sábado, 19 de setembro de 2026

Donizeti - Donizeti (1992)

Donizeti apresenta neste álbum um repertório de doze faixas, reunindo principalmente canções românticas e composições assinadas por autores bastante presentes no universo sertanejo. A abertura fica por conta de “Me Perdi”, parceria de Fátima Leão e Elias Muniz. Este último também assina “Mude Esse Jogo”, com José Raimundo, e divide com o próprio Donizeti a autoria de “Sou Feliz”.

O repertório segue com “Me Ensina”, de Tivas e Rocky, e “Leva Minha Timidez”, parceria de Zezé di Camargo e José Ricardo Corrêa. Encerrando o lado A está “Não Sei Falar de Beatles Nem Rolling Stones”, de Carlos Randall e Carrerito

No lado B, Maria da Paz aparece em duas faixas: “O Que Fazer de Mim”, composta com Jocelyne, e “Ser Feliz de Todo Coração”. “Vê Se Acredita” é assinada por Mário Maranhão e Marco Camargo, enquanto Donizeti volta a aparecer como compositor em “Você Entrou em Minha Vida”, parceria com Aída. Completam o disco “Perco a Cabeça”, de Monalisa e Geraldo Nunes, e “Enquanto Isso Vou Vivendo”, de Vilson Roberto.

No álbum de 1991, Donizeti gravou duas versões de canções compostas pelo espanhol José Luis Perales: “Ai Amor” (“Ay Amor”) e “Não Será Tão Fácil” (“No Resulta Fácil”). Sua composição com Elias Muniz parece ter absorvido o DNA das canções emblemáticas de Perales. De tão perfeita, parece uma canção internacional.

Quanto a “Não Sei Falar de Beatles Nem Rolling Stones”, apesar do título curioso, a faixa vai muito além da referência às duas bandas britânicas. A letra estabelece um contraste entre esse universo internacional e as raízes do homem do interior, recorrendo a imagens do cerrado, do carro de boi, da viola e às lembranças da família. É uma composição de forte identidade regional, com uma construção que remete às canções apresentadas em festivais de música regional, enriquecendo muito o repertório do álbum.

Outro destaque é “Enquanto Isso Vou Vivendo”, composição de Wilson Roberto, da dupla Wilson & Soraya. Com uma letra particularmente sensível sobre distância, saudade e ausência, a canção ganha ainda mais força com um belo arranjo que combina violas, cordas e piano, encerrando o álbum em um tom melancólico e contemplativo.

Lançado pela Chantecler, o álbum teve Mário Campanha na produção executiva e Paulo Rocco na gerência artística sertaneja. A engenharia de áudio ficou a cargo de Élcio Alvares Filho, que também trabalhou na gravação e mixagem ao lado de Carlos Villaça. Marcelo C. Machado e Marcel H. Jardim atuaram como assistentes de estúdio, enquanto Milton Araújo e Paulo Mendes ficaram responsáveis pela supervisão de corte. A parte visual contou com fotografias de Aki Morechita e arte de Oscar Paolillo.

Para esta nova remasterização, estou realizando uma captura diretamente do LP com a Ortofon Concorde Club, utilizando sua agulha de perfil elíptico. A escolha permite uma leitura mais precisa dos sulcos e será o ponto de partida para o trabalho de restauração e tratamento do áudio, buscando recuperar o material a partir da própria edição em vinil.

Faixas:
01. Me Perdi
02. Mude Esse Jogo
03. Sou Feliz
04. Me Ensina
05. Leva Minha Timidez
06. Não Sei Falar de Beatles Nem Rolling Stones 
07. O Que Fazer de Mim
08. Vê Se Acredita
09. Ser Feliz de Todo Coração
10. Você Entrou em Minha Vida
11. Perco a Cabeça
12. Enquanto Isso Vou Vivendo

Para baixar este álbum em FLAC, clique AQUI.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

O Gazeta do Som não funciona por comandos, mas por seus critérios editoriais e pelos limites de quem realiza este projeto sozinho.

Pedidos de conteúdo devem seguir o formato:
Artista – Álbum (Ano).

Mesmo assim, um pedido não representa compromisso de publicação.

Entre um título citado e um álbum publicado existem pesquisa, investimento, garimpo, aquisição do material, restauração, remasterização e muitas horas de trabalho.

O espaço de comentários existe para promover o diálogo. Se um pedido eventualmente resultar em uma publicação, espera-se que a participação continue no próprio artigo. Reconhecer o trabalho realizado também faz parte da construção da memória que este projeto procura preservar.

Quem sugere um álbum participa do início da conversa; quem retorna ao artigo publicado ajuda a construir a história que o Gazeta do Som preserva.

Comentários que acrescentem informações verificáveis, apresentem documentos, corrijam dados com fontes ou ampliem a discussão são sempre bem-vindos.

Já comentários que se limitem a reproduzir informações sem comprovação, transformar a área de comentários em um novo artigo ou partir do pressuposto de que a pesquisa publicada estava incompleta não contribuem para a proposta do blog e, portanto, serão ignorados.

O objetivo deste espaço é reunir pessoas interessadas na preservação da memória musical brasileira, sempre com respeito ao trabalho de pesquisa.