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sábado, 31 de outubro de 2026

Duetos - Química Perfeita (2002)

Lançada em 2002 pelo selo Globo Universal, Duetos – Química Perfeita reúne 14 gravações que têm nos encontros entre artistas seu principal atrativo. Mas há uma particularidade interessante nessa seleção: boa parte das músicas já havia sido registrada em outros álbuns, projetos especiais ou trilhas de novelas, o que faz da coletânea também uma oportunidade de reencontrar parcerias que surgiram em diferentes circunstâncias da música brasileira.

A abertura fica por conta de “Química Perfeita”, com Banda Eva e Netinho. A música, lançada originalmente em 1996 e incluída no álbum Beleza Rara, marcou uma fase de grande popularidade da Banda Eva que na época tinha vocal conduzido por Ivete Sangalo. Anos depois, ganhou espaço na televisão como tema romântico de Manolo (Tony Ramos) e Aurora (Cláudia Ohana) na novela As Filhas da Mãe, exibida em 2001. A faixa também acabou adquirindo um significado especial com a morte de Netinho, em 13 de outubro de 2026, aos 60 anos, em decorrência de complicações de um linfoma não Hodgkin do tipo B.

Duas gravações vêm do projeto Casa de Samba 3, lançado em 1999 pela Universal Music: “Verdade”, com Caetano Veloso e Gilmelândia, e “Juventude Transviada”, com Luiz Melodia e Cássia Eller. A série seguia a proposta de reunir artistas em encontros pouco convencionais, fórmula que também apareceu em Casa da Bossa e Casa de Forró. São registros ao vivo que chegaram a esta coletânea alguns anos depois, mas que tiveram outros reaproveitamentos pelo caminho.

Em “Verdade”, o encontro entre Caetano Veloso e Gilmelândia chama a atenção. Na época, Gilmelândia havia assumido os vocais da Banda Beijo, retomando o grupo em 1998, depois da saída de Netinho. Sua participação cantando samba foi uma surpresa para o público, acostumado a associá-la ao repertório de axé. A gravação também foi incluída no CD/DVD Multi Show Ao Vivo, lançamento que mistura conteúdo exclusivo do canal musical com imagens de outros projetos cedidos pela Universal Music. Essa combinação acabou gerando confusão sobre a origem de algumas apresentações e seus respectivos créditos. Portanto, sim: “Verdade” é do Casa de Samba 3.

Já “Juventude Transviada” voltou a circular em outras coletâneas após a morte de Cássia Eller, em dezembro de 2001. Primeiro, apareceu em Participação Especial de Cássia e, em 2008, foi incluída em Raridades, álbum lançado pela Som Livre. O título deste último, porém, não faz muito sentido para essa gravação: ela já havia sido reaproveitada em coletâneas da Universal Music e também estava presente em Duetos – Química Perfeita. Não era, portanto, exatamente uma raridade.

“Meu Erro”, com Zizi Possi e Os Paralamas do Sucesso, vem do Acústico MTV da banda, projeto de 1999 que contou com a participação de convidados especiais. A presença de Zizi acrescenta uma combinação vocal diferente à conhecida canção dos Paralamas. Outra gravação extraída de um especial acústico é “Mania de Você”, de Rita Lee com Milton Nascimento. Registrada em 1998 no Acústico MTV da cantora, a interpretação ganha um formato mais intimista, em piano e voz, com um clima particularmente sensual e misterioso.

Em “Feira Moderna”, o encontro é entre Roupa Nova e Zélia Duncan, em gravação originalmente lançada no álbum Ouro de Minas, de 2001. O trabalho reuniu o grupo a diversos convidados, entre eles Zélia, em um repertório que trouxe como máxima as parcerias e revisitação de canções do Clube da Esquina.

A televisão também está representada por “Era Uma Vez...”, com Sandy & Junior e Toquinho. A gravação foi realizada para a abertura da novela de mesmo nome, aproximando o universo pop da dupla ao trabalho de Toquinho, um dos nomes mais representativos da música brasileira dedicada ao público infantil. A canção também ganhou espaço em outros lançamentos: foi incluída no final do álbum Sonho Azul, de Sandy & Junior, lançado em 1998, e na coletânea Nascemos Pra Cantar, do mesmo ano. Mais tarde, ainda deu título ao álbum Era Uma Vez – Ao Vivo.

Outro registro curioso é “Preciso Dizer que Te Amo”, na interpretação de Cazuza e Bebel Gilberto. A gravação apareceu pela primeira vez na coletânea internacional Red Hot + Rio, lançada pela Verve Records em 1996. A história dessa versão tem um detalhe especial: trata-se de um registro intimista, originado de um ensaio gravado em fita cassete, cujos ruídos foram preservados. A música também ganhou interpretações de outros artistas, como Marina Lima e Leo Jaime, mas essa aproximação entre Cazuza e Bebel tem justamente na simplicidade da gravação seu diferencial.

A faixa “Falando de Amor”, com Quarteto Em Cy e MPB4, nasceu do encontro dos dois grupos no álbum Bate Boca, que reuniu as formações em uma espécie de supergrupo vocal. A música ganhou ainda mais visibilidade ao se tornar tema de abertura da novela Por Amor, ampliando sua circulação para além do público que acompanhava os trabalhos dos dois conjuntos.

Entre os encontros mais emblemáticos está “These Are the Songs (Esta É a Canção)”, com Elis Regina e Tim Maia. A gravação pertence ao álbum ...Em Pleno Verão, lançado por Elis em 1970, período anterior à consagração definitiva dos dois artistas como algumas das maiores referências da música brasileira. É um registro que aproxima duas personalidades de enorme força interpretativa.

O projeto Casa de Forró, lançado em 1998 pela PolyGram, também marca presença com “Espere Por Mim, Morena”, na interpretação de Elba Ramalho e Chico César. Seguindo a proposta de encontros entre artistas, o álbum reuniu diferentes nomes da música brasileira em apresentações ao vivo, entre elas essa parceria.

Já “Bilhete”, com Ivan Lins e Nana Caymmi, foi originalmente incluída no álbum Juntos, que reuniu composições de Ivan Lins e Vitor Martins em novos arranjos e com participações especiais. Nana Caymmi foi uma das convidadas desse projeto. Na sequência, “Gostoso Veneno” traz Alcione e Djavan, em gravação originalmente lançada no álbum Celebração, de 1998. Encomendado pela PolyGram, o trabalho revisitou sucessos da carreira da cantora, contando com convidados especiais, entre eles Djavan.

Para encerrar, a coletânea reserva “Águas de Março”, com Elis Regina e Tom Jobim. Embora Elis já tivesse gravado a composição no álbum Elis, de 1972, foi no histórico projeto Elis & Tom, lançado em 1974, que a canção ganhou uma interpretação compartilhada que se tornou referência. A gravação desse encontro é frequentemente lembrada como uma das versões definitivas da composição de Tom Jobim.

Na parte técnica, o CD foi fabricado pela Microservice Tecnologia Digital da Amazônia Ltda., sob licença da SIGLA – Sistema Globo de Gravações Audiovisuais Ltda. Os fonogramas foram cedidos pela Universal Music, com masterização de Sérgio Seabra e projeto gráfico de Marciso (Pena) Carvalho.

Duetos – Química Perfeita acaba funcionando também como um pequeno roteiro por diferentes projetos musicais que marcaram os anos anteriores à sua publicação. Para quem acompanha a discografia desses artistas e gosta de descobrir a origem das gravações presentes nas coletâneas, há bastante coisa para apreciar além dos próprios duetos.

Faixas:
01. Química Perfeita - Banda Eva e Netinho
02. Verdade (ao vivo) - Caetano Veloso e Gilmelândia
03. Meu Erro (ao vivo) - Zizi Possi e Os Paralamas do Sucesso
04. Feira Moderna - Roupa Nova e Zélia Duncan
05. Juventude Transviada (ao vivo) - Luiz Melodia e Cássia Eller
06. Era Uma Vez... - Sandy & Junior e Toquinho
07. Preciso Dizer que Te Amo - Cazuza e Bebel Gilberto
08. Mania de Você (ao vivo) - Rita Lee e Milton Nascimento
09. Falando de Amor - Quarteto Em Cy e MPB4
10. These Are the Songs (Esta É a Canção) - Elis Regina / Tim Maia
11. Espere Por Mim, Morena (ao vivo) - Elba Ramalho e Chico César
12. Bilhete - Ivan Lins e Nana Caymmi
13. Gostoso Veneno - Alcione e Djavan
14. Águas de Março - Elis Regina e Tom Jobim

Para baixar esta coletânea em FLAC, clique AQUI.

terça-feira, 29 de setembro de 2026

Love (2002)

Lançado pela Som Livre em 2002, Love leva a proposta das coletâneas românticas para um repertório mais contemporâneo à sua época, com projeto e seleção de repertório assinados por André Werneck. A escolha mistura sucessos dos anos 1990 e início dos 2000 com algumas gravações de décadas anteriores, sem estabelecer uma barreira de época: o que une as 14 faixas é essencialmente a proposta romântica da seleção.

A masterização ficou a cargo de Sergio Seabra, enquanto a capa traz fotografia de Richard Romero, com Marcelo Cossenza e Bárbara Heliodora como modelos. Marciso (Pena) Carvalho responde pelo projeto gráfico e direção de arte, com diagramação de Paulo Santos.

O que mais me chama atenção neste CD é a curadoria. Werneck não fez uma coletânea presa a uma década. Ele coloca lado a lado sucessos então relativamente recentes — Shania Twain, Lara Fabian, *NSYNC, Hanson, Simply Red, Backstreet Boys, Brian McKnight e Jennifer Lopez — com “Emotion”, de Samantha Sang, e “Lost in Your Eyes”, de Debbie Gibson. Ou seja, a memória romântica entra no meio do repertório dos anos 1990 e começo dos 2000.

Há também uma presença fortíssima de temas de novelas. “You're Still the One”, de Shania Twain, e “I Will Come to You”, do Hanson, estiveram em Corpo Dourado; “Love by Grace”, de Lara Fabian, em Laços de Família; “Lost in Your Eyes”, de Debbie Gibson, em O Salvador da Pátria; “Back at One”, de Brian McKnight, em Uga Uga; “Emotion”, de Samantha Sang, em Sem Lenço, Sem Documento; “What Did You Do (With My Love)”, do Double You, em Quatro por Quatro; “For Your Babies”, do Simply Red, em De Corpo e Alma; “Could This Be Love”, de Jennifer Lopez, em Vila Madalena; e “Hold On”, de Alexia, em Por Amor. É quase um “O Melhor Internacional de Novelas” disfarçado de coletânea romântica.

A graça maior desta coletânea está em “The Lovers (Prelude)”, de John Steffen. Com aqueles acordes misteriosos, juro que por um instante achei que a seleção fosse desembocar no tema oficial do Supercine. Mas não: a faixa funciona como um pequeno interlúdio e prepara de maneira surpreendentemente coesa a entrada de “Could This Be Love”, de Jennifer Lopez. Quando surge aquele violão flamenco da gravação, a transição funciona tão bem que as duas faixas quase parecem ter sido pensadas como uma só sequência.

E há ainda “We Should Be Closer”, de Donna Foster, fechando o CD. É aquela faixa exclusiva que aparentemente entrou para “tapar buraco” na seleção, mas desta vez dá gosto de ouvir e encerra a coletânea à altura das grandes gravações que vieram antes.

Faixas:
01. You're Still The One – Shania Twain  
02. Love By Grace – Lara Fabian  
03. This I Promise You – *NSYNC  
04. I Will Come To You – Hanson  
05. For Your Babies – Simply Red  
06. Emotion – Samantha Sang  
07. Show Me The Meaning Of Being Lonely – Backstreet Boys  
08. Lost In Your Eyes – Debbie Gibson  
09. Back At One – Brian McKnight  
10. What Did You Do (With My Love) – Double You  
11. The Lovers (Prelude) – John Steffen  
12. Could This Be Love – Jennifer Lopez  
13. Hold On – Alexia  
14. We Should Be Closer – Donna Foster

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domingo, 27 de setembro de 2026

Emotion (2002)


Lançada em 2002 pela Som Livre em parceria com a Spottlight Records, Emotion é uma coletânea de repertório essencialmente romântico, mas construída a partir de referências de gêneros musicais bastante distintos. A seleção atravessa diferentes momentos da música pop, incorporando soul, disco, baladas e produções de dance music dos anos 1990.

A seleção de repertório ficou a cargo de René Michel, Kaka e Christovam Neumann, que também dividem a direção executiva, enquanto a masterização foi realizada por Kim Fury. O projeto gráfico é de Paulo Verardo.

A coletânea mescla sucessos do flashback romântico de Smokey Robinson, Elton John, Lionel Richie, C+C Music Factory, Deniece Williams – presentes nos selos Universal e Sony Music – com fonogramas cedidos pela Spotlight, especialmente ligados à dance music e ao soul, incluindo Double You, Donna Summer, Taylor Dayne e Earth Wind & Fire.

O CD ainda apresenta como faixa bônus nacional “Sem Medo de Amar (End of the Road)”, do grupo Os Garotos, versão de Cláudio Rabello para o hit composto por Kenneth “Babyface” Edmonds, Daryl Simmons e L.A. Reid e gravado pelo Boyz II Men.

Os Garotos foram uma aposta da Spotlight em parceria com a Som Livre no início dos anos 2000. Formado por Leonardo Mello, Júnior Clin, Marcus Vinícius, Alexandre Barros e Alessandro Nigro, o grupo foi descoberto pelo produtor Alan Corbett e pelo ex-jogador Romário, após uma seleção que reuniu cerca de 2.500 candidatos. A proposta seguia o formato das boy bands da época, combinando canto e coreografias, com preparação vocal de Jacimar Moura e produção musical assinada por Alan Corbett e Paschoal Rigueti.

O release do CD single “Eu Preciso Saber Mais (Is There Something I Should Know)”, lançado para as rádios em 2001, anunciava para breve o álbum de estreia, intitulado Flor do Futuro. No entanto, não encontrei registros que confirmem seu lançamento comercial. A passagem do grupo pelo catálogo da Spotlight está documentada por apenas duas gravações: “Sem Medo de Amar (End of the Road)”, presente neste CD, e “Eu Preciso Saber Mais (Is There Something I Should Know)”. É possível que Flor do Futuro tenha chegado ao mercado, mas, se chegou, virou uma verdadeira mosca branca em sebos e marketplaces, sem deixar praticamente nenhum rastro.

Confesso que o que me dá entusiasmo para colecionar coletâneas assim é a boa curadoria feita em torno de canções românticas, algumas delas com execução local em programas românticos de algumas FMs. O cover em inglês de “La Vie en Rose”, de Donna Summer, é lindo e eu já o conhecia desde 1996, por meio da coletânea importada Listen to the Beat ’94. A gravação, no entanto, tem origem na coletânea Tribute to Edith Piaf, lançada em 1993 pela Amherst Records. Me surpreenderia bastante encontrar pela internet algum exemplar dessa coletânea trazendo também a logomarca da Spotlight Records.

Mas as melhores surpresas, para mim, foram “Over the Mountains”, lançada no álbum One in a Million, de Bosson, em 2001; “Naked Without You”, faixa do álbum homônimo de Taylor Dayne, lançado em 1998, em uma fase já distante daquela áurea na Arista Records; “Fairy Tale”, do álbum The Game, lançado em 1999 pela cantora italiana Neja; “When Love Goes Wrong”, do álbum In the Name of Love, de 1997, do Earth, Wind & Fire; “Falling for You”, faixa do álbum homônimo de 1996 de Tony Di Bart; e a intimista “Goodbye Innocence”, apenas piano e voz, do álbum B-Funk, de 1995, de Beverley Knight.

Até 1999, os álbuns e coletâneas do catálogo da Spotlight Records eram distribuídos pela PolyGram. A partir de 2000, a gravadora passou a utilizar o nome Spottlight, com dois “t”, e seus CDs passaram a ter distribuição exclusiva da Som Livre. No Discogs, os últimos lançamentos registrados dessa fase datam de 2003, e somente a partir de 2018 voltam a aparecer novos títulos atribuídos à gravadora, já restritos ao mercado digital.

O que me surpreende é que todas as gravações que listei vieram de álbuns pertencentes a uma vertente pouco divulgada do catálogo da Spotlight: discos de pop lançados pela gravadora no Brasil durante a década de 1990 e aos quais ela recorreu para compor parte do repertório de Emotion.

A grande delícia desse CD está na masterização: os fonogramas apresentam ótima qualidade de áudio, e há um cuidado perceptível na normalização de volume entre as gravações mais antigas e as mais recentes, proporcionando uma audição mais uniforme e harmoniosa.

Faixas:
01. Cruisin' - Smokey Robinson
02. Your Song - Elton John
03. La Vie en Rose - Donna Summer
04. Run to Me (Studio Live Version) - Double You
05. Take a Toke - C&C Music Factory
06. Hello - Lionel Richie
07. Over the Mountains - Bosson
08. I'ts Gonna Take a Miracle - Deniece Williams
09. Naked Without You - Taylor Dayne
10. Fairy Tale - Neja
11. When Love Goes Wrong - Earth, Wind & Fire
12. Falling for You - Tony Di Bart
13. Goodbye Innocence - Beverley Knight
14. Sem Medo de Amar (End of the Road) - Os Garotos

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quinta-feira, 24 de setembro de 2026

Mix'80 Sucessos Non-Stop - The Ultimatte 80s Mix (2002)

Mix’80 Sucessos Non-Stop – The Ultimate 80’s Mix foi lançado no Brasil em 2002, pela Universal Music, reunindo 14 sucessos internacionais dos anos 1980 em versões mixadas para ninguém parar de dançar.

Apesar da proposta inovadora para celebrar a década com suas melhores músicas para pista de dança por meio de um set mixado, o DJ responsável pelo ótimo trabalho não é creditado neste CD. Como o projeto não teve edições internacionais, tudo indica que a mixagem tenha sido produzida no Brasil.

Um dos grandes encantos de Mix’80 está na escolha de combinações absolutamente improváveis. Basta observar este início maravilhosamente maluco! “Shout” tem aquela dimensão grandiosa e dramática do Tears for Fears e desemboca em “Human”, uma balada R&B/synth-pop de atmosfera muito mais íntima. E, quando o ouvido se acomoda naquele clima introspectivo, vem o corte seco para “Do You Really Want to Hurt Me”, com sua levada reggae, mudando completamente a luminosidade do set. Daí surge “Down Under”, que prolonga esse lado mais solar, antes de “Dance Hall Days” levar tudo novamente para outro ambiente. A essa altura, a galera já esvaziou o copinho de chope do começo, está com as mãos livres para começar o passinho e nem percebe que tudo até aqui foi preparação para o fervor que está por vir.

E então vem outra guinada: “Dance Hall Days” → “Relax (New York 12” Mix)”. Aqui faz todo sentido a aceleração das batidas: o DJ precisa atravessar uma diferença considerável de energia para chegar à pulsação de “Relax”. Logo depois, em vez de permanecer simplesmente no hi-NRG, aparece “19”, de Paul Hardcastle — uma faixa eletrônica construída em torno de samples falados sobre a Guerra do Vietnã. Ou seja: até quando mantém a pista, muda completamente o caráter da música.

A segunda metade também é fascinante: “The Reflex” → “Sweet Dreams” → “Blue Monday” → “Don’t Go” → “Smalltown Boy” → “Tainted Love” → “Take On Me”. A essa altura, o fervor já tomou conta do set e começa a existir uma concentração maior de eletrônica e synth-pop, mas nem por isso as escolhas são óbvias: Duran Duran, Eurythmics, New Order, Yazoo, Bronski Beat, Soft Cell e A-ha têm assinaturas rítmicas e atmosferas muito distintas.

Talvez tenha sido justamente essa imprevisibilidade que motivou muita gente a levar o CD para a coleção em 2002. Não era apenas uma reunião de sucessos dos anos 1980: havia o prazer de descobrir o que aconteceria quando músicas aparentemente incompatíveis fossem entregues às mãos de um DJ. A expectativa pela próxima transição torna a audição quase um jogo e, quando essas combinações improváveis finalmente se encaixam, a experiência chega a ser extasiante. 

O único problema é que a diversão dura pouco: são menos de 50 minutos de música. O set inteiro dá quase a sensação de termos ouvido apenas o Lado A de uma mixtape em fita K7 de 90 minutos. Quando o DJ finalmente nos convenceu a largar o copinho de chope e tomar conta da pista, já estamos chegando a “Take On Me”. Dá vontade de virar a fita e continuar a festa — mas não existe Lado B. Que droga!

E, afinal, quem foi esse sujeito incrível? DJ, ONDE ESTÁ VOCÊ? MANIFESTE-SE 24 ANOS DEPOIS!

Faixas:
01. Shout - Tears For Fears
02. Human - The Human League
03. Do You Really Want To Hurt Me - Culture Club
04. Down Under - Men At Work
05. Dance Hall Days - Wang Chung
06. Relax - Frankie Goes To Hollywood
07. 19 - Paul Hardcastle
08. The Reflex - Duran Duran
09. Sweet Dreams (Are Made Of This) - Eurythmics
10. Blue Monday - New Order
11. Don't Go - Yazoo
12. Smalltown Boy - Bronski Beat
13. Tainted Love - Soft Cell
14. Take On Me - A-ha

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