terça-feira, 30 de junho de 2026

Kiko e Kika - O Sapo Cantador (1987)

 

Lançado pela gravadora Copacabana em 1987, Kiko e Kika surgiu em um dos períodos mais férteis do mercado fonográfico infantil brasileiro. A segunda metade dos anos 1980 foi marcada pela expansão de coletâneas temáticas, personagens licenciados e artistas voltados ao público infantil, muitos deles derivados de programas de televisão ou concebidos especialmente para esse segmento, que vivia um momento de grande efervescência comercial.

Para dar personalidade aos sapos, as músicas utilizavam o efeito vocoder, responsável pelo timbre característico que remetia ao coaxar dos personagens. Embora o disco apresentasse dois protagonistas, Kiko e Kika não eram interpretados por uma dupla de cantores: todas as vozes foram gravadas por Jorge Gambier, que recorria ao processamento eletrônico para criar a convincente ilusão de dois personagens distintos. Vale diferenciar o vocoder — recurso amplamente empregado na disco music dos anos 1970 — do auto-tune moderno, utilizado principalmente para correção de afinação e como efeito vocal.

Produtor atuante na indústria fonográfica brasileira desde a década de 1970, Jorge Gambier foi o idealizador de Kiko e Kika e já havia assinado outros trabalhos de sucesso na Copacabana, como Disco Baby — que deu origem ao grupo As Melindrosas, formado pelas irmãs de Gretchen — e Os Três Patinhos (1980), outro projeto que explorava vozes processadas eletronicamente.

Antes de ganhar um álbum próprio, porém, Kiko e Kika estrearam no compacto "O Sapo Cantador", posteriormente incluído na coletânea No Mundo da Criança. Nos primeiros encartes, os personagens apresentavam um visual bastante diferente daquele que se tornaria mais conhecido: ilustrações inspiradas em esculturas de papel machê, desenvolvidas pela Casinha de Animação, conferiam aos sapos uma identidade visual singular para a época.

O álbum reúne 12 faixas que misturam canções tradicionais de domínio público, cantigas de roda e versões curiosas de sucessos populares, como "A Perereca da Vizinha", de Dicró, o clássico sertanejo "Fuscão Preto" e temas festivos como "Parabéns a Você". Como atrativo adicional, a parte frontal do encarte podia ser colorida pelas crianças.

A produção foi desenvolvida pela Som Indústria e Comércio S.A. (Copacabana Discos), a partir de uma concepção de Jorge Gambier, sob direção artística de Juvenal de Oliveira. As gravações ficaram a cargo dos técnicos Paulo Jurazo, Getúlio B. C. Júnior e Zécafi, enquanto a mixagem foi realizada por Paulo Jurazo e Getúlio B. C. Júnior. O corte do LP foi executado por Getúlio B. C. Júnior e a montagem ficou sob responsabilidade de Leandro E. Grandi, equipe que contribuiu para transformar a proposta de Gambier em um disco que soube combinar recursos eletrônicos, repertório infantil e uma identidade sonora bastante peculiar.

Para divulgar o lançamento, a Copacabana confeccionou fantasias dos personagens e escalou dois atores para interpretá-los em apresentações na televisão. Kiko e Kika participaram de programas infantis comandados por Xuxa, Mara Maravilha, Sérgio Mallandro e Angélica, além de atrações voltadas ao público adulto, como os programas de Chacrinha e Bolinha, ampliando a visibilidade do projeto em um período de forte concorrência no mercado infantil.

Faixas:
01. A Perereca Da Vizinha
02. O Computador (Computer)
03. Sapinho Encantado
04. Sapo Louco (Poco Loco)
05. Parabéns À Você
06. O Bom Menino
07. O Sapo Cantador (Do The Frogleg)
08. O Sapo
09. Pi Piruli (Ti Tiroli) (Qua Qua Qua)
10. Noite Feliz (Stille Nacht, Hellige Nacht) / Boas Festas
11. Gatinha Parda / Passarás, Passarás / Sapo Cururu
12. Fuscão Preto

Para baixar este álbum em FLAC, clique AQUI.

3 comentários:

  1. eu vi o disco num antigo comercial postado no YouTube

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  2. Genteeee, eu tinha esse álbum... Jesuis!

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  3. legal, não conhecia esse trabalho, é exatamente o que eu falo, naquela época, a tecnologia já auxiliava os grandes produtores musicais, era aquela voz de computador, feita apartir da voz humana, que mais tarde passou a ser chamada de voz sintética, bem dizer, se é que podemos dizer, naquela época, já estávamos caminhando para uma IA. e olha que os recursos eram escassos, mas ficava perfeito essas produções. show de bola mesmo, não conhecia esse disco. parabéns como sempre amigo denis!

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