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domingo, 27 de setembro de 2026

José Luis Perales - Com o Passar do Tempo (1986)

Em 1973, quando as rádios espanholas executavam Mis Canciones, José Luis Perales começava a se tornar conhecido como cantor e compositor. Segundo o texto de divulgação da época, era como se uma nova voz encontrasse as angústias, ideias e sentimentos daquela geração, expressos de maneira clara, sincera e sofrida.

Nascido em Castejón, Perales tornou-se um dos grandes nomes da música espanhola, expandindo seu trabalho pela América Latina, Europa e pelas comunidades latinas dos Estados Unidos. Ao longo da carreira, suas composições foram gravadas por artistas como Mocedades, Jeanette, Rocío Jurado, Miguel Bosé, Raphael e Isabel Pantoja. Jeanette, por exemplo, gravou “Porque Te Vas”, composição de Perales incluída no filme Cría Cuervos, de Carlos Saura.

No Brasil, suas canções também ganharam versões e interpretações de artistas nacionais. Fábio Jr. gravou “Senta Aqui”, enquanto o grupo Dominó incluiu “Guerreiros” em seu repertório.

Com o Passar do Tempo marcou a estreia de José Luis Perales como cantor no Brasil e foi também seu primeiro disco pela CBS, gravadora com a qual havia firmado um contrato internacional. Com produção executiva de Tomáz Muñoz e arranjos de Maurizio Fabrizio e Graham Preskett, o álbum reúne dez canções, sendo metade delas apresentada em português, com versões assinadas por Abel Silva, Erasmo Carlos, Ronaldo Bôscoli e Edgard B. Poças.

O primeiro destaque é “A Primeira Vez”, versão de Abel Silva, uma canção sobre os conflitos e o desgaste da vida conjugal. Na época, Perales comentava que costumavam acusá-lo de ser um compositor melodramático, mas explicava que essa não era sua intenção: se as pessoas choravam ao ouvir suas músicas, seria porque aquilo que ele sentia também correspondia ao sentimento delas. “Todos nós sentimos as mesmas dores e o desamor é a primeira delas”, afirmava.

O repertório segue com “Ay Corazón”, “Lucía”, “Ay Amor”, com participação do grupo Mocedades, “Tan Solo Necesito” e “Me Iré Calladamente”. Entre as músicas em português está “O Que Cantam as Crianças”, cuja letra é de Edgard B. Poças. De acordo com o material de divulgação, Perales cedeu os direitos autorais da composição à organização Aldeias SOS, dedicada ao atendimento de crianças carentes.

Apesar de o crédito de participação mencionar apenas a dupla Jairzinho & Simony, este LP esconde a gravação com a formação da Turma do Balão Mágico, incluindo Ricardinho, Mike Biggs, Jairzinho e Simony — considerada por mim uma raridade que caiu no meu colo!

Outra adaptação brasileira é “Caminho de Luz”, de Ronaldo Bôscoli. O compositor também assina a versão de “Não Será Tão Fácil”, canção sobre o fim de um relacionamento e a dificuldade de recomeçar. Já “Eu Também Tive Quinze Anos”, adaptada por Erasmo Carlos, é apresentada por Perales como uma advertência aos jovens, contrapondo os sonhos da adolescência à passagem do tempo.

Distante da imagem tradicional de astro, Perales era descrito no material promocional como uma espécie de “antiestrela”. Morando com a esposa, Manuela, e os dois filhos em Cuenca, na Espanha, dizia preferir uma vida pacata, longe do show business. Segundo ele, caminhar pelas ruas e conviver normalmente com comerciantes e moradores da cidade permitia que continuasse sendo tratado como qualquer outra pessoa, apesar da projeção internacional.

Naquele período, a assinatura do contrato com a CBS Records International previa ainda gravações de José Luis Perales em inglês, francês e alemão, além do lançamento simultâneo de seus discos na Europa, América Latina e Estados Unidos. Com o Passar do Tempo registrava, assim, uma fase de expansão internacional do compositor espanhol e, ao mesmo tempo, sua apresentação ao público brasileiro também como intérprete de suas próprias canções.

Uma remasterização já havia sido feita em 2023, a partir do LP enviado pelo amigo Giúlio Benevides (Ribeirão Preto/SP), que inclusive providenciou, na época, o material gráfico adaptado do CD — disponível em “Extras”, na pasta Scan. Em 2025, porém, acabei encontrando bem por acaso outro LP em excelente estado de conservação e aproveitei para retrabalhar algumas faixas que precisavam de mais cuidado. Por fim, apliquei uma camada final de MVSep DeNoise sobre as faixas.

Faixas:
01. A Primeira Vez (La Primera Vez)
02. Ay Corazon
03. Não Será Tão Fácil (No Resulta Facil)
04. Lucia
05. Caminho de Luz (Recorrer Tu Camiño)
06. O que Cantam as Crianças (Que Canten Los Niños) [com A Turma do Balão Mágico]
07. Ay Amor [com Mocedades]
08. Eu Também Tive Quinze Anos (Yo Tambien Tuve Quince Años)
09. Tan Solo Necesito
10. Me Ire Calladamente

Para baixar este álbum em FLAC, clique AQUI. 

sábado, 19 de setembro de 2026

Nill - Fugi de Casa (1990)

“Fugi de Casa”, lançado em 1990 pela Epic/CBS, marcou a estreia solo de Nill (Lenilson dos Santos) após sua saída do Dominó, grupo do qual havia feito parte da formação original. Produzido por Roberto Marques, o álbum apresenta Nill em uma proposta própria, embora ainda bastante ligada ao pop romântico que dominava o mercado juvenil brasileiro no final dos anos 1980 e início dos 1990.

Com oito faixas, o disco chama atenção pela produção cuidadosa e pela quantidade de músicos envolvidos nas gravações. Roberto Marques também assinou a engenharia de mixagem, enquanto a equipe de gravação reuniu Roberto Marques, João Guarino, Carlinhos Freitas, Armando Telles e Wanderlei Loureiro. O trabalho foi gravado e mixado nos Estúdios Transamérica, em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Os arranjos foram divididos entre Bruno Cardoso, responsável também pelos teclados, e Ricardo Leão e Victor Chicri, estes responsáveis pelos arranjos e teclados de “O Primeiro”. Os arranjos vocais ficaram a cargo de Fernando Adour, que também produziu os vocais. A instrumentação revela uma produção de grande porte: Luiz Rabello na bateria e percussão; Riverto de Oliveira no sax tenor e Nailor Azevedo no sax; Tenisson Rufino no trompete e José de Lima no trombone; Pedro Ivo no contrabaixo; Elias de Almeida e Álvaro Gonçalves nas guitarras. O coro reuniu Eliane Fernandes, Maria do Carmo Diniz, Tânia Lenke, Fernando Adour, Ana Lucia Leuzinger, Cecília Sover, Christiane Corrêa, Simiana Resende e Marize Resende.

O repertório combina composições brasileiras com diversas versões de canções internacionais. A faixa-título, “Fugi de Casa”, foi composta por Torcuato Mariano e Claudio Rabello, enquanto “Quero Mais” é uma versão de Biafra para “Cry”, composição de Philip Cilia e Christopher Duffy, gravada originalmente pelo duo pop galês Waterfront.

Outra adaptação é “Quatro Fases de Uma Lua”, versão de Claudio Rabello para “Las Fases de una Luna”, de Luis Gómez Escolar e Miguel A. Gómez. A gravação original foi lançada pelo grupo mexicano Qun Qun, no álbum homônimo Las Fases de la Luna, de 1989. A faixa ganhou ainda um destaque instrumental na gravação de Nill, com Wander Taffo executando o solo de guitarra.

Tavinho Paes assina a versão de “Por Tudo Que Senti”, originalmente “Castigado por Pensar en Ti”, composição de Sergio Soler Gallego e Luis Gómez Escolar, gravada por Sergio Dalma em seu álbum de estreia, Esa Chica Es Mía, de 1989.

No lado B, “Ronco do Motor”, de Torcuato Mariano e Claudio Rabello, é seguida por “O Primeiro”, versão de Tavinho Paes para “El Primero”, composição de Juan Carlos Calderón e Luis Gómez Escolar. A canção havia sido gravada por Luis Miguel no álbum Busca una Mujer, lançado em 1988.

O repertório internacional prossegue com “Amor do Futuro”, versão também de Tavinho Paes para “I Don't Want to Live Without You”, de Mick Jones, gravada pelo Foreigner, apresentada no ano de 1991 como tema da novela mexicana Rosa Selvagem, no SBT.  Fechando o álbum está “Em Noite de Luar”, versão de Edgard Poças para a composição de Mark Boyce, Roberto Rossi e Garth Porter. Embora o selo brasileiro registre o título como “Kissing in the Dark”, a gravação original chama-se “Kiss in the Dark” e foi lançada pelo cantor australiano Mark Boyce no álbum All Over the World, de 1989.

A escolha do repertório internacional também se mostra bastante acertada para a voz de Nill. Ao ouvir o álbum com maior definição, chama a atenção a bela voz de Nill e as boas adaptações que as versões e os arranjos das músicas originais ganharam para a realidade de seu projeto solo. Além disso, Torcuato Mariano e Cláudio Rabello compreendem tão bem o universo das versões que entregam as faixas de abertura dos dois lados do álbum com uma sonoridade que remete às canções internacionais. Em “Fugi de Casa”, por exemplo, o arranjo de sintetizadores remete bastante a “Billie Jean”, de Michael Jackson. Já a faixa “O Ronco do Motor” traz uma sonoridade yacht rock e um tema que curiosamente coincide com o período de exibição do filme Dias de Trovão nos cinemas, cujo tema gira em torno de carros de corrida.

Fugi de Casa acaba funcionando como um retrato bastante característico da produção pop brasileira daquele momento: repertório romântico, versões de músicas estrangeiras – algumas bastante desconhecidas do grande público no Brasil, o que evita comparações com as originais – e uma produção cercada por músicos e profissionais experientes. A única coisa que observo é uma autonomia vocal um pouco limitada do cantor, que parece acanhado em demonstrar maior extensão de voz, deixando as notas mais altas a cargo do coro de estúdio. Coordenado por Fernando Adour, o coro entrega com precisão um belo trabalho de divisão vocal, mas acaba deixando Nill tão dependente desse time de cantores quanto da própria construção dos arranjos. É um álbum que não parece pensado para funcionar facilmente ao vivo, muito menos em apresentações de programas de televisão, porque várias músicas dependem desse time complementar para reproduzir o resultado do estúdio. Nill não chega a preencher as frases do coro com extensões vocais mais expressivas, permanecendo na região mais confortável de sua voz.

Ao mesmo tempo, é nítido que o álbum representou para Nill uma mudança importante de trajetória: pela primeira vez, um disco seu, com material fotográfico que realça seu protagonismo como cantor solo, iniciando uma carreira distante da identidade coletiva que o havia tornado conhecido nacionalmente com o Dominó.

Este seria seu último trabalho pop antes da decisão de se tornar cantor gospel e de seu chamado pastoral.

Bem, este álbum nunca ganhou edição em CD e, desde 1990, encontra-se indisponível em versão digital, inclusive no streaming. Portanto, ofereço uma remasterização a partir do LP, com captura realizada com agulha Ortofon Concorde Club e tratamento final com MVSep DeNoise, para remoção do ruído residual. Como complemento, apresento a capa e a contracapa em versões coloridas por IA, com uso do ChatGPT.

Faixas:
01. Fugi de Casa
02. Quero Mais (Cry)
03. Quatro Fases de Uma Lua (Las Fases de La Luna)
04. Por Tudo Que Senti (Castigado por Pensar en Ti)
05. Ronco do Motor
06. O Primeiro (El Primero)
07. Amor do Futuro (I Don't Want to Live Without You)
08. Em Noite de Luar (Kiss In The Dark)

Para baixar este álbum em FLAC, clique AQUI.

quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Jairzinho & Simony - Jairzinho & Simony (1987)

 

Depois de compartilhar a rara edição em espanhol de Jairzinho & Simony, atendendo a pedidos, apresento o álbum em sua edição brasileira, lançado pela CBS em 1987.

O disco marcou a continuidade da parceria entre Jairzinho e Simony após o encerramento do Balão Mágico, em 1986. Os dois já vinham sendo preparados para trabalhos em dupla desde o sexto e último álbum do grupo e seguiram juntos nessa nova etapa de suas carreiras.

Conforme documentado na série A Superfantástica História do Balão, o encerramento do grupo envolveu questões contratuais que asseguravam uma estrutura de gravação e divulgação aos integrantes em seus trabalhos posteriores. Jairzinho & Simony surgiu nesse contexto, com uma produção de Ronnie Foster realizada entre Estados Unidos e Brasil.

Como já mencionei na postagem dedicada à edição espanhola, as bases instrumentais foram gravadas em 24 canais no estúdio Ameraycan, em North Hollywood, com engenharia de Elliott Peters. Participaram das gravações Bob Wilson na bateria, Jimmy Johnson no baixo, Michael Landau e Bruce Gaitsch nas guitarras, Larry Williams, Randy Waldman e Ronnie Foster nos teclados, Luiz Conte na percussão e Leo Gandelman no sax-solo.

A produção, porém, não se limitou às sessões realizadas na Califórnia. As vozes de Jairzinho e Simony foram gravadas no Estúdio Transamérica, em São Paulo, tendo Carlinhos Freitas e Zorro como engenheiros de gravação. Já a gravação do coro e a mixagem foram realizadas no Estúdio Sigla, no Rio de Janeiro, sob responsabilidade do engenheiro Antonio "Mug" Canázio.

O coro reune Fernando Adour, Viviane, Simiana, Marize, Ana, Fernando Gama e Elizabeth Graziani. Em “O Vira”, Fernando Adour também divide com Ronnie Foster o arranjo de coro, acrescentando mais um núcleo brasileiro a uma produção cuja base instrumental foi previamente construída nos Estados Unidos.

O repertório reúne onze faixas e tem forte presença de Edgard B. Poças, que aparece nos créditos de “Oi Mundo!”, “Pirata”, “Coração de Papelão (Puppy Love)”, “Adivinha”, “Ripa na Chulipa” e “Meu Bem (Ben)”. Entre as parcerias estão Paul Mounsey, em “Oi Mundo!”, “Adivinha”, “A Voz do Trovão” e “Ripa na Chulipa”; Paul Anka, autor de “Puppy Love”; Julio Seijas e Luis Gómez Escolar, em “Pirata”; e Don Black e Walter Scharf, autores de “Ben”.

As demais faixas incluem “De Vento em Popa”, de Aluizio Falcão, Geraldo Alves Pinto e Lula Barbosa; “O Vira”, de João Ricardo e Luli; “Super-Herói”, de José Carlos Gonçalves e José Rubens Lopes; e “História Sem Fim”, de Cláudio Rabello e Maurizio Fabrizio.

Os arranjos são divididos entre Larry Williams e Randy Waldman. Williams assina “Adivinha”, “Oi Mundo”, “Ben”, “De Vento em Popa” e “Pirata”. Waldman responde por “Ripa na Chulipa”, “A Voz do Trovão”, “História sem Fim”, “Coração de Papelão”, “O Vira” e “Super-Herói”.

O álbum conta ainda com participações especiais de Tim Maia, em “A Voz do Trovão”; Gal Costa, em “Oi Mundo”; e Virginie, vocalista do Metrô, em “O Vira”. A ficha técnica registra que Tim Maia e Gal Costa foram gentilmente cedidos por Vitória Régia Discos Ltda. e BMG Ariola Discos Ltda., respectivamente.

“A Voz do Trovão” recebeu também arranjo de cordas de Chiquinho de Moraes, executado por José Salerno Neto, Estela Cerezo Ortiz, Julio Cerezo Ortiz, Jorge Gisbert Izquierdo, Caetano Domingos Finelli, Elias Slon, German Wajnrot, Alberto Pinchas Jaffé, Michael Verebes, Robert J. Suetholz e Tânia Camargo Guarnieri.

A própria ficha técnica ajuda a dimensionar a estrutura empregada no álbum: enquanto as bases foram registradas em North Hollywood, as vozes foram gravadas em São Paulo e o coro e a mixagem, no Rio de Janeiro. Jairzinho & Simony foi, portanto, construído a partir do encontro entre uma base instrumental produzida nos Estados Unidos e diferentes etapas de gravação realizadas no Brasil, reunindo músicos, arranjadores e técnicos dos dois países.

Faixas:
01. Oi Mundo (part. esp. Gal Costa)
02. Pirata
03. Coração de Papelão (Puppy Love)
04. Adivinha
05. 
De Vento Em Popa
06. O Vira (part. esp. Virginie)
07. A Voz do Trovão (part. esp. Tim Maia)
08. Super-Herói
09. História Sem Fim
10. Ripa na Chulipa
11. Meu Bem (Ben)

Para baixar este álbum em FLAC, clique AQUI.

domingo, 13 de setembro de 2026

Rádio Taxi - Matriz (1986)

“Matriz”, lançado em 1986, é o quarto álbum da carreira do Rádio Táxi e representa um ponto de virada na trajetória do grupo. Foi também o segundo álbum com Maurício Gasperini nos vocais principais, após substituir Willie de Oliveira ainda durante a divulgação do segundo LP da banda, justamente no período do lançamento de “Eva”.

Produzido por Luiz Carlos Maluly, o álbum traz a formação com Gel Fernandes na bateria, percussão e vocal, Lee Marcucci no baixo, teclados e vocal, Wander Taffo na guitarra, teclados e vocal e Maurício Gasperini no vocal.

Matriz traz dez composições do grupo e uma sonoridade mais voltada ao rock. Do álbum saíram dois grandes hits: “Você Se Esconde”, tema da novela Roda de Fogo, da TV Globo, e “Passos no Porão”, incluída na trilha de Corpo Santo, da TV Manchete.

O disco também recupera uma música dos primeiros tempos do Rádio Táxi: “Matriz”, que havia sido gravada originalmente em 1981, no lado B do compacto de “Garota Dourada”. Cinco anos depois, a composição foi retomada e acabou dando nome ao quarto LP da banda.

A produção ainda conta com Vicente Salvia, responsável pelo arranjo de orquestra em “Nova Geração”, enquanto Jota participa com Emulator II em “Longe” e “Intocáveis”, além dos teclados em todas as faixas. Mauro Gasperini e Victor (Pavarotti das Selvas) aparecem nos vocais de “Você Enlouqueceu” e “Longe”, e Luiz Carlos Maluly também participa dos vocais de “Longe”, “Você Enlouqueceu”, “Passos no Porão” e “Sem Explicação”.

Gravado nos Estúdios Sigla, com mixagem realizada nos Estúdios Transamérica, o disco teve engenharia de gravação de Jorge “Gordo” Guimarães, Roberto Marques e Beto Silva, montagem de Ronaldo Monteiro e corte de Elio Gomes.

A história desta remasterização começa em 2018, quando fiz a captura do LP utilizando uma agulha Ortofon OM5E. Anos depois, resolvi revisitar o trabalho utilizando novas ferramentas de masterização e equalização, além de aplicar o MVSep DeNoise para reduzir os ruídos residuais. O resultado, sem falsa modéstia, ficou superior ao áudio atualmente utilizado pela Sony Music nas plataformas digitais.

Faixas:
01. Longe
02. Você Se Esconde
03. Passos No Porão
04. Sem Explicação
05. Zumbi
06. Você Enlouqueceu
07. Nenhuma Censura 
08. Nova Geração
09. Intocáveis
10. Matriz

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segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Rosana - Coração Selvagem (1987)

“Coração Selvagem” é o segundo álbum de estúdio da cantora Rosana e o primeiro lançado pela CBS, marcando sua chegada ao estrelato e sua projeção no mercado internacional. O disco também chegou a ganhar uma edição em espanhol na Venezuela, sob o título Corazón Salvaje.

Antes do lançamento do álbum, porém, a cantora assinou contrato com a CBS em 1986 e gravou duas faixas para o LP Mix “Nem Um Toque”, trazendo no lado B “Do Nada Pra Lugar Nenhum”. Como é sabido — e cabe reiterar aqui —, “Nem Um Toque” teve projeção nacional imediata ao entrar para a trilha da novela Roda de Fogo, como tema da personagem Helena, vivida por Renata Sorrah. Já “Do Nada Pra Lugar Nenhum” foi incluída na trilha de Hipertensão, como tema de Renata, interpretada por Elizabeth Savalla.

Mas foi em 1987 que o sucesso ganhou proporções estratosféricas, com “O Amor e o Poder”, versão de “The Power of Love” que se tornou tema do relacionamento de Édipo (Felipe Camargo) e Jocasta (Vera Fischer) em Mandala. E a música que chegou ao público brasileiro acabou seguindo um caminho bastante diferente da original. Rosana contou no podcast Papagaio Falante, de Sérgio Mallandro, que a ideia inicial era fazer uma gravação mais próxima daquela registrada por Jennifer Rush. A composição, assinada por Jennifer Rush, Candy DeRouge, Gunther Mende e Mary Applegate, também recebeu gravações de nomes como Air Supply e Laura Branigan. No caso de Rosana, porém, mudanças no arranjo e no andamento, somadas à letra criada por Cláudio Rabello, deram à canção uma atmosfera mais misteriosa e gótica, pensada para se encaixar no universo de Mandala.

Das 11 faixas que compõem originalmente Coração Selvagem, quatro são composições de Michael Sullivan e Paulo Massadas: “Bem-Me-Quer”, “Custe o Que Custar”, “Tudo É Vida (Everything Is Love)” e “Nem Um Toque”. Outras três são de Erich Bulling e Cláudio Rabello: “Coração Selvagem”, “Princípio de Amor” e “Uma Paixão”. Lulu Santos assina “Bole Bole”. 

Ronaldo Bastos responde pelas adaptações de duas músicas estrangeiras. A primeira é “O Dom do Nosso Amor”, versão de “Lovin' You”, composição de Minnie Riperton e Richard Rudolph, que Rosana já havia regravado no projeto Década Explosiva Mulher, em 1979. A outra é “Em Nome da Paixão”, adaptação de “It Doesn't Matter Now”, composta por Michael Omartian, Richard Marx e Bruce Sudano, lançada apenas em sua versão em português pela Rosana.

Já “Tudo É Vida (Everything Is Love)” ganhou também uma versão inteiramente em inglês, adaptada por Gregory Abbott, que participa da gravação em dueto com Rosana. Essa gravação pode ser encontrada na edição em K7 e no promocional de 12 polegadas distribuído às emissoras de rádio.

Os arranjos do disco se dividem entre três músicos: Erich Bulling, responsável por “Tudo É Vida”, “Em Nome da Paixão”, “Coração Selvagem”, “Custe o Que Custar” e “Princípio de Amor”; Lincoln Olivetti, por “Bem-Me-Quer”, “Bole Bole”, “O Amor e o Poder” e “Nem Um Toque”; e César Camargo Mariano, por “O Dom do Nosso Amor”.

O álbum foi gravado no Estúdio III (Sala de Teclados) e mixado na Sigla, no Rio de Janeiro. A exceção fica por conta das vozes de Rosana e Gregory Abbott em “Tudo É Vida (Everything Is Love)”, gravadas nos Estúdios Atlantic, em Nova York, em julho de 1987.

Para a remasterização deste álbum, utilizei agulha Ortofon Concorde Club e recorri a faixas do LP Coração Selvagem, ao LP Promo 12 Polegadas de “Tudo É Vida (Everything Is Love)” e aos LPs das trilhas das novelas Hipertensão e Roda de Fogo. Todas as faixas passaram por remoção de estalos e ruídos residuais, buscando maior fidelidade sonora na recuperação do material.

Os fãs da cantora Rosana vão poder conferir um luxuoso material, que inclui capa, contracapa, encarte em formato pôster de 24 cm x 12 cm, arte do Promo 12'' e até uma opção gráfica para CD. Todo o material escaneado a partir dos LPs teve suas fotografias restauradas com o auxílio do ChatGPT.

Faixas:
01. Coração Selvagem
02. Bem-Me-Quer
03. Bole Bole
04. Custe o Que Custar
05. Princípio de Amor
06. O Dom do Nosso Amor (Lovin' You)
07. Tudo É Vida (Everything Is Love) (part. esp. Gregory Abbott)
08. O Amor e o Poder (The Power of Love)
09. Em Nome da Paixão (Doesn't Matter Now)
10. Uma Paixão
11. Nem Um Toque
12. Do Nada pra Lugar Nenhum
13. Everything Is Love (part. esp. Gregory Abbot)

Para baixar este álbum em FLAC, clique AQUI.

sexta-feira, 7 de agosto de 2026

Fábio Jr. & Bonnie Tyler - Reaching For The Infinite Heart (Promo 12'') (1986)


Bonnie Tyler – nome artístico de Gaynor Hopkins Sullivan – nasceu em Skewen, País de Gales, em 8 de junho de 1951. Começou sua carreira em 1977, quando lançou seu primeiro álbum, The World Starts Tonight, pela RCA Victor. Foi no ano seguinte, porém, que alcançou projeção internacional com "It's A Heartache". A canção logo foi escolhida como tema internacional da novela Te Contei?, da Rede Globo, e ocupou a 78ª posição entre as músicas mais tocadas de 1978 no Hot 100 Brasil.

Uma segunda fase de grande sucesso viria em 1983, após assinar contrato com a CBS e lançar o álbum Faster Than The Speed Of Night, que trouxe o single "Total Eclipse Of The Heart". A música serviu de tema internacional da novela Pão Pão, Beijo Beijo, da Rede Globo, e ocupou a 47ª posição entre as canções mais tocadas de 1983 no Hot 100 Brasil.

Em 1986, Fábio Jr. lançou pela CBS o álbum Sem Limites Pra Sonhar, seu terceiro trabalho pela gravadora e o sétimo de sua carreira. Produzido por Oscar Gomez Escolar, o disco levou o cantor aos estúdios de Madri, Londres e São Paulo e também ao encontro internacional promovido pela CBS para a gravação do dueto com Bonnie Tyler na faixa-título do álbum, composta por Carlos Gómez García, Mariano Pérez García, Rosa Giron e Cláudio Rabello, com adaptação para o inglês de Jeremy Brock.



Fábio Jr. — nome artístico de Fábio Corrêa Ayrosa Galvão — já havia registrado canções em inglês na primeira metade da década de 1970, utilizando os pseudônimos Jim Saloman, Mark Davies e Uncle Jack. Em 1985, lançou um álbum em espanhol pela CBS Bolívia. No ano seguinte, em 1986, sua gravação de "Sem Limites Pra Sonhar" com Bonnie Tyler, faixa-título do álbum lançado pela CBS, ampliou a circulação internacional do seu trabalho, recebendo edições do álbum na Argentina, Bolívia, Equador, Venezuela e Portugal.

Ainda naquele ano, a CBS lançou um single promocional de 12 polegadas contendo a versão totalmente em inglês no lado A e a versão bilíngue, presente no LP, no lado B. A gravação em inglês permaneceu restrita a esse lançamento promocional e só seria disponibilizada comercialmente em 2005, no box Vinte e Poucos Anos. Em novembro de 2017, o selo inglês Cherry Pop incluiu o dueto de Bonnie Tyler com Fábio Jr. na coletânea Remixes And Rarities, mas optou pela versão bilíngue originalmente lançada no álbum, apresentando essa colaboração a um novo público interessado na discografia da cantora.

A partir do acesso ao single promocional em 12", foi possível registrar e remasterizar digitalmente as versões lançadas na época. Fica este presente aos seguidores do blog, como uma singela homenagem a Bonnie Tyler, falecida em 8 de julho de 2026, aos 75 anos de idade.

Faixas:
01. Reaching For The Infinite Heart
02. Sem Limites Pra Sonhar (Reaching For The Infinite Heart)

Para baixar o Single 12'' em FLAC, clique AQUI.