domingo, 25 de outubro de 2026

Parada Popular (1983)

O Parada Popular de 1983 foi lançado em LP e K7 pelo selo RGE, em parceria com o SBT, funcionando como um panorama dos sucessos do rádio e da TV daquele ano e do anterior.

Os artistas presentes nesta coletânea batiam cartão nos programas de auditório do canal, e algumas de suas gravações também ganharam espaço como temas de abertura das novelas que o SBT começava a produzir, numa tentativa de dividir a grade de programação com as novelas importadas do México.

Assim como os LPs Música Sempre Presente e Vamos Nessa, lançados pela RCA, este LP também funciona como chamariz das atrações da própria emissora ao incluir temas de suas novelas, como os de abertura de Sombras do Passado, Pecado de Amor e A Justiça de Deus, interpretados, respectivamente, por Luis Ricardo, Mário Lúcio e Sonia Maya, além da música “A Tera do Faz de Conta (The Land of Make Believe)”, um dos temas da novela Conflito. “Pouco a Pouco”, de Gilliard, foi tema complementar de A Justiça de Deus.

Sombras do Passado foi uma novela das 19h, exibida entre 12 de janeiro e 23 de março de 1983. Escrita por Tito di Miglio, era baseada no original de Marisa Garrido, Entre Sombras (1967), com direção de David Grimberg e Renato Petrauskas e direção geral de Waldemar de Moraes.

Pecado de Amor foi uma novela das 19h, exibida entre 25 de maio e 23 de julho de 1983, com roteiro de Henrique Lobo, adaptado do original de Marisa Garrido e Fernanda Villeli, Pecado de Amor (1978), e direção de Antonino Seabra.

Conflito foi uma novela da faixa das 19h, exibida entre 29 de outubro de 1982 e 10 de janeiro de 1983, com 65 capítulos. Foi escrita por Suzana Colonna, baseada no original de Marisa Garrido, Conflicto (1961), com direção de Renato Petrauskas e Waldomiro Barone e direção geral de Waldemar de Moraes. Foi a antecessora de Sombras do Passado na grade do SBT.

A Justiça de Deus foi uma novela exibida entre 19 de maio e 30 de julho de 1983, na faixa das 20h50, com 65 capítulos. Foi escrita por Crayton Sarzy e Amilton Monteiro, baseada no original de Marisa Garrido, El Juicio de Nuestros Hijos (1967), com direção de David Grinberg e Renato Petrauskas e direção geral de Waldemar de Moraes.

Uma gravação interessante que destaco desta coletânea é “Te Voglio Bene”, de Gilberto Lemos, que foi o lado B do compacto “Mil Razões Para Chorar”, uma das músicas-tema da novela Conflito. “Te Voglio Bene” funcionou como segunda música de trabalho do cantor.

“O Que É Que Há”, de Fábio Junior, foi sucesso entre 1982 e 1983, sendo tema da novela Final Feliz.

Quanto a “Solidão de Amigos” (Jessé), “Mintchura” (Neusa Brizola), “Vale Tudo” (Sandra Sá e Tim Maia), “Cachoeira” (Ronnie Von) e “Que Bela a Vida” (Roberto Leal), foram sucessos nos programas de rádio e de auditório. Minha dúvida é se “Imagens” (Carlinhos Borba Gato) e “Sonhar Colorido” (Fruto da Terra) teriam sido apostas da RGE para divulgar os artistas, porque não encontrei evidências de que as duas canções tenham feito sucesso, embora tenham melodias muito bonitas e memoráveis. O grupo Fruto da Terra ao menos foi uma aposta de fazê-los uma opção de renovação da MPB. Também seriam 

Por fim, Parada Popular pode ser considerado um dos grandes sucessos do SBT, que apostou, em 1983, no lançamento de um segundo volume, dando continuidade à coletânea apresentada no ano anterior.

Aqui recorri a vários fonogramas já existentes em formato digital. Agradeço, inclusive, a Luiz Roseira por ceder a faixa de Roberto Leal, extraída do CD Convite Para Ouvir Roberto Leal (1988). A música também está disponível em plataformas digitais, mas, até onde pude verificar, por meio de lançamentos não oficiais da RGE/Som Livre, com qualidade de áudio bastante ruim.

Outra faixa que merece destaque é “A Terra do Faz de Conta (The Land of Make Believe)”, do Harmony Cats, presente no álbum homônimo de 1982. Embora o disco tenha sido relançado em CD pelo selo Discobertas em 2018, não localizei o álbum completo nas plataformas digitais que consultei. Não encontrei informações que esclareçam o motivo dessa ausência, mas é possível que questões relacionadas ao licenciamento das numerosas versões presentes no repertório tenham alguma relação com isso.

A canção “Cachoeira”, de Ronnie Von, foi disponibilizada nas plataformas digitais por meio de lançamentos do álbum homônimo por dois selos distintos: PD Europe, em uma edição não oficial, e Som Livre, em uma edição oficial. Na versão da Som Livre, o título do álbum aparece acompanhado do ano “1984”, enquanto a faixa foi cadastrada como “Cachoeira (De Mar e Luar)”. As duas fontes de áudio, porém, apresentam qualidade bastante insatisfatória, o que me levou a recorrer a uma remasterização que eu já havia feito a partir do LP A Grande Festa do Cassino do Chacrinha (faixa B2).

O que me causa estranheza é que, embora a gravação de Ronnie Von tenha o mesmo título da composição de Thomas Roth e Luiz Guedes, registrada por Rosana em 1981, o complemento “De Mar e Luar” só aparece associado à versão de Ronnie Von na coletânea Sempre Sucesso 2, lançada pela Som Livre em 1988. Você sabia dessa particularidade?

As faixas que fiz a partir do LP foram “Sombras do Passado” (A3), de Luis Ricardo; “Pecado de Amor” (A7), de Mário Lúcio; “Imagens” (B2), de Carlinhos Borba Gato; e “A Justiça de Deus” (B6), de Sonia Maya. São gravações raras que, a meu ver, mereciam um tratamento definitivo.

Mas por que não remasterizei o álbum inteiro? Porque o disco estava problemático, cheio de estalos, numa condição em que o trabalho acabaria consumindo tempo e material — inclusive agulha — sem uma compensação à altura. Há discos que pedem uma restauração completa; outros fazem a gente pensar duas vezes antes de baixar a agulha! Já deixei de remasterizar até material exclusivo do LP por causa do estado precário do disco, preferindo esperar até encontrar outro exemplar em condições satisfatórias.

A intenção aqui, porém, não é auditar minha própria remasterização, muito menos inferiorizar um trabalho feito com bom acabamento por conta de diferenças de abordagem. Há casos e casos, e cada fonte exige uma avaliação própria.

Quando a maior parte do repertório já existe em fontes digitais e o LP não está em bom estado, recorrer a essas fontes também poupa o trabalho de limpar estalo por estalo — que, às vezes, chegam a aparecer em quantidade de dois por segundo! Agora imagine faixas de quatro minutos e o trabalho manual que isso representa: é LER na certa, de tanto clique de mouse, sem falar na fricção mental de alternar entre etapas, abrir o aplicativo, selecionar ferramentas e repetir o processo. CANSA MUITO!

Quando existe a possibilidade de uniformizar o áudio com o do CD usando o MVSep, por exemplo, podemos recorrer a um fluxo de montagem como o que Luiz Alberto “Bugrim” Gomes, do Só Música, já utiliza há anos, com resultados que conquistaram a apreciação de seu público. Cito seu trabalho como uma referência de qualidade a ser observada.

Mas apliquei algumas equalizações com o Satin e fiz a normalização do volume. O resultado ficou bem gostoso de ouvir!

Dito isso, bora conferir?

Faixas:
01. Pouco a Pouco - Gilliard
02. Vale Tudo - Sandra Sá part. esp. Tim Maia
03. Sombras do Passado - Luis Ricardo
04. A Terra do Faz-de-Conta (The Land of Make Believe) - Harmony Cats
05. Te Voglio Bene - Gilberto Lemos
06. Que Bela a Vida - Roberto Leal
07. Pecado de Amor - Mário Lúcio
08. O Que É Que Há - Fábio Jr
09. Imagens - Carlinhos Borba Gato
10. Solidão de Amigos - Jessé
11. Mintchura - Neusa Brizola
12. Cachoeira - Ronnie Von
13. A Justiça de Deus - Sonia Maya
14. Sonhar Colorido - Fruto da Terra

Para baixar esta coletãnea em FLAC, clique AQUI. 

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