sábado, 31 de janeiro de 2026

Márcio Greyck - Pés No Chão e Coração nas Nuvens (1987)

Márcio Greyck: A Trajetória de um Ícone Romântico


Márcio Greyck consolidou-se como um dos maiores nomes da música brasileira na década de 1970. O sucesso nacional veio de forma explosiva com a canção "Impossível acreditar que perdi você", parceria com seu irmão Cobel, que vendeu mais de 500 mil cópias e permaneceu nas paradas por seis meses consecutivos. Essa obra tornou-se um marco, sendo regravada por mais de 60 artistas, incluindo nomes como Wilson Simonal e Fábio Júnior. Além de intérprete, Greyck firmou-se como um compositor respeitado, tendo canções como "Tentativa" e "Vivendo por viver" gravadas pelo "Rei" Roberto Carlos.

O LP de 1987: "Pés no Chão e Coração nas Nuvens"


Em 1987, pelo selo Tropical (PolyGram), Márcio lançou o álbum objeto deste resgate. Produzido por Durval Ferreira, o disco traz parcerias marcantes com compositores como Carlos Colla e Ary de Assis.
  • Parcerias de Peso: No disco, ele divide composições com nomes como Carlos Colla (em "Sim", "Um Tempo" e a faixa-título do album) e Ary de Assis em "Amante Solidão", "Será Que Ela Pensa em Mim?" e "Essa Mulher"), mantendo a essência romântica que o premiou com a Gaviota de Plata no Chile em 1983.

  • Colaboração de outros autores: Além das parcerias com autores, Márcio Greyck destaca sua importância de intérprete de canções de outros autores como Nenéo (em "Depois Se Vá" e "Desencontro"), Fernando Adour e Ricardo Magno (em "Quem É Ela?"), e Carlos Colla e Ed Wilson (em "Um Tempo").
  • Destaque Comercial: A faixa de abertura, "Põe Um Beijo Em Minha Boca", de Ed Wilson e Cury Heluy, alcançou grande projeção, figurando na coletânea Sucesso Maior da Som Livre em 1988.

Carreira Contemporânea e Atividade

A trajetória de Márcio Greyck não se encerrou nos anos 80. O artista permanece em plena atividade, residindo em Belo Horizonte e realizando shows por todo o Brasil.

  • Trabalho em Família: Atualmente, colabora com seu filho mais novo, Bruno Miguel, na preparação de novos projetos musicais.

  • Presença no Cinema: Recentemente, sua imagem e obra foram celebradas no cinema brasileiro, com participações e trilhas sonoras em filmes como Cine Holliúdy, Árido Movie e O Homem que Desafiou o Diabo.

Remasterização de 2024 e a finalização do MVSep

Fiz uma remasterização do LP em 2024 com uso de agulha Concorde Mix da Ortofon. Agora, em janeiro de 2026, apliquei sobre as faixas do LP o MVSep DeNoise, dando o gran finale digna de master tape ao disco. 

Faixas:
01. Põe Um Beijo na Minha Boca
02. Amante Solidão
03. Essa Mulher
04. Sim
05. Depois Se Vá
06. Pés no Chão e Coração nas Nuvens
07. Quem É Ela?
08. Será Que Ela Pensa em Mim?
09. Desencontro
10. Um Tempo

Para baixar este álbum em FLAC, clique AQUI.

Dalto - Um Coração em Mil (1988)

Dalto: O Mestre das Melodias e a Raridade de "Um Coração em Mil"

Dalto Roberto Medeiros é um dos pilares da sofisticação pop brasileira. Nascido em Niterói em 22 de junho de 1949, o médico que escolheu a música nos deu alguns dos hinos mais inesquecíveis da nossa memória afetiva.

De sua origem no rock psicodélico com a banda Os Lobos até se tornar o compositor de sucessos estrondosos como "Anjo" (Roupa Nova) e "Bem-te-vi" (Renato Terra), Dalto sempre imprimiu uma assinatura única: o equilíbrio perfeito entre sintetizadores, guitarras suaves e uma poesia madura.

O Álbum "Um Coração em Mil" (1988)

Em 1988, Dalto lançou seu quinto trabalho solo, "Um Coração em Mil", pela extinta gravadora 3M. O disco é uma joia daquela transição sonora do final dos anos 80 e emplacou o hit "Quase Não Dá Pra Ser Feliz", imortalizado na trilha da novela Bebê a Bordo. Por ter sido lançado em um período próximo ao encerramento das atividades da 3M, este álbum tornou-se um item muito especial para colecionadores.

Remasterização e Polimento 2026

O LP foi remasterizado a partir do vinil em abril de 2024, utilizando agulha Ortofon Concorde Mix, garantindo mais definição e riqueza nos detalhes sonoros.

Entretanto, decidi elevar a experiência de audição deste clássico. O processo de recuperação apresenta como diferencial o polimento sonoro realizado em janeiro de 2026 com a tecnologia MVSep DeNoise, entregando uma clareza digna de master tape para um disco que merece ser ouvido em sua plenitude.

Processo de Matchering: Para integrar "O Amor Não É Um Filme" – canção de 1990 da gravadora PolyGram, exclusiva da novela "Barriga de Aluguel" – e "Faça Um Pedido" – canção de origem independente de 2009, exclusiva da novela "Amor À Vida" – ao corpo do LP de 1988, utilizei o processo de Matchering. Isso garantiu uma assinatura sonora uniforme, equalizando o peso e a textura de todas as faixas para uma experiência de audição contínua e imersiva.

Faixas: 
01. Um Coração em Mil
02. Quase Não Dá para Ser Feliz
03. Mais Uma Vez em Mim
04. Paguei e Perdi
05. Leão Ferido
06. Amor Profano
07. Repetindo o Ano
08. Eu Tô Voltando pra Você
09. Nenhum Lugar
10. A Canção do Nosso Amor
11. O Amor Não É Um Filme (Bônus)
12. Faça Um Pedido (Bônus)

Para baixar o album em FLAC, clique AQUI.

Ruban - Vitrine (1986)

Ruban: O Arquiteto de Hits da Era de Ouro do Pop Brasileiro

Rubens de Queiroz Barra, artisticamente conhecido como Ruban, é um dos nomes mais versáteis e influentes, ainda que por vezes subestimado, da música e da televisão brasileira. Nascido em Valença (RJ) em 5 de maio de 1950, Ruban não apenas viveu a efervescência cultural das décadas de 70 e 80, mas ajudou a moldar a sonoridade que definiu o Brasil naquela época.

O Mestre dos Bastidores e Compositor de Hits

Sua assinatura está presente em hinos geracionais. Em parceria com Nelson Motta, compôs "Dancin' Days", o tema de abertura da novela homônima de 1978 que transformou as As Frenéticas em um fenômeno nacional. Poucos anos depois, capturou o espírito de liberdade feminina dos anos 80 ao compor, junto com Patrícya Travassos, o clássico "Eu Sou Free" para o grupo Sempre Livre.

O Fenômeno Solo: "Cinderela" e o Álbum Vitrine

Embora sua atuação nos bastidores fosse intensa, Ruban brilhou sob os holofotes em 1986. Seu álbum solo, "Vitrine" (EMI), entregou ao público uma das canções mais executadas daquele ano: "Cinderela". O compacto tornou-se um sucesso de vendas, consolidando sua voz suave e sua estética pop/sofisticada nas rádios de todo o país, ao lado de faixas como "Vitrine" e "Só Ser de Você".

A Carreira na TV Globo e Versatilidade Artística

O talento de Ruban para entender o que o público gosta de ouvir o levou a uma sólida trajetória de 25 anos na Rede Globo. Como produtor musical, ele esteve por trás da identidade sonora de sucessos como:

  • Novelas: O Clone e Laços de Família.

  • Programas: Fantástico, Domingão do Faustão, Os Trapalhões e a trilha original do Big Brother Brasil.

Sua veia artística também o levou para a frente das câmeras em 1990, quando deu vida ao personagem Agnaldo Peixoto na temporada de estreia da Escolinha do Professor Raimundo, interpretando com humor um aspirante a cantor.

A Consolidação da Carreira Autoral: De 2017 a 2025

Após décadas dedicadas à produção musical nos bastidores da TV e à composição para grandes nomes da música brasileira, Ruban redirecionou seu foco para a própria voz. Desde 2017, ele vem construindo uma discografia solo consistente e contemporânea, provando que sua capacidade de criar melodias marcantes permanece intacta.

Remasterização de 2024 e a finalização do MVSep

Esta publicação contou com o apoio cultural do meu amigo Robson Oliveira, do canal do YouTube Roupa Nova Participações link AQUI, que me presenteou com este disco. Com o LP em mãos, fiz uma remasterização do LP em 2024. As plataformas digitais já haviam incluído o lançamento do album de 1986, mas insatisfeito com a qualidade, decidi fazer a minha própria remasterização. com uso de agulha Concorde Mix da Ortofon. Agora, em janeiro de 2026, apliquei sobre as faixas do LP o MVSep DeNoise, dando o gran finale digna de master tape ao disco. 

Faixas: 
01. Vitrine
02. Só Ser de Você
03. Vem Comigo
04. Trinta Anos
05. Essa Garota
06. Suíte de Castanhas
07. Dancin' Days
08. Cinderela
09. Eu Sou Free
10. Vitrine (Remix)

Para baixar o album em FLAC, clique AQUI.

Paulo Maia - Palavra de Menino (1983)

Paulo Maia: o ícone da MPB dos anos 80 que une música e história em Itaboraí

Com uma trajetória que une os palcos da TV nacional à pesquisa histórica, o cantor, compositor e historiador Paulo Maia (conhecido na discografia como Paulinho Maia) reafirma seu legado na cultura fluminense. Com passagens marcantes pela gravadora Polygram e trilhas sonoras de novelas, o artista hoje equilibra sua produção musical com a preservação da memória da cidade de Itaboraí.

Nascido em São Gonçalo e radicado em Itaboraí desde os 17 anos, Paulo Maia tornou-se um nome onipresente na cultura local. Na década de 80, alcançou o estrelato nacional com o hit "Eu preciso de você", tema da novela O Direito de Nascer (SBT), e participações nos maiores programas de auditório da época, como Hebe Camargo e Raul Gil.

Discografia e relevância midiática

Segundo pesquisado pelo Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira, a carreira musical antes de sacramentar o primeiro album em 1983, trilhou um caminho independente com a gravação alguns compactos: “Exodus”, com as faixas “A Resposta Está em Seu Coração!” e “A Trilha do Sol”, ambas de sua autoria e co-produzido com Everson Dias. Em 1980, retoma a parceria com Dias e produz um compacto duplo independente com as faixas “Tudo que você gostava” com suas composições “Eu Preciso de Você”, “Quando Vejo o Sol”, “Água clara” e a faixa-título “Tudo que Você Gostava”. Todas estas canções entraram para o album lançado pela PolyGram em 1983, "Palavra de Menino" com direção musical e arranjos de Rick Ferreira e produção de João Augusto (Deck Produções). 

Diversas canções do "Palavra de Menino" serviram de repertório para as FMs que na primeira metade da década de 1980 investia pesado na renovação da música brasileira. Foram sucesso do disco a música "Eu Preciso de Você", Quase Morri de Amor” – essa foi sucesso inter-regional, "Moça Bonita", “Palavra de Menino” e “Cante Uma Canção”. 

Em 1984, João Augusto e Paulinho Fructuoso produziram o compacto "Morena de Itamaracá / Boa Nova". Em conversa com Paulo Maia em 2023, ele contou que a canção "Morena de Itamaracá" foi uma homenagem direta do músico à beleza da modelo e atriz Suzy Rego, eleita em 1984 a Miss Pernambuco, nascida em Itamaracá. Mas a canção "Boa Nova" esteve presente em coletâneas de divulgação da PolyGram.

O cantor voltaria para o mercado independente, mesmo com distribuição da PolyGram, lançando um compacto com sua produção em parceria com Rick Ferreira e Everson Dias, "Coração Pirata / Lilian My Love", um item raro para colecionador.

Versatilidade e Composições

Sua face como compositor é vasta, com obras interpretadas por grandes nomes do forró e da música popular, incluindo: 

"Beijo de Brejo" - composta com Dominguinhos e gravada pelo músico em 1979

"A Solidão" – composta por Paulo Maia e gravada por Osvaldo Américo, em 1988

"Eu Preciso de Você" – regravada por Frank Aguiar em 2001.

"Quase Morri de Amor" – esta canção incrivelmente foi se tornar um clássico do forró nordestino, sendo registrada por artistas como Natinho da Ginga (1985), Banda Capilé (1989), Ronier (1991), Banda Keijo de Mel (1997) – essa registrou a gravação em ritmo frevorró (interessantíssimo! –, Banda Forrozão Corta Fogo (2000), Banda Bicho da Goiaba (2002), Saia Rodada (2005), Nice Moreno (2015), Laércio e Forró Nó de Cana (2020) e Waldonys (2024). 

O Guardião da Memória

Além da música, Paulo é Professor de História e uma peça fundamental no jornalismo da região. Foi editor do histórico jornal O Itaborahyense e atualmente dirige o veículo cultural Zoada Bonita. Sua dedicação à cidade resultou no CD-ROM "Itaboraí História e Informações Gerais", uma das principais fontes de pesquisa sobre o município.

Atividade Atual

Afastado dos grandes circuitos midiáticos, Paulo Maia não abandonou os palcos. O músico mantém apresentações regulares em casas de shows e bares do Rio de Janeiro, onde apresenta um repertório focado em clássicos da MPB e do Pop Rock internacional, além de gerir seu próprio estúdio de gravação para trilhas e jingles. Engana-se quem pensa que o músico parou de compor! É recente a publicação nas plataformas digitais do album "Sentimento Bom", produzido em 2018 de forma totalmente independente, inclusive regravando em reggae a canção "Boa Nova", que tem uma mensagem forte após o período turbulento de pandemia que o mundo enfrentou.

Remasterização de 2023 e a finalização do MVSep

Em posse do LP que adquiri com o arquivologista Rodrigo Gabriel Guarra na plataforma Discogs, fiz uma remasterização do LP em 2022. As plataformas digitais já haviam incluído o lançamento do album de 1983, mas insatisfeito com a qualidade, decidi fazer a minha própria remasterização. com uso de agulha Concorde Mix da Ortofon. Agora, em janeiro de 2026, apliquei sobre as faixas do LP o MVSep DeNoise, dando o gran finale digna de master tape ao disco. 

(Colaboração de estruturação textual: Gemini)

Faixas: 
01. Eu Preciso de Você
02. Quase Morri de Amor
03. Moça Bonita
04. Bota Sentido, Moço
05. Fiozinho
06. Água Clara
07. Palavra de Menino
08. Quando Vejo o Sol
09. Cante Uma Canção
10. Clarissa
11. Tudo que Você Gostava
12. Saudade

Para baixar o album em FLAC, clique AQUI.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Metropolis - Trilha Sonora de Giorgio Moroder (1927 / 1984)


Metrópolis (1984): A Restauração de Giorgio Moroder


A trilha sonora original do filme Metrópolis, composta e produzida por Giorgio Moroder, representa um marco na intersecção entre o cinema clássico e a música pop dos anos 80. Esta edição brasileira, lançada pela Discos CBS em 1984, documenta o esforço de Moroder em revitalizar o filme concebido por Fritz Lang em 1927, para uma nova geração.

O ano é 2026 (cem anos após o ano em que o filme foi produzido). Em um cenário dickensiano, vivemos o "melhor e o pior dos tempos", onde a manipulação das massas é exercida pelo poder inquestionável de poucos. Muito abaixo da Cidade de Metrópolis, encontra-se a Cidade Subterrânea: um lugar onde máquinas são operadas por trabalhadores que vivem em níveis ainda mais profundos, forçados diariamente aos limites da resistência humana em uma rotina puramente mecânica.

Contexto Histórico: Da Produção à Recuperação da Obra Perdida


Metropolis foi dirigido por Fritz Lang (1890-1976), baseado na obra de Thea von Harbou (1988-1954), que roteirizou o filme em parceria com Lang. O longa-metragem ainda conta com Alfred Abel, Gustav Fröhlich, Brigitte Helm e Rudolf Klein-Rogge no elenco. Contra a vontade de seu idealizador, a obra foi encurtada para o lançamento nos Estados Unidos, o que resultou em uma narrativa desconexa e na perda de diversas cenas que ficaram desaparecidas por décadas. 

Em 1984, boa parte da obra foi recomposta, recebeu cores, efeitos sonoros contemporâneos e uma trilha sonora de Giorgio Moroder (Música, produção e arranjos) e Pete Belotte (Letra), que acabaram construindo complemento à narrativa original. O enredo do filme e trechos (inclusive fotografias) foram recuperados; Metrópolis foi restaurado o mais próximo possível de sua concepção original, acompanhada de canções eletrizantes apresentadas por um elenco estelar de cantores e bandas, o que deu mais ritmo ao filme e se tornou um ícone da cultura pop que infelizmente seus idealizadores não puderam contemplar em vida.

Mas como sabem, Metropolis é uma obra do cinema mudo. Foi em 2002 que uma restauração significativa foi lançada pela Fundação Friedrich Wilhelm Murnau (Alemanha), que buscou aproximar o filme da sua versão original de estreia. Mas em fevereiro de 2010 uma versão definitiva – e fiel à película original – do filme foi apresentada no 60º Festival de Berlim de cinema. A versão em questão contou com um trabalho também arqueológico, que recuperou cenas do material perdido por décadas, que foi encontrado em um museu na Argentina em 2008, levando o filme à duração para aproximadamente 145 a 149 minutos, honrando de vez o legado deixado por Lang e Von Harbor.

O Conceito de Ópera Pop de Moroder e Belotte

O termo "Ópera Pop" é a definição perfeita para o que Moroder e Belotte realizaram. Ao contrário de uma trilha sonora comum, que apenas acompanha a imagem, ele estruturou o álbum de forma que as canções funcionassem como as "árias" de uma ópera, onde cada artista dá voz aos sentimentos e dilemas dos personagens:

  • O Sagrado e o Profano: A voz etérea de Jon Anderson em "Cage of Freedom" traz uma espiritualidade quase religiosa para o sofrimento dos operários, contrastando com o som industrial das máquinas.

  • O Drama Humano: Canções como "Here's My Heart" (Pat Benatar) e "Love Kills" (Freddie Mercury) elevam o romance de Freder e Maria a um nível épico, transformando um filme mudo em uma experiência sensorial moderna e emocional.

  • A Narrativa Musical: A criação de letras por Pete Bellotte, que entendeu o arcabouço narrativo que precisava adotar para preencher as lacunas das cenas perdidas na época, guia o ouvinte através da "Lenda de Babel" e da dualidade entre a "cabeça" e as "mãos".

O Conflito de Poder e a Crianção do Robô


A estrutura de Metrópolis sustenta-se sobre o sacrifício dos trabalhadores na Cidade Subterrânea. Quando Maria surge pregando a união e a paciência, ela se torna uma ameaça ao sistema estabelecido por Joh Fredersen:

  • A Estratégia de Fredersen: Ele ordena que o inventor Rotwang crie uma ginoide (a Maschinenmensch) com a face de Maria para desmoralizá-la perante os operários.
  • A Traição de Rotwang: O que Fredersen não previu foi o ressentimento de Rotwang. O inventor programa o robô não apenas para perverter a imagem de Maria, mas para incitar os trabalhadores a uma revolta violenta e à destruição das máquinas.
  • O Objetivo Oculto: O plano secreto de Rotwang era destruir o império de Fredersen como vingança pessoal, usando a própria criação tecnológica para levar a cidade ao colapso total.

Do rip encontrado no RuTracker ao MVSep DeNoise:

Em 2011, um cidadão norte-americano, publicou um torrent de uma ripagem feita a partir de um LP em perfeito estado de conservação (Mint), com uso de toca-discos Technics SL-1200 MK5, agulha Osa MK2 (atualmente extinta no mercado) e pré-amplificador Cambridge Audio Azur 640P e interface E-MU 1212M v2. Eis uma configuração nível "canhão de guerra". O áudio foi capturado em 24 bits e 96 Khz via Adobe Audition 3.

Fiz a conversão do material bruto para o Wave padrão (16 Bits, 44,1 Khz) para trabalhar com a edição, com brilho de áudio no Pinnacle Clean e camada final de filtro do MVSep DeNoise, resultando numa qualidade de áudio cristalina, superior ao CD. 

A arte gráfica escaneada combinou Scans de Capa e Contracapa e Selos do material da CBS (prensagem brasileira) e Gatefold (Encarte aberto) e Folheto com letras e foto monocromática oriundos do arquivo original.  Tudo soa um material frankestein, mas é o resultado da combinância de áudio perfeito com arte gráfica na melhor resolução possível. 


Nota do editor – uma leitura do cenário atual:


O ano presente é 2026. Quando esta obra do audiovisual e da cultura pop foi lançada, com a nova visão de 1984, eu tinha ali 1 ano de idade. Atualmente prestes a completar 43 anos, quero contar um pouco da experiência que vivemos no ano atual.

É 2026, a sociedade em que estamos está mais estratificada. O abismo entre os muito ricos e os muito pobres cresceu e não existe uma classe proletariada em ascensão financeira, mas cada vez mais distante do ideal financeiro, dependente cada vez mais do Estado, que parece em diversas administrações do mundo, gastar mais do que arrecada com impostos.  Os muito ricos, temos Elon Musk, Mark Zuckerberg, Jeff Bezos, Bill Gates e outras dezenas que compõem essa elite de 1% dos que desenvolvem tecnologias que cada dia mais dão lugar aos humanos na terra. Sim, estamos falando dos criadores das vitrines para alimentar os falsos conquistadores do ideal social (Nós), uma sociedade que está alfabetizada digitalmente, mas burra intelectualmente (desinformada), despreparada para lutar por objetivos reais de vida. Nunca se viu um mundo onde muitos parecem ser influenciadores digitais das pessoas tendo sobre si a profundidade de conhecimento de um pires, falando jactanciosamente sobre tudo que alegam conhecer, mas se apertados não capazes de dar exeplos práticos de nada do que falam. Somado a isso, temos sociedades vivendo isoladas em bolhas, constituidos por uma câmara de eco, onde tudo o que importa é a confirmação de viés de seus equívocos, sem um mínimo de contraponto ao que é opositório para trazer reflexão e lucidez. A sociedade está dividia e polarizada, violenta e doente. Não se chega a um consenso do que a sociedade quer como um todo. O discurso maniqueísta sobrepujou a cobrança por uma liderança de equidade e os que governam seguem desviando os recursos dos fundos de reserva dos que trabalham deixando obrigatoriamente um percentual guardado no banco público.

Calma que piora! Sabe aqueles mananciais naturais que existiam? Eles estão dando lugar à verdadeira selva cibernética formada por datacenters, seus intermináveis fios e HDs de armazenamento, que sobrevivem da água para resfriar um sistema que não desliga e trabalha incessantemente para atender um ideal: o de encurtar o tempo do homem e poupar desgastes mentais e psicológicos da humanidade. 

Os jovens? Estão querendo fama replicando seus videos curtos de trends do TikTok nos reels do Instagram. As pessoas estão levando a vida de "arrasta pra baixo", mas de telas. Tudo não pode passar de três minutos, senão entendia o algoritmo. 

A verdade é que estes projetos da alta cúpula rica não existe um intermediador (o coração) e não existem mocinhos ou vilões. Todos somos culpados nesta sociedade que visa o entretenimento e o ruído constante sem momentos de vácuo, sono e silêncio, pra botar as idéias no lugar.

Elon Musk decretou que até o final desta década, a IA terá aprendido toda a consciência e sabedoria do ser humano e se tornará superior a raça humana. Errado ele não está, mas assim como a cidade de Metrópolis, o Globo Terrestre está fadado a ter milhares de torres de data centers e nenhum humano para dar o prompt de comando. Esse "proletariado" robótico que tem trabalhado para suprir nesta cadeia os bilionários desse mundo pode ser interrompido com o basta do homem.  Mas entre o poder e o querer existem um abismo colossal.

Falei demais, ouçam o trabalho feito!

Faixas: 
01. Love Kills - Freddie Mercury
02. Here's My Heart - Pat Benatar
03. Cage of Freedom - Jon Anderson
04. Blood From a Stone - Cycle V
05. The Legend of Babel - Giorgio Moroder
06. Here She Comes - Bonnie Tyler
07. Destruction - Loverboy
08. On Your Own - Billy Squier
09. What's Going On - Adam Ant
10. Machines - Giorgio Moroder

Para baixar esta magnífica trilha sonora em FLAC, clique AQUI.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

Festival '84 - Album Oficial do Festival San Remo (1984)


Olá, amigos! Hoje trago para vocês uma raridade que resgatei diretamente do RuTracker: o LP Festival '84. Este não é apenas mais um disco de coletânea; ele é o registro oficial de um dos anos mais emblemáticos do Festival de SanremoA edição em questão foi lançada pela gravadora CGD (Compagnia Generale del Disco) em colaboração com outros selos, como Baby Records, WEA e Durium, com a finalidade de aproveitar o sucesso comercial das canções apresentadas no 34º Festival de Sanremo.

Jairzinho: Do San Remo ao Balão Mágico

A 34ª edição do San Remo ocorreu logo em Fevereiro de 1984, ano em que Jair Rodrigues e seu filho, Jairzinho concorreram com Io e Te. Na época, Jairzinho tinha apenas 8 anos. A performance deles no palco do Teatro Ariston foi tão carismática que atravessou o oceano com direito a matéria e videoclipe no Fantástico. Se no Brasil tudo encaminhava para Jairzinho ser um dos novos integrantes do Balão Mágico, na Itália, estava saindo um LP pelo selo CGD, inteiro no idioma italiano, La Casa Dei Giocattoli, em português Casa de Brinquedos – não confundir com o album brasileiro de Toquinho, pois dele mesmo só algumas canções foram aproveitadas –, só confirmando que a vitrine foi boa e a visibilidade gigantesca.

Um LP de Campeões

Para quem não conhece a força do Sanremo, este álbum reúne a nata da música italiana daquele ano:

  • Os Vencedores: O disco traz "Ci Sarà", de Al Bano e Romina Power, que levou o 1º lugar no festival.

  • O Vice-Campeão: A faixa de abertura, "Serenata", deu a Toto Cutugno a medalha de prata naquela edição.

  • Destaque de Crítica: "Per una bambola" de Patty Pravo e "Nuovo Swing" de Enrico Ruggeri também foram finalistas marcantes da categoria principal ("Big").

Os "Falsos Estrangeiros" do LP

  • Dhuo: De fato, é uma dupla italiana formada por Bruno Bergonzi e Mike Logan. Eles faziam parte daquela leva de artistas italianos que apostavam no Italo-Disco e no Synth-pop cantado em inglês para facilitar a exportação da música. No seu LP, eles aparecem com a faixa "Walkin'".

  • Rockets: Aqui temos um caso curioso. Embora tenham começado na França, eles se tornaram um fenômeno gigantesco na Itália, sendo adotados pelo público e pela indústria italiana (especialmente pela gravadora CGD, que lançou este disco). Em 1984, com a faixa "Under the Sun" que está no seu vinil, eles já eram figurinhas carimbadas no mercado italiano, muitas vezes vistos como "prata da casa" pela forte conexão com os produtores locais.

A Participação de Randy Crawford


O festival permitia a participação de artistas estrangeiros como convidados fazendo apresentação solo ou em dueto com algum astro italiano. Inclusive há registros da apresentação da banda Queen no 2º dia do Festival (03 de fevereiro de 1984 – data do meu aniversário de 1 ano, rs...), cantando "Radio Gaga". Já Randy Crawford – estrela global contratada pela Warner Bros – apresentou no palco do Teatro Ariston como convidada de honra cantando a balada "Why", canção composta pelo italiano Pino Donaggio para o filme "O Mundo de Don Camillo (1983). Inclusive Donaggio é conhecidíssimo na Itália devido o sucesso da canção "Io Che Non Vivo (Senza Te)" que ele apresentou na 15ª edição do Festival, em 1965. No entanto a canção escolhida pra fechar este LP foi "Nightline" de autoria de Brie Howard, Davey Faragher e Glen Ballard, talvez para criar um clima de apoteose na coletânea e porque a canção estava em alta na Europa naquele ano.

A 3ª colocada que ficou de fora


A canção 'Cara', do cantor Christian, que alcançou a medalha de bronze no Festival, não entrou para este disco. Na Itália, a canção foi lançada ela de forma avulsa em single. pelo selo Polydor. Contudo, a canção pode ser encontrada no álbum extraoficial "San Remo 84" editado pelo selo búlgaro Balkanton, bem como na coletânea 'Italo Top-Hits '84 - Mit Den Festival-Siegern Von San Remo' (em português: 'Com os vencedores do Festival de San Remo'), lançada pela K-Tel na Alemanha naquele ano.

San Remo em Hi-Fi

A ripagem original foi feita em 2014 com equipamentos de altíssimo nível, como o lendário toca-discos Revox B790 e a cápsula AT 440MLa. No entanto, o que torna este arquivo que compartilho hoje especial é o tratamento recente realizado em janeiro de 2026.

Eu já havia feito um bom tratamento em Fevereiro de 2025 do material que encontrei no RuTracker, mas em Janeiro de 2026, utilizei a ferramenta MVSep DeNoise para remover os resquícios de ruído de baixa frequência do motor do prato e micro estalinhos típicos do vinil, mantendo a dinâmica original da master. O resultado é um áudio cristalino, como se o disco tivesse acabado de sair simultaneamente em CD na época.

Faixas: 
01. Serenata - Toto Cutugno
02. Walkin' - Dhuo
03. Per Una Bambola - Patty Pravo
04. Nuovo Swing - Enrico Ruggeri
05. Se Ti Spogli - Giorgia Fiorio
06. Un Amore Grande - Pupo
07. Under The Sun - Rockets
08. Ci Sarà - Albano e Romina Power
09. Quanto Ti Amo - Collage
10. Chi (Mi Darà) - Iva Zanicchi
11. Regalami Un Sorriso - Drupi
12. Non Voglio Mica La Luna - Fiordaliso
13. Io e Te - Jair Rodrigues con Jairzinho
14. Nightline - Randy Crawford

A perfeição textual se tornou possível graças à assistência do Gemini.

Para baixar a coletânea em FLAC, clique AQUI.

Aerobic Dancing - The Unmixed Edition (1989)

Quem viveu o final dos anos 80 certamente se lembra das batidas pulsantes que ecoavam nas salas de ginástica. O álbum Aerobic Dancing, lançado pela WEA em 1989, foi a trilha sonora definitiva desse movimento. No entanto, o disco original era um "non-stop mix", com as faixas emendadas para não deixar ninguém parado.

Do lado A, um repertório mais high energy pra começar no gás da esteira, polichinelo, pula corda, dança e corrida e do Lado B um repertório house uptempo para desacelerar e manter exercícios aeróbicos mais leves.

Decidi resgatar essa energia, mas de uma forma diferente. Realizei uma pesquisa minuciosa para encontrar cada versão utilizada naquele LP, montando uma coletânea Unmixed. O diferencial? Cada música foi ajustada no pitch exato em que aparece na prensagem original do vinil, preservando aquela sonoridade acelerada e vibrante que o Prof. Délio Tomaselli idealizou na época. O resultado é uma experiência em alta fidelidade com as versões 12" e Club Mix que marcaram época. Diria que um "Frankenstein de luxo" hehehehe...

Confesso que essa música "Private Joy" da cantora Cheyne que está entre Stacey Q e Oingo Boingo, fiquei surpreso ao saber que foi retirada da trilha sonora de "Weird Science – Mulher Nota 1000", sendo um new wave composto por ninguém menos que o mestre Prince. Aliás a música "Nowhere Fast", canção do mestre Jim Steinman composta pro filme "Ruas de Fogo" interpretada pelo Fire Inc. e usada como tema de abertura do Programa Livre no SBT, também está aqui, entre Oingo Boingo e The Cars. Que ode à boa música, gente! O puro energético dos anos 80!

Uma curiosidade: no single de Blue Moderne, existe a versão 'No Use to Cha Cha (House Mix)', que o produtor utilizou estrategicamente na transição para 'I Want Your Love'. Mesmo isolando as gravações, o conceito do efeito foi mantido. Essa versão que Paul Rutherford – que é backing vocal e dançarino do Frankie Goes to Hollywood – nos apresenta, é uma aula de como fazer um cover respeitoso, mas com aquela "pressão" dos anos 80. Ele pegou o DNA elegante do Chic (Nile Rodgers e Bernard Edwards) e injetou uma dose de Hi-NRG/House que casou perfeitamente com a proposta do álbum. A versão extendida usada nesse album está na edição expandida do album "Oh World" (1989) lançada em 2011 em CD duplo pela Cherry Pop. A suavização do loudness war da gravação remasterizada foi feita através do MVSep Matchering e uma leve fade out foi feito no final da canção. Ficou uma delícia!

Outro detalhe técnico interessante: a cantora canadense Nancy Martinez, no intervalo entre seus álbuns "Not Just the Girl Next Door" (1986) e "Unpredictable" (1989), lançou avulsamente a música "Can't Wait". Na versão "Vocal Club Mix", o mix original do LP utilizou um trecho do meio da música pra colar na introdução. Repliquei esse mesmo artifício para criar a versão definitiva da faixa neste projeto. 

E o duo Genuine Parts formado por duas MCs Ivette & Diley, não gravou álbuns mas lançou 4 singles na década de 80 sendo três pela Pizazz Records, com distribuição global pela Atlantic Records. Por isso veio parar no album da WEA, não por acaso. Mas pensa numa música mosca branca! Conclusão: em 'Show Me What To Do', recorri ao recorte da própria mixagem do LP, estendendo a estrutura com 'copy e paste' e um fade out sutil.  E para garantir uma coesão sonora com a coletânea fidelidade sonora, recorri ao MVSep Matchering.

Faixas:
01. I Love You (St. James Mix) - Stacey Q
02. Private Joy (Extended Version) - Cheyne
03. Just Another Day - Oingo Boingo
04. Nowhere Fast (tema do Programa Livre) - Fire Inc.
05. Tonight She Comes - The Cars
06. No Use To Borrow (Club Mix) - Blue Moderne
07. I Want Your Love (Extended Mix) - Paul Rutherford
08. Can't Wait (Vocal Club Mix) - Nancy Martinez
09. Show Me What To Do (Vocal Radio Mix) - Genuine Parts
10. You Came (Shep Pettibone Mix) - Kim Wilde
Agradecimento a Jefferson Shimitzu pela faixa 08 e ao Gemini pela parceria – de milhões – no start textual.
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terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Ricardo Rangell - Ricardo Rangell (1991)

A trajetória de Ricardo Rangell na música brasileira é o retrato de um profissional que viveu o auge da sofisticação técnica dos estúdios cariocas, mas cuja imagem como intérprete ficou restrita a um momento muito específico. Antes de estampar a capa deste LP em 1991, Rangell já acumulava doze anos de estrada, atuando majoritariamente no anonimato dos bastidores. Sua experiência real vinha da composição de trilhas sonoras para o cinema e da produção musical, tendo colaborado em projetos de apelo popular massivo, como os filmes dos Trapalhões e da Xuxa. Essa bagagem explica sua facilidade em circular entre os grandes nomes da indústria, mas não foi suficiente para garantir um lugar permanente sob os holofotes.

Embora o material promocional da época tentasse pintar Rangell como um artista que buscava fugir da "pasteurização", o que se ouve no disco é um produto ajustado ao padrão das rádios FM da transição entre os anos 80 e 90. O álbum não deixa de ser uma extensão do trabalho da banda Roupa Nova que toca em todas as faixas do disco. Com a produção dividida entre Ricardo Feghali e Renato Corrêa, além dos arranjos de Lincoln Olivetti e Julinho Teixeira, a identidade do cantor acaba sendo moldada por uma estética de estúdio muito poderosa, onde o instrumental da banda e os teclados polidos ditam o ritmo de quase todas as faixas.

O perfil de Rangell no disco é o de um intérprete técnico que soube aproveitar as conexões certas. Embora o release do artista tenha escolhido "Verão Vermelho", uma canção de Paulo Henrique e Carlos Colla, para ser canção de trabalho, foi "Eu Não Sabia Que Me Apaixonava" – composição de Serginho Herval e Nando do Roupa Nova – que deu o privilégio do impulsionamento de carreira, tendo sido tema da novela Felicidade. A canção inclusive se tornou detaque do CD "Novelas Super Sucessos – Vol. 9", que a Sony Music lançou em 1998. 

A pergunta que ficou desde a trilha da novela com a ótima canção, que tem um apelo new bossa nova é: "O que mais esse Ricardo Rangell gravou?" Cercado por um repertório de compositores de ofício como Ed Wilson, Carlos Colla, Prêntice, Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle, ele entrega um trabalho com competente, mas sem material vocal e a vontade de exposição que é pré-requisito do mercado pop. Mesmo escolhendo "Doce Ilusão" – outra de Serginho e Nando – como uma canção esteticamente vivável para tema de programas românticos das FMs da década de 90, era nítido para o manequim, Ricardo Rangell, a roupa nova era inservível. No entanto, há um esforço notório de Rangell em contar uma história através de sua voz indiscutivemente afinada através de um alinhamento de repertório que transita entre rocks e baladas, resultando em um material bem coeso!

No fim, a efemeridade do projeto foi selada pela própria estratégia da gravadora: apesar do encarte bem cuidado e da produção de luxo, o álbum nunca chegou a ganhar versões em CD ou Cassete. O LP de Ricardo Rangell acabou se tornando um item de nicho. um registro solitário de um profissional de bastidores que teve o seu dia de protagonista em um vinil que o tempo acabou tornando raro. Enfim, se foi uma retirada de cena, fez com esmero em um material único que marcou história na música popular brasileira.

Sobre a remasterização: Este trabalho nasceu de um gesto do meu queridíssimo amigo Robson Oliveira, do canal Roupa Nova Participações no YouTube. Ele me enviou o LP em 2017 — ano em que, curiosamente, eu lidava com uma fratura de fíbula. Apesar de ter sido adquirido como "em perfeito estado", o disco apresentava sérios problemas de conservação. Como se trata de um item raro, a recuperação foi uma verdadeira saga: trabalhei vagarosamente na remoção de estalos e na reconstrução de trechos que pulavam ou enroscavam, muitas vezes apelando para o peso manual sobre a agulha. Foi um processo que o Robson acompanhou de perto e que só consegui concluir em 2024, finalizando com o "verniz" de limpeza de hiss através do MVSep DeNoise.

OBS: Este texto foi escrito com assistência da ferramenta generativa Gemini.

Faixas: 
01. Doce Ilusão
02. Lugar Secreto
03. Venha
04. Fim de Semana
05. Camelô´dos Meus Sonhos
06. Mal de Amor
07. Verão Vermelho
08. Glória do Amor
09. Eu Não Sabia Que Me Apaixonava
10. Pode Me Dar
11. Bateu e Valeu
12. Vivendo o Momento

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domingo, 25 de janeiro de 2026

Golden Boys - Golden Boys (1986)

O Golden Boys surgiu no ano de 1958, formado por: Waldir Anunciação (1941-2004), Roberto Corrêa (1940-2016), Ronaldo Corrêa (hoje com 83 anos) e Renato Corrêa (hoje com 81 anos). 

A extensa família Corrêa tem irmãos mais jovens que formaram o Trio Esperança, que eram Mário, Regina e Evinha. Com a saída de Evinha para carreira solo, a Marizinha entrou em seu lugar.

Renato Corrêa do Golden Boys, que é conhecido por estar a frente da direção artística da EMI Odeon, na década de 80 e lançar artistas como Dalto e Banda Blitz e ainda produzir os últimos discos do José Augusto na gravadora, trouxe o know-how para este trabalho dos Golden Boys que conta com um time de músicos de primeira linha!

Jurim – Bateria
Jamil Joanes – Baixo em "Não Chore Baby", "Transformista" e "Pot-Pourri".
João Batista – Baixo em "Imagens", "Nova Mulher", "Talvez", "Rock 'N'Roll Lullaby", "Quando Penso em Você", "Tipo Blásée" e "Ah! Como É Bom".
Jaime Além – Guitarra em todas as faixas e Violão em "Não Chore Baby", "Imagens", "Rock 'N' Roll Lullaby" e "Tipo Blasée".
Zé Lourenço – Teclado em todas as faixas, exceto em "Quando Penso em Você".
Jota Moraes – Teclado em "Quando Penso em Você".
Léo Gandelman – Saxofone em "Imagens" e "Ah! Como É Bom".
Cidinho – Percussão em "Talvez" e "Ah! Como É Bom".

Embora o grupo tenha aproveitado o sucesso de "Rock 'N'Roll Lullaby" da segunda versão da novela Selva de Pedra de 1986, ela não fez sucesso. E pelo incrível que pareça, a gravadora "jogou água no chopp" ao não eleger ao menos três canções classudas para divulgar o album e que redescobrindo o album eu me teletransporto ao ano de 1986, me imaginando como programador de radio naquele ano, incluindo ao menos estas canções: "Imagens" (composição de Leno), "Quando Penso em Você" (composição de Cláudio Rabello e Jota Moraes) e "Talvez" (composição de Ronaldo Corrêa). Também ouvindo este disco senti grande desleixo por parte da Sony Music em não contemplar faixas inéditas desse disco para o repertório da série Brilhantes, que praticamente é o disco O Sonho Não Acabou inteiro com capa de coletânea. E mais adiante tinha oportunidade de lançar a Série XXI e Maxximum com os dois albuns na íntegra, não fizeram.

Coube aos entusiastas que descobrem a existência destas pérolas no garimpo e levam pra casa pra remasterizar, que é o meu caso! O LP foi remasterizado com uso de agulha Ortofon Concorde Club, garantimdo o melhor resultado possível de fidelidade sonora. Ao passar o áudio no MVSep DeNoise a sensação é de que estou com uma master de gravadora, mesmo com um ou outro estalinho apareça.

Faixas: 
01. Não Chore Baby (Don't Worry Baby)
02. Imagens
03. Nova Mulher
04. Talvez
05. Ah! Como É Bom
06. Rock 'N' Roll Lullaby
07. Quando Penso em Você
08. Transformista
09. Tipo Blasée
10. Na Rua, Na Chuva, Na Fazenda; Casaco Marrom e Andança

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sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

Edu Passeto - China Blue (1985)

Edu Passeto foi um músico e compositor brasileiro natural de Pindorama (SP), radicado em Campinas, onde se tornou uma figura conhecida no cenário musical autoral da região. Sua trajetória artística começou muito cedo, tocando desde a infância e se consolidando como intérprete e compositor a partir dos anos 1970, tendo se apresentado em festivais, casas noturnas e eventos culturais ao longo de toda a sua vida.

Na virada dos anos 1980, firmou uma parceria criativa com o músico Gui Tavares, com quem lançou o álbum Noite Que Brincou de Lua em 1981. Este trabalho, produzido de forma independente, reuniu canções que combinam elementos de música popular brasileira, folk, jazz, rock e bossa nova, criando um repertório autoral que dialoga com as correntes estéticas do período.

Noite Que Brincou de Lua foi redescoberto por colecionadores e aficionados por música brasileira e ganhou edição oficial em vinil e CD em 2018 pela Far Out Recordings, selo britânico conhecido por relançar raridades da música brasileira para audiências globais.

Em 1985, Passeto também lançou o álbum China Blue pelo selo Zero Db, com distribuição da PolyGram — um registro de sua produção solo no cenário musical independente dos anos 1980.

Ao longo das décadas seguintes, Passeto continuou atuando como músico e compositor até o fim de sua vida, com diversos projetos e apresentações ao vivo, incluindo registros em CD e DVD que circulam em acervos particulares e coleções de fãs. Títulos como Sentitive – Edu Passeto Ao Vivo, Versão Brasileira, Atibaia Encantado e DVD Edu Passeto Ao Vivo são lembrados por ouvintes e pesquisadores, embora suas datas de lançamento não estejam amplamente documentadas em catálogos públicos online.

Edu Passeto faleceu em 2008, vítima de aneurisma cerebral. Sua obra tem sido revisitada por colecionadores e apreciadores da música autoral brasileira, mantendo viva a memória de um artista que construiu uma carreira consistente e reconhecida por sua autenticidade e sensibilidade criativa.

(Texto elaborado com ChatGPT, que também foi parceiro de pesquisa)

Revisitando China Blue


O meu amigo Charles Portilho, proprietário da 019 Discos, me emprestou o LP do músico Edu Passeto para que além de conhecer, digitalizar suas canções e torná-las conhecida ao público em geral. O album é uma produção independente assinada pelo músico, que compõe todas as faixas do disco, e traz alguns parceiros, como Anildo Antonio (em "Tudo de Novo"), Adriana Pimentel (em "Paraty"), Brandini (em "Reggae do Mosteiro") e Rafael Contatoni (em "Padre Vitor"). O disco teve direção musical de Rafael Contatori e produção executiva de Edu Passeto. Aliás, Passeto, Contatori e Petrocinio Jr revezam parcerias de arranjos das canções do disco, conforme apontado no Discogs.

A cozinha musical deste album é composta por:
  • Edu Passeto – Vocal, guitarra e claves
  • Carlos Alberto G. Silva – Baixo 
  • Newton L. Regina Jr. – Guitarra Elétrica
  • Rodrigo Botter Maio – Sax Alto e Sax Soprano
  • Alex Maiorino – Teclados (Emulador EMAX)
  • Alcides Maiorino Filho, Claudinho Barroso, H. Petrocino Jr., Rafael Contatori - Teclados (Emulador EMAX).

Para a digitalização, foi utilizada agulha Shure M-44G, garantindo uma qualidade brutal na leitura dos sulcos do LP. A criteriosa remasterização contou ao final com processamento do áudio no MVSep DeNoise, para retirada de hisse e rumble do LP, resultando numa audição aprazível e livre de chiados aparentes, mas preservando o conteúdo original.

Faixas: 
01. China Blue
02. Tudo de Novo
03. Pela Vidraça
04. Voarás
05. Paraty
06. Cruzeiro do Sul
07. Cabochard
08. Reggae do Mosteiro
09. Boca de Avelã
10. Padre Vitor

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Lula Barbosa - Os Tempos São Outros (1986)


O Som de uma Era: "Os Tempos São Outros" de Lula Barbosa

Em 1986, Lula Barbosa entregava ao público um disco que capturava a alma da música brasileira daquele momento. "Os Tempos São Outros" não é apenas um título; é um manifesto de esperança e renovação que se sente logo na primeira faixa.

O grande destaque, claro, é a emblemática "Mira Ira (Povo Mel)", canção que arrebatou o Brasil como finalista do Festival dos Festivais. Com a participação especial de Miriam Mirah, a faixa é um hino à terra e à ancestralidade, contando com um arranjo magistral de Wagner Tiso e o violão de Victor Biglione.

A verdadeira força deste LP revela-se nos detalhes de sua ficha técnica, que reúne nomes fundamentais da nossa música:

  • A Arquitetura dos Arranjos: O disco é lapidado por mestres como Gilson Peranzzetta, Mario Lucio Marques, Alberto Rosenblit e o próprio Wagner Tiso.

  • A Identidade das Guitarras e Violões: Cada faixa ganha uma cor única com as cordas de grandes instrumentistas. Ricardo Silveira traz seu violão de aço e guitarra para a faixa-título; Robson Jorge marca presença em "Pra Ver Nascer O Sol"; Roberto Menescal empresta seu violão para a delicada "Estrela"; enquanto Vitor Biglione transita entre o violão em "Mira Ira" e a guitarra em "Tempo De Fé". Além deles, o virtuosismo de Wander Taffo brilha no solo de "Toque Mágico".

  • A Base e o Ritmo: No baixo, o talento de Arthur Maia conduz faixas como "Os Tempos São Outros" e "Sesmaria", enquanto Jorginho assume as linhas de "Pra Ver Nascer O Sol". A pulsação do álbum conta ainda com a bateria de Paschoal Meirelles e a percussão de nomes como Bizu e Clodoaldo Canizza.

  • Texturas e Sopros: O álbum brilha com os pianos e sintetizadores de Alberto Rosenblit e Mario Lucio Marques, além dos sopros consagrados de Márcio Montarroyos, Ricardo Pontes e Zé Carlos.

  • Produção de Referência: Gravado nos lendários Estúdios Transamérica (SP) e Sigla (RJ), o projeto teve a produção executiva de Mariozinho Rocha, com a colaboração fundamental de Luiz Carlos Maluly em faixas estratégicas. Inclusive foi essa colaboração que levou "Toque Mágico" como single às grandes FMs.

Curiosidades:


Antes dessa super produção, Lula Barbosa teve uma aparição tímida em um compacto duplo lançado pela Continental em 1981, com 4 canções, considerado uma relíquia, arranjado por Joel Nunes e produção de Telmo Rodrigues. Contudo, em 1984, uma faixa deste disco de 1986 apareceu no compacto "Pra Ver Nascer o Sol" lançado pela RGE, tendo como Lado B a faixa "Felina". Ambas com arranjos e todos os sons de Nico Rezende e guitarra de Torquato Mariano. 

A canção "Tempo de Fé" já havia sido gravada por Jessé no album Estrela de Papel (1984), em uma das interpretações que considero mais emocionantes do saudoso intérprete.

Visando extrair até a última gota o sucesso obtido do Festival dos Festivais, a gravadora Continental lançou o album "Terra Cannabis" do Grupo Tarancón, apresentando uma versão de Mira Ira com a interpretação vocal de Miriam Mirah. A faixa ainda contém a presença de Placa Luminosa, que participa com o Tarancón e Lula Barbosa na versão oficial para o LP do festival.

Lula Barbosa teve oportunidade de colaborar como compositor para repertório de artistas como: Fábio Junior, Negritude Junior, Só Pra Contrariar, Ara Ketu, O Terço, Ana Caram, Jair Rodrigues, Gaucho da Fronteira, Junno Andrade, Chrystian & Ralf, Grupo Tarancón, Jane Duboc, Jessé, Banda Cheiro de Amor, Gilliard e vários outros, comprovando que transitava sem fronteiras entre vários estilos musicais. 

Ainda contratado pela CBS, Lula Barbosa lançou "Bons Tempos" dentro da trilha da novela "Direito de Amar" (1987), um samba-canção que ficou restrito na trilha sonora e nunca lançada em LP. Após o término do contrato com a CBS, o músico seguiu caminho independente e concorreu vários outros festvais locais de música popular brasileira e regional, pois o músico sempre acreditou na emanação da força da música brasileira raiz por meio desses eventos. 

Remasterização e o projeto "Redescobrindo Sons do Brasil":

Em novembro de 2017 realizei uma remasterização do LP com agulha Ortofon Om5e, aproveitando os recursos que dispunha para obter o melhor resultado sonoro na época. O artista já havia feito audição das gravações minhas e comparado com o backup da fita DAT do album, que foi publicado ano passado nas plataformas digitais. A sonoridade do material da fita reflete uma sensibilidade maior e até superior à Fita K7, mas por se tratar da cópia da fita de rolo para a DAT, sofre intempéries que resultam no desgaste do material que é interrompido no vinil por ser uma master definitiva e mantida intacta se o LP é conservado. Por fim, em janeiro de 2026, apliquei uma limpeza com retirada de hiss e rumble da gravação minha de 2017, com uso de MVSep DeNoise. O resultado ficou, o que chamaria de definitivo. 


Faixas: 01. Os Tempos São Outros
02. Viajar
03. Mira Ira (Povo Mel) [Part. Esp. Miriam Mirah]
04. Tempo de Fé
05. Sesmaria
06. Toque Mágico
07. Para Ver Nascer o Sol
08. Guarida
09. Moleca
10. Estrela
11. Mira Ira (Povo Mel) [Primeira Versão] (Part. Esp. Tarancón e Placa Luminosa)

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quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Michael Sullivan & Paulo Massadas - Sullivan & Massadas (1987)

Sullivan & Massadas: O Épico Pop da RCA

Em 1987, Michael Sullivan e Paulo Massadas deixaram de ser apenas os arquitetos dos sucessos gravados por seus colegas para assumirem o protagonismo com seu primeiro LP pela RCA Victor. Sob a direção artística de Miguel Plopschi, o álbum é um monumento à produção fonográfica, unindo o refino tecnológico à proposta popular da dupla na época, que ficou com a produção executiva do projeto sob seus cuidados. O resultado é uma mescla de canções dançantes no estilo rock e rhythm & blues americano – que constituem a trajetória da dupla desde a década de 1970 – com baladas emblemáticas com forte apelo para FMs.

Arquitetura Sonora e Produção Internacional

O refinamento que se ouve neste projeto é fruto de uma colaboração técnica rigorosa. Gravado nos estúdios WILD TRACKS e LION SHARE, na Califórnia, o álbum contou com a co-produção e arranjos de Erich Bulling, que também assumiu os teclados e a programação. A mixagem final, realizada nos Estúdios da BMG no Rio de Janeiro, passou pelas mãos de técnicos como Marcelo Sussekind e Flávio Sena, garantindo a clareza das camadas instrumentais que incluem as guitarras de Bob de Marco e Ricardo Silveira.

Participações Especiais: Um Desfile de Estrelas

As faixas são verdadeiros documentos históricos de parcerias e homenagens:

  • Quero Mais: Abre o Lado A com o piano e a sofisticação de Sérgio Mendes, um dos brasileiros mais respeitados no mundo, gentilmente cedido pela AM Discos.

  • Lady X: Sullivan e Massadas trazem o Trem da Alegria para homenagear a "Rainha" Xuxa Meneghel, em uma celebração do fenômeno infantil que eles mesmos ajudaram a criar. A canção conta com o reforço do coro infantil formado por Clara, Ana, Bianca, Betina e Rodrigo Otavio.

  • Dê Uma Chance ao Coração: Mais do que um hit, é uma reunião filantrópica que contou com um coro estelar composto por Alcione, Fafá de Belém, Sandra de Sá, Roupa Nova, Fagner, Rosana, Joanna e Patrícia Marx e ainda traz o reforço de um coro formado por Prêntice, Junior Mendes, Roberto Corrêa, Regina Corrêa, Ronaldo Corrêa, Fabiola, Nina e Solange. A canção, diga-se de passagem, foi um estouro nas FMs na época do lançamento!

  • I Need Somebody: a canção que traz solo de guitarra de Ricardo Silveira, tem participação de Jermaine Jackson, artista cedido pela Arista, reforçando a fusão do rhythm & blues com o funk americano. 

Dados curiosos:

A Metamorfose de "Doce Estrela": Um detalhe histórico fascinante reside na faixa de encerramento, "Doce Estrela". Em 1987, ela se apresenta como uma balada estritamente romântica, com versos que narram o desejo e a espera. Entretanto, esta obra passaria por uma lapidação profunda três anos depois: em 1990, para o 5º álbum do Trem da Alegria, a letra "boba" original daria lugar a um contexto espiritual e religioso. Com a participação do Roupa Nova (que já estava presente no coro deste disco de 87), a canção deixaria de ser apenas um romance para se tornar um hino de fé, mostrando a versatilidade composicional da dupla.

A releitura posterior de "Sei": Um ano após o album de Sullivan & Massadas, a canção foi oferecida a José Augusto – que também participa na canção "Dê Uma Chance ao Coração" – que incluiu no repertório de seu 3º album gravado pela RCA, em 1988. 

Nota de Remasterização

Visando garantir melhor fidelidade sonora do LP, foi usada a agulha Ortofon Concorde Mix. Mesmo com o resultado satisfatório em 26/11/2023, em janeiro de 2026 apliquei sobre os áudios tratamento de MVSep DeNoise, melhorando ainda mais a experiência auditiva.

Faixas: 
01. Quero Mais (part. esp. Sergio Mendes)
02. Não Diga Adeus
03. Entre Amigos
04. Lady X (part. esp. Trem da Alegria)
05. Na Linha da Tua Mão
06. Caminhos da Emoção
07. Dê Uma Chance ao Coração (part. esp. amigos)
08. Três É Demais
09. I Need Somebody (part. esp. Jermaine Jackson)
10. Sei
11. Doce Estrela

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