terça-feira, 8 de setembro de 2026

Cláudio Nucci - Cláudio Nucci (1981)

Lançado pela EMI-Odeon em 1981, o álbum homônimo Cláudio Nucci marcou a estreia do cantor e compositor em LP solo, após sua passagem pelo Boca Livre. O disco reúne dez composições de Nucci, sozinho ou em parceria com nomes como Juca Filho, Luiz Fernando Gonçalves, Zé Luiz, José Luis Oliveira e Mauro Assumpção, além das participações especiais de Zé Renato, em “Luz do Dia”, e Nana Caymmi, em “Vontade de Viver”.

A direção de produção ficou a cargo de Renato Corrêa, com produção executiva de Mayrton Bahia. Entre os músicos que participaram das gravações estão Rodrigo Campello, Zé Rô, André Tandeta, Gordo, Dori Caymmi, Danilo Caymmi, Wagner Tiso, Jacques Morelenbaum, Mauro Senise, Marcos Farina, Antonio Santana, Roberto Silva, João Firmino e Marcio Nucci. O próprio Cláudio Nucci toca violão em várias faixas.

Os arranjos creditados no encarte são de Dori Caymmi, em “Vontade de Viver”, “Valsa dos Casais” e “Prece”, e Wagner Tiso, em “Acontecência” e “Gosto de Mim”. Em “Luz do Dia”, o arranjo vocal é creditado a José Renato, Heraldo Amaral e Cláudio Nucci. As demais músicas não apresentam crédito específico de arranjador.

O álbum homônimo Cláudio Nucci chegou às plataformas digitais somente em outubro de 2025, via Universal Music, com os fonogramas creditados à EMI Records Ltda., mas com uma ausência: “Buscando Amor”, última faixa do LP, ficou de fora. O material encontrado no Deezer apresenta características que indicam uma transferência a partir da master tape original, pela pureza do áudio, pelo hiss típico de fita, pelo equilíbrio perceptível e pela qualidade sonora característica de um material bruto. Foi justamente essa a fonte utilizada nesta remasterização, com redução de ruído por MVSep DeNoise, reequalização com Satin e ganho de brilho através das ferramentas de masterização do Pinnacle Clean.

Para completar o repertório original, “Buscando Amor” foi extraída do LP com agulha elíptica Ortofon Concorde Club e recebeu o mesmo tratamento aplicado ao material digital. Incluí ainda como bônus “Quero Quero”, faixa lançada em 1980 e também disponibilizada nas plataformas digitais em outubro de 2025, sendo igualmente remasterizada para esta publicação.

A inclusão de “Quero Quero” como bônus também ajuda a situar o álbum na trajetória solo de Cláudio Nucci. Lançada em 1980, a canção foi tema da novela Plumas e Paetês, da TV Globo. No mesmo ano, “Acontecência” apareceu como lado B do compacto de “Quero Quero” e, em 1981, foi tema de Brilhante. Assim, as duas gravações ajudam a estabelecer a passagem entre o início de sua carreira solo e o lançamento do álbum de estreia.

Quem ouvir “Valsa dos Casais” vai perceber, bem no finzinho da faixa, uma citação de “Quero Quero” na flauta. Ouça com atenção! É bem legal!

Ah... e há quem não saiba – inclusive eu não sabia até escrever esse texto –, mas “Buscando Amor” teve problemas com a censura antes de seu lançamento. A implicância estava no verso em que Cláudio Nucci cantava “porque hoje em dia eu já ando baseado”: a palavra “baseado” foi interpretada como uma referência à maconha, embora fosse empregada na letra como forma do verbo basear. O caso chegou ao Conselho Superior de Censura e, em parecer datado de 9 de julho de 1981, Ricardo Cravo Albin defendeu a liberação integral da música, argumentando justamente que o sentido do termo era claramente verbal. A canção acabou sendo lançada normalmente no LP.

Curiosamente, mais de quatro décadas depois, “Buscando Amor” é justamente a única faixa que ficou de fora da edição digital do álbum. Como esses lançamentos de catálogo não têm sido acompanhados de um trabalho jornalístico que anuncie e faça uma revisão crítica do material disponibilizado, não encontrei qualquer explicação para a ausência. Em uma época em que tanto se discutem e combatem a censura e os resquícios da ditadura, é no mínimo lamentável que uma música que passou justamente por esse episódio desapareça de uma reedição sem qualquer esclarecimento. Fica aqui meu repúdio.

A publicação acompanha material gráfico proveniente do LP original, parcialmente restaurado com o uso do ChatGPT

Faixas:
01. Levezinho
02. Santo Protetor
03. Acontecência
04. Valsa dos Casais
05. Prece
06. Luz do Dia
07. Vontade de Viver
08. Asas a Voar
09. Gosto de Mim
10. Buscando Amor
11. Quero Quero (Bonus Track)

Para efeito de comparação, clique no Deezer ou Spotify.

Para ouvir o álbum remasterizado em FLAC, clique AQUI.

Um comentário:

  1. vou ouvir, e falando em sensura, o que a sensura não vetava em? vetaram rock das aranhas de raul seixas, não iriam vetar uma música que falava de amor? não seria novidade, se a sensura não desse seus pitacos. qualquer coisa, era subversão.

    ResponderExcluir

O Gazeta do Som não funciona por comandos, mas por seus critérios editoriais e pelos limites de quem realiza este projeto sozinho.

Pedidos de conteúdo devem seguir o formato:
Artista – Álbum (Ano).

Mesmo assim, um pedido não representa compromisso de publicação.

Entre um título citado e um álbum publicado existem pesquisa, investimento, garimpo, aquisição do material, restauração, remasterização e muitas horas de trabalho.

O espaço de comentários existe para promover o diálogo. Se um pedido eventualmente resultar em uma publicação, espera-se que a participação continue no próprio artigo. Reconhecer o trabalho realizado também faz parte da construção da memória que este projeto procura preservar.

Quem sugere um álbum participa do início da conversa; quem retorna ao artigo publicado ajuda a construir a história que o Gazeta do Som preserva.

Comentários que acrescentem informações verificáveis, apresentem documentos, corrijam dados com fontes ou ampliem a discussão são sempre bem-vindos.

Já comentários que se limitem a reproduzir informações sem comprovação, transformar a área de comentários em um novo artigo ou partir do pressuposto de que a pesquisa publicada estava incompleta não contribuem para a proposta do blog e, portanto, serão ignorados.

O objetivo deste espaço é reunir pessoas interessadas na preservação da memória musical brasileira, sempre com respeito ao trabalho de pesquisa.