terça-feira, 30 de junho de 2026

Renato Aragão - O Forró dos Trapalhões (1981)

Lançado em LP e K7 pela Ariola em 1981, O Forró dos Trapalhões chegou às lojas em um momento em que o quarteto vivia o auge da popularidade na televisão. Embora o repertório conte com as participações de Dedé Santana e Zacarias, o álbum foi oficialmente lançado em nome de Renato Aragão. Mussum, por sua vez, não integra as gravações, período em que também desenvolvia sua carreira fonográfica em lançamentos de samba pela RCA.

Inspirado nas tradicionais festas juninas, o disco confirma que Os Trapalhões já exploravam o mercado fonográfico por meio de álbuns temáticos. O repertório reúne forrós, baiões e canções bem-humoradas que dialogavam diretamente com o sucesso do grupo na televisão e com o universo das festas populares brasileiras.

Com direção artística de Marco Mazzola e produção de Luiz Cláudio Varella, o álbum combina forró, baião e outras sonoridades nordestinas ao humor característico dos Trapalhões. Entre os destaques está a participação especial de Sivuca na faixa "Seca e Chuva", reforçando a proposta musical do projeto.

Entre as nove faixas está "O Casamento da Filha do Faceta", única música do álbum disponibilizada oficialmente nas plataformas digitais, ao integrar a coletânea Festa no Arraial, lançada pela Universal Music em 2016, sob curadoria do jornalista Rodrigo Faour. Vale lembrar que a canção já havia sido apresentada ao público no álbum Os Trapalhões na TV, lançado pela Som Livre em 1979, que reunia áudios memoráveis do humorístico. É dessa gravação que muitos se recordam de Zacarias, vestido de filha caipira, dizendo: "Papai, eu quero me casar", seguido pela resposta de Renato Aragão, caracterizado como Faceta: "Pois, minha fia, ocê diga, com quem?", Para O Forró dos Trapalhões, a canção ganhou sua primeira versão musical completa, em ritmo de forró pé de serra, adaptada ao conceito do álbum.

Permanecendo inédito no meio digital por mais de quatro décadas, O Forró dos Trapalhões passa agora a ser disponibilizado pela primeira vez na íntegra na internet, em versão remasterizada a partir do LP original, preservando um capítulo pouco conhecido da discografia dos Trapalhões e da música popular brasileira.

Faixas:
01. A Velha Debaixo da Cama
02. Belorizonten - part. esp. Zacarias
03. As Pessoas e a Espingarda (A Mulher e a Espingarda) - part. esp. Dedé Santana
04. Rio de São Sebastião - part. esp. Dedé Santana e Zacarias
05. Seca e Chuva - part. esp. Sivuca
06. Terral
07. Cajuína
08. O Casamento da Filha do Faceta - part. esp. Zacarias
09. O Pau de Arara - part. esp. Dedé Santana e Zacarias

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Kiko e Kika - O Sapo Cantador (1987)

 

Lançado pela gravadora Copacabana em 1987, Kiko e Kika surgiu em um dos períodos mais férteis do mercado fonográfico infantil brasileiro. A segunda metade dos anos 1980 foi marcada pela expansão de coletâneas temáticas, personagens licenciados e artistas voltados ao público infantil, muitos deles derivados de programas de televisão ou concebidos especialmente para esse segmento, que vivia um momento de grande efervescência comercial.

Para dar personalidade aos sapos, as músicas utilizavam o efeito vocoder, responsável pelo timbre característico que remetia ao coaxar dos personagens. Embora o disco apresentasse dois protagonistas, Kiko e Kika não eram interpretados por uma dupla de cantores: todas as vozes foram gravadas por Jorge Gambier, que recorria ao processamento eletrônico para criar a convincente ilusão de dois personagens distintos. Vale diferenciar o vocoder — recurso amplamente empregado na disco music dos anos 1970 — do auto-tune moderno, utilizado principalmente para correção de afinação e como efeito vocal.

Produtor atuante na indústria fonográfica brasileira desde a década de 1970, Jorge Gambier foi o idealizador de Kiko e Kika e já havia assinado outros trabalhos de sucesso na Copacabana, como Disco Baby — que deu origem ao grupo As Melindrosas, formado pelas irmãs de Gretchen — e Os Três Patinhos (1980), outro projeto que explorava vozes processadas eletronicamente.

Antes de ganhar um álbum próprio, porém, Kiko e Kika estrearam no compacto "O Sapo Cantador", posteriormente incluído na coletânea No Mundo da Criança. Nos primeiros encartes, os personagens apresentavam um visual bastante diferente daquele que se tornaria mais conhecido: ilustrações inspiradas em esculturas de papel machê, desenvolvidas pela Casinha de Animação, conferiam aos sapos uma identidade visual singular para a época.

O álbum reúne 12 faixas que misturam canções tradicionais de domínio público, cantigas de roda e versões curiosas de sucessos populares, como "A Perereca da Vizinha", de Dicró, o clássico sertanejo "Fuscão Preto" e temas festivos como "Parabéns a Você". Como atrativo adicional, a parte frontal do encarte podia ser colorida pelas crianças.

A produção foi desenvolvida pela Som Indústria e Comércio S.A. (Copacabana Discos), a partir de uma concepção de Jorge Gambier, sob direção artística de Juvenal de Oliveira. As gravações ficaram a cargo dos técnicos Paulo Jurazo, Getúlio B. C. Júnior e Zécafi, enquanto a mixagem foi realizada por Paulo Jurazo e Getúlio B. C. Júnior. O corte do LP foi executado por Getúlio B. C. Júnior e a montagem ficou sob responsabilidade de Leandro E. Grandi, equipe que contribuiu para transformar a proposta de Gambier em um disco que soube combinar recursos eletrônicos, repertório infantil e uma identidade sonora bastante peculiar.

Para divulgar o lançamento, a Copacabana confeccionou fantasias dos personagens e escalou dois atores para interpretá-los em apresentações na televisão. Kiko e Kika participaram de programas infantis comandados por Xuxa, Mara Maravilha, Sérgio Mallandro e Angélica, além de atrações voltadas ao público adulto, como os programas de Chacrinha e Bolinha, ampliando a visibilidade do projeto em um período de forte concorrência no mercado infantil.

Faixas:
01. A Perereca Da Vizinha
02. O Computador (Computer)
03. Sapinho Encantado
04. Sapo Louco (Poco Loco)
05. Parabéns À Você
06. O Bom Menino
07. O Sapo Cantador (Do The Frogleg)
08. O Sapo
09. Pi Piruli (Ti Tiroli) (Qua Qua Qua)
10. Noite Feliz (Stille Nacht, Hellige Nacht) / Boas Festas
11. Gatinha Parda / Passarás, Passarás / Sapo Cururu
12. Fuscão Preto

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segunda-feira, 29 de junho de 2026

MPB4 - Tempo Tempo (1982)

Lançado em 1982 pela Ariola, Tempo Tempo marca um dos momentos mais interessantes da trajetória do MPB4. Em plena efervescência criativa da música brasileira, quando festivais como o MPB-80 e o MPB Shell revelavam novos compositores e aproximavam diferentes linguagens musicais, o quarteto demonstrava estar atento às transformações daquele cenário. Sem abrir mão da sofisticada identidade vocal que o consagrou desde os anos 1960, o grupo construiu um álbum que dialoga com a produção contemporânea e, ao mesmo tempo, reafirma o objetivo de comunicar a identidade artística do MPB4 ao grande público.

Essa característica se revela logo na escolha do repertório. Em vez de seguir uma única linha estética, com compositores tradicionais, Tempo Tempo estabelece uma ponte entre diferentes vertentes da canção brasileira. O disco abre com o samba Cavalo de Batalha um hino ao povo brasileiro que sofre mas não desiste das lutas diárias e traz uma mensagem de esperança em um tempo de transição rumo às Diretas Já, composto por Miltinho, José Renato (Boca Livre) e Paulo César Pinheiro – este, parceiro recorrente de Ivan Lins –, e  encerra sua sequência com a delicada Oração ao Tempo, de Caetano Veloso, comunicando que mesmo em meio a um processo de luta, era preciso calma e esperança para vencer os desafios da vida.

Em termos de renovação e busca de ares fora do grupo, o álbum apresenta Anjo Sereia, parceria entre Miltinho e Alceu Valença; traz O Gato (Teorema), de Danilo Caymmi e Paulo Jobim, reunindo duas importantes linhagens da música brasileira; resgata Desmame, de Renato Rocha, compositor ligado à cena pernambucana e parceiro de Geraldo Azevedo; e inclui Batalha, marcha composta por Paulo Rafael, guitarrista cuja trajetória atravessa experiências marcantes como o Ave Sangria e, posteriormente, a banda de Alceu Valença.

Mais do que uma simples reunião de canções, o álbum revela a impressionante capacidade do MPB4 de transformar essa diversidade em unidade. Samba, música nordestina, canção urbana, influências do jazz, da música instrumental e até ecos do rock psicodélico convivem naturalmente ao longo do disco, sem que em nenhum momento a identidade do grupo seja diluída. Pelo contrário: são justamente os característicos arranjos vocais do quarteto que funcionam como elemento de coesão, fazendo com que composições de universos tão distintos passem a integrar um mesmo discurso musical.

Um aspecto que a ficha técnica de Tempo Tempo deixa particularmente evidente é que o MPB4 jamais se limitou à condição de um quarteto vocal. Embora reconhecido pelo refinamento de suas harmonizações, o grupo também desempenhava um papel decisivo na concepção musical de seus discos. Em Tempo Tempo, essa característica aparece de forma inequívoca: Antonio José Waghabi Filho, o Magro, assina a maior parte dos arranjos, orquestrações e regências, enquanto Ruy Faria e Miltinho também contribuem como arranjadores em faixas específicas, evidenciando que a identidade sonora do álbum nasce no próprio grupo.

Gravado nos estúdios da SIGLA e reunindo alguns dos músicos mais respeitados da cena brasileira, o álbum, que tem Marco Mazzola na direção artística, ainda conta com nomes como Cesar Camargo Mariano, José Roberto Bertrami, Hélio Delmiro, Wilson das Neves, Márcio Montarroyos, Gilson Peranzzetta, Sivuca, Paulo Rafael, Danilo Caymmi e uma extensa formação de sopros e cordas. Longe de representar um desfile de participações especiais, cada músico contribui para ampliar a paleta sonora do disco, sempre em função das canções.

O repertório também dialogava com obras que ocupavam lugar de destaque naquele momento. A presença de Magia, composta por Kleiton Ramil e Magro, aproximava o grupo do grande público ao integrar a trilha sonora da novela Sétimo Sentido, exibida pela Rede Globo em 1982. Já a canção Almanaque, trata de incorporar uma canção de Chico Buarque, lançada pouco antes no álbum homônimo do compositor, reforçando o interesse do quarteto por compositores que continuavam renovando a música popular brasileira.

Mais de quatro décadas depois, Tempo Tempo permanece como um retrato de um período especialmente fértil da produção musical brasileira. Um tempo em que as fronteiras entre estilos pareciam menos importantes do que a força das boas canções; em que músicos vindos do samba, da MPB, da música nordestina, do jazz, da música instrumental e até do rock podiam compartilhar o mesmo estúdio e construir uma obra de rara coerência artística. O MPB4 compreendeu esse espírito e o traduziu em um álbum que continua recompensando audições atentas, revelando, faixa após faixa, a riqueza de um dos momentos mais criativos da música brasileira.

Embora a Universal Music detenha atualmente o catálogo oriundo da PolyGram e de selos como Ariola, Barclay, Elenco, Lança e Polydor, o álbum jamais recebeu uma edição digital completa a partir de suas masters originais. Como consequência, uma obra representativa de um dos momentos mais criativos da música brasileira permanece praticamente inacessível às novas gerações, tendo apenas a faixa Almanaque ao acesso do público por meio das coletâneas Millennium e Sem Limite. 

Em algum momento, a identidade artística de discos como Tempo Tempo parece ter deixado de interessar às sucessoras da PolyGram. A partir da consolidação dos projetos conjuntos entre MPB4 e Quarteto em Cy, o repertório do quarteto masculino passou a ser revisitado quase sempre sob a lógica das coletâneas, privilegiando as canções mais batidas, diluindo a personalidade dos álbuns originais. O resultado dessa política editorial é perceptível até hoje: enquanto compilações se sucedem, obras concebidas como experiências completas permanecem ausentes do mercado digital, impedindo que novas gerações conheçam canções interessantes e o contexto em elas nasceram.

Talvez seja justamente essa a maior injustiça cometida com Tempo Tempo. Lançado em uma fase de intensa renovação estética do MPB4, o álbum acabou obscurecido por uma memória discográfica que privilegia quase sempre os grandes marcos da década de 1970. Ao permanecer inédito no ambiente digital, deixa de contar a história de um grupo que, longe de repetir fórmulas, continuava experimentando, dialogando com novos compositores e reafirmando sua capacidade de reinventar a própria linguagem.

Disponibilizar este disco por meio de um projeto independente não significa apenas recuperar um álbum fora de catálogo. Significa devolver ao público uma obra que permanece relevante por sua inventividade, permitindo que uma nova geração descubra outras possibilidades sonoras da música brasileira e ressignifique um capítulo injustamente esquecido de nossa produção fonográfica.

Faixas:
01. Cavalo de Batalha
02. Mulher Maio
03. O Gato (Teorema)
04. Anjo Sereia
05. Almanaque
06. Magia
07. Desmame
08. Doce, Doce
09. Batalha
10. Oração ao Tempo

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Tarancón - Terra Canabis (1986)

Formado em 1972, o Tarancón é um dos primeiros grupos brasileiros dedicados à pesquisa, divulgação e integração da diversidade de ritmos e canções da América Latina. Reunindo músicos de diferentes origens latino-americanas, o grupo construiu uma identidade própria ao fundir tradições folclóricas andinas, afro-latino-americanas e elementos da música popular brasileira.

A formação original contou com nomes como Miriam Miráh, Emílio de Angeles Nieto, Marli Pedrassa, Alice Lumi, Halter Maia, Jica Nascimento e Juan Falú. A partir do terceiro álbum, Sérgio Turcão substituiu Juan Falú, e ao longo das décadas o grupo passou por diversas formações. 

Lançado pela Continental em 1986, Terra Canabis marca a estreia do Tarancón na gravadora e sintetiza a proposta musical desenvolvida pelo grupo desde sua formação. Sob produção, direção musical e arranjos assinados pelo próprio Tarancón, o álbum combina composições autorais, adaptações e obras tradicionais latino-americanas em um repertório que transita entre diferentes matrizes culturais do continente.

A repercussão alcançada por "Mira Ira (Povo Mel)" no Festival dos Festivais, em 1985, encontra continuidade neste álbum. Registrada originalmente no disco oficial do evento pela gravadora Som Livre, a composição de Lula Barbosa e Vanderlei de Castro recebeu duas novas versões em 1986: uma no álbum Os Tempos São Outros (Selo CBS), de Lula Barbosa, com arranjo de Wagner Tiso, violão de Victor Biglione e participação vocal de Miriam Miráh; e outra em Terra Canabis, reunindo novamente Miriam Miráh e o grupo Placa Luminosa, reafirmando a importância da obra naquele momento da trajetória do Tarancón.

A própria ficha técnica evidencia a amplitude sonora de Terra Canabis. Os arranjos articulam instrumentos característicos da tradição musical latino-americana — como quena, zampoña, charango, cuatro, bombo, udu e moxeño — com piano, cordas, metais, saxofones, guitarra elétrica, viola caipira e uma ampla variedade de instrumentos de percussão. Longe de constituir um recurso meramente ornamental, essa diversidade instrumental traduz a identidade musical construída pelo Tarancón desde sua formação.

Os créditos revelam igualmente o caráter coletivo do álbum. Sérgio Turcão, Emílio de Angeles, Jica Nascimento, Jê e Miguel alternam funções instrumentais e vocais ao longo das faixas. Essa mesma diversidade se reflete na seleção das obras, que reúne composições dos integrantes do grupo, temas do folclore peruano e mexicano, peças de compositores latino-americanos como Eduardo Carrasco e Roberto Pernán e a releitura de "Eleanor Rigby", de Lennon e McCartney. Lula Barbosa também contribui como coautor de "Tomaracá", ao lado de Glads Jr., além de participar como convidado em "Suitenegra".

Faixas:
01. Gostosa
02. Eleanor Rigby
03. Tomaracá
04. Mira Ira (Povo Mel) (feat. Placa Luminosa,Miriam Mirah)
05. Contraste
06. Cholito Pantalón Blanco
07. Candombe Para José
08. Suitenegra (feat. Lula Barbosa)
09. Male Betulia

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Placa Luminosa - Neon (1982)

Lançado em 1982 pela Lança Discos, com fabricação e distribuição da PolyGram, Neon representa um dos momentos mais importantes da trajetória do Placa Luminosa. Muito antes da banda conquistar espaço nas rádios FM com os sucessos que marcaram o final da década de 1980 e o início dos anos 1990, o grupo vivia uma fase de intensa renovação artística, buscando uma identidade própria sem abrir mão do elevado nível técnico que sempre caracterizou seus integrantes.

A história do Placa Luminosa começou em 1977, quando a banda surgiu com uma proposta voltada ao rock progressivo e tinha Jessé como vocalista. Nos anos seguintes, entretanto, o grupo passou por uma profunda transformação musical. Sem abandonar o refinamento instrumental herdado de suas origens, incorporou novas influências e passou a dialogar com a moderna linguagem da música popular brasileira que ganhava força nas rádios FM e nos grandes festivais do início da década de 1980.

Neon representa o momento em que o Placa Luminosa decidiu ampliar seus horizontes musicais. Sem abandonar o refinamento instrumental que o acompanhava desde os tempos do rock progressivo, a banda incorporou elementos do soul, do reggae, do samba-rock, do fusion e do jazz-funk para construir uma identidade pop absolutamente própria. O reconhecimento comercial ainda demoraria alguns anos para chegar, mas as bases da sonoridade que marcaria a trajetória do grupo já estavam solidamente estabelecidas neste álbum.

A formação registrada no álbum reúne:

  • Jota Moraes (teclados), 
  • Ari Nascimento (baixo), 
  • Luizão Gadelha (In Memoriam) (bateria e percussão), 
  • Riba Nascimento (In Memoriam) (guitarras, violões e vocais), 
  • Marcos Castro Assis (vocais), 
  • Fabinho Freire (vocais), 
  • Mário Lúcio Marques (saxofones e flauta) e
  • Nahor Gomes (trompete e flugelhorn)

O resultado é um conjunto extremamente equilibrado, capaz de alternar momentos de grande sofisticação instrumental com melodias acessíveis e arranjos vocais cuidadosamente elaborados.

As dez faixas demonstram a maturidade criativa do grupo. Compositores como Riba Nascimento, Mário Lúcio Marques, Fabinho Freire e outros parceiros próximos constroem um repertório variado, onde convivem grooves marcantes, harmonias refinadas, baladas e momentos instrumentais de grande riqueza musical. Faixas como "Os Olhos de Vera" e "Neon", ambas instrumentais, evidenciam o virtuosismo dos músicos sem que isso se sobreponha à musicalidade do conjunto.

Pouco depois do lançamento de Neon, o talento do Placa Luminosa ultrapassaria definitivamente os limites de sua própria discografia. A banda foi escolhida para acompanhar César Camargo Mariano na turnê brasileira do álbum A Todas as Amizades, gravado originalmente com músicos norte-americanos, e posteriormente tornou-se a banda de apoio de Ney Matogrosso no espetáculo Destino de Aventureiro. Essas experiências consolidaram a reputação do grupo como uma das formações mais competentes do país, abrindo caminho para a fase de maior projeção nacional que viria alguns anos mais tarde.

Mais de quatro décadas após seu lançamento, Neon continua despertando o interesse de pesquisadores, músicos e colecionadores por registrar um momento singular da música brasileira. O álbum documenta uma banda em plena transformação artística, refletindo uma época em que a MPB dialogava com diferentes influências internacionais sem perder sua identidade. Essa combinação entre criatividade, excelência técnica e autenticidade faz de Neon uma obra que permanece atual e merece ser redescoberta pelas novas gerações.

Para esta edição do Gazeta do Som, o álbum recebeu remasterização a partir das melhores fontes disponíveis, sendo adquirido na tradicional Feira de Discos de Nova Odessa através do expositor DJ Regi (Salto-SP). Além disso, as artes originais foram restauradas. Mais do que recuperar a qualidade sonora e visual deste trabalho, esta edição procura preservar um importante capítulo da história da música brasileira, permitindo que Neon seja ouvido e apreciado hoje com a mesma riqueza artística concebida por seus criadores em 1982.

Faixas:
01. Grande Circo Universal
02. Natureza
03. Vendaval
04. Os Olhos de Vera (Instrumental)
05. Quero Ver Girar
06. Luz
07. Mergulho
08. Fulano de Tal
09. Neon (Instrumental)
10. Veio D'Agua

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sexta-feira, 26 de junho de 2026

Leandro & Leonardo - Maggi, o Caldo Nobre da Galinha Azul (1993)



Entre os materiais promocionais mais curiosos envolvendo artistas da música sertaneja está esta rara fita cassete distribuída pela Maggi em parceria com a Chantecler. Produzida exclusivamente para uma ação promocional da marca, ela reúne seis grandes sucessos de Leandro & Leonardo e apresenta a exclusiva "Amor Com Tempero", gravação realizada especialmente para a campanha.

A seleção traz "Desculpe Mas Eu Vou Chorar", "Talismã", "Paz Na Cama", "Pense Em Mim", "Não Aprendi Dizer Adeus", "Entre Tapas E Beijos" e encerra com "Amor Com Tempero", faixa que permanece exclusiva desta fita promocional e representa um dos maiores atrativos do lançamento.

Esta publicação nasceu graças à colaboração do colecionador Gilmar Davel, de Cariacica (ES), integrante do fã-clube de Leandro & Leonardo. Após adquirir recentemente esta rara fita promocional, ele realizou a digitalização da fita em seu tape deck Kenwood e gentilmente compartilhou o arquivo com o Gazeta do Som para que este trabalho de preservação pudesse ser desenvolvido.

A restauração teve início com a remoção do ruído de fundo (hiss) por meio do algoritmo DeNoise, utilizando o modelo Gabox, preservando integralmente o conteúdo musical da gravação. Em seguida, foi aplicada uma nova equalização utilizando o Satin, complementada pelo recurso Clarity (Bright Drums) do iZotope Ozone,  buscando recuperar definição, presença e equilíbrio tonal sem descaracterizar a sonoridade original da fita.

Na etapa final, o áudio passou por normalização de volume e por uma criteriosa correção da velocidade de reprodução (pitch real) no Sound Forge, restabelecendo a afinação original das músicas. Com o pitch corrigido, também foi realizada uma nova indexação das faixas por meio de arquivo CUE, permitindo determinar suas durações exatas — informação ausente na embalagem original.

As imagens da fita passaram igualmente por um processo de restauração digital, recuperando a nitidez dos rótulos e preservando fielmente todas as informações impressas, sem reconstruções ou alterações de conteúdo.

Com 24 minutos e 12 segundos de duração, esta fita demonstra que seu objetivo nunca foi funcionar como uma coletânea convencional. Seu propósito era promover a parceria entre a Maggi e Leandro & Leonardo, reunindo alguns dos maiores sucessos da dupla ao lado de uma gravação exclusiva que, décadas depois, continua despertando o interesse de colecionadores.

O valor histórico desta fita torna-se ainda maior ao observar a autoria de "Amor Com Tempero". A composição é uma encomenda da Agência MCR e assinada por Cesar Brunetti, um dos mais importantes criadores de jingles da publicidade brasileira. Entre seus trabalhos mais conhecidos estão os inesquecíveis "Pipoca e Guaraná" e "Pizza com Guaraná", além da campanha dos bichinhos da Parmalat ("O elefante é fã de Parmalat...") e da canção-tema da primeira campanha presidencial vitoriosa de Fernando Henrique Cardoso. A presença de uma composição de Brunetti reforça que a Maggi investiu em um projeto publicitário de alto nível, reunindo uma das maiores duplas sertanejas do país e um compositor responsável por alguns dos jingles mais marcantes da televisão brasileira.

A canção "Amor Com Tempero" se tornou conhecida pela propaganda exibida na televisão no ano de 1993. Mais do que um simples brinde promocional, este lançamento constitui um importante documento da relação entre a indústria fonográfica e a publicidade brasileira, preservando um capítulo pouco conhecido da trajetória de Leandro & Leonardo e da própria história das campanhas promocionais da Maggi.

Faixas:
01. Desculpe Mas Eu Vou Chorar
02. Talismã
03. Paz Na Cama
04. Pense Em Mim
05. Não Aprendi Dizer Adeus
06. Entre Tapas E Beijos
07. Amor Com Tempero

Para baixar a Fita Promocional em FLAC, clique AQUI.

Grandes Autores - José Augusto (1995)

1995 marcou o lançamento de Grandes Autores – José Augusto, projeto idealizado pela BMG Ariola para celebrar uma das facetas mais importantes da carreira de José Augusto: a de compositor. Com direção artística de Sergio de Carvalho, seleção de repertório assinada por Francisco Rodrigues e projeto concebido por Marcos Jucá, o álbum reúne gravações que evidenciam a versatilidade do artista ao escrever para diferentes intérpretes da música brasileira.

Em vez de apresentar regravações inéditas, o disco resgata registros originais de sucessos compostos por José Augusto e eternizados nas vozes de nomes como Alcione, Chrystian & Ralf, Fafá de Belém, Leonardo, Patricia Marx, Matogrosso & Mathias, Xuxa, Sérgio Reis e Trem da Alegria. O repertório percorre o romantismo, a música sertaneja e a MPB, demonstrando a amplitude de sua produção autoral ao longo das décadas de 1980 e 1990.

O encerramento fica por conta de "Fantasias", interpretada pelo próprio José Augusto, reforçando o conceito da coleção Grandes Autores: colocar o compositor no centro da homenagem, independentemente de quem tornou cada canção conhecida. Mais do que uma simples coletânea, o álbum funciona como um retrato da influência de José Augusto na música popular brasileira.

Faixas:
01. O Que Eu Faço Amanhã - Alcione
02. Perdoa - Chrystian & Ralf
03. Só Pra Te Ver Feliz - Fafá de Belém
04. Evidências - Leonardo
05. Quando Estou com Você - Patricia Marx
06. Página Virada - Dudu & Darly
07. Querer É Poder - José Augusto & Xuxa
08. Sábado - Matogrosso & Mathias
09. Metade de Mim - Alcione
10. Deus, o Que Fazer? - José Augusto & Sérgio Reis
11. Tudo É Vida - Trem da Alegria
12. Fantasias - José Augusto

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Jim Croce - A Nashville Tribute (1997)

Jim Croce – A Nashville Tribute foi lançado em 1997 pela River North Nashville Records, com produção de Brent Rowan e Ira Antelis, sob produção executiva de Steve Devick. Distribuído pela PolyGram Group Distribution, o projeto reúne alguns dos principais nomes da música country norte-americana da década de 1990 em uma homenagem ao cantor e compositor Jim Croce, cuja obra permanece entre as mais influentes da música popular dos Estados Unidos.

Diferentemente de muitos discos tributo que buscam reinventar completamente o repertório homenageado, A Nashville Tribute preserva a essência das composições de Croce, transportando-as para uma sonoridade tipicamente country. Violões, steel guitar, fiddle e arranjos característicos de Nashville conferem uma nova atmosfera às canções sem descaracterizar as melodias e letras que consagraram o artista.

O repertório percorre diferentes fases da carreira de Jim Croce. Sammy Kershaw abre o álbum com uma interpretação de "I Got a Name", enquanto Charlie Daniels imprime sua personalidade em "Box #10". Rodney Crowell revisita "Operator (That's Not the Way It Feels)", Kim Carnes assume "Bad, Bad Leroy Brown", e Michael English encerra o disco com uma sensível leitura de "Time in a Bottle", um dos maiores clássicos do compositor.

Outro aspecto interessante é a diversidade dos intérpretes. O álbum reúne artistas ligados ao country tradicional, ao country contemporâneo e até ao gospel, demonstrando como a obra de Jim Croce transcende estilos musicais e continua dialogando com diferentes gerações de músicos. Em vez de buscar releituras radicais, a proposta é celebrar a força das composições através da identidade sonora de Nashville.

O resultado é uma homenagem elegante e consistente, que evidencia o quanto o cancioneiro de Jim Croce se adapta naturalmente ao universo da música country. Para admiradores do compositor — e também para quem aprecia as produções de Nashville dos anos 1990 — trata-se de um tributo que respeita o legado do artista ao mesmo tempo em que oferece novas interpretações de seu repertório.

A carreira de Jim Croce foi interrompida de forma trágica em 20 de setembro de 1973. O cantor e seus acompanhantes embarcaram em um avião particular após uma apresentação em Natchitoches, Louisiana, com destino ao Texas, onde cumpririam o compromisso seguinte da turnê. Poucos minutos após a decolagem, a aeronave caiu, matando todos os ocupantes.

Nota curiosa: este é um daqueles discos que provavelmente eu jamais encontraria em uma loja convencional. Produzido e lançado apenas nos Estados Unidos, ele chegou até mim por meio de um bazar do Sebo do Formiga (Piracicaba-SP), onde um ex-colecionador colocou parte de seu acervo à venda. Graças a esse acaso, foi possível disponibilizar mais esta homenagem para o público.

Faixas: 
01. I Got a Name - Sammy Kershaw
02. Box #10 - Charlie Daniels
03. New York's Not My Home - Ronna Reeves
04. One Less Set of Footsteps - Larry Stewart
05. Photographs and Memories - Crystal Bernard
06. Rapid Roy (The Stock Car Boy) - Mark Collie
07. Operator (That's Not the Way It Feels) - Rodney Crowell
08. Bad, Bad Leroy Brown - Kim Carnes
09. I'll Have to Say I Love You in a Song - Lane Brody
10. You Don't Mess Around With Jim - Charlie Major
11. Time in a Bottle - Michael English

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Los Rolin - Gipsy Beatles (1991)

Los Rolin – Gipsy Beatles foi lançado em 1991 pela Sony Music Entertainment (Spain) S.A. e produzido por Alex Soler, Sergio Solís e Jorge Álvarez. Os arranjos ficaram a cargo de Alex Soler e Sergio Solís, enquanto a engenharia de som foi realizada por Albert Moraleda e Sergio Solís. A mixagem recebeu a assinatura de Alex Soler e John Sonneveld, reunindo uma ampla equipe de músicos e intérpretes dedicados a transportar o repertório de Lennon & McCartney para o universo da rumba flamenca.

Originalmente lançado na Espanha com o título Por Rumbas, o álbum ganhou edições em CD em diversos países da Europa. Em Portugal e na Venezuela, também foi disponibilizado em LP — além da edição portuguesa em fita cassete. No Brasil, recebeu o título Gipsy Beatles, chegando ao mercado nos três formatos (LP, CD e K7), numa clara referência ao enorme sucesso internacional dos Gipsy Kings no final da década de 1980 e início dos anos 1990.

A produção reúne um grande elenco de músicos. Alex Soler também assume o baixo, enquanto os violões ficam a cargo de Antonio, Chenco, Paco Aguilera e Pedro Javier. Os bongôs são executados por El Tronio, e os vocais são divididos entre Ana Voltas, Chenco, Juan Fernández, Juan Patricio, Manuel Escudero, Mónica César, Paco Aguilera, Piedad Rangel e Robert López, sendo Paco Aguilera o responsável pelos vocais solistas. Todas as composições são creditadas à dupla John Lennon / Paul McCartney.

O repertório percorre alguns dos maiores clássicos dos Beatles em versões marcadas pela rumba flamenca, preservando as melodias originais enquanto incorpora violões espanhóis, palmas e percussões características do gênero. Entre os destaques estão "Help!", "Yesterday", "She Loves You", "Something" e "All My Loving", além de um medley que reúne seis sucessos do quarteto de Liverpool. O álbum ainda apresenta versões em espanhol de "And I Love Her", "Help!" e "Yellow Submarine", reforçando a proposta de aproximar esse repertório da cultura musical hispânica.

O resultado é uma homenagem que preserva as melodias imortalizadas pelos Beatles, mas lhes confere uma personalidade própria através da rumba flamenca. Embora mundialmente conhecido como Por Rumbas, foi o título brasileiro Gipsy Beatles que acabou se tornando o nome pelo qual muitos colecionadores latino-americanos ainda identificam o álbum.

Faixas: 
01. Help
02. She Loves You
03. Yellow Submarine
04. Yesterday
05. Nowhere Man
06. And I Love Her
07. I Should Have Known Better
08. Medley: Yellow Submarine / She Loves You / Michelle / All You Need Is Love / All Together Now / Yesterday
09. Ob-La-Di, Ob-La-Da
10. All My Loving
11. And I Love Her (Español)
12. Help (Español)
13. Something
14. Yellow Submarine (Español)

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Conception - An Interpretation Of Stevie Wonder's Songs (2003)

Conception – An Interpretation Of Stevie Wonder's Songs é um álbum tributo lançado em 2003 pela Motown Records, reunindo alguns dos principais nomes da música soul, R&B, pop e reggae contemporâneos para celebrar a extraordinária obra de Stevie Wonder. Produzido por Kedar Massenburg e pelo próprio Stevie Wonder, o projeto apresenta novas interpretações de clássicos que ajudaram a consolidar o compositor como uma das figuras mais influentes da música popular.

O repertório percorre diferentes fases da carreira de Stevie Wonder, revisitando canções que se tornaram referências para diversas gerações de artistas. O álbum reúne interpretações de Eric Clapton, Mary J. Blige, Joe, Brian McKnight, Marc Anthony, Angie Stone, India.Arie, Musiq, Glenn Lewis, Dave Hollister e John Mellencamp, além de uma marcante participação da família Marley em "Master Blaster", com Stephen, Damian, Ky-Mani e Julian Marley acompanhados por Spragga Benz. Cada artista imprime sua identidade às composições, preservando a essência melódica e a riqueza lírica que caracterizam a obra de Stevie.

As gravações foram realizadas em estúdios localizados em importantes centros da produção musical norte-americana, como Nova York, Los Angeles, Filadélfia, Atlanta e Miami, além da histórica Marley Music Studios, em Kingston, Jamaica. A masterização ficou a cargo de Chris Gehringer, garantindo unidade sonora a um projeto que transita naturalmente entre soul, R&B, pop, reggae e influências do gospel contemporâneo.

Um dos aspectos mais significativos do álbum é a participação direta de Stevie Wonder como produtor. Sua presença confere autenticidade ao tributo e evidencia o envolvimento do próprio homenageado na releitura de seu catálogo, reforçando o caráter oficial da produção e o respeito artístico entre compositor e intérpretes.

Mais do que uma coletânea de versões, Conception – An Interpretation Of Stevie Wonder's Songs celebra a permanência e a universalidade das composições de Stevie Wonder. Ao reunir artistas de diferentes estilos e trajetórias, o álbum demonstra como suas canções continuam inspirando novas interpretações sem perder a força, a sensibilidade e a sofisticação que as transformaram em clássicos da música mundial.

Faixas: 
01. Higher Ground - Eric Clapton
02. Superstition - Glenn Lewis
03. That Girl - Joe feat. Mr. Cheecks
04. Master Blaster - Stephen Marley feat. Damian "Jr. Going Marley, Kymani Marley, Julian Marley & Spragga Benz
05. Another Star - Caron Wheeler
06. Overjoyed - Mary J. Blige
07. You Will Know - Angie Stone
08. Send One Your Love - Brian McKnight
09. All In Love Is Fair - Marc Anthony
10. Rocket Love - Black Coffey
11. Visions - Musiq
12. Love's In Need Of Love Today - Dave Hollister
13. I Don't Know Why I Love You - John Mellencamp
14. Wonderful - India.Arie

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So Amazing - An All-Star Tribute To Luther Vandross (2005)

So Amazing – An All-Star Tribute to Luther Vandross é um álbum tributo lançado em 2005 pela J Records para celebrar a extraordinária carreira e o legado de Luther Vandross, um dos maiores intérpretes da música soul e R&B. Produzido executivamente por Clive Davis, o projeto reúne um elenco de grandes artistas da música internacional, cada um reinterpretando alguns dos maiores sucessos do cantor com personalidade própria, mas preservando a elegância e a sofisticação que marcaram a obra de Luther.

O álbum apresenta interpretações de nomes consagrados como Mary J. Blige, Usher, Beyoncé, Stevie Wonder, Aretha Franklin, Donna Summer, Alicia Keys, Elton John, Celine Dion, Babyface, Patti LaBelle, John Legend, Angie Stone, Wyclef Jean e Jamie Foxx. Um dos momentos mais especiais é a faixa "Anyone Who Had a Heart", um emocionante dueto entre Elton John e o próprio Luther Vandross, tornando a homenagem ainda mais significativa.

Gravado em diversos estúdios renomados dos Estados Unidos, entre Los Angeles, Nova York, Atlanta, Detroit, Nashville, Filadélfia, Miami e Virginia Beach, o álbum contou com uma equipe técnica de primeira linha. A mixagem ficou a cargo de Serban Ghenea em grande parte das faixas, enquanto a masterização foi realizada por Chris Gehringer no Sterling Sound, garantindo um acabamento sonoro refinado e de alta qualidade.

Mais do que um simples álbum de covers, So Amazing – An All-Star Tribute to Luther Vandross representa uma celebração da influência duradoura de Luther Vandross sobre gerações de artistas. Cada interpretação evidencia o respeito e a admiração dos convidados por um cantor cuja voz inconfundível e talento como compositor ajudaram a definir o R&B contemporâneo. O resultado é uma coletânea emocionante, elegante e repleta de performances memoráveis, que reafirma a importância de Luther Vandross como um dos maiores nomes da música romântica e soul de todos os tempos.

Faixas: 
01. Never Too Much - Mary J. Blige
02. Superstar - Usher
03. 'Til My Baby Comes Home - Fantasia
04. So Amazing - Beyoncé & Stevie Wonder
05. A House Is Not A Home - Aretha Franklin
06. Power Of Love - Donna Summer
07. If This World Were Mine - Alicia Keys feat. Jermaine Paul
08. Anyone Who Had A Heart - Elton John & Luther vandross
09. Dance With My Father - Celine Dion 
10. Always & Forever - Wyclef Jean
11. If Only For One Night - Babyface
12. Here & Now - Patti Labelle
13. Love Won't Let Me Wait - John Legend
14. Since I Lost My Baby - Angie Stone
15. Creepin' - Jamie Foxx 

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quinta-feira, 25 de junho de 2026

Queen Dance Traxx (1996)


Queen Dance Traxx I é um projeto idealizado por Helmut Fest e produzido pela Akropolis Musik und Film em parceria com a EMI Electrola (Alemanha), com direção de arte assinada pela Werbe Pleth GmbH. Lançado em CD em 1996 e distribuído pela EMI Music, o álbum surgiu em um momento em que o Eurodance dominava as pistas de dança europeias, propondo uma ousada releitura do repertório do Queen sob a estética eletrônica característica da década.

Ao longo de suas 16 faixas, clássicos da banda britânica recebem novas interpretações influenciadas pelo Eurodance, Bubblegum Pop e Happy Hardcore, estilos que marcaram profundamente a música eletrônica dos anos 90. O projeto também chama atenção pela impressionante reunião de artistas pertencentes a gravadoras concorrentes, como BMG Ariola, Edel, Intercord, Motor Music, Polydor, Sony Music e Virgin. Essa articulação, registrada nos agradecimentos do encarte, demonstra a dimensão da iniciativa e o prestígio que o catálogo do Queen exercia na indústria fonográfica.

Outro aspecto marcante é a apresentação gráfica do livreto, que hoje funciona como uma verdadeira cápsula do tempo. Além das informações sobre o projeto, o material reúne fotografias promocionais de alguns dos maiores nomes da cena dance da época, entre eles Scatman John, E-Rotic, Mr. President — em sua fase de maior sucesso — e o projeto Music Instructor, preservando visualmente um dos períodos mais populares da música eletrônica europeia.

Entre os destaques do repertório está "Radio Ga Ga", construída a partir dos vocais originais de Freddie Mercury e enriquecida com a participação do suíço DJ Bobo. Produzida pelo próprio René Baumann, nome verdadeiro do artista, a faixa incorpora elementos característicos do euro-rap, aproximando um dos maiores sucessos do Queen da linguagem das pistas de dança dos anos 90. A boa recepção da gravação fez com que ela também fosse incluída em algumas edições do álbum World In Motion. No Brasil, a PolyGram lançou uma edição sob o catálogo nº 011 238-2, promovendo "Radio Ga Ga" à faixa de abertura, em vez de mantê-la como bônus.

O encerramento fica por conta do supergrupo Acts United, reunindo praticamente todos os artistas participantes para interpretar "We Are The Champions". A gravação funciona como uma celebração coletiva do legado do Queen, remetendo ao espírito de grandes encontros beneficentes da música pop e encerrando o álbum de forma grandiosa.

Mais do que um simples álbum de versões, Queen Dance Traxx I representa um curioso registro de uma época em que o universo dance reinterpretava repertórios consagrados do rock com criatividade e personalidade. Independentemente das preferências por esta ou aquela releitura, o projeto evidencia a versatilidade das composições do Queen e sua capacidade de atravessar estilos musicais sem perder sua identidade.

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We Love The Bee Gees (1997/1998)

We Love The Bee Gees é um projeto produzido pela BMG Ariola Media (Alemanha), idealizado por Götz Kiso e Marcel Engh, com identidade visual desenvolvida por Anton Stürzer Grafik Design. Lançado originalmente em CD em 1997 na Alemanha, o álbum foi posteriormente distribuído em diversos países europeus. O projeto também recebeu uma edição em fita cassete no Líbano e chegou ao Brasil e à Tailândia em 1998, ampliando sua presença internacional.

A coletânea reúne 16 releituras inspiradas no repertório dos Bee Gees, explorando sonoridades ligadas ao Eurodance, Pop, Hip-Hop e música eletrônica do final dos anos 1990. Demonstrando reconhecimento pela iniciativa, Barry, Robin e Maurice Gibb autorizaram a utilização de uma declaração oficial na contracapa do álbum, na qual expressam orgulho por terem influenciado os artistas participantes e agradecem a homenagem prestada ao legado do trio.

Entre os aspectos técnicos mais interessantes está a utilização de samples extraídos diretamente das gravações originais dos Bee Gees em três faixas do disco: "Tragedy", do Whirlpool Productions, "You Should Be Dancing", do Three 'N One, e "World", de Marusha. Esse recurso aproxima algumas releituras da sonoridade original, ao mesmo tempo em que as insere na estética eletrônica característica da década.

O repertório também revela um momento importante da cena pop europeia ao incluir a participação do grupo *N Sync. Antes de conquistar o mercado norte-americano e alcançar projeção mundial, o quinteto consolidava sua carreira na Europa por meio de produções influenciadas pelo Eurodance e pelo dance-pop que dominavam as rádios e pistas de dança do continente. Encerrando o álbum, o grupo apresenta um medley à capela reunindo "Jive Talking", "Too Much Heaven", "How Deep Is Your Love" e "Stayin' Alive", oferecendo uma homenagem elegante às harmonias vocais que sempre estiveram entre as maiores marcas registradas dos Bee Gees.

Mais do que uma simples coletânea de versões, We Love The Bee Gees registra um período em que a música eletrônica europeia revisitava grandes catálogos da música pop internacional, aproximando novas gerações da obra dos irmãos Gibb. O resultado é um tributo que preserva o espírito das composições originais enquanto as transporta para a identidade sonora que marcou o final dos anos 1990.

Curiosidade: Apesar de reunir diversos nomes da cena Eurodance, a coletânea não inclui a versão de Stayin' Alive gravada pelo N-Trance em 1995, uma das releituras mais populares do repertório dos Bee Gees naquele período.

Faixas: 
01. How Deep Is Your Love - Take That
02. Too Much Heaven - Sash! featuring Debbie Cameron
03. You Win Again - Captain Jack
04. Nights On Broadway - Masterboy
05. World - U96
06. I Started A Joke - Element Of Crime
07. Massachusetts - Vivid
08. More Than A Woman - Triab
09. Too Much Heaven - Nana
10. Juliet - 3 Deep
11. Die Menschen Sind Kalt (Wind Of Change) - Andreas Dorau
12. Tragedy - Whirlpool Productions
13. You Should Be Dancing - Three 'n One
14. Night Fever - Ex-It
15. World - Marusha
16. The Bee Gees Tribute (Acapella) - N' Sync

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James Ingram - Forever More: Love Songs, Hits & Duets (1999)

 

O currículo de James Ingram é motivo de admiração, e sua voz permanece como um verdadeiro bálsamo para os ouvidos. Sua trajetória musical teve início nos anos 1970, quando atuava como instrumentista e compositor na banda de funk e soul Revelation Funk, em sua cidade natal, Akron, Ohio. Em busca de oportunidades na indústria fonográfica, o grupo mudou-se para Los Angeles e chegou a participar da trilha sonora do filme Dolemite (1975). Quando as dificuldades financeiras levaram os demais integrantes a retornar para casa, Ingram decidiu permanecer na Califórnia. Para se sustentar, trabalhou como músico de estúdio e de turnê, chegando a ocupar os cargos de pianista e diretor musical do lendário Ray Charles.

O grande ponto de virada de sua carreira surgiu de forma inesperada — e por apenas 50 dólares. Os compositores Barry Mann e Cynthia Weil precisavam registrar uma fita demo da recém-escrita "Just Once" para apresentar a canção a produtores e gravadoras. Ingram foi contratado para gravar os vocais-guia e recebeu cinquenta dólares pelo trabalho. A gravação acabou chegando às mãos do renomado produtor Quincy Jones, que ficou impressionado com a combinação de técnica, emoção e personalidade daquele cantor até então desconhecido. Determinado a descobrir quem era o dono da voz, Quincy o convidou para integrar o elenco de seu aclamado álbum The Dude (1981), lançando definitivamente sua carreira em escala internacional. O resultado não demorou a aparecer: em 1982, Ingram conquistou o Grammy de Melhor Performance Vocal Masculina de R&B por "One Hundred Ways", enquanto "Just Once" se transformava em um dos maiores clássicos de sua discografia.

A partir dali, sua trajetória consolidou-se por meio de colaborações memoráveis. Em 1985, venceu o Grammy de Melhor Performance de R&B por Duo ou Grupo ao lado de Michael McDonald com a contagiante "Yah Mo B There". No mesmo período, integrou o histórico projeto USA for Africa, tornando-se uma das vozes de destaque em "We Are The World". Alguns anos depois, seus caminhos voltaram a cruzar-se com os de Barry Mann e Cynthia Weil. 

Anos mais tarde, os caminhos de James Ingram voltariam a se cruzar com os de Barry Mann e Cynthia Weil. Os mesmos compositores que, no início da década de 1980, lhe deram a oportunidade de gravar a demo de "Just Once" — gravação que acabaria chamando a atenção de Quincy Jones — convidaram-no novamente para emprestar sua voz a uma de suas composições mais célebres. Ao lado de Linda Ronstadt, Ingram interpretou "Somewhere Out There", tema do filme Fievel – Um Conto Americano. A canção recebeu indicação ao Oscar de Melhor Canção Original e tornou-se um sucesso mundial, fechando de forma simbólica um ciclo iniciado anos antes com uma simples fita demo de cinquenta dólares. Em 1988, poucos poderiam imaginar que aquela parceria renderia dois Grammy Awards — Canção do Ano e Melhor Canção Escrita para Cinema ou Televisão — consolidando uma colaboração marcada por talento, confiança mútua e resultados extraordinários.

É impossível ignorar o peso de sua voz em algumas das mais marcantes trilhas sonoras do cinema. Entre elas estão "How Do You Keep the Music Playing?", em dueto com Patti Austin para o filme Amigos Muito Próximos (Best Friends), indicada ao Oscar de Melhor Canção Original, e a delicada "The Day I Fall in Love", gravada ao lado de Dolly Parton para a trilha sonora de Beethoven 2. Ao longo de sua carreira, Ingram também alcançou o topo da Billboard Hot 100 com dois grandes sucessos: o dueto "Baby, Come to Me", com Patti Austin, e a balada solo "I Don't Have the Heart".

Grande parte desse catálogo histórico foi reunida em 1999 no álbum Forever More: Love Songs, Hits & Duets, lançado pela Private Music, selo pertencente ao grupo Windham Hill e distribuído pela BMG. Embora o repertório inclua algumas gravações originais, o principal atrativo do projeto está nas releituras inéditas que Ingram registrou para canções que marcaram sua carreira, revelando uma voz ainda mais madura e refinada.

Infelizmente, esse gigante da música nos deixou em janeiro de 2019, aos 66 anos, após uma batalha contra um câncer cerebral. Seu legado de sofisticação, elegância interpretativa e excelência vocal permanece intacto, garantindo-lhe um lugar de honra na história do R&B e da música popular contemporânea.

Faixas:
01. Forever More (with John Tesh)
02. I Believe I Can Fly
03. Baby Come to Me (with Patti Austin)
04. I Believe in Those Love Songs
05. Everything Must Change
06. Yah Mo B There (with Michael McDonald)
07. No Need to Say Goodbye
08. Just Once
09. Wish You Were Here (with Nancy Wilson)
10. One Hundred Ways
11. My Funny Valentine
12. Somewhere Out There (with Linda Ronstadt)
13. I Don't Have the Heart
14. The Day I Fall in Love (with Dolly Parton)

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segunda-feira, 22 de junho de 2026

O Trapalhão na Arca de Noé - Trilha Sonora do Filme (1984)

O Trapalhão na Arca de Noé é um filme escrito por Renato Aragão, Doc Comparato e Del Rangel com colaboração de Aguinaldo Silva, baseado no argumento de Renato Aragão. 

O filme conta com produção executiva de Renato Aragão, direção de Del Rangel, direção de fotografia de Carlos Egberto Silveira e montagem de Hélio Lemos e Dominique Páris. As empresas que viabilizaram a produção do filme são: Embrafilme, Renato Aragão Produções e Xuxa Produções.

Duda é faxineiro de zoológicos. Ele e seus amigos Kiko e Zeca estão ativamente engajados em um grupo de proteção animal. Por isso, eles são convocados pelo místico Noé para lutar contra caçadores de animais na região do Pantanal, no Brasil, que buscam peles de animais, e são liderados pelo maquiavélico Morel. Ao aceitarem a missão, conhecem pelo caminho, o arqueólogo Marcos e a fotógrafa Carla, que estão em busca de uma pirâmide fenícia perdida. Juntos, eles tentam derrotar os caçadores. Ou seja, um enredo bem paródia de Indiana Jones e Os Caçadores da Arca Perdida. 

Participam do elenco: Renato Aragão (Duda), Manfredo Colossanti (Noé), Fábio Villa Verde (Zeca), Gabriela Duarte (amiga de Zeca), Nádia Lippi (Carla), Sérgio Mallandro (Kiko), Milton Moraes (Morel), Dary Reis (Juarez), Gracindo Junior (Marcos) e Xuxa. 

Quanto a parte musical, embora o filme tivesse uma trilha instrumental produzida e orquestrada por Remo Usai, o filme teve uma trilha sonora musical própria, lançada em LP e K7 pela Som Livre, com  com direção artística de Max Pierre e direção de produção de Aramis Barros, trazendo Renato Aragão como única estrela do grupo Os Trapalhões.

Em 1984, o grupo – pode-se assim dizer – entrou em hiato para que Renato Aragão desse andamento com seus projetos cinematográficos por meio da Renato Aragão Produções, enquanto seus colegas Dedé Santana, Mussum e Zacarias formaram a DaMuZa Produções e produziram naquele mesmo ano o filme Atrapalhando a Suate. 

Aqui na trilha sonora veremos Renato Aragão em parceria com artistas do pop rock que estavam surgindo na cena musical daquele ano: Bruno Nunes (creditado como Bruno), João Paulo, Lula Queiroga e Caxa Aragão (membros do grupo Xarada) e Cazuza (destacando-se da banda Barão Vermelho), além dos veteranos Wando, Sérgio Sá, Eduardo Dusek e Viva Voz. Participam do LP as crianças Nana (que é a Nanã-Shara, filha da Baby e Pepeu), Marya (que é Marya Bravo) e as irmãs Gabriela e Tatiana Ferreira e o Orlando Drummond (como papagaio).

O trabalho é uma obra do cinema e do rock nacional que merece revisitação. Confira!

Faixas:
01. Festança na Arca - Nana, Marya, Tatiana, Gabriela e Renato Aragão
02. Papangú - Sérgio Sá e Renato Aragão
03. Saudades do ''A La Carte'' - Eduardo Dusek e Renato Aragão
04. Formiga Punk - Wando e Renato Aragão
05. Coelhinho Saci - Viva Voz
06. O Trapalhão Super-Herói - Cazuza
07. Guardiães dos Animais - Renato Aragão
08. Punk do Pantanal - Lula Queiroga e Caxa Aragão
09. Pássaro de Prata - Renato Aragão
10. Quem Ouviu Falar do Lobo Mau - Bruno
11. Papagaio Falador - Orlando Drummond
12. Rock do ET - João Paulo

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domingo, 21 de junho de 2026

Chaves (1989)


Lançado em 1989, o álbum Chaves representa uma curiosa e importante produção fonográfica brasileira inspirada no fenômeno televisivo criado por Roberto Gómez Bolaños. O projeto foi desenvolvido pelo SBT, através de sua divisão de Novos Negócios, em parceria com a produtora Diana Backstage, responsável pelos direitos e coordenação do lançamento.

A produção musical foi realizada pela Marsh Mallow, em São Paulo, durante o mês de outubro de 1989. A direção de produção ficou a cargo do músico e arranjador Mário Lúcio de Freitas, profissional que também assinou parte significativa dos arranjos do álbum e participou diretamente da concepção musical do projeto.

Os arranjos foram divididos entre três músicos: Mário Lúcio de Freitas, Ricardo Melchior e Fernando Netto. Cada um ficou responsável por diferentes faixas, contribuindo para a variedade sonora do disco, que mistura canções infantis, números humorísticos e adaptações inspiradas no universo da Vila do Chaves.

A gravação contou com as vozes de Marcelo Gastaldi (Chaves), Carlos Seidl (Seu Madruga), Nelson Machado (Kiko), Cecília Lemes (Chiquinha), Helena Samara (Dona Clotilde), Marta Volpiani (Dona Florinda/ Popis), Osmiro Campos (Professor Girafales), Mario Vilela (Seu Barriga), além de Sarah Regina, Suely Gondin, Rita Kfoury, Nadimy, Meireane, Valeriane, Samir e Gilberto Santamaria nos vocais. A parte instrumental contou com os músicos Fernando Netto (Guitarra), Pedro Ivo (Baixo), Luiz Guilherme (Bateria), Ricardo Melchior (Guitarra), Mario Lúcio de Freitas (Teclados).

A engenharia de som ficou sob responsabilidade de Serginho Jovine, encarregado da captação e finalização das gravações em estúdio.

Na parte visual, a capa foi criada por Iastake Fassimoto, com arte-final desenvolvida por Marcos Andrade e Vanderlei Rodrigues. A produção gráfica foi coordenada por Nelson E. dos Santos, conhecido como "Pincel", enquanto a coordenação geral ficou sob responsabilidade de Everalvio de Jesus.

A distribuição nacional foi realizada pela Fonobrás Distribuidora Fonográfica Brasileira Ltda., sob licença da PolyGram do Brasil Ltda., uma das principais gravadoras do país naquele período. O lançamento foi disponibilizado tanto em disco de vinil quanto em musicassete, ampliando sua presença no mercado brasileiro de entretenimento infantil.

O repertório reúne composições originais e adaptações assinadas por Roberto Gómez Bolaños, criador do seriado, em parceria com Tati e músicos brasileiros envolvidos na produção. Algumas faixas foram interpretadas pela chamada "Turminha do Chaves", enquanto outras destacam personagens específicos, como Kiko, Chiquinha, Professor Girafales, Dona Florinda, Seu Barriga e o próprio Chaves.

Mais do que um simples produto derivado da série, o álbum tornou-se um registro histórico do enorme sucesso de Chaves no Brasil durante o final dos anos 1980, reunindo em um mesmo projeto os principais profissionais responsáveis por levar os personagens da Vila para milhões de espectadores brasileiros.

Faixas:
01. Aí Vem o Chaves - Turminha do Chaves
02. Tchuim Tchuim Tchum Claim - Chaves e a Turminha
03. Kiko - Kiko
04. Conto de Fadas - Chaves e a Turminha
05. Chiquinha - Turminha do Chaves
06. Chaves, o Rei da Palhaçada - Chaves e a Turminha
07. Barulhos da Cidade - Chaves
08. Madruga - Turminha do Chaves
09. Quero Viver Dançando - Professor Girafales e Florinda
10. Amigos Palhaços - Chaves e Barriga

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Chaves - Trilha Sonora Instrumental (2026)


Por muitos anos, antes de toda apuração da pesquisa de portais especializados, o que se presumia era que temas instrumentais do universo Chaves pertenciam ao conteúdo das fitas originais da Televisa. 

Por esta razão, muito se buscou incansavelmente o material em sites gringos utilizando o título "Chavo Del Ocho" na esperança de aparecer algumas músicas que fizeram parte do consciente coletivo e adquirir o material oficial. 

A grande descoberta foi que a trilha sonora das versões brasileiras de Chaves – bem como a de Chapolin Colorado –, que vinha sendo utilizada pela MAGA nos anos 1980, é de autoria predominantemente dos músicos Tony Hymas, Alan Hawkshaw e John Fiddy, além de algumas composições de Brian Bennett, John Cameron, Brian Wade, Dave Richmond, David Snell e Stephen Gray, produzidas principalmente durante a década de 1970.

As gravações utilizadas nas dublagens brasileiras foram identificadas em álbuns pertencentes a diferentes bibliotecas musicais. Entre os títulos localizados estão:

Bruton Vaults

  • BRF1: Comedy Situations

  • BRD7: Soft Illusion

  • BRB2: Jingles, Vol. 2

  • BVA09: Kids Album

  • BRE03: Kids & Cartoons

  • BRF2: Comedy Cornball

KPM Music

  • Classic Television and Radio Themes (KPM Main Series)

  • Loony Tunes (KPM 1000 LP Series)

UPPM Records

  • Children

  • Quirky Retro Tech

A descoberta mais fascinante desse garimpo, porém, foi compreender como essas músicas passaram a fazer parte da identidade brasileira dos seriados. Quando a MAGA recebeu as fitas para realizar a dublagem, restavam sob os diálogos apenas ruídos, chiados e resíduos sonoros inservíveis do material original. Para preencher esses espaços e conferir maior naturalidade na edição brasileira, a produtora recorreu às chamadas "trilhas brancas" e a efeitos sonoros adicionais, criando uma paisagem sonora própria que acabaria se tornando tão familiar ao público brasileiro quanto os próprios personagens.

Inclusive porque os temas tristes "Mum" de John Fiddy (quando Chaves é acusado de roubo, pega as trouxas e decide ir embora da Vila) e "Farewell My Lovely" de Alan Hawkshaw (quando Chaves foi esquecido na Vila na viagem de Acapulco) ficaram fortes na lembrança do público.

Não é possível afirmar, com base nas informações disponíveis, se houve uso sem permissão ou disputa judicial envolvendo a MAGA. Isso se torna ainda mais difícil de estabelecer com precisão quando se trata de obras oriundas de sistemas de library music, nos quais o licenciamento ocorre por meio de uso padronizado de catálogos musicais.

A Televisa se viu no meio de um embargo jurídico relacionado ao uso de “The Elephant Never Forgets”, de Jean-Jacques Perrey e Gershon Kingsley, como abertura de El Chavo del 8, conforme reportado pela imprensa internacional. Segundo as reportagens, os compositores tomaram conhecimento do uso da obra apenas em 2009, o que levou à formalização de reclamações por direitos autorais e à posterior negociação de compensação financeira.

No contexto das exibições televisivas do SBT, essa faixa não era comumente utilizada como parte recorrente das versões exibidas. No Brasil, o SBT utilizou a música “Skip with Me”, de John Fiddy, como abertura de alguns episódios, antes da criação de uma abertura nacional composta por Marcelo Gastaldi sob supervisão de Roberto Gómez Bolaños, posteriormente lançada em LP e K7 pela Polydor em 1989.

Décadas depois, muitos entusiastas pelo universo Chaves puderam perceber que esta trilha instrumental na verdade sempre pertenceu exclusivamente à memória afetiva do brasileiro que assistia ao seriado pelo canal SBT e, com isso, localizar de vez aqueles temas que por décadas embalaram as ternas trapalhadas do travesso Chaves e sua turma da Vila.

Faixas:
01. The Elephant Never Forgets - Jean Jacques Perrey
02. Hello Dolly - Jean Jacques Perrey
03. Gossipo Perpetuo - Jean Jacques Perrey
04. 18th Century Puppet - Jean Jacques Perrey
05. Fallout - Jean Jacques Perrey & Gershon Kingsley
06. Pussyfoot - Brian Bennett
07. Daydream - Brian Bennett
08. Rugby Special - Brian Bennett
09. Braces and Boots - Alan Hawkshaw
10. Electro Rag - Alan Hawkshaw
11. Big Dipper - Alan Hawkshaw
12. Farewell My Lovely - Alan Hawkshaw
13. Laugh a Minute - Alan Hawkshaw
14. Boogie Moogie - John Cameron
15. By the Pool - Brian Wade
16. Jack in a Box - Dave Richmond
17. Slapping It On - Dave Richmond
18. Skip with Me - John Fiddy
19. In a Hurry - John Fiddy
20. Running Away - John Fiddy
21. Acting Older - John Fiddy
22. Street Wise - John Fiddy
23. Boys - John Fiddy
24. Busybodies - John Fiddy
25. Mechanical Toys - John Fiddy
26. Tucked Up - John Fiddy
27. The Sun's Out - John Fiddy
28. Dreamworld - John Fiddy
29. Mum - John Fiddy
30. By the River - John Fiddy
31. Story Time - John Fiddy
32. Frightened - John Fiddy
33. Time for Bed - John Fiddy
34. Happy Whistler - John Fiddy
35. Copper on the Beat - Tony Hiller
36. Silly Song - Stephen Gray
37. Olympic Horses - Keith Mansfield
38. Coloured Candles - Tony Hymas
39. Soft Illusion - Tony Hymas
40. Puff Along - Tony Hymas
41. Dreamland - Tony Hymas
42. Ragdoll - Duncan Lamont
43. Tomfoolery - David Snell
44. Tivoli Melodie - Ricardo Santos

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