segunda-feira, 18 de maio de 2026

We Are The World (1985)

Há quem diga que USA For Africa é a sigla que significaria Estados Unidos da América para a África. Mas o projeto vai além, chamando-se United Support Of Artists For Africa, surgido a partir da ideia de Bob Geldof e Midge Ure no projeto Band Aid. Em 1984, o projeto gravou "Do They Know It's Christmas", reunindo artistas do Reino Unido e Irlanda com o intuito de gravar uma canção natalina para arrecadar fundos, a partir das vendagens, para os famintos da Etiópia.

Este projeto catalisou o surgimento de outros nos anos posteriores com a mesma finalidade: ajudar muito quem mais precisa em outro canto do planeta Terra. Harry Belafonte sugeriu que a América criasse uma canção, reunindo vozes para dar força a esta causa. Com isso, Lionel Richie e Michael Jackson compuseram juntos "We Are The World". 

Após a premiação do American Music Awards, os artistas se dirigiram aos estúdios da A&M Records e, madrugada adentro, mergulharam com o maestro Quincy Jones na divisão de naipes de voz, formação de coro, ensaio e gravação. A premissa do evento era: "Ao entrar, deixe seu ego lá fora". Isso é tudo mostrado no documentário The Greatest Night in Pop, estreado na Netflix em 2024.

Participaram como solistas as vozes de: Lionel Richie, Stevie Wonder, Paul Simon, Kenny Rogers, James Ingram, Tina Turner, Billy Joel, Michael Jackson, Diana Ross, Dionne Warwick, Willie Nelson, Al Jarreau, Bruce Springsteen, Kenny Loggins, Steve Perry, Daryl Hall, Huey Lewis, Cyndi Lauper, Kim Carnes, Bob Dylan e Ray Charles.

Além destes, que participaram também do coro, tiveram as vozes do ator Dan Aykroyd, Harry Belafonte, Lindsey Buckingham, Sheila E., Bob Geldof (irlandês), Jackie Jackson, La Toya Jackson, Marlon Jackson, Randy Jackson, Tito Jackson, Waylon Jennings, Bette Midler, John Oates, Jeffrey Osborne, The Pointer Sisters, Smokey Robinson, acompanhados dos instrumentalistas: Michael Boddicker (sintetizadores, programação), Paulinho da Costa (percussão), Louis Johnson (baixo), Michael Omartian (teclados), Greg Phillinganes (teclados) e John Robinson (bateria).

A canção ganhou na 28ª edição do Grammy Awards em 1986 como: Música do Ano (prêmio dado a Michael Jackson e Lionel Richie), Gravação do Ano (concedido ao produtor Quincy Jones), Melhor Performance Pop por um Duo ou Grupo com Vocais e Melhor Vídeo Musical em Formato Curto. Prêmios justos!

A gravação gerou um compacto que vendeu 7,5 milhões de cópias só nos Estados Unidos. O álbum (este que, apresento a vocês vendeu um pouco mais de 3 milhões, apresentando — quase como uma trilha sonora ou coletânea — músicas de outros artistas. O montante arrecadado com as gravações, um videoclipe e merchandising chegou a 50 milhões de dólares.

Como trilha sonora de arrecadação beneficente que funcionou, o álbum "We Are The World" destacou um segundo projeto, no topo do Lado B do LP: "Tears Are Not Enough", do projeto Northern Lights, encabeçado por Bruce Allen, que reuniu um time de compositores formado por David Foster, Jim Vallance, Bryan Adams, Rachel Paiement, Paul Hyde e Bob Rock. Foster e Vallance rascunharam a canção e ela ganhou corpo — inclusive trechos em francês, já que o Canadá é um país bilíngue. Adams completou a letra em inglês, Paiement escreveu o único verso em francês e Rock e Hyde contribuíram com o título da canção. A música foi gravada em 10 de fevereiro de 1985 nos estúdios Manta Sound, em Toronto.

Cabe o registro de uma camada de curiosidade para este documento: David Foster ofereceu a versão instrumental ao diretor Joel Schumacher para o filme St. Elmo's Fire (em português, "O Primeiro Dia do Resto de Suas Vidas"), que, apesar de não ter gostado da canção, sentiu-se profundamente desapontado pelo descarte de uma potencial melodia quando viu a canção tornar-se um hit beneficente de enorme sucesso no Canadá.

Desta canção participaram como solistas: Gordon Lightfoot, Burton Cummings, Anne Murray, Joni Mitchell, Dan Hill, Neil Young, Bryan Adams, Corey Hart, Bruce Cockburn, Geddy Lee e Mike Reno. As divisões de duos ou trios foram feitas assim: Mike Reno com Liberty Silver, Carroll Baker, Ronnie Hawkins e Murray McLauchlan; Véronique Béliveau, Robert Charlebois e Claude Dubois (em francês); Bryan Adams com Donny Gerrard; Alfie Zappacosta com Lisa Dal Bello; Carole Pope com Paul Hyde; e, por fim, Salome Bey, Mark Holmes e Lorraine Segato.

O projeto contou com um time de musicistas: David Foster (teclado, baixo sintético, produtor), Jim Vallance (bateria, engenheiro de som, co-produtor), Paul Dean — Loverboy (guitarra), Steven Denroche (trompa), Doug Johnson — Loverboy (sintetizador), David Sinclair — Straight Lines e Body Electric (violão), Hayward Parrott, Geoff Turner e Bob Rock (engenharia de som) e Humberto Gatica (engenharia de mixagem).

A canção foi lançada como o segundo e último single do álbum pela Columbia Records em 1º de maio de 1985, alcançando rapidamente o primeiro lugar nas paradas de singles da RPM — espécie de Billboard canadense — e da The Record do Canadá. Terminou em 15º lugar na parada de fim de ano da RPM daquele ano. O vídeo da música também recebeu ampla exibição na MuchMusic — equivalente à grandiosa MTV dos Estados Unidos. Até 1990, o projeto havia arrecadado US$ 3,2 milhões para projetos de combate à fome na África. Dez por cento dos fundos arrecadados foram destinados a auxiliar bancos de alimentos canadenses.

O álbum "We Are The World" tem direção de arte de John Coulter, com assistência de Trish Talbot, produção executiva de Ken Kragen, com assistência de Michael Branch e coordenação de álbum por Laurel Altman e, por fim, fotografia de Harry Benson, Ken Lei Chung, Henry Diltz e Sam Emerson.

A edição em LP foi lançada pela CBS Records em embalagem gatefold — formato cuja abertura se assemelha a um grande pôster impresso em papel couché. Já a prensagem em CD ficou sob responsabilidade da PolyGram. Os direitos das obras foram destinados integralmente ao fundo United Support of Artists for Africa, o que possivelmente contribuiu para a divisão da distribuição entre diferentes gravadoras.

Prince, frequentemente apontado como rival artístico de Michael Jackson, recusou participar da gravação coletiva. O músico havia sugerido incluir um solo de guitarra na faixa principal, proposta que não se encaixava no formato idealizado pelos produtores. Ainda assim, considerou a causa importante o suficiente para ceder a composição "4 the Tears in Your Eyes" ao álbum. 

Madonna, ainda em ascensão naquele período, acabou ficando de fora da gravação da faixa título — fato que Lionel Richie afirma lamentar até hoje. Cyndi Lauper, por sua vez, inicialmente apresentou diversas desculpas para não comparecer às sessões. No entanto, após ouvir do próprio Richie que sua voz era importante para os arranjos planejados, acabou aceitando o convite. Foi a melhor decisão, pois cada voz está onde merecia estar, na canção.

Entre as faixas espalhadas pelo disco, o público reconhecerá artistas que, além de cederem músicas, também cantaram no projeto, com exceção do já mencionado Prince e do Chicago com sua eletrizante "Good For Nothing".

Bom, o resultado mágico de tudo isso vocês já conhecem!

Faixas: 
01. We Are the World - USA For Africa
02. If Only for the Moment, Girl - Steve Perry
03. Just a Little Closer - Pointer Sisters
04. Trapped (Live) - Bruce Springsteen & The E. Street Band
05. Tears Are Not Enough - Northern Lights
06. 4 the Tears in Your Eyes - Prince & The Revolution
07. Good for Nothing - Chicago
08. Total Control - Tina Turner
09. A Little More Love - Kenny Rogers
10. Trouble in Paradise (Live) - Huey Lewis & The News

Para baixar este álbum em FLAC, clique AQUI.

8 comentários:

  1. Muito Obrigado por mais essa religuia

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    1. Esse disco foi um achado em uma loja de discos. Quando vi até chorei rs...

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  2. Boa tarde, Gazeta do Som. Belíssima postagem. Tenho esta obra em CD importado. Aliás, foi o primeiro CD importado que comprei pelo CIM STORE. Uma loja que ficava em SP, importava CDs e os vendia através de seu catálogo pelos Correios. Bons tempos.

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    1. Eduardo, esse CD que eu peguei, provavelmente foi recebido em uma remessa e o cara estavva fazendo uma promoção louca e baixou pra ponta de estoque. Não estava nem relacrado, estava lacrado como novo mesmo. Como eu amei! Essa CIM Store não existe mais?
      Bora aproveitar a queda da taxa das "brusinha" do Tashad e comprar enquanto dá, depois da eleição esse país vai afundar! Aproveita enquanto dá, meu querido!

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  3. a Madonna ficou fora do projeto beneficente por causa da Cyndi Lauper, será

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    1. Delírio de torcida organizada de fan base isso!
      As duas não alimentam qualquer rivalidade uma pela outra.
      Não sei na época!

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  4. Fala Gazeta, postagem excelente essa, obra musical de muito respeito. Tivemos em casa esse LP com sua maravilhosa capa dupla cheia de fotos pra nossa alegria (que somente muitos anos depois começaria a chamar "gatefold"). A seleção de faixas é incrível, mas a minha faixa predileta, e uma das minhas canções favoritas até os dias de hoje, é essa versão ao vivo de Trapped do Bruce Springsteen. Fico arrepiado só de pensar no refrão com backing vocals e depois o solo com sax e órgão... um som pra ser escutado no talo!! Valeu novamente guri!

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  5. Valeu, Gazeta do Som pela bela postagem deste álbum maravilhoso. Tenho esta obra em CD importado que, aliás foi o meu primeiro CD importado do CIM STORE.

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