quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Buana 4 - Buana 4 (1989)

Buana 4: O Supergrupo Escondido de 1989

O Buana 4 surgiu no final da década de 80, lançando seu único álbum autointitulado em 1989 sob o selo EMI-Odeon. O projeto é um retrato fiel da efervescência técnica do Rio de Janeiro na época, unindo o pop rock com a sofisticação do jazz e do funk instrumental. A única música de sucesso foi "Eu Só Quero Ser Feliz", tema de abertura Top Model.

A Formação (O "Quarteto de Peso")

A banda era composta por músicos que já eram (ou viriam a ser) nomes de elite no cenário nacional:

  • Maurício Barros (Voz e Teclados) – membro fundador do Barão Vermelho
  • Billy Brandão (Guitarras e Vocal) – guitarrista requisitado, tocou com Frejat, Marisa Monte e Lobão
  • Gian Fabra (Baixo) – baixista de apoio da turnê "O Descobrimento do Brasil" da Legião Urbana, sendo responsável pela tradução das músicas do Legião Urbana para o italiano, gravadas por Jerry Adriani em Forza Sempre, do qual também foi baixista.
  • João Guilherme Valdetaro – Jongui (Bateria) – tocou com nomes como Lulu Santos e produziu discos de Lucas Santtana e Zeca Baleiro.

A Conexão Marajazz e Produção

O álbum foi gravado e mixado no lendário Multistudio durante o inverno de 89 e foi produzido por Paulo Henrique e Iuri Cunha especificamente para a Marajazz Produções. Houve uma forte utilização de programação de bateria e teclados creditada à própria produtora, o que dava o brilho tecnológico típico do som de 1989.

Músicos Adicionais de Elite

Além do quarteto principal, participações de luxo reforçam a qualidade técnica do projeto:

Maurício Moreira: Bateria em diversas faixas.
Duda Castro Neves e Andréa Dutra: Coro e vocais de apoio.
Paulo Henrique: Além de produzir, contribuiu com teclados e percussão.

Mesmo encerrando as atividades em 1992, o Buana 4 permanece na memória afetiva do público principalmente por sua conexão com a trilha sonora da teledramaturgia brasileira, representando um momento de transição e amadurecimento técnico do rock carioca no final dos anos 80.

Remasterização do LP: O LP do Buana 4 foi remasterizado a partir de uma cópia VG+ em outubro de 2023, com uso de agulha Ortofon Concorde MIx. Em Janeiro de 2026, o material recebeu uma limpeza através do MVSep DeNoise, ficando com acabamento definitivo.

Faixas: 
01. Brainstorm
02. Eu Só Quero Ser Feliz
03. E o Vento Levou...
04. O que Me Falta
05. Amor
06. Você Dança
07. A Hora e a Vez
08. Talvez
09. Abrigo
10. O Homem Que Não Chorava

Para baixar o album em FLAC, clique AQUI.

Nico Rezende - Um Minuto / Pra Te Envolver (1983)

Este compacto o primeiro registro fonográfico do cantor e compositor Nico Rezende, resultado de assinatura com a CBS assim que chegou no Rio de Janeiro para trabalhar como tecladista da banda do cantor Ritchie. As duas faixas são compostas e arranjadas por ele, com produção de Luiz Carlos Maluly, o produtor descobridor de bandas do rock nacional dos anos 80. A canção Um Minuto foi aproveitada para a coletânea "Verão '84" (selo Opus/Columbia).

A capa foi restaurada com uso do ChatGPT. As cores bem como a foto foi recuperada graças este serviço de IA. Outra façanha de remasterização foi o acabamento final das músicas com MVSep DeNoise, trazendo um resultado transcedental e definitivo para as gravações.

Faixas: 
01. Um Minuto
02. Pra Te Envolver

Para baixar o compacto em FLAC, clique AQUI.

Nico Rezende - Se For Possível / Perigo (1985)

Demorou, mas saiu... Se For Possível composição de Kiko Zambianchi e a 1ª versão de Perigo que possivelmente inspirou o arranjo da versão de Zizi Possi para a novela Selva de Pedra, composta por Nico Rezende e Paulinho Lima. Foi o melhor áudio que consegui!

O cantor Nico Rezende embora tenha o sotaque carioca porque mora lá desde 1983, nasceu na cidade de São Paulo em 13 de Outubro de 1960. Cantor, compositor e arranjador, Rezende estudou violão, piano e técnica de sintetizadores. Iniciou sua carreira tocando em orquestras, com as quais trabalhou em bailes pelo interior do Brasil. 

Antes da fama como cantor solo, Nico Rezende tocou na banda do Ritchie e Lulu Santos, foi responsável por produzir os arranjos de Kiko Zambianchi, "Primeiros Erros" e "Rolam as Pedras", fez arranjos de "Me Chama" e "Eu Te Amo Você", bem como produziu o album "Fullgás" de Marina Lima – inclusive tocou no album Todas Ao Vivo –, foi responsável pela trilha musical instrumental dos filmes Rock Estrela e Beth Balanço, fez a produção do primeiro album solo do Cazuza, arranjando hits como "Codinome Beija-Flor" e "Exagerado". (Detalhes, clique AQUI).

Além da remasterização padrão com Sound Forge, Pinnacle Clean e equalização com U-He Satin, o áudio passou por limpeza final com uso do MVSep DeNoise, alcançando um resultado transcendental e definitivo!

Faixas: 
01. Se For Possível
02. Perigo

Para baixar o compacto em FLAC, clique AQUI.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Paula Fernandes - Duetos + Raridades (2026)




O projeto “Duetos + Raridades”, da cantora Paula Fernandes, nasceu em 2025 a partir do desejo de compilar canções de sua extensa carreira — que já soma 33 anos, se considerado como marco inicial o lançamento de seu primeiro LP, em 1993. A proposta reúne duetos e participações em projetos diversos, incluindo trilhas sonoras, muitos deles hoje pouco acessíveis ou inexistentes nas plataformas digitais.

É fato que Paula Fernandes passou a década de 1990 em busca de afirmação artística, testando estilos e formatos. Isso se comprova pelo lançamento de seu primeiro LP, em 1993, já com o nome artístico atual; pela adoção do pseudônimo Ana Rayo, em 1995 — influenciado pelo sucesso da novela Ana Raio e Zé Trovão —; e, posteriormente, pelo retorno ao nome Paula Fernandes, com o lançamento de um single pelo selo Number One.

A partir dos anos 2000, no entanto, os rumos da carreira começam a mudar de forma decisiva, especialmente quando seu caminho se cruza com o do compositor e maestro Marcus Viana. Ao integrar o projeto Sagrado Coração da Terra, Paula grava dois DVDs ao lado de Marcus Viana e da Transfônica Orkestra: Trilhas e Temas em Concerto e Grandes Temas de O Clone Ao Vivo, ambos lançados pelo selo Sonhos e Sons. Em 2005, ainda sob produção de Marcus Viana, grava seu primeiro álbum solo desse novo período, Canções do Vento Sul. Apesar de a faixa Ave Maria Natureza ter sido incluída na novela América, o disco permaneceu restrito ao circuito underground.

A visibilidade nacional se amplia com o álbum Dust in the Wind, inteiramente gravado em inglês, cuja faixa-título foi incluída na novela Páginas da Vida. Muitos consideraram que a consagração definitiva viria com Pássaro de Fogo, lançado em 2008, álbum que ainda mesclava elementos do country com a música celta — influência marcante em sua formação artística. A canção Jeito de Mato integrou a trilha sonora da novela Paraíso e marcou também o início de uma forte conexão artística com Victor Chaves, da dupla Victor & Leo, amizade que resultou em composições relevantes ao longo de sua trajetória.

O sucesso comercial se consolida, de fato, com a participação de Paula Fernandes no especial Emoções Sertanejas, quando interpreta, ao lado de Dominguinhos, a canção Caminhoneiro, gravada originalmente por Roberto Carlos em 1985. A partir desse momento, a cantora assina contrato com a Talismã Promoções Artísticas, escritório do cantor Leonardo, responsável pela gestão de seus shows. Em 2011, Paula Fernandes já era um fenômeno nacional. Em 2010, lança o DVD Paula Fernandes – Ao Vivo e, dois anos depois, o CD Meus Encantos, consolidando-se como um dos principais nomes do elenco da gravadora Universal Music.

O projeto Duetos + Raridades pinça alguns encontros vocais do álbum Encontros pelo Caminho, além de duetos gravados posteriormente, período em que se observa uma metamorfose visual e sonora, com progressivo distanciamento da estética mais calma e brejeira que a consagrou, e uma aproximação da música sertaneja contemporânea. Buscando criar um diálogo coerente entre as canções, a coletânea reúne participações que ocorreram tanto no circuito nacional quanto no internacional, evidenciando que o sucesso da cantora extrapolou as fronteiras brasileiras. Entre esses registros estão duetos com a argentina Soledad Pastorutti, o espanhol Pablo López e o brasileiro radicado nos Estados Unidos Antonio Moraes. Há ainda uma conexão com a família de Sérgio Reis, incluindo um convite para dueto em "Pai e Filha" no EP lançado pela cantora na reta final de 2025 e uma participação no álbum de Bavini, filho do artista com "Bom Dia".

A coletânea se abre com uma canção no idioma que projetou Paula Fernandes a um público mais amplo: Have You Ever Really Loved a Woman, de Bryan Adams, interpretada ao vivo ao lado de Maurício Manieri. Também foi resgatada para este projeto a canção Céu de Santo Amaro, gravada em dueto com o tenor Thiago Arancam — registro preservado em arquivo pessoal por José Adriano Costa desde o período em que a faixa esteve autorizada nas plataformas digitais. Atualmente, por motivos não esclarecidos, a canção encontra-se vetada em toda a internet.

Outro grande destaque foi "Sinônimos" gravado por Paula Fernandes com a banda de rock Scarcéus, que foi usada como tema complementar da novela Orgulho & Paixão em 2018.

A imagem de capa adotada é a do single Paixão de Mulher, lançado em 2025, que passou por processo de restauração, com ajustes de iluminação e maquiagem natural por meio do recurso Nano Banana, do Google. A foto de contracapa foi extraída do Instagram oficial da cantora, tendo seu contexto ampliado com auxílio do ChatGPT.


Nota do editor: as edições realizadas respeitam os limites permitidos em processos de edição generativa de imagem, preservando a integridade da imagem da artista. 
A masterização das faixas selecionadas ficou a cargo do MVSep Mastering (by sergree), resultando em maior abertura e melhor aproveitamento do alcance dinâmico dos áudios tratados.

Este projeto é, acima de tudo, uma celebração de um dos grandes talentos da música brasileira.

Faixas: 
01. Have You Ever Really Loved a Woman (Ao Vivo) - com Maurício Manieri
02. Depois - com Victor & Leo
03. Espaço Sideral - com César Menotti & Fabiano
04. Pegando Lágrimas - com Chitãozinho & Xororó
05. Caminhoneiro (Ao Vivo) - com Dominguinhos
06. O Que Combina Comigo É Você (Ao Vivo) - com Zé Henrique & Gabriel
07. I'll Never Leave - com Antonio Moraes
08. Sigo Siendo Yo - com Soledad
09. Prometo (Ao Vivo) - com Kell Smith
10. Não Precisa - com Victor & Leo
11. Pai e Filha - com Sérgio Reis
12. Harmonia do Amor - com Zé Ramalho
13. Pássaro de Fogo (Ao Vivo) - com Ana Castela
14. Beijinho Doce - com Michel Teló
15. Sinônimos - com Scarcéus
16. Linda Senhorita - com Jads & Jadson
17. Bom Dia - com Bavini
18. Céu de Santo Amaro - com Thiago Arancam
19. Jeito de Mato - com Almir Satter
20. Dos Palabras - com Pablo López

Créditos:
Faixa 18 - Cedida por José Adriano Costa
Faixas 02, 04, 05 - Cedidas por Elídio Peixoto

Para baixar esta coletãnea em FLAC, clique AQUI.

Tudo a Ver - Temas de Aberturas dos Programas da Rede Globo (2001)

Lançado pela Som Livre em 2001, o álbum "Tudo A Ver - Temas de Aberturas dos Programas da Rede Globo" é um registro fundamental que resultou do processo de digitalização de masters da gravadora. Lançado no mesmo contexto do catálogo Campeões de Audiência, que resgatou em CD as trilhas sonoras nacionais das décadas de 70 e 80, este disco consolidou-se como uma documentação essencial para entusiastas da memória televisiva.

Este registro organiza 25 temas que marcaram as aberturas de programas da TV Globo. A faixa que abre o disco é "Hyde Park" – que na verdade tem o nome original de "Dr. Jeckle and the Hyde Park", de autoria de Alan Hawkshaw, um músico e maestro britânico que compunha uma série de canções para as chamadas trilhas brancas, que eram usadas por emissoras de TV para sonorização de programas e séries. O tema que faz parte da abertura do Esporte Espetacular, é executado pela Carnaby Street Pop Orchestra and Choir, sob liderança de Keith Mansfield, tendo sido lançada em 1969 no Brasil pela Top Tape. A canção teve seu nome suprimido para "Hyde Park" talvez para padronização do encarte. (Detalhes AQUI). 

Mais curiosidades a caminho:

Embora o CD credite "Fantástico" (Faixa 07) apenas como "Instrumental", A composição musical foi uma colaboração de Guto Graça Mello, com o conceito de José Bonifácio Sobrinho (também atribuído a autoria), enquanto a execução do arranjo é do gênio Lincoln Olivetti. Bem, e o memorável "uuh uuh aah"? Foi revelado em recente entrevista que ele pertence a Nina Pancevski, fonoaudióloga e preparadora vocal. A profissional da voz conta que Olivetti havia pedido vários sons como do fogo e da água e ela sonorizou com a boca como ela entendia. Mas o pedido do maestro desta vez era para sonorizar um computador. Conta ainda que na época só conhecia dois computadores: da faculdade PUC e da NASA. Eis que o sussurro sai e ele diz "É ISSO!" O Human Beatbox é mesclado com a imagem dos bailarinos saindo da água e aquele efeito de Clockspell e Three Chimes nos sintetizadores de seus teclados simbolizando o som da água. Um efeito mágico! (Assista AQUI à história).

Já a canção "Don't Stop Til You Get Enough", creditada a Michael Jackson em versão instrumental como tema do Vídeo Show é na verdade o trecho de segundos de uma versão instrumental gravada pelo trompetista canadense Maynard Ferguson, registrada em seu album Hollywood em 1982.

O disco nos brinda com as duas versões do "Tema da Vitória" de Eduardo Souto Neto, que embora não se credite a banda que executa a canção do campeão da Formula 1, pertence a Roupa Nova, e isso é devidamente documentado no DVD comemorativo de 30 Anos da banda, lançado em 2010. Mas a Som Livre faz mais que isso, ela liberou para o público a versão do tema usado na abertura da transmissão do Grand Prix, o que torna este CD uma jóia!

Mesmo com o documento da faixa "Do Tempo Que" composta e executada por Sullivan & Massadas para a abertura do Domingão do Faustão, os compositores Darcy de Paula e Danilo Granato criaram um tema instrumental que foi adotado posteriormente para o Domingão do Faustão. Os arranjadores permanecem em oculto até o momento.

Outra grande pérola é o Tema do programa Os Trapalhões criado pelo maestro José Menezes para os Trapalhões. A versão pinçada para a coletânea já é a da temporada sem o Zacarias, com abertura ilustrada pelo designer Hans Doner. Os arranjadores e músicos permanecem também em mistério.

Entre os programas de notícias e variedades, destacaram-se os temas do Jornal Hoje, Jornal Nacional, TV Mulher e Jornal Eletrônico. Entre os temas de programas infantis documentados estão: "Cinto de Inutilidades" (Globo Cor Especial), "Eu Não Largo o Osso" (TV Colosso), "Doce Mel" (Xou da Xuxa), "Sítio do Pica Pau Amarelo" (tema do seriado), "Alegria da Vida" (Vila Sésamo). Ainda senti a falta de ver documentado "Depende de Nós" de Sérgio Mendes, o tema do programa Balão Mágico, nesta coletânea.

Senti falta também de "Amanheceu, Peguei a Viola", tema do Som Brasil cantado pelo Renato Teixeira. Até "Waldomiro Pena" (Plantão Polícia) aparece aqui. Outra canção que senti falta foi o tema do Carnaval da Globo, com a icônica frase "Na tela da TV, no meio desse povo, a gente vai se ver na Globo". Foi um pecado capital não incluí-la aqui.

Mesmo assim, a coletânea nos brinda com o tema "Coração Verde e Amarelo" executado pela Aerobanda como tema da Copa 94, que nunca mais deixou de ser executada, por ter sido eternizada nos corações do brasileiro.

Parabenizo os envolvidos: André Werneck, pelo belíssimo repertório, Júlio Carneiro pela masterização e Marciso "Pena" Carvalho pela direção de arte. Ainda assim, ficam minhas ressalvas. Talvez pelo cronômetro e excesso de faixas, resumir 25 fonogramas, até então inéditos em CD, foi uma tarefa árdua, mas um documento que enfatizo sua importância para consumidores da TV brasileira, inclusive o tempo do disco, cravado em 01:00:07. Uma hora e sete segundos!

(Agradecimentos ao Google Gemini pelo suporte no esboço do texto!)

Faixas: 
01. Hyde Park (Esporte Espetacular) – Carnaby Street Pop Orchestra And Choir
02. Tema da Vitória (Instrumental) Eduardo Souto Neto
03. Tema da Vitória (Instrumental) (Fórmula 1) – Eduardo Souto Neto
04. Cinto de Inutilidades (Globo Cor Especial) – Orquestra e Coro Som Livre
05. Globinho – Orquestra Som Livre
06. Fantástico – Coral Som Livre
07. Fantástico (Instrumental) - Guto Graça Mello e Lincoln Olivetti
08. Don't Stop Til You Get Enough (Vídeo Show) – Maynard Ferguson
09. Do Tempo Que (Faustão) – Michael Sullivan & Paulo Massadas
10. Domingão do Faustão (Instrumental) – Darcy de Paula e Danilo Granato
11. Trapalhões (Instrumental) – José Menezes
12. Waldomiro Pena (Plantão de Polícia) – Jorge Benjor
13. Cor de Rosa Choque (TV Mulher) – Rita Lee
14. Freedom of Expression (Globo Repórter) – J. B. Pickers
15. The Fuzz (Jornal Nacional) – Orquestra Som Livre
16. The Fuzz (Instrumental) (Jornal Nacional) - (Frank de Vol)
17. Droid (Jornal Eletrônico) – Automat
18. Evie (Jornal Hoje) – Johnny Mathis
19. Pombo Correio (Jornal Hoje) – Moraes Moreira
20. Doce Mel (Xou da Xuxa) – Xuxa
21. Sítio do Picapau Amarelo – Gilberto Gil
22. Eu Não Largo o Osso (TV Colosso) – As Paquitas
23. Alegria da Vida (Vila Sésamo) – Orquestra e Coro Som Livre
24. Um Novo Tempo – Elenco da TV Globo
25. Coração Verde-Amarelo (Copa 94) – Aerobanda

Para baixar este CD em FLAC, clique AQUI.                                                                            

domingo, 18 de janeiro de 2026

Disco Hits (1998)


"Disco Hits" é uma coletânea lançada em CD em 1998 pelo selo BMG Brasil. A seleção de repertório é de Marcelo Falcão e Alexandre Medeiros, com coordenação de Adriana Ramos, supervisão técnica de J.R. Cruz e coordenação gráfica de Emil Ferreira.

Esta edição funciona como uma cápsula do tempo da era de ouro das pistas. O trabalho de seleção prioriza clássicos essenciais do gênero, indo do balanço sofisticado de "Cherchez La Femme" (Dr. Buzzard's Original Savannah Band) ao hino energético "Turn the Beat Around" (Vickie Sue Robinson). Ambas as canções são pontos de conexão interessantes com a década de 90, tendo sido revisitadas por Gloria Estefan no álbum Hold Me, Thrill Me, Kiss Me (1994).

Outra presença marcante na coletânea é "Everybody Plays the Fool", clássico do grupo The Main Ingredient. A faixa é uma balada soul que também teve um resgate importante nos anos 90 através da releitura de Aaron Neville em seu álbum Warm Your Heart (1991), reafirmando o caráter atemporal das composições escolhidas para este CD.

Faixas: 
01. Native New Yorker - Odyssey
02. Rock the Boat - The Hues Corporation
03. Turn the Beat Around - Vickie Sue Robinson
04. Everybody Plays the Fool - The Main Ingredient
05. Shame - Evelyn 'Champagne' King
06. You Little Trustmaker - The Tymes
07. Soley Soley - Middle Of The Road
08. Cherchez La Femme - Dr. Buzzard's Original Savannah Band
09. More More More - Andrea True Connection
10. This Is It - Melba Moore
11. Daddy Cool - Boney M.
12. Disco Nights (Rock Freak) - G.Q.
13. You Know How to Love Me - Phyllis Hyman
14. For Those Who Like to Groove - Ray Parker Jr. & Raydio

Para baixar a coletânea em FLAC, clique AQUI.

Jobim - Antonio Brasileiro (1994)

 

JOBIM: O Testamento da Cadência em "Antonio Brasileiro" (1994)

Existem discos que são coleções de canções e existem discos que são documentos históricos. "Antonio Brasileiro", lançado em 1994 pelo selo Globo/Columbia (Ref: 419.058), é o auge dessa distinção. Este álbum — o último grande registro em vida do Maestro — é uma peça que hoje ganha contornos de raridade para o público digital, já que não consta no catálogo das principais plataformas de streaming.

O Nascimento de uma Grife: "Apenas Jobim"

O projeto visual, com fotos de Ana Lontra Jobim, já entregava a intenção: na capa, apenas JOBIM. O mestre estava em um momento de plenitude aos 67 anos, acompanhado pela sua Banda Nova e sob a produção de seu filho Paulo Jobim e seu neto Daniel Jobim. Não foi uma despedida planejada; Tom estava se lançando como uma grife internacional sob o selo Jobim Music. Ele não sabia que morreria; estava se queixando de dores, mas focado na produção artística e técnica.

O Imbróglio do Grammy e o "Limbo" Digital

A obra rendeu a Jobim o Grammy de "Melhor Álbum de Jazz Latino" em 1996. Esse reconhecimento internacional veio após o lançamento mundial feito pela Sony Latin Jazz em 1995. Diante da ausência deste título nos serviços de assinatura atuais, o trabalho de ripar a mídia física original torna-se a única forma de acessar a fidelidade sonora planejada por Jobim.

Dinastias em Harmonia: Jobim, Caymmi e Afeto

A análise do encarte revela que este não é apenas um disco solo, mas um encontro de dinastias. A família Caymmi é a espinha dorsal: Danilo e Simone Caymmi participam do disco todo. O auge é ouvir o patriarca Dorival Caymmi cantando em "Maracangalha" e "Maricotinha", selando a amizade histórica entre as famílias. No campo do afeto familiar, Tom traz sua filha Maria Luiza Jobim, então com 7 anos, para cantar a faixa composta em sua homenagem, equilibrando o rigor do disco com a doçura da nova geração.

O Rigor Técnico e os Dados "Para lá de Interessantes":

  • A Força das Novelas: O álbum deu "casa" definitiva para temas que pararam o Brasil. "Querida" (abertura de O Dono do Mundo) e a instrumental "Surf Board" (tema de Pátria Minha) mostram como Jobim elevava a música de massa ao status de obra de concerto.

  • Piano na Mangueira: A sofisticação aqui atinge outro patamar. Gravada originalmente no álbum Paratodos (1993) de Chico Buarque, a música ganha neste CD uma roupagem orquestral sem precedentes. Com letra de Buarque e música de Jobim, a faixa é elevada pelo naipe de sopros: Raul de Souza (trombone), Marcio Montarroyos (trompete) e Edeneck Svab (trompa).

  • Só Danço Samba: Traz a citação de "Intermission Riff" de Stan Kenton, provando o diálogo constante com o Jazz.

  • Pato Preto: Composição de Jobim gravada originalmente por João Gilberto (1980), ganha aqui uma leitura nova e definitiva pela Família Jobim.

  • Homenagem ao Clube da Esquina: Jobim traduz "Trem Azul" (Lô Borges/Ronaldo Bastos) para o inglês ("Blue Train") e mantém o rigor do improviso original de Toninho Horta.

  • Resgate Literário: Recupera "Trem de Ferro", poema de Manoel Bandeira que Jobim musicou e que foi gravado originalmente por João Gilberto em 1961.

  • O Mestre e o Rei: Em "Meu Amigo Radamés" (homenagem a Gnattali) e "Radamés y Pelé", Tom une a técnica erudita à plasticidade do futebol. É o talento e o rigor do Brasil que deu certo.

  • O fator Sting: A participação de Sting e Ron Carter (cedidos pela A&M e Toshiba EMI) em "How Insensitive (Insensatez)" mostra que a cadência de Jobim era a linguagem universal da excelência.


Ficha Técnica Consolidada (Encarte e Contracapa):

  • Produção: Paulo Jobim e Daniel Jobim.

  • Direção Artística: Aramis Barros (Som Livre).

  • Arranjos: Antonio Carlos Jobim (Base/Vocais) e Paulo Jobim (Cordas/Metais).

  • Mixagem: Marcos Sabóia (Estúdio Impressão Digital).

  • Engenharia Adicional: Gravado nos estúdios Som Livre e Hit Factory (NY).

  • Afinação de Piano: Guthemberg Padilha.

Conclusão do Gazeta do Som: Ouvir este rip é entender que Jobim não estava morrendo; ele estava se eternizando como o nosso maior arquiteto musical. É o Brasil sofisticado, rigoroso e imortal.

Faixas: 
01. Só Danço Samba
02. Piano na Mangueira
03. How Insensitive (Insensatez) (part. esp. Sting)
04. Querida
05. Surfboard
06. Samba de Maria Luiza (part. esp. Maria Luiza Jobim)
07. Forever Green
08. Maracangalha
09. Maricotinha (part. esp. Dorival Caymmi)
10. Pato Preto
11. Meu Amigo Radamés
12. Blue Train (Trem Azul)
13. Radamés y Pelé
14. Chora Coração
15. Trem de Ferro

Para baixar o album em FLAC, clique AQUI.