segunda-feira, 29 de junho de 2026

Tarancón - Terra Canabis (1986)

Formado em 1972, o Tarancón é um dos primeiros grupos brasileiros dedicados à pesquisa, divulgação e integração da diversidade de ritmos e canções da América Latina. Reunindo músicos de diferentes origens latino-americanas, o grupo construiu uma identidade própria ao fundir tradições folclóricas andinas, afro-latino-americanas e elementos da música popular brasileira.

A formação original contou com nomes como Miriam Miráh, Emílio de Angeles Nieto, Marli Pedrassa, Alice Lumi, Halter Maia, Jica Nascimento e Juan Falú. A partir do terceiro álbum, Sérgio Turcão substituiu Juan Falú, e ao longo das décadas o grupo passou por diversas formações. 

Lançado pela Continental em 1986, Terra Canabis marca a estreia do Tarancón na gravadora e sintetiza a proposta musical desenvolvida pelo grupo desde sua formação. Sob produção, direção musical e arranjos assinados pelo próprio Tarancón, o álbum combina composições autorais, adaptações e obras tradicionais latino-americanas em um repertório que transita entre diferentes matrizes culturais do continente.

A repercussão alcançada por "Mira Ira (Povo Mel)" no Festival dos Festivais, em 1985, encontra continuidade neste álbum. Registrada originalmente no disco oficial do evento pela gravadora Som Livre, a composição de Lula Barbosa e Vanderlei de Castro recebeu duas novas versões em 1986: uma no álbum Os Tempos São Outros (Selo CBS), de Lula Barbosa, com arranjo de Wagner Tiso, violão de Victor Biglione e participação vocal de Miriam Miráh; e outra em Terra Canabis, reunindo novamente Miriam Miráh e o grupo Placa Luminosa, reafirmando a importância da obra naquele momento da trajetória do Tarancón.

A própria ficha técnica evidencia a amplitude sonora de Terra Canabis. Os arranjos articulam instrumentos característicos da tradição musical latino-americana — como quena, zampoña, charango, cuatro, bombo, udu e moxeño — com piano, cordas, metais, saxofones, guitarra elétrica, viola caipira e uma ampla variedade de instrumentos de percussão. Longe de constituir um recurso meramente ornamental, essa diversidade instrumental traduz a identidade musical construída pelo Tarancón desde sua formação.

Os créditos revelam igualmente o caráter coletivo do álbum. Sérgio Turcão, Emílio de Angeles, Jica Nascimento, Jê e Miguel alternam funções instrumentais e vocais ao longo das faixas. Essa mesma diversidade se reflete na seleção das obras, que reúne composições dos integrantes do grupo, temas do folclore peruano e mexicano, peças de compositores latino-americanos como Eduardo Carrasco e Roberto Pernán e a releitura de "Eleanor Rigby", de Lennon e McCartney. Lula Barbosa também contribui como coautor de "Tomaracá", ao lado de Glads Jr., além de participar como convidado em "Suitenegra".

Faixas:
01. Gostosa
02. Eleanor Rigby
03. Tomaracá
04. Mira Ira (Povo Mel) (feat. Placa Luminosa,Miriam Mirah)
05. Contraste
06. Cholito Pantalón Blanco
07. Candombe Para José
08. Suitenegra (feat. Lula Barbosa)
09. Male Betulia

Para baixar o álbum em FLAC, clique AQUI.

3 comentários:

  1. nao conhecia , baixei e ao ouvir gostei demais, recomendo, valeu. abracao.

    ResponderExcluir
  2. Gazeta do Som, e você poderia postar os discos de vinil, originais e raros, entre a discografia completa, e no ano de 1986, 1987 e 1988, eu gostei de baixar tudo, o primeiro, o anterior dos Cascavelletes, e só falta essas raridades aí.

    "Cazuza - Ideologia" (1988, Philips).
    "Heróis da Resistência - Heróis da Resistência" (1986, WEA).
    "Hojerizah - Hojerizah" (1987, PluG).
    "TNT - TNT № 2" (1988, RCA Victor).
    "Zero - Carne Humana" (1987, EMI-Odeon).

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Conteúdo encaminhado à plataforma para checagem e rastreio.

      Excluir

Para pedidos de conteúdo, utilizem exclusivamente o formato:
Artista – Nome do Álbum (Ano).
Qualquer solicitação fora desse padrão será ignorada.
Comentários desrespeitosos não serão respondidos.
Este espaço está aberto a contribuições que acrescentem à discussão. Não sou dono da razão, mas procuro sempre pesquisar antes de escrever e valorizo comentários que complementem ou ampliem a ideia apresentada.
Caso a intenção seja apenas apontar o que deixei de abordar em um tema que você domina, este não é o espaço adequado. Fique à vontade para criar seu próprio blog e tratar do assunto — sempre com respeito.