segunda-feira, 31 de agosto de 2026

Pop Cine Pop (1994)

Pop Cine Pop é uma coletânea lançada nos formatos LP, K7 e CD em 1994 pelo selo Globo Columbia, joint venture formada pela Som Livre e pela Sony Music. A seleção de repertório ficou a cargo de Sérgio Motta, com masterização de Sérgio Seabra, fotografia de capa de Paulo Sabugosa e projeto gráfico de Marciso “Pena” Carvalho.

A compilação procura resgatar temas de filmes que alcançaram grande popularidade em suas exibições na TV Globo, reunindo canções que se tornaram associadas a produções cinematográficas de diferentes épocas.

A principal ressalva fica por conta de alguns erros de curadoria na associação entre determinadas músicas e os respectivos filmes. O caso mais evidente é “The Lady in Red”, de Chris de Burgh, creditada na coletânea como tema de A Dama de Vermelho. O filme é de 1984 e sua principal canção-tema é “I Just Called to Say I Love You”, de Stevie Wonder, lançada naquele mesmo ano e composta especificamente para o filme, inclusive vencedora de Oscar. “The Lady in Red” foi lançada por Chris de Burgh somente em 1986, no álbum Into the Light e só apareceria como tema de outro filme no ano 1989, no caso Uma Secretária de Futuro. Trata-se, portanto, de um erro bastante evidente na identificação da faixa.

Outro caso que merece observação é “Unchained Melody”. A canção se tornou um dos grandes símbolos de Ghost – Do Outro Lado da Vida (1990), sendo resgatada no filme a versão que o Righteous Brothers gravou em 1965. Em Pop Cine Pop, entretanto, foi incluída a regravação de 1991, lançada no álbum Reunion. O renovado sucesso da música trazido após sua exposição no filme acabou reunindo novamente Bobby Hatfield e Bill Medley em estúdio para a gravação desse trabalho, no qual revisitaram alguns de seus antigos sucessos em novas gravações.

Nesse caso, é possível que a Globo Columbia tenha encontrado disponibilidade desta regravação através da All Disc, que naquele período licenciava fonogramas da Curb Records no Brasil. A escolha é compreensível dentro desse contexto, mas não muda um ponto importante: não é o mesmo fonograma ouvido em Ghost. A associação entre a música e o filme está correta; porém, a gravação apresentada na coletânea corresponde à versão posterior, bastante lembrada também pelos aficionados por teledramaturgia por ter embalado a cena final do último capítulo da novela Meu Bem Meu Mal (1991), quando Isadora (Sílvia Pfeifer) deixa a Venturini Design.

Esses detalhes podem passar despercebidos para quem ouve Pop Cine Pop apenas como uma coletânea de sucessos de outras épocas, mas ganham importância quando se observa a relação proposta entre as músicas e os filmes. Em alguns casos, há diferenças de fonograma que podem ser compreendidas dentro das circunstâncias comerciais daquele período.

Em outros, como “The Lady in Red”, a associação com A Dama de Vermelho parece um verdadeiro falso cognato musical: a coincidência entre o título da canção e o título brasileiro do filme sugere uma relação que nunca existiu. É uma inconsistência particularmente estranha em uma seleção assinada por Sérgio Motta, profissional reconhecido por seu trabalho de pesquisa e repertório, mas que não diminui o interesse da coletânea como registro daquele período, que por sinal foi sucesso de vendas, resultando até em um segundo volume no ano de 1995.

Faixas:
01. Take My Breath Away - Berlin
02. Footloose - Kenny Loggins
03. Weird Science - Oingo Boingo
04. Oh Pretty Woman - Roy Orbison
05. We Will Rock You - Warrant
06. The Lady in Red - Chris de Burgh
07. Everybody's Talkin' - Nilsson
08. Unchained Melody - Righteous Brothers
09. When I Fall in Love - Céline Dion & Clive Griffin
10. What a Wonderful World - Louis Armstrong
11. My Girl - The Temptations
12. Smoke Gets in Your Eyes - The Platters
13. I Can See Clearly Now - Jimmy Cliff
14. Smile - Robert Downey, Jr.

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domingo, 30 de agosto de 2026

Cassino do Chacrinha (1982)

Cassino do Chacrinha é uma coletânea lançada pela Som Livre em 1982, nos formatos LP e K7, reunindo canções de artistas ligados ao universo do programa apresentado por Abelardo “Chacrinha” Barbosa nas tardes de sábado da TV Globo.

A compilação teve coordenação geral e seleção de repertório de Francisco Santos e Ramalho Neto. O projeto gráfico traz fotografia de Paulo Rubens, fotografia de efeito especial de Ayrton Camargo, direção de arte de Cosme de Oliveira e arte-final de Tuninho de Paula.

Todas as faixas desta publicação foram ripadas diretamente do LP, utilizando agulha Ortofon Concorde Club, e posteriormente passaram por processo de remasterização, buscando preservar as características da gravação original.

Faixas:
01. Revelação de um Sonho - Carlos Alexandre
02. Voa Pombinha - Fernando Mendes
03. Reluz - Marcos Sabino
04. Vende-Se Um Coração - Sérgio Adriano
05. Querer e Perder - José Augusto
06. Eu Sou Aquela - Júlia Graciela
07. Sem Você - Tarcys Andrade
08. Olhos Coloridos - Sandra Sá
09. Etiquetas - Aguinaldo Timoteo
10. Conto de Fadas - Gilberto Lemos
11. Eco do Meu Grito - Bartô Galeno
12. Amor Alheio - Zai Gomide
13. Festa Portuguesa - Roberto Leal
14. Não Lhe Quero Mais - Edith Veiga

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You & I (1995)

 

“You & I” é uma coletânea de músicas internacionais lançada em LP, K7 e CD, em 1995, pelo selo Som Livre, com seleção de repertório de Sérgio Motta e masterização realizada pelo estúdio Promaster. A capa traz fotografia de Dario Zalis, projeto gráfico de Geysa Adnet e coordenação gráfica de Marciso “Pena” Carvalho.

A compilação reúne músicas marcadas pela presença de duetos vocais, seja por meio da participação especial de um artista no projeto de outro, seja pela formação de duplas vocais.

Faixas:
01. Don't Go Breaking My Heart - Elton John & Kiki Dee
02. Stop, Look, Listen (To Your Heart) - Marvin Gaye & Diana Ross
03. Reunited - Peaches & Herb
04. Ebony Eyes - Rick James & Smokey Robinson
05. Je T'Aime Moi Non Plus - Serge Gainsbourg & Jane Birkin
06. Where Is The Love - Roberta Flack & Donny Hathaway
07. Too Much, Too Little, Too Late - Johnny Mathis & Deniece Williams
08. The Closer I Get To You - Roberta Flack & Donny Hathaway
09. Kiss On My List - Daryl Hall & John Oates
10. Mockingbird - James Taylor & Carly Simon
11. All I Have To Do Is Dream - Andy Gibb & Victoria Principal
12. With You I'm Born Again - Billy Preston & Syreeta
13. Deep Purple - Nino Tempo & April Stevens
14. Parole, Parole - Alain Delon & Dalida

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Peter Frampton - Breaking All The Rules (1981)

 

Em 1981, Peter Frampton lançou Breaking All the Rules, álbum que marcou uma mudança perceptível em relação ao pop predominante em trabalhos anteriores. Depois de Where I Should Be (1979), o guitarrista passou a investir novamente em uma sonoridade mais diretamente ligada ao rock, movimento que já podia ser percebido no álbum/EP Rise Up, lançado especialmente no mercado latino-americano em 1980.

Rise Up antecipou parte importante do repertório que seria retomado no álbum que estava por vir. “I Don't Wanna Let You Go”, “You Kill Me”, “Wasting the Night Away”, “Rise Up” e “Breaking All the Rules” já haviam sido apresentadas naquele lançamento, em gravações diferentes das que chegariam ao mercado mundial em 1981. Para Breaking All the Rules, essas canções foram regravadas sob a produção de Peter Frampton e David Kershenbaum, recebendo um tratamento mais encorpado e voltado ao rock.

As sessões contaram com músicos como Jeff Porcaro, na bateria, e Steve Lukather, na guitarra, ambos integrantes do Toto, além do baixista John Pierce e do tecladista Arthur Stead. A presença desses músicos contribuiu para a formação instrumental que caracteriza o álbum, com maior peso das guitarras e da seção rítmica.

A faixa-título nasceu de uma parceria entre Peter Frampton e Keith Reid, conhecido principalmente pelo trabalho como letrista do Procol Harum e por sua participação na composição de “A Whiter Shade of Pale”. A letra de “Breaking All the Rules” trabalha ideias de inconformismo, individualidade e contestação, acompanhando a mudança de direção musical proposta pelo álbum.

Embora Breaking All the Rules não tenha repetido nos Estados Unidos o desempenho comercial alcançado por Frampton na segunda metade da década de 1970, o álbum teve uma trajetória particularmente significativa na América Latina. No Brasil, sua faixa-título ganhou forte exposição, beneficiada também pela utilização da gravação anterior, lançada em Rise Up, em uma campanha dos cigarros Hollywood ainda no período que antecedeu a consolidação da versão de 1981.

Dessa forma, Breaking All the Rules mantém uma ligação especialmente interessante com o mercado latino-americano: parte de seu repertório havia sido apresentada primeiro em Rise Up, e a própria faixa-título começou a ganhar projeção no Brasil por meio daquela gravação anterior, antes de receber a versão definitiva lançada mundialmente no álbum de 1981.

Para esta publicação, remasterizei o conteúdo a partir de uma edição americana do LP, utilizando agulha Ortofon Concorde Club. O exemplar foi gentilmente cedido pela 019 Discos, a quem agradeço, especialmente ao Charles Portilho, por disponibilizar o material em excelente estado de conservação.

Justamente pelas boas condições do disco, foi necessária apenas a redução do ruído residual com o MVSep DeNoise, sem a necessidade de intervenções mais extensas. A qualidade sonora encontrada neste LP mostrou-se bastante superior à edição em CD, razão pela qual optei por utilizá-lo como fonte para esta remasterização.

Faixas:
01. Dig What I Say
02. I Don't Wanna Let You Go
03. Rise Up
04. Wasting The Night Away
05. Going To L.A. - Peter Frampton
06. You Kill Me
07. Friday On My Mind
08. Lost A Part Of You
09. Breaking All The Rules

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Peter Frampton - EP Rise Up (1980)

 

Rise Up foi um álbum/EP lançado por Peter Frampton em 1980, especialmente voltado ao mercado latino-americano e relacionado à turnê que o guitarrista realizou pela região naquele ano. O disco funcionou também como uma prévia da nova fase de sua carreira, antecipando parte do repertório que seria retomado no álbum Breaking All the Rules, lançado mundialmente no ano seguinte.

Editado pela A&M Records, Rise Up teve lançamentos no Brasil, Venezuela, Argentina, Costa Rica e Colômbia, com diferenças entre algumas edições — entre elas, a capa colombiana, apresentada em versão colorizada.

O repertório reuniu gravações então inéditas e registros ao vivo. Parte das músicas inéditas pode ser entendida como uma primeira apresentação do material que Frampton vinha preparando para Breaking All the Rules, ainda em versões anteriores às gravações que seriam lançadas no álbum de 1981.

Entre elas estão “You Kill Me” e “Wasting the Night Away”, compostas por Frampton; “I Don't Wanna Let You Go”, de David Finnerty; “Rise Up”, dos irmãos Alessi; e “Breaking All the Rules”, parceria de Peter Frampton com Keith Reid. O disco inclui ainda “Midland Maniac”, composição de Steve Winwood, além de duas gravações ao vivo: “I Can't Stand It”, originalmente lançada em Where I Should Be (1979), e “I'm in You”, faixa-título do álbum de 1977.

A produção ficou a cargo de David Kershenbaum e Peter Frampton. Nas gravações participaram Anton Fig e John Siomos, na bateria; Bob Mayo, nos teclados e guitarra-base; e Steve Buslowe, no baixo.

Musicalmente, Rise Up apresenta uma abordagem mais direta, baseada na dinâmica de uma banda tocando em conjunto e menos apoiada no acabamento pop presente em parte da produção de Frampton na década anterior. Essa característica ajuda a compreender o disco como um registro de transição entre o final dos anos 1970 e a sonoridade que seria desenvolvida em Breaking All the Rules.

No Brasil, “Breaking All the Rules” ganhou uma divulgação particular por meio de uma campanha dos cigarros Hollywood, da Souza Cruz. Segundo relato publicado no livro Contos do Rock – Histórias dos bastidores do rock brasileiro contadas por quem estava lá, a iniciativa partiu de Marcos Maynard, então diretor internacional da CBS, companhia que distribuía o catálogo da A&M Records no país.

Às vésperas de uma nova passagem de Peter Frampton pelo Brasil, um diretor da A&M teria procurado Maynard em busca de uma maneira de promover o artista, que chegava ao país sem um novo sucesso de grande repercussão. Maynard identificou potencial em “Breaking All the Rules” e sugeriu sua utilização, sem cobrança, em um dos comerciais da Hollywood, então conhecidos pela forte presença na televisão e pelo slogan “Hollywood, O Sucesso”. A exposição da música na campanha ajudou a impulsioná-la nas emissoras FM brasileiras.

O episódio teria provocado inicialmente a irritação de Frampton ao descobrir que sua música estava associada a uma propaganda de cigarros. Segundo o relato, porém, depois de perceber a repercussão alcançada durante a turnê, o próprio músico teria procurado Maynard e, em tom bem-humorado, perguntado se não havia outro comercial da Hollywood no qual pudesse colocar mais uma de suas músicas.

O caso é relatado em Contos do Rock – Histórias dos bastidores do rock brasileiro contadas por quem estava lá, organizado por Daniel Ferro e publicado pela Editora Dublinense. Curiosamente, a própria capa de Rise Up traz Peter Frampton fumando um cigarro, encostado a um portão — imagem que também antecipa a estética adotada posteriormente em Breaking All the Rules. A coincidência torna ainda mais irônica a reação inicial de Frampton ao descobrir que a faixa havia sido utilizada em um comercial dos cigarros Hollywood no Brasil.

Um detalhe importante pode ser identificado nos próprios registros da propaganda preservados em gravações domésticas da época: a versão de “Breaking All the Rules” utilizada no comercial da Hollywood é a gravação presente em Rise Up, de 1980, anterior à versão definitiva lançada por Frampton no álbum homônimo de 1981.

Posteriormente, quando a CBS lançou a série de coletâneas Isto É Hollywood, reunindo músicas associadas às campanhas da marca, essa gravação de Rise Up não foi recuperada. Para a coletânea, foi utilizada a versão oficial lançada em 1981 no álbum Breaking All the Rules. Assim, os registros em VHS da propaganda ajudam a documentar uma particularidade que as coletâneas posteriores não preservaram: o comercial brasileiro foi originalmente veiculado com a versão anterior da música, lançada no LP Rise Up.

A remasterização integral do LP foi realizada a partir da captura com agulha Ortofon Concorde Club. O áudio passou pela redução de clicks e crackles com o Pinnacle Clean, seguida pela remoção do chiado residual com o MVSep DeNoise. Dessa forma, o tratamento buscou recuperar o material diretamente de sua fonte em vinil, preservando as características da gravação e registrando de maneira transparente as intervenções realizadas nesta versão.

No LP, a inédita “Midland Maniac” tem seu final emendado aos aplausos que antecedem a faixa seguinte, “I Can't Stand It”. Na recuperação do áudio, fiz questão de desmembrar as duas faixas utilizando a ferramenta Crowd Removal, do MVSep, permitindo que “Midland Maniac” fosse preservada como um registro independente.

Como gosto muito do álbum Breaking All the Rules e especialmente dessas gravações que anteciparam parte de seu repertório, nada mais justo do que dedicar a Rise Up um trabalho de recuperação à altura, reunindo áudio e material gráfico em um acabamento que esse lançamento que, até hoje, permanece sem edição digital oficial.

LP adquirido com a ajuda do amigo Israel Castro (Campina Grande – PB).

Faixas:
01. You Kill Me
02. I Don't Wanna Let You Go
03. Rise Up
04. Breaking All The Rules
05. Wasting The Night Away
06. Midland Maniac
07. I Can't Stand It (Live)
08. I'm In You (Live)

Para baixar este EP em FLAC, clique AQUI.

sábado, 29 de agosto de 2026

Dolly Parton - Love Songs (2006)

 

Dolly Parton (1946–2026) foi uma das maiores lendas da música mundial, consagrada internacionalmente como a "Rainha do Country". Nascida em uma cabana humilde no Tennessee, ela construiu um império como cantora, compositora, atriz e filantropa, vendendo mais de 100 milhões de discos ao longo de seis décadas de carreira. A artista faleceu em agosto de 2026, aos 80 anos, em Nashville.

Como singela homenagem, estou publicando a coletânea Love Songs, lançada pela Sony Legacy em 2006. 

Faixas: 
01. But You Know I Love You
02. Islands in the Stream (with Kenny Rogers)
03. I Will Always Love You
04. Here You Come Again
05. Love Is Like a Butterfly
06. You Are
07. I Really Got the Feeling
08. You're the Only One
09. Real Love (with Kenny Rogers)
10. Heartbreaker
11. We Used to
12. Think About Love
13. Old Flames Can't Hold a Candle to You
14. Please Don't Stop Loving Me (with Porter Wagoner)

Para baixar esta coletânea em FLAC, clique AQUI.

sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Carpenters - Medley (1987)

O LP promocional Carpenters Medley foi produzido pela PolyGram do Brasil Ltda. e distribuído exclusivamente às emissoras de rádio como ferramenta de divulgação da coletânea A Arte de Carpenters. Lançado em formato de LP promocional, o disco também prestava uma homenagem à cantora Karen Carpenter, falecida em 4 de fevereiro de 1983, aos 32 anos.

Quando se coloca no LP a informação de que foi "produzido, mixado e editado por um D.J." e os títulos recebem os sugestivos nomes de Carpenters Memix e Carpenters Memedley, fica evidente o tom bem-humorado da mensagem deixada na contracapa. Não se afirma que foi Marcelo "Memê" Mansur quem está por trás das mixagens, mas fica a pergunta: que DJ você acha que cometeu essa façanha? rs...

Apesar de a documentação não confirmar essa atribuição, a ausência de um crédito nominal torna o registro ainda mais atraente. Afinal, se o DJ fosse questionado sobre quem realizou as mixagens, certamente responderia: "Não sei quem fui."

O Gazeta do Som tem o prazer de apresentar, com exclusividade, esta remasterização, preservando mais um raro registro da história da divulgação fonográfica brasileira.

Faixas:

01. Caarpenters Memix - Carpenters
(They Long Be) Close To You / We've Only Just Begun / Sing / Only Yesterday / There's A Kind Of Hush / Please Mr. Postman

02. Carpenters Memedley - Carpenters
You're Enough / I Need To Be In Love / Make Believe It's Your First Time / Yesterday Once More / Superstar / Bless The Beats And Children

Para baixar este Promocional 12'' em FLAC, clique AQUI.

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Bee Gees - Bee Gees Mix (1987)

Produzido pela PolyGram em 1987 para divulgação da coletânea Love Hits, dos Bee Gees, este LP promocional traz duas sequências exclusivas preparadas pelo DJ Marcelo “Memê” Mansur, responsável pela produção, mixagem e masterização do material.

Diferentemente de simplesmente reproduzir faixas da coletânea, o disco apresenta o repertório em dois medleys especialmente editados para o formato promocional. No primeiro lado está “The Bee Gees Megamix”, reunindo seis músicas do grupo em uma única sequência. No outro, “The Bee Gees Memix” — título que brinca com o apelido de Memê — apresenta mais seis canções costuradas em uma segunda mixagem.

O resultado é um registro bastante particular da divulgação de Love Hits e também do trabalho desenvolvido por Marcelo “Memê” Mansur para a PolyGram naquele período, quando discos promocionais preparados especialmente para emissoras de rádio e DJs permitiam apresentar o repertório dos artistas em edições que não faziam parte dos álbuns comerciais.

Em 25/03/2025, produzi a remasterização deste disco utilizando a agulha Ortofon Concorde Mix, obtendo um resultado de áudio incrível e marcante. Agora, em 25/08/2026, revisitei o trabalho, acrescentando uma etapa de limpeza com o MVSep DeNoise Standard, além de uma nova equalização e da remoção de alguns estalinhos pontuais que ainda haviam permanecido na gravação.

Faixas

01. The Bee Gees Megamix
Produzido por DJ Memê

Love So Right / Too Much Heaven / Fanny (Be Tender With My Love) / Love You Inside Out / You Stepped Into My Life / How Deep Is Your Love

02. The Bee Gees Memix
Produzido por DJ Memê

I Started a Joke / I Still Love You / (Our Love) Don't Throw It All Away / Reaching Out / Someone Belong to Someone / How Can You Mend a Broken Heart


Para baixar este Promocional em FLAC, clique AQUI

quarta-feira, 26 de agosto de 2026

Ponto e Vírgula - Aquela Velha História (1980)

Ponto e Vírgula foi um projeto musical surgido na década de 1970, tendo entre seus integrantes Tukley, nome artístico do paranaense Tuclay Ganzert, natural de Tomazina/PR, e o cantor e compositor Marcelo Fasolo, natural de Santo Ângelo/RS.

A trajetória do Ponto e Vírgula passou por diferentes formações ao longo daquela década. Tukley e Marcelo Fasolo estiveram juntos na fase que revelou “Chacrilongo”, enquanto posteriormente o projeto também contou com a participação de Lu Stopa. Entre as músicas associadas ao Ponto e Vírgula está “Laiká Nóis Laika (Mas Money Que É Good Nóis Não Have)”, cuja irreverente mistura de português e inglês acabou sendo lembrada muitos anos depois pela expressão “money que é good nóis não have”, popularizada pelos Mamonas Assassinas na música “1406”.

A história conhecida do Ponto e Vírgula costuma se concentrar nesses registros dos anos 1970. No entanto, um compacto duplo lançado pela Continental em 1980 revela que o projeto teve continuidade sem Tukley, permanecendo diretamente ligado a Marcelo Fasolo.

Nesse disco, Fasolo assina três das quatro músicas: “Deixe Dessa Frescura”, “Bole Bole” e “Rita Lee”. A única exceção é “Aquela Velha História”, composta por Cláudia.

A capa do compacto registra Marcelo Fasolo ao lado de uma cantora loira, cuja identidade não é informada no disco. Entre os créditos, chama atenção justamente o nome de Cláudia, que aparece apenas como autora de “Aquela Velha História”.

Até o fechamento desta publicação, o Gazeta do Som procurou contato com Marcelo Fasolo na tentativa de esclarecer quem era sua parceira no Ponto e Vírgula nessa fase, já que Tukley havia seguido por outra vereda musical, que incluiu trabalhos ao lado de Raul Seixas.

As gravações contaram com a participação do Conjunto Placa Luminosa, com Ari (baixo), Riba Nascimento (guitarra), Jota Resende (teclados), Luiz Gadelha (percussão e bateria) e Mário Lúcio Marques (sax). Mário Lúcio teve participação especialmente importante no projeto, assinando também os arranjos, a regência e a mixagem, além de dividir a produção com Marcelo Fasolo. Na função de produtor, aparece creditado pelo apelido “Pé de Louro”.

Participaram ainda Pique Riverte no acordeon e sax, T. Maia na percussão e Marco, Bisa e Rosana nos vocais.

Entre as faixas, chama atenção “Rita Lee”, homenagem de Marcelo Fasolo à cantora e compositora. A letra faz diversas referências ao repertório de Rita, enquanto o arranjo segue uma linha de rock próxima à sonoridade que marcou parte de sua carreira nos anos 1970.

Alguns detalhes curiosos cercam os créditos do disco. O misterioso “T. Maia”, indicado na percussão, trata-se de Tim Maia, embora a ficha técnica do compacto apresente apenas a forma abreviada de seu nome. Já os vocalistas creditados simplesmente como Marco, Bisa e Rosana são, respectivamente, Marku Ribas, Bisa Nascimento — irmã de Riba Nascimento — e Rosana Fiengo, que anos mais tarde alcançaria projeção nacional com “O Amor e o Poder (The Power of Love)”.

O compacto de 1980 torna-se especialmente interessante por documentar uma fase pouco conhecida do Ponto e Vírgula: já sem Tukley, mas com Marcelo Fasolo dando continuidade ao projeto, agora acompanhado em estúdio pelos músicos do Placa Luminosa.

O comerciante de discos e DJ de Sumaré, Charles Portilho, cedeu o compacto para a remasterização, realizada ainda em 2025. A captura foi feita com agulha Shure M44G, seguida de limpeza de estalos e ruído residual, além de uma boa equalizada nos graves, médios e agudos. Não espere milagre, é um compacto da Continental!

Faixas:
01. Aquela Velha História
02. Deixe Dessa Frescura
03. Bole Bole
04. Rita Lee

Para baixar o compacto em FLAC, clique AQUI.

Truke - Dá Um Break/ Vai Girar (1984)

O Truke foi formado no Rio de Janeiro, em julho de 1983, reunindo músicos que já haviam passado por outros grupos e trabalhos: Ari Mendes (guitarra; ex-Veludo e ex-Ney Matogrosso), Cândido Soza (bateria; ex-Vimana e ex-Fagner), Ricardo Mará (baixo; ex-Semente e ex-Leo Jaime) e Rony Vanilla (vocalista, ator, poeta e dançarino).

A banda deixou registrado um compacto simples com duas faixas. No lado A, “Dá Um Break” segue uma linha dançante próxima do breakbeat, com influências do funk norte-americano e do rhythm and blues. No lado B, “Vai Girar” se aproxima da new wave, gênero bastante presente no rock daquele período. O compacto acaba reunindo, assim, duas vertentes que estavam em evidência na primeira metade dos anos 1980. Curiosiamente, esta faixa aparece na coletânea "Radio Cidade Danceteria", lançada pela Rádio Cidade do Rio de Janeiro em 1984.

Antes do fim da banda, o Truke participou, em 1985, da coletânea Rock In Brazil, lançada pela RCA, com a faixa exclusiva “Franco Atirador”. Essa coletânea também se encontra disponível neste blog.

O compacto foi digitalizado e remasterizado em 19 de abril de 2025, com uso de agulha Shure M44G. Em 25 de agosto de 2026, o arquivo obtido naquela captura foi revisitado, recebendo uma nova etapa de limpeza com o MVSep DeNoise, além de reequalização do áudio.

Esta publicação foi possível graças à cessão do compacto pertencente ao acervo particular do amigo Charles Portilho, da 019 Discos, de Nova Odessa/SP, a quem deixo meu agradecimento pelo apoio.

Para comprar LPs pela loja na internet, clique AQUI.

Para baixar o compacto em FLAC, clique AQUI.

Zenith - Zenith (1989)


Formado no início dos anos 1980 em Mogi Guaçu/SP, o Zenith desenvolveu um repertório próprio, com letras em português e uma sonoridade ligada ao hard rock, A.O.R. e rock progressivo.

A formação mais conhecida reuniu Rogério Nogueira (vocal), Dé Vasconcellos (guitarra), Marcus V. Lima (baixo), Hamilton Lima (bateria) e, posteriormente, Zuza (teclados).

Entre 1984 e 1985, Rogério afastou-se temporariamente do grupo e foi substituído por Beto Cruz. Durante sua passagem pelo Zenith, Beto compôs e ensaiou quatro músicas com a banda, duas em português e duas em inglês. Entre elas estavam “Change My Evil Ways” e “Solange”, posteriormente retomadas pelo músico em seu trabalho com A Chave do Sol. “Solange” seria gravada no álbum The Key, de 1987.

Há ainda outra ligação entre as duas bandas: Dé Vasconcellos é José Carlos Vasconcelos, guitarrista creditado no álbum The Key.

Com o retorno de Rogério Nogueira, o Zenith seguiu com sua formação e, em 1989, lançou seu álbum homônimo pela Eldorado. O disco teve direção artística de Antonio Duncan e produção de Luiz Carlos Maluly, produtor que também trabalhou com nomes como Rádio Táxi, Tokyo e Ultraje a Rigor.

Uma das músicas de trabalho do álbum foi “Doce Mãe”. Segundo Rogério, a letra utilizava a figura da “mãe” como uma metáfora para o Brasil — um país vendido, explorado e ferido. A música teve circulação nas rádios do interior paulista e é lembrada pelo radialista Edmilson Pinheiro, de Ibitinga/SP, pela repercussão que alcançou nas FMs da região naquele período.

O repertório traz ainda faixas como “Asas”, “Dia-a-Dia” e “Spotlights”. Esta última tem origem justamente no período em que Beto Cruz integrou o Zenith: trata-se de uma versão em português de “Change My Evil Ways”, composta por Dé Vasconcellos e Beto Cruz. Por essa razão, Roberto da Silva Cruz (Beto Cruz) aparece entre os compositores da faixa no LP.

O álbum chega ao CD

Em julho de 2025, o selo Classic Rock Records lançou oficialmente Zenith em CD pela primeira vez, com remasterização realizada no Studio Mosh, em São Paulo. O lançamento aconteceu pouco depois de o álbum completar 35 anos, em 2024, colocando novamente em circulação um trabalho que até então permanecia restrito ao LP original.

A remasterização apresentada nesta publicação, porém, não utiliza o áudio desse CD. Trata-se de um trabalho alternativo, realizado diretamente a partir do LP original de 1989, capturado com agulha Shure M44G. O áudio extraído do vinil foi posteriormente tratado em 13/07/2025 para redução de estalos e outras interferências próprias da reprodução analógica, procurando preservar as características sonoras do registro disponível no LP. Mais de um ano depois, revisitamos este áudio para aplicar uma camada de limpeza de áudio no MVSep DeNoise.

Dessa forma, ficam disponíveis duas referências distintas do álbum: a remasterização oficial lançada em CD, realizada pelo Studio Mosh, e esta recuperação independente feita a partir do LP.

Fica registrado meu agradecimento especial a Charles Portilho, da 019 Discos, de Nova Odessa/SP, pelo apoio cultural dado a esta publicação.

Quem quiser conhecer a loja pode encontrá-la na Rodoviária de Nova Odessa. Às quintas-feiras, o espaço permanece aberto até as 22h, acompanhando o horário da tradicional feira noturna realizada no local. Para compras on-line, acesse o site AQUI.

Faixas: 
01. Dama da Escuridão
02. Doce Mãe
03. Estrelas Foscas
04. Asas
05. Spotlights
06. Dia a Dia
07. Muros
08. Curvas de Um Rio

Para baixar o album em FLAC, clique AQUI.

Faffy - Sabotagem/ Frescuras (1981)

Fafy Siqueira, nome artístico de Fátima de Figueiredo, nasceu na Tijuca, no Rio de Janeiro, em 17 de outubro de 1954. Atriz, humorista, imitadora, cantora, compositora e produtora, tornou-se conhecida pela versatilidade de sua carreira, com trabalhos no teatro, na televisão, no cinema e também na música.

Na televisão, destacou-se especialmente na comédia, participando de programas como Escolinha do Professor Raimundo e Zorra Total, além de integrar o elenco de novelas como Hipertensão, Mandala, Quem É Você?, Zazá, Cobras & Lagartos e Sangue Bom. No cinema, tornou-se conhecida também pelo público infantojuvenil como a governanta Dona Sofia, em Sonho de Verão, filme que ganhou grande exposição com suas reprises na Sessão da Tarde, da TV Globo.

Na música, após o álbum Posso Falar?, lançado em 1979 pela CBS, Fafy participou, em 1981, do Festival Shell de Música Popular Brasileira com “Sabotagem”, composição de sua autoria em parceria com Fhernanda Fernandes. Embora a canção não tenha chegado às semifinais, naquele mesmo ano a cantora lançou pela RGE um compacto simples contendo “Sabotagem” e “Frescuras”, esta última composta por Fafy em parceria com Sandra Sá.

As duas faixas do compacto foram remasterizadas a partir do vinil com o uso de agulha Shure M44G. Agora em agosto de 2026, os áudios ganham uma camada de limpeza de ruídos residuais com aporte do MVSep DeNoise.

Mais uma vez, deixo meu agradecimento especial pelo apoio cultural a esta publicação ao amigo Charles Portilho, proprietário da 019 Discos, em Nova Odessa. A loja fica na Rua Rio Branco, 698, Centro, Nova Odessa/SP, CEP 13380-003. Para comprar on-line, clique AQUI.

Para baixar o compacto em FLAC (Lossless), clique AQUI.

Quando preservar a música vira responsabilidade de ninguém

De tempos em tempos, quando se fala sobre discos antigos que continuam fora das plataformas digitais, álbuns disponibilizados de maneira incompleta ou gravações que chegam ao streaming sem qualquer cuidado aparente, surge a mesma crítica: “o artista deveria cuidar melhor da própria obra.”

Só que essa discussão já começa pelo lugar errado.

É muito fácil atribuir ao artista a responsabilidade pela preservação de um catálogo construído dentro de uma indústria que, durante décadas, concentrou gravações, masters, contratos, fabricação e distribuição nas mãos das gravadoras. E mesmo hoje, quando o mercado mudou completamente, colocar um álbum antigo nas plataformas não significa simplesmente encontrar uma fita, apertar um botão e enviá-la para uma agregadora.

Existe um trabalho no meio desse caminho.

Digitalizar uma fonte analógica, localizar a melhor master disponível, avaliar seu estado, restaurar quando necessário, corrigir problemas e preparar tecnicamente o áudio para uma nova publicação exige conhecimento e equipamento. É trabalho para profissionais especializados, especialmente engenheiros de áudio. Nem todo músico domina esse processo — e não existe motivo para presumir que deveria dominar.

Eu mesmo trabalho com recuperação e tratamento de áudio por hobby e não me apresento como engenheiro de áudio. Quanto mais se conhece esse processo, mais evidente fica que existe um caminho técnico, demorado e muitas vezes caro entre possuir uma gravação e ter uma master adequadamente preparada para publicação.

Do outro lado estão as gravadoras.

Hoje, o mercado fonográfico está fortemente orientado para distribuição digital, volume de reproduções e arrecadação de royalties. Dentro dessa lógica, recuperar cuidadosamente um álbum antigo, principalmente aquele de menor potencial comercial, nem sempre parece justificar investimento. Se existe uma master pronta para ser colocada no catálogo, ótimo. Ela entra no sistema. Quando não existe — ou quando a fonte disponível necessita de restauração — a qualidade pode acabar ficando no último plano.

Também não se pode esquecer da questão econômica.

Quando uma gravadora disponibiliza uma obra cujo fonograma está sob seu controle, o artista participa da remuneração conforme os contratos e direitos envolvidos. Quando o próprio artista tenta assumir a distribuição de determinado material, aparece outro universo: agregadoras, titularidade dos fonogramas, custos de preparação, acesso às fontes, documentação e divisão das receitas.

Portanto, a pergunta talvez não devesse ser “por que esse artista não cuidou da própria obra?”

Talvez devêssemos perguntar: quem possui essa obra, quem possui a master, quem pode explorá-la comercialmente e para quem seria economicamente interessante investir na sua recuperação?

São perguntas muito diferentes.

E ajudam a explicar por que tantos trabalhos permanecem no limbo: alguns incompletos nas plataformas, outros disponíveis a partir de fontes questionáveis e muitos simplesmente inexistentes no catálogo digital.

É justamente nesse espaço que surgem iniciativas de colecionadores, pesquisadores e entusiastas.

Não porque pretendam substituir gravadoras, engenheiros de áudio ou os próprios artistas. Muito menos porque possuam estrutura equivalente à de um estúdio profissional. Muitas vezes é simplesmente alguém diante de um LP, uma boa cápsula, equipamentos, softwares e disposição para gastar horas tentando recuperar uma gravação que a indústria deixou para trás.

É importante também estabelecer essa diferença: o que fazemos aqui é hobby.

Não existe a pretensão de assumir o papel de uma gravadora nem de transformar esse trabalho em exploração comercial de catálogo alheio. A proposta é outra: recuperar, pesquisar, contextualizar e compartilhar gratuitamente músicas e discos pelos quais existe interesse histórico, afetivo ou simplesmente musical.

Talvez por isso seja tão cansativo transformar toda discussão sobre um álbum ausente em julgamento sobre quem “se importou” ou “não se importou” com determinada obra.

A situação é muito mais complexa.

Às vezes o artista se importa e não possui a master. Às vezes possui material, mas não dispõe dos recursos técnicos necessários. Às vezes os direitos pertencem a terceiros. Às vezes a gravadora possui a gravação, mas não enxerga retorno em recuperá-la. E às vezes ninguém sequer sabe ao certo onde foi parar a melhor fonte daquele fonograma.

No final, sobra uma contradição curiosa do nosso tempo: nunca foi tão fácil distribuir música e, ao mesmo tempo, parte considerável da história da música gravada continua dependendo de alguém se importar o suficiente para preservá-la.

É exatamente aí que começa o nosso trabalho.


terça-feira, 25 de agosto de 2026

Paula Fernandes - 2 Em 1 (2026)

 

Prestes a completar 42 anos, em 28 de agosto de 2026, e 33 anos de carreira, iniciada com o lançamento de seu primeiro LP, a cantora Paula Fernandes de Souza, mais conhecida como Paula Fernandes, natural de Sete Lagoas/MG, finalmente disponibilizou nas plataformas digitais alguns dos trabalhos que ainda faltavam chegar ao conhecimento do grande público.

A cantora parece viver um verdadeiro turbilhão de emoções ao revisitar uma parte da própria carreira que permaneceu durante décadas no limbo, recuperando gravações de diferentes fases de sua formação artística e permitindo que o público conheça uma trajetória muito anterior àquela que a consagrou nacionalmente.

Somente em agosto, a cantora lançou em formato de EP uma versão remasterizada do álbum que gravou aos 9 anos de idade.

Também chegou às plataformas “Voarei”, ou pelo menos parte do álbum que Paula lançou em 1995, aos 11 anos, sob o nome artístico de Ana Rayo, pelo selo MCK. O nome, aliás, foi adotado na esteira do grande sucesso da novela A História de Ana Raio e Zé Trovão, exibida pela TV Manchete.

A Jeito de Mato, editora de Paula Fernandes, disponibilizou o trabalho nas plataformas digitais, mas ficaram de fora as faixas “Peão de Boiadeiro”, de Paula Fernandes e Diogo Angélica, com locução de Serginho Viola, e “Você Me Faz Bem”, de Carlos Randall e Jefferson Farias.

Como se não bastasse, o público ainda foi surpreendido com a chegada de gravações do álbum que Paula Fernandes realizou aos 17 anos, pelo selo Number One, de Eduardo Araújo, cujo catálogo privilegiava uma vertente sertaneja bastante ligada à country music. Foram disponibilizadas nove faixas, em lançamento mundial pela Universal Music, que adquiriu os direitos para essa edição.

Nesse caso, porém, permanece um mistério. Como o público praticamente não teve acesso ao CD na época, pouco se conhece sobre sua configuração original. Sabe-se que, em 2001, “Quem É o Cara?” e “Fotografia” chegaram a ser lançadas em um single promocional pela Number One, mas são escassos os vestígios do álbum completo. É possível que existam outras faixas e que elas não tenham integrado o lançamento atual por questões relacionadas aos direitos de publicação, mas, sem informações oficiais, isso permanece apenas como hipótese.

É um feito e tanto. Victor & Leo, por exemplo, também possuem dois álbuns lançados pela Number One, mas esses trabalhos continuam fora das plataformas digitais. No caso de Paula Fernandes, o público vinha pedindo justamente o resgate dessas gravações antigas — e foi atendido. É um passo importante para revelar uma fase de sua carreira que permaneceu durante décadas praticamente desconhecida.

Afinal, para grande parte do público, a trajetória anterior de Paula Fernandes só começou a ganhar visibilidade nacional com “Dust in the Wind”, versão de inspiração celta incluída na trilha da novela Páginas da Vida.

E há ainda uma curiosidade: o público poderá ouvir uma primeira versão de “Não Precisa”, canção que seria registrada oficialmente ao vivo em 2011, e perceber como a Paula Fernandes daquela fase apresentava uma interpretação bastante próxima da estética vocal de Sandy, cantora que ela própria já apontou como uma de suas referências. A semelhança, especialmente em alguns momentos da interpretação, chama bastante a atenção.

Como forma de comemorar esses lançamentos e considerando a quantidade de faixas disponibilizadas, compilei em um 2 em 1 os dois trabalhos que compreendem a fase adolescente de Paula Fernandes: “Voarei”, lançado em 1995, quando tinha 11 anos, e “Quem É o Cara?”, gravado aos 17 anos e do qual se conhecem registros lançados em 2001. A proposta é reunir dois momentos distintos dessa fase inicial e acompanhar também seu amadurecimento vocal durante a adolescência, especialmente no segundo trabalho, em que sua interpretação já se aproxima muito mais do registro que marcaria sua carreira adulta.

Nas faixas que ficaram de fora da remasterização disponibilizada pela Universal Music, realizei um trabalho de recuperação tonal a partir dos arquivos de uma edição que circulou de forma não oficial em 2024, ainda sob o pseudônimo Ana Rayo e, ao que consta, sem a participação ou ciência da cantora. O tratamento permitiu recuperar essas gravações e reuni-las às demais faixas neste projeto, preservando da melhor forma possível as características do material disponível.

Faixas:
01. Voarei
02. Peão de Boiadeiro
03. Você Me Faz Bem
04. O Boxeador (The Boxer)
05. Amar, Te Amar e Te Amar
06. Sanfona Chora
07. A Voz do Silêncio
08. Me Leva Contigo
09. Sonho Sem Fim
10. Tô Saindo Fora
11. Quem É o Cara?
12. Fotografia
13. Feito Dois Anjos
14. Baby
15. Não Precisa
16. Miragem
17. Será Que É Paixão
18. Depois de Amar
19. Me Telefona

Para baixar esta coletânea em FLAC, clique AQUI.

TransRemix (1986)

 

TransRemix vai além de uma mera coletânea de sucessos do pop rock nacional dos anos 1980 ao reunir versões especiais de seu repertório, em sua maioria remixadas pelo DJ Iraí Campos. As exceções são "Nós Vamos Invadir Sua Praia" de Ultraje A Rigor, remixada por Pena Schmidt, e "Seu Olhar", apresentada em registro ao vivo extraído do show 20 Anos, de Gilberto Gil.

O projeto foi lançado pela WEA nos formatos LP e K7, com repertório preparado pela Equipe Transamérica de Produções. O projeto gráfico ficou a cargo da Estúdios Unidos, com criação de Flávio G. Ferreirao LP teve sua fabricação e distribuição realizadas pela RCA, sob encomenda da gravadora.

Mais do que reunir músicas conhecidas da programação da época, TransRemix registra uma proposta particular da Rádio Transamérica ao apresentar parte desse repertório em versões especialmente remixadas, transformando a coletânea em um registro da relação entre o rádio, os DJs e a produção musical brasileira daquele período. Parte dessas versões chegou posteriormente ao formato digital por meio da série e-Collection de cada artista, porém com qualidade de áudio aquém do esperado. Nesse contexto, a remasterização direta do LP busca recuperar, com maior fidelidade, a sonoridade original dessas versões.

Faixas:
01. Zoraide - Ultraje A Rigor
02. Lágrimas e Chuva - Kid Abelha & Os Abóboras Selvagens
03. Núcleo Base - Ira!
04. Seu Olhar (Ao Vivo) - Gilberto Gil
05. Os Outros (Versão Longa) - Kid Abelha & Os Abóboras Selvagens
06. Televisão - Titãs
07. Brigas (Meu Benzinho) - Lulu Santos
08. Nós Vamos Invadir Sua Praia - Ultraje A Rigor

Para baixar esta coletânea em FLAC, clique AQUI.

domingo, 23 de agosto de 2026

José Augusto - José Augusto (1986)

José Augusto, lançado em 1986, é o 13º álbum da carreira do cantor e marcou sua estreia pela RCA Victor, com edições em LP e K7. O disco teve produção executiva de Miguel Plopschi e Michael Sullivan e contou com arranjos e regências de Lincoln Olivetti.

Do álbum saíram sucessos como “Fantasias”, posteriormente regravada por Leonardo em 2003, e a balada “Quero Dormir Cansado”, versão de Márcio Antonucci para “Quiero Dormir Cansado”, composição de Manuel Alejandro e Ana Magdalena que havia alcançado sucesso na voz de Emmanuel no início da década de 1980.

Outro destaque é “De Repente o Amor”, versão em português de “De Repente El Amor”, de Albert Hammond e Anahi van Zandweghe. A composição original foi gravada por Lani Hall, esposa de Herb Alpert, em dueto com Roberto Carlos. No Brasil, a canção ganhou versões de José Augusto e de Jane & Herondy, esta incluída no álbum Todas as Formas de Amor. As duas gravações chegaram ao mercado praticamente no mesmo período, criando uma situação incomum: a RCA, gravadora de José Augusto, também realizava a prensagem dos discos da 3M, responsável pelo lançamento de Jane & Herondy. A coincidência acabou interferindo na estratégia de divulgação das duas versões.

Entre as demais faixas estão “Deus, o Que Fazer?”, com participação especial de Sérgio Reis; “Estela”, de Joe e Tavinho Paes; e “Linda Estrela”, uma das quatro composições de Maurício Duboc e Carlos Colla presentes no álbum.

Apenas “Fantasias”, “Deus, o Que Fazer?”, “Relógio” e “O Que Você Quiser” chegaram a ser disponibilizadas em formato digital, permanecendo grande parte do repertório do álbum fora das plataformas. Considerando que a master integral do disco nunca foi revisitada e preparada para lançamento digital, este trabalho buscou recuperar o álbum em sua totalidade, utilizando uma agulha elíptica Ortofon Concorde Club e preservando ao máximo as características da gravação original. Para esta postagem, também restaurei as imagens da capa e contracapa do LP com o OpenAI.

Na minha opinião, este é um dos trabalhos mais bonitos de José Augusto, por reunir um repertório predominantemente formado por canções não autorais, evidenciando sua qualidade como intérprete para além de sua reconhecida trajetória como compositor.

Faixas:
01. Fantasias (José Augusto / Paulo Sérgio Valle) 
02. O que Você Quiser (Ed Wilson / Carlos Colla) 
03. Me Dá (Maurício Duboc / Carlos Colla) 
04. Linda Estrela (Maurício Duboc / Carlos Colla)
05. Quero Dormir Cansando (Manuel Alejandro / Ana Magdalena - Versão: Márcio Antonucci)
06. Estela (Joe / Tavinho Paes)
07. De Repente o Amor (Albert Hammond Jr. / Anahi van Zandweghe - Versão: José Augusto)
08. Doce Tentação (Maurício Duboc / Carlos Colla) 
09. Relógio (Prêntice / Paulo César Barros)
10. Deixa Acontecer (Michael Sullivan / Paulo Massadas)
11. Deus, o que Fazer? (part. esp. Sérgio Reis) (José Augusto)
12. Perdoa (Maurício Duboc / Carlos Colla)

Para baixar o album em FLAC, clique AQUI.

Patrícia Marx - Patrícia (1988)

“Patrícia” é o segundo álbum solo de Patrícia Marx, na época ainda creditada apenas como Patrícia, lançado em 1988 pela RCA/BMG Ariola. O disco dá continuidade à transição iniciada em Paty (1987), afastando gradualmente a cantora do universo infantil do Trem da Alegria e direcionando seu repertório para o público adolescente.

O álbum repetiu o bom desempenho comercial do trabalho anterior, alcançando mais de 250 mil cópias vendidas no Brasil e rendendo à cantora mais um Disco de Platina.

A produção executiva ficou a cargo de Michael Sullivan e Paulo Massadas, dupla que já acompanhava Patrícia desde os tempos do Trem da Alegria. Musicalmente, o disco contou ainda com arranjos e regências de Roupa Nova, Sérgio Sá e Lincoln Olivetti, nomes bastante presentes na produção fonográfica brasileira daquele período.

Entre as músicas de maior destaque está “Amor É Sempre Amor (As Time Goes By)”, versão em português de As Time Goes By, canção eternizada pelo filme Casablanca, que integrou a trilha sonora da novela Vida Nova, da Rede Globo. O repertório também traz “Pra Quê Se Complicar? (Let's Wait a While)”, versão brasileira do sucesso de Janet Jackson, cuja gravação original havia feito parte da trilha internacional da novela Brega & Chique.

“Certo ou Errado” e “Doçura” também se destacaram no repertório. Esta última chama atenção pela sonoridade bastante identificada com o pop adolescente internacional da segunda metade dos anos 1980, remetendo ao universo musical que naquele período projetava artistas como Debbie Gibson, Tiffany e Madonna.

Embora o álbum também esteja disponível nas plataformas digitais em uma edição disponibilizada pela própria cantora, que não é proveniente da master oficial da RCA, esta versão foi remasterizada a partir do LP original, com uso de agulha elíptica Ortofon Concorde Club e tratamento de ruído com MVSep DeNoise, preservando ao máximo as características da gravação original. Para esta postagem, também restaurei as imagens da capa e contracapa do LP com o OpenAI.

Faixas:
01. Certo ou Errado (Paulo Massadas, Michael Sullivan)
02. Quando Estou com Você (Paulo Sérgio Valle, José Augusto)
03. Doçura (Mauro Motta, Cláudia Olivetti, Lincoln Olivetti, Robson Jorge)
04. Cedo Demais (Chico Roque, Ed Wilson, Carlos Colla)
05. Não Quero Perder (Ulisses Tavares, Sérgio Sá)
06. Amor É Sempre Amor (As Time Goes By) (Herman Hupfeld; Versão: Sérgio Sá)
07. É Tempo de Amar (Paulo Massadas, Michael Sullivan)
08. Pra Quê Se Complicar (Let´s Wait a While) (Janet Jackson, J. Harris III, T. Lewis, M. Andrews; Versão: Sérgio Sá)
09. Desejo Secreto (Paulo Massadas, Michael Sullivan)
10. Meu Diário (Paulo Massadas, Michael Sullivan)
11. Todos os Sentidos (Mazinho Turle, Dilson Gunani)
12. Labirinto de Sonhos (Sérgio Sá)

Para baixar o album em FLAC, clique AQUI.

Patrícia Marx - Paty (1987)


"Paty" é o primeiro álbum solo de Patrícia Marx, lançado em 1987 justamente no período de transição entre sua participação no Trem da Alegria e o início da carreira individual. Produzido em meio a essa mudança, o LP ainda guarda algumas ligações bastante evidentes com o repertório do grupo.

Uma delas é a presença de “Abra a Boca e Feche os Olhos”, reaproveitada do terceiro álbum do Trem da Alegria, também lançado em 1987. Outra curiosidade é “Sonho Adolescente”, que utiliza a mesma melodia de “Meu Pequeno Tommy”, faixa do primeiro álbum do Trem da Alegria, mas com uma nova letra escrita por Michael Sullivan e Paulo Massadas. A comparação entre as duas gravações é curiosa, especialmente porque Patrícia interpreta ambas: enquanto a primeira pertence claramente ao universo infantil do grupo, “Sonho Adolescente” reposiciona a mesma melodia em uma temática já voltada à adolescência, acompanhando a própria transição artística da cantora.

O álbum tem como principal destaque “Festa do Amor”, que ganhou grande projeção ao integrar a trilha sonora da novela Bambolê, aproveitando justamente a ambientação inspirada nos anos 1960 da produção. O repertório também trouxe “Te Cuida Meu Bem” e “To Be Or Not To Be” entre as músicas de maior destaque. Todas as canções são assinadas por Michael Sullivan e Paulo Massadas, com exceção de “Vivo Sonhando”, composição de Antonio Carlos Jobim.

Embora o álbum tenha chegado às plataformas digitais na segunda quinzena de janeiro de 2025, em uma edição disponibilizada pela própria cantora e que não é proveniente da master oficial da RCA, optei por realizar uma nova remasterização integralmente a partir do LP original de Patrícia. A captura foi feita com agulha elíptica Ortofon Concorde Club, preservando ao máximo as características da gravação original. A única exceção é “Vivo Sonhando”, extraída do CD “As Melhores da Patrícia”, lançado pela BMG Ariola em 1991. Ao final, todas as faixas passaram por um processo de limpeza de ruído residual com o MVSep DeNoiseA capa e a contracapa do LP também foram restauradas com o OpenAI para esta postagem.

Faixas: 
01. To Be Or Not To Be
02. Quem Me Dera...
03. Coração na Mão
04. Vivo Sonhando
05. Festa do Amor (tema da novela Bambolê)
06. Te Cuida Meu Bem
07. Raio de Luar
08. Sonho Adolescente
09. Abra a Boca e Feche os Olhos

Para baixar o arquivo em FLAC, clique AQUI.