sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

Afrodite Se Quiser - Afrodite Se Quiser (1987)

O Afrodite Se Quiser foi muito além de um trio pop de sucesso nos anos 80; foi o projeto que estabeleceu os parâmetros de sofisticação visual e vocal para as formações femininas no Brasil. Formado por Emilinha Caldas, Karla Sabah e Patrícia Maranhão, o grupo unia a experiência de estúdio a uma curadoria estética rigorosa, personificada principalmente na figura de Emilinha.

Vinda de uma linhagem de glamour — filha da Miss Brasil 1955, Emilia Lima — Emilinha Caldas já era uma artista consolidada quando o grupo se formou. Com passagens pelos álbuns de Robertinho de Recife e um disco solo em 1986, ela trouxe para o trio não apenas a voz e o charme da beleza, mas sua arte de compositora e expertise como figurinista, bagagem que garantiu uma identidade de imagem e som única no mercado fonográfico dos anos 80. Prova de sua verve autoral é a assinatura em composições centrais do disco, como o hit "O Que Que Ela Tem Que Eu Não Tenho?" e "Peito e Bum-Bum".

A estética de figurino e a influência do R&B que esbanja elegância e sensualidade acabaram se tornando referência para os grupos Sublimes e Lilith em 1993. O Afrodite pavimentou o caminho para que, anos depois, o pop brasileiro aceitasse trios femininos que priorizavam a harmonia vocal aliada a uma imagem poderosa e bem construída.

O sucesso comercial foi impulsionado por clássicos como “O Que Que Ela Tem Que Eu Não Tenho?”, que garantiu presença na coletânea Sucesso Maior (1988, Som Livre) e Doze Super Sucessos (1988, Philips). A onipresença em programas de massa como o Xou da Xuxa era amparada por uma base sólida de confiança: embora Patrícia Maranhão fosse irmã da ex-paquita Tatiana Maranhão, a diretora Marlene Mattos e a própria Xuxa já conheciam o talento de Emilinha desde 1984, quando ela e Robertinho de Recife registraram presença no Clube da Criança com o clássico "É de Chocolate". No álbum de 1987, Patrícia também registrou sua faceta autoral em faixas como "Tudo Por Um Toque de Amor". Após este primeiro disco, ela foi substituída por Gisela Zingoni, resultando no LP Fora de Mim (1989).

O impacto do grupo reflete-se no luxo técnico de sua ficha técnica, que contou com a produção de William Forghieri, Roberto Lly e Renato Ladeira, além de músicos de elite como Robertinho do Recife e o saxofone de Léo Gandelman. A longevidade artística de suas integrantes, como Karla Sabah — que expandiu sua atuação para o cinema e literatura após o duo Bad Girls —, confirma que o Afrodite Se Quiser permanece como o registro histórico de um pop feito com apuro técnico, servindo de escola para a geração que o sucedeu.

Nota Técnica: O material aqui referenciado é fruto de uma preservação cuidadosa a partir de um LP original de 1987, ripado com agulha Ortofon Concorde Club. O áudio foi submetido a um processo de limpeza e remasterização, utilizando processamento MVSep DeNoise para remoção de ruídos de superfície e U-He Satin e Izotope Ozone 11 para restituição do brilho e fidelidade harmônica original.

Agradecimento especial a meu amigo Charles Portilho, da loja 019 Discos, por ser meu maior apoiadorr cultural, cedendo o LP do Afrodite Se Quiser para gravar.

Faixas: 
01. O que que Ela Tem que Eu Não Tenho
02. Pega Leve
03. Peito e Bum Bum
04. Tudo por Um Toque de Amor
05. Talk Tales
06. Medley Jovem Guarda

Para baixar o álbum em FLAC, clique AQUI.

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