“Coração Selvagem” é o segundo álbum de estúdio da cantora Rosana e o primeiro lançado pela CBS, marcando sua chegada ao estrelato e sua projeção no mercado internacional. O disco também chegou a ganhar uma edição em espanhol na Venezuela, sob o título Corazón Salvaje.
Antes do lançamento do álbum, porém, a cantora assinou contrato com a CBS em 1986 e gravou duas faixas para o LP Mix “Nem Um Toque”, trazendo no lado B “Do Nada Pra Lugar Nenhum”. Como é sabido — e cabe reiterar aqui —, “Nem Um Toque” teve projeção nacional imediata ao entrar para a trilha da novela Roda de Fogo, como tema da personagem Helena, vivida por Renata Sorrah. Já “Do Nada Pra Lugar Nenhum” foi incluída na trilha de Hipertensão, como tema de Renata, interpretada por Elizabeth Savalla.
Mas foi em 1987 que o sucesso ganhou proporções estratosféricas, com “O Amor e o Poder”, versão de “The Power of Love” que se tornou tema do relacionamento de Édipo (Felipe Camargo) e Jocasta (Vera Fischer) em Mandala. E a música que chegou ao público brasileiro acabou seguindo um caminho bastante diferente da original. Rosana contou no podcast Papagaio Falante, de Sérgio Mallandro, que a ideia inicial era fazer uma gravação mais próxima daquela registrada por Jennifer Rush. A composição, assinada por Jennifer Rush, Candy DeRouge, Gunther Mende e Mary Applegate, também recebeu gravações de nomes como Air Supply e Laura Branigan. No caso de Rosana, porém, mudanças no arranjo e no andamento, somadas à letra criada por Cláudio Rabello, deram à canção uma atmosfera mais misteriosa e gótica, pensada para se encaixar no universo de Mandala.
Das 11 faixas que compõem originalmente Coração Selvagem, quatro são composições de Michael Sullivan e Paulo Massadas: “Bem-Me-Quer”, “Custe o Que Custar”, “Tudo É Vida (Everything Is Love)” e “Nem Um Toque”. Outras três são de Erich Bulling e Cláudio Rabello: “Coração Selvagem”, “Princípio de Amor” e “Uma Paixão”. Lulu Santos assina “Bole Bole”.
Ronaldo Bastos responde pelas adaptações de duas músicas estrangeiras. A primeira é “O Dom do Nosso Amor”, versão de “Lovin' You”, composição de Minnie Riperton e Richard Rudolph, que Rosana já havia regravado no projeto Década Explosiva Mulher, em 1979. A outra é “Em Nome da Paixão”, adaptação de “It Doesn't Matter Now”, composta por Michael Omartian, Richard Marx e Bruce Sudano, lançada apenas em sua versão em português pela Rosana.
Já “Tudo É Vida (Everything Is Love)” ganhou também uma versão inteiramente em inglês, adaptada por Gregory Abbott, que participa da gravação em dueto com Rosana. Essa gravação pode ser encontrada na edição em K7 e no promocional de 12 polegadas distribuído às emissoras de rádio.
Os arranjos do disco se dividem entre três músicos: Erich Bulling, responsável por “Tudo É Vida”, “Em Nome da Paixão”, “Coração Selvagem”, “Custe o Que Custar” e “Princípio de Amor”; Lincoln Olivetti, por “Bem-Me-Quer”, “Bole Bole”, “O Amor e o Poder” e “Nem Um Toque”; e César Camargo Mariano, por “O Dom do Nosso Amor”.
O álbum foi gravado no Estúdio III (Sala de Teclados) e mixado na Sigla, no Rio de Janeiro. A exceção fica por conta das vozes de Rosana e Gregory Abbott em “Tudo É Vida (Everything Is Love)”, gravadas nos Estúdios Atlantic, em Nova York, em julho de 1987.
01. Coração Selvagem
02. Bem-Me-Quer
03. Bole Bole
04. Custe o Que Custar
05. Princípio de Amor
06. O Dom do Nosso Amor (Lovin' You)
07. Tudo É Vida (Everything Is Love) (part. esp. Gregory Abbott)
08. O Amor e o Poder (The Power of Love)
09. Em Nome da Paixão (Doesn't Matter Now)
10. Uma Paixão
11. Nem Um Toque
12. Do Nada pra Lugar Nenhum
13. Everything Is Love (part. esp. Gregory Abbot)

a faixa 6 também foi regravada pela Rosana, só que em inglês para a trilha sonora da novela "Caras & Bocas", em 2009
ResponderExcluirIsso era o que a grande maioria – inclusive eu – acreditava, até abrir o Década Explosiva Romântica no Deezer e constatar que aquela gravação de 1979 é a mesma que foi usada em Caras & Bocas.
ExcluirTiraram o anonimato da cantora do fonograma e revelaram nos créditos da Trilha Sonora. Rosana invés de explicar que o fonograma não era novo, passou a usá-lo como single de trabalho.
Quem ouve, não imagina que aquele fonograma naquela época tinha 30 anos de existência!
Muitas cantoras anônimas gravavam vocais para projetos nos quais sua identidade não era divulgada. Em alguns casos, se a música fizesse sucesso, uma modelo podia ser colocada para representar a cantora em apresentações e programas de televisão, fazendo playback.
ExcluirCom Rosana, aconteceu que, no início da carreira, ela conciliava o trabalho como cantora de sessão em estúdio com as tentativas de construir uma carreira como artista solo, que ainda não havia despontado. Ela tentou inscrever no Festival MPB Shell “Pensei que Fosse Fácil”, gravação ainda da década de 1970; lançou um LP pela RCA, que teve pouca divulgação; e “Está em Você” entrou na novela Jogo do Amor, em 1985, mas não emplacou.
Rosana também participou, ainda na década de 1980, de projetos e especiais da Globo, como A Era dos Halley e Uma Aventura no Corpo Humano. A carreira começou a deslanchar mesmo a partir de 1986, como menciono neste texto. Tudo documentado!
parabens pelo post da ROSANA, e pelo editorial imperdivel, haja conhecimento. abracao.
ResponderExcluirAgradeço a leitura! Ela é interessante e bem focado no material e suas nuances...
Excluirremasterisação, edição, e produção de vinil para cd de denis gazeta master limitada LTDA, brincadeiras a parte, fantástico! como diria nosso saudoso cid moreira! show, álbum digno de ser ouvido e reouvido. e ouvido de novo. massa demais!
ResponderExcluirSou eu Denis Gazeta e a entidade produtiva Gazeta do Som LTDA. hahahahaha... Bora!
Excluirpatrícia, também tinha um pouco de rosana em suas interpretações.
ResponderExcluirAinda tem, viu. A Patrícia morou fora, tem muita influência da música americana e de londres. Ela absorveu muito a cultura que estava em alta na época dos álbuns dela.
Excluircara, a rosana canta bem demais em inglês! nossa, quem ouve, diz que é uma tremenda gringa!
ResponderExcluirEla gravou com Ronnie Foster a canção "Somewhere" no álbum Doce Pecado, super balada. Mas essa "Everything Is Love" é uma cerejinha do bolo editorial mesmo!
ExcluirO combo LP e Promo 12 ficam na coleção do Tio Denão! hahahaha...
a rosana tem isso, aquela voz estilo cantora americana, nossa, show!
ResponderExcluirshow, não sabia, já tinha ouvido ela em espanhol, mas, inglês nunca.
ResponderExcluirficou faltando Laura Branigan e Celine Dion na música "The Power Of Love" que a Rosana fez a versão em português intitulada "O Amor e O Poder"
ResponderExcluirSe você quiser tratar das regravações de "The Power of Love" no mesmo idioma, eu listaria:
ResponderExcluir1985 — Air Supply
1987 — Laura Branigan
1993 — Celine Dion
1995 — Andrea Bocelli
Em nenhum momento essa informação "ficou faltando", porque o texto não tinha como proposta relacionar todas as regravações da música. O foco era especificamente a adaptação de Cláudio Rabello e os arranjos de Lincoln Olivetti para a gravação de Rosana.
O texto é sobre a Rosana. Não se faça de louco!