sábado, 14 de fevereiro de 2026

Sarajane - História do Brasil (1987)

Sarajane: A Consolidação da Axé Music com "História do Brasil"

Sarajane de Mendonça Tude, nascida em Salvador no dia 18 de março de 1968, é a voz precursora que deu rosto e projeção nacional à música baiana. Após iniciar sua carreira aos 12 anos gravando jingles e passar pelos trios elétricos Tapajós e Novos Bárbaros, ela encontrou em Abelardo "Chacrinha" Barbosa o seu maior impulsionador. Em 1987, sob o selo da EMI-Odeon, ela lançou o álbum História do Brasil, uma obra que não apenas definiu sua carreira, mas mudou o patamar das produções do gênero.

Números expressivos de vendagens

Considerada uma das grandes pioneiras da Axé Music, Sarajane não apenas abriu caminhos para o protagonismo feminino no Carnaval da Bahia, como também serviu de ponte para que o ritmo local conquistasse o Brasil e o mundo.

De acordo com dados publicados na entrevista da artista concedida ao portal Ritmo Melodia em julho de 2021, foi uma das mais expressivas vendedoras de discos no Brasil no fim da década de 80, consolidando-se como a "Rainha do Axé". Veja os números impressionantes:

  • 1986 – "Rio de Leite" – Mini LP/ EP (Coronado/EMI-Odeon) – 70.000 cópias vendidas, com o sucesso "Cadê Meu Côco".
  • 1987 – "História do Brasil" (EMI-Odeon)  – Considerado "O Fenômeno", teve 800.000 cópias, recebendo certificação Disco de Platina Duplo. Este é o que traz o sucesso "A Roda" – registrada na coletânea Sucesso Maior (Som Livre, 1988) – e "Vale" – presente na coletânea "Parada Super Popular" (Som Livre, 1988). 
  • 1988 – "Sarajane" (EMI-Odeon) – 280.000 cópias vendidas, recebendo certificação de Disco de Ouro. Contém "Shaulin-Nagô" que está presente na coletânea Lambateria Tropical (Som Livre, 1988). 
  • 1989 – "Sotaque Brasileiro" (EMI-Odeon) – 150.000 cópias vendidas, recebendo certificação de Disco de Ouro. É o álbum que traz o destaque "Ela Sabe Mexer" que fez parte da trilha da novela Gente Fina (TV Globo, 1990), além de "Ritmo Louco" que está presente na coletânea "Lambateria Tropical 2".
  • 1991 – "Diadorim" (EMI-Odeon) – 60.000 cópias vendidas.
  • 1993 – "Tempero Tropical" (Polydor) – 35.000 cópias vendidas.

Transições e Retorno

Em 2011, Sarajane passou a se dedicar mais ao Forró, mas chegou a anunciar o fim de sua carreira devido a dificuldades com patrocínios e recebimento de cachês. No entanto, sua relevância cultural permaneceu viva, com suas músicas figurando em trilhas sonoras recentes, como na minissérie "O Canto da Sereia" (2013).

Em 2018, voltou aos holofotes do cinema participando do filme "De Perto Ela Não É Normal", de Suzana Pires. Em 2020, celebrou seus 40 anos de trio elétrico com o lançamento de um EP comemorativo, contando com a participação de estrelas que ela ajudou a inspirar, como Ivete Sangalo e Claudia Leitte.

Vida Pessoal

Sarajane é irmã da cantora Simone Moreno. É mãe de cinco filhos: Gabriel, Daniel, Mikael, Sara e João Rafael, sendo este último seu atual guitarrista, mantendo a música como um legado familiar.

O Fenômeno de Vendas e a Produção de Elite

Este álbum foi um marco comercial absoluto, vendendo 800 mil cópias e garantindo à cantora o certificado de Disco de Platina Duplo. O sucesso astronômico foi fruto de uma estrutura de produção robusta da EMI-Odeon, que contou com a Direção Artística de Jorge Davidson e a Direção de Produção de Liber G. Ferreira Pinto. A viabilização do projeto ficou a cargo da Produção Executiva de Fernando Carvalho e Mayrton Villa Bahia.

O disco é sustentado pelo hino "A Roda", que fundiu a irreverência de Sarajane com a sonoridade pulsante dos guetos de Salvador. A ficha técnica revela um time de elite: a Direção Musical, Arranjos e Regência foram assinados por Alfredo Moura, enquanto a percussão contou com a genialidade de Carlinhos Brown, acompanhado por nomes como Ohana e Chacal.

Repertório: Consciência e Suingue

O álbum equilibra o balanço do Axé com mensagens de resistência e identidade. Nas composições, destacam-se:

  • Consciência Social: Edson Gomes assina a faixa-título "História do Brasil", que narra as marcas da colonização, e "Rastafari". Já Ary Gil contribui com "Frutos da Consciência", uma convocação aos direitos sociais.

  • Colaborações de Peso: O disco traz "Vale", de Carlinhos Brown e Paulinho Camafeu, e a balada "Nessas Horas", de Kiko Zambianchi, que também assinou o arranjo desta faixa específica.

  • Versatilidade: Sarajane apresenta sua faceta de versionista em "Lili Marlene" e "Paixão de Verão", além de explorar ritmos pan-americanos em "Coração Latino".

Escaessez que justifica a Remasterização

Deste álbum, a única de fato disponível oficialmente em digital até hoje foi "A Roda", presente em CD nas coletâneas "A Magia dos Anos 80" (EMI, 1998), "Flashbahia" (BMG, 1999) e uma coletânea em CD duplo com título bem non-sense "Sexo MPB Com Rodrigo Faour" (EMI, 2010), porque o jornalista musical Rodrigo Faour cismou de assimilar "A Roda" – então uma expressão em sua música para ciranda ou gira –, a vagina, criando um desvio de finalidade, um desserviço, que insiste em colocar Sarajane, uma artista multifacetada com sucesso internacional, na pratileira do trash e do one-hit wonder.

Aliás o LP que encontrei para remasterização na 019 Discos do amigo Charles Portilho (lá em Nova Odessa-SP), estava com encarte esfarelado de tanto que deve ter sido usado. Estamos falando de 39 anos desse album, dá licença!!! Então foi um baita achado. O album foi ripado com uso de agulha elíptica Ortofon Concorde Club e ficou com qualidade de áudio bem superior a que se encontra na internet. Para o cancelamento de ruídos residuais, contem com o MVSep DeNoise, que aqui foi uma mão na roda, porque a prensagem da EMI pela Fonobrás, como tem um certo abafamento, quando se expande o agudo do áudio, acaba expondo um ruído bem característico, que só possível remover sem perder a fidelidade sonora da master por meio do MVSep DeNoise.  Portanto, a qualidade de som está bem cremosa! hahahaha.

A capa e contracapa eu refiz com uso do DALL-E (ChatGPT) e Nano Banana (Gemini), retirando conteúdo da contracapa, que hoje em dia seria considerado conteúdo sensível para os padrões atuais da internet. As fotos que tinham um aspecto bem esfumaçado, foram restauradas para o padrão atual, corrigindo nitidez, o que confirma Sarajane como um dos rostos mais lindos do gênero Axé.

Com relação a encarte, caro leitor: o encarte interno teve seu último suspiro, no scanner. Precisei salvar a cópia esfarelada e jogar fora porque já estava consumido pelo bolor. Mas o suficiente para preservar as letras e Ficha Técnica.

Faixas: 
01. Vale
02. Lili Marlene (Lili Marleen)
03. História do Brasil
04. Arruda
05. Frutos da Consciência
06. A Roda
07. Rastafary
08. Nessas Horas
09. Coração Latino
10. Paixao de Verão (Sarà Falso, Sarà Vero)

Par baixar este álbum em FLAC, clique AQUI.

7 comentários:

  1. Oi Gazeta, muito obrigado! Que coincidência, ontem estava buscando algumas informações no discogs e me deparei com a discografia da Sarajane. O axé certamente nunca foi minha praia, mas lembro da Sarajane cantando em programas infantis do final dos anos 80. E já que tu fez a gentileza de postar com tua qualidade habitual, vamos experimentar, porquê não? Afinal, já se vão mais de 30 anos que eu andava de jaqueta e roupa toda preta e precisava manter aquela pose de mau - axé, reggae, samba, eram pecados capitais kkkkk. Agora eu tô com 50 e essa coisa toda ficou na história, então com certeza vamos curtir esse som da Sarajane e aproveitar esse clima de carnaval.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A Sarajane teve muito mais uma carreira que lembra Elba Ramalho pela escolha feliz e plural se repertório. Pode ver que nas canções de reggae ela dá voz a letras do Edson Gomes que são de uma consciência social fora de série!
      E a faixa Nessas Horas do Kiko Zambianchi? Muuuuito chique!

      Excluir
  2. Gazeta do Som, eu gosto mais nessa geração dos anos 80, e também, estou muitas saudades e das reprises do Canal Viva, que passava muito na TV fechada, e desde na década de 2010 e 2020, como: novelas, séries, humorísticos e programas de auditório:

    "Sassaricando, Bebê a Bordo, Armação Ilimitada, Os Trapalhões, TV Pirata, Cassino do Chacrinha e Globo de Ouro".

    OBS: E agora virou e se tornou em: "Globoplay Novelas".

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Seu tempo de tentar um diálogo normal comigo acabou. Quando tive a boa fé de pedir seus contatos para entender esse cenário de perseguição, você se escondeu atrás do 'por aqui mesmo'. Agora, seu cinismo não me interessa. Guarde suas preferências para o seu fornecedor em São José dos Pinhais; vocês falam a mesma língua.

      Excluir
  3. Gostaria de agradecer ao meu amigo Adriano Leite, que gentilmente enviou a capa e a contracapa originais para este projeto. Como forma de respeito ao material histórico, as artes originais estão incluídas como bônus neste arquivo.

    Recentemente, em um ato de profundo cinismo, o Sr. Tharso Moreira Gomes utilizou o anonimato na publicação do álbum do AdCanto para postar um link do meu Instagram. A ironia é gritante: no vídeo em questão, eu denuncio justamente a falta de ética daqueles que manipulam arquivos e recriam trabalhos sem critério para vender 'ouro de tolo'.

    A verdade é simples: o meu trabalho de restauro técnico — que torna a arte divulgável para os dias de hoje — impede que oportunistas deem prosseguimento à confecção de artes para venda ilícita. É curioso notar que este exato LP estava na 'carriola de pedidos' deste senhor.

    Para que não restem dúvidas: a capa original está nos Extras. Quem trabalha com seriedade entrega a fonte; quem busca pirataria prefere a sombra. Faça bom proveito do material original, meu querido.

    Aos meus seguidores e tripulantes: não patrocinem 'lojinhas de desapego' que lucram com o esforço alheio. Digam não à pirataria!"

    ResponderExcluir
  4. Ela era tão representativa e é tão pouco lembrada... muito menos do que ela merece.

    ResponderExcluir
  5. Um espetáculo Denis! Que venham os outros LPs dos anos 80 de sarajane! O de 1991 saiu em CD.

    ResponderExcluir

Para pedidos de conteúdo, utilizem exclusivamente o formato:
Artista – Nome do Álbum (Ano).
Qualquer solicitação fora desse padrão será ignorada.
Comentários desrespeitosos não serão respondidos.
Este espaço está aberto a contribuições que acrescentem à discussão. Não sou dono da razão, mas procuro sempre pesquisar antes de escrever e valorizo comentários que complementem ou ampliem a ideia apresentada.
Caso a intenção seja apenas apontar o que deixei de abordar em um tema que você domina, este não é o espaço adequado. Fique à vontade para criar seu próprio blog e tratar do assunto — sempre com respeito.