O álbum Mais Raiva Do Que Medo, quarto registro de estúdio do Plebe Rude, consolida a maturidade técnica e a integridade ideológica da banda brasiliense em um cenário de transição para o rock nacional. Gravado e mixado no emblemático estúdio Nas Nuvens, no Rio de Janeiro, o trabalho apresenta uma sonoridade mais densa e direta, distanciando-se das texturas do pós-punk oitentista em favor de um rock de guitarras robusto e visceral. Sob a produção, gravação e mixagem de Paulo Junqueiro, o disco captura a essência crua do grupo, unindo o discurso social contundente a uma execução técnica de alto nível.
Neste trabalho, o Plebe Rude apresenta-se como um duo, centrado na força criativa de Philippe Seabra (Voz, Guitarras, Violão e Teclados) e André X (Baixo e Backing Vocals). Essa configuração permitiu uma dinâmica de estúdio flexível, contando com a precisão rítmica de dois bateristas convidados: Kadú Menezes, que gravou as faixas 01, 02, 03, 04, 10 e 11, e Marcio Romano, responsável pelas faixas A4, 06, 07, 08 e 09. A viabilização do projeto contou com a produção executiva de Connie Lopes e Felippe Lierena, além da masterização de José São Paulo.
Um dos grandes diferenciais deste registro é a colaboração de músicos fundamentais da cena de Brasília, evidenciando o respeito mútuo entre as bandas da capital. A faixa Pressão Social promove um encontro histórico ao reunir os backing vocals de Renato Russo e as guitarras de Dado Villa-Lobos, da Legião Urbana. Outro momento de destaque é Mundo Real, versão autorizada de London Calling do The Clash, que ganha o reforço da guitarra de Fernando Magalhães, da percussão de Peninha e de um coro formado por músicos e colaboradores próximos à banda.
Lançado originalmente em 1993 pelo selo Natasha Produções, o álbum apresenta variações industriais que marcam sua época: o LP foi prensado pela Fonobrás (distribuição EMI-Odeon) e o CD fabricado pela VAT - Video Audio Tape do Amazonas S.A. Contudo, por entraves de licenciamento, o disco permanece fora das plataformas digitais até hoje, não estando disponível no Spotify, YouTube ou qualquer outro serviço de streaming. Essa ausência digital torna as prensagens originais de época os únicos registros acessíveis desta fase visceral da banda, elevando o álbum ao status de item de colecionador e relíquia histórica do rock brasileiro.
01. Não Nos Diz Nada (P. Seabra)
02. Sem Deus, Sem Lei (André X / P. Seabra)
03. Este Ano (André X / P. Seabra)
04. Se Lembra (André X / P. Seabra)
05. Quando A Música Terminar (André X / J. Dornellas / P. Seabra)
06. Mais Tempo Que Dinheiro (André X / P. Seabra)
07. Aurora (André X / P. Seabra)
08. Mundo Real (J. Strummer / M. Jones – Versão: André X / P. Seabra)
09. Exceção Da Regra (André X / P. Seabra)
10. Ação, Solidão, Adeus (André X / P. Seabra)
11. Pressão Social (André X)

OBRIGADO PELA ATENÇÃO E RETORNO, DEUS ABENÇOE MUITO DÊNIS E AO COLABORADOR QUE DISPONIBILIZOU O CD!! SAÚDE E PAZ!!
ResponderExcluirMeu amigo me disse onde tinha esse CD. Depois eu também vou dar uma ouvidinha... Aguarde algumas outras publicações do Rock Nacional, ela ganhará espaço no blog até que surjam novos rips de LPs que estão a caminho!
ExcluirExcelente álbum, valeu Gazeta!
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