quarta-feira, 6 de maio de 2026

Elis Regina - Luz das Estrelas (1984/1994)


Elis Regina Carvalho Costa nasceu em 17/03/1945 na cidade de Porto Alegre/RS e faleceu em São Paulo em 19/01/1982. Foi uma cantora brasileira de referência internacional por sua capacidade vocal, musicalidade e presença visceral de palco. Seus trabalhos e performances são colocados por entusiastas do gênero de jazz na mesma prateleira que Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan e Billie Holiday. Elis conseguiu trazer inovação para os espetáculos musicais no Brasil com os bem sucedidos Falso Brilhante (1975-1977) e Transversal do Tempo (1978).

Ela foi a primeira grande intérprete da música popular a surgir nos festivais de música dos anos 60, com uso de extensão de voz e dramaticidade que conseguia desvincular da Bossa Nova, tendo influências em seu estilo por Ângela Maria. Depois de 4 discos mal sucedidos na gravadora Columbia/CBS, Elis se tornou a maior revelação do I Festival Nacional de Música Popular Brasileira da TV Excelsior; em 1965, cantando Arrastão, composição de Vinícius de Moraes e Edu Lobo. 

Com isso, assinou com a Philips para gravar Samba – Eu Canto Assim e lá fica até 1978, com o lançamento de registro ao vivo de seu espetáculo “Transversal do Tempo”. A partir de 1979, na Warner Music, grava dois álbuns: “Elis, Essa Mulher” e “Saudade do Brasil”. Em 1980, lança pela EMI-Odeon seu último álbum “Elis”, afastando-se do som dos boleros e valsas e buscando uma sonoridade mais moderna, almejada pela cantora. Seu último registro em vida foi “Me Deixas Louca” na gravadora Som Livre, no ano de 1981, que foi tema da novela “Brilhante”.

Elis foi uma cantora muito requisitada para trabalhos fonográficos e chegou a ter muitos lançamentos de materiais tanto ao vivo, quanto de estúdio. Seu disco “Dois Na Bossa” com Jair Rodrigues, lançado no mesmo ano que “Samba – Eu Canto Assim”, teve a marca de 1 milhão de cópias vendidas. Seu álbum Elis (1972) atingiu o patamar de 100.000 cópias e o Falso Brilhante (1976) vendeu 182.000 cópias. Seu último álbum Elis (1980) teve uma vendagem de 69.000 cópias.

Agora, vamos falar do Luz das Estrelas, um álbum singular pela forma como foi concebido para os padrões da época, sendo desenvolvido a partir do tratamento de áudio da voz da cantora extraído de um show realizado para a TV Bandeirantes em 1976, registrado em mesa de som estéreo de 16 canais por Rogério Costa (irmão da cantora). Elis Regina ainda era contratada pela Som Livre, que tinha Max Pierre como diretor artístico. Rogério havia sugerido passar canal por canal dos instrumentos para retirada dos ruídos e tentar criar um trabalho de estúdio, preservando ao máximo a parte instrumental, mas a conclusão a que chegaram era de que a arqueologia custaria tempo e material. A solução dada por Pierre foi reunir um time de arranjadores e músicos por sessão para realizar as gravações instrumentais, com uma sonoridade que soasse moderna para os padrões da época, que faria Elis Regina satisfeita em vida, pois ela buscava essa inovação sonora. O material vocal foi transcrito de 16 canais para 24 canais, com tratamento de redução de ruído com a mais alta tecnologia que tinha na época, resultando em uma captura cristalina da voz da cantora. Quem operou essa façanha foi o saudoso Antonio “Moogie” Canázio.

Os responsáveis pelos arranjos das faixas: Wagner Tiso (Para Lennon e McCartney), Natan Marques (No Dia em que Eu Vim Embora), Lincoln Olivetti (Mestre Sala dos Mares, A Banca do Distinto, Corsário), Dori Caymmi (Velho Arvoredo, Bodas de Prata, Doente Morena), Eduardo Souto Neto (Gol Anulado) e Guto Graça Mello (Triste). Além desse time, houve também músicos do mais alto quilate que participaram deste projeto, incluindo nomes como Serginho Herval e Nando do Roupa Nova, Gilson Peranzzeta, Jamil Joannes, Robson Jorge, Jacques Morelenbaum, Toninho Horta, Leo Gandelman e muitos outros.

O álbum foi lançado na Itália, França e Espanha no ano de 1986, e ganhou primeira versão em CD na França em 1988. Todos estes lançamentos não têm sequer crédito dos arranjadores e músicos. O CD lançado a partir de 1994 (10 anos após) também não tem, a capa original de Elifás Andreatto foi trocada por uma imagem de Elis Regina no palco. 

Não obstante, Luz das Estrelas não se encontra disponível em plataforma digital alguma. Quem tem o LP, CD ou K7, tem! O motivo? Desde 2024, João Marcello Bôscoli tem trabalhado com o engenheiro Rogério Camara e o pianista Marcelo Maita para rearranjo das canções daquela fita registrada por Rogério Costa, lançado nas plataformas digitais a conta-gotas. Trata-se registro de uma apresentação de Elis Regina no Estúdio Vice-Versa, com filmagem televisionada pelo canal Bandeirantes.

Por que este álbum não pode ficar no limbo: teve lançamento internacional, bem como faixas do disco estiveram em trilhas de novelas importantes: “Para Lennon e McCartney” (Corpo A Corpo, 1984), “Velho Arvoredo” (Felicidade, 1991) e “Corsário” (Pé na Jaca, 2006). O álbum teve vendagem de 200.000 cópias logo no lançamento, que além de ser um material que manteve a memória da cantora viva, também gerou receita não só para a gravadora como para seus herdeiros. 

Esta publicação preenche essa ausência de ficha técnica completa, ocultada nos lançamentos em CD. Desta forma, inclui nos Extras da pasta Scans os dados de ficha técnica de cada faixa, além da arte de Elifás Andreatto, que por questão contratual não foi vinculada ao CD.

Esse artigo foi editado após eu ouvir a faixa "Corsário" refeita pela produção de João Marcello Bôscolli. E confesso que voltei a me emocionar, mais ainda, com a nova versão. Elis merece o que o filho tem feito por ela, e inclusive a versão de Corsãrio resolve as limitações do analógico, calibrando volume na voz de Elis. A equipe que está retrabalhando no novo material sabe muito o que está fazendo e o filho tem estúdio próprio pra fazer isso pela mãe. 

Faixas:
01. Para Lennon e McCartney
02. No Dia em que Eu Vim Embora
03. Mestre Sala dos Mares
04. Velho Arvoredo
05. A Banca do Distinto
06. Corsário
07. Bodas de Prata
08. Gol Anulado
09. Triste
10. Doente Morena

Para baixar este álbum em FLAC, clique AQUI.

12 comentários:

  1. Elis Regina começou na pré-Jovem Guarda antes de ser a maior cantora brasileira de todos os tempos

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    1. A melhor fase foi na sua reinvenção. Cara e é muito gostoso ouvir um álbum ao vivo dela. Ela é extremamente humilde e carinhosa com seus compositores. Deve ser por isso que era a intérprete mais requisitada do Brasil!

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  2. Bom dia Denis, que eu fiquei sabendo na época esse disco não foi bem recebido pela critica.

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    1. Algumas coisas eu arrumaria na mixagem, Corsário foi a música que tem uma queda brusca de volume na hora que chega no refrão.
      O arranjo do Wagner Tiso de Para Lennon e McCartney e o de Lincoln Olivetti para Mestre-Sala dos Mares pra mim são duas obras-primas.
      No Dia Em Que Eu Vi Embora eu tbm acho incrível... Triste também gosto muito...
      O mais interessante é que o disco foi mal recebido pela crítica, mas vendeu 200.000 cópias!

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  3. Obrigado por compartilhar esse CD, e tantos outros.

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  4. Muitíssimo obrigado da Argentina por esta raridade do magnífico Ellis. Sempre em nossa memória.

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  5. a um tempo atrás, vi acho que foi no youtube o joão marcelo falando desse projeto que ele vem emcabeçando desde 2024 realmente, ele fala que é uma enovação, sendo que o material já é bem conhecido dos fãs de elis regina, eu mesmo tinha conhecimento deste disco desde 2010.

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    1. Ele pode E DEVE, celebrar a memória da mãe, mas sempre apresentando propostas novas de som.

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  6. minhas preferidas são corsário e o mestre sala dos mares, realmente no refrão, corsário dá uma queda brusca. mas é um excelente disco.

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  7. claro, e segundo ele mesmo falou vai ser um trabalho resgatando o que era tocado na época. os instrumentos segundo ele vão ser basicamente os que foram usados na época.

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    1. Para Lennon & McCartney não gostei, ficou curta demais. Corsário ele chamou o Paulinho da Costa para fazer percussão. A original é tudo sintetizador.

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  8. sim, a para lennon e mc cartiney também não achei legal não, corsário não ouvi.

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