Em 1987, Jairzinho e Simony tiveram seu repertório lançado também para o mercado espanhol no álbum Jairzinho & Simony en Español, fabricado em Madrid pela Discos CBS. Trata-se de uma edição particularmente interessante não apenas pelas adaptações para o espanhol, mas por preservar a estrutura de uma produção realizada entre Brasil e Estados Unidos, com músicos e arranjadores de destaque.
O disco surgiu no período imediatamente posterior ao encerramento do Balão Mágico, em 1986. Conforme relatado na série documental A Superfantástica História do Balão, questões contratuais envolvendo a saída dos integrantes previam uma estrutura de gravação e divulgação compatível com o investimento realizado no grupo. Jairzinho e Simony, que já vinham sendo preparados para trabalhos em dupla desde o sexto álbum do Balão Mágico, seguiram juntos nessa nova etapa de suas carreiras.
A produção ficou a cargo de Ronnie Foster, e parte importante das bases instrumentais foi gravada nos estúdios Ameraycan, na Califórnia. A ficha técnica reúne Bob Wilson na bateria, Jimmy Johnson no baixo, Michael Landau — grafado erroneamente como “Mike Landan” no encarte — e Bruce Gaitsch nas guitarras, Larry Williams, Randy Waldman e Ronnie Foster nos teclados, Luiz Conte na percussão e Leo Gandelman no sax-solo.
Um caso particular é “La Voz del Trueno”, versão em espanhol de “A Voz do Trovão”. O arranjo de cordas é de Chiquinho de Moraes e reúne onze músicos brasileiros: José Salerno Neto, Estela Cerezo Ortiz, Julio Cerezo Ortiz, Jorge Gisbert Izquierdo, Caetano Domingos Finelli, Elias Slon, German Wajnrot, Alberto Pinchas Jaffé, Michael Verebes, Robert J. Suetholz e Tânia Camargo Guarnieri.
Os arranjos foram divididos principalmente entre Larry Williams e Randy Waldman. Williams assina “Adivina” (“Adivinha”), “Oi Mundo”, “Llegó Sin Avisar” — correspondente a “Meu Bem”, versão de “Ben” — e “Pirata”. Waldman responde pelos arranjos de “Mi Brasil” (“Ripa na Chulipa”), “La Voz del Trueno” (“A Voz do Trovão”), “El Amor No Tiene Edad” — correspondente a “Coração de Papelão”, versão de “Puppy Love” —, “Mira, Mira” (“O Vira”) e “Super-Campeón” (“Super-Herói”).
As adaptações para o espanhol ficaram a cargo de Robert Livi e Marcos Maynard, e o álbum preservou algumas das participações presentes no projeto original. José Luis Perales participa de “Adivina”; no ano anterior, o compositor espanhol já havia gravado com Jairzinho e Simony o single “O Que Cantam as Crianças”. Virginie Boutaud, vocalista franco-brasileira do Metrô, aparece em “Mira, Mira”, repetindo a participação que já havia feito em “O Vira” na edição brasileira.
Em “La Voz del Trueno”, a participação é do cantor espanhol Patxi Andión, ocupando o espaço que, na gravação brasileira de “A Voz do Trovão”, pertenceu a Tim Maia. Já Gal Costa participa de “Oi Mundo”, uma das músicas mantidas em português nesta edição.
Embora o repertório tenha sido preparado para o mercado de língua espanhola, “Pirata” e “Oi Mundo” permaneceram em português, dando ao LP um caráter parcialmente bilíngue. A proximidade entre as gravações brasileiras e espanholas, somada à manutenção da produção, dos arranjos e de grande parte da estrutura instrumental, também explica a forte unidade sonora entre as duas versões do projeto.
Mais do que uma simples edição estrangeira, Jairzinho & Simony en Español documenta a tentativa da CBS de levar ao mercado internacional a fase seguinte das carreiras de Jairzinho e Simony, utilizando uma produção concebida com músicos brasileiros e estrangeiros e gravações realizadas em diferentes centros.
Nota do editor: Esta postagem não corresponde ao álbum atualmente disponível nas plataformas digitais em nome de Simony. O material utilizado aqui foi extraído de um LP fabricado em Madrid, adquirido por meio do Discogs em 2018.
A captura foi realizada em 03/09/2018, com cápsula Ortofon OM 5E, seguida de remasterização com Pinnacle Clean e plug-ins do Sound Forge 10. Posteriormente, o áudio recebeu tratamento com U-he Satin e, em 03/02/2026, foi novamente processado com MVSep DeNoise para redução de ruídos residuais, procurando preservar as características da gravação original.

Gazeta do Som, por favor, por gentileza, e se for possível, posta aí, os três discos de vinil, originais e raros do samba de raiz e lambada das antigas dos anos 80:
ResponderExcluir001. "Dunga - Sem Pintura" (1987, EMI-Odeon) - Vinil Completo.
002. "Malakacheta - Malakacheta - Vol. 2" (1987, RGE) - Vinil Completo.
003. "Criolo Doido - Vol. 2" (1987, Nova Copacabana) - Vinil Completo.
Hoje não, Tharso.
ExcluirVolta amanhã, quem sabe?
Tenha um dia de LUZ!