A Alma de Músico de José Alexandre: O Manifesto Técnico de uma Estreia em 1981
Hoje o resgate é sobre um documento histórico da nossa MPB: o álbum "Alma de Músico" (1981). Mais do que uma estreia, este disco da gravadora Elektra é o registro do momento exato em que a precisão do cálculo cedeu lugar à potência da voz. José Alexandre (atualmente Zé Alexanddre), que estava no 4º ano de Engenharia na UFRJ, abandonou as planilhas após um chamado urgente de Oswaldo Montenegro para os palcos. Em 1980, Montenegro, já em seu 2º Lp pela WEA, convidou o músico para integrar a banda com a qual faria sua primeira excursão nacional, que aconteceu exatamente depois dos festivais de Bandolins (1979) e Agonia (1980).
O Impacto do MPB Shell 81: O disco "Alma de Músico" nasceu impulsionado pela efervescência dos festivais. Após Montenegro vencer com "Agonia" em 80, ele retornou em 1981 como compositor de "Estrelas", escalando José Alexandre como o defensor oficial da canção. O sucesso no festival deu ao artista a notoriedade necessária para assinar com a Elektra e entregar um álbum com "padrão ouro" de produção.
A Engenharia Sonora – Uma Ficha Técnica de Elite: Sob a produção de Sérgio Cabral, o álbum reuniu o que havia de mais refinado na época. A construção das faixas revela um cuidado minucioso com a instrumentação:
A Base Rítmica: Um time coeso formado por Aldo (baixo), Edinho (bateria) e Cidinho (percussão) deu sustentação ao projeto.
As Cordas e Metais: A faixa-título, composta por Jairo Lara e Túlio Mourão, traz a suntuosidade da Orquestra de Cordas WEA. Já em "Grávida", a sofisticação atinge o ápice com o oboé de Bras, o bandolim de Deo Rian e a flauta baixo de Celso Woltzenlogel.
Teclados e Guitarras: O piano de Túlio Mourão (que faz participação especial em "Pousa") e as guitarras de Victor Biglioni e Jairo Lara garantem a assinatura progressiva e elegante do disco.
Colaborações e Produção de Ponta: O álbum é um desfile da "trupe" de Montenegro, mas com toques de modernidade que só os grandes estúdios permitiam. Enquanto Sérgio Cabral cuidava da unidade do LP, a faixa "Como se estivesse fora" recebeu o tratamento de Liminha, o mago da produção brasileira. Nos vocais, a técnica impecável de Zé Alexandre é reforçada por coros de luxo:
Em "Estrelas", o brilho é dividido com Jane Duboc e Alemão.
Em "Casca d'Anta", o próprio compositor Jairo Lara junta-se ao coro.
A Essência da Obra: O álbum traduz a alma de um músico que vive do teatro musical e a da MPB de festival. De composições feitas sob medida como "P'ra Zé Cantar" até a parceria tripla em "Pousa" (Montenegro, José Alexandre e Mongol), o disco é um manifesto de quem decidiu viver da arte. Como diz a faixa-título: "Porque nunca troco nem por pão / Minha alma de músico".
Mesmo vivendo de música, o cantor passou a ter registros fonográficos próprios a partir de 1999, com o album Zé Alexandre Ao Vivo, seguindo por "Olhar Diferente" (2006), "Arruar" (2009) e "Tempo de Paz" (2018), este em parceria com Chico Lobo. Ainda, o músico tem alguns registros de canções lançadas de forma avulsa nas plataformas digitais, como Estrelas (regravada e lançada como single em 2018), "Branco Presente" (2018) e "Procura/ Deixa a Porta Aberta" (2021).
O artista em 2021 tornou-se campeão do The Voice+, em uma das mais emocionantes temporadas do programa, pelo time da Claudia Leitte. Zé impressionou e apaixonou o Brasil com sua técnica e presença de palco ao interpretar canções como “You Give Me Something", "Somebody to Love", “(You Make me Feel Like) A Natural Woman” e "Pétala".
Vivendo agora uma exposição nacional após uma trajetória profissional na música há mais de 40 anos, que inclui diversos discos, espetáculos teatrais, musicais, ópera e incontáveis festivais da canção Brasil afora, Zé Alexanddre começa a trilhar novos rumos, como o musical "Let It Be – Uma Historía de Amor ao Som dos Beatles", de Oswaldo Montenegro, um espetáculo com canções dos Beatles, onde Zé Alexanddre conta uma história de amor entre canções do repertório do musical. O espetáculo estreou em São Paulo no dia 13/01/2023.
Nota sobre a remasterização: Eu realizei a remasterização desde disco no final de novembro de 2023, com uso de agulha Ortofon Concorde Mix. O resultado tinha ficado dentro do que eu esperava. Porém em janeiro de 2026 pude aprimorar o áudio e retirar um pouco do conteúdo de ruído residual, mas mantendo intacta a qualidade de áudio, aproximando o máximo possível da master original.
01. Alma de Músico (Jairo Lara / Túlio Mourão)
02. Sábado (Frederiko)
03. Grávida [part. esp. Oswaldo Montenegro]
04. Estrelas (Oswaldo Montenegro)
05. P'ra Zé Cantar (Oswaldo Montenegro)
06. Pousa [part. esp. Túlio Mourão]
07. Cartas Marítimas (Jairo Lara)
08. Como se estivesse fora [Produção: Liminha]
09. Casca d'Anta (Jairo Lara)

Aqui vai o teu texto corrigido, com ortografia, gramática, pontuação e fluidez ajustadas (mantive o tom descontraído e pessoal):
ResponderExcluirVocê cada vez mais está se superando, amigo! Parabéns mesmo. Me fez lembrar de um programa que existia lá pelos meados de 2008, apresentado por Luciano Belart (ou Delarth?), que inclusive fez um especial com o grande Jessé. Digo isso porque a música "Olhar Diferente" era o tema do programa — ou melhor, o prefixo —, composta por Zé Alexandre e Luciano Belart. Essa música é a cara do Jessé.
Para quem não conhece, deixo o link aqui do YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=CMTWP2BbPnA
Gostei, gostei!
ExcluirAliás, aqui no blog não faltará material pra webrádio hein parça? Mas que interessante o que você falou sobre o compositor parceiro do Zé Alexanddre. Com certeza a música Olhar Diferente deve ser bonita!
Vou ouvir!
aliás, a voz de zé alexandre, lembra um pouco o jessé, outro que lembra é o cantor popular carlos andré. gilliard não tem nada haver, dizem que parece, mas não tem nada de semelhante ali na voz dos dois, jessé voz alt^}encia, eterno jessé.
ResponderExcluirA voz do Jessé é incomparável com qualquer voz. Mas qualquer voz é comparável a ele, porque Jessé foi a referência de tudo. Aliás dá pra entender por que ouço Bandolins do Oswaldo Montenegro e José Alexandre nos vocais e lembro do Jessé também. Registro vocal visceral parecido demais!
Excluirdestaque pra sábado, na voz do jessé ficaria linda, eu imagino aqui, ele cantando fazendo aqueles agudos que só ele sabia fazer.
ResponderExcluirSábado ficaria. Aliás, chega nela eu sinto muito arrepio, bela beleza dela!
ExcluirCaramba mano, que bom que apreciou o material. Na internet é inédito!
Abraço!!!
meu deus! se eu não conhessesse, diria que é jessé quem está cantando aqui, senssacional, meu deus!
ResponderExcluirA música Estrelas me arrebata! Composição de Oswaldo Montenegro. Inclusive ele já gravou para discos ao vivo!
Excluirputa que pariu cara, é pra foder com tudo mesmo! é, meu parsa tamo junto, web rádio rica com essas gravações, sim curti muito, é pra arregaçar com tudo emsmo!
ResponderExcluirbandolins, grande clássico do oswaldo dividindo os vocais com o grande zé alexandre. sim, álbum raro e inédito.
ResponderExcluirregravado depois por Altemar Dutra no álbum de 1980
Excluirsim, bem lembrado altemar dutra, regravou muita coisa boa, não só bandolins, mas, foi deus quem fez você, porto solidão, abandono, não se esqueça de mim, outra vez, pouco a pouco, passa tempo, as flores do jardins da nossa casa, hino ao amor, tão minha, tão mulher. linda com ele. gosto muito de altemar dutra também, maravilhoso, inclusive jessé gravou era um dia de oswaldo montenegro, que fez parte da trilha sonora da novela o homem proibido.
ResponderExcluirSim Jessé gravou Oswaldo Montenegro também. Eu gosto muito!
Excluirshow de bola. grandes artistas, grandes músicas, coisas que o tempo levou, mas, é cultura, é obrigação de todos nós, cultivarmos a memória da música brasileira
ResponderExcluirinternacional é bom também, mas, a memória brasileira, está esquecida, porque veja só uma coisa, como que a maioria do que é estranjeiro aparece nas plataformas digitais, e a nosssa música, muita coisa se você quiser, você tem que correr atrás do cd, do disco, em fim, muita coisa que não foi digitalisada, as gravadoras, não têm o trabalho, de publicar esse material, nas plataformas.
ResponderExcluirA memória os selos fonográficos estão relapsos com a publicação
Excluirde obras da música popular brasileira. Inclusive tem selos piratas usando agregadoras de plataformas digitais para monetização de obras que eu renasterizo e publico em meu blog, que é filantrópico.
Eu me motivo pelos meus garimpos particulares, de albuns que não são interesse das gravadoras. Inclusive a Abramus e o ECAD não se importam com revitalização de obras como a que faço porque cada vez menos as plataformas digitais pagam a cadeia produtiva das obras em streaming, incluindo artistas, músicos e compositores. A política de remuneração é visando só a exploração em cima dos responsáveis pela obra gravada.
Eu sou só um entusiasta. Dizer que é dever de todos é uma visão simplista desse sistema.