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sábado, 26 de setembro de 2026

Hyldon - Hyldon (1989)

Em 1989, Hyldon lançou pela Esfinge este álbum homônimo, um trabalho de produção independente que reúne dez composições e mantém o artista não apenas como intérprete, mas no centro de toda a concepção musical do disco. Hyldon assina a produção e concepção musical, além dos vocais, violão, guitarra base e arranjos. A direção de produção ficou a cargo de Carlos Lemos, com direção geral de Tony Bizarro.

Todas as canções têm letra e música de Hyldon, com exceção de “Caminho de Santiago” e “Vem Comigo”, adaptações musicais de poesias de Paulo Coelho e Cecília Meireles, respectivamente.

A instrumentação reúne músicos importantes da música brasileira. Artur Borba participa nos teclados e sintetizadores, além de dividir os arranjos com Hyldon e responder pelas orquestrações e regência. Luizão Maia toca baixo, Mário Monteiro (Picolé) bateria e Cidinho percussão. Há ainda participações específicas de Alex Malheiros, no baixo de “Caminho de Santiago” e “Vem Comigo”; Ivan Conti, na bateria de “Vem Comigo”; Chacal e Léo, na percussão de “Caminho de Santiago”; e Paulinho Guitarra, que toca guitarra e faz o solo de violão em “Coração Cigano”. Os metais aparecem com Paulinho Trompete, no flugelhorn de “O Amor É Como a Flor”, e Bidinho, no trompete de “Caminho de Santiago”. O coro reúne Jussara Lourenço, do Trio Ternura; Renata Correa; Renato Correa, Roberto Correa e Waldir Anunciação, integrantes dos Golden Boys; e Zoé Medina.

As gravações foram realizadas nos estúdios Mix e Multi, no Rio de Janeiro, e Transamérica, em São Paulo, com Guilherme, João Maria, Rafael, Carlos Freitas e João Guarino como técnicos de gravação. A etapa de mixagem levou o projeto aos Estados Unidos: o álbum foi mixado no Wide Track, em Hollywood, com Wayne Henderson como produtor de mixagem e Dennis Parker como engenheiro. A produção vocal ficou a cargo de Frankie Arduini.

O corte foi realizado por José Oswaldo Martins, da BMG-Ariola. As fotografias do LP são de Frederico Mendes e a arte-final da WOM Publicidade.

Apesar do esmerado trabalho musical e da mixagem realizada nos Estados Unidos, o álbum registrou baixa vendagem. A Esfinge, um selo de pequeno porte, concentrava seus recursos na qualidade técnica de seu catálogo, mas enfrentava dificuldades na prensagem e distribuição de seu material fonográfico. A situação se agravou com a crise econômica durante o Plano Collor, e a gravadora encerrou suas atividades no início dos anos 1990.

Para a remasterização deste álbum, foi utilizada a agulha Ortofon Concorde Club na captura do áudio diretamente do LP original. Fica meu agradecimento especial ao amigo Israel Castro, de Campina Grande/PB, pela aquisição do LP que me permitiu realizar este trabalho de resgate.

Faixas:
01. Pétalas Vermelhas (part. esp. Alfonz Jones)
02. Coração Cigano
03. Vá Embora Tristeza
04. Uma Chance pra Nós Dois
05. Muito Além da Razão
06. O Mundo Fica Triste Sem Você (Obaluaê)
07. O Amor É Como a Flor
08. Trem da Madrugada
09. Caminho de Santiago
10. Vem Comigo

Para baixar este álbum em FLAC, clique AQUI.

A Cor do Som - Som da Cor (1985)

É sério, você precisa ouvir esse disco! 

Lançado em 1985 pela Elektra/WEA, O Som da Cor traz A Cor do Som com Dadi, Mú Carvalho, Ary Dias, Gustavo Schroeter e Perinho Santana. Este último já havia participado das gravações de Intuição, de 1984, e aqui aparece definitivamente integrado ao grupo, assumindo as guitarras e também dividindo os vocais.

E é justamente quando a gente começa a fuçar os créditos que o disco fica ainda mais interessante: não existe um único vocalista à frente do repertório. Ary Dias canta “Arrastando Corrente”, “Vida Que Passamos” e “Acho Que Ela Gosta”; Mú assume “Ela Vai Ter Que Me Escutar” e “Eu Quero É Bem Mais”; Dadi fica à frente da faixa-título e de “Tudo Que Você Quiser”; e Perinho canta “Navegante” e “Bomba No Vestibular”. Virou bagunça? Não! Funciona — e muito bem! A formação trabalha quase como um revezamento, inclusive nos instrumentos: Dadi, além do baixo, aparece nas guitarras e teclados; Ary troca a percussão pela bateria em algumas faixas; e Mú também participa das programações eletrônicas.

E tem visita em casa! Cecília Spyer, hoje ligada ao universo da bossa nova e do new jazz, é praticamente uma presença recorrente no álbum. Seus vocais de preenchimento feminino dão às faixas um tom deliciosamente new wave, com uma precisão vocal maravilhosa — não estão ali simplesmente fazendo “corinho”, mas acrescentando textura e identidade aos arranjos.

Armandinho Macedo, nome fundamental na história d’A Cor do Som, reaparece nos vocais de “Vida Que Passamos” e “Eu Quero É Bem Mais”. Já Léo Gandelman deixa sua marca em “Acho Que Ela Gosta”, com teclados e um solo de saxofone, enquanto Toni Costa participa com guitarra solo; os dois também cuidam da programação da DMX nessa faixa. E há ainda um crédito daqueles que você só encontra quando resolve ler até as letrinhas do LP: Márcio Figueiredo, responsável pela ghost laugh de “Arrastando Corrente”. Pois é!

O repertório também mantém os integrantes bastante envolvidos na composição. Mú Carvalho é o nome mais frequente entre os autores, inclusive nas parcerias com Paulinho Tapajós em “Que Flor É Você?” e “Eu Quero É Bem Mais”. Dadi e Ronaldo Bastos assinam “Som da Cor”, enquanto Perinho compõe “Navegante” e divide “Bomba No Vestibular” com Chacal.

Produzido por Chico Neves, O Som da Cor também carrega algumas marcas bem reconhecíveis da produção dos anos 1980. Ao instrumental da banda somam-se sequencer e programação de bateria DMX, sem eliminar a bateria acústica de Gustavo Schroeter ou a forte presença da percussão de Ary Dias. É justamente essa convivência entre instrumentos e programação que chama atenção nos créditos do álbum.

Chico Neves também divide a engenharia de gravação com Vitor Farias, responsável pela mixagem. A direção artística ficou com Liminha, enquanto Frederico Mendes assinou fotografia e arte da capa. O corte do LP foi realizado por José Oswaldo Martins.

E se você estiver procurando este álbum em CD, aí a coisa complica. Em 2008, a Warner lançou A Cor do Som – Super 3, dentro de uma série de coletâneas triplas dedicada a vários artistas. São 42 faixas distribuídas em três CDs, com seleção de repertório de Carlos Savalla e masterização creditada à Digital Mastering Solutions.

De O Som da Cor, porém, entraram somente “Ela Vai Ter Que Me Escutar”, “Arrastando Corrente” e “Tudo Que Você Quiser”. E vou dizer: horrível! Para quem esperava encontrar ali uma boa recuperação digital dessas gravações, passou longe. Além de representar apenas três músicas desse álbum, essas faixas aparecem no box a partir de fontes muito fracas de LP, com características de áudio comprimido em MP3. 

Nesta remasterização de 2026, com a tecnologia trabalhando a nosso favor, você perceberá muito melhor a presença dos detalhes — vocais, percussões, guitarras, teclados e aquelas pequenas intervenções espalhadas pelos arranjos — a partir de um LP que, pelo que pude verificar, foi prensado pela RCA.

Aparentemente, essa prensagem traz um áudio mais fechado, com certo abafamento. Na etapa de masterização, utilizei o U-he Satin para abrir os agudos e devolver maior presença ao conjunto. Com o MVSep DeNoise na limpeza dos ruídos residuais, o resultado chega àquela sensação deliciosa de uma fita master nova e limpa. 

Bom, sou suspeito para elogiar A Cor do Som. É um time de músicos exímios fazendo um som pirado, com guitarra baiana, grooveria, funk, reggae, muito suingue e aquela mistura tão característica do som nordestino com o boogie americano. E os vocais de Dadi, Ary, Perinho e Mu são gostosos demais de ouvir!

Não vou ficar tentando explicar demais, não. Só ouve!

Faixas:
01. Arrastando Corrente
02. Som da Cor
03. Ela Vai Ter Que Me Escutar
04. Vida Que Passamos
05. Que Flor É Você?
06. Acho Que Ela Gosta
07. Eu Quero É Bem Mais
08. Navegnte
09. Todo Que Você Quiser
10. Bomba no Vestibular

Para baixar este álbum em FLAC, clique AQUI.

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

João Fígar - João Fígar (1988)

João Fígar, nome artístico de João Figueiredo Júnior, é cantor, músico e compositor paulista radicado em Mato Grosso do Sul, onde posteriormente se tornaria reconhecido por seu trabalho ligado à música regional. Este álbum, porém, registra uma fase bastante diferente de sua trajetória, quando sua carreira estava direcionada ao pop e ao pop rock.

Essa aposta chegou a render a Fígar uma indicação ao Prêmio Sharp de 1988 como revelação pop rock, concorrendo com Ed Motta e Fábio Fonseca. O investimento da 3M nessa fase pode ser percebido pela própria dimensão da produção do álbum, que reuniu alguns dos profissionais mais requisitados da música brasileira naquele período.

Produzido por Chico Mourão, o disco teve seus arranjos distribuídos principalmente entre Bozzo Barretti, Lincoln Olivetti, Robson Jorge e Jorjão Barreto. Bozzo responde por “De Surpresa”, “Só Você (Only You)”, “Jogo de Pernas” e “Maçãs de Vitrine”; Lincoln Olivetti assina “Essa Chama” e “Poção Mágica”; Robson Jorge, “Circuito Fechado” e “Tudo de Uma Vez”; enquanto Jorjão Barreto aparece à frente de “Quebramos Nosso Gelo” e “Sinal pra Você”.

O repertório também reúne compositores de diferentes vertentes. “De Surpresa”, de Luiz Guedes, Thomas Roth e Isolda, conta com participação especial do próprio Luiz Guedes. “Maçãs de Vitrine” é de Dalto e Claudio Rabello; “Circuito Fechado”, de Alfredo Karam e Paulo Simões; “Sinal pra Você”, de Hilton Raw e Arnaldo Black; e “Poção Mágica”, de Luiz Guedes, Thomas Roth e Costa Netto. João Fígar aparece também como compositor em “Jogo de Pernas”, ao lado de Bozzo Barretti e Davi Régis, e em “Tudo de Uma Vez”, com Davi Régis e Alfredo Karam. O disco traz ainda “Só Você”, versão de Júlio Nagib para “Only You”, de Buck Ram e Ande Rand.

A ficha de músicos é igualmente expressiva. Léo Gandelman toca sax em “Circuito Fechado”, que ainda reúne Carlos Bala na bateria e Laudir de Oliveira na percussão. Laudir também participa de “Tudo de Uma Vez” e “Quebramos Nosso Gelo”. Paulinho Soares aparece nas guitarras e violões, Fernando Alves e Paulo Cesar se alternam no baixo, enquanto o próprio Fígar participa de coros e toca timbales em “Só Você”.

Outro aspecto que chama atenção é o aparato eletrônico empregado na produção. A própria contracapa faz questão de relacionar os equipamentos utilizados por Lincoln Olivetti, Bozzo Barretti, Jorjão Barreto, Robson Jorge e Mário Lúcio. Entre eles aparecem Emulator II, Mirage, Roland S-50, Yamaha DX7, Akai S-900, Memory Moog, Oberheim, Linn Drum e SP-12, além de diversos módulos, sintetizadores e sequenciadores. É praticamente um inventário da tecnologia utilizada na produção do pop brasileiro naquele momento.

O trabalho passou por quatro estúdios: Floresta, Nas Nuvens e Transamérica, no Rio de Janeiro, e Mosh, em São Paulo. Entre os técnicos aparecem o próprio Lincoln Olivetti, Vitor Farias, Laci Moraes e Luís Paulo. A direção de mixagem ficou a cargo de Chico Mourão e Bozzo Barretti, com mixagens realizadas no Nas Nuvens e no Mosh.

Curiosamente, depois dessa produção fortemente direcionada ao pop, João Fígar tomou um caminho bastante diferente. Após a experiência com a 3M, aproximou-se definitivamente da música regional de Mato Grosso do Sul, mudança que ganharia projeção nacional na parceria com Guilherme Rondon. Em 1991, o disco Rondon & Fígar conquistou o Prêmio Sharp, apenas alguns anos depois daquela indicação de Fígar como revelação pop rock.

O álbum da 3M acaba, assim, documentando uma fase muito específica de sua trajetória: antes de se estabelecer na música regional, João Fígar esteve inserido numa produção pop de grande porte, cercado por músicos, arranjadores, estúdios e equipamentos que representam muito bem a estrutura da indústria fonográfica brasileira do final dos anos 1980.

Para a remasterização, recorri ao LP integral, utilizando a agulha Ortofon Concorde Club. Após a limpeza de estalos e a equalização das faixas, utilizei o MVSep DeNoise para a remoção de ruídos residuais.

Faixas:
01. De Surpresa (part. esp. Luiz Guedes)
02. Essa Chama
03. Só Você (Only You)
04. Jogo de Pernas
05. Maçãs de Vitrine
06. Circuito Fechado
07. Tudo de Uma Vez
08. Quebramos Nosso Gelo
09. Sinal pra Você
10. Poção Mágica

Para baixar este álbum em FLAC, clique AQUI.

domingo, 13 de setembro de 2026

Silvio Santos e Suas Colegas de Trabalho - Show de Alegria (1975)


Lançado em LP e K7 pela RCA Victor, em 1975, Show de Alegria reúne Silvio Santos e suas colegas de trabalho em um repertório voltado a diferentes celebrações e datas comemorativas. 

O álbum passa por canções de aniversário, Dia das Mães, festas juninas, Natal, fim de ano e Carnaval, além de números dedicados aos namorados e outras músicas apresentadas individualmente. A direção artística é de Osmar Zan, com coordenação de Marcelo Duran e arranjos e regência do Maestro Zezinho.

Senor Abravanel, conhecido artisticamente como Silvio Santos, nos deixou em 17/08/2024, aos 93 anos. O apresentador acumulou mais de 55 anos de carreira na comunicação social e lançou quatro álbuns de carreira: os três primeiros em LP lançados pela RCA Victor: Silvio Santos e Suas Colegas de Trabalho (1974), Show de Alegria (1975) e 15 Sucessos Carnavalescos (1981), Em 1994 lançou pela Videolar, no formato K7, o álbum Silvio Santos.

Remasterizei este LP em 28/10/2024, utilizando a agulha Ortofon Concorde Mix. Embora o álbum tenha sido disponibilizado nas plataformas digitais via SBT Music em 2024, o áudio não é proveniente da master original, por isso preferi realizar minha própria remasterização a partir do LP. Em setembro de 2026, retomei o trabalho e trouxe uma nova versão, com o áudio totalmente limpo por meio do MVSep DeNoise.

Faixas: 
01. Show de Alegria
02. Canções de Aniversário
03. Sorria
04. O Trem
05. Canções para os Namorados
06. Amar-te com Devoção
07. Músicas para as Festas Juninas
08. Canções para o Dia das Mães
09. Homenagem ao Amor
10. Canções para o Natal
11. Não Posso
12. Solteira ou Casada (Zazá)
13. Canções Tradicionais de Fim de Ano
14. Músicas Tradicionais para o Carnaval

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sábado, 12 de setembro de 2026

Dom & Ravel - Terra Boa (1971)

 

“Terra Boa” foi o primeiro álbum lançado por Dom & Ravel pela RCA, em 1971. Com direção artística de Alfredo Corleto e arranjos de Daniel Salinas, o disco reúne onze canções e apresenta uma sonoridade que transita pelo samba-rock, forró e rock ’n’ roll, ao mesmo tempo em que consolida no repertório da dupla temas sociais que já marcavam suas composições.

Os irmãos Eustáquio Gomes de Farias — Dom (nascido em Itaiçaba, em 21/08/1944, e falecido em Fortaleza, em 10/12/2000) e Eduardo Gomes de Farias — Ravel (nascido em Itaiçaba, em 13/10/1947, e falecido em São Paulo, em 16/06/2011) ganharam projeção nacional como autores de “Eu Te Amo, Meu Brasil”, gravada pelo grupo Os Incríveis em 1970. A composição surgiu em meio à conquista da seleção brasileira na Copa do Mundo do México, quando o Brasil se tornou tricampeão mundial.

Entre 1969 e 1970, Dom & Ravel já haviam lançado alguns compactos pela RCA. Em 1971 chegaria “Terra Boa”, álbum que reúne influências de samba-rock, forró e rock ’n’ roll. O repertório também evidencia uma característica recorrente no trabalho da dupla: canções que abordavam questões sociais, como “Só o Amor Constrói” e “Você Também É Responsável”. Esta última foi adotada durante a gestão do então ministro da Educação Jarbas Passarinho em uma campanha do Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL).

A repercussão de “Eu Te Amo, Meu Brasil” e a associação de algumas de suas músicas a iniciativas oficiais do governo acabaram vinculando a imagem de Dom & Ravel ao regime militar. Setores de oposição à ditadura passaram a enxergar a dupla como aliada do governo, associação que acabou acompanhando sua trajetória artística, mesmo com a contestação da dupla.

A discografia de álbuns de Dom & Ravel inclui “Terra Boa” (RCA, 1971), “Dom & Ravel” (Beverly, 1974), “Brasil, Cidade e Campo” (Copacabana, 1982), “Alegria Tropical Vol. 1” (NGS Gravações, 1991), “Dom & Ravel” (JWC Discos, 1993) e “Deus É o Juiz” (Azul Music, 2001). Paralelamente, os irmãos também tiveram lançamentos individuais em álbum: “Em Todos os Tempos”, de Dom (Beverly, 1977), e “Humanidade”, de Ravel (RB Music, 1994).

O álbum foi remasterizado em 09/02/2025, a partir do LP, com uso de agulha Ortofon Concorde Club. Agradeço ao amigo Charles Portilho, da 019 Discos, de Nova Odessa/SP, por me ceder o LP utilizado neste trabalho. Em 11/09/2026, os áudios remasterizados receberam uma camada de MVSep DeNoise para a limpeza do ruído residual.

Faixas:
01. Forró no Escuro
02. Eu Te Adoro, Meu Amor
03. Terra Boa
04. Todo o Amor Que Eu Sinto Em Mim
05. Essa Menina Tá Ficando Moça
06. Na Praia de Iracema
07. Só o Amor Constrói
08. Partido da Barata/ No Meu Barco Eu Vou de Prôa
09. Sera Verdade Que Eu Vou Te Perder
10. Papai Noel, Um Velhinho Camarada
11. Você Também É Responsável

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sexta-feira, 11 de setembro de 2026

Silvio Cesar - Silvio Cesar (1983)

Silvio Rodrigues Silva, conhecido artisticamente como Silvio Cesar, nasceu em 14 de agosto de 1939, em Raul Soares, Minas Gerais. Cantor e compositor, conciliou o início da carreira artística com os estudos e, em 1964, tornou-se bacharel em Direito pela Faculdade Nacional de Direito.

Começou a cantar profissionalmente em 1960, como crooner das orquestras de Waldemar Spillman e Ed Lincoln, apresentando-se também em casas noturnas cariocas como Bacará e Drink.

Nas décadas de 1960 e 1970, Silvio Cesar teve presença frequente na programação musical da televisão brasileira, participando de programas como Jovem Guarda, Família Trapo, O Fino da Bossa, Essa Noite se Improvisa e Show do Dia 7, entre outros. Atuou também no seriado Quartel do Barulho, ao lado de Dedé Santana e Renato Aragão, produção que antecedeu a formação de Os Trapalhões. Participou ainda do musical Alô Dolly, de Miéle e Bôscoli, na estreia da TV Globo.

Representou o Brasil no Festival do Ano Internacional da Comunicação, realizado em Acapulco, no México, com a canção “Por que?”, interpretada por Agnaldo Rayol.

No cinema, protagonizou Na Onda do Iê-Iê-Iê, ao lado de Dedé Santana e Renato Aragão, participando também, em parceria com Ed Lincoln, da trilha sonora do filme.

Como compositor, teve músicas gravadas por nomes como Ângela Maria, Alcione, Claudette Soares, Os Cariocas, Cauby Peixoto, Dóris Monteiro, Elis Regina, Elizeth Cardoso, Emílio Santiago, Elza Soares, João Donato, Hermeto Pascoal, Leny Andrade, Jair Rodrigues, Nana Caymmi, Roberto Carlos, Sergio Mendes e Gal Costa. Esta última gravou “Pra Você”, composição que já havia sido registrada por Roberto Carlos e que, em sua interpretação, seria utilizada na abertura da novela Torre de Babel, em 1998.

Canções de Silvio Cesar também estiveram presentes em trilhas de novelas, entre elas:

  • “A Minha Prece de Amor” e “Maria” (1970) – Simplesmente Maria (TV Tupi)
  • “Você Não Tá Com Nada” (1972) – Bandeira 2 (Rede Globo)
  • “Levante os Olhos” (1975) – Duas Vidas (Rede Globo)
  • “Agarre Seu Homem” (1978) – Te Contei? (Rede Globo)
  • “A Mais Antiga Profissão” (1981) – Jogo da Vida (Rede Globo)

Em 1983, Silvio Cesar lançou o LP homônimo pelo selo SOS Música, distribuído pela Gravações Elétricas S/A, com produção de Silvio César, e coordenação de produção de Esdras. Os arranjos são assinados por Sérgio Carvalho e Geraldo Vespar, exceto “Cantar”, “Passado e Futuro” e “Primavera/Outono”, assinados por Reinaldo Arias.

Os arranjos de metais ficam a cargo de Paulinho Trompete, em “Cantar” e “Companheiro”, Celinho do Pistom, em “Renascer”, e Oberdan Magalhães, em “Cantar”. Já Raimundo Bitencourt assina o arranjo vocal de “Loucura e Razão”.

Os instrumentistas que também participam da gravação são: Sérgio Carvalho (teclados), Geraldo Vespar (violão), Wilson das Neves (bateria), Luizão (baixo), Luizinho Maia (guitarra), Reginaldo “Pi” Francisco (teclados) e Helber (caixa), com participações pontuais de Alfredo Dias Gomes (bateria), Chico Batera (bateria e percussão), Antonio Adolfo (piano elétrico), Reinaldo Arias (teclados), Rafael Rabello (violão de 7 cordas), Rodrigo Campello (guitarra), Chacal (bongô e percussão), Paulo Moura (sax soprano), Sidinho Moreira (surdo e pandeiro), Roberto Bastos “Luna” Pinheiro (pandeiro), Orlann Divo (percussão), Oberdan Magalhães (sax tenor), Paulinho Trompete (trompete) e Celinho Pistom (flugelhorn).

O disco conta ainda com os vocais de Fabiola, Francisco Pupo, Jaime Alem, Orlann Divo, Mariama, Regininha, Reinaldo Arias e Ronaldinho. Há também participações mais que especiais de João Nogueira, Hermeto Pascoal, MPB-4, Jane Duboc e Grupo Aquarius.

Para esta publicação, o LP foi remasterizado em 19/05/2025 com uso da agulha Shure M44G. Em agosto de 2026, os áudios foram submetidos a um tratamento de redução de ruído com MVSep DeNoise.

Fica aqui um agradecimento especial ao Charles Portilho, da loja 019 Discos de Nova Odessa/SP, por ceder o disco para remasterização.

Faixas:
01. Cantar
02. Companheiro (part. esp. João Nogueira)
03. Passado e Futuro
04. Chorinho pra Ele (part. esp. instrumental Hermeto Pachoal)
05. E Agora? (O Que Faço pra Esquecer?)
06. Renascer
07. Se Você Fosse Um Homem (part. esp. MPB-4)
08. Loucura e Razão (part. esp. Jane Duboc e Grupo Aquarius)
09. A Mais Antiga Profissão
10. Primavera/ Outono

Para baixar o album em FLAC, clique AQUI.

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Cláudio Nucci - Cláudio Nucci (1981)

Lançado pela EMI-Odeon em 1981, o álbum homônimo Cláudio Nucci marcou a estreia do cantor e compositor em LP solo, após sua passagem pelo Boca Livre. O disco reúne dez composições de Nucci, sozinho ou em parceria com nomes como Juca Filho, Luiz Fernando Gonçalves, Zé Luiz, José Luis Oliveira e Mauro Assumpção, além das participações especiais de Zé Renato, em “Luz do Dia”, e Nana Caymmi, em “Vontade de Viver”.

A direção de produção ficou a cargo de Renato Corrêa, com produção executiva de Mayrton Bahia. Entre os músicos que participaram das gravações estão Rodrigo Campello, Zé Rô, André Tandeta, Gordo, Dori Caymmi, Danilo Caymmi, Wagner Tiso, Jacques Morelenbaum, Mauro Senise, Marcos Farina, Antonio Santana, Roberto Silva, João Firmino e Marcio Nucci. O próprio Cláudio Nucci toca violão em várias faixas.

Os arranjos creditados no encarte são de Dori Caymmi, em “Vontade de Viver”, “Valsa dos Casais” e “Prece”, e Wagner Tiso, em “Acontecência” e “Gosto de Mim”. Em “Luz do Dia”, o arranjo vocal é creditado a José Renato, Heraldo Amaral e Cláudio Nucci. As demais músicas não apresentam crédito específico de arranjador.

O álbum homônimo Cláudio Nucci chegou às plataformas digitais somente em outubro de 2025, via Universal Music, com os fonogramas creditados à EMI Records Ltda., mas com uma ausência: “Buscando Amor”, última faixa do LP, ficou de fora. O material encontrado no Deezer apresenta características que indicam uma transferência a partir da master tape original, pela pureza do áudio, pelo hiss típico de fita, pelo equilíbrio perceptível e pela qualidade sonora característica de um material bruto. Foi justamente essa a fonte utilizada nesta remasterização, com redução de ruído por MVSep DeNoise, reequalização com Satin e ganho de brilho através das ferramentas de masterização do Pinnacle Clean.

Para completar o repertório original, “Buscando Amor” foi extraída do LP com agulha elíptica Ortofon Concorde Club e recebeu o mesmo tratamento aplicado ao material digital. Incluí ainda como bônus “Quero Quero”, faixa lançada em 1980 e também disponibilizada nas plataformas digitais em outubro de 2025, sendo igualmente remasterizada para esta publicação.

A inclusão de “Quero Quero” como bônus também ajuda a situar o álbum na trajetória solo de Cláudio Nucci. Lançada em 1980, a canção foi tema da novela Plumas e Paetês, da TV Globo. No mesmo ano, “Acontecência” apareceu como lado B do compacto de “Quero Quero” e, em 1981, foi tema de Brilhante. Assim, as duas gravações ajudam a estabelecer a passagem entre o início de sua carreira solo e o lançamento do álbum de estreia.

Quem ouvir “Valsa dos Casais” vai perceber, bem no finzinho da faixa, uma citação de “Quero Quero” na flauta. Ouça com atenção! É bem legal!

Ah... e há quem não saiba – inclusive eu não sabia até escrever esse texto –, mas “Buscando Amor” teve problemas com a censura antes de seu lançamento. A implicância estava no verso em que Cláudio Nucci cantava “porque hoje em dia eu já ando baseado”: a palavra “baseado” foi interpretada como uma referência à maconha, embora fosse empregada na letra como forma do verbo basear. O caso chegou ao Conselho Superior de Censura e, em parecer datado de 9 de julho de 1981, Ricardo Cravo Albin defendeu a liberação integral da música, argumentando justamente que o sentido do termo era claramente verbal. A canção acabou sendo lançada normalmente no LP.

Curiosamente, mais de quatro décadas depois, “Buscando Amor” é justamente a única faixa que ficou de fora da edição digital do álbum. Como esses lançamentos de catálogo não têm sido acompanhados de um trabalho jornalístico que anuncie e faça uma revisão crítica do material disponibilizado, não encontrei qualquer explicação para a ausência. Em uma época em que tanto se discutem e combatem a censura e os resquícios da ditadura, é no mínimo lamentável que uma música que passou justamente por esse episódio desapareça de uma reedição sem qualquer esclarecimento. Fica aqui meu repúdio.

A publicação acompanha material gráfico proveniente do LP original, parcialmente restaurado com o uso do ChatGPT. 

Faixas:
01. Levezinho
02. Santo Protetor
03. Acontecência
04. Valsa dos Casais
05. Prece
06. Luz do Dia
07. Vontade de Viver
08. Asas a Voar
09. Gosto de Mim
10. Buscando Amor
11. Quero Quero (Bonus Track)

Para efeito de comparação, clique no Deezer ou Spotify.

Para ouvir o álbum remasterizado em FLAC, clique AQUI.

domingo, 6 de setembro de 2026

Grupo Cantamor - Amor Canto Primeiro Vol. 2 (1981)

"Amor Canto Primeiro Vol. 2" poderia ser uma coletânea com repertório de vários artistas, tal como foi o primeiro volume, de 1978. Mas a Som Livre foi mais além e o transformou em um álbum de vinte canções de bossa nova, todas interpretadas em 10 pot-pourris com duas canções cada, celebrando alguns dos maiores compositores da bossa nova de todos os tempos.

A formação do Cantamor neste LP inclui Jane Duboc, Jayme, Edgardo e Raymundo Bittencourt. Os arranjos vocais ficam por conta de Raymundo Bittencourt, que também cuida dos arranjos instrumentais de "Andaluzia / Avarandado" e "A Volta / De Onde Vens", enquanto o restante do disco é arranjado por Alberto Arantes e Marcos de Castro.

Raymundo Bittencourt também cuida da produção executiva do disco, enquanto a direção de produção fica por conta de Max Pierre. A seleção de repertório é assinada por Ramalho Neto.

A capa tem fotografia da Agência Fotomagia, com direção de arte de Vera Roesler e arte final de Tuninho de Paula. Mas, para esta publicação, recorri à ferramenta de restauração de foco, nitidez, brilho e cor do ChatGPT.

Embora a capa não indique quem são os modelos da capa, certamente lembra Raul Gazzola e Lucélia Santos, que durante alguns anos da década de 80 chegaram a ficar juntos.

O áudio deste álbum foi capturado de LP por meio de agulha Ortofon Concorde Club, garantindo nitidez e brilho ao som. Para finalizar, foi utilizado MVSep DeNoise para retirar o ruído residual. Para a retirada de estalinhos, usei o Pinnacle Clean e iZotope RX 7 De-click. O resultado permitiu maior nitidez dos arranjos de teclado e confirmou o que eu já suspeitava: a modernização da bossa nova por meio de elementos de sintetizadores bem acentuados, instrumentos de metais, bateria e violão bem suaves. Ficou um luxo!

Faixas:
01. Se Todos Fossem Iguais a Você / Por Causa de Você
02. Até Quem Sabe / Ilusão à Toa
03. Moça Flor / Lígia
04. Foi à Noite / Fim de Noite
05. Andaluzia / Avarandado
06. Eu e a Brisa / Eu Preciso Aprender a Ser Só
07. Você e Eu / Fotografia
08. Minha Namorada / O Nosso Olhar
09. A Volta / De Onde Vens
10. Marina / Não Tem Solução

Para baixar este álbum em FLAC, clique AQUI. 

Grupo Cantamor - Roberto Carlos Com Amor (1980)

O Grupo Cantamor foi um quinteto vocal brasileiro formado na década de 1980, criado exclusivamente para gravar projetos da gravadora Som Livre. O conjunto era formado por Jane Duboc, Sonia Burnier (também conhecida como Sonia Bonfá), Edgardo, Jaime Luiz e Raymundo Bittencourt.

Seu repertório privilegiava releituras de grandes sucessos românticos da MPB, conduzidas por harmonias vocais elaboradas e arranjos refinados, características que fizeram dos álbuns uma opção voltada ao público apaixonado da época.

Apesar de sua breve trajetória, o Cantamor esteve longe de ser um grupo formado ao acaso. Três de seus integrantes já haviam compartilhado experiências profissionais antes mesmo da criação do projeto, enquanto os demais também possuíam carreiras consolidadas na música brasileira, reunindo diferentes vivências em estúdio e nos palcos.

Jane Duboc iniciou sua carreira em 1971 no duo Fein, ao lado de Gay Vaquer, seu primeiro marido. Em 1974, passou a integrar a banda de rock progressivo Bacamarte. Após sua participação no Cantamor, consolidou uma bem-sucedida carreira solo, gravando discos pela Continental que emplacou canções nas rádios e em trilhas de novelas da TV Globo.

Sonia Burnier integrou, nos anos 1970, a banda Aquarius, que teve uma canção incluída na trilha sonora internacional da novela O Casarão. Também fez parte de Ronnie e a Central do Brasil, grupo liderado por Ronald Mesquita, atuando como vocalista de apoio. Como cantora solo, interpretou os temas de abertura das novelas Te Contei? e Duas Vidas. Na década de 1980, passou a integrar a banda Sempre Livre sob o nome artístico de Sonia Bonfá.

Raymundo Bittencourt desenvolveu carreira como cantor, compositor, produtor, maestro e arranjador, assinando trabalhos para Antonio Carlos & Jocafi, Maria Creuza, Agepê, Silvio César, João Bosco, Quarteto em Cy e Burnier & Cartier. Também foi responsável por produções e arranjos da banda Aquarius e de Ronnie e a Central do Brasil, grupos dos quais Sonia Burnier fez parte, estabelecendo uma parceria profissional entre ambos antes da criação do Cantamor.

Jaime Luiz também possuía ampla experiência como músico de estúdio, realizando trabalhos de vocal de apoio e instrumentação para artistas como Jorge Ben Jor, Luiz Gonzaga e Ruy Maurity. Assim como Sonia Burnier, integrou Ronnie e a Central do Brasil, reforçando outra ligação profissional que antecedia a formação do Cantamor.

Quanto a Edgardo, as fontes consultadas foram escassas, não sendo possível identificar com segurança sua atuação artística fora do Cantamor. Ainda assim, sua participação no quinteto integra um projeto que reuniu músicos experientes e com reconhecida atuação no mercado fonográfico brasileiro.

Ao todo, o Cantamor realizou dois lançamentos: Roberto Carlos Com Amor e Amor Canto Primeiro Vol. 2. Ambos tiveram produção executiva, direção e arranjos vocais de Raymundo Bittencourt que, além de integrar o quinteto, foi o principal responsável pela concepção musical dos discos. A breve discografia do grupo evidencia o cuidado da Som Livre em reunir intérpretes tecnicamente preparados e profissionalmente conectados para um projeto que privilegiava a qualidade dos arranjos vocais e das interpretações.

O projeto Roberto Carlos Com Amor foi gravado em 24 canais nos Estúdios Sigla, no Rio de Janeiro, com direção de produção de Guto Graça Melo, criação da produção de Ramalho Neto, direção de estúdio, arranjos e regência de Marcos de Castro, arranjos de metais de Alberto Arantes e engenharia de gravação e mixagem de Carlos Eduardo de Andrade.

Faixas:
01. Um Jeito Estúpido de Te Amar / Vou Ficar Nú pra Chamar Sua Atenção
02. Café da Manhã / Falando Sério
03. Detalhes / Outra Vez
04. Pra Você / De Tanto Amor
05. Eu Disse Adeus / Se Você Pensa
06. Seu Corpo / Tente Esquecer
07. Olha / Como Vai Você
08. O Portão / Existe Algo Errado
09. Debaixo Dos Caracóis Dos Seus Cabelos / Abandono
10. O Show Já Terminou / Proposta

Repostagem de 18/07/2026, com capa original adaptada para atender às diretrizes de publicação, preservando os demais elementos gráficos. O áudio continua o mesmo.

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domingo, 26 de julho de 2026

João Caetano - João Caetano (1988)

Entre a Medicina e a música, João Caetano construiu uma trajetória pouco comum na canção brasileira. Enquanto exercia a profissão de cardiologista, desenvolvia paralelamente uma carreira artística que, ao longo de mais de cinco décadas, reuniu festivais, discos, trilhas de novelas e parcerias importantes da MPB.

Nascido em 1952, em uma fazenda no interior de Goiás, passou parte da infância na Cidade de Goiás, onde teve os primeiros contatos com a tradição musical da antiga capital. Ainda adolescente, participou das serenatas que animavam as ruas históricas da cidade e, pouco depois, mudou-se para Goiânia. A efervescência cultural da capital goiana abriu espaço para uma intensa participação em festivais estudantis, ambiente que se tornaria decisivo para sua formação como compositor.

Foi nesse circuito que João conheceu Otávio Daher, o Tavinho (1950–2024), parceiro de longa data. Em 1972, a dupla venceu o Festival Universitário com a canção "Roda Gigante", conquista que representou o primeiro reconhecimento expressivo de seu trabalho autoral. Dois anos depois, a música seria lançada em compacto simples pelo selo Fermata, marcando a estreia fonográfica do artista.

Embora a carreira musical avançasse, João não abandonou a formação acadêmica. Graduou-se em Medicina em 1977 e especializou-se em Cardiologia, conciliando durante muitos anos a rotina profissional com a atividade artística. A música, entretanto, continuava ocupando espaço cada vez maior em sua vida.

Em 1980, lançou seu primeiro álbum pela Gravações Elétricas S.A., trabalho dirigido e arranjado por Ivan Lins. O disco ampliou a visibilidade conquistada nos festivais e consolidou uma parceria artística que voltaria a se repetir anos depois.

O grande salto da carreira de João Caetano veio em 1988. Lançado pela Continental, seu segundo álbum — com direção artística de Ivan Lins e direção executiva de Vitor Martins — foi que levou suas interpretações para as trilhas sonoras da televisão brasileira.

Foi dele que saíram "Guardião", tema da novela Direito de Amar; "Pedaços", incluída na trilha de Fera Radical; e "Tá na Terra", escolhida como tema do personagem Sassá Mutema em O Salvador da Pátria. As três gravações transformaram-se nos registros mais conhecidos de sua carreira e fizeram daquele LP a obra de maior repercussão de sua discografia.

Nos anos seguintes, João Caetano manteve uma produção constante. Vieram os álbuns Fronteiras (1996), Retratos do Brasil (2005), Duetos (2009), João (2019), Parceria (2020), homenagem à obra construída ao lado de Tavinho, e Mil Voltas (2025). No curso desta cronologia discográfica, outras composições fizeram parte das trilhas de novelas: "Meu Coração", em Pantanal (1991), e "Retratos do Brasil", tema de abertura da novela Bicho do Mato (2006).

Décadas depois de seu lançamento, o álbum de 1988 continua sendo a principal referência da trajetória de João Caetano. Além de reunir as gravações que marcaram sua presença na televisão, representa o momento em que uma carreira construída lentamente desde os festivais universitários alcançou projeção nacional.

O álbum permanece inédito nas plataformas digitais e, durante anos, circulou apenas por meio de cópias realizadas por colecionadores. Em 2023, Nell Lobo disponibilizou uma transferência em alta resolução do LP original, criando as condições para um futuro trabalho de restauração.

A decisão de remasterizá-lo não nasceu isolada, pois partiu de um pedido particular de Adriano Leite Dias de João Pessoa/PB. A restauração empregou habitual uso de: Declick do Pinacle Clean, Bright Drums do Izotope Ozone 11, Declick do Izotope RX7 e brilho do Satin. O trabalho foi finalizado com MVSep DeNoise modo standard, que garantiu redução do ruído residual do vinil de forma precisa e que manteve o material original intacto. Finalizei em 29/12/2025. Os procedimentos adotados nesta restauração são aqui registrados para documentar tecnicamente esta edição e preservar seu histórico de produção.

Como faixa bônus, esta edição apresenta a versão de "Pedaços" remasterizada por David Schenoor (Limeira/SP), extraída do LP da trilha sonora de Fera Radical. Durante a digitalização do álbum de João Caetano, Nell Lobo constatou que a versão lançada pela Continental em 1988 é cerca de 20 segundos mais curta do que a utilizada na novela, preservando um solo final de saxofone reduzido em relação à gravação da trilha. A inclusão da versão longa busca documentar essa diferença entre os dois lançamentos.

Nova edição da publicação original feita em 29/12/2025.

Faixas:
01. Pedaços
02. Guardião
03. Tá na Terra
04. Pra Minas
05. Demais da Conta
06. A Paca
07. Outro Dia
08. Vida (Nas Terras, Nos Mares)
09. Um Rio
10. Procissão do Fogaréu (part. esp. Ivan Lins)
11. Pedaços (Versão Longa)

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quarta-feira, 22 de julho de 2026

Lambadão Hits (1990)

Lançada em 1990 pela FAMA, com distribuição da Companhia Industrial de Discos (CID), Lambadão Hits foi editada nos formatos LP e fita cassete (K7), reunindo gravações de artistas ligados ao circuito da lambada, do axé e do samba-reggae que despontavam no mercado fonográfico brasileiro no início da década de 1990.

Assim como Lambadamania, a coletânea contou com coordenação de Esdras Pereira, produção de Durval Ferreira, arte-final de Almir Nogueira, direção de arte de Suely Rodrigues e corte realizado por Laurimar Lopes, repetindo praticamente a mesma equipe técnica responsável por diversos lançamentos da gravadora naquele período.

Entre os destaques do repertório está a participação do Grupo Terra, presente com três faixas: "Chorando Se Foi", "Mademoiselle (O La Tê Yê)" e "Salvador Pra Você", composição de Evandro Terra que, no ano seguinte, seria gravada por Netinho, então vocalista da Banda Beijo, tornando-se vencedora do Prêmio de Melhor Composição do Carnaval de 1991.

Faixas:
01. Me Chama que Eu Vou - Lambada Transfer
02. Ritmo Louco, Ouro Puro - Anay Claro
03. Chorando se Foi - Grupo Terra
04. Negue;, Ti Ti Ti, Ovelha Desgarrada, Só pra Você - Vitória
05. Mexa Mexa - Daudeth
06. Bamboleo - Lambada Transfer
07. Faraó Divindade do Egito - Banda Explosão
08. Dançando Lambada - Latino
09. Madeimoselle (O La Tê Yê) - Grupo Terra
10. Balanço do Amor - Os Tropicais
11. Haja Amor - Vitória
12. Marley Êh! - Banda Azadelta
13. Salvador pra Você - Grupo Terra
14. La Bamba, Soy Loco por Ti América, Guantanamera - Maracujazz Big Band

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Grupo Terra - Lambadamania (1990)

Nascido em 30 de março de 1954, no município de Chiador, em Minas Gerais, Evandro Terra construiu sua trajetória artística entre o Rio de Janeiro e a Região dos Lagos, tornando-se um dos nomes mais representativos da música popular cabofriense nas décadas de 1980 e 1990.

Sua carreira teve início na cidade do Rio de Janeiro, onde passou a integrar a cena da música ao vivo. Ao longo da década de 1980, apresentou-se em importantes espaços da capital fluminense, como a Praça da Apoteose, o Teatro Carlos Gomes e as festividades do Réveillon de Copacabana.

Foi também nesse período que surgiu o Grupo Terra. Conforme relatou o próprio Evandro Terra na apresentação do LP Lambadamania, lançado em 1990, o conjunto nasceu no Rio de Janeiro e já acumulava cerca de dez anos de atuação na noite carioca. Em uma época em que muitas bandas privilegiavam o repertório internacional, especialmente o rock cantado em inglês, o Grupo Terra destacou-se por interpretar exclusivamente música brasileira. A escolha do nome refletia justamente essa proposta artística, reunindo em seus shows gêneros como forró, samba-reggae e os ritmos que, posteriormente, dariam sustentação ao fenômeno da lambada.

Enquanto desenvolvia sua carreira musical, Evandro estabeleceu-se em Cabo Frio, onde passou a lecionar Matemática e Filosofia no tradicional Colégio Estadual Miguel Couto, fundado em 1958. Foi nesse ambiente que sua presença artística ganhou grande visibilidade na cidade.

Durante uma gincana promovida pelo colégio, realizou-se um festival de música que reuniu alunos e professores. Violonista, Evandro participou inicialmente acompanhando um grupo de estudantes. No encerramento do evento, apresentou uma composição de sua autoria, chamando a atenção do público presente.

Entre os espectadores estavam Paulo Cesar, proprietário da casa noturna Maison Disco Show, e Ivo Saldanha, que entre 1989 e 1992 foi prefeito de Cabo Frio e passou a convidá-lo para apresentar-se como atração musical em eventos culturais organizados pelo município, conquistando seguidores e admiradores de seu trabalho.

A repercussão das apresentações abriu as portas da Maison Disco Show, onde passou a realizar shows semanais de aproximadamente três horas, interpretando um repertório voltado ao Axé Music e aos ritmos dançantes que dominavam o mercado fonográfico brasileiro no final da década de 1980. O sucesso das apresentações consolidou sua popularidade e fortaleceu a presença do Grupo Terra na cena musical da Região dos Lagos.

Paralelamente aos shows, Evandro também se destacava como compositor. Entre 1989 e 1990, diversas de suas músicas foram gravadas pela Banda Beijo, entre elas "Coração de Tambor", "Fuzuê", "Galope do João", "Vem de Lá" e "Vem Vindo da África". Em 1991, conquistou o Prêmio de Melhor Composição do Carnaval com "Salvador pra Você", interpretada por Netinho, então vocalista da Banda Beijo, tornando-se sua obra de maior repercussão nacional.

O reconhecimento alcançado na cidade levou o poder público a investir em sua produção artística. Com apoio do Governo do Estado e incentivo da Prefeitura de Cabo Frio, foi gravado o LP Lambadamania, lançado em 1990 pelo selo FAMA/Companhia Industrial de Discos (CID). O lançamento ocorreu em um evento realizado sobre o coreto da cidade. Produzido em tiragem limitada, o disco esgotou rapidamente nas lojas, sem que novas prensagens fossem realizadas. Seu repertório reunia interpretações de sucessos da Axé Music adaptados ao estilo da lambada, além de composições de autoria de Evandro Terra.

Ainda durante a administração de Ivo Saldanha, a Prefeitura voltou a apoiar a produção fonográfica do artista, viabilizando a gravação de seu segundo LP, Reggae Mania (Samba Reggae), lançado em 1992. Diferentemente do disco anterior, o novo trabalho apresentava um repertório predominantemente autoral e fortemente inspirado no reggae e no samba-reggae, aproximando-se da sonoridade de artistas como Edson Gomes. A produção musical, os arranjos e a mixagem foram assinados pelo próprio Evandro Terra, com colaboração de Paulo Delgado, Lucimar Farias, Guto Faria e Ricardo Calafate. O álbum reuniu as composições "Bang-Bang", "Funk-se", "Dim Dim Dom Dom", "Terra Magia", "Bruxa", "Louca Demais", "Assumpção", "Morena Linda" e "Cumadre Só", trazendo como única releitura "Prefixo de Verão", de Beto Silva, que rapidamente se transformou em um sucesso regional.

Ao lado do Grupo Terra, Evandro percorreu diversas cidades brasileiras com o espetáculo "Lambada e Samba-Reggae", consolidando sua atuação para além do estado do Rio de Janeiro.

Com a posse de José Bonifácio Ferreira Novellino, em 1993, Evandro Terra permaneceu como uma das principais atrações dos eventos promovidos pela Prefeitura de Cabo Frio, mantendo intensa agenda de apresentações ao longo daquele mandato.

A partir de 1997, com o início da administração de Alair Corrêa, o cenário começou a mudar. As contratações para os eventos municipais passaram gradativamente a privilegiar outros nomes da Axé Music, entre eles Pepinho Meu Rei, cantor baiano radicado em Campos dos Goytacazes, que também recebeu incentivo do município para gravar seu trabalho. A redução das apresentações levou Evandro Terra a retomar sua carreira no magistério, sem abandonar completamente a música.

Nos anos 2000, voltou-se ao reggae, formando o grupo Jah Eh Rasta Band, com o qual realizou diversos tributos a Bob Marley na Região dos Lagos. Mais tarde, lançou o álbum Casa de Minas, reunindo composições próprias e releituras do cancioneiro mineiro.

Em 2015, sua composição "Bang Bang" foi incluída na coletânea Samba Reggae (Axé Music Via Brazil), da gravadora Ascot Music. Na mesma coletânea, interpretou "Prefixo de Verão", reafirmando a importância de sua obra para a história do samba-reggae e da Axé Music. Naquele mesmo ano, voltou a se apresentar no Réveillon de Cabo Frio.

Em seus últimos anos de vida, Evandro Terra converteu-se ao judaísmo e desenvolveu projetos musicais voltados a canções de louvor ligadas à fé que passou a professar. Posteriormente, foi acometido pela doença de Alzheimer, que evoluiu progressivamente até seu falecimento, em 2021.

Embora tenha alcançado reconhecimento nacional como compositor e construído uma trajetória iniciada na noite carioca, foi em Cabo Frio que Evandro Terra viveu sua fase de maior identificação com o público. Sua atuação como cantor, compositor, professor e líder do Grupo Terra fez dele um dos principais representantes da música popular produzida na cidade durante o final do século XX, deixando uma contribuição duradoura para a memória cultural da Região dos Lagos.

Colaborou com o texto:
Agilson dos Santos Garcia Leal 
Pesquisador da história de Cabo Frio

Sobre o Lambadamania

Lançado em 1990 pela Companhia Industrial de Discos (CID), através do selo FAMA, Lambadamania teve produção fonográfica da própria gravadora, sob produção de Durval Ferreira e coordenação de Esdras de Souza Pereira.

Os arranjos musicais foram desenvolvidos pelo próprio Grupo Terra, enquanto os arranjos de metais ficaram a cargo do trompetista Bidinho, que também participou das gravações ao lado de Maurílio, ambos executando os naipes de trompete.

À época da gravação, o Grupo Terra era formado por Evandro Terra (guitarra e voz), Alfredo (bateria), Julinho (teclados), Julio Camarra (percussão) e Afonso (baixo), formação responsável pela interpretação do repertório do álbum.

A identidade visual do disco contou com fotografia de José Geraldo, arte-final de Almir Nogueira de Sousa e direção de arte assinada por Suely Rodrigues. O processo de corte do LP foi realizado por Laurimar, nos estúdios da Companhia Industrial de Discos.

Faixas:
01. Pout Pourri Beijo na Boca, Odé e Adão, Céu da Boca e Auê
02. Vai Ser Demais
03. Dançando Lambada
04. Dança do Índio
05. Pout Pourri Revolta Olodum e Brilho da Beleza
06. Fuzuê
07. Salvador pra Você
08. Pout Pourri Galope do João e Atrás de Mim
09. Gosto de Mar

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domingo, 12 de julho de 2026

Ritchie - Pra Ficar Contigo (1988)

Lançado em 1988 pela PolyGram, Pra Ficar Contigo é o quinto álbum de estúdio de Ritchie. Produzido pelo próprio artista, com direção artística de Mariozinho Rocha, o disco foi gravado e mixado entre junho e julho daquele ano nos estúdios da gravadora, no Rio de Janeiro.  Ritchie assume boa parte das programações eletrônicas do álbum, dividindo os arranjos com músicos que participaram de inúmeras gravações do pop brasileiro na década de 1980. 

Nas guitarras e violões participam Torcuato Mariano, Marcelo Sussekind e Paulinho Soledade. Os teclados são executados por Nico Rezende, Billi Forghieri, William Magalhães, Sacha Amback e Fred Maciel. No baixo atuam Artur Maia, Tavinho Fialho e Marcelo Sussekind. Na bateria, Jurim Moreira, Carlinhos Bala, Fred Maciel e as programações de Ritchie e Nico Rezende (DMX). A percussão conta com Valdir "Barney" da Silva e com a programação de percussão de Ritchie. Os metais e cordas ficam por conta de Leo Gandelman (saxofone), J. Simões (trombone) e Jaques Morelenbaum (violoncelo). Os vocais de apoio são de Paulinho Soledade, Marisa Fossa e Ana Lúcia Fontes.

O repertório reúne composições assinadas por Ritchie em parceria com letristas como Bernardo Vilhena, Fausto Nilo e Ronaldo Bastos, o disco inclui "Pra Ficar Contigo", de Vinicius Cantuária, uma versão em português de "Ojos de Video Tape", de Charly García, além da clássica "Black Magic Woman", de Peter Green, mostrando a diversidade de referências presentes no projeto.

Visualmente, Pra Ficar Contigo também recebeu atenção especial. A criação da capa ficou a cargo de Hiluz del Priori, com fotografias de Isabel Garcia, visual de Tadashi, coordenação gráfica de Arthur Fróes e arte-final de Carlos Nascimento. Para a publicação, a capa e contracapa passaram por um processo de restauração digital, com ajustes de iluminação, contraste e definição por meio de ferramentas de Inteligência Artificial.

A remasterização apresentada nesta publicação procura preservar as características da gravação original, respeitando sua dinâmica e timbres, ao mesmo tempo em que recupera definição e equilíbrio sonoro. O objetivo não foi alterar a concepção sonora do álbum — algo que só poderia ser feito de forma plena a partir das fitas master originais —, mas apresentar uma nova transferência com maior equilíbrio tonal e definição, preservando as características da edição lançada em 1988.

Passados quase quarenta anos de seu lançamento, Pra Ficar Contigo permanece praticamente inacessível nos formatos digitais. Até o momento, apenas "A Sombra da Partida" foi relançada oficialmente em CD, integrando a trilha sonora da novela Vale Tudo, publicada em 2001 na série Campeões de Audiência lançada pela Som Livre. As demais faixas continuam inéditas em CD e nas plataformas de streaming, o que torna este álbum um dos trabalhos indisponíveis da discografia de Ritchie. Esta remasterização busca contribuir para a preservação e a redescoberta desse registro, mantendo viva uma obra que ainda aguarda uma reedição oficial.

Faixas:
01. Pra Valer 
02. Pra Ficar Contigo 
03. Deja Vu 
04. Horizonte Perdido 
05. A Sombra da Partida 
06. A Vida Não Espera 
07. Olhos de Video Tape (Ojos de Video Tape) 
08. Temporal 
09. Black Magic Woman
10. O Eterno Verão

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