quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Metropolis - Trilha Sonora de Giorgio Moroder (1927 / 1984)


Metrópolis (1984): A Restauração de Giorgio Moroder


A trilha sonora original do filme Metrópolis, composta e produzida por Giorgio Moroder, representa um marco na intersecção entre o cinema clássico e a música pop dos anos 80. Esta edição brasileira, lançada pela Discos CBS em 1984, documenta o esforço de Moroder em revitalizar o filme concebido por Fritz Lang em 1927, para uma nova geração.

O ano é 2026 (cem anos após o ano em que o filme foi produzido). Em um cenário dickensiano, vivemos o "melhor e o pior dos tempos", onde a manipulação das massas é exercida pelo poder inquestionável de poucos. Muito abaixo da Cidade de Metrópolis, encontra-se a Cidade Subterrânea: um lugar onde máquinas são operadas por trabalhadores que vivem em níveis ainda mais profundos, forçados diariamente aos limites da resistência humana em uma rotina puramente mecânica.

Contexto Histórico: Da Produção à Recuperação da Obra Perdida


Metropolis foi dirigido por Fritz Lang (1890-1976), baseado na obra de Thea von Harbou (1988-1954), que roteirizou o filme em parceria com Lang. O longa-metragem ainda conta com Alfred Abel, Gustav Fröhlich, Brigitte Helm e Rudolf Klein-Rogge no elenco. Contra a vontade de seu idealizador, a obra foi encurtada para o lançamento nos Estados Unidos, o que resultou em uma narrativa desconexa e na perda de diversas cenas que ficaram desaparecidas por décadas. 

Em 1984, boa parte da obra foi recomposta, recebeu cores, efeitos sonoros contemporâneos e uma trilha sonora de Giorgio Moroder (Música, produção e arranjos) e Pete Belotte (Letra), que acabaram construindo complemento à narrativa original. O enredo do filme e trechos (inclusive fotografias) foram recuperados; Metrópolis foi restaurado o mais próximo possível de sua concepção original, acompanhada de canções eletrizantes apresentadas por um elenco estelar de cantores e bandas, o que deu mais ritmo ao filme e se tornou um ícone da cultura pop que infelizmente seus idealizadores não puderam contemplar em vida.

Mas como sabem, Metropolis é uma obra do cinema mudo. Foi em 2002 que uma restauração significativa foi lançada pela Fundação Friedrich Wilhelm Murnau (Alemanha), que buscou aproximar o filme da sua versão original de estreia. Mas em fevereiro de 2010 uma versão definitiva – e fiel à película original – do filme foi apresentada no 60º Festival de Berlim de cinema. A versão em questão contou com um trabalho também arqueológico, que recuperou cenas do material perdido por décadas, que foi encontrado em um museu na Argentina em 2008, levando o filme à duração para aproximadamente 145 a 149 minutos, honrando de vez o legado deixado por Lang e Von Harbor.

O Conflito de Poder e a Crianção do Robô


A estrutura de Metrópolis sustenta-se sobre o sacrifício dos trabalhadores na Cidade Subterrânea. Quando Maria surge pregando a união e a paciência, ela se torna uma ameaça ao sistema estabelecido por Joh Fredersen:

  • A Estratégia de Fredersen: Ele ordena que o inventor Rotwang crie uma ginoide (a Maschinenmensch) com a face de Maria para desmoralizá-la perante os operários.
  • A Traição de Rotwang: O que Fredersen não previu foi o ressentimento de Rotwang. O inventor programa o robô não apenas para perverter a imagem de Maria, mas para incitar os trabalhadores a uma revolta violenta e à destruição das máquinas.
  • O Objetivo Oculto: O plano secreto de Rotwang era destruir o império de Fredersen como vingança pessoal, usando a própria criação tecnológica para levar a cidade ao colapso total.

Do rip encontrado no RuTracker ao MVSep DeNoise:

Em 2011, um cidadão norte-americano, publicou um torrent de uma ripagem feita a partir de um LP em perfeito estado de conservação (Mint), com uso de toca-discos Technics SL-1200 MK5, agulha Osa MK2 (atualmente extinta no mercado) e pré-amplificador Cambridge Audio Azur 640P e interface E-MU 1212M v2. Eis uma configuração nível "canhão de guerra". O áudio foi capturado em 24 bits e 96 Khz via Adobe Audition 3.

Fiz a conversão do material bruto para o Wave padrão (16 Bits, 44,1 Khz) para trabalhar com a edição, com brilho de áudio no Pinnacle Clean e camada final de filtro do MVSep DeNoise, resultando numa qualidade de áudio cristalina, superior ao CD. 

A arte gráfica escaneada combinou Scans de Capa e Contracapa e Selos do material da CBS (prensagem brasileira) e Gatefold (Encarte aberto) e Folheto com letras e foto monocromática oriundos do arquivo original.  Tudo soa um material frankestein, mas é o resultado da combinância de áudio perfeito com arte gráfica na melhor resolução possível. 


Nota do editor – uma leitura do cenário atual:


O ano presente é 2026. Quando esta obra do audiovisual e da cultura pop foi lançada, com a nova visão de 1984, eu tinha ali 1 ano de idade. Atualmente prestes a completar 43 anos, quero contar um pouco da experiência que vivemos no ano atual.

É 2026, a sociedade em que estamos está mais estratificada. O abismo entre os muito ricos e os muito pobres cresceu e não existe uma classe proletariada em ascensão financeira, mas cada vez mais distante do ideal financeiro, dependente cada vez mais do Estado, que parece em diversas administrações do mundo, gastar mais do que arrecada com impostos.  Os muito ricos, temos Elon Musk, Mark Zuckerberg, Jeff Bezos, Bill Gates e outras dezenas que compõem essa elite de 1% dos que desenvolvem tecnologias que cada dia mais dão lugar aos humanos na terra. Sim, estamos falando dos criadores das vitrines para alimentar os falsos conquistadores do ideal social (Nós), uma sociedade que está alfabetizada digitalmente, mas burra intelectualmente (desinformada), despreparada para lutar por objetivos reais de vida. Nunca se viu um mundo onde muitos parecem ser influenciadores digitais das pessoas tendo sobre si a profundidade de conhecimento de um pires, falando jactanciosamente sobre tudo que alegam conhecer, mas se apertados não capazes de dar exeplos práticos de nada do que falam. Somado a isso, temos sociedades vivendo isoladas em bolhas, constituidos por uma câmara de eco, onde tudo o que importa é a confirmação de viés de seus equívocos, sem um mínimo de contraponto ao que é opositório para trazer reflexão e lucidez. A sociedade está dividia e polarizada, violenta e doente. Não se chega a um consenso do que a sociedade quer como um todo. O discurso maniqueísta sobrepujou a cobrança por uma liderança de equidade e os que governam seguem desviando os recursos dos fundos de reserva dos que trabalham deixando obrigatoriamente um percentual guardado no banco público.

Calma que piora! Sabe aqueles mananciais naturais que existiam? Eles estão dando lugar à verdadeira selva cibernética formada por datacenters, seus intermináveis fios e HDs de armazenamento, que sobrevivem da água para resfriar um sistema que não desliga e trabalha incessantemente para atender um ideal: o de encurtar o tempo do homem e poupar desgastes mentais e psicológicos da humanidade. 

Os jovens? Estão querendo fama replicando seus videos curtos de trends do TikTok nos reels do Instagram. As pessoas estão levando a vida de "arrasta pra baixo", mas de telas. Tudo não pode passar de três minutos, senão entendia o algoritmo. 

A verdade é que estes projetos da alta cúpula rica não existe um intermediador (o coração) e não existem mocinhos ou vilões. Todos somos culpados nesta sociedade que visa o entretenimento e o ruído constante sem momentos de vácuo, sono e silêncio, pra botar as idéias no lugar.

Elon Musk decretou que até o final desta década, a IA terá aprendido toda a consciência e sabedoria do ser humano e se tornará superior a raça humana. Errado ele não está, mas assim como a cidade de Metrópolis, o Globo Terrestre está fadado a ter milhares de torres de data centers e nenhum humano para dar o prompt de comando. Esse "proletariado" robótico que tem trabalhado para suprir nesta cadeia os bilionários desse mundo pode ser interrompido com o basta do homem.  Mas entre o poder e o querer existem um abismo colossal.

Falei demais, ouçam o trabalho feito!

Faixas: 
01. Love Kills - Freddie Mercury
02. Here's My Heart - Pat Benatar
03. Cage of Freedom - Jon Anderson
04. Blood From a Stone - Cycle V
05. The Legend of Babel - Giorgio Moroder
06. Here She Comes - Bonnie Tyler
07. Destruction - Loverboy
08. On Your Own - Billy Squier
09. What's Going On - Adam Ant
10. Machines - Giorgio Moroder

Para baixar esta magnífica trilha sonora em FLAC, clique AQUI.

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