terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

🎂 Meu Aniversário, Meu Trabalho e o Resgate da Humanidade Digital

Hoje, 03 de Fevereiro, completo mais um ano de vida. E, em vez de apenas celebrar com música, decidi fazer uma pausa para falar sobre algo que muitas vezes se perde entre um clique e um download: o ser humano por trás da Gazeta do Som.

Muitos chegam aqui e enxergam uma máquina. Pensam que a restauração de um álbum é um processo automático, frio e imediato. Não é.

Para que vocês ouçam aquela canção dos vinis sem o estalo que incomoda, existe um homem que:

  1. Garimpa e investe: Gasta do próprio bolso para comprar o LP original.

  2. Prepara: Lava o disco, cuida da agulha, calibra o equipamento.

  3. Trabalha: Grava, limpa ruído por ruído, equaliza e revisa cada segundo de áudio.

Eu não sou um robô. Não sou um "uplayer" de arquivos. Sou um restaurador.

Neste meu novo ciclo, quero deixar claro que a Gazeta do Som não é um serviço sob demanda. É um projeto de paixão e técnica. Importunações constantes, pedidos repetitivos feitos por quem sequer lê o que eu escrevo ou ignora o meu esforço, não terão mais espaço aqui.

A partir de hoje, meu presente de aniversário para mim mesmo é a paz. Não responderei a quem trata este blog como um balcão de entregas. A música é para ser celebrada, mas o trabalho de quem a resgata precisa ser respeitado.

Obrigado aos amigos e seguidores reais, que comentam com alma, que ouvem com atenção e que entendem que, por trás de cada remasterização, existe um coração batendo e um par de ouvidos trabalhando duro.

Vamos celebrar a música de verdade.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Simony - Sonhando Acordada (1989)

Lançado pela CBS em 1989, o álbum "Sonhando Acordada" é muito mais que um disco de transição; é um documento histórico sobre a autonomia artística de uma estrela mirim que, aos 12 anos, já se mostrava vigilante de seu próprio repertório. Sob a produção cuidadosa de Mauro Motta e Carlão, Simony abriu um mundo novo, trocando o lúdico do Balão Mágico por um pop juvenil sofisticado e autêntico.

A Narrativa da Transição Interescolar

O grande mérito do disco é tratar o cotidiano adolescente com seriedade. Em vez de temas vazios, as letras (muitas em parceria com Biafra) desenham uma "dramaturgia de colégio" legítima. Da paixão entre livros e aulas de inglês em "I Love You" à melancolia dos corredores escolares na faixa-título, Simony canta o protagonismo feminino sem apelar para a sensualidade precoce. Ela é a menina que observa, que sente ciúmes em festinhas e que reivindica seus sentimentos.

Uma Cozinha de Gigantes

Para sustentar essa nova fase, a CBS mobilizou um verdadeiro "Dream Team" da música brasileira. A ficha técnica é um atestado de qualidade:

  • A Batida: A precisão de Sérgio Herval (Roupa Nova) e a experiência de Picolé na bateria.

  • A Harmonia: Os pianos e sintetizadores de mestres como Eduardo Lages, Nico Rezende, Ricardo Leão e Vitor Chicri.

  • O Toque de Classe: As guitarras de Serginho Knust e Nilo Pinta, além do saxofone luxuoso de Leo Gandelman.

O Silêncio e a Dignidade

Diferente de contemporâneas que foram "adultizadas" pela indústria, Simony usou sua estabilidade financeira para ser dona de sua narrativa. Este disco preparou o terreno para a voz firme que o Brasil reencontraria anos depois. Aqui, ela não era apenas uma intérprete; era uma artista que escolhia seus temas e seus músicos, garantindo que o público a enxergasse como uma cantora de verdade, pronta para o que o futuro reservasse.

"Sonhando Acordada" permanece, décadas depois, como um exemplo de pop nacional feito com respeito, inteligência e um refino técnico que poucas vezes se viu em álbuns voltados para o público jovem.

Remasterização de 2024 e a finalização em 2026

Fiz uma remasterização do LP em 2024 com uso de agulha Concorde Mix da Ortofon. Agora, em janeiro de 2026, regravei as duas últimas faixas de cada lado com agulha Concorde Club (Elíptica) e apliquei sobre todasas faixas do LP o MVSep DeNoise, dando o gran finale digna de master tape ao disco. 

Faixas:
01. Acho Que Sou Louca (I Should Be So Lucky)
02. Prancha Amarela
03. Só Você (All This Time)
04. Deixe o Tempo Dizer (En Tu Sonrisa)
05. Como Eu Vou Dançar? (Sacame a Bailar)
06. Meu Primeiro Grande Amor
07. Vem pra Mim (Hoy por Ti, Mañana por Mi)
08. Sonhando Acordada (Could've Been)
09. Rádio Romance (Radio Romance)
10. I Love You

Para baixar o album em FLAC, clique AQUI.

sábado, 31 de janeiro de 2026

Márcio Greyck - Pés No Chão e Coração nas Nuvens (1987)

Márcio Greyck: A Trajetória de um Ícone Romântico


Márcio Greyck consolidou-se como um dos maiores nomes da música brasileira na década de 1970. O sucesso nacional veio de forma explosiva com a canção "Impossível acreditar que perdi você", parceria com seu irmão Cobel, que vendeu mais de 500 mil cópias e permaneceu nas paradas por seis meses consecutivos. Essa obra tornou-se um marco, sendo regravada por mais de 60 artistas, incluindo nomes como Wilson Simonal e Fábio Júnior. Além de intérprete, Greyck firmou-se como um compositor respeitado, tendo canções como "Tentativa" e "Vivendo por viver" gravadas pelo "Rei" Roberto Carlos.

O LP de 1987: "Pés no Chão e Coração nas Nuvens"


Em 1987, pelo selo Tropical (PolyGram), Márcio lançou o álbum objeto deste resgate. Produzido por Durval Ferreira, o disco traz parcerias marcantes com compositores como Carlos Colla e Ary de Assis.
  • Parcerias de Peso: No disco, ele divide composições com nomes como Carlos Colla (em "Sim", "Um Tempo" e a faixa-título do album) e Ary de Assis em "Amante Solidão", "Será Que Ela Pensa em Mim?" e "Essa Mulher"), mantendo a essência romântica que o premiou com a Gaviota de Plata no Chile em 1983.

  • Colaboração de outros autores: Além das parcerias com autores, Márcio Greyck destaca sua importância de intérprete de canções de outros autores como Nenéo (em "Depois Se Vá" e "Desencontro"), Fernando Adour e Ricardo Magno (em "Quem É Ela?"), e Carlos Colla e Ed Wilson (em "Um Tempo").
  • Destaque Comercial: A faixa de abertura, "Põe Um Beijo Em Minha Boca", de Ed Wilson e Cury Heluy, alcançou grande projeção, figurando na coletânea Sucesso Maior da Som Livre em 1988.

Carreira Contemporânea e Atividade

A trajetória de Márcio Greyck não se encerrou nos anos 80. O artista permanece em plena atividade, residindo em Belo Horizonte e realizando shows por todo o Brasil.

  • Trabalho em Família: Atualmente, colabora com seu filho mais novo, Bruno Miguel, na preparação de novos projetos musicais.

  • Presença no Cinema: Recentemente, sua imagem e obra foram celebradas no cinema brasileiro, com participações e trilhas sonoras em filmes como Cine Holliúdy, Árido Movie e O Homem que Desafiou o Diabo.

Remasterização de 2024 e a finalização do MVSep

Fiz uma remasterização do LP em 2024 com uso de agulha Concorde Mix da Ortofon. Agora, em janeiro de 2026, apliquei sobre as faixas do LP o MVSep DeNoise, dando o gran finale digna de master tape ao disco. 

Faixas:
01. Põe Um Beijo na Minha Boca
02. Amante Solidão
03. Essa Mulher
04. Sim
05. Depois Se Vá
06. Pés no Chão e Coração nas Nuvens
07. Quem É Ela?
08. Será Que Ela Pensa em Mim?
09. Desencontro
10. Um Tempo

Para baixar este álbum em FLAC, clique AQUI.

Dalto - Um Coração em Mil (1988)

Dalto: O Mestre das Melodias e a Raridade de "Um Coração em Mil"

Dalto Roberto Medeiros é um dos pilares da sofisticação pop brasileira. Nascido em Niterói em 22 de junho de 1949, o médico que escolheu a música nos deu alguns dos hinos mais inesquecíveis da nossa memória afetiva.

De sua origem no rock psicodélico com a banda Os Lobos até se tornar o compositor de sucessos estrondosos como "Anjo" (Roupa Nova) e "Bem-te-vi" (Renato Terra), Dalto sempre imprimiu uma assinatura única: o equilíbrio perfeito entre sintetizadores, guitarras suaves e uma poesia madura.

O Álbum "Um Coração em Mil" (1988)

Em 1988, Dalto lançou seu quinto trabalho solo, "Um Coração em Mil", pela extinta gravadora 3M. O disco é uma joia daquela transição sonora do final dos anos 80 e emplacou o hit "Quase Não Dá Pra Ser Feliz", imortalizado na trilha da novela Bebê a Bordo. Por ter sido lançado em um período próximo ao encerramento das atividades da 3M, este álbum tornou-se um item muito especial para colecionadores.

Remasterização e Polimento 2026

O LP foi remasterizado a partir do vinil em abril de 2024, utilizando agulha Ortofon Concorde Mix, garantindo mais definição e riqueza nos detalhes sonoros.

Entretanto, decidi elevar a experiência de audição deste clássico. O processo de recuperação apresenta como diferencial o polimento sonoro realizado em janeiro de 2026 com a tecnologia MVSep DeNoise, entregando uma clareza digna de master tape para um disco que merece ser ouvido em sua plenitude.

Processo de Matchering: Para integrar "O Amor Não É Um Filme" – canção de 1990 da gravadora PolyGram, exclusiva da novela "Barriga de Aluguel" – e "Faça Um Pedido" – canção de origem independente de 2009, exclusiva da novela "Amor À Vida" – ao corpo do LP de 1988, utilizei o processo de Matchering. Isso garantiu uma assinatura sonora uniforme, equalizando o peso e a textura de todas as faixas para uma experiência de audição contínua e imersiva.

Faixas: 
01. Um Coração em Mil
02. Quase Não Dá para Ser Feliz
03. Mais Uma Vez em Mim
04. Paguei e Perdi
05. Leão Ferido
06. Amor Profano
07. Repetindo o Ano
08. Eu Tô Voltando pra Você
09. Nenhum Lugar
10. A Canção do Nosso Amor
11. O Amor Não É Um Filme (Bônus)
12. Faça Um Pedido (Bônus)

Para baixar o album em FLAC, clique AQUI.

Ruban - Vitrine (1986)

Ruban: O Arquiteto de Hits da Era de Ouro do Pop Brasileiro

Rubens de Queiroz Barra, artisticamente conhecido como Ruban, é um dos nomes mais versáteis e influentes, ainda que por vezes subestimado, da música e da televisão brasileira. Nascido em Valença (RJ) em 5 de maio de 1950, Ruban não apenas viveu a efervescência cultural das décadas de 70 e 80, mas ajudou a moldar a sonoridade que definiu o Brasil naquela época.

O Mestre dos Bastidores e Compositor de Hits

Sua assinatura está presente em hinos geracionais. Em parceria com Nelson Motta, compôs "Dancin' Days", o tema de abertura da novela homônima de 1978 que transformou as As Frenéticas em um fenômeno nacional. Poucos anos depois, capturou o espírito de liberdade feminina dos anos 80 ao compor, junto com Patrícya Travassos, o clássico "Eu Sou Free" para o grupo Sempre Livre.

O Fenômeno Solo: "Cinderela" e o Álbum Vitrine

Embora sua atuação nos bastidores fosse intensa, Ruban brilhou sob os holofotes em 1986. Seu álbum solo, "Vitrine" (EMI), entregou ao público uma das canções mais executadas daquele ano: "Cinderela". O compacto tornou-se um sucesso de vendas, consolidando sua voz suave e sua estética pop/sofisticada nas rádios de todo o país, ao lado de faixas como "Vitrine" e "Só Ser de Você".

A Carreira na TV Globo e Versatilidade Artística

O talento de Ruban para entender o que o público gosta de ouvir o levou a uma sólida trajetória de 25 anos na Rede Globo. Como produtor musical, ele esteve por trás da identidade sonora de sucessos como:

  • Novelas: O Clone e Laços de Família.

  • Programas: Fantástico, Domingão do Faustão, Os Trapalhões e a trilha original do Big Brother Brasil.

Sua veia artística também o levou para a frente das câmeras em 1990, quando deu vida ao personagem Agnaldo Peixoto na temporada de estreia da Escolinha do Professor Raimundo, interpretando com humor um aspirante a cantor.

A Consolidação da Carreira Autoral: De 2017 a 2025

Após décadas dedicadas à produção musical nos bastidores da TV e à composição para grandes nomes da música brasileira, Ruban redirecionou seu foco para a própria voz. Desde 2017, ele vem construindo uma discografia solo consistente e contemporânea, provando que sua capacidade de criar melodias marcantes permanece intacta.

Remasterização de 2024 e a finalização do MVSep

Esta publicação contou com o apoio cultural do meu amigo Robson Oliveira, do canal do YouTube Roupa Nova Participações link AQUI, que me presenteou com este disco. Com o LP em mãos, fiz uma remasterização do LP em 2024. As plataformas digitais já haviam incluído o lançamento do album de 1986, mas insatisfeito com a qualidade, decidi fazer a minha própria remasterização. com uso de agulha Concorde Mix da Ortofon. Agora, em janeiro de 2026, apliquei sobre as faixas do LP o MVSep DeNoise, dando o gran finale digna de master tape ao disco. 

Faixas: 
01. Vitrine
02. Só Ser de Você
03. Vem Comigo
04. Trinta Anos
05. Essa Garota
06. Suíte de Castanhas
07. Dancin' Days
08. Cinderela
09. Eu Sou Free
10. Vitrine (Remix)

Para baixar o album em FLAC, clique AQUI.

Paulo Maia - Palavra de Menino (1983)

Paulo Maia: o ícone da MPB dos anos 80 que une música e história em Itaboraí

Com uma trajetória que une os palcos da TV nacional à pesquisa histórica, o cantor, compositor e historiador Paulo Maia (conhecido na discografia como Paulinho Maia) reafirma seu legado na cultura fluminense. Com passagens marcantes pela gravadora Polygram e trilhas sonoras de novelas, o artista hoje equilibra sua produção musical com a preservação da memória da cidade de Itaboraí.

Nascido em São Gonçalo e radicado em Itaboraí desde os 17 anos, Paulo Maia tornou-se um nome onipresente na cultura local. Na década de 80, alcançou o estrelato nacional com o hit "Eu preciso de você", tema da novela O Direito de Nascer (SBT), e participações nos maiores programas de auditório da época, como Hebe Camargo e Raul Gil.

Discografia e relevância midiática

Segundo pesquisado pelo Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira, a carreira musical antes de sacramentar o primeiro album em 1983, trilhou um caminho independente com a gravação alguns compactos: “Exodus”, com as faixas “A Resposta Está em Seu Coração!” e “A Trilha do Sol”, ambas de sua autoria e co-produzido com Everson Dias. Em 1980, retoma a parceria com Dias e produz um compacto duplo independente com as faixas “Tudo que você gostava” com suas composições “Eu Preciso de Você”, “Quando Vejo o Sol”, “Água clara” e a faixa-título “Tudo que Você Gostava”. Todas estas canções entraram para o album lançado pela PolyGram em 1983, "Palavra de Menino" com direção musical e arranjos de Rick Ferreira e produção de João Augusto (Deck Produções). 

Diversas canções do "Palavra de Menino" serviram de repertório para as FMs que na primeira metade da década de 1980 investia pesado na renovação da música brasileira. Foram sucesso do disco a música "Eu Preciso de Você", “Quase Morri de Amor” – essa foi sucesso inter-regional, "Moça Bonita", “Palavra de Menino” e “Cante Uma Canção”. 

Em 1984, João Augusto e Paulinho Fructuoso produziram o compacto "Morena de Itamaracá / Boa Nova". Em conversa com Paulo Maia em 2023, ele contou que a canção "Morena de Itamaracá" foi uma homenagem direta do músico à beleza da modelo e atriz Suzy Rego, eleita em 1984 a Miss Pernambuco, nascida em Itamaracá. Mas a canção "Boa Nova" esteve presente em coletâneas de divulgação da PolyGram.

O cantor voltaria para o mercado independente, mesmo com distribuição da PolyGram, lançando um compacto com sua produção em parceria com Rick Ferreira e Everson Dias, "Coração Pirata / Lilian My Love", um item raro para colecionador.

Versatilidade e Composições

Sua face como compositor é vasta, com obras interpretadas por grandes nomes do forró e da música popular, incluindo: 

"Beijo de Brejo" - composta com Dominguinhos e gravada pelo músico em 1979

"A Solidão" – composta por Paulo Maia e gravada por Osvaldo Américo, em 1988

"Eu Preciso de Você" – regravada por Frank Aguiar em 2001.

"Quase Morri de Amor" – esta canção incrivelmente foi se tornar um clássico do forró nordestino, sendo registrada por artistas como Natinho da Ginga (1985), Banda Capilé (1989), Ronier (1991), Banda Keijo de Mel (1997) – essa registrou a gravação em ritmo frevorró (interessantíssimo! –, Banda Forrozão Corta Fogo (2000), Banda Bicho da Goiaba (2002), Saia Rodada (2005), Nice Moreno (2015), Laércio e Forró Nó de Cana (2020) e Waldonys (2024). 

O Guardião da Memória

Além da música, Paulo é Professor de História e uma peça fundamental no jornalismo da região. Foi editor do histórico jornal O Itaborahyense e atualmente dirige o veículo cultural Zoada Bonita. Sua dedicação à cidade resultou no CD-ROM "Itaboraí História e Informações Gerais", uma das principais fontes de pesquisa sobre o município.

Atividade Atual

Afastado dos grandes circuitos midiáticos, Paulo Maia não abandonou os palcos. O músico mantém apresentações regulares em casas de shows e bares do Rio de Janeiro, onde apresenta um repertório focado em clássicos da MPB e do Pop Rock internacional, além de gerir seu próprio estúdio de gravação para trilhas e jingles. Engana-se quem pensa que o músico parou de compor! É recente a publicação nas plataformas digitais do album "Sentimento Bom", produzido em 2018 de forma totalmente independente, inclusive regravando em reggae a canção "Boa Nova", que tem uma mensagem forte após o período turbulento de pandemia que o mundo enfrentou.

Remasterização de 2023 e a finalização do MVSep

Em posse do LP que adquiri com o arquivologista Rodrigo Gabriel Guarra na plataforma Discogs, fiz uma remasterização do LP em 2022. As plataformas digitais já haviam incluído o lançamento do album de 1983, mas insatisfeito com a qualidade, decidi fazer a minha própria remasterização. com uso de agulha Concorde Mix da Ortofon. Agora, em janeiro de 2026, apliquei sobre as faixas do LP o MVSep DeNoise, dando o gran finale digna de master tape ao disco. 

(Colaboração de estruturação textual: Gemini)

Faixas: 
01. Eu Preciso de Você
02. Quase Morri de Amor
03. Moça Bonita
04. Bota Sentido, Moço
05. Fiozinho
06. Água Clara
07. Palavra de Menino
08. Quando Vejo o Sol
09. Cante Uma Canção
10. Clarissa
11. Tudo que Você Gostava
12. Saudade

Para baixar o album em FLAC, clique AQUI.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Metropolis - Trilha Sonora de Giorgio Moroder (1927 / 1984)


Metrópolis (1984): A Restauração de Giorgio Moroder


A trilha sonora original do filme Metrópolis, composta e produzida por Giorgio Moroder, representa um marco na intersecção entre o cinema clássico e a música pop dos anos 80. Esta edição brasileira, lançada pela Discos CBS em 1984, documenta o esforço de Moroder em revitalizar o filme concebido por Fritz Lang em 1927, para uma nova geração.

O ano é 2026 (cem anos após o ano em que o filme foi produzido). Em um cenário dickensiano, vivemos o "melhor e o pior dos tempos", onde a manipulação das massas é exercida pelo poder inquestionável de poucos. Muito abaixo da Cidade de Metrópolis, encontra-se a Cidade Subterrânea: um lugar onde máquinas são operadas por trabalhadores que vivem em níveis ainda mais profundos, forçados diariamente aos limites da resistência humana em uma rotina puramente mecânica.

Contexto Histórico: Da Produção à Recuperação da Obra Perdida


Metropolis foi dirigido por Fritz Lang (1890-1976), baseado na obra de Thea von Harbou (1988-1954), que roteirizou o filme em parceria com Lang. O longa-metragem ainda conta com Alfred Abel, Gustav Fröhlich, Brigitte Helm e Rudolf Klein-Rogge no elenco. Contra a vontade de seu idealizador, a obra foi encurtada para o lançamento nos Estados Unidos, o que resultou em uma narrativa desconexa e na perda de diversas cenas que ficaram desaparecidas por décadas. 

Em 1984, boa parte da obra foi recomposta, recebeu cores, efeitos sonoros contemporâneos e uma trilha sonora de Giorgio Moroder (Música, produção e arranjos) e Pete Belotte (Letra), que acabaram construindo complemento à narrativa original. O enredo do filme e trechos (inclusive fotografias) foram recuperados; Metrópolis foi restaurado o mais próximo possível de sua concepção original, acompanhada de canções eletrizantes apresentadas por um elenco estelar de cantores e bandas, o que deu mais ritmo ao filme e se tornou um ícone da cultura pop que infelizmente seus idealizadores não puderam contemplar em vida.

Mas como sabem, Metropolis é uma obra do cinema mudo. Foi em 2002 que uma restauração significativa foi lançada pela Fundação Friedrich Wilhelm Murnau (Alemanha), que buscou aproximar o filme da sua versão original de estreia. Mas em fevereiro de 2010 uma versão definitiva – e fiel à película original – do filme foi apresentada no 60º Festival de Berlim de cinema. A versão em questão contou com um trabalho também arqueológico, que recuperou cenas do material perdido por décadas, que foi encontrado em um museu na Argentina em 2008, levando o filme à duração para aproximadamente 145 a 149 minutos, honrando de vez o legado deixado por Lang e Von Harbor.

O Conceito de Ópera Pop de Moroder e Belotte

O termo "Ópera Pop" é a definição perfeita para o que Moroder e Belotte realizaram. Ao contrário de uma trilha sonora comum, que apenas acompanha a imagem, ele estruturou o álbum de forma que as canções funcionassem como as "árias" de uma ópera, onde cada artista dá voz aos sentimentos e dilemas dos personagens:

  • O Sagrado e o Profano: A voz etérea de Jon Anderson em "Cage of Freedom" traz uma espiritualidade quase religiosa para o sofrimento dos operários, contrastando com o som industrial das máquinas.

  • O Drama Humano: Canções como "Here's My Heart" (Pat Benatar) e "Love Kills" (Freddie Mercury) elevam o romance de Freder e Maria a um nível épico, transformando um filme mudo em uma experiência sensorial moderna e emocional.

  • A Narrativa Musical: A criação de letras por Pete Bellotte, que entendeu o arcabouço narrativo que precisava adotar para preencher as lacunas das cenas perdidas na época, guia o ouvinte através da "Lenda de Babel" e da dualidade entre a "cabeça" e as "mãos".

O Conflito de Poder e a Crianção do Robô


A estrutura de Metrópolis sustenta-se sobre o sacrifício dos trabalhadores na Cidade Subterrânea. Quando Maria surge pregando a união e a paciência, ela se torna uma ameaça ao sistema estabelecido por Joh Fredersen:

  • A Estratégia de Fredersen: Ele ordena que o inventor Rotwang crie uma ginoide (a Maschinenmensch) com a face de Maria para desmoralizá-la perante os operários.
  • A Traição de Rotwang: O que Fredersen não previu foi o ressentimento de Rotwang. O inventor programa o robô não apenas para perverter a imagem de Maria, mas para incitar os trabalhadores a uma revolta violenta e à destruição das máquinas.
  • O Objetivo Oculto: O plano secreto de Rotwang era destruir o império de Fredersen como vingança pessoal, usando a própria criação tecnológica para levar a cidade ao colapso total.

Do rip encontrado no RuTracker ao MVSep DeNoise:

Em 2011, um cidadão norte-americano, publicou um torrent de uma ripagem feita a partir de um LP em perfeito estado de conservação (Mint), com uso de toca-discos Technics SL-1200 MK5, agulha Osa MK2 (atualmente extinta no mercado) e pré-amplificador Cambridge Audio Azur 640P e interface E-MU 1212M v2. Eis uma configuração nível "canhão de guerra". O áudio foi capturado em 24 bits e 96 Khz via Adobe Audition 3.

Fiz a conversão do material bruto para o Wave padrão (16 Bits, 44,1 Khz) para trabalhar com a edição, com brilho de áudio no Pinnacle Clean e camada final de filtro do MVSep DeNoise, resultando numa qualidade de áudio cristalina, superior ao CD. 

A arte gráfica escaneada combinou Scans de Capa e Contracapa e Selos do material da CBS (prensagem brasileira) e Gatefold (Encarte aberto) e Folheto com letras e foto monocromática oriundos do arquivo original.  Tudo soa um material frankestein, mas é o resultado da combinância de áudio perfeito com arte gráfica na melhor resolução possível. 


Nota do editor – uma leitura do cenário atual:


O ano presente é 2026. Quando esta obra do audiovisual e da cultura pop foi lançada, com a nova visão de 1984, eu tinha ali 1 ano de idade. Atualmente prestes a completar 43 anos, quero contar um pouco da experiência que vivemos no ano atual.

É 2026, a sociedade em que estamos está mais estratificada. O abismo entre os muito ricos e os muito pobres cresceu e não existe uma classe proletariada em ascensão financeira, mas cada vez mais distante do ideal financeiro, dependente cada vez mais do Estado, que parece em diversas administrações do mundo, gastar mais do que arrecada com impostos.  Os muito ricos, temos Elon Musk, Mark Zuckerberg, Jeff Bezos, Bill Gates e outras dezenas que compõem essa elite de 1% dos que desenvolvem tecnologias que cada dia mais dão lugar aos humanos na terra. Sim, estamos falando dos criadores das vitrines para alimentar os falsos conquistadores do ideal social (Nós), uma sociedade que está alfabetizada digitalmente, mas burra intelectualmente (desinformada), despreparada para lutar por objetivos reais de vida. Nunca se viu um mundo onde muitos parecem ser influenciadores digitais das pessoas tendo sobre si a profundidade de conhecimento de um pires, falando jactanciosamente sobre tudo que alegam conhecer, mas se apertados não capazes de dar exeplos práticos de nada do que falam. Somado a isso, temos sociedades vivendo isoladas em bolhas, constituidos por uma câmara de eco, onde tudo o que importa é a confirmação de viés de seus equívocos, sem um mínimo de contraponto ao que é opositório para trazer reflexão e lucidez. A sociedade está dividia e polarizada, violenta e doente. Não se chega a um consenso do que a sociedade quer como um todo. O discurso maniqueísta sobrepujou a cobrança por uma liderança de equidade e os que governam seguem desviando os recursos dos fundos de reserva dos que trabalham deixando obrigatoriamente um percentual guardado no banco público.

Calma que piora! Sabe aqueles mananciais naturais que existiam? Eles estão dando lugar à verdadeira selva cibernética formada por datacenters, seus intermináveis fios e HDs de armazenamento, que sobrevivem da água para resfriar um sistema que não desliga e trabalha incessantemente para atender um ideal: o de encurtar o tempo do homem e poupar desgastes mentais e psicológicos da humanidade. 

Os jovens? Estão querendo fama replicando seus videos curtos de trends do TikTok nos reels do Instagram. As pessoas estão levando a vida de "arrasta pra baixo", mas de telas. Tudo não pode passar de três minutos, senão entendia o algoritmo. 

A verdade é que estes projetos da alta cúpula rica não existe um intermediador (o coração) e não existem mocinhos ou vilões. Todos somos culpados nesta sociedade que visa o entretenimento e o ruído constante sem momentos de vácuo, sono e silêncio, pra botar as idéias no lugar.

Elon Musk decretou que até o final desta década, a IA terá aprendido toda a consciência e sabedoria do ser humano e se tornará superior a raça humana. Errado ele não está, mas assim como a cidade de Metrópolis, o Globo Terrestre está fadado a ter milhares de torres de data centers e nenhum humano para dar o prompt de comando. Esse "proletariado" robótico que tem trabalhado para suprir nesta cadeia os bilionários desse mundo pode ser interrompido com o basta do homem.  Mas entre o poder e o querer existem um abismo colossal.

Falei demais, ouçam o trabalho feito!

Faixas: 
01. Love Kills - Freddie Mercury
02. Here's My Heart - Pat Benatar
03. Cage of Freedom - Jon Anderson
04. Blood From a Stone - Cycle V
05. The Legend of Babel - Giorgio Moroder
06. Here She Comes - Bonnie Tyler
07. Destruction - Loverboy
08. On Your Own - Billy Squier
09. What's Going On - Adam Ant
10. Machines - Giorgio Moroder

Para baixar esta magnífica trilha sonora em FLAC, clique AQUI.