coreto da cidade. Produzido em tiragem limitada, o disco esgotou rapidamente nas lojas, sem que novas prensagens fossem realizadas. Seu repertório reunia interpretações de sucessos da Axé Music adaptados ao estilo da lambada, além de composições de autoria de Evandro Terra.

Ainda durante a administração de Ivo Saldanha, a Prefeitura voltou a apoiar a produção fonográfica do artista, viabilizando a gravação de seu segundo LP, Reggae Mania (Samba Reggae), lançado em 1992. Diferentemente do disco anterior, o novo trabalho apresentava um repertório predominantemente autoral e fortemente inspirado no reggae e no samba-reggae, aproximando-se da sonoridade de artistas como Edson Gomes. A produção musical, os arranjos e a mixagem foram assinados pelo próprio Evandro Terra, com colaboração de Paulo Delgado, Lucimar Farias, Guto Faria e Ricardo Calafate. O álbum reuniu as composições "Bang-Bang", "Funk-se", "Dim Dim Dom Dom", "Terra Magia", "Bruxa", "Louca Demais", "Assumpção", "Morena Linda" e "Cumadre Só", trazendo como única releitura "Prefixo de Verão", de Beto Silva, que rapidamente se transformou em um sucesso regional.

Ao lado do Grupo Terra, Evandro percorreu diversas cidades brasileiras com o espetáculo "Lambada e Samba-Reggae", consolidando sua atuação para além do estado do Rio de Janeiro.

Com a posse de José Bonifácio Ferreira Novellino, em 1993, Evandro Terra permaneceu como uma das principais atrações dos eventos promovidos pela Prefeitura de Cabo Frio, mantendo intensa agenda de apresentações ao longo daquele mandato.

A partir de 1997, com o início da administração de Alair Corrêa, o cenário começou a mudar. As contratações para os eventos municipais passaram gradativamente a privilegiar outros nomes da Axé Music, entre eles Pepinho Meu Rei, cantor baiano radicado em Campos dos Goytacazes, que também recebeu incentivo do município para gravar seu trabalho. A redução das apresentações levou Evandro Terra a retomar sua carreira no magistério, sem abandonar completamente a música.

Nos anos 2000, voltou-se ao reggae, formando o grupo Jah Eh Rasta Band, com o qual realizou diversos tributos a Bob Marley na Região dos Lagos. Mais tarde, lançou o álbum Casa de Minas, reunindo composições próprias e releituras do cancioneiro mineiro.

Em 2015, sua composição "Bang Bang" foi incluída na coletânea Samba Reggae (Axé Music Via Brazil), da gravadora Ascot Music. Na mesma coletânea, interpretou "Prefixo de Verão", reafirmando a importância de sua obra para a história do samba-reggae e da Axé Music. Naquele mesmo ano, voltou a se apresentar no Réveillon de Cabo Frio.

Em seus últimos anos de vida, Evandro Terra converteu-se ao judaísmo e desenvolveu projetos musicais voltados a canções de louvor ligadas à fé que passou a professar. Posteriormente, foi acometido pela doença de Alzheimer, que evoluiu progressivamente até seu falecimento, em 2021.

Embora tenha alcançado reconhecimento nacional como compositor e construído uma trajetória iniciada na noite carioca, foi em Cabo Frio que Evandro Terra viveu sua fase de maior identificação com o público. Sua atuação como cantor, compositor, professor e líder do Grupo Terra fez dele um dos principais representantes da música popular produzida na cidade durante o final do século XX, deixando uma contribuição duradoura para a memória cultural da Região dos Lagos.

Colaborou com o texto:
Agilson dos Santos Garcia Leal 
Pesquisador da história de Cabo Frio

Sobre o Lambadamania

Lançado em 1990 pela Companhia Industrial de Discos (CID), através do selo FAMA, Lambadamania teve produção fonográfica da própria gravadora, sob produção de Durval Ferreira e coordenação de Esdras de Souza Pereira.

Os arranjos musicais foram desenvolvidos pelo próprio Grupo Terra, enquanto os arranjos de metais ficaram a cargo do trompetista Bidinho, que também participou das gravações ao lado de Maurílio, ambos executando os naipes de trompete.

À época da gravação, o Grupo Terra era formado por Evandro Terra (guitarra e voz), Alfredo (bateria), Julinho (teclados), Julio Camarra (percussão) e Afonso (baixo), formação responsável pela interpretação do repertório do álbum.

A identidade visual do disco contou com fotografia de José Geraldo, arte-final de Almir Nogueira de Sousa e direção de arte assinada por Suely Rodrigues. O processo de corte do LP foi realizado por Laurimar, nos estúdios da Companhia Industrial de Discos.

Faixas:
01. Pout Pourri Beijo na Boca, Odé e Adão, Céu da Boca e Auê
02. Vai Ser Demais
03. Dançando Lambada
04. Dança do Índio
05. Pout Pourri Revolta Olodum e Brilho da Beleza
06. Fuzuê
07. Salvador pra Você
08. Pout Pourri Galope do João e Atrás de Mim
09. Gosto de Mar

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Alberto Roberto - Uma Voz ao Pé do Ouvido (1977)


Não, você não viu errado! Chico Anysio vestiu seu personagem Alberto Roberto e gravou um compacto em 1977 com título "Uma Voz ao Pé do Ouvido" em que declama suas declarações de amor de um jeito único sobre temas em versões instrumentais. 

Francisco "Chico" Anysio de Oliveira Paula Filho, nasceu em Maranguape em 12/04/1931 e faleceu no Rio de Janeiro em 23/03/2012. Foi um humorista, ator, radioator, produtor, locutor, roteirista, escritor, dublador, apresentador, cantor, compositor e pintor brasileiro, notório por seus inúmeros quadros e programas humorísticos na Rede Globo, emissora onde trabalhou por mais de quarenta anos. 

Descrevendo o compacto: temos no Lado A a faixa "Tango" de autoria de Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle e no Lado B a faixa "El Dia Que Me Quieras" de autoria de Carlos Gardel e Alfredo Le Pera. Ambas tem sobre a trilha instrumental o texto escrito por Chico Anysio.

A publicação contou com apoio cultural do Charles Portilho da loja 019 Discos de Nova Odessa/SP. Para comprar seu LP virtualmente, clique AQUI.

Por fim, para baixar este material em FLAC, clique AQUI.

terça-feira, 21 de julho de 2026

Cláudia Olivetti - Gato Encantado (Promo Mix) (1986)

A cantora Cláudia Olivetti construiu sua trajetória musical em estreita ligação com um dos nomes mais importantes da música brasileira: o maestro, arranjador e produtor musical Lincoln Olivetti, com quem foi casada e manteve uma intensa parceria artística.

Além da relação pessoal, Cláudia participou ativamente da cena musical brasileira como vocalista de apoio, contribuindo em gravações de artistas como Zé Ramalho, Patrícia Marx, Tim Maia, Altay Veloso e Xuxa, entre outros. Sua atuação também se estendeu à composição, assinando parcerias ao lado de Lincoln Olivetti e Robson Jorge, com trabalhos destinados a artistas como Claudia Telles, Almir Ricardi, Sandra de Sá, Peninha, Kátia, Fernando Mendes, Patrícia Marx e Angélica.

Em meio a essa trajetória dedicada aos bastidores da música, Cláudia teve a oportunidade de registrar seu próprio trabalho como intérprete através do EP Gato Encantado, lançamento que representa um dos poucos momentos em que sua voz ocupa o primeiro plano.

O projeto contou com produção executiva, programação de bateria e teclados, arranjos, engenharia de som e mixagem de Lincoln Olivetti, além da participação de Robson Jorge na guitarra e teclados. A gravação também reuniu importantes nomes nos vocais: Michael Sullivan, Paulo Massadas e Fernando "Bocanegra" Alves, além da própria Cláudia.

O EP Gato Encantado apresenta duas composições assinadas por Cláudia e Lincoln Olivetti: a faixa-título, apresentada em suas versões longa e curta, e "Três É Demais". Ambas as canções chegaram a obter execução em emissoras de rádio na época de seu lançamento.

Com forte presença de sintetizadores e elementos característicos do synth pop daquele período, o projeto reúne a sofisticação dos arranjos de Lincoln Olivetti, a participação de músicos ligados à sua tradicional equipe de estúdio e revela uma faceta menos conhecida da trajetória artística de Cláudia Olivetti, desta vez ocupando o papel de intérprete.

Faixas:
01. Gato Encantado (Versão Longa)
02. Gato Encantado (Versão Curta)
03. Três É Demais

Para baixar o EP em FLAC, clique AQUI.

Ronnie Von - Aria (1975)

 

"Ária" é um dos poucos compactos simples lançados por Ronnie Von pela MGM Records, selo que teve breve atuação no mercado fonográfico brasileiro durante a década de 1970.

A faixa-título foi originalmente composta por Dario Baldan Bembo e Sergio Bardotti e gravada pelo próprio Bembo em seu álbum lançado em 1975, editado também no Brasil pela Polydor. A canção alcançou grande repercussão nacional em um período de forte interesse do público brasileiro pela música italiana. No mesmo ano, Ronnie Von registrou sua versão em português neste compacto, gravação que posteriormente seria reaproveitada pela Polyfar no LP A Voz de Ronnie Von.

No Lado B está "Nem Tudo Está Perdido Agora", composição de Ronnie Von e Tony Osanah. Diferentemente da faixa principal, que ganhou nova oportunidade de circulação em outro lançamento do cantor, esta composição permaneceu esquecida neste compacto por mais de cinco décadas, tornando-se uma das gravações menos conhecidas dessa fase da carreira de Ronnie Von.

Este exemplar foi gentilmente cedido pelo colecionador Paulo Afonso Franco (Cordeirópolis/SP) no final de 2018 para remasterização. A primeira restauração permitiu que as faixas fossem compartilhadas em grupos dedicados à preservação da música brasileira no Facebook. Agora, após um novo tratamento utilizando o MVSep DeNoise, esta remasterização é disponibilizada ao público por meio do Gazeta do Som.

Faixas:
01. Ária
02. Nem Tudo Está Perdido Agora

Para baixar este compacto em FLAC, clique AQUI.

Meire Rose - A Visita (Compacto 7'') (1979)

A cantora Rosemaire de Jesus Merlo, conhecida artisticamente como Meire Rose, nasceu em 1952, no estado do Pará. Iniciou sua carreira fonográfica voltada ao repertório pop romântico e, a partir da década de 1980, passou a dedicar-se à lambada, gênero com o qual alcançou maior identificação.

Contratada pela Continental durante a década de 1970, gravou diversos compactos que transitavam entre o pop romântico e a disco music. Entre eles está este lançamento de 1979, que traz no Lado A "A Visita", versão em português de "You Needed Me", sucesso originalmente gravado pela cantora canadense Anne Murray e tema da novela O Pai Herói. No Lado B está "Que Malandro É Você", adaptação para o português de "Casanova", canção interpretada pelo grupo italiano Easy Connection. As duas faixas foram arranjadas pelo maestro Eduardo Assad.

Lançado em um período em que as versões em português ocupavam espaço significativo no mercado fonográfico brasileiro, o compacto evidencia uma estratégia adotada por diversas gravadoras para aproximar sucessos internacionais do público nacional. Ao gravar este lançamento, Meire Rose demonstra versatilidade ao transitar entre o pop romântico e as influências da disco music, estilos que marcaram sua fase na Continental antes de direcionar sua carreira para a lambada nos anos seguintes.

A publicação contou com apoio cultural do Charles Portilho da loja 019 Discos de Nova Odessa/SP. Para comprar seu LP virtualmente, clique AQUI.

Faixas:
01. A Visita (You Needed Me)
02. Que Malandro É Você (Casanova)

Para baixar o compacto em FLAC, clique AQUI.

Adriana - Falsa Maquiagem (Compacto 7'') (1983)

"Falsa Maquiagem" é um compacto simples de 7 polegadas da cantora Adriana, lançado pela Continental em 1983, já nos momentos finais de sua relação contratual com a gravadora.

No Lado A está "Falsa Maquiagem", composição de José de Ribamar Cury Heluy (Cury) e Márcio Monteiro. O Lado B apresenta "Doce Mentira", versão em português de "Heartbreaker", clássico escrito por Robin, Barry e Maurice Gibb (Bee Gees) para Dionne Warwick. A adaptação da letra ficou a cargo de Gibran e Márcio Monteiro, preservando a essência romântica da composição original enquanto a aproxima do repertório da música popular brasileira da época.

A produção e os arranjos são assinados por Artur Borba (Tutuca), que também executa os teclados nas duas gravações. A ficha técnica reúne ainda Luiz Carlos "Batera" dos Santos (bateria), Carlos Roberto Dias Correia (contrabaixo), Eugênio de Borba de Paula (guitarra e vocal de apoio), além de Carlos Gomes Amora, Paulo Massadas e Tianes Carvalho nos vocais de apoio, formando um time de músicos bastante atuante nas produções fonográficas brasileiras daquele período.

Como um dos últimos lançamentos de Adriana pela Continental, "Falsa Maquiagem" sintetiza uma prática comum da indústria fonográfica brasileira dos anos 1980: reunir em um mesmo compacto uma composição inédita de autores nacionais e uma versão em português de um sucesso internacional. Mais de quatro décadas depois, o disco permanece como um valioso registro da fase final da cantora na gravadora e da produção fonográfica brasileira daquele período.

A publicação contou com apoio cultural do Charles Portilho da loja 019 Discos de Nova Odessa/SP. Para comprar seu LP virtualmente, clique AQUI.

Faixas:
01. Falsa Maquiagem
02. Doce Mentira (Heartbreaker)

Para baixar o compacto em FLAC, clique AQUI.

Chanttilly - Fim de Semana Sem Grana (Compacto 7'') (1984)

A dupla Chanttilly foi formada pelos irmãos Hélio Santisteban e Noeli Santisteban. Hélio é mais conhecido por ter sido fundador, tecladista e vocalista do grupo Pholhas, enquanto Noeli atuou como cantora, atriz, dubladora, empresária e ativista.

Este foi o único trabalho lançado pela dupla: um compacto simples que traz, no lado A, "Fim de Semana Sem Grana", canção escolhida como tema da novela Amor com Amor Se Paga, e, no lado B, "Norte Sul".

Esta publicação contou com o apoio cultural de Charles Portilho, da loja 019 Discos, de Nova Odessa (SP). Para adquirir seu exemplar, clique  AQUI.

Faixas:
01. Fim de Semana Sem Grana
02. Norte Sul

Para baixar o compacto em FLAC, clique AQUI.

domingo, 19 de julho de 2026

Peninha - Peninha (1990)

Peninha é o quinto álbum do cantor e compositor Peninha, lançado em 1990 pelo selo Continental nos formatos LP e K7. O disco teve direção artística de Matheus Nazareth, coordenação de produção de Mauro Almeida e produção musical de Arnaldo Saccomani.

Gravado nos estúdios Transamérica, em São Paulo, durante o verão de 1990, o álbum reúne dez faixas que alternam composições do próprio Peninha com obras de outros importantes autores da música brasileira. O repertório inclui canções assinadas por Roberta Miranda, Aladim e Altay Veloso, Kaco Lopes e Ney Marques, Arnaldo Saccomani e Frankye Arduini, Virginia Keer e Xororó, Antonio Carlos & Jocafi e Júlio Cesar, além de Kayto Prieh.

Quatro faixas deste álbum — "São Tantas Coisas", "Boa Noite, Meu Amor", "Sonhos" e "O Amor Não Tem Explicação" — foram posteriormente relançadas em CD na coletânea Popularidade, lançada em 2000 pelo selo Continental EastWest e distribuída pela Warner Music Brasil. No entanto, três dessas quatro gravações apresentam uma masterização bastante comprometida, com limitações sonoras que não fazem justiça às fitas originais. 

Diante desse cenário, esta remasterização busca não apenas restaurar essas faixas em melhores condições de audição, como também recuperar em áudio digital as demais canções do LP, que permanecem inéditas nesse formato.

Faixas:
01. São Tantas Coisas
02. Boa Noite, Meu Amor
03. Sonhos
04. O Amor Não Tem Explicação
05. É Só Você Pensar Em Mim Que Eu Vou (Luciana)
06. Seja Eu, Seja Você
07. Falando Às Paredes
08. Pra Mim É Lei
09. Estrela Amante
10. Chance

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sexta-feira, 17 de julho de 2026

Os Trapalhões - Os Trapalhões (1984)

Em 1984, Os Trapalhões — quarteto formado por Renato Aragão, Dedé Santana, Mussum e Zacarias — lançaram, pelo selo EMI-Odeon, um álbum voltado ao público infantil.

Com repertório leve, alegre e lúdico, o disco reúne canções que exploram o universo da infância e conta com a participação especial da atriz e cantora Lucinha Lins nas faixas "Todo Mundo Deve Ser Mais Criança" e "Vamos À Luta". As duas músicas haviam sido lançadas originalmente em compacto simples, em 1983, como temas do filme Atrapalhando a Suate.

O ano de 1984 marcou a retomada da formação clássica do grupo, após um período de cerca de seis meses em que seus integrantes seguiram caminhos distintos. Nesse intervalo, Renato Aragão dedicou-se a produções cinematográficas por meio da Renato Aragão Produções, enquanto Dedé, Mussum e Zacarias fundaram a DaMuZa Produções e estrelaram, sem a participação de Renato, o filme Atrapalhando a Suate.

Mais do que representar esse reencontro artístico, o álbum passou a integrar uma fase bastante movimentada da carreira dos humoristas. Naquele mesmo ano, chegaram ao mercado outras duas trilhas sonoras ligadas ao universo dos Trapalhões, ambas lançadas pela Som Livre: O Trapalhão na Arca de Noé — protagonizado apenas por Renato Aragão — e Os Trapalhões e o Mágico de Oróz, já reunindo novamente o quarteto.

A direção artística ficou a cargo de Renato Corrêa. Os arranjos e regências foram divididos entre Antonio Adolfo (faixas 2 e 6), Eduardo Souto Neto (faixas 1, 3, 6, 9 e 10) e Reinaldo Arias (faixa 8), enquanto a produção executiva foi assinada por José Milton.

Lançado originalmente em um período de transição do mercado fonográfico brasileiro, com distribuição restrita e sem reedições oficiais em CD ou nas plataformas digitais, este álbum permaneceu por décadas conhecido apenas por colecionadores e por quem conservou o LP original. Esta nova remasterização procura preservar e tornar novamente acessível esse registro, permitindo que o disco possa ser redescoberto por antigos admiradores e também por uma nova geração de ouvintes.

Faixas:
01. Os Trapalhões 
02. Pintando O Sete
03. A Super Charanga
04. Todo Mundo Deve Ser Mais Criança (Part. Esp. Lucinha Lins)
05. Babá
06. Bicho Gente
07. O Circo
08. Suate
09. Vamos À Luta (Part. Esp. Lucinha Lins)
10. Castelos Encantados

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Grupo Cantamor - Roberto Carlos Com Amor (1980)

O Grupo Cantamor foi um quinteto vocal brasileiro formado na década de 1980, criado exclusivamente para gravar projetos da gravadora Som Livre. O conjunto era formado por Jane Duboc, Sonia Burnier (também conhecida como Sonia Bonfá), Edgardo, Jaime Luiz e Raymundo Bittencourt.

Seu repertório privilegiava releituras de grandes sucessos românticos da MPB, conduzidas por harmonias vocais elaboradas e arranjos refinados, características que fizeram dos álbuns uma opção voltada ao público apaixonado da época.

Apesar de sua breve trajetória, o Cantamor esteve longe de ser um grupo formado ao acaso. Três de seus integrantes já haviam compartilhado experiências profissionais antes mesmo da criação do projeto, enquanto os demais também possuíam carreiras consolidadas na música brasileira, reunindo diferentes vivências em estúdio e nos palcos.

Jane Duboc iniciou sua carreira em 1971 no duo Fein, ao lado de Gay Vaquer, seu primeiro marido. Em 1974, passou a integrar a banda de rock progressivo Bacamarte. Após sua participação no Cantamor, consolidou uma bem-sucedida carreira solo, gravando discos pela Continental que emplacou canções nas rádios e em trilhas de novelas da TV Globo.

Sonia Burnier integrou, nos anos 1970, a banda Aquarius, que teve uma canção incluída na trilha sonora internacional da novela O Casarão. Também fez parte de Ronnie e a Central do Brasil, grupo liderado por Ronald Mesquita, atuando como vocalista de apoio. Como cantora solo, interpretou os temas de abertura das novelas Te Contei? e Duas Vidas. Na década de 1980, passou a integrar a banda Sempre Livre sob o nome artístico de Sonia Bonfá.

Raymundo Bittencourt desenvolveu carreira como cantor, compositor, produtor, maestro e arranjador, assinando trabalhos para Antonio Carlos & Jocafi, Maria Creuza, Agepê, Silvio César, João Bosco, Quarteto em Cy e Burnier & Cartier. Também foi responsável por produções e arranjos da banda Aquarius e de Ronnie e a Central do Brasil, grupos dos quais Sonia Burnier fez parte, estabelecendo uma parceria profissional entre ambos antes da criação do Cantamor.

Jaime Luiz também possuía ampla experiência como músico de estúdio, realizando trabalhos de vocal de apoio e instrumentação para artistas como Jorge Ben Jor, Luiz Gonzaga e Ruy Maurity. Assim como Sonia Burnier, integrou Ronnie e a Central do Brasil, reforçando outra ligação profissional que antecedia a formação do Cantamor.

Quanto a Edgardo, as fontes consultadas foram escassas, não sendo possível identificar com segurança sua atuação artística fora do Cantamor. Ainda assim, sua participação no quinteto integra um projeto que reuniu músicos experientes e com reconhecida atuação no mercado fonográfico brasileiro.

Ao todo, o Cantamor realizou dois lançamentos: Roberto Carlos Com Amor e Amor Canto Primeiro Vol. 2. Ambos tiveram produção executiva, direção e arranjos vocais de Raymundo Bittencourt que, além de integrar o quinteto, foi o principal responsável pela concepção musical dos discos. A breve discografia do grupo evidencia o cuidado da Som Livre em reunir intérpretes tecnicamente preparados e profissionalmente conectados para um projeto que privilegiava a qualidade dos arranjos vocais e das interpretações.

O projeto Roberto Carlos Com Amor foi gravado em 24 canais nos Estúdios Sigla, no Rio de Janeiro, com direção de produção de Guto Graça Melo, criação da produção de Ramalho Neto, direção de estúdio, arranjos e regência de Marcos de Castro, arranjos de metais de Alberto Arantes e engenharia de gravação e mixagem de Carlos Eduardo de Andrade.

Faixas:
01. Um Jeito Estúpido de Te Amar / Vou Ficar Nú pra Chamar Sua Atenção
02. Café da Manhã / Falando Sério
03. Detalhes / Outra Vez
04. Pra Você / De Tanto Amor
05. Eu Disse Adeus / Se Você Pensa
06. Seu Corpo / Tente Esquecer
07. Olha / Como Vai Você
08. O Portão / Existe Algo Errado
09. Debaixo Dos Caracóis Dos Seus Cabelos / Abandono
10. O Show Já Terminou / Proposta

Para baixar o álbum em FLAC, clique AQUI.

segunda-feira, 13 de julho de 2026

Antonio Marcos - Antonio Marcos (1978)

Antônio Marcos Pensamento da Silva (São Paulo, 8 de novembro de 1945 — São Paulo, 5 de abril de 1992) foi cantor, compositor, humorista e ator brasileiro.

Entre 1960 e 1962, destacou-se no programa de Estevam Sangirardi, onde cantava, tocava violão e fazia humor. Em 1965, aos 19 anos, integrou o coro Golden Gate e iniciou sua trajetória nos palcos, participando das peças Pé Coxinho e Samba Contra 00 Dólar, de Pascoal Lourenço, apresentadas no Teatro de Arena. No cinema, estreou sob a direção de J. B. Tanko em Pais Quadrados... Filhos Avançados (1970), atuando posteriormente em Som, Amor e Curtição (1972) e outras produções. No teatro, integrou montagens marcantes como Arena Conta Zumbi (1969), dirigida por Augusto Boal, e Hair (1970), sob direção de Altair Lima.

Convidado por Ramalho Neto, gravou seu primeiro disco pela RCA Victor como integrante do grupo Os Iguais. Pouco tempo depois iniciou carreira solo e alcançou projeção nacional com a canção "Tenho Um Amor Melhor Que o Seu", de Roberto Carlos.

Em 1969, participou do V Festival da MPB da TV Record interpretando "Tu Vais Voltar", conquistando o quarto lugar e o prêmio de Melhor Intérprete.

Ao longo das décadas de 1970 e 1980 consolidou-se como um dos nomes populares da música romântica brasileira, emplacando sucessivos sucessos nas rádios. Entre eles destacam-se "Menina de Trança" (1970), "Oração de Um Jovem Triste" (1971), "Como Vai Você" (1973), posteriormente regravada por Roberto Carlos, "O Homem de Nazaré" (1973), regravada por Chitãozinho & Xororó em 1997, "Por Que Chora a Tarde" (1974), "Você Pediu e Eu Já Vou Daqui" (1977), "Sonhos de um Palhaço" (1977), tema da novela Espelho Mágico, "Calendário (Vai Meu Irmão)" (1978), que ganhou clipe exibido no Fantástico, "Quem Dá Mais" (1978), tema da novela O Profeta, além de "Alô" (1982) e "Corpo e Alma" (1984).

Em 1984, voltou a interpretar "E Não Vou Mais Deixar Você Tão Só", sucesso lançado por Roberto Carlos em 1968, embora essa nova gravação não tenha alcançado a mesma repercussão da versão original.

Paralelamente à carreira musical, também se destacou como ator. Na televisão, interpretou um dos principais papéis da novela Cara a Cara, da TV Bandeirantes, contracenando com a atriz Débora Duarte, com quem foi casado entre 1976 e 1980.

Antônio Marcos faleceu em 5 de abril de 1992, aos 46 anos, vítima de insuficiência hepática decorrente do consumo excessivo de álcool. Seu último registro fonográfico foi a faixa "Por Amor (Unchained Melody)", incluída no álbum Seleção de Sucessos, lançado pela gravadora Esfinge e também disponibilizado neste blog.

Lançado originalmente pela RCA em 1978, nos formatos LP e fita cassete, o álbum representa um dos trabalhos mais consistentes da fase do cantor na gravadora. Com repertório marcante e a participação especial da atriz Débora Duarte nas faixas "Sonho de Nós Dois" e "A Carta", permanece, no entanto, entre os poucos títulos de sua discografia pela RCA que nunca receberam reedição oficial em CD ou distribuição nas plataformas digitais.

Na ficha técnica, destacam-se a direção criativa de Osmar Zan, a coordenação artística e direção de estúdio de Marco Antonio Galvão e os arranjos e regências de Daniel Salinas. As gravações e mixagens, realizadas nos estúdios da RCA em São Paulo, tiveram como técnicos Edgardo Alberto Rapetti, Claudio Coev, Stelio Carlini e Walter Lima. A fotografia da capa é de F. Lucrécio Junior, com arte de Tebaldo.

Para esta republicação, o áudio recebeu um novo tratamento a partir do LP original, utilizando recursos de Inteligência Artificial para a redução de ruídos superficiais. O resultado proporciona uma audição mais limpa, preservando a identidade sonora da gravação e aproximando a experiência auditiva da proposta original do lançamento.

Faixas:
01. Vai Meu Irmão (Calendário)
02. Insultos
03. Gira Gira
04. Sonho de Nós Dois
05. Meia Volta
06. Quem Dá Mais
07. A Carta
08. Os Últimos Serão Os Últimos
09. Um Ano Sem Você
10. Parece Que Foi Ontem
11. Essas Mulheres
12. Pra Celebrar Você

Para baixar o álbum em FLAC, clique AQUI.