Ponto e Vírgula foi um projeto musical surgido na década de 1970, tendo entre seus integrantes Tukley, nome artístico do paranaense Tuclay Ganzert, natural de Tomazina/PR, e o cantor e compositor Marcelo Fasolo, natural de Santo Ângelo/RS.
A trajetória do Ponto e Vírgula passou por diferentes formações ao longo daquela década. Tukley e Marcelo Fasolo estiveram juntos na fase que revelou “Chacrilongo”, enquanto posteriormente o projeto também contou com a participação de Lu Stopa. Entre as músicas associadas ao Ponto e Vírgula está “Laiká Nóis Laika (Mas Money Que É Good Nóis Não Have)”, cuja irreverente mistura de português e inglês acabou sendo lembrada muitos anos depois pela expressão “money que é good nóis não have”, popularizada pelos Mamonas Assassinas na música “1406”.
A história conhecida do Ponto e Vírgula costuma se concentrar nesses registros dos anos 1970. No entanto, um compacto duplo lançado pela Continental em 1980 revela que o projeto teve continuidade sem Tukley, permanecendo diretamente ligado a Marcelo Fasolo.
Nesse disco, Fasolo assina três das quatro músicas: “Deixe Dessa Frescura”, “Bole Bole” e “Rita Lee”. A única exceção é “Aquela Velha História”, composta por Cláudia.
A capa do compacto registra Marcelo Fasolo ao lado de uma cantora loira, cuja identidade não é informada no disco. Entre os créditos, chama atenção justamente o nome de Cláudia, que aparece apenas como autora de “Aquela Velha História”.
Até o fechamento desta publicação, o Gazeta do Som procurou contato com Marcelo Fasolo na tentativa de esclarecer quem era sua parceira no Ponto e Vírgula nessa fase, já que Tukley havia seguido por outra vereda musical, que incluiu trabalhos ao lado de Raul Seixas.
As gravações contaram com a participação do Conjunto Placa Luminosa, com Ari (baixo), Riba Nascimento (guitarra), Jota Resende (teclados), Luiz Gadelha (percussão e bateria) e Mário Lúcio Marques (sax). Mário Lúcio teve participação especialmente importante no projeto, assinando também os arranjos, a regência e a mixagem, além de dividir a produção com Marcelo Fasolo. Na função de produtor, aparece creditado pelo apelido “Pé de Louro”.
Participaram ainda Pique Riverte no acordeon e sax, T. Maia na percussão e Marco, Bisa e Rosana nos vocais.
Entre as faixas, chama atenção “Rita Lee”, homenagem de Marcelo Fasolo à cantora e compositora. A letra faz diversas referências ao repertório de Rita, enquanto o arranjo segue uma linha de rock próxima à sonoridade que marcou parte de sua carreira nos anos 1970.
Alguns detalhes curiosos cercam os créditos do disco. O misterioso “T. Maia”, indicado na percussão, trata-se de Tim Maia, embora a ficha técnica do compacto apresente apenas a forma abreviada de seu nome. Já os vocalistas creditados simplesmente como Marco, Bisa e Rosana são, respectivamente, Marku Ribas, Bisa Nascimento — irmã de Riba Nascimento — e Rosana Fiengo, que anos mais tarde alcançaria projeção nacional com “O Amor e o Poder (The Power of Love)”.
O compacto de 1980 torna-se especialmente interessante por documentar uma fase pouco conhecida do Ponto e Vírgula: já sem Tukley, mas com Marcelo Fasolo dando continuidade ao projeto, agora acompanhado em estúdio pelos músicos do Placa Luminosa.
O comerciante de discos e DJ de Sumaré, Charles Portilho, cedeu o compacto para a remasterização, realizada ainda em 2025. A captura foi feita com agulha Shure M44G, seguida de limpeza de estalos e ruído residual, além de uma boa equalizada nos graves, médios e agudos. Não espere milagre, é um compacto da Continental!
Faixas:
01. Aquela Velha História
02. Deixe Dessa Frescura
03. Bole Bole
04. Rita Lee
Para baixar o compacto em FLAC, clique AQUI.

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