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domingo, 27 de setembro de 2026

José Luis Perales - Com o Passar do Tempo (1986)

Em 1973, quando as rádios espanholas executavam Mis Canciones, José Luis Perales começava a se tornar conhecido como cantor e compositor. Segundo o texto de divulgação da época, era como se uma nova voz encontrasse as angústias, ideias e sentimentos daquela geração, expressos de maneira clara, sincera e sofrida.

Nascido em Castejón, Perales tornou-se um dos grandes nomes da música espanhola, expandindo seu trabalho pela América Latina, Europa e pelas comunidades latinas dos Estados Unidos. Ao longo da carreira, suas composições foram gravadas por artistas como Mocedades, Jeanette, Rocío Jurado, Miguel Bosé, Raphael e Isabel Pantoja. Jeanette, por exemplo, gravou “Porque Te Vas”, composição de Perales incluída no filme Cría Cuervos, de Carlos Saura.

No Brasil, suas canções também ganharam versões e interpretações de artistas nacionais. Fábio Jr. gravou “Senta Aqui”, enquanto o grupo Dominó incluiu “Guerreiros” em seu repertório.

Com o Passar do Tempo marcou a estreia de José Luis Perales como cantor no Brasil e foi também seu primeiro disco pela CBS, gravadora com a qual havia firmado um contrato internacional. Com produção executiva de Tomáz Muñoz e arranjos de Maurizio Fabrizio e Graham Preskett, o álbum reúne dez canções, sendo metade delas apresentada em português, com versões assinadas por Abel Silva, Erasmo Carlos, Ronaldo Bôscoli e Edgard B. Poças.

O primeiro destaque é “A Primeira Vez”, versão de Abel Silva, uma canção sobre os conflitos e o desgaste da vida conjugal. Na época, Perales comentava que costumavam acusá-lo de ser um compositor melodramático, mas explicava que essa não era sua intenção: se as pessoas choravam ao ouvir suas músicas, seria porque aquilo que ele sentia também correspondia ao sentimento delas. “Todos nós sentimos as mesmas dores e o desamor é a primeira delas”, afirmava.

O repertório segue com “Ay Corazón”, “Lucía”, “Ay Amor”, com participação do grupo Mocedades, “Tan Solo Necesito” e “Me Iré Calladamente”. Entre as músicas em português está “O Que Cantam as Crianças”, cuja letra é de Edgard B. Poças. De acordo com o material de divulgação, Perales cedeu os direitos autorais da composição à organização Aldeias SOS, dedicada ao atendimento de crianças carentes.

Apesar de o crédito de participação mencionar apenas a dupla Jairzinho & Simony, este LP esconde a gravação com a formação da Turma do Balão Mágico, incluindo Ricardinho, Mike Biggs, Jairzinho e Simony — considerada por mim uma raridade que caiu no meu colo!

Outra adaptação brasileira é “Caminho de Luz”, de Ronaldo Bôscoli. O compositor também assina a versão de “Não Será Tão Fácil”, canção sobre o fim de um relacionamento e a dificuldade de recomeçar. Já “Eu Também Tive Quinze Anos”, adaptada por Erasmo Carlos, é apresentada por Perales como uma advertência aos jovens, contrapondo os sonhos da adolescência à passagem do tempo.

Distante da imagem tradicional de astro, Perales era descrito no material promocional como uma espécie de “antiestrela”. Morando com a esposa, Manuela, e os dois filhos em Cuenca, na Espanha, dizia preferir uma vida pacata, longe do show business. Segundo ele, caminhar pelas ruas e conviver normalmente com comerciantes e moradores da cidade permitia que continuasse sendo tratado como qualquer outra pessoa, apesar da projeção internacional.

Naquele período, a assinatura do contrato com a CBS Records International previa ainda gravações de José Luis Perales em inglês, francês e alemão, além do lançamento simultâneo de seus discos na Europa, América Latina e Estados Unidos. Com o Passar do Tempo registrava, assim, uma fase de expansão internacional do compositor espanhol e, ao mesmo tempo, sua apresentação ao público brasileiro também como intérprete de suas próprias canções.

Uma remasterização já havia sido feita em 2023, a partir do LP enviado pelo amigo Giúlio Benevides (Ribeirão Preto/SP), que inclusive providenciou, na época, o material gráfico adaptado do CD — disponível em “Extras”, na pasta Scan. Em 2025, porém, acabei encontrando bem por acaso outro LP em excelente estado de conservação e aproveitei para retrabalhar algumas faixas que precisavam de mais cuidado. Por fim, apliquei uma camada final de MVSep DeNoise sobre as faixas.

Faixas:
01. A Primeira Vez (La Primera Vez)
02. Ay Corazon
03. Não Será Tão Fácil (No Resulta Facil)
04. Lucia
05. Caminho de Luz (Recorrer Tu Camiño)
06. O que Cantam as Crianças (Que Canten Los Niños) [com A Turma do Balão Mágico]
07. Ay Amor [com Mocedades]
08. Eu Também Tive Quinze Anos (Yo Tambien Tuve Quince Años)
09. Tan Solo Necesito
10. Me Ire Calladamente

Para baixar este álbum em FLAC, clique AQUI. 

sábado, 26 de setembro de 2026

Hyldon - Hyldon (1989)

Em 1989, Hyldon lançou pela Esfinge este álbum homônimo, um trabalho de produção independente que reúne dez composições e mantém o artista não apenas como intérprete, mas no centro de toda a concepção musical do disco. Hyldon assina a produção e concepção musical, além dos vocais, violão, guitarra base e arranjos. A direção de produção ficou a cargo de Carlos Lemos, com direção geral de Tony Bizarro.

Todas as canções têm letra e música de Hyldon, com exceção de “Caminho de Santiago” e “Vem Comigo”, adaptações musicais de poesias de Paulo Coelho e Cecília Meireles, respectivamente.

A instrumentação reúne músicos importantes da música brasileira. Artur Borba participa nos teclados e sintetizadores, além de dividir os arranjos com Hyldon e responder pelas orquestrações e regência. Luizão Maia toca baixo, Mário Monteiro (Picolé) bateria e Cidinho percussão. Há ainda participações específicas de Alex Malheiros, no baixo de “Caminho de Santiago” e “Vem Comigo”; Ivan Conti, na bateria de “Vem Comigo”; Chacal e Léo, na percussão de “Caminho de Santiago”; e Paulinho Guitarra, que toca guitarra e faz o solo de violão em “Coração Cigano”. Os metais aparecem com Paulinho Trompete, no flugelhorn de “O Amor É Como a Flor”, e Bidinho, no trompete de “Caminho de Santiago”. O coro reúne Jussara Lourenço, do Trio Ternura; Renata Correa; Renato Correa, Roberto Correa e Waldir Anunciação, integrantes dos Golden Boys; e Zoé Medina.

As gravações foram realizadas nos estúdios Mix e Multi, no Rio de Janeiro, e Transamérica, em São Paulo, com Guilherme, João Maria, Rafael, Carlos Freitas e João Guarino como técnicos de gravação. A etapa de mixagem levou o projeto aos Estados Unidos: o álbum foi mixado no Wide Track, em Hollywood, com Wayne Henderson como produtor de mixagem e Dennis Parker como engenheiro. A produção vocal ficou a cargo de Frankie Arduini.

O corte foi realizado por José Oswaldo Martins, da BMG-Ariola. As fotografias do LP são de Frederico Mendes e a arte-final da WOM Publicidade.

Apesar do esmerado trabalho musical e da mixagem realizada nos Estados Unidos, o álbum registrou baixa vendagem. A Esfinge, um selo de pequeno porte, concentrava seus recursos na qualidade técnica de seu catálogo, mas enfrentava dificuldades na prensagem e distribuição de seu material fonográfico. A situação se agravou com a crise econômica durante o Plano Collor, e a gravadora encerrou suas atividades no início dos anos 1990.

Para a remasterização deste álbum, foi utilizada a agulha Ortofon Concorde Club na captura do áudio diretamente do LP original. Fica meu agradecimento especial ao amigo Israel Castro, de Campina Grande/PB, pela aquisição do LP que me permitiu realizar este trabalho de resgate.

Faixas:
01. Pétalas Vermelhas (part. esp. Alfonz Jones)
02. Coração Cigano
03. Vá Embora Tristeza
04. Uma Chance pra Nós Dois
05. Muito Além da Razão
06. O Mundo Fica Triste Sem Você (Obaluaê)
07. O Amor É Como a Flor
08. Trem da Madrugada
09. Caminho de Santiago
10. Vem Comigo

Para baixar este álbum em FLAC, clique AQUI.

A Cor do Som - Som da Cor (1985)

É sério, você precisa ouvir esse disco! 

Lançado em 1985 pela Elektra/WEA, O Som da Cor traz A Cor do Som com Dadi, Mú Carvalho, Ary Dias, Gustavo Schroeter e Perinho Santana. Este último já havia participado das gravações de Intuição, de 1984, e aqui aparece definitivamente integrado ao grupo, assumindo as guitarras e também dividindo os vocais.

E é justamente quando a gente começa a fuçar os créditos que o disco fica ainda mais interessante: não existe um único vocalista à frente do repertório. Ary Dias canta “Arrastando Corrente”, “Vida Que Passamos” e “Acho Que Ela Gosta”; Mú assume “Ela Vai Ter Que Me Escutar” e “Eu Quero É Bem Mais”; Dadi fica à frente da faixa-título e de “Tudo Que Você Quiser”; e Perinho canta “Navegante” e “Bomba No Vestibular”. Virou bagunça? Não! Funciona — e muito bem! A formação trabalha quase como um revezamento, inclusive nos instrumentos: Dadi, além do baixo, aparece nas guitarras e teclados; Ary troca a percussão pela bateria em algumas faixas; e Mú também participa das programações eletrônicas.

E tem visita em casa! Cecília Spyer, hoje ligada ao universo da bossa nova e do new jazz, é praticamente uma presença recorrente no álbum. Seus vocais de preenchimento feminino dão às faixas um tom deliciosamente new wave, com uma precisão vocal maravilhosa — não estão ali simplesmente fazendo “corinho”, mas acrescentando textura e identidade aos arranjos.

Armandinho Macedo, nome fundamental na história d’A Cor do Som, reaparece nos vocais de “Vida Que Passamos” e “Eu Quero É Bem Mais”. Já Léo Gandelman deixa sua marca em “Acho Que Ela Gosta”, com teclados e um solo de saxofone, enquanto Toni Costa participa com guitarra solo; os dois também cuidam da programação da DMX nessa faixa. E há ainda um crédito daqueles que você só encontra quando resolve ler até as letrinhas do LP: Márcio Figueiredo, responsável pela ghost laugh de “Arrastando Corrente”. Pois é!

O repertório também mantém os integrantes bastante envolvidos na composição. Mú Carvalho é o nome mais frequente entre os autores, inclusive nas parcerias com Paulinho Tapajós em “Que Flor É Você?” e “Eu Quero É Bem Mais”. Dadi e Ronaldo Bastos assinam “Som da Cor”, enquanto Perinho compõe “Navegante” e divide “Bomba No Vestibular” com Chacal.

Produzido por Chico Neves, O Som da Cor também carrega algumas marcas bem reconhecíveis da produção dos anos 1980. Ao instrumental da banda somam-se sequencer e programação de bateria DMX, sem eliminar a bateria acústica de Gustavo Schroeter ou a forte presença da percussão de Ary Dias. É justamente essa convivência entre instrumentos e programação que chama atenção nos créditos do álbum.

Chico Neves também divide a engenharia de gravação com Vitor Farias, responsável pela mixagem. A direção artística ficou com Liminha, enquanto Frederico Mendes assinou fotografia e arte da capa. O corte do LP foi realizado por José Oswaldo Martins.

E se você estiver procurando este álbum em CD, aí a coisa complica. Em 2008, a Warner lançou A Cor do Som – Super 3, dentro de uma série de coletâneas triplas dedicada a vários artistas. São 42 faixas distribuídas em três CDs, com seleção de repertório de Carlos Savalla e masterização creditada à Digital Mastering Solutions.

De O Som da Cor, porém, entraram somente “Ela Vai Ter Que Me Escutar”, “Arrastando Corrente” e “Tudo Que Você Quiser”. E vou dizer: horrível! Para quem esperava encontrar ali uma boa recuperação digital dessas gravações, passou longe. Além de representar apenas três músicas desse álbum, essas faixas aparecem no box a partir de fontes muito fracas de LP, com características de áudio comprimido em MP3. 

Nesta remasterização de 2026, com a tecnologia trabalhando a nosso favor, você perceberá muito melhor a presença dos detalhes — vocais, percussões, guitarras, teclados e aquelas pequenas intervenções espalhadas pelos arranjos — a partir de um LP que, pelo que pude verificar, foi prensado pela RCA.

Aparentemente, essa prensagem traz um áudio mais fechado, com certo abafamento. Na etapa de masterização, utilizei o U-he Satin para abrir os agudos e devolver maior presença ao conjunto. Com o MVSep DeNoise na limpeza dos ruídos residuais, o resultado chega àquela sensação deliciosa de uma fita master nova e limpa. 

Bom, sou suspeito para elogiar A Cor do Som. É um time de músicos exímios fazendo um som pirado, com guitarra baiana, grooveria, funk, reggae, muito suingue e aquela mistura tão característica do som nordestino com o boogie americano. E os vocais de Dadi, Ary, Perinho e Mu são gostosos demais de ouvir!

Não vou ficar tentando explicar demais, não. Só ouve!

Faixas:
01. Arrastando Corrente
02. Som da Cor
03. Ela Vai Ter Que Me Escutar
04. Vida Que Passamos
05. Que Flor É Você?
06. Acho Que Ela Gosta
07. Eu Quero É Bem Mais
08. Navegnte
09. Todo Que Você Quiser
10. Bomba no Vestibular

Para baixar este álbum em FLAC, clique AQUI.

quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Mix'80 Sucessos Non-Stop - The Ultimatte 80s Mix (2002)

Mix’80 Sucessos Non-Stop – The Ultimate 80’s Mix foi lançado no Brasil em 2002, pela Universal Music, reunindo 14 sucessos internacionais dos anos 1980 em versões mixadas para ninguém parar de dançar.

Apesar da proposta inovadora para celebrar a década com suas melhores músicas para pista de dança por meio de um set mixado, o DJ responsável pelo ótimo trabalho não é creditado neste CD. Como o projeto não teve edições internacionais, tudo indica que a mixagem tenha sido produzida no Brasil.

Um dos grandes encantos de Mix’80 está na escolha de combinações absolutamente improváveis. Basta observar este início maravilhosamente maluco! “Shout” tem aquela dimensão grandiosa e dramática do Tears for Fears e desemboca em “Human”, uma balada R&B/synth-pop de atmosfera muito mais íntima. E, quando o ouvido se acomoda naquele clima introspectivo, vem o corte seco para “Do You Really Want to Hurt Me”, com sua levada reggae, mudando completamente a luminosidade do set. Daí surge “Down Under”, que prolonga esse lado mais solar, antes de “Dance Hall Days” levar tudo novamente para outro ambiente. A essa altura, a galera já esvaziou o copinho de chope do começo, está com as mãos livres para começar o passinho e nem percebe que tudo até aqui foi preparação para o fervor que está por vir.

E então vem outra guinada: “Dance Hall Days” → “Relax (New York 12” Mix)”. Aqui faz todo sentido a aceleração das batidas: o DJ precisa atravessar uma diferença considerável de energia para chegar à pulsação de “Relax”. Logo depois, em vez de permanecer simplesmente no hi-NRG, aparece “19”, de Paul Hardcastle — uma faixa eletrônica construída em torno de samples falados sobre a Guerra do Vietnã. Ou seja: até quando mantém a pista, muda completamente o caráter da música.

A segunda metade também é fascinante: “The Reflex” → “Sweet Dreams” → “Blue Monday” → “Don’t Go” → “Smalltown Boy” → “Tainted Love” → “Take On Me”. A essa altura, o fervor já tomou conta do set e começa a existir uma concentração maior de eletrônica e synth-pop, mas nem por isso as escolhas são óbvias: Duran Duran, Eurythmics, New Order, Yazoo, Bronski Beat, Soft Cell e A-ha têm assinaturas rítmicas e atmosferas muito distintas.

Talvez tenha sido justamente essa imprevisibilidade que motivou muita gente a levar o CD para a coleção em 2002. Não era apenas uma reunião de sucessos dos anos 1980: havia o prazer de descobrir o que aconteceria quando músicas aparentemente incompatíveis fossem entregues às mãos de um DJ. A expectativa pela próxima transição torna a audição quase um jogo e, quando essas combinações improváveis finalmente se encaixam, a experiência chega a ser extasiante. 

O único problema é que a diversão dura pouco: são menos de 50 minutos de música. O set inteiro dá quase a sensação de termos ouvido apenas o Lado A de uma mixtape em fita K7 de 90 minutos. Quando o DJ finalmente nos convenceu a largar o copinho de chope e tomar conta da pista, já estamos chegando a “Take On Me”. Dá vontade de virar a fita e continuar a festa — mas não existe Lado B. Que droga!

E, afinal, quem foi esse sujeito incrível? DJ, ONDE ESTÁ VOCÊ? MANIFESTE-SE 24 ANOS DEPOIS!

Faixas:
01. Shout - Tears For Fears
02. Human - The Human League
03. Do You Really Want To Hurt Me - Culture Club
04. Down Under - Men At Work
05. Dance Hall Days - Wang Chung
06. Relax - Frankie Goes To Hollywood
07. 19 - Paul Hardcastle
08. The Reflex - Duran Duran
09. Sweet Dreams (Are Made Of This) - Eurythmics
10. Blue Monday - New Order
11. Don't Go - Yazoo
12. Smalltown Boy - Bronski Beat
13. Tainted Love - Soft Cell
14. Take On Me - A-ha

Para baixar esta coletânea em FLAC, clique AQUI.

segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Os Melhores - Os Melhores (1985)

Os Melhores foi um sexteto de pop rock que deixou um único álbum, lançado pela Polydor/PolyGram em 1985, com produção de Mariozinho Rocha. Apesar da curta discografia, a identificação de seus integrantes revela um núcleo de músicos que continuaria se encontrando em outros trabalhos nos anos seguintes.

A formação reunia: Paulo Henrique Duncan (creditado como Paulo Duncan) no baixo, teclados e vocais; Iuri Cunha (Iuri) nos teclados e piano; Sérgio Serra nas guitarras, violão e vocais; Rodrigo Castro Neves na bateria e percussão; Edom Oliveira (Edom) nas guitarras, baixo e sintetizadores; e Duda Castro Neves (creditada como Maria Eduarda) nos vocais. Duda é irmã de Rodrigo.

Das nove faixas do álbum, seis — “Suborno Emocional”, “Emoções Baratas”, “Garotinhas”, “Dançando no Escuro”, “Nosso Amor É Uma Guerra” e “O Cobrador” — são composições de Rodrigo Castro Neves, Sérgio Serra e Paulo Henrique Duncan. Rodrigo e Sérgio assinam ainda “Canção Pra Você Que Não Acreditou em Mim”, enquanto “Porque!?!” acrescenta Edom Oliveira à parceria.

A única versão do repertório é “Como É Bom Te Amar”, adaptação de “Live Is Life”, do grupo austríaco Opus. O selo credita a versão a Big Abreu, Leandro, Rod e Paulo: são Selvagem Big Abreu, do João Penca & Seus Miquinhos Amestrados; Leandro Verdeal, integrante da formação inicial do mesmo grupo; e os próprios Rodrigo Castro Neves e Paulo Henrique Duncan.

A ficha técnica mostra uma produção bastante característica dos anos 1980, combinando guitarras, violões, baixo e piano com sintetizadores e instrumentos eletrônicos como Linn, Simmons e Yamaha RX11. Entre as participações, Erasmo Carlos aparece com o curioso crédito de “pandeiro sujo” em “Suborno Emocional”, enquanto Léo Jaime participa do coro de “Dançando no Escuro”. “Porque!?!” traz ainda Os Melhores, Lalê e Marquinho no coro, e Mario “Rock Santeiro” recebe o bem-humorado crédito de “lágrimas”.

Musicalmente, o álbum apresenta uma elaboração que vai além do rock mais direto, incorporando referências do synth-pop e da new wave. A alternância e divisão dos vocais entre os integrantes, somadas ao humor presente em várias letras, aproximam em alguns momentos Os Melhores de nomes como Ultraje a Rigor, João Penca & Seus Miquinhos Amestrados, Léo Jaime e Kid Abelha, representantes, cada qual à sua maneira, do pop rock brasileiro daquela geração. Algumas dessas aproximações encontram correspondência nas próprias conexões do disco: Léo Jaime participa do coro de “Dançando no Escuro”; Selvagem Big Abreu e Leandro Verdeal, ligados ao João Penca, estão entre os autores da versão de “Como É Bom Te Amar”; e Sérgio Serra posteriormente integraria o Ultraje a Rigor.

Além da produção, Mariozinho Rocha assina a regência e direção musical e divide com Paulo Henrique Duncan os arranjos vocais de “Dançando no Escuro”. As vozes foram gravadas nos estúdios da Som Livre, e a mixagem ficou a cargo de Vitor Farias, no estúdio Nas Nuvens. A capa é de Mario Bag, as fotografias de Pedro Alves de Souza (Pedrão) e a coordenação gráfica de Jorge Vianna.

A trajetória de Os Melhores teve ainda um desdobramento no ano seguinte. Em 1986, o grupo fez uma participação especial nas três primeiras faixas do álbum dos Abelhudos, lançado pela Som Livre, no mesmo ano em que os Abelhudos foram finalistas do Festival dos Festivais, da TV Globo.

Em 1987, quatro integrantes voltariam a trabalhar juntos: Paulo Henrique Duncan, Iuri Cunha, Rodrigo Castro Neves e Edom Oliveira formaram os Aliados. Outros reencontros aconteceriam em projetos pontuais. Paulo Henrique, Iuri e Rodrigo integraram, ao lado de Marcelo Sussekind, a Marajazz Band, responsável pela execução da trilha sonora de Super Xuxa Contra Baixo Astral. Já Paulo Henrique e Edom se reuniram a Fred Maciel, do Herva Doce, e Marcelo Faria, do Yahoo, no projeto instrumental Nova Era, que produziu faixas para trilhas de novelas.

Paulo Henrique Duncan e Iuri Cunha também desenvolveram trabalhos como autores de trilhas instrumentais para a TV Globo, enquanto Paulo Henrique atuaria posteriormente, sob pseudônimo P.H. Castanheira, em trabalhos de áudio e masterização para o selo Discobertas. Sérgio Serra, por sua vez, seguiria como guitarrista e posteriormente integraria o Ultraje a Rigor.

Assim, embora Os Melhores tenham deixado apenas um álbum próprio, o disco de 1985 registra uma formação cujas conexões musicais se estenderiam pelos anos seguintes. A participação com os Abelhudos, a formação dos Aliados e os posteriores trabalhos em estúdio e trilhas mostram que as parcerias reunidas em torno de Os Melhores estavam apenas começando.

Para a remasterização deste álbum, utilizei a agulha Ortofon Concorde Club (elíptica) na captura das faixas diretamente do LP. Deixo meu agradecimento especial a Israel Castro, de Campina Grande/PB, pela ajuda na aquisição do disco. Após a equalização e a limpeza de estalos, recorri ao MVSep DeNoise para a remoção dos ruídos residuais. O trabalho está pronto para ser consumido no mais alto volume!

Faixas:
01. Suborno Emocional
02. Emoções Baratas
03. Garotinhas
04. Canção Pra Você Que Não Acreditou Em Mim
05. Dançando No Escuro
06. Porque
07. Nosso Amor É Uma Guerra
08. Como É Bom Te Amar (Live Is Life)
09. O Cobrador

Para baixar este álbum em FLAC, clique AQUI.

domingo, 20 de setembro de 2026

Anjos da Noite - Anjos da Noite (1989)


Anjos da Noite foi uma banda paulista de hard rock surgida no final dos anos 1980. Seu primeiro álbum, homônimo, foi gravado em 1989 e lançado pela BMG-Ariola. O disco marcou também uma etapa importante na trajetória do guitarrista Eduardo Ardanuy, que posteriormente integraria o Dr. Sin; o próprio músico registra o Anjos da Noite como seu primeiro contrato com uma gravadora multinacional. É também o primeiro trabalho do cantor Marco Sérgio - conhecido atualmente como Bavini -, que é filho do cantor Sérgio Reis.

A formação responsável pelo álbum reunia Marco Sergio no vocal e guitarra, Átila Ardanuy nas guitarras, violão e vocal, Eduardo Ardanuy nas guitarras e vocal, Paulo Madio no baixo e vocal e Gerson Abbamonte na bateria acústica e eletrônica. Com dois guitarristas na linha de frente e praticamente toda a formação contribuindo também nos vocais, o grupo construiu um repertório de hard rock cantado integralmente em português. A formação apresentada no encarte é também confirmada pela discografia oficial de Edu Ardanuy e pelo IMMuB.

O repertório reúne nove faixas, com forte presença dos irmãos Ardanuy nas composições. Átila assina “Liberdade” e “Vou Buscar a Luz” com Marco Sergio, “Eu Quero É Mais...” com Daniel Miori, “Sonhos Perdidos” com Sérgio Reis e Reinaldo Barriga, além de “Ano 2000”, em parceria com Marcus Ardanuy. Eduardo, por sua vez, divide “Anjos da Noite” com Daniel Miori, “Tudo Porque” com Marco Sergio, e “Como as Ondas” e “Mistérios” com Marcus Ardanuy. Entre as músicas do álbum, “Eu Quero É Mais...” e “Liberdade” tiveram boa execução nas rádios de rock brasileiras, segundo o Dicionário Cravo Albin.

A produção do disco recebeu uma estrutura bastante robusta. Segundo o encarte original, as gravações foram realizadas em 24 canais nos Estúdios Veridiana, em São Paulo, enquanto a mixagem foi feita em 48 canais nos Estúdios Transamérica, durante o outono e o inverno de 1989. A direção artística ficou a cargo de Miguel Plopschi, com Reinaldo Barriga Brito na produção, produção executiva e engenharia de gravação. A mixagem foi realizada por Reinaldo Barriga Brito, Cotô e pelo próprio Anjos da Noite, enquanto o corte foi feito no Zuma Mastering Computer, por José Oswaldo, Paulo Torres e Orlando Leme.

O álbum contou ainda com participações especiais. Bruno Cardoso aparece nos teclados, e Caio Flávio e Reinaldo Barriga Brito, nos vocais. O próprio grupo assina todos os arranjos, e o encarte registra ainda o uso de guitarras e baixos Tagima.

O primeiro Anjos da Noite acabou sendo o registro de uma formação que não permaneceria reunida por muito tempo. Eduardo Ardanuy seguiu posteriormente por outros projetos até formar o Dr. Sin, enquanto o Anjos da Noite passaria por mudanças de integrantes. Somente em 1997 a banda lançaria seu segundo álbum, já com alterações na formação: Paulo Madio deu lugar a Marcus Ardanuy no baixo, enquanto Gerson Abbamonte foi substituído por Arnaldo Roggano na bateria.

Para o processo de remasterização do LP, foram utilizadas duas agulhas: a AT95EX da Audio-Technica e a Concorde Club da Ortofon. Mas fica meu máximo agradecimento ao Fernando - Web Radio Sweet Music (São Paulo/SP), por me presentear com este LP.

Faixas:
01. Liberdade
02. Eu Quero É Mais
03. Sonhos Perdidos
04. Mistérios
05. Ano 2000
06. Anjos da Noite
07. Tudo Por Que
08. Como as Ondas
09. Vou Buscar a Luz

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quarta-feira, 16 de setembro de 2026

João Fígar - João Fígar (1988)

João Fígar, nome artístico de João Figueiredo Júnior, é cantor, músico e compositor paulista radicado em Mato Grosso do Sul, onde posteriormente se tornaria reconhecido por seu trabalho ligado à música regional. Este álbum, porém, registra uma fase bastante diferente de sua trajetória, quando sua carreira estava direcionada ao pop e ao pop rock.

Essa aposta chegou a render a Fígar uma indicação ao Prêmio Sharp de 1988 como revelação pop rock, concorrendo com Ed Motta e Fábio Fonseca. O investimento da 3M nessa fase pode ser percebido pela própria dimensão da produção do álbum, que reuniu alguns dos profissionais mais requisitados da música brasileira naquele período.

Produzido por Chico Mourão, o disco teve seus arranjos distribuídos principalmente entre Bozzo Barretti, Lincoln Olivetti, Robson Jorge e Jorjão Barreto. Bozzo responde por “De Surpresa”, “Só Você (Only You)”, “Jogo de Pernas” e “Maçãs de Vitrine”; Lincoln Olivetti assina “Essa Chama” e “Poção Mágica”; Robson Jorge, “Circuito Fechado” e “Tudo de Uma Vez”; enquanto Jorjão Barreto aparece à frente de “Quebramos Nosso Gelo” e “Sinal pra Você”.

O repertório também reúne compositores de diferentes vertentes. “De Surpresa”, de Luiz Guedes, Thomas Roth e Isolda, conta com participação especial do próprio Luiz Guedes. “Maçãs de Vitrine” é de Dalto e Claudio Rabello; “Circuito Fechado”, de Alfredo Karam e Paulo Simões; “Sinal pra Você”, de Hilton Raw e Arnaldo Black; e “Poção Mágica”, de Luiz Guedes, Thomas Roth e Costa Netto. João Fígar aparece também como compositor em “Jogo de Pernas”, ao lado de Bozzo Barretti e Davi Régis, e em “Tudo de Uma Vez”, com Davi Régis e Alfredo Karam. O disco traz ainda “Só Você”, versão de Júlio Nagib para “Only You”, de Buck Ram e Ande Rand.

A ficha de músicos é igualmente expressiva. Léo Gandelman toca sax em “Circuito Fechado”, que ainda reúne Carlos Bala na bateria e Laudir de Oliveira na percussão. Laudir também participa de “Tudo de Uma Vez” e “Quebramos Nosso Gelo”. Paulinho Soares aparece nas guitarras e violões, Fernando Alves e Paulo Cesar se alternam no baixo, enquanto o próprio Fígar participa de coros e toca timbales em “Só Você”.

Outro aspecto que chama atenção é o aparato eletrônico empregado na produção. A própria contracapa faz questão de relacionar os equipamentos utilizados por Lincoln Olivetti, Bozzo Barretti, Jorjão Barreto, Robson Jorge e Mário Lúcio. Entre eles aparecem Emulator II, Mirage, Roland S-50, Yamaha DX7, Akai S-900, Memory Moog, Oberheim, Linn Drum e SP-12, além de diversos módulos, sintetizadores e sequenciadores. É praticamente um inventário da tecnologia utilizada na produção do pop brasileiro naquele momento.

O trabalho passou por quatro estúdios: Floresta, Nas Nuvens e Transamérica, no Rio de Janeiro, e Mosh, em São Paulo. Entre os técnicos aparecem o próprio Lincoln Olivetti, Vitor Farias, Laci Moraes e Luís Paulo. A direção de mixagem ficou a cargo de Chico Mourão e Bozzo Barretti, com mixagens realizadas no Nas Nuvens e no Mosh.

Curiosamente, depois dessa produção fortemente direcionada ao pop, João Fígar tomou um caminho bastante diferente. Após a experiência com a 3M, aproximou-se definitivamente da música regional de Mato Grosso do Sul, mudança que ganharia projeção nacional na parceria com Guilherme Rondon. Em 1991, o disco Rondon & Fígar conquistou o Prêmio Sharp, apenas alguns anos depois daquela indicação de Fígar como revelação pop rock.

O álbum da 3M acaba, assim, documentando uma fase muito específica de sua trajetória: antes de se estabelecer na música regional, João Fígar esteve inserido numa produção pop de grande porte, cercado por músicos, arranjadores, estúdios e equipamentos que representam muito bem a estrutura da indústria fonográfica brasileira do final dos anos 1980.

Para a remasterização, recorri ao LP integral, utilizando a agulha Ortofon Concorde Club. Após a limpeza de estalos e a equalização das faixas, utilizei o MVSep DeNoise para a remoção de ruídos residuais.

Faixas:
01. De Surpresa (part. esp. Luiz Guedes)
02. Essa Chama
03. Só Você (Only You)
04. Jogo de Pernas
05. Maçãs de Vitrine
06. Circuito Fechado
07. Tudo de Uma Vez
08. Quebramos Nosso Gelo
09. Sinal pra Você
10. Poção Mágica

Para baixar este álbum em FLAC, clique AQUI.

Remo Usai - As Aventuras da Turma da Mônica (1982)

Lançado em 1982 pelo selo Poly Junior, subselo infantil da PolyGram, o LP As Aventuras da Turma da Mônica – As Músicas do Filme registra a trilha sonora do primeiro longa-metragem animado da Maurício de Sousa Produções, distribuído pela Embrafilme e produzido pela Black & White & Color. O filme, dirigido pelo próprio Maurício de Sousa, estreou naquele mesmo ano e reuniu quatro histórias — Um Plano Infalível, Um Amor de Ratinho, A Ermitã e O Império Empacota — interligadas pela presença do criador em live-action.

A trilha sonora reflete o cuidado estético do estúdio na transposição dos quadrinhos para o cinema, com arranjos e regência do maestro Remo Usai (1928–2022), figura central da música para o audiovisual brasileiro. Reconhecido como um dos pioneiros das trilhas de cinema no país, Usai imprime aqui uma sofisticação harmônica que o consagrou nas obras para longas como Assalto ao Trem Pagador (1962), Tocaia no Asfalto (1962) e Maria Bonita, Rainha do Cangaço (1968), mas trazida com leveza e o senso de aventura ao imaginário infantil, tão característicos do universo da Turma da Mônica.

O lado A do disco traz composições de Gaó Gurgel, Maurício de Souza e Wilma Camargo, apresentando temas dedicados a cada personagem — Mônica, Cebolinha, Magali, Bidu e Cascão — com melodias que remetem diretamente à primeira produção musical de 1971, A Bandinha da Turma da Mônica.

O lado B, de autoria de Eduardo Waisman, Remo Usai, Yara Maura, Márcio Roberto Araújo de Souza e Maurício de Souza, aprofunda o caráter cinematográfico da obra, com faixas instrumentais como Rock da “Rata Lee” e O Império Empacota, e a delicada canção Vou Subindo, que sintetiza o lirismo presente no longa.

As vozes originais do filme — Maria Amélia Costa Manso Basile (Mônica), Ivete Jayme (Cebolinha), Isaura Gomes (Cascão), Silvia Cordeiro Marinho (Magali) e Orlando Viggiani Filho (Franjinha) — possivelmente também participam das interpretações vocais do LP, mantendo a continuidade entre a dublagem e a trilha sonora.

Há uma música instrumental adicional em Um Amor de Ratinho, que remete a Lança Perfume da Rita Lee, que permaneceu restrita ao filme, não sendo lançada neste disco. Inclusive, na personagem desta história, Mônica é batizada de Rata Lee.

Mais do que um simples disco infantil, As Aventuras da Turma da Mônica – As Músicas do Filme é um documento sonoro de uma era em que o cinema de animação brasileiro buscava sua identidade estética e musical. A orquestração de Remo Usai, aliada ao carisma dos personagens criados por Maurício de Sousa, resulta numa obra que une memória, técnica e imaginação — um vinil que merece ser redescoberto.

Eu publiquei este álbum em 07/10/2025, às vésperas da Semana da Criança. No mês de setembro, que antecede o das crianças, estou republicando a remasterização com uma camada de limpeza de MVSep DeNoise.

Faixas: 
01. As Aventuras da Turma da Mônica - Abertura (Instrumental)
02. Mônica
03. Cebolinha
04. Magali
05. Bidú
06. Cascão
07. As Aventuras da Turma da Mônica (Instrumental)
08. Rock da ''Rata Lee'' (Instrumental)
09. Um Amor de Ratinho (Instrumental)
10. Vou Subindo
11. O Império Empacota (Instrumental)

Para baixar a trilha sonora em FLAC, clique AQUI.

Nós - Nós (1989)

O Grupo Nós surgiu em 1978, em Ribeirão Preto (SP). A primeira formação, ainda como quarteto, adotava o nome Nós 4 e tinha ligação direta com o Grupo 17, conjunto bastante conhecido nas décadas de 1960 e 1970. Dos quatro integrantes iniciais, três haviam feito parte do Grupo 17.

O primeiro registro fonográfico veio em 1980, com o álbum “Rasante”, trabalho que ajudou a projetar o grupo nacionalmente e teve pelo menos três músicas com boa execução nas rádios brasileiras.

Em 1983, o grupo lançou seu segundo álbum, “Onde Está Meu Rock”. A partir desse período, o Nós aproximou-se definitivamente do rock nacional, chegando a realizar viagens ao exterior em busca de novos equipamentos.

Em 1989, chegou o álbum “NÓS”, lançado pelo selo Brasil Tapes e distribuído nacionalmente pela PolyGram. O disco teve boa repercussão nas rádios, principalmente com “A Emoção do Seu Corpo”, versão de “Emotion in Motion”, de Ric Ocasek; “Nosso Amor”, versão de “Hands to Heaven”, do grupo Breathe; “Coisas do Coração”; e uma releitura de “Eu Amo Você”, clássico gravado por Tim Maia.

Nesse período, o grupo também marcou presença em diversos programas de televisão, entre eles Bozo, Dó Ré Mi Fá Sol Lá Si, com Simony e Mariane, Raul Gil, Bolinha, Paulo Barbosa, Clip Trip, Milk Shake e Programa Livre.

Em 1990, o Grupo Nós lançou “Estranho Lugar”, pelo selo Eldorado. Entre as músicas que ganharam espaço nas rádios FM estavam “Fui Eu Quem Quis Assim” e “Outra Chance”, versão de “Second Chance”, da banda 38 Special.

No início dos anos 1990, o grupo desenvolveu ainda o projeto “Acoustic Rock”, baseado em apresentações realizadas exclusivamente com instrumentos acústicos, em um período anterior à popularização desse formato no mercado fonográfico brasileiro.

Após um período sem novos lançamentos, o Nós retornou em 1998 com o CD “Tempo ao Tempo”, gravado em estúdio próprio. O trabalho reuniu novamente integrantes ligados à formação do grupo:

Henrique Bartsch – teclados, guitarra, violão e vocais
Ricardo Fabio – vocais
Johnny Oliveira – contrabaixo e teclados
Fernando “Ferpa” Schimidt – percussão eletrônica
André Barbieri – bateria

Além de músico, Henrique Bartsch dedicou-se à pesquisa musical. Em 2006, publicou a biografia “Rita Lee Mora ao Lado”. Em 2000, adquiriu uma guitarra que havia pertencido a Sérgio Dias, dos Mutantes.

Johnny Oliveira faleceu em julho de 2010, vítima de câncer no fígado. Henrique Bartsch morreu em dezembro de 2011, em decorrência de um infarto fulminante.

Atualmente, o trabalho tem continuidade com Caetano Bartsch, filho de Henrique, nos vocais e guitarra, ao lado de Dan Gutierrez, nos vocais e bateria, e Ezequiel Dobrovsky, nos teclados, apresentando-se sob o nome Nós 3.

O álbum de 1989

Produzido por Jairo Pires, “NÓS” foi gravado no Estúdio Transamérica, no Rio de Janeiro, lançado pela Brasil Tapes e distribuído pela PolyGram.

Jairo Pires já possuía uma extensa trajetória na indústria fonográfica brasileira. Na década de 1970, esteve ligado aos primeiros trabalhos de artistas como Zé Ramalho, Fagner, Elba Ramalho, Angela Ro Ro e Eduardo Dusek, além de ter trabalhado na PolyGram com nomes como Odair José e Tim Maia.

Na gravação, o grupo era formado por: 
Henrique Bartsch – teclados, guitarra e vocais
Fernando “Ferpa” Schmidt – percussão eletrônica
João Oliveira – baixo e teclados
André Barbieri – bateria
Gê – guitarras, violão e vocais
Ricardo Fábio – vocais.

Max Bartsch foi responsável pelas programações e MIDI, e Tinho teve participação especial no sax. A gravação e a mixagem ficaram a cargo de Gilmário, com assistência de Cidinho, Lindão e Jacaré.

Musicalmente, o álbum está bastante inserido na sonoridade do pop rock brasileiro do final dos anos 1980, aproximando-se de trabalhos de grupos como Placa Luminosa, Yahoo e Roupa Nova. Essa característica aparece também nas duas versões de sucessos internacionais presentes no repertório: “Nosso Amor”, adaptação de “Hands to Heaven”, do Breathe, e “A Emoção do Seu Corpo”, de “Emotion in Motion”, de Ric Ocasek.

Outro destaque é “Eu Amo Você”, conhecida na gravação de Tim Maia. Com o Grupo Nós, a música recebeu um tratamento mais voltado ao rock, bastante diferente da interpretação consagrada pelo cantor.

Remasterização

Em 2023 havia já realizado uma remasterização do álbum, em utilizei como fonte um LP em excelente estado de conservação e captura em agulha Ortofon Concorde Mix. Após a captura em 26 de janeiro de 2026 realizei um tratamento do áudio final, aplicando o MVSep DeNoise para a limpeza de ruídos residuais.

Embora o álbum esteja disponível atualmente nas plataformas digitais, esta remasterização parte diretamente do LP e recebeu um novo trabalho de restauração, apresentando um resultado que considero superior ao material atualmente disponibilizado oficialmente. Como bônus, estou trazendo para Setembro de 2026 uma versão alternativa da capa frontal, totalmente colorida e “desazulada”, feita com o uso do ChatGPT, comemorando já 37 anos desse excelente disco!

Faixas:
01. Nosso Amor (Hands to Heaven)
02. Coisas do Coração
03. Aventura e Paixão
04. Enquanto a Vida Passa
05. Eu Amo Você
06. A Emoção do Seu Corpo (Emotion in Motion)
07. Ciúme Sem Razão
08. Você Mudou a Minha Vida

Para baixar este album em FLAC, clique AQUI.

Jairzinho & Simony - Jairzinho & Simony (1987)

 

Depois de compartilhar a rara edição em espanhol de Jairzinho & Simony, atendendo a pedidos, apresento o álbum em sua edição brasileira, lançado pela CBS em 1987.

O disco marcou a continuidade da parceria entre Jairzinho e Simony após o encerramento do Balão Mágico, em 1986. Os dois já vinham sendo preparados para trabalhos em dupla desde o sexto e último álbum do grupo e seguiram juntos nessa nova etapa de suas carreiras.

Conforme documentado na série A Superfantástica História do Balão, o encerramento do grupo envolveu questões contratuais que asseguravam uma estrutura de gravação e divulgação aos integrantes em seus trabalhos posteriores. Jairzinho & Simony surgiu nesse contexto, com uma produção de Ronnie Foster realizada entre Estados Unidos e Brasil.

Como já mencionei na postagem dedicada à edição espanhola, as bases instrumentais foram gravadas em 24 canais no estúdio Ameraycan, em North Hollywood, com engenharia de Elliott Peters. Participaram das gravações Bob Wilson na bateria, Jimmy Johnson no baixo, Michael Landau e Bruce Gaitsch nas guitarras, Larry Williams, Randy Waldman e Ronnie Foster nos teclados, Luiz Conte na percussão e Leo Gandelman no sax-solo.

A produção, porém, não se limitou às sessões realizadas na Califórnia. As vozes de Jairzinho e Simony foram gravadas no Estúdio Transamérica, em São Paulo, tendo Carlinhos Freitas e Zorro como engenheiros de gravação. Já a gravação do coro e a mixagem foram realizadas no Estúdio Sigla, no Rio de Janeiro, sob responsabilidade do engenheiro Antonio "Mug" Canázio.

O coro reune Fernando Adour, Viviane, Simiana, Marize, Ana, Fernando Gama e Elizabeth Graziani. Em “O Vira”, Fernando Adour também divide com Ronnie Foster o arranjo de coro, acrescentando mais um núcleo brasileiro a uma produção cuja base instrumental foi previamente construída nos Estados Unidos.

O repertório reúne onze faixas e tem forte presença de Edgard B. Poças, que aparece nos créditos de “Oi Mundo!”, “Pirata”, “Coração de Papelão (Puppy Love)”, “Adivinha”, “Ripa na Chulipa” e “Meu Bem (Ben)”. Entre as parcerias estão Paul Mounsey, em “Oi Mundo!”, “Adivinha”, “A Voz do Trovão” e “Ripa na Chulipa”; Paul Anka, autor de “Puppy Love”; Julio Seijas e Luis Gómez Escolar, em “Pirata”; e Don Black e Walter Scharf, autores de “Ben”.

As demais faixas incluem “De Vento em Popa”, de Aluizio Falcão, Geraldo Alves Pinto e Lula Barbosa; “O Vira”, de João Ricardo e Luli; “Super-Herói”, de José Carlos Gonçalves e José Rubens Lopes; e “História Sem Fim”, de Cláudio Rabello e Maurizio Fabrizio.

Os arranjos são divididos entre Larry Williams e Randy Waldman. Williams assina “Adivinha”, “Oi Mundo”, “Ben”, “De Vento em Popa” e “Pirata”. Waldman responde por “Ripa na Chulipa”, “A Voz do Trovão”, “História sem Fim”, “Coração de Papelão”, “O Vira” e “Super-Herói”.

O álbum conta ainda com participações especiais de Tim Maia, em “A Voz do Trovão”; Gal Costa, em “Oi Mundo”; e Virginie, vocalista do Metrô, em “O Vira”. A ficha técnica registra que Tim Maia e Gal Costa foram gentilmente cedidos por Vitória Régia Discos Ltda. e BMG Ariola Discos Ltda., respectivamente.

“A Voz do Trovão” recebeu também arranjo de cordas de Chiquinho de Moraes, executado por José Salerno Neto, Estela Cerezo Ortiz, Julio Cerezo Ortiz, Jorge Gisbert Izquierdo, Caetano Domingos Finelli, Elias Slon, German Wajnrot, Alberto Pinchas Jaffé, Michael Verebes, Robert J. Suetholz e Tânia Camargo Guarnieri.

A própria ficha técnica ajuda a dimensionar a estrutura empregada no álbum: enquanto as bases foram registradas em North Hollywood, as vozes foram gravadas em São Paulo e o coro e a mixagem, no Rio de Janeiro. Jairzinho & Simony foi, portanto, construído a partir do encontro entre uma base instrumental produzida nos Estados Unidos e diferentes etapas de gravação realizadas no Brasil, reunindo músicos, arranjadores e técnicos dos dois países.

Faixas:
01. Oi Mundo (part. esp. Gal Costa)
02. Pirata
03. Coração de Papelão (Puppy Love)
04. Adivinha
05. 
De Vento Em Popa
06. O Vira (part. esp. Virginie)
07. A Voz do Trovão (part. esp. Tim Maia)
08. Super-Herói
09. História Sem Fim
10. Ripa na Chulipa
11. Meu Bem (Ben)

Para baixar este álbum em FLAC, clique AQUI.

domingo, 13 de setembro de 2026

Terra Molhada - Out-Door (1985)

 

A Terra Molhada é uma tradicional banda brasileira do Rio de Janeiro, conhecida especialmente por interpretar sucessos dos The Beatles. Em 1985, porém, o grupo registrou também seu próprio trabalho autoral, lançando pela PolyGram seu único álbum, Out-door, com produção musical de Mariozinho Rocha e direção musical dos próprios integrantes da banda.

Formada entre o final dos anos 1970 e o início dos anos 1980, a Terra Molhada tinha em sua formação Cecelo Frony (guitarra, violão de 12 cordas e voz), Carlos Márcio (baixo e voz), Ricardo Aguiar (DX7, Poly 61, piano Yamaha, piano acústico, Fender Rhodes e voz) e Marcelo Castilho (Pinduca) (bateria e bateria eletrônica Simmons).

Em Outdoor, os arranjos de base são assinados por Cecelo Frony e Marcelo Castilho, enquanto os arranjos vocais ficaram a cargo de Cecelo Frony, Mariozinho Rocha e Marcelo Castilho.

Todas as músicas de Outdoor foram compostas por Cecelo Frony, com exceção de “Não Força Odete”, uma adaptação de “You Can't Do That”, de Lennon & McCartney, feita por Carlos Márcio, Cecelo Frony e Ricardo Aguiar, reforçando a influência dos Beatles no trabalho da banda.

Entretanto, ao questionar o músico Cecelo Frony a respeito de uma das minhas faixas preferidas do álbum, “Noites Ácidas”, que traz Ricardo Aguiar no vocal principal, ele contou que a grande inspiração para a composição, especialmente para o acorde contínuo de guitarra e os teclados, foi “Everybody Wants to Rule the World”, do Tears for Fears.

Outros pontos altos, para mim, são “Bom Demais”, também com vocais de Ricardo Aguiar, e “Out-door”, com vocal de Cecelo. É interessante perceber como o álbum combina a influência do rockabilly com elementos da new wave dos anos 80, uma fusão que ajuda a definir a sonoridade particular do disco.

Em 2023, eu já havia feito a captura de áudio e a primeira remasterização do disco utilizando a agulha Ortofon Concorde Mix. Pouco tempo depois, busquei conhecer melhor os recursos disponíveis no iZotope Ozone, como Clarity (Bright Drums) e Master Rebalance (Vocal e Bateria), além do U-he Satin para ganho de brilho e MVSep DeNoise para reduzir ruído resudual das faixas. 

O próprio Cecelo Frony se mostrou bastante emocionado com meu interesse pela obra dele e com a dedicação em apresentar uma masterização satisfatória deste disco.

Faixas:
01. Noites Ácidas
02. Bom Demais
03. Out-Door
04. Não Força Odete (You Can't Do That)
05. Lúcia
06. Reprise
07. Que Se Dane o Mundo
08. Velho Sedan
09. Rush
10. Estranho Poder

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Rádio Taxi - Matriz (1986)

“Matriz”, lançado em 1986, é o quarto álbum da carreira do Rádio Táxi e representa um ponto de virada na trajetória do grupo. Foi também o segundo álbum com Maurício Gasperini nos vocais principais, após substituir Willie de Oliveira ainda durante a divulgação do segundo LP da banda, justamente no período do lançamento de “Eva”.

Produzido por Luiz Carlos Maluly, o álbum traz a formação com Gel Fernandes na bateria, percussão e vocal, Lee Marcucci no baixo, teclados e vocal, Wander Taffo na guitarra, teclados e vocal e Maurício Gasperini no vocal.

Matriz traz dez composições do grupo e uma sonoridade mais voltada ao rock. Do álbum saíram dois grandes hits: “Você Se Esconde”, tema da novela Roda de Fogo, da TV Globo, e “Passos no Porão”, incluída na trilha de Corpo Santo, da TV Manchete.

O disco também recupera uma música dos primeiros tempos do Rádio Táxi: “Matriz”, que havia sido gravada originalmente em 1981, no lado B do compacto de “Garota Dourada”. Cinco anos depois, a composição foi retomada e acabou dando nome ao quarto LP da banda.

A produção ainda conta com Vicente Salvia, responsável pelo arranjo de orquestra em “Nova Geração”, enquanto Jota participa com Emulator II em “Longe” e “Intocáveis”, além dos teclados em todas as faixas. Mauro Gasperini e Victor (Pavarotti das Selvas) aparecem nos vocais de “Você Enlouqueceu” e “Longe”, e Luiz Carlos Maluly também participa dos vocais de “Longe”, “Você Enlouqueceu”, “Passos no Porão” e “Sem Explicação”.

Gravado nos Estúdios Sigla, com mixagem realizada nos Estúdios Transamérica, o disco teve engenharia de gravação de Jorge “Gordo” Guimarães, Roberto Marques e Beto Silva, montagem de Ronaldo Monteiro e corte de Elio Gomes.

A história desta remasterização começa em 2018, quando fiz a captura do LP utilizando uma agulha Ortofon OM5E. Anos depois, resolvi revisitar o trabalho utilizando novas ferramentas de masterização e equalização, além de aplicar o MVSep DeNoise para reduzir os ruídos residuais. O resultado, sem falsa modéstia, ficou superior ao áudio atualmente utilizado pela Sony Music nas plataformas digitais.

Faixas:
01. Longe
02. Você Se Esconde
03. Passos No Porão
04. Sem Explicação
05. Zumbi
06. Você Enlouqueceu
07. Nenhuma Censura 
08. Nova Geração
09. Intocáveis
10. Matriz

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