terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Antena 1 All Night Vol. 4 (2016 /2026)

 

Antena 1 All Night Vol. 4: A curadoria da curadoria continua...

Se nos volumes anteriores eu foquei no modus operandi da produção musical dos últimos anos da indústria e como buscar reverter alguns padrões e trazer respiros à música moderna, desta vez não posso deixar de citar a história dessa gigante brasileira chamada Antena 1. 

Fundada em São Paulo por Orlando Negrão Júnior em 1975, a Antena 1 foi uma das primeiras FMs a ter programação própria e uma curadoria sofisticada. De pioneira na rede via satélite até a liderança no digital, ela celebrou 50 anos em 2025 mantendo um DNA que eu respeito muito: o foco no Adulto Contemporâneo internacional.

Embora já tenha investido em MPB no passado, hoje a rádio é 100% voltada ao mercado internacional, abrindo espaço para artistas brasileiros que cantam em outros idiomas, como o caso de Cris Oak, Claudio Goldman, Claudia Gomes, Elisa Gatti, Rosa Maria Colin, Terry Winter, Morris Albert, Marina Elali, Tiago Iorc (Incluido no Antena 1 All Night Vol. 3), Dan Torres, Renato Russo e vários outros.  

Bora falar da coletânea? O disco já abre com o corte que fiz da introdução "enche linguiça" de "Hymn for The Weekend" que Beyoncé compôs – e faz backing vocal – para Coldplay

Falando em corte, o mundo se rendeu, menos eu, a 'Love Me Like You Do' da britânica Ellie Goulding, mas eu resolvi cortar fora e resgatar "Lights", canção que a revelou e que no processo de restituição do alcance dinâmico da canção, notou-se que ela tem uma guitarra presente, um beat referente a era disco gostoso e uma harmonia de sintetizadores fantástica! Engraçado, se Max Martin entregou parcerias de respeito com Adele e Justin Timberlake, no tema de 50 Tons de Cinza faz um investimento na vã repetição que embora soe pegajosa, repete tanto o refrão que massacra o ouvido. Max Martin, te adoro, mas esse trabalho seu não foi seu melhor momento. 

Mais dança das cadeiras: Outra que tinha pensado era 'Wanted You More'; que apesar de menos óbvia, quis substituir pela consagrada 'I Run To You' do Lady A, pra manter uma conexão afetiva longeva com essa coletânea (amo essa música!). Por fim, outra substituição: da canadense Sarah McLachan, sai "U Want Me To" e entra a solar 'Loving You Is Easy'. 

É bem verdade que enquanto o resto do mundo se afoga em algoritmos preguiçosos, a Antena 1 tem a pachorra de fazer um garimpo corajoso que vai muito além do óbvio, trazendo canções em francês, italiano, alemão e até norueguês. Tanto que no meio do garimpo da vasta curadoria da emissora resgatei para esta coletânea nomes como o azerbaijano Emin (faixa "Walk Through Walls") e os alemães Tommy Reeve (faixa "Crying") e Sasha.(faixa "Good Days" – não liberada globalmente pela Sony Music). 

Me dei conta só no final que resgatei uma colaboração dupla do cantor britânico Ed Sheeran: com a britânica Jessie Ware em "Say You Love Me" – da qual é coautor e backing vocal oculto – e a norte-americana Taylor Swift em "Everything Has Changed" – da qual é coautor e aparece em dueto.

Bem antes de ser conhecida como a cantora das referências sonoras dos anos 80 (dizer que é plágio é uma ofensa, já que todos os compositores das referências foram creditados), a albanesa Dua Lipa já era uma aposta sonora da rádio que pescou a soft drum-n-bass "Be The One". No volume 3 eu coloquei a canção "Last Night" do produtor russo Mage, uma proposta semelhante a investida por Lipa. 

Ainda nessa linha de apostas certeiras, não poderia deixar de fora a 'Synth Symphony' magnífica que é 'What Are The Chances?'. É uma faixa que resume o que busco aqui: nela, o Duran Duran recebe a guitarra de John Frusciante (Red Hot Chili Peppers). Na masterização comercial, o gênio do Frusciante estava soterrado em um cimento digital, mas ao devolver o respiro ao som, a guitarra dele finalmente chora entre os sintetizadores de Nick Rhodes. É música que não te expulsa da sala; ela te convida a entrar.

incrível como a Antena 1 resgata músicas que sequer foram hits, mas estiveram pontualmente em algumas peças cinematográficas, como o caso da belíssima 'If That's What Hurts' gravada por Hall & Oates para o filme Runaway Bride – Noiva em Fuga) e a ótima "Come Back" das irmãs havaianas The Lylas, que até o fechamento deste texto não sabia que se tratavam de irmãs do famoso Bruno Mars.

O Documento de Produção – encerrando as delongas: O que fica registrado neste Volume 4 não é apenas uma escolha de repertório, mas um resgate da hierarquia do som. Na indústria atual, todos os instrumentos são empurrados para a frente ao mesmo tempo para 'gritar' no seu ouvido. Aqui instrumentos e vocais são devolvidos ao seu plano sonoro devido, além do halo recuperado em volta delas, o famoso "espírito do som". Este volume é a prova de que o pop moderno, quando tratado com o devido respeito ao alcance dinâmico, não precisa ser uma ranhura de ruídos cansativa. Ele pode — e deve — ser uma experiência de alta fidelidade.

 Faixas: 
01. Hymn for the Weekend (Radio Edit) - Coldplay feat. Beyoncé
02. Carter & Cash - Tor Miller
03. I Run to You (Dave Bascombe Mix) - Lady A.
04. Lights - Ellie Goulding
05. Be the One - Dua Lipa
06. Good Days - Sasha
07. Come Back - Layla
08. Walk Through Walls - Emin
09. Say You Love Me - Jessie Ware
10. What Are the Chances - Duran Duran
11. Dark Side - Kelly Clarkson
12. H.O.L.Y. - Floria Georgia Line
13. Everything Has Changed (Radio Remix) - Taylor Swift & Ed Sheeran
14. Crying - Tommy Reeve
15. Loving You Is Easy - Sarah McLachlan
16. Feel It All - KT Tunstall
17. Closer to Love - Mat Kearney
18. And That's What Hurts - Daryl Hall & John Oates
19. Come Closer - Melissa Lischer
20. Riptide - Vance Joy

Para baixar o Volume 4 em FLAC, clique AQUI.

2 comentários:

  1. Respostas
    1. É não, FOI... Mudaram de nome por uma decisão do grupo porque Antebellum significava o período pré-guerra da Secessão (Ante- bélica), em que norte e sul entraram em confronto pelo fim da escravidão. E acredite, depois da polêmica, a banda nunca mais deslanchou. A capa do Own the Night é polêmica, tem uma vestimenta da Sinhá e do Senhor fazendeiro que subjulgava os escravos, uma vestimenta típica usada pelos confederados em festas até hoje. Aquele disco nem está nas plataformas digitais.

      Outro caso que teve o nome alterado foi Dixie Chicks, que mudou pra The Chicks depois do entendimento ao Dixie, ligado a nota de dez dólares em francês (Dix) pra se referir aos países do Sul favoráveis à escravidão.

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