domingo, 15 de fevereiro de 2026

Sarajane - História do Brasil (1987)

Nascida em Salvador (BA), em 18 de março de 1968, Sarajane de Mendonça Tude iniciou sua trajetória artística ainda na infância, gravando jingles publicitários aos doze anos. Na adolescência, integrou importantes trios elétricos baianos, entre eles Tapajós e Novos Bárbaros, experiência que consolidou sua presença nos palcos do Carnaval de Salvador. Seu talento ganhou projeção nacional a partir do incentivo de Abelardo Barbosa, o Chacrinha, figura decisiva na divulgação de novos artistas brasileiros durante a década de 1980.

Em 1987, Sarajane lançou pela EMI-Odeon o álbum História do Brasil, trabalho considerado um dos discos fundamentais da consolidação da Axé Music no mercado fonográfico brasileiro. Com uma proposta que unia ritmos afro-baianos, reggae, samba-reggae e música pop, o álbum ajudou a apresentar ao grande público uma sonoridade que, poucos anos depois, se tornaria um dos maiores fenômenos da música brasileira.

Segundo informações divulgadas pela própria artista em entrevista concedida ao portal Ritmo Melodia, em julho de 2021, Sarajane figurou entre os artistas de maior vendagem da música brasileira no final da década de 1980.

Sua discografia desse período apresenta números expressivos:

  • 1986 — Rio de Leite (Mini LP/EP – Coronado/EMI-Odeon) — aproximadamente 70 mil cópias, impulsionado pelo sucesso "Cadê Meu Côco".
  • 1987 — História do Brasil (EMI-Odeon) — cerca de 800 mil cópias, recebendo certificação de Disco de Platina Duplo.
  • 1988 — Sarajane (EMI-Odeon) — aproximadamente 280 mil cópias, certificado com Disco de Ouro.
  • 1989 — Sotaque Brasileiro (EMI-Odeon) — cerca de 150 mil cópias, também certificado com Disco de Ouro.
  • 1991 — Diadorim (EMI-Odeon) — aproximadamente 60 mil cópias.
  • 1993 — Tempero Tropical (Polydor) — cerca de 35 mil cópias.

História do Brasil representou um importante passo para a expansão nacional da música produzida na Bahia. Além do expressivo desempenho comercial, o disco reuniu uma equipe de produção formada por alguns dos principais profissionais da EMI-Odeon naquele período.

A direção artística foi de Jorge Davidson, com direção de produção de Liber G. Ferreira Pinto e produção executiva de Fernando Carvalho e Mayrton Villa Bahia. A direção musical, os arranjos e a regência ficaram a cargo de Alfredo Moura, enquanto a percussão contou com a participação de Carlinhos Brown, acompanhado por músicos como Ohana e Chacal.

Entre os destaques do repertório está "A Roda", uma das gravações que contribuíram para popularizar a sonoridade da Axé Music em todo o país.

O álbum reúne composições que transitam entre temas sociais, identidade cultural e o caráter festivo característico da música baiana.

Edson Gomes assina a faixa-título "História do Brasil", além de "Rastafari", ambas influenciadas pelo reggae e por reflexões sobre identidade e questões sociais.

Ary Gil participa com "Frutos da Consciência", enquanto Carlinhos Brown e Paulinho Camafeu assinam "Vale", uma das composições de maior repercussão do disco.

O repertório também evidencia a versatilidade vocal de Sarajane em faixas como "Nessas Horas", de Kiko Zambianchi, além de versões de "Lili Marlene" e "Paixão de Verão", que ampliam a diversidade musical do álbum.

Nos anos seguintes, Sarajane manteve presença constante na música brasileira, lançando novos trabalhos e permanecendo ligada ao Carnaval da Bahia. Em 1989, lançou Sotaque Brasileiro, álbum que apresentou sucessos como "Ela Sabe Mexer", posteriormente incluída na trilha sonora da novela Gente Fina (TV Globo, 1990), e "Ritmo Louco".

Em 2011, passou a dedicar maior atenção ao forró, sem abandonar completamente sua trajetória na Axé Music. Em 2020, celebrou quatro décadas de carreira nos trios elétricos com o lançamento de um EP comemorativo.

Sarajane ocupa um lugar de destaque na história da música baiana por integrar a geração de artistas que levou a Axé Music para o mercado nacional durante a segunda metade da década de 1980. Sua contribuição ajudou a consolidar um movimento que transformou o Carnaval de Salvador em uma referência internacional e abriu caminho para diversas gerações de intérpretes que viriam a seguir.

Faixas: 
01. Vale
02. Lili Marlene (Lili Marleen)
03. História do Brasil
04. Arruda
05. Frutos da Consciência
06. A Roda
07. Rastafary
08. Nessas Horas
09. Coração Latino
10. Paixao de Verão (Sarà Falso, Sarà Vero)

Par baixar este álbum em FLAC, clique AQUI.

7 comentários:

  1. Oi Gazeta, muito obrigado! Que coincidência, ontem estava buscando algumas informações no discogs e me deparei com a discografia da Sarajane. O axé certamente nunca foi minha praia, mas lembro da Sarajane cantando em programas infantis do final dos anos 80. E já que tu fez a gentileza de postar com tua qualidade habitual, vamos experimentar, porquê não? Afinal, já se vão mais de 30 anos que eu andava de jaqueta e roupa toda preta e precisava manter aquela pose de mau - axé, reggae, samba, eram pecados capitais kkkkk. Agora eu tô com 50 e essa coisa toda ficou na história, então com certeza vamos curtir esse som da Sarajane e aproveitar esse clima de carnaval.

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    1. A Sarajane teve muito mais uma carreira que lembra Elba Ramalho pela escolha feliz e plural se repertório. Pode ver que nas canções de reggae ela dá voz a letras do Edson Gomes que são de uma consciência social fora de série!
      E a faixa Nessas Horas do Kiko Zambianchi? Muuuuito chique!

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  2. Gazeta do Som, eu gosto mais nessa geração dos anos 80, e também, estou muitas saudades e das reprises do Canal Viva, que passava muito na TV fechada, e desde na década de 2010 e 2020, como: novelas, séries, humorísticos e programas de auditório:

    "Sassaricando, Bebê a Bordo, Armação Ilimitada, Os Trapalhões, TV Pirata, Cassino do Chacrinha e Globo de Ouro".

    OBS: E agora virou e se tornou em: "Globoplay Novelas".

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    1. Seu tempo de tentar um diálogo normal comigo acabou. Quando tive a boa fé de pedir seus contatos para entender esse cenário de perseguição, você se escondeu atrás do 'por aqui mesmo'. Agora, seu cinismo não me interessa. Guarde suas preferências para o seu fornecedor em São José dos Pinhais; vocês falam a mesma língua.

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  3. Gostaria de agradecer ao meu amigo Adriano Leite, que gentilmente enviou a capa e a contracapa originais para este projeto. Como forma de respeito ao material histórico, as artes originais estão incluídas como bônus neste arquivo.

    Recentemente, em um ato de profundo cinismo, o Sr. Tharso Moreira Gomes utilizou o anonimato na publicação do álbum do AdCanto para postar um link do meu Instagram. A ironia é gritante: no vídeo em questão, eu denuncio justamente a falta de ética daqueles que manipulam arquivos e recriam trabalhos sem critério para vender 'ouro de tolo'.

    A verdade é simples: o meu trabalho de restauro técnico — que torna a arte divulgável para os dias de hoje — impede que oportunistas deem prosseguimento à confecção de artes para venda ilícita. É curioso notar que este exato LP estava na 'carriola de pedidos' deste senhor.

    Para que não restem dúvidas: a capa original está nos Extras. Quem trabalha com seriedade entrega a fonte; quem busca pirataria prefere a sombra. Faça bom proveito do material original, meu querido.

    Aos meus seguidores e tripulantes: não patrocinem 'lojinhas de desapego' que lucram com o esforço alheio. Digam não à pirataria!"

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  4. Ela era tão representativa e é tão pouco lembrada... muito menos do que ela merece.

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  5. Um espetáculo Denis! Que venham os outros LPs dos anos 80 de sarajane! O de 1991 saiu em CD.

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