domingo, 2 de novembro de 2025

Peninha - Peninha (1988)

Lançado em 1988 pela Continental, o álbum de Peninha — nome artístico de Aroldo Alves Sobrinho — traz como destaque “Seu Jeito de Amar”, de Gilson e Joran. O disco faz parte de uma fase em que o cantor dividia sua atividade entre a carreira de intérprete e uma produção cada vez mais conhecida como compositor.

Paulistano, Peninha começou a ganhar projeção na década de 1970, especialmente com os álbuns Sonhos (1977) e Emoções (1979), lançados pela Polydor. A canção “Sonhos” se tornou um de seus maiores sucessos e também ganhou uma versão em espanhol. Ao mesmo tempo, suas composições passaram a ser gravadas por outros artistas, ampliando sua presença na música popular brasileira.

Entre as canções escritas por Peninha estão “Sozinho”, gravada por Tim Maia, Sandra de Sá e Caetano Veloso; “Amarrados” e “Alma Gêmea”, por Fábio Jr.; “Vou Levando a Vida”, “Pra Falar a Verdade”, “Vai Dar Samba” e “Adoro Amar Você”, por Daniel; “Nosso Sonho Não É Ilusão”, pelo Só Pra Contrariar; “É Ouro Pra Mim”, por Renata Arruda; “Que Dure Para Sempre”, por João Paulo & Daniel e Negritude Jr.; e “Só Com Você”, pelo Raça Negra, entre outras.

Depois de um período de menor atividade em LPs, que incluiu o lançamento de um compacto pela CBS em 1983 e do álbum Todas as Auroras, pela Continental, em 1986, Peninha retornou ao formato de LP em 1988. O novo trabalho reúne dez faixas e traz composições de nomes como Nando Cordel, Altay Veloso, Michael Sullivan & Paulo Massadas, Thomas Roth e Arnaldo Sacomani, além de duas participações do próprio Peninha como compositor: “Só Queria Ter Você Aqui” e “Folhas de Outono”, esta última em parceria com Nicéias Drumont.

A produção ficou a cargo de Arnaldo Sacomani, com direção de Laca Salvia e produção executiva de Frankkye Arduini. Os arranjos foram realizados por Cido Bianchi, em “Quem Eu Quero É Você”; Julinho Teixeira, em “Seu Jeito de Amar”; Mário Lúcio, em “Lingerie”; Lincoln Olivetti, em “Meu Destino”, “Emoção”, “Por Nós Dois” e “Coração”; e Bozo Barretti, em “Folhas de Outono”, “Planeta Sedução” e “Só Queria Ter Você Aqui”.

As gravações foram realizadas em diferentes estúdios. Em São Paulo, participaram o Transamérica e o Novo Estúdio; no Rio de Janeiro, as sessões também passaram pelo estúdio particular de Lincoln Olivetti. A equipe técnica contou com profissionais como os engenheiros de gravação Carlinhos de Freitas e Zezinho, além da assistência de gravação de Cássia. A editagem ficou sob responsabilidade de Edson Marques, com supervisão de corte de José Antonio.

Arnaldo Sacomani, além de produtor, é um dos autores de “Meu Destino”, ao lado de Thomas Roth. Já Lincoln Olivetti, responsável pelos arranjos de quatro faixas, aparece também como compositor de “Coração”, em parceria com Robson Jorge e Claudia Olivetti.

Quatro faixas do álbum foram posteriormente incluídas na coletânea Popularidade, lançada em 2000: “Por Nós Dois”, “Seu Jeito de Amar”, “Planeta Sedução” e “Emoção”. As demais permaneceram fora dessa compilação, mantendo o álbum de 1988 pouco representado em lançamentos posteriores.

Mais de três décadas depois de seu lançamento, o álbum de 1988 registra um momento particular da carreira de Peninha. Enquanto suas composições ganhavam espaço nas vozes de outros artistas, ele seguia construindo sua própria discografia como intérprete. O disco reúne justamente essas duas faces de sua trajetória: o compositor reconhecido por seus pares e o cantor que continuava apresentando sua própria leitura para um repertório romântico.

Faixas
01. Seu Jeito de Amar (Gilson e Joran)
02. Planeta Sedução (Nando Cordel)
03. Quem Eu Quero É Você (Cléo Galante e Cido Bianchi)
04. Emoções (Altay Veloso)
05. Por Nós Dois (Michael Sullivan e Paulo Massadas)
06. Meu Destino (Thomas Roth e Arnaldo Sacomani)
07. Coração (Lincoln Olivetti, Robson Jorge e Claudia Olivetti)
08. Só Queria Ter Você Aqui (Peninha)
09. Folhas de Outono (Peninha e Nicéias Drumont)
10. Lingerie (Lula Barbosa)

Para baixar o album em FLAC, clique AQUI.

3 comentários:

  1. Muito obrigado. Mais uma obra esquecida e agora recuperada. Parabéns pelo seu trabalho sempre ótimo e por sua bondade em compartilhar

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  2. O Artista que mistura tudo vira agulha no palheiro, por isso se perde , não dá seguir todas as tendências, ao mesmo tempo , quem é médico, engenheiro, técnico de futebol, advogado, ... é um péssimo profissional !!! > raulzimdimao@

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    Respostas
    1. Agradeço a reflexão, Raul. É um ponto de vista interessante sobre a especialização na arte, embora o álbum de 1988 do Peninha mostre que, às vezes, a união de grandes talentos de diferentes áreas pode resultar em um resgate histórico que importa pra quem gosta, independente das limitações técnicas relatadas aqui.
      Um abraço.

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