domingo, 31 de maio de 2026

One Moment In Time - European Edition (1988)

O álbum 1988 Summer Olympics Album / One Moment in Time, lançado pela Arista Records sob a liderança do lendário produtor Clive Davis, é um marco na história das trilhas sonoras esportivas. Lançado simultaneamente ao disco Hand in Hand, do grupo sul-coreano Koreana, ele serviu de pano de fundo musical para os Jogos Olímpicos de Verão em Seul, na Coreia do Sul. No entanto, o que muitos colecionadores e entusiastas da música não sabem é que o exame detalhado de suas diferentes edições físicas revela variações geográficas intrigantes e colaborações de bastidores dignas de nota.

O Mistério das Faixas: Edição Europeia vs. Edição Internacional

Ao analisarmos o material gráfico original das prensagens da época, fica claro que o alinhamento de faixas mudava substancialmente dependendo de onde o disco era adquirido:

  1. A Edição Internacional / Norte-Americana (Matriz ARCD-8551): Fabricada nos Estados Unidos, traz na sua seleção o grupo vocal Four Tops com a faixa "Indestructible" e encerra o alinhamento com a canção instrumental "Olympic Joy", interpretada e produzida pelo músico Kashif.

  2. A Edição Europeia (Matriz 259 247): Impressa na Alemanha pela TOPAC (com código de barras 4007192592470), esta versão omitiu as faixas de Kashif e dos Four Tops. Em contrapartida, incluiu a belíssima e rara "Midnight Wind", de Tony Carey (sinalizada com dois asteriscos na contracapa). Outra exclusividade do mercado europeu foi a inclusão de "Rise To The Occasion", de Jermaine Jackson & La La, marcada como faixa bônus (†) apenas para os formatos de CD e Cassete.

Como curiosidade de mercado, devido a essa divisão geográfica, a música "Midnight Wind" de Tony Carey acabou sendo utilizada na Europa como o Lado B do próprio single físico da faixa-título de Whitney Houston no Reino Unido e na Alemanha Ocidental.

O Projeto The Bunburys: Eric Clapton e Bee Gees Sem Créditos Nominais

Além do estrondoso sucesso de Whitney Houston, a coletânea esconde um dos capítulos mais fascinantes do pop-rock oitentista: a faixa "Fight (No Matter How Long)", creditada à misteriosa banda The Bunburys.

O projeto foi uma idealização de David English, ex-empresário dos Bee Gees que trabalhou com o grupo nos anos de ouro da RSO Records. English batizou o projeto inspirado em seu próprio time de críquete beneficente na Inglaterra, o Bunbury Cricket Club. O conceito nasceu originalmente para acompanhar o lançamento de seu livro infantil em quadrinhos, We're The Bunburys, focado em mensagens de boa vontade, união e espírito esportivo.

Para dar vida à trilha sonora da obra e arrecadar fundos para instituições filantrópicas, os irmãos Barry, Robin e Maurice Gibb compuseram e gravaram três músicas. O projeto ganhou proporções históricas quando o virtuoso Eric Clapton aceitou prontamente o convite para participar da faixa principal. Clapton assumiu as guitarras e dividiu os vocais principais com Barry Gibb, criando uma união vigorosa entre o rock clássico e o pop melódico.

Sucesso Oculto e Registro Histórico

Quando a música foi lançada de forma isolada no Reino Unido, nem Eric Clapton nem os Bee Gees receberam créditos nominais explícitos na capa, mantendo o codinome "The Bunburys" para preservar o conceito lúdico do projeto. Devido ao seu tom triunfante e imponente, a Arista Records selecionou a faixa para fazer parte do álbum oficial das Olimpíadas de Seul.

A superexposição global dos Jogos Olímpicos transformou a canção em um sucesso comercial notável: "Fight (No Matter How Long)" alcançou o 8º lugar na parada de Rock da Billboard (Mainstream Rock Tracks). Curiosamente, esta foi a primeira e única vez que o nome dos Bee Gees figurou em uma parada dedicada exclusivamente ao gênero Rock.

Apesar do sucesso de estúdio, os integrantes do projeto dividiram o palco em uma única oportunidade histórica: no concerto beneficente Prince's Trust Gala em Londres, no ano de 1988. Eles nunca mais voltaram a se reunir sob este codinome, transformando o The Bunburys em um item valioso de colecionador e um testemunho de uma época em que gigantes da música uniam forças de forma quase anônima em prol de causas nobres.

Faixas: 
01. Olympic Spirit - John Williams
02. One Moment In Time - Whitney Houston
03. Fight (No Matter How Long) - The Bunburrys
04. Harvest For The World - The Christians
05. Reason To Try - Eric Carmen
06. Shape Of Things To Come - Bee Gees
07. Peace In Our Time - Jennifer Holliday
08. Willpower - Taylor Dayne
09. That's What Dreams Are Made Of - Odds & Ends
10. Rise To The Occasion - Jermaine Jackson & La La
11. Midnight Wind - Tony Carey

Para baixar a coletânea em FLAC (Lossless), clque AQUI.

Eldorado 92,9 FM (1996)

Esta publicação é uma homenagem à trajetória de uma das maiores instituições da radiodifusão brasileira. A tradicional Rádio Eldorado FM, que marcou época operando na frequência dos 92,9 MHz (e que posteriormente ocupou os 107,3 MHz), encerrou suas operações no dial de São Paulo no dia 15 de maio de 2026. Foram quase 70 anos de uma história rica, pautada pelo jornalismo de credibilidade e por uma programação musical que era sinônimo de sofisticação, vanguarda e respeito ao ouvinte.

Como forma de preservar essa memória, resgatei um registro fiel da identidade sonora que consagrou a emissora: o CD Eldorado 92,9 FM, lançado em 1996 através de uma parceria com o selo independente Paradise Records (código de catálogo PR 0013).

A identidade artística e visual da coletânea foi moldada por profissionais de destaque no mercado: a seleção de repertório foi assinada pelo lendário cantor, radialista e jornalista Kid Vinil, enquanto a produção executiva ficou sob a responsabilidade de Maria Creusa Meza, e o conceito visual geométrico do projeto gráfico foi desenvolvido pela Stallmir Publicidade.

O CD foi fabricado por Sonopress (Rimo da Amazônia Indústria e Comércio Fonográfica Ltda.), sob encomenda e distribuição da Estúdio Eldorado Ltda. (sob o selo impresso da Eldorado Distribuidora Fonográfica), devidamente licenciada pela Paradise Records.

Faixas:
01. Chimes of Freedom - Youssou N'Dour
02. The Wind Cries Mary - Seal
03. Circulate - Swing Out Sister
04. Voici Les Clés - Gerry DeVeaux & Vanessa Paradis
05. Rollercoaster - Everything But The Girl
06. Une Ile - Ladja
07. Jazz Is Paris - Malcolm McLaren
08. Don't Let the Teardrops Rust Your Shining Heart - Holly Cole Trio
09. Everything I Do (Leads Me Back To You) - Elliott Murphy & Bruce Springsteen
10. If I Were You - k.d. lang
11. Never My Love - Ajala
12. Cruising For Bruising - Basia
13. Paris Lutece Paname - Malcolm McLaren

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sábado, 30 de maio de 2026

Franco Levine - Por Ti (2008)

Nascido na Bahia em 28 de novembro de 1976, Gian Carlo Franco Vieira Santos, conhecido artisticamente como Franco Levine, mudou-se ainda jovem com a família para Goiânia (GO), onde estudou canto lírico no Centro Cultural Gustav Ritter. Durante sua formação, destacou-se como solista do coro municipal e realizou apresentações acompanhadas por orquestras.

Após cinco anos de estudos, decidiu direcionar sua carreira para a música popular. Passou a se apresentar na noite goianiense e, em 1996, fundou sua primeira banda de rock, Thelema. Com o encerramento das atividades do grupo, seguiu carreira solo e, ao participar de um festival local, conquistou a oportunidade de gravar seu primeiro álbum, Som de Preto (2006), trabalho marcado por influências da black music.

Levine ganhou projeção como compositor ao assinar canções que alcançaram execução radiofônica nacional, entre elas “Por Ti”, gravada por Henrique & Hernane, “Difícil”, por João Neto & Frederico, e “Larga de Bobeira”, composta em parceria com Guilherme Bicalho e registrada pela dupla Rick & Renner.

O artista encontrou no pop romântico sua principal identidade musical, característica evidenciada em seu segundo álbum, Por Ti. Das 14 faixas do disco, oito são de sua autoria, além de uma faixa bônus em versão remix.

Diferentemente do que alguns textos afirmam, Por Ti não representa a estreia fonográfica de Franco Levine. Lançado de forma independente pela editora Peermusic, o álbum teve produção musical de Guilherme Bicalho e Geovani Fernandes. As gravações e mixagens ocorreram no Studio Melody, em Goiânia (GO), com exceção das faixas “Hoje Eu Sei”, “Lembrança de um Beijo” e “Vou Ganhar Você”, produzidas por Manoel Nenenzinho Pinto e registradas no estúdio Gravodisc, em São Paulo (SP). Nenenzinho, que também atuou como empresário do cantor, assina ainda a direção artística do projeto.

O repertório reúne interpretações do próprio autor para composições já conhecidas pelo público, além de canções que integraram a teledramaturgia nacional. “Difícil” foi tema do personagem Lucas na novela Revelação (SBT, 2008–2009), enquanto “Vou Ganhar Você”, composição de Peninha, integrou a trilha do casal Domi e Nícia na novela Poder Paralelo (Record, 2009–2010).

O álbum também apresenta releituras de “Lembrança de um Beijo”, composição de Accioly Neto imortalizada por Fagner no álbum Caboclo Sonhador (1994) e de “Hoje Eu Sei”, sucesso de Rick & Alexandre posteriormente consagrado por João Paulo & Daniel. Nesta última, há participação especial da dupla Rick & Renner.

O repertório inclui ainda “Por Toda Vida”, composição de Jairo Goes, Everton Matos e Rivanil que se tornou uma das canções mais representativas da música goiana contemporânea. Originalmente gravada pela banda Nechiville, a obra ganharia anos mais tarde um vínculo adicional com Franco Levine, que passou a integrar o grupo em 2023, substituindo o vocalista Eduardo Melo.

Franco Levine não me parece um artista romântico por limitação de repertório, mas por escolha estética. Embora sua obra dialogue frequentemente com o pop romântico e com o universo sertanejo, sua formação musical e suas influências revelam uma identidade artística que ultrapassa os limites desses gêneros. 

Ao buscar conhecer melhor sua trajetória por meio de entrevistas e registros de época, tornam-se evidentes referências ligadas ao rock, à MPB e à soul music, elementos que ajudam a explicar a personalidade de seu canto e de suas interpretações. Mesmo quando grava composições de terceiros, Levine preserva características próprias que o distinguem de outros intérpretes do segmento. Para este autor, essa combinação entre identidade vocal, qualidade interpretativa e produção autoral o coloca entre os nomes mais respeitáveis da música goiana contemporânea.

Apesar da relevância de sua produção autoral e de sua atuação como intérprete, a obra de Franco Levine permanece pouco acessível ao público na era digital, com seus álbuns ainda ausentes dos principais serviços de streaming. Enquanto esse catálogo aguarda uma distribuição mais ampla, permanece este registro de Por Ti em sua edição original em CD.

Faixas:
01. Por Ti
02. Larga de Bobeira
03. Eu Tô Aqui
04. Acabou
05. Difícil
06. Por Toda Vida
07. Eternos Namorados
08. Reconquistar Você
09. Hoje Eu Sei - part. esp. Rick & Renner
10. Lambranca de Um Beijo
11. Festa no Meu Coração
12. Sem Você Meu Mundo Vai Ficar Melhor
13. Na Hora da Partida
14. Vou Ganhar Você
15. Larga de Bobeira (Remix)

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quinta-feira, 28 de maio de 2026

Trio Irakitan - Para Crianças de 6 a 60! - Canções Divertidas com Trio Irakitan (1969)

É com grande entusiasmo que trazemos ao público o resgate de uma verdadeira joia oculta da música popular e infantil brasileira: o álbum "Canções para Crianças de 6 a 60!", interpretado pelo lendário Trio Irakitan. Lançado originalmente pelo selo Imperial (sob o número de catálogo IMP - 30.149), este LP de 12 polegadas, prensado em 1969, representa um capítulo fundamental — e por muito tempo esquecido — na rica discografia do grupo.

Quem foi o Trio Irakitan?

Para compreender a importância deste registro, é preciso revisitar a história do conjunto. O Trio Irakitan foi um dos grupos vocais e instrumentais mais refinados do Brasil, criado em 1950 na cidade de Natal (RN) por Edison Reis de França (o Edinho), Paulo Gilvan Duarte Bezerril e João Manoel de Araújo Costa Netto (o Joãozinho).

O nome inicial do conjunto seria "Trio Muirakitan", escolhido pelo renomado historiador e folclorista Luís da Câmara Cascudo, em referência à pedra verde esculpida em formato de sapo, amuleto indígena muito encontrado nos rios da Amazônia. Como já existia um grupo registrado com esse nome, Câmara Cascudo rebatizou o trio com o neologismo Irakitan, que significa "mel verde" ou, em uma acepção poética e afetiva, "doce esperança".

O grupo desfrutou de imensa popularidade nas décadas de 1950 e 1960, mas sofreu uma interrupção dramática em 1965, quando Edinho cometeu suicídio após um episódio trágico envolvendo sua namorada. Diante do trauma, os integrantes suspenderam as atividades musicais. Dois anos depois, em 1967, o trio retomou os trabalhos com o ingresso do maestro Antônio Santos Cunha (o Tony), que estreou no disco A Volta (Odeon) e passou a assinar os arranjos do grupo, inclusive flertando com o movimento tropicalista ao gravarem "Pega a voga cabeludo", de Gilberto Gil, em 1968. Nas décadas seguintes, o trio passou por novas formações (incluindo integrantes como Edil, Edilson Andrade e Josias), mantendo-se na ativa até a década de 2010.

O Álbum: Uma Edição Histórica e Expandida (1969)

O projeto Canções para Crianças de 6 a 60! nasceu originalmente em 1957, lançado pela Odeon no formato de 10 polegadas. Contudo, a prensagem de 1969 pelo selo Imperial (fábrica Odeon S.A., em São Bernardo do Campo) traz modificações cruciais que a tornam um documento histórico único. Além disso, traz alteração de título, que passa receber nos selos o título "Para Crianças de 6 a 60: Canções Divertidas com Trio Irakitan", não recebendo anexação à "Master Release" do original na Discogs pelo critério de separação de título.

A primeira edição de 1957 não continha as faixas "Os Peixinhos do Mar", "O Marinheiro", "Gato Careteiro" e "O Galo". Portanto, este LP de 1969 é o responsável por trazer o registro inédito e expandido dessas interpretações na voz do Trio Irakitan. O selo físico do vinil (matrizes BR-XLD 10.423 e 10.424) traz ainda a curiosa chancela de "Amostra Sem Valor Comercial - Disco Invendável" no Lado 2, indicando tratar-se de uma cópia de divulgação radiofônica da época.

Confira a estrutura completa das faixas do álbum:

Lado 1 (Matriz BR-XLD 10.423)

  1. Companheiros Eu Sei Tocar – Folclore (Arr.: Trio Irakitan, Acompanhamento: Léo Peracchi e sua Orquestra)

  2. Cadafau – Folclore (Arr.: Trio Irakitan, Acompanhamento: Léo Peracchi e sua Orquestra)

  3. Os Peixinhos do Mar – Pixinguinha / Carlos Araújo

  4. Escravos de Jó – Folclore (Arr.: Trio Irakitan)

  5. O Marinheiro – Domínio Público

  6. Na Minha Casa Tem – Folclore (Arr.: Trio Irakitan, Acompanhamento: Léo Peracchi e sua Orquestra)

Lado 2 (Matriz BR-XLD 10.424)

  1. A Velha a Fiar – Folclore (Arr.: Trio Irakitan, Acompanhamento: Léo Peracchi e sua Orquestra)

  2. Napoleon – Folclore (Arr.: Trio Irakitan, Acompanhamento: Léo Peracchi e sua Orquestra)

  3. Gato Careteiro – Tradicional / Domínio Público

  4. São João – Folclore (Arr.: Trio Irakitan)

  5. O Galo – Domínio Público 

  6. Dondin-Dondá – Assis Valente

O Impacto no Cancioneiro Popular e Pedagógico

O repertório selecionado para este álbum baseia-se fortemente em cantigas tradicionais e no folclore brasileiro, muitas das quais foram utilizadas por equipes pedagógicas em escolas de todo o país, atravessando gerações. A força dessas canções provou-se eterna, influenciando diretamente a cultura pop e a MPB contemporânea:

  • A Velha a Fiar: Ganhou um clipe memorável e icônico no programa infantil Rá-Tim-Bum (TV Cultura), onde o ator Arthur Kohl realizava uma performance perfeita de dublagem e mímica, fixando-se no imaginário da infância brasileira.

  • São João: Permaneceu viva e recebeu gravações recentes sob o título de "São João Dararão", tanto na voz da sofisticada cantora de MPB Virgínia Rosa (com arranjo refinado de violões) quanto na interpretação de forró da humorista Milene Pavorô (do Programa do Ratinho).

  • Escravos de Jó e Na Minha Casa Tem: Foram resgatadas pelo universo infantil contemporâneo, ganhando roupagem moderna de imenso sucesso no projeto multimídia A Galinha Pintadinha.

  • O Galo: Entrou para o cancioneiro sertanejo de raiz, gravada como "Moda do Galo" pela tradicional dupla Barreto e Barroso.

Um Resgate Necessário

Apesar do inestimável valor histórico, folclórico e artístico deste álbum, esta joia musical nunca foi relançada em CD pela EMI (posterior detentora do catálogo) e permanece totalmente ausente das plataformas de streaming digital de música. Trata-se de uma obra esquecida pelo mercado fonográfico tradicional, que hoje temos o orgulho de trazer de volta à luz e compartilhar com o público, garantindo a preservação da memória da nossa música popular.

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Rock 'N' Reggae - Série The Roots of Rock (1996)

Se você é fã de garimpar coletâneas que documentam cruzamentos de gêneros musicais, vale a pena conhecer Rock 'n' Reggae, lançada em 1996 nos Estados Unidos. O título faz parte da série "The Roots of Rock" e saiu pelo selo Rebound Records (com a chancela “great music / the second time around”), uma divisão especializada em relançamentos e compilações de catálogo da PolyGram Special Markets.

O álbum reúne 12 faixas de grandes nomes do rock e do pop internacional interpretando clássicos do reggae, composições de Bob Marley, Jimmy Cliff, ou canções próprias fortemente influenciadas pelos ritmos jamaicanos. Um detalhe importante para colecionadores de mídias físicas: as faixas 9 e 11 são exclusivas da versão em CD (Bonus CD Tracks), não estando presentes em outros formatos físicos da época.

A compilação conta com seleção de repertório de Wayne Olsen, produção executiva de Howard Smiley, conceito e design de Howard Smiley, coordenação de projeto de Marjorie Golde e Stacey Komninos e gestão de licenciamento de direitos autorais de Beebe Jennings, Lisa Ziccardi e Diane Covucci. Ainda conta com design gráfico de Bob Defrin Design, Inc./NYC e ilustração de encarte de Jude Papalokothegenus. Todas as faixas pertencem à PolyGram Records, Inc.

Faixas:
01. Knocking On Heaven's Door - Eric Clapton
02. The Tide Is High - Blondie
03. Pressure Drop - Robert Palmer
04. Many Rivers To Cross - Joe Cocker
05. The Harder They Come - Joe Jackson
06. Could You Be Loved - Shakespear's Sister
07. Dreadlock Holiday - 10cc
08. Is This Love - Pat Travers Band
09. I Can See Clearly Now - Hothouse Flowers
10. Johnny Too Bad - John Martyn
11. Do You Really Want To Hurt Me - Rita Coolidge
12. No Woman No Cry - Garland Jeffreys

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segunda-feira, 25 de maio de 2026

Turma da Clube FM / Vox 90 FM - Tema de Verão 90 (1989)

Em 1989, a Rádio Clube FM de Ribeirão Preto (SP), operando na frequência 100,5 MHz, lançou um "Tema de Verão" que seria executado entre dezembro daquele ano e o final da temporada de 1990. A base instrumental da gravação foi derivada da versão remix de "This Generation", originalmente produzida e arranjada por Giorgio Spagna e Larry Pignagnoli, com coprodução de Ivana Spagna. A adaptação brasileira foi realizada por Ricardo e Kid Cabeleira, com produção assinada pela Turma da Clube FM.

Kid Cabeleira — conhecido artisticamente como DJ Cabela na equipe técnica da Rádio Clube — é Marco Botta, nascido em São Paulo em 25 de novembro de 1962. Iniciou sua trajetória como DJ em 1979, atuando na Boate Chattanooga e, posteriormente, na Boate Jaguar. A partir de 1983, passou a produzir mixagens para a FM Diário, de Ribeirão Preto, até ser contratado pelo diretor Fernando Marucci.

Em sua primeira função na emissora, trabalhou ao lado de Paulinho Prado, produtor de gravadora, com quem aprendeu técnicas de gravação em cartucho e edição em fita de rolo. Mais tarde, assumiu a programação de fim de semana da rádio. Trabalhou por 18 anos na Clube FM e também atuou no Sistema Jornal de Rádio, em Limeira (SP).

Ricardo — também conhecido como Ricco Showmaker — é Ricardo Fábio, nascido em Ribeirão Preto em 20 de agosto de 1964. Ator, cantor, diretor e dublador, teve passagem pelo Grupo Nós, uma das grandes bandas da cidade. Na dublagem, possui um extenso currículo, destacando-se como narrador de Pocoyo, Teletubbies, Dragon Ball GT e Dragon Ball Super, além de inúmeros outros trabalhos em filmes, séries, desenhos e novelas mexicanas. É também diretor artístico e criador do Mirage Circus e do RodHanna.

Marco Botta conta que era responsável por garimpar novidades musicais para a emissora e acabou conhecendo "This Generation". A partir disso, surgiu a ideia de licenciar a base instrumental para transformá-la em um jingle de verão da rádio. Ricardo Fábio recebeu o convite para adaptar a letra da canção, enquanto Botta ficou responsável pelo rap que apresenta os locutores da emissora e os membros da equipe técnica. Participam do rap os locutores Paulinho “Paradise” Pucci, Wellington “Tom” Ponce, Carlinhos Zanoello, André Tchukas, Yuri e Rui Bala. Representando a programação técnica, aparecem DJ Cabela e André Boca.

O jingle carregava o refrão chiclete “Ai Ai Ai Ai Ai, Eu Quero É Mais Curtir A Clube FM”, que permaneceu ecoando na memória afetiva dos ouvintes ribeirão-pretanos por décadas. A canção ganhou um lançamento em Single Promo 12”, fabricado pela Discos CBS Indústria e Comércio Ltda., mesma gravadora responsável pela versão original. O disco foi distribuído pela rádio aos ouvintes por meio de promoções e sorteios. Em um envelope preto, o LP trazia os seguintes dizeres: “Este é um presente da sua Clube FM”.

Surgida em 1976 como a primeira emissora de rádio FM de Ribeirão Preto, seu fundador Ticiano Mazzeto em 1979 vendeu a rádio para os irmãos José Inácio e Paulo de Tarso Pizani, marco que deu origem ao atual Sistema Clube de Comunicação. Portanto, a emissora já se encontrava consolidada no mercado regional quando lançou o Tema de Verão 90, fator que ajuda a compreender o investimento em uma campanha promocional prensada em vinil pela CBS.

A Descoberta e as Versões Compartilhadas

O que me levou à descoberta deste jingle e despertou o desejo de mergulhar em sua remasterização e documentação histórica foi uma conversa informal com meu amigo Paulo Vita — analista administrativo, DJ profissional atuante há muitos anos em Ribeirão Preto e colecionador de mídias físicas assim como eu. Na ocasião, ele me mostrou fotos de materiais que tinha disponíveis em seu acervo para remasterização.

Quando vi a foto do Tema de Verão 90 da Turma da Clube FM, notei imediatamente tratar-se da adaptação de uma canção, a qual fui verificar no YouTube. Após reconhecer a melodia, questionei se a versão da Clube FM continha o refrão adaptado “Ai Ai Ai Ai Ai, Eu Quero É Mais Curtir A Clube FM”, o que foi confirmado por ele.

A partir disso, relatei a existência de versões do jingle adaptadas para diferentes emissoras. A canção Tema de Verão 90 também foi utilizada pela rádio americanense Vox 90 FM como jingle institucional, mantendo a mesma identidade sonora da versão produzida pela Clube FM.

Há muitos anos, em meados de 1993, escutei em minha casa uma fita BASF gravada por uma prima minha. O cassete continha fragmentos da programação diária e trechos de especiais de determinados artistas. Naquela fita estava o memorável Tema de Verão com o trecho “Ai Ai Ai Ai Eu Quero É Mais Curtir A Vox FM”, que nunca saiu da minha cabeça.

Décadas depois, antigos funcionários da emissora localizaram uma gravação preservada da versão utilizada pela Vox 90, cedida em arquivo digital pelo locutor Lucas Junior. O áudio confirma a adaptação institucional do Tema de Verão 90 para a rádio americanense, preservando a interpretação vocal e a proposta estética da gravação original, além da contextualização local do trecho em rap.

Participam da gravação os locutores Adilson Nascimento, Jerry, Marcelo Brown, Carlinhos, Kid Fogo, Marcos Kabella e Binão (Albino Suzigan). Na técnica aparecem Toco (in memoriam) e Chileno.

A Vox 90, que no passado operou na frequência de 90,3 MHz sob o nome de Rádio Cultura, mudou sua sede para a lendária "Casa da Vox", situada à Rua Herman Muller, nº 366, no Bairro Girassol. Com a grade reformulada visando atingir o público jovem, a emissora estreou esse novo formato em janeiro de 1989. 

Em comemoração ao seu primeiro ano de atividades nesse novo formato jovem, a Vox 90 lançou, em 1990, um LP Picture Disc promocional fabricado pela CBS. O disco ficou marcado pelo icônico design de uma mulher biônica estampada tanto no encarte quanto na própria mídia, tornando-se uma das peças promocionais mais lembradas da fase inicial da emissora. Na época de sua comercialização, podia-se ver aquela linda capa estampada nas lojas de discos da cidade, bem como o Jingle "Tema de Verão 90" tocava em quase toda rádio de loja sintonizada na Vox, o que ajudou a eternizar o jingle na memória afetiva de muita gente!

É fato que desde o início a Vox 90 adotou o slogan "Tá Na Vox, Tá Legal", em clara referência ao já consolidado “Tá Na Clube, Tá Legal”, o que indica que os executivos seguiram um modelo de aproximação comercial com a líder de audiência em Ribeirão Preto. Mas esse foi o slogan com o qual os americanenses se identificavam e replicavam nas rodas de amigos e quando o ouvinte completava a frase "Tá Na Vox..." ao final do pedido musical no Ligue Vox. Que saudade!

Mas por volta de 1997, a Vox finalmente adota seu slogan “É Vox, É Demais” – o qual permanece até os dias atuais –, afirmando sua identidade local na consolidação de sua marca.

Atualização histórica

Trinta e seis anos depois, tenho a oportunidade de documentar esse marco a partir da remasterização do LP – enviado pelo meu amigo Paulo Vita – e do áudio de K7. Quando os envolvidos na gravação ribeirão-pretana ouviram o trabalho realizado, ficaram muito emocionados com o resgate. Assim como os locutores da Rádio Vox 90 que souberam do meu trabalho de resgate, ouviram a remasterização da Turma da Clube FM e lembraram de imediato do jingle local. Desta forma, ao ceder o material para completar este memorial, também resgataram o Ano 1 da Rádio Vox 90, onde todo seu sucesso começou.

Com isso, esta publicação ganha um sentido arquivístico e saudosista para a história do rádio brasileiro e eu revivo por completo a canção que ecoou por décadas na minha cabeça.

O Remaster e a Preservação Histórica

Para composição deste arquivo histórico, realizei a remasterização a partir do LP, como o disco apresenta a mesma gravação em ambos os lados, selecionei apenas a Faixa 01. Enquanto isso, a Faixa 02 é originária da gravação da fita K7 salva em arquivo digital, que passou por um processo de recuperação espectral, calibragem de frequências agudas e reconstrução do encerramento com referência ao áudio do LP.

E, por fim, na Faixa 03, apresento a gravação Remix Version de "This Generation" que é a canção original cantada pela italiana Ivana Spagna, conhecida pelos sucessos "Easy Lady" e "Call Me" (esta, tema da novela Sassaricando).

Faixas:
01. Tema de Verão 90 (This Generation) - Turma da Clube FM
02. Tema de Verão 90 (This Generation) - Turma da Vox 90 FM
03. This Generation (Remix Version) - Spagna

Para baixar este Single em FLAC, clique AQUI.

sábado, 23 de maio de 2026

Clássicos da Sessão da Tarde Vol. 2 – 2 CDs (2026)



   

O queridinho das tardes da Globo está de volta em um 2º Volume com inspiração turbinada!
Se você não esperou, sim, te surpreendemos novamente. Toma, mais temas memoráveis das tardes da telinha da TV Globo!

A seleção de repertório é de Igor Santana e Denis Gazeta, a arte gráfica é de Igor Santana e a masterização de áudio ficou por conta de Denis Gazeta.

Algumas faixas desta coletânea passaram por um extenso processo de recuperação e reconstrução sonora. “The Heart Is So Willing”, de Stephen Bishop, por exemplo, teve como fonte principal o próprio áudio extraído diretamente da versão do filme disponível no Disney+, devido às limitações das edições digitais existentes e da raríssima versão em compacto. A faixa recebeu limpeza de ruído, expansão estéreo e nova equalização, buscando preservar a atmosfera original ouvida nas tardes da televisão brasileira. Outras canções como “We Will Rock You”, “Unchained Melody” e “Somewhere Out There” também receberam cuidadoso trabalho de modernização e restauração sonora.

A recriação de “Twist And Shout” também recebeu tratamento especial nesta coletânea. Na trilha oficial de “Curtindo a Vida Adoidado”, os elementos utilizados na famosa cena do desfile foram disponibilizados separadamente: de um lado, a mixagem estéreo dos Beatles preparada em 1986; do outro, os arranjos de fanfarra conduzidos por Ira Newborn para o filme. A partir disso, foi realizado um cuidadoso processo de sincronização e reconstrução, calibrando manualmente o BPM e reposicionando trecho por trecho da fanfarra sobre a gravação original dos Beatles, buscando reproduzir a atmosfera vibrante da sequência exibida no filme — incluindo o impacto sonoro da execução em megafone durante o desfile.

Prepare-se para revisitar romances improváveis, comédias clássicas, aventuras inesquecíveis e aquele desfile de filmes que fizeram companhia nas tardes preguiçosas da televisão brasileira. Tem música pra cantar junto, pra lembrar de cena icônica e até pra despertar aquela vontade imediata de largar tudo e assistir “só mais um pedacinho” do filme.

Do romantismo de Ghost ao alto astral de Mudança de Hábito 2, passando pelo clima oitentista de Manequim, pelos clássicos da Sessão da Tarde e pelas surpresas que só quem cresceu vendo Globo reconhece nos primeiros segundos da música… este volume foi feito pra apertar o play e viajar no tempo.

Faixas do CD 1:
01. Dreams - The Cranberries (Mensagem para Você)
02. Don’t Worry, Be Happy - Bobby McFerrin (Cocktail)
03. Blaze Of Glory - Jon Bon Jovi (Jovens Demais para Morrer)
04. Against All Odds (Take A Look At Me Now) - Phil Collins (Paixões Violentas)
05. The Heart Is So Willing - Stephen Bishop (Um Dia a Casa Cai)
06. Summer Nights - John Travolta & Olivia Newton-John (Grease – Nos Tempos da Brilhantina)
07. U Can't Touch This - MC Hammer (As Panteras – Detonando)
08. Somewhere Out There - Linda Ronstadt & James Ingram (Fievel – Um Conto Americano)
09. All Over The World - Electric Light Orchestra (Xanadu)
10. Can You Feel The Love Tonight - Elton John (O Rei Leão)
11. Twist And Shout (Movie Remix) - The Beatles feat. Ira Newborn (Curtindo A Vida Adoidado)
12. Come Into My Life - Laura Branigan & Joe Esposito (Um Príncipe em Nova York)
13. Never Ending Story (7'' Remix) - Limahl (História Sem Fim)
14. Lovefool - The Cardigans (Romeu e Julieta)
15. Love Came For Me - Rita Coolidge (Splash – Uma Sereia em Minha Vida)
16. Oh, Pretty Woman - Roy Orbison (Uma Linda Mulher)
17. Bring On The Dancing Horse - Echo & The Bunnymen (A Garota do Rosa-Shocking)
18. I Love To See You Smile - Randy Newman (As Aparências Enganam)

Para baixar o CD 1 em FLAC, clique AQUI.

Faixas do CD 2:
01. Nothing’s Gonna Stop Us Now - Starship (Manequim)
02. I Have Nothing - Whitney Houston (O Guarda-Costas)
03. I'll Make Love To You - Boyz II Men (Esposa de Mentirinha)
04. Members Only - Sheryl Crow (O Amor É Cego)
05. I'm So Excited - The Pointer Sisters (O Professor Aloprado)
06. Love Is All Around - Wet Wet Wet (Quatro Casamentos e um Funeral)
07. Men In Black - Will Smith (Homens de Preto)
08. As The World Falls Down - David Bowie (Labirinto – A Magia do Tempo)
09. You Get What You Give - New Radicals (Click)
10. I Can Dream About You - Dan Hartman (Ruas de Fogo)
11. We Will Rock You - Queen (Coração de Cavaleiro)
12. How Deep Is Your Love - Bee Gees (Os Embalos de Sábado à Noite)
13. Maneater - Daryl Hall & John Oates (Noiva em Fuga)
14. Unchained Melody - The Righteous Brothers (Ghost – Do Outro Lado da Vida)
15. Sing A Song - Earth, Wind & Fire (Alguém Tem Que Ceder)
16. Donna - Los Lobos (La Bamba)
17. Chariots Of Fire - Vangelis (Carruagens de Fogo)
18. Oh Happy Day - The St. Francis Choir feat. Ryan Toby (Mudança de Hábito 2)

Para baixar o CD 2 em FLAC, clique AQUI.

sexta-feira, 22 de maio de 2026

Victor & Leo - Vitor e Leo [1° Álbum Perdido] (2002)


O disco perdido de Victor & Leo – A gênese de uma dupla de sucesso

Muito antes de dominarem o cenário sertanejo nacional e fundarem o próprio escritório artístico, o Vida Boa Produções, os irmãos mineiros Vitor e Leo (grafados assim, à época) lançaram, de forma independente, um álbum homônimo pelo extinto selo Number One, em 2002. Este registro, hoje ausente das plataformas digitais e nunca relançado oficialmente, tornou-se uma raridade fonográfica, sendo um dos capítulos menos conhecidos — mas fundamentais — da trajetória da dupla.

Gravado em um momento ainda distante da fama, o álbum carrega a semente de tudo que viria depois: romantismo sertanejo, espiritualidade, melodias suaves e letras autorais de forte identidade. Os arranjos de todo o disco ficaram a cargo do consagrado maestro Eduardo Lages, conhecido por seu trabalho com Roberto Carlos, o que demonstra o cuidado e o prestígio já envolvidos naquele projeto inaugural. A produção ficou a cargo de Lino Toscano, que também foi empresário da dupla durante os seus primeiros oito anos de carreira, exercendo papel essencial na estruturação artística do projeto.

Mesmo com produção modesta e circulação restrita, o disco apresenta várias composições que se tornariam pilares do repertório da dupla — ou ganhariam nova vida em interpretações de outros grandes nomes do sertanejo.

Ao longo da carreira, Vitor & Leo revisitaram várias faixas deste álbum inaugural, reaproveitando composições de Victor Chaves em novas gravações com arranjos mais sofisticados, atmosféricos e amadurecidos, compatíveis com a estética que consolidaram nos anos seguintes:

“Deus e Eu no Sertão”, relançada no álbum Borboletas (2008);

“Não Vá pra Califórnia”, incluída em Boa Sorte pra Você (2010);

“Sonhos e Ilusões em Mim”, regravada no álbum Amor de Alma (2011), com participação especial de Paula Fernandes;

“Do Outro Lado do Rádio”, que ganhou nova versão na voz de Daniel, no CD/DVD Raízes Ao Vivo (2010);

“Esse Alguém Sou Eu”, que foi interpretada por Leonardo em seu Ao Vivo (2009).

Embora a maioria das canções presentes no disco sejam assinadas por Victor Chaves, há exceções. Além de “Escondendo o Jogo” (Ed Wilson / Gilson) e “Ritmo da Chuva” (John Gummoe, versão em português de Demétrius), destaca-se também “Através da Vidraça”, composição de Fauze, Jamil Andare e Álvaro Troni.

O encerramento das atividades do selo Number One levou à perda da master original, o que impediu qualquer relançamento comercial em larga escala. Fora dos catálogos digitais, o álbum permanece como um item de culto entre fãs e colecionadores — um testemunho cru, porém precioso, da origem artística de Victor & Leo, onde já se vislumbrava o brilho de uma das duplas mais influentes da música sertaneja contemporânea.

Ficha Técnica – Álbum “Vitor e Leo” (2002)
Produção: Lino Toscano
Arranjos, Teclados e Piano: Maestro Eduardo Lages
Violão e Guitarra: Paulinho Ferreira
Guitarra e Violão: Rick Ferreira
Baixo: Pedro Ivo, Darcio
Bateria: Pedro Ivo, Albino Infantozzih
Percussão: Laércio da Costa
Gaita: Aloizio Becker
Violino: Silvio Luis
Vocais de apoio: Ângela, Ringo, Silvinha Araújo

Faixas: 
01. Não Vá pra Califórnia
02. Através da Vidraça
03. Esse Alguém Sou Eu
04. Deus e Eu no Sertão
05. Escondendo o Jogo
06. Não Minta pra Mim
07. Sonhos e Ilusões em Mim
08. Do Outro Lado do Rádio
09. Esperanças Não Morrem Assim
10. Ritmo da Chuva (Rhythm of the Rain)
11. Pra Mim Só Tem Você

Para baixar em FLAC (Lossless), clique AQUI.

John Kip - Adjustable [Promo CD] (2011)

Jonathan Lassandro Villas Boas Ayres, conhecido artisticamente como John Kip, é um cantor e compositor paulistano com um repertório predominantemente em inglês. Desde cedo, dividia sua atenção entre duas grandes paixões: a música e o automobilismo — influência direta do pai, piloto de kart. Crescendo nesse ambiente, desenvolveu um gosto apurado pela música internacional e consolidou uma identidade musical fortemente influenciada pelo pop internacional.

Em 1993, aos 18 anos, Kip mudou-se para os Estados Unidos, onde viveu por três anos. Durante esse período, apresentou-se como músico em bares, experiência que ampliou sua vivência de palco e amadureceu sua presença artística.

A proximidade com o automobilismo permaneceu ao longo dos anos. Trabalhou como assessor de Rubens Barrichello e, em uma viagem à Itália ao lado do piloto, teve um encontro decisivo com o cantor italiano Biagio Antonacci. A conversa o fez perceber que dificilmente conseguiria se afastar da música por muito tempo.

De volta ao Brasil, em 2008, fundou, ao lado do Maestro Billy, uma produtora de áudio dedicada à gravação de vinhetas, jingles e paródias musicais. A experiência reforçou seu desejo de investir definitivamente na carreira artística.

Em parceria com o produtor Dudu Borges, Kip formou uma banda de estúdio e lançou, em 2011, seu primeiro álbum, Adjustable, reunindo composições inéditas e versões em inglês de sucessos da música brasileira. O disco chamou a atenção pela proposta incomum de aproximar o repertório nacional do mercado internacional por meio de novas interpretações em inglês.

O single que dá nome ao álbum foi tema da novela Passione e ganhou um videoclipe dirigido por Hugo Pessoa, com participações de Rubens Barrichello e Mateus, da dupla Jorge & Mateus. Kip também lançou versões em inglês de sucessos sertanejos como "Onde Haja Sol", "Pensa em Mim", "Espelho" e "Amo Noite e Dia", algumas delas contando com a participação da própria dupla Jorge & Mateus.

Sua voz também esteve presente em trilhas sonoras de novelas, com a regravação de "Rocket Man", de Elton John, em Tempos Modernos, e com a faixa autoral "I'll Help You Stay", incluída em Insensato Coração. Essas gravações também receberam espaço na programação de rádios adultas contemporâneas, como Antena 1, Alpha FM e Transamérica.

Seu último registro musical de maior alcance ocorreu em maio de 2012, com uma nova versão de "Adjustable", remixada por Renato Borges. Apesar da boa recepção, o álbum homônimo, distribuído apenas de forma promocional, nunca chegou às lojas, tornando-se uma raridade entre fãs e colecionadores.

Atualmente, Jonathan assina como Jonathan Ayres em suas redes sociais, indicando, de forma discreta, o encerramento do nome artístico John Kip. No Instagram, utiliza o perfil @jayres.frango e não demonstra manter vínculos com o antigo público ou com a indústria musical. É bacharel pela Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), embora não tenha divulgado sua área de formação.

Embora sua carreira tenha sido breve, John Kip deixou uma discografia singular, marcada pela proposta de reinterpretar canções brasileiras em inglês e aproximar diferentes universos musicais. Seu trabalho continua despertando interesse entre fãs e colecionadores.

Faixas:
01. Adjustable (tema da novela ''Passione'')
02. Loving You Night and Day (Amo Noite e Dia) - feat. Jorge & Mateus
03. Mirror (Espelho) - feat. Jorge & Mateus
04. Rocket Man (tema da novela ''Tempos Modernos'')
05. Find Me (Primeiros Erros)
06. Think of Me (Pensa em Mim)
07. Silly Games (Falando Sério)
08. A Place in the Sun (Onde Haja Sol)
09. I'll Help You Stay (tema da novela ''Insensato Coração'')
10. Rocket Man (Maestro Billy Remix)

Para baixar este álbum em FLAC, clique AQUI.

Vox 90 FM - Vox Country Music (1997)

Nada aqui vai ser desenterrado sem contextualização histórica, prometo! É hora de falarmos sobre como a invasão da Country Music aconteceu especificamente no interior paulista.

Dominado pelas grandes Festas do Peão, realizadas sempre durante o outono brasileiro, o interior paulista viveu uma verdadeira febre do gênero. As rádios foram tomadas por nomes como Alan Jackson, Garth Brooks e Shania Twain ao longo da programação diária, enquanto muitas duplas sertanejas absorviam elementos da cultura country nos arranjos de suas canções, com pompa elaborada por produtores musicais que realmente estudavam o que de melhor acontecia no Tio Sam, como Sérgio Carrer (Feio), Cesar Augusto, Paulo Debétio, Juvenil José de Lacerda (Pinocchio), Fátima Leão e até mesmo Xororó.

O que você verá é uma coletânea elaborada pela FM Vox 90, emissora que até hoje opera em Americana na frequência 90,3 MHz. Na década de 90, a rádio possuía um programa exibido todos os domingos, das 17h às 19h, dedicado ao melhor da Country Music e do Sertanejo de Rodeio.

A curadoria musical, realizada meticulosamente pelo Chileno — programador da rádio na época —, mergulhava nos melhores fonogramas da gravadora BMG. Também era costume da emissora compartilhar parcerias de programação e estilo musical com rádios da região. Há registros de que a FM Onda Livre, de Piracicaba, mantinha um programa semelhante ao da Vox, comercializando localmente um CD de repertório parecido e até capa semelhante, sendo mencionado inclusive que o “modelo” fotografado pertencia à família de executivos da rádio piracicabana.

Cabe dizer ainda que este CD foi produzido exclusivamente para ser sorteado entre os ouvintes do programa. O público precisava deixar o nome aos domingos e permanecer sintonizado até o encerramento da atração para descobrir se havia sido contemplado com a trilha sonora oficial do programa. Muito bacana!

Faixas: 
01. Chattahoochee - Alan Jackson
02. My Maria (Dance Mix) - Brooks & Dunn
03. Summertime Blues - Alan Jackson
04. Cherokee Boogie - BR5-49
05. It's Lonely Out There - Pam Tillis
06. A Man This Lonely - Brooks & Dunn
07. Little Bitty - Alan Jackson
08. The Answer Is Yes - Michelle Wright
09. Mama Don't Get Dressed Up for Nothing - Brooks & Dunn
10. Livin' on Love - Alan Jackson
11. 1, 2, 3 - Gian & Giovani
12. Não Vivo Sem Você - Gian & Giovani
13. Ferreirinha - Chrystian & Ralf
14. Bailão de Peão - Chitãozinho & Xororó

Para baixar este CD Promocional em FLAC, clique AQUI.

Band FM Sat - Country Ballads (1997)


Não sei em que estado você, leitor, mora, mas vou contar sobre um fenômeno que aconteceu a partir de 1995: a invasão da Country Music nas FMs e a presença de hinos do gênero nas baladas. Pelo menos aqui no Estado de São Paulo, isso ultrapassou os limites dos rodeios e virou uma febre ainda maior que a provocada pela novela “América”, em 2005.

Em 1997, a Band FM Sat, em parceria com a gravadora MCA/Universal Music Brasil (que ainda não havia se fundido à PolyGram), lançou a coletânea Country Ballads. As canções tocavam no Love Line e também na programação normal da emissora. Tudo parecia um rolê aleatório… até você pôr o CD para tocar e acabar contagiado por aquele amor brejeiro.

Se tem uma coisa que me fisga, é balada romântica country. Assim como as canções sertanejas, elas mexem fundo ao abordar amores antigos, relacionamentos que nasceram da amizade, solidão, saudade de alguém que partiu, casamento, família, traições e corações partidos. E tudo isso embalado por arranjos luxuosos, que os norte-americanos sabem fazer como ninguém. 

Grato a Marco Simões pelo marketing estratégico. Não te conheço, mas você foi mitológico na elaboração desta curadoria musical de valor inestimável!

A coletânea inclusive bebe da fonte do canal Country Music Television Brasil ao apresentar canções que pintavam em programas como Cantarolando — aquele especial dedicado a um artista, com letras traduzidas —, o Top 12 Countdown — a parada country no eixo Estados Unidos-Brasil — e o Café da Manhã, programação que transitava entre baladas românticas e clássicos do Country.

Destaco “On My Own”, conhecida no Brasil na versão de Patti LaBelle e Michael McDonald. Aqui, a canção ressurge como uma legítima country ballad nas vozes de quatro potências do gênero: Reba McEntire, Marty Stuart, Trisha Yearwood e Martina McBride.

Confira o CD:
01. Just When I Needed You Most - Dolly Parton
02. The Keeper of the Stars - Tracy Byrd
03. On My Own - Reba McEntire feat. Marty Stuart, Trisha Yearwood & Martina McBride
04. Shelter From the Storm - Marty Stuart
05. The Song Remembers When - Trisha Yearwood
06. I Cross My Heart - George Strait
07. She's Really Something to See - David Lee Murphy
08. Pretty Little Adriana - Vince Gill
09. It Ain't Gonna Worry My Mind - George Jones
10. I Didn't Know My Own Strength - Bobbie Cryner
11. Somebody Knew - Rhett Akins
12. Something Stupid - The Mavericks with Trisha Yearwood

Apaixonante, não? Baixe em FLAC, clicando AQUI.

Yahoo - Pára-Raio (1992)


Lançado em 1992, Pára-Raio marcou uma nova fase na trajetória do grupo Yahoo. Após um ano sem inéditas, a banda retornou apostando em uma sonoridade mais voltada ao hard rock melódico que dominava as rádios do início da década de 1990, sem abandonar o romantismo característico de sua identidade musical.

A formação do período contava com Zé Henrique (baixo e vocal), Marcelo Azevedo (teclados, guitarra e vocal), Marcelão (bateria e vocal), Val Martins nos teclados e o guitarrista Sérgio Knust, que já acompanhava o grupo como músico contratado desde 1989 e acabou efetivado após a saída de Robertinho de Recife.

“Pára-Raio” contou com direção artística de Jorge Davidson e produção de Michael Sullivan. Seu repertório resgata diversos sucessos internacionais adaptados para o português, fórmula de forte apelo radiofônico explorada pelo Yahoo desde o primeiro álbum. Entre os destaques estão a faixa-título “Pára-Raio”, versão de “Hide Your Heart”, da banda Kiss, “Como o Vento”, adaptação de “Wind of Change”, do Scorpions, além de “Sozinho”, releitura de “Reflections of My Life”, originalmente gravada pelo The Marmalade.

Outro momento importante do álbum foi a gravação da tocante balada “Paixão Esquecida”, composta com muita sensibilidade por Renato Terra e escolhida como tema da personagem Clarice (Regina Braga) na novela Deus Nos Acuda (TV Globo, entre 1992 1993), mantendo o Yahoo em evidência no rádio e na TV durante aquele período.

Apesar de o álbum não ter emplacado faixas entre as mais tocadas do Hot 100 Brasil de 1992 ou 1993, “Paixão Esquecida” teve forte presença em programas radiofônicos dedicados a temas românticos. Outra canção bastante executada foi “Volta pra Casa”, embora não tenha alcançado a mesma repercussão de “Sozinho”, sucesso marcante no interior paulista que chegou a permanecer durante muitos meses na programação de emissoras como Vox 90 FM, Fraternidade FM e Estereosom FM. O reconhecimento desse êxito acabou refletido na inclusão da faixa na coletânea A Magia dos Anos 90, lançada em CD no ano 2000.

Faixas:
1. Sozinho (Reflections Of My Life)
2. Volta Pra Casa
3. Pára-Raio (Hide Your Heart)
4. Um Momento De Amor
5. Sonhando Acordado
6. Amor Escondido
7. Ilusões E Desejos
8. Fora Da Lei (Como Dizia Mike Tyson)
9. Como O Vento... (Wind Of Change)
10. Paixão Esquecida (Gisela)

Para baixar o álbum em FLAC, clique AQUI.

Sheryl Crow - The Unreleased First Album (1992)

Em 1991, pouco depois de assinar contrato com a A&M Records, Sheryl Crow entrou em estúdio para gravar aquele que seria seu álbum de estreia em uma grande gravadora. Produzido entre 1991 e 1992 ao lado do renomado produtor Hugh Padgham – que no ano seguinte produziria "Ten Summoner's Tales" do cantor Sting –, o disco homônimo Sheryl Crow chegou a ser concluído e preparado para lançamento oficial em 22 de setembro de 1992.

O projeto, no entanto, jamais chegou às lojas. Tanto a cantora quanto a gravadora consideraram o resultado “produzido demais”, distante da espontaneidade e da identidade artística que Crow buscava naquele momento. A própria artista descreveu este trabalho como “maduro demais”, enquanto a A&M estava alinhada com a decisão da artista, acreditando em um trabalho mais orgânico e acessível para a geração de jovens da década de 1990. Em comum acordo, o álbum foi arquivado.

Antes do cancelamento, algumas poucas cópias promocionais em fita cassete chegaram a ser produzidas pela gravadora, acompanhadas de press kits oficiais preparados para divulgação à imprensa e rádios. Essas fitas nunca chegaram a uma distribuição comercial ampla, tornando-se posteriormente itens raríssimos entre colecionadores. Décadas depois, exemplares passaram a aparecer ocasionalmente em plataformas de leilão e colecionismo, enquanto o conteúdo completo do álbum acabou vazado na internet.  

O release preparado pela gravadora destacava participações de músicos como Dominic Miller, Vinnie Colaiuta e Pino Palladino, além de uma colaboração especial de Don Henley na faixa “What Does It Matter”. O texto promocional apresentava Crow como uma compositora sofisticada, autora de “canções pop sombrias”, escritas durante um período turbulento de sua vida pessoal e profissional.

Embora tenha sido arquivado antes de seu lançamento oficial, o álbum Sheryl Crow acabou deixando rastros importantes na música pop dos anos 90. Antes mesmo de alcançar fama mundial, Sheryl Crow já era considerada uma artista em ascensão, aparecendo discretamente em trilhas sonoras e colaborações. A faixa “Hundreds of Tears”, presente neste álbum cancelado, teve uma gravação anterior que integrou a trilha sonora do filme Point Break (Caçadores de Emoção, no Brasil).

Outra composição ligada ao projeto, “All Kinds Of People”, escrita em parceria de Crow com Kevin Gilbert, ganharia diferentes interpretações ao longo da década. A música foi gravada por Tina Turner em seu álbum Wildest Dreams (1996), além de ter sido lançada pelo grupo Big Mountain no álbum Free Up (1997). No Brasil, a faixa tornou-se conhecida ao integrar a trilha sonora da novela Malhação em 1998.

A cantora cristã Susan Ashton também reinterpretou parte desse repertório em seu álbum A Distant Call, incluindo versões de “All Kinds Of People” e “Hundreds of Tears”.

Outra curiosidade envolve “Love You Blind”: a canção já havia sido gravada por Celine Dion em 1989, durante as sessões do álbum Unison. A gravação acabou sendo lançada oficialmente em 1992 como lado B do single “If You Asked Me To”.

Após o engavetamento do projeto, Sheryl Crow retornaria ao estúdio para reconstruir sua estreia artística em uma direção mais crua e informal. O resultado seria o aclamado álbum Tuesday Night Music Club, lançado em 1993 e responsável por transformá-la em um fenômeno internacional.

Recentemente, tive acesso aos arquivos em FLAC provenientes de uma dessas raríssimas fitas promocionais e realizei um processo completo de restauração sonora. A transferência recebeu tratamento de abertura de áudio e recuperação de equalização por meio do plug-in U-He Satin, buscando restaurar o brilho e a definição parcialmente abafados pela transcrição original do cassete. Como consequência natural desse processo, parte do ruído de fita tornou-se mais evidente, exigindo posteriormente uma drenagem e redução agressiva de ruído através da ferramenta de IA MVSep, preservando ao máximo a integridade musical e o caráter original das gravações — algo praticamente impossível em ferramentas tradicionais de redução de ruído, como Hiss Removal ou Noise Reduction convencionais, que frequentemente “metalizavam” o áudio e comprometiam transientes, ambiência e textura musical. 

Neste caso, o processamento baseado em treinamento neural permitiu uma separação muito mais precisa entre o conteúdo musical e o ruído de fita, resultando em uma restauração significativamente mais transparente e natural. Por esta razão, o resultado final impressiona. É, senão, uma das apresentações mais limpas e detalhadas já extraídas desse álbum engavetado de 1992, revelando nuances de produção e interpretação que muitas versões circulando online simplesmente enterravam sob chiado e degradação da fita.

Talvez o maior conflito envolvendo Sheryl Crow (1992) tenha sido justamente sua identidade artística. O álbum refletia fortemente o universo musical que cercava Sheryl Crow naquele período: músicos de altíssimo refinamento técnico, produção meticulosa e composições marcadas pela sofisticação melódica do pop adulto norte-americano do fim dos anos 80 e início dos 90. Ecos de artistas como Toto, Stevie Wonder, Kenny Loggins e até Michael Jackson parecem atravessar discretamente várias dessas gravações.

Não por acaso: antes da fama, Crow viveu intensamente os bastidores da indústria musical norte-americana como backing vocalista e colaboradora de estrada, absorvendo justamente esse padrão de excelência artística e precisão de estúdio. O resultado foi um álbum sofisticado, tecnicamente refinado e, em muitos momentos, distante da identidade folk-rock mais espontânea e interiorana que ela posteriormente escolheria para si.

Talvez tenha existido o receio de que aquelas canções acabassem definindo artisticamente uma versão de Sheryl Crow que ela própria não desejava — ou não acreditava conseguir sustentar a longo prazo. Ao abandonar esse projeto, Crow parece ter voltado simbolicamente às próprias raízes no Missouri, aproximando-se do folk, do country e de uma estética mais orgânica que culminaria em Tuesday Night Music Club.

Ainda assim, parte da força desse álbum cancelado está justamente em revelar uma outra possibilidade de carreira. Faixas como “All Kinds Of People”, coescrita com Kevin Gilbert, carregam uma luminosidade melódica quase solar — característica que seria posteriormente potencializada pela leitura reggae do Big Mountain e reinterpretada com elegância pop sofisticada por Tina Turner. Mesmo arquivado, Sheryl Crow permanece como um fascinante retrato de uma artista em pleno processo de definição de sua própria identidade.

Faixas:
01. All Kinds Of People
02. Father Sun 
03. What Does It Matter - feat. Don Henley
04. Indian Summer
05. I Will Walk With You
06. Love You Blind
07. Near Me
08. When Love Is Over 
09. You Want It All 
10. Hundreds Of Tears 
11. The Last Time
12. On Borrowed Time

Para baixar este álbum remasterizado em FLAC, clique AQUI.