quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Beto Mi - Beto Mi (1983)


Beto Mi (1983): A Lapidação do "Rei da Afinação" na RCA Victor

O ano de 1983 marcou a chegada definitiva de Humberto Miranda Neto, o Beto Mi, ao primeiro escalão da fonografia brasileira. Recém-saído da vitória no Festival de Ubá, o artista de Guaratinguetá entregou à RCA Victor um álbum de estreia que não apenas vendeu as impressionantes 100 mil cópias, mas estabeleceu um padrão de qualidade raramente visto em discos de estreia.

A Engenharia do Som e a Elite dos Músicos: Ao analisarmos a ficha técnica presente na contracapa, compreendemos por que Durval Ferreira o apelidou de "Rei da Afinação". A produção, assinada pelo próprio Durval Ferreira com coordenação artística de Paulo R. Fedato, cercou Beto Mi de um verdadeiro "dream team" instrumental.

A cozinha rítmica trazia o mestre Milton Banana e a percussão de Rubens de Souza, garantindo o balanço preciso para as interpretações de Beto. O disco ainda contou com o sopro elegante do saxofonista argentino Hector Costita e o bandoneon de Ubirajara, elementos que conferiram ao álbum uma sonoridade cosmopolita, transitando entre o regionalismo e o jazz. Os arranjos e regências ficaram a cargo de Helio Santisteban, que soube traduzir a versatilidade da voz de Beto em molduras sonoras sofisticadas.

Destaques do Repertório: O Lado A abre com a mística de "Anjo da Guarda", seguida pelo balanço contagiante de "Ói u Trem" (parceria com o gênio italiano Lúcio Dalla). O disco também presta tributo à MPB clássica com a interpretação de "O Poeta", de Geraldo Vandré. No Lado B, a crítica e o público foram apresentados a "Pra Dizer que não Falei do Verso", uma composição de Hélio Matheus que se tornou um dos grandes cartões de visita de Beto.

Um Legado de Sensibilidade: Além do rigor técnico, o disco transpira espiritualidade e gratidão. Na contracapa, Beto dedica o trabalho ao irmão Lucas e deixa uma mensagem que resume sua visão artística: "Vivamos entrincheirados na obscuridade da vida", buscando, através da música, a "sagacidade do espírito".

Este álbum não foi apenas um sucesso comercial; foi o cartão de visitas de um artista que, anos mais tarde, viria a conquistar o Prêmio Sharp e se consolidar como um gestor cultural fundamental para o Vale do Paraíba. Reouvir Beto Mi em 1983 é resgatar a essência de uma MPB bem cuidada, onde a técnica impecável nunca sufocou a emoção genuína.

A Remasterização de 2025: Em uma importante iniciativa de preservação da obra de Beto Mi, o álbum homônimo de 1983 passou por um processo de resgate técnico. Com início na ripagem direta do LP original com agulha Shure M44-7 e toca-discos Numark TTUSB, realizada em maio de 2023 por Nell Lobo (que tem o LP em sua coleção de discos), o material foi submetido a uma remasterização em 30/12/2025.. O processo seguiu um fluxo de tratamento de áudio: iniciou-se com o Pinnacle Clean para a limpeza inicial, seguido pelo tratamento com Izotope RX7 e Ozone 11 (brilho de bateria) e finalizado com a precisão do MVSep DeNoise (Modo Standard). O resultado é uma qualidade sonora que garante o brilho original do LP desta grande obra da MPB!

Faixas: 
01. Anjo da Guarda
02. Ói U Trem
03. O Ano que Virá
04. Companheiro
05. O Poeta (Vandré)
06. Apocalipse
07. Pra Dizer que Não Falei do Verso
08. O Canto do Curupira
09. Luzes de Extermínio
10. Coração do Mundo.

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terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Chitãozinho & Xororó - A Mais Jovem Dupla do Brasil (1972)




O Despertar de uma Dinastia: Chitãozinho & Xororó e a Fusão Sertaneja-Iê-Iê-Iê (1972)

Existem momentos na história da música que parecem predestinados, e o álbum "A Mais Jovem Dupla do Brasil" é o marco zero de uma revolução. Lançado originalmente em 1972 pela Sinter/Phonogram, este disco não é apenas um item de colecionador, mas o documento de uma virada improvável que mudaria o curso da música popular brasileira.

A Vanguarda de Jovens Prodígios

Para entender este registro, é preciso olhar para a juventude por trás do microfone. Chitãozinho (José Lima Sobrinho) tinha apenas 18 anos e o seu irmão, o adolescente Xororó (Durval de Lima), apenas 15 anos. Eles vinham de um momento amargo: após dois álbuns pela Copacabana que não atingiram o sucesso esperado, a gravadora cancelou o contrato por acreditar que a dupla não teria futuro. Mal sabiam que a Sinter, ao acolhê-los, estava registrando o nascimento de gigantes que o mercado, anos depois, teria que recontratar a peso de ouro.

Soma-se a esse fenômeno a presença de Marciano (José Marciano). Na época, aos 21 anos, o futuro "Inimitável" já formava a icônica dupla com João Mineiro, mas atuava aqui como o arquiteto lírico fundamental para os irmãos Lima, assinando joias como "Não é Papel de Gente", "Filha de Jesus" e "Menina Sorriso".

A Estratégia por Trás do Rebranding

O grande trunfo deste álbum reside em sua inteligência de produção. A verdadeira "mão invisível" por trás do som moderno de 1972 foi Sebastião Ferreira da Silva, o Diretor de Produção oficial do disco.

A sacada de mestre de Sebastião foi trazer a sensibilidade do pop romântico para o sertanejo. Como renomado versionista que escrevia para ídolos da Jovem Guarda, como Jerry Adriani, ele assinou a versão de "Vai Caindo uma Lágrima", adaptando um sucesso latino com a mesma pegada cosmopolita que dominava as paradas de sucesso. Essa conexão não foi apenas artística, mas um reposicionamento cultural: eles deixavam de ser uma dupla regional para se tornarem intérpretes de rádio com alcance nacional.

O Som do Futuro: Gravodisc e Carlinhos

Essa coragem estética exigia uma técnica refinada. O disco foi gravado no lendário estúdio Gravodisc, sob o comando do técnico Carlinhos, profissionais que garantiram uma sonoridade limpa e vibrante, rompendo com o tradicionalismo estático da época.

O repertório reflete essa dualidade audaciosa: de um lado, a tradição de mestres como Geraldo Meirelles e Goiá; de outro, o balanço do Iê-Iê-Iê. A fusão é nítida na bateria marcada e na interpretação enérgica de faixas como "O Nosso Dia Também Chegará". Sebastião Ferreira da Silva e sua equipe provaram que o sertanejo podia ser jovem, elétrico e moderno, pavimentando o caminho para a hegemonia que a dupla alcançaria nas décadas seguintes.

Restauração Técnica: A Verdade do Som no Gazeta do Som

Este projeto é um resgate rigoroso contra o tempo e o desgaste físico dos materiais originais. Partindo da extração do LP feita por Valter Jesus, o áudio recebeu um tratamento adequado preservando a qualidade de áudio da época::

  • Processamento: Limpeza de cliques e restauração de dinâmica via iZotope RX7 e Ozone 11.

  • Refino Final: Aplicação de camada de MVSep DeNoise, garantindo a remoção de impurezas residuais sem afetar o "calor" e o brilho das vozes originais gravadas na Phonogram.

(Texto escrito pelo Gemini com a minha supervisão, revisão e pesquisa).

Nota de valor afetivo: Como fã da dupla, fiquei curioso em ouvir o trabalho, considerado esse pulo do gato, procurando caminhos alternativos para fazer o trabalho da dupla vingar e provar para o mercado fonográfico que eles eram dignos de relevância na música popular brasileira. Tenho visto material na internet deste album sendo comercializado sem qualquer cuidado, vendendo como objeto caça níqueis, sem inserção de detalhes técnicos da contracapa do disco. Varri a internet pra achar uma imagem, mesmo que em resolução mediana, pedindo ao Gemini que "lesse" o conteúdo. Achei uma foto de uma contracapa do disco que já fora vendido no Mercado Livre mas a imagem estava exposta. Com isso fui refazendo a arte da obra customizada e inclusive substituindo o selo CD pelo adaptado pelo Luiz Alberto Gomes (Bugrim). Não quero mais ninguém pagando gato por lebre. Se tem um material considerado definitivo, mesmo com a precariedade da dinâmica de áudio, é este trabalho, que é pra degustar, apreciar e até se emocionar.

Faixas:
01. Vai Caindo Uma Lágrima (E. Franco - C. Valdez - Momy / vs: Sebastião Ferreira da Silva)
02. Nostalgia Cabocla (Geraldo Meirelles)
03. Não É Papel de Gente (Marciano - Geraldo Meirelles)
04. Fiquei à Cantar (Geraldo Meirelles - Joaquim Fagundes)
05. Quero Lhe Dizer Adeus (Dorinho - Meirinho)
06. O Nosso Dia Também Chegará (Altimar)
07. Filha de Jesus (Marciano)
08. Menina Sorriso (Marciano - Geraldo Meirelles)
09. Ser Ciumento (Jair Gonçalves)
10. A Seca (Serrinha - Ado Benatti - Campos Negreiro)
11. Belezas do Araguaia (Zacharias Mourão - Celinho)
12. Casinha de Praia (Goiá)

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Beto Mi - Um Tempo Pra Sonhar (1989)

Humberto Miranda Neto, artisticamente conhecido como Beto Mi (1958–2019), foi um dos artistas mais completos e refinados da música brasileira. Nascido em Guaratinguetá, sua técnica impecável lhe rendeu o título de "Rei da Afinação" por Durval Ferreira e "Divino" por Ângela Maria.

Após vencer o Festival de Ubá em 1982, Beto Mi assinou com a RCA Victor. Seu primeiro LP, produzido por Durval Ferreira, foi um marco na indústria: vendeu mais de 100.000 cópias, tornando-se um sucesso nacional imediato. O disco contou com músicos de elite, como Hector Costita (sax), Ubirajara Silva (bandoneon) e Milton Banana (percussão). Destaque para "Ói u trem", "Anjo da guarda" e "Pra dizer que não falei do verso".

Foi convidado a participar em 1983 do 3º Festival do Disco Visão em Canela - RS, tendo a oportunidade, nesse período, de conviver mais de perto com artistas de renome da nossa música, como: Luiz Gonzaga, Nelson Gonçalves, Altemar Dutra, Jamelão, entre outros.

Residiu durante algum tempo no Nordeste, época em que lançou um Promo Mix pelo selo Polydisc, de Recife/PE, com produção de Ney Marques. O disco tem o single "Espelhos" que consolidou sua presença no cenário nacional, além da música "Bainho".

Já pela Continental, Beto lançou "Um Tempo pra Sonhar" (1989), seu trabalho de maior exposição nas rádios brasileiras. A regravação de "Espanhola" de autoria de Flavio Venturini, Luiz Carlos Sá e Guttemberg Guarabyra, bem como a canção autoral "Sonhos de Primavera" tornaram-se sucessos absolutos em todo o país. Este álbum rendeu a Beto Mi o prestigiado Prêmio Sharp de Música de 1990. O disco ainda contou com a participação especial de Guarabyra na faixa "No coração de quem ama".

Beto Mi Fundou sua própria gravadora (BTM), lançando em 1995 o primeiro disco independente "Andarilhos da Luz". Além de intérprete, o músico foi um gestor dedicado à cultura, criando em 2003 o projeto ambientalista "Planeta Caipira". Também serviu como Secretário da Cultura de Guaratinguetá e diretor da FECULT, onde trabalhou até o seu falecimento em 2019.

Preservação e Tecnologia: A Remasterização de 2025:

Em uma importante iniciativa de preservação da obra de Beto Mi, o álbum "Um Tempo Pra Sonhar" de 1989 passou por um processo de resgate técnico. Com início na ripagem direta do LP original com agulha Shure M44-7 e toca-discos Numark TTUSB, realizada em maio de 2023 por Nell Lobo (que tem o LP em sua coleção de discos), o material foi submetido a uma remasterização em 29/12/2025..

O processo seguiu um fluxo de tratamento de áudio: iniciou-se com o Pinnacle Clean para a limpeza inicial, seguido pelo tratamento com Izotope RX7 e Ozone 11 (brilho de bateria) e finalizado com a precisão do MVSep DeNoise (Modo Standard). O resultado é uma qualidade sonora excepcional que remove as limitações da prensagem de época e devolve o brilho original a esta grande obra da MPB!.

Faixas: 
01. Sonhos de Primavera
02. O Meu Brazil Ficou Assim
03. Espanhola
04. Felino
05. Um Tempo pra Sonhar
06. Espelhos (Uma Cantiga Latina)
07. No Coração de Quem Ama (part. esp. Guarabyra)
08. Tempo Destino
09. Sonhador
10. Carrossel

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segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

João Caetano - João Caetano (1988)

 

João Caetano: O Equilíbrio entre a Medicina e a Música

João Caetano nasceu em 1952, em uma fazenda no interior de Goiás. Sua formação musical iniciou-se cedo: aos 5 anos mudou-se para a Cidade de Goiás para estudar e, aos 13, já participava das tradicionais serenatas locais. Aos 16, em Goiânia, mergulhou na cena cultural da capital.

Formação Acadêmica e o Encontro com Ivan Lins

Buscando a carreira acadêmica, João formou-se em Medicina em 1977, especializando-se como cardiologista. Contudo, a música sempre foi seu batimento paralelo. Acredita-se que o contato fundamental com Ivan Lins tenha ocorrido no circuito de festivais, onde João se destacava. Em 1972, ao lado de seu maior parceiro, Otávio Daher (Tavinho) — In Memoriam (1950–2024), venceu o Festival Universitário com a canção "Roda Gigante".

O registro fonográfico desse sucesso veio em 1974, com um compacto simples pelo selo Fermata. Em 1980, lançou seu primeiro álbum completo pela Gravações Elétricas S.A., com direção e arranjos de Ivan Lins, resgatando as canções do compacto e consolidando sua entrada profissional no mercado.

O Sucesso do 2º Álbum (1988)

Radicado no Rio de Janeiro desde 1984, João atingiu o auge da projeção nacional em 1988, ao lançar pela Continental o LP mais famoso de sua carreira, com direção artística de Ivan Lins e direção executiva de Vitor Martins. Este disco foi o responsável por emplacar três temas inesquecíveis na TV Globo:

  • "Guardião": Tema de Direito de Amar (1987).

  • "Pedaços": Tema de Fera Radical (1988).

  • "Tá Na Terra": Tema de O Salvador da Pátria (1989) — o icônico tema de Sassá Mutema.

Outras Participações em Trilhas

Ao longo de sua trajetória, outras composições de João Caetano também ganharam destaque em diferentes emissoras:

  • "Meu Coração": Integrante da trilha sonora de Pantanal (TV Manchete, 1991).

  • "Retratos do Brasil": Tema da novela Bicho do Mato (TV Record, 2006).

Apresentação Discográfica Consolidada

  • 1974: Roda Gigante / Pega (Compacto - Selo: Fermata)

  • 1980: João Caetano (Selo: Gravações Elétricas / Prod. Ivan Lins)

  • 1988: João Caetano (Selo: Continental / Dir. Ivan Lins e Vitor Martins)

  • 1996: Fronteiras (Independente)

  • 2005: Retratos do Brasil (Independente)

  • 2009: Duetos (Independente)

  • 2019: João (Independente)

  • 2020: Parceria (Independente) – Homenagem à obra com Tavinho Daher.

  • 2025: Mil Voltas (Independente

Preservação e Tecnologia: A Remasterização de 2025

Em uma importante iniciativa de preservação da obra de João Caetano, o álbum de 1988 passou por um processo de resgate técnico minucioso. A partir de uma ripagem direta do LP original com agulha Shure M44-7 e toca-discos Numark TTUSB, realizada em maio de 2023 por Nell Lobo (que tem o LP em sua coleção de discos), o material foi submetido a uma remasterização em 29/12/2025..

O processo seguiu um fluxo de tratamento de áudio: iniciou-se com o Pinnacle Clean para a limpeza inicial, seguido pelo tratamento com Izotope RX7 e Ozone 11 (brilho de bateria) e finalizado com a precisão do MVSep DeNoise (Modo Standard). O resultado é uma qualidade sonora excepcional que remove as limitações da prensagem de época e devolve o brilho original a esta grande obra da MPB!.

Curiosidade & Bônus: O Mistério da Versão Longa de "Pedaços"

Um detalhe fascinante sobre este projeto foi observado pelo pesquisador e colecionador Nell Lobo (Relíquias By Nell). Fugindo ao padrão das trilhas sonoras da época — que costumavam editar e cortar faixas — a música "Pedaços", presente na trilha da novela Fera Radical (1988), é maior do que a versão do álbum solo de João Caetano. O solo final de saxofone na trilha da novela tem cerca de 20 a 30 segundos a mais de duração.

A Engenharia por trás da Bonus Track

Para incluir esta "versão estendida" no projeto de 2025 com a mesma fidelidade do restante do álbum, foi realizado um trabalho técnico em várias mãos:

  1. A Fonte: A ripagem da versão longa foi fornecida por David Schenoor e remasterização da faixa por Nell Lobo.

  2. O Processo (Matchering): Para garantir que esta faixa bônus tivesse a mesma "cor" sonora e o peso das faixas que remasterizei, utilizei a ferramenta de Matchering dentro do MVSep.

  3. A Referência: Enviei a minha masterização da versão curta (que já havia passado pelo Izotope e MVSep DeNoise) como o arquivo de referência (target).

O Resultado: O algoritmo aplicou as características tonais, a compressão e a equalização da master principal à gravação do David. O resultado é uma "Pedaços (Versão Longa)" extremamente encorpada e perfeitamente integrada ao álbum, preservando o histórico solo de sax em toda a sua extensão.

(Texto escrito pelo Gemini com minha supervisão, revisão e pesquisa)

Faixas:
01. Pedaços
02. Guardião
03. Tá na Terra
04. Pra Minas
05. Demais da Conta
06. A Paca
07. Outro Dia
08. Vida (Nas Terras, Nos Mares)
09. Um Rio
10. Procissão do Fogaréu (part. esp. Ivan Lins)
11. Pedaços (Versão Longa)

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domingo, 28 de dezembro de 2025

In Love (2017/2025)





A História por trás de "In Love": Um Resgate Feito por Colecionadores

Existem projetos que nascem do desejo de ver algo existir com a qualidade que a gente sempre sonhou. A coletânea In Love é exatamente isso. Idealizada originalmente no final de 2016 por Sergio Trova, a ideia era simples: montar uma playlist de baladas marcantes para ouvir em qualquer lugar, com o padrão visual e sonoro de uma edição premium da Som Livre.

O Respeito à Obra Original: Nesta restauração, mantivemos a essência das capas e a impecável seleção de repertório do Sergio. Pensei em inferir, substituindo faixas, mas soaria desrespeitoso com a escolha "a dedo" que ele fez. A única coisa que fiz foi substituir a versão original de "Cruisin’" cantada por Smokey Robinson, que já brilha no dueto com Rick James em "Ebony Eyes".

No lugar, entrou a regravação oficial de Gwyneth Paltrow & Huey Lewis. Essa versão é uma gracinha! O detalhe interessante é que ela acabou ganhando um "cover da cover" na trilha da novela Coração de Estudante e no CD Cine Emotion, interpretada pelas lindas vozes de Fábio e Laura Almeida à frente do projeto Mr. Jam. Embora o trabalho deles seja impecável, a versão oficial de 2000 foi a que realmente tocou no rádio e merecia estar aqui.

Para fechar o disco, aproveitando os 80 minutos de mídia, garanti nos 76:22 de tempo total uma faixa dos Beatles, "In My Life". A inspiração veio de um vídeo sobre o processo de criação do cravo que simula uma obra de Bach; a letra se encaixa tão bem no projeto que a coloquei no finalzinho para garantir o par perfeito: 18 super canções! Desculpa, Sérgio (hahaha), não ficou nenhuma tampa de panela sobrando aqui!

Bastidores e Curiosidades Fonográficas A restauração deste projeto contou com o uso da ferramenta Google Gemini, que foi importante para encurtar a busca de compositores e nos rendeu uma conversa madrugada afora sobre direitos autorais e selos fonográficos. A sugestão da Sonopress Rimo na contracapa, inclusive, foi uma busca que fiz na coletânea Essencial da banda Rosa de Saron, lançada em 2016.

Foi interessante entender, por exemplo, o que motivou a Universal Music a se desfazer do catálogo da Parlophone e como ela acabou ficando com os Beatles para poder "vender de portas fechadas" toda aquela fazenda. Isso explica por que a distribuiçãoo de discos de Duran Duran e Roxette acabaram indo parar na Warner, ou por que a Chrysalys, que era parte dessa distribuição, conseguiu voltar a ser selo independente. Por trás de todo esse processo de extinção de coletâneas, reside uma batalha silenciosa no campo dos direitos autorais. Para piorar, em 2020, a Som Livre foi vendida para a Sony Music, o que praticamente extinguiu esse tipo de lançamento curado.

Fidelidade Sonora e Visual: O que você vê (e ouve) nesta edição de 2017 refeita em 2025 é o resultado de uma troca de ideias constante. O Sergio cuidou da curadoria musical com faixas MP3 da época e concepção visual inicial. Fiquei com o desafio de trazer esse som para a máxima fidelidade. De quebra, acabei dando uma de assistente gráfico, adaptando algumas coisinhas, sem abrir mão da imagem escolhida, que consegui restaurar com uso do Gemini e do modo Upscale .do site "I Love IMG"

As canções foram todas garimpadas em arquivos próprios de CDs e plataformas digitais, fugindo da famigerada "Loudness War" que mata a dinâmica do áudio. No processo de masterização, as faixas passaram por ganho de volume na normalização, sem sofrer qualquer dano de compressão. O detalhe final veio com a atualização do selo para o padrão moderno da Som Livre, unindo a nostalgia de 1978 com o acabamento de 2017.

Música acima de tudo: De Sergio Mendes abrindo o disco até o fechamento emocionante com os Beatles, o que motivou a reconstrução desta coletânea foi o prazer da boa música — como a regravação de "Betcha by Golly Wow" que o Prince fez para o clássico dos Stylistics. Uma baita releitura de 1996 que merecia continuar tocando.

Enfim, é isso!

Faixas: 
01. Never Gonna Let You Go - Sergio Mendes
02. I Know the Feeling - Taylor Dayne
03. Come Undone - Duran Duran
04. Sad Songs (Say So Much) - Elton John
05. Room in Your Heart - Living In A Box
06. Stuck on You - Lionel Richie
07. Rush Rush - Paula Abdul
08. Betcha by Golly Wow - Prince
09. To Sir with Love - Tina Arena
10. Save the Best for Last - Vanessa Williams
11. Straight from the Heart - Bryan Adams
12. Ebony Eyes - Rick James & Smokey Robinson
13. Foolish Beat - Debbie Gibson
14. Always - Atlantic Starr
15. Cruisin' - Gwyneth Paltrow & Huey Lewis
16. Be Soft with Me Tonight - Gloria Gaynor
17. The Rain - Roxette
18. In My Life - The Beatles

Para baixar esta coletânea em FLAC, clique AQUI.

sábado, 27 de dezembro de 2025

The Man I Love Vol. 2 (1995/2020)




O Resgate de um Clássico: "The Man I Love 2" (Fan Made)

Em 1995, a Som Livre lançou uma coletânea que se tornaria referência absoluta para os amantes das baladas Adult Contemporary: "The Man I Love". O conceito era claro: reunir as vozes masculinas mais marcantes do pop e do rock em interpretações que exalam romantismo. Hoje, trago para vocês um projeto de homenagem que imagina a continuação direta desse marco: "The Man I Love 2".

A Curadoria: O Legado de Sérgio Motta Continua

Neste projeto fan made, a seleção de repertório assinada por Sergio Trova mantém a tradição de destacar "o homem que canta o amor". Respeitando o cenário fonográfico de 1995, o álbum traz pérolas licenciadas da PolyGram (incluindo A&M e Barclay), Warner Music (com Magnet e Elektra sob seu guarda-chuva), Sony Music, BMG e EMI-Odeon (que também distribuía material da Virgin).

O que você vai ouvir: Grandes Intérpretes Masculinos

A tracklist é uma sucessão de timbres inesquecíveis. Abrimos com a suavidade de Richard Sanderson em "Reality" e passamos pelo mestre George Benson com "Kisses In The Moonlight".

O projeto explora a força de intérpretes como Gino Vannelli, Eric Carmen e o inconfundível Richard Marx. Um dos grandes destaques é a inclusão de Sergio Mendes com "What Do We Mean To Each Other?", trazendo a interpretação impecável de Joe Pizzulo e Lisa Bevill. Além disso, a postagem deste disco é uma homenagem final ao inglês Chris Rea, que nos deixou em dezembro deste ano. O disco encerra com o clássico absoluto de Christopher Cross, "Arthur's Theme", a vencedora do Oscar pela melhor canção por Arthur, O Milionário Sedutor.

Estética e Fidelidade de Época

O trabalho gráfico é um espetáculo à parte. Desenvolvido por Sergio Trova em Abril de 2020 (durante a Pandemia do Covid-19), ele baseou-se no design de Paulo Santos, reproduzindo fielmente a identidade visual da Som Livre de 1995, com assistência gráfica de Luiz Alberto Gomes (Bugrim), que criou o selo Som Livre do LP adaptado para CD.

Em 2025, coloco esta obra prima no blog, com áudio masterizado por mim, a Gazeta do Som, com algumas faixas tratadas com MVSep DeNoise. Este volume 2 é mais que uma playlist; é uma viagem no tempo para a era de ouro das trilhas internacionais.

(Texto escrito através do Gemini, com minha supervisão e pesquisa).

Faixas: 
01. Reality - Richard Sanderson
02. Kisses in the Moonlight - George Benson
03. I Just Wanna Stop - Gino Vannelli
04. Hungry Eyes - Eric Carmen
05. I'll Be Over You - Toto
06. Fool (If You Think It's Over) - Chris Rea
07. Mary's Prayer - Danny Wilson
08. What Do We Mean to Each Other? - Sergio Mendes 
09. Laughter in the Rain - Neil Sedaka
10. Hold Me 'til the Mornin' Comes - Paul Anka feat. Peter Cetera
11. Children of the Night - Richard Marx
12. If Ever You're in My Arms Again - Peabo Bryson
13. Stay the Night - Benjamin Orr
14. Arthur's Theme (Best that You Can Do) - Christopher Cross

Para baixar a coletânea em FLAC, clique AQUI.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Super Parada Tupi (1973)

Super Parada Tupi: O garimpo de exclusividades do Selo Polyfar

Publico hoje a remasterização do LP Super Parada Tupi, um título fundamental que carrega o prestígio da "Cacique do Ar". Sob a direção musical de Cayon Gadia, esta coletânea lançada pelo selo Polyfar (Phonogram/Polydor) em 1973 vai muito além dos sucessos óbvios, preservando fonogramas que se tornaram raridades absolutas, muitos deles não resgatados em CD ou Streaming.

Destaques Históricos e Raridades desta Edição:

  • A Estreia de um Gigante: O álbum apresenta "Transa de Amor", que marca o primeiro registro fonográfico da carreira de Emílio Santiago. Originalmente lançada como Lado B do compacto simples "Saravá o Nega" em 1973 pela Polydor, esta faixa é o embrião da sofisticação que viria a definir o artista.

  • A "Mosca Branca" do MPB-4: Trazemos a raridade de estúdio "Depois que o 'tá ruim' chegou nunca mais melhorou". Esta versão foi lançada em LP exclusivamente na trilha sonora da novela A Volta de Beto Rockefeller (1973). No formato digital, sua única e breve aparição foi na coletânea "Novo Millennium", lançada apenas em 2005 em uma tiragem limitada, nunca tendo chegado às plataformas de streaming.

  • Wanderléa Cult e o Resgate da Discobertas: A faixa "Eu Quis Falar do Meu Amor" é uma joia rara, originalmente lançada como Lado B do compacto simples "Kriola" em 1973. Este registro histórico só foi devidamente recuperado para o público no CD de raridades que integra o box "Wanderléa - Anos 70", lançado pelo selo Discobertas em 2012.

  • Adriana na Fase Polydor: Um resgate precioso da faixa "Deixem-me Viver", gravada durante a curta e raríssima passagem da cantora pela gravadora Polydor, um período pouco explorado em suas coletâneas convencionais e fora de seu catálogo mais conhecido.

  • Relíquias Radiofônicas: Oportunidade única de ouvir com qualidade de estúdio artistas como Marcus Pitter ("Cenas de Ciúme") e Franc Landi ("Diga Pra Mim"), cujos LPs originais são raridades absolutas e difíceis de encontrar em bom estado hoje em dia.

O Legado Continua

Com a curadoria de Cayon Gadia e capa de Gang Publicidade e Promoções LTDA, este disco une nomes como Raul Seixas, Odair José, Alcione e Trio Ternura, provando que a Tupi dominava a arte de falar com todos os públicos. A masterização final de áudio foi realizada pela Gazeta do Som com foco na preservação do brilho original das gravações históricas de 1973. As faixas de Adriana, Franc Landi, Emílio Santiago e Marcus Pitter foram resgatadas a partir deste LP com agulha Atn95EX da Audio-technica. O restante, são arquivos digitais. Mas todos passaram pelo processo de limpeza no MVSep DeNoise. Agradeço a Luiz Alberto Gomes pela faixa do MPB-4.

(Texto escrito pelo Gemini com minha supervisão)

Faixas: 
01. Uma Vida Só (Pare de Tomar a Pilula) - Odair José
02. Eu Quis Falar do Meu Amor - Wanderléa
03. Cachaça Mecânica - Erasmo Carlos
04. Cala Boca Zebedeu - Sérgio Sampaio
05. Ouro de Tolo - Raul Seixas
06. A Gira - Trio Ternura
07. Desafio - Alcione
08. Deixem-Me Viver - Adriana
09. Diga Pra Mim (Philosopher) - Franc Landi
10. Transa de Amor - Emílio Santiago
11. Último Pau de Arara - Fagner
12. Depois Que ''Tá Ruim'' Chegou Nunca Mais Melhorou - MPB4
13. Mentira - Evaldo Braga
14. Cenas de Ciúme - Marcus Pitter

Para baixar esta coletânea em FLAC, clique AQUI.

Excelsior, A Máquina do Som (1981/2021)




A Máquina do Som Vol. 9 (1981): O Resgate que Nasceu do Isolamento

Existem projetos que surgem como uma forma de reorganizar o passado para dar sentido ao presente. Em maio de 2021, durante o período de isolamento da pandemia, o colecionador e entusiasta Sergio Trova mergulhou na discografia da Rádio Excelsior para realizar um desejo de décadas: compilar o volume que faltava na prateleira de todo fã da "Máquina".

O Volume 9 (1981) não é apenas uma lista de músicas; é um trabalho de arqueologia afetiva. Se em 1980 a série oficial da Som Livre parou no Volume 8, este projeto retoma o fio da meada com o rigor técnico de quem viveu a era de ouro do rádio.

Uma Curadoria Além do Óbvio
Diferente das coletâneas comerciais da época, a seleção assinada pelo Sergio Trova respeita a inteligência do ouvinte da "AM que deu certo". Em vez de apostar apenas em hits "caça-níqueis", o Volume 9 preserva a sofisticação da transição da Excelsior AM 780 kHz para a FM 90.5 MHz:

  • Frank Duval (Angel of Mine): Trazendo a atmosfera da trilha internacional de Baila Comigo sob o selo RGE/Fermata.
  • Moody Blues (Talking out of Turn): A faixa está presente no 3º Volume da franquia Hit Parade, lançada pela Warner em 1981, torada nos 04:05 com fade out. A Antena 1 toca até hoje, quase na íntegra.
  • Duran Duran (Careless Memories): Uma escolha audaciosa pela densidade New Romantic em vez da comercial Girls on Film.
  • Ricchi e Poveri (E No E No): Um resgate precioso do LP Magic From New York, lançado no Brasil em 1980 pela Som Indústria e Comércio (Selo Building).
  • Leif Garrett (Runaway Sue):  A gravação de 1978 está presente no Brasil no LP Star Power, lançado pela K-Tel com prensagem e distribuição da Tapecar. Estar aqui é quase um midback.
  • Phil Collins (In The Air Tonight): Embora tenha chegado de forma tímida às paradas,  a canção lançada originalmente no álbum Face Value (1981), a faixa trouxe para o grande público o revolucionário conceito de Gated Reverb (ou noise gate) na bateria — aquele som explosivo e seco que se tornaria a assinatura sonora dos anos 80. Ela ganhou uma aura de sensualidade e projeção mundial definitiva apenas em 1983, graças ao filme "Negócio Arriscado" (Risky Business), com a inesquecível cena no trem entre Tom Cruise e Rebecca De Mornay, embalada pela batida hipnótica de Collins, selou para sempre o destino da música: hoje, é impossível ouvir os primeiros acordes de In The Air Tonight sem associá-los ao clima de tensão e desejo imortalizado pelo cinema. Ter essa faixa na "Máquina" de 1981 é capturar o exato momento em que Phil Collins começava a dominar o mundo.
  • Chris Rea (Do It For Your Love): Este volume ganha agora um peso emocional ainda maior. Incluir Chris Rea é prestar uma homenagem póstuma a esse mestre da guitarra e da voz rouca que nos deixou em 22/12/2025 aos 74 anos de idade. Sua presença na "Máquina" com esta faixa de 1981 reforça o quanto sua musicalidade elegante era fundamental para o padrão de qualidade das Rádios Adulto Contemporâneas.

O Legado Continua
Este post é um tributo ao trabalho de nomes que construíram a nossa memória musical, como Toninho Paladino, Vera Roesler e o fotógrafo Frederico Mendes. Mais do que uma "brincadeira" de colecionador, o Volume 9 é um documento essencial que prova que a Máquina do Som nunca deveria ter parada.

Faixas: 
01. Angel of Mine - Frank Duval
02. Your Love Is a Life Saver - Gayle Adams
03. Talking out of Turn - Moody Blues
04. Runaround Sue - Leif Garrett
05. E No E No (Et Maintentant) - Ricchi & Poveri
06. In the Air Tonight - Phil Collins
07. Careless Memories - Duran Duran
08. Hey Deanie - Saun Cassidy
09. One of Those Nights - Bucks Fizz
10. Beechwood 4-5789 - Carpenters
11. Crazy Music - Ottawan
12. Make a Move on Me - Olivia Newton-John
13. Do It for Your Love - Chris Rea
14. Computer World - Kraftwerk

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Luiz Guedes e Thomas Roth (2002)

Luiz Guedes e Thomas Roth: Origens e Formação

Luiz MacArthur Costa Guedes (1949–1997) nasceu em Montes Claros, Minas Gerais. Ele era filho de Coroliano Fernandes Guedes e primo direto de Beto Guedes (seu pai era irmão de Godofredo Guedes, pai de Beto). Luiz foi uma figura central na musicalidade da família, sendo ele o responsável por ensinar ao primo Beto os primeiros acordes de violão na adolescência.

Thomas Marco Roth (1951) nasceu no Rio de Janeiro, mas construiu sua carreira em São Paulo. De ascendência alemã, cresceu em um ambiente de música clássica e começou a participar de festivais no final dos anos 60. Em 1976, ganhou projeção nacional quando Elis Regina gravou sua composição "Quero" no icônico álbum Falso Brilhante.

O Encontro e a Dupla (1979–1985)

Os dois se conheceram em 1978, em uma loja de discos em São Paulo onde Luiz Guedes trabalhava. O que começou como uma conversa sobre equipamentos de áudio tornou-se uma das parcerias mais produtivas do "soft rock" e da MPB dos anos 80.

A dupla lançou álbuns marcantes pela gravadora EMI-Odeon:

  • Extra (1981): Álbum de estreia que trouxe o sucesso "Milagre do Amor".

  • Jornal do Planeta (1983): Disco que consolidou o estilo da dupla, com harmonias sofisticadas e letras que contavam com colaboradores como Ferreira Gullar e o primo Beto Guedes.

A marca mais profunda da dupla, no entanto, ficou gravada nas vozes de outros artistas. Eles são os autores de "Canção de Verão" e "Voo Livre", sucessos estrondosos que ajudaram a lançar o grupo Roupa Nova. Também compuseram "Cachoeira", hit na voz de Ronnie Von, e "Nova Estação", gravada por Elis Regina.

A Revolução na Publicidade: Lua Nova

Com o arrefecimento do mercado fonográfico para o estilo da dupla em meados dos anos 80, Luiz e Thomas redirecionaram seu talento para a publicidade. Eles fundaram a Lua Nova Produções Sonoras, que se tornou uma das maiores referências em áudio publicitário no Brasil. A produtora foi responsável por modernizar o conceito de jingle, trazendo a qualidade de produção de discos para os comerciais de TV, o que rendeu inúmeros prêmios no Festival de Cannes e no Profissionais do Ano.

Caminhos Finais

A parceria direta encerrou-se como dupla de palco em 1985, embora tenham continuado sócios na produtora. Luiz Guedes faleceu precocemente em 25 de novembro de 1997, em decorrência de um câncer, deixando um legado de melodista refinado que unia a escola mineira ao pop.

Thomas Roth seguiu como um dos publicitários e produtores mais influentes do país. Entre 2005 e 2014, tornou-se amplamente conhecido pelo grande público como jurado de programas de talentos no SBT, como Ídolos, Astros e Qual é o Seu Talento?. Atualmente, Roth continua ativo na gestão musical e lançou recentemente o projeto "Ouro Velho", revisitando sua vasta obra autoral.

O Resgate do Legado: Luiz Guedes & Thomas Roth (2002)

Em 2002, o selo Lua Discos lançou a coletânea intitulada "Luiz Guedes & Thomas Roth", uma obra fundamental que compilou a trajetória fonográfica da dupla. O álbum foi concebido por Thomas Roth como uma homenagem póstuma ao parceiro, falecido cinco anos antes, e carrega um importante caráter de solidariedade: conforme registrado no CD, toda a renda das vendas foi revertida à família de Luiz Guedes. Este lançamento não apenas organizou a obra da dupla para a posteridade, mas também serviu como um tributo à amizade e à cumplicidade artística que definiu a carreira de ambos.

(Texto redigido, baseado em dados factuais, pelo Gemini)

Faixas:
01. Milagre do Amor
02. Angra
03. Estradas (Dentro da Cabeça)
04. Bons Tempos
05. Chuva de Vento
06. Longe Demais
07. Clube do Coração
08. Extra
09. São Paulo (Coração do Tempo)
10. Jornal do Planeta
11. Amoramar
12. Ela Sabe Demais
13. No Galeio do Trem
14. Pátria
15. Minha Lua Boa
16. Lunar
17. Dois e Dois: Quatro
18. Viagens do Coração
19. Nova Estação
20. Canto Matinal
21. Como Nunca

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terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Clip Clip Vol. 2 (1985/2023)




Entre 1985 e 1987, o programa Clip Clip foi a janela da Rede Globo para o futuro. Mais do que exibir videoclipes, a atração definiu o comportamento visual e musical de uma geração. Em outubro de 1985, a Som Livre lançava o primeiro volume dessa trilha, e hoje, o Gazeta do Som apresenta o capítulo que ficou guardado no tempo.

A Pulsação do LP Original
Neste Volume 2, a proposta central é resgatar a pulsação e a dinâmica do LP Clip Clip lançado oficialmente em 1985. A masterização foi trabalhada para reproduzir aquele fluxo ininterrupto e característico, onde as faixas se conectam com precisão, preservando a energia constante que transformava o disco em uma extensão direta da programação da TV e das rádios.

O Mistério nas Faixas 
O convite aqui é para uma audição atenta, especialmente nos pontos de transição. Existe um cuidado exclusivo em uma das faixas mais emblemáticas de 1985: uma edição que, embora preserve o impacto original do artista, traz uma reestruturação que só se revela no exato momento em que o riff principal assume o controle. É um segredo guardado na montagem, pensado para quem valoriza a experiência da audição contínua e sem pausas. O suspense está na agulha — ou no play.

Produção e Estética 
Esta coletânea foi produzida originalmente em 2023, servindo como um resgate afetivo e um exercício de perfeccionismo técnico com projeto visual que presta um tributo direto aos gênios que moldaram a imagem da Som Livre. Estão presentes o traço de Roberto Renner, a coordenação de Felipe Taborda e a supervisão original de Sérgio Motta. Tudo isso ganha vida nova com a arte de Sérgio Trova, a assistência gráfica (Selo CD) de Luiz Alberto Gomes, que remete a uma verdadeira viagem no tempo.

O volume alto é essencial para deixar o Clip Clip levar você de volta a 1985.

(postagem feita com auxílio do Gemini, a nossa maior aliada de trabalho).

Faixas: 
01. A View to a Kill - Duran Duran
02. She Bop - Cyndi Lauper
03. Take on Me - a-ha
04. Raspberry Beret - Prince & The Revolution
05. Dancing in the Dark - Bruce Springsteen
06. History - Mai Tai
07. Shout to the Top - Style Council
08. Dead Man's Party - Oingo Boingo
09. Angel - Madonna
10. Money for Nothing (Single Edit) - Dire Straits featuring Sting
11. Part-Time Lover - Stevie Wonder
12. The War Song - Culture Club
13. Close to Me - The Cure
14. Nightshift (Single Version) - Commodores

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